Seleções Imortais – Uruguai 1920-1930

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Grandes feitos: Primeira seleção Campeã da Copa do Mundo da FIFA (1930), Bicampeã Olímpica (1924 e 1928) e Tetracampeã da Copa América (1920, 1923, 1924 e 1926).

Time-base: Ballesteros; Gestido, Mascheroni, Nasazzi e Scarone; Andrade e Fernandez; Dorado, Cea, Castro e Iriarte (Anselmo). Técnico: Alberto Suppici

 

“A primeira grande seleção que o mundo conheceu”

O futebol no início do século XX ainda não tinha como protagonistas seleções bem conhecidas hoje como Alemanha, França, Holanda ou até mesmo o Brasil. Ele tinha apenas um rei, um soberano, que vestia um manto azul celeste e calção negro. Era o Uruguai, o primeiro esquadrão espetacular que o mundo conheceu. A equipe que desfilou pelos gramados sul-americanos e europeus nas décadas de 20 e parte da de 30 ficou conhecida como “A Celeste Olímpica”, graças ao bicampeonato olímpico nas Olimpíadas de Paris (1924) e Amsterdam (1928). A consagração viria em grande estilo e com pompa, quando a equipe venceu a primeira Copa do Mundo da FIFA, em 1930, disputada justamente no Uruguai. Os sul-americanos eram coroados como os melhores do planeta. Vamos entender melhor a magia daquela celeste.

 

Emancipação da “marca” uruguaia

Pequenino, um dos menores do mundo, o Uruguai, como país, nunca havia tido grande destaque no cenário mundial. Foi então que o futebol começou a despontar como um grande aliado na promoção do país para os quatro cantos do mundo. Com jogadores modernos, hábeis, cheios de raça e com exímia técnica, a seleção venceu as primeiras edições da história da Copa América, em 1916 e 1917. Em 1919, perderia pra o Brasil a decisão. Mas, a partir de 1920, começaria a construir uma rica história, recheada de conquistas maravilhosas.

 

O mundo conhece o Uruguai

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Foram os uruguaios que começaram com a famosa “volta olímpica”, lá nos anos 20, em solo europeu.

 

A celeste seguiu brilhando e conquistou duas vezes a Copa América, em 1920 e 1923. Porém, os títulos serviram como espécie de “treino de luxo” para que o time se preparasse para o grande desafio: as Olimpíadas de Paris, em 1924, então torneio mais importante do mundo. Foi aí que a Europa (e o mundo) passaram a admirar e a conhecer o futebol celeste. Na fase preliminar, goleada por 7 a 0 contra a Iugoslávia. Na fase seguinte, vitória fácil contra os EUA: 3 a 0. Nas quartas de final, a equipe dá show e vence os donos da casa, os franceses, com acapachantes 5 a 1. Na semifinal, vitória apertada contra a Holanda por 2 a 1. Na decisão do ouro, vitória pra cima da Suíça por 3 a 0. Era o Uruguai no topo mais alto do pódio, e nos olhos de todos. A partir dessa conquista, os europeus passaram a respeitar mais o futebol não só uruguaio, mas também sul-americano, percebendo que o mundo ia além mar. Naquele mesmo ano, a equipe venceu mais uma Copa América, mantendo sua soberania no continente.

 

Fome por ouro

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Em 1926, o Uruguai conquistaria mais uma Copa América, somando seis conquistas. Sem rivais à altura no continente, a equipe começou a preparação para mais uma disputa olímpica, dessa vez em Amsterdam, de novo na Europa. Com a mesma base de quatro anos antes, o time passou na primeira fase pela Holanda por 2 a 0. Nas quartas de final, vitória inapelável contra a Alemanha por 4 a 1. Na semifinal, embate duríssimo contra a grande seleção europeia na época, a Itália: 3 a 2 para os uruguaios. Vaga na final, e os adversários seriam os rivais argentinos. O jogo terminou empatado em 1 a 1, o que forçou a realização de uma nova partida, já que na época não existia prorrogação ou disputa por pênaltis. Três dias depois, o Uruguai mostrou sua força e bateu os “hermanos” por 2 a 1. Era a confirmação de que a celeste era mesmo olímpica, bi campeã, deslumbrando de vez a Europa e o mundo. Ninguém podia com eles. Era o limite para aquele time? Que nada, faltava a cereja no bolo: a Copa do Mundo!

 

A primeira Copa da história

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Em 1914, a FIFA reconheceu as Olimpíadas como uma competição global de futebol, e decidiu organizar as disputas futebolísticas a partir de 1924, ano do primeiro ouro uruguaio. Com o bi em 1928, a entidade decidiu organizar a sua própria competição, que ocorreria no mês de julho de 1930. A FIFA escolheu o Uruguai como país sede em uma conferência na cidade de Barcelona (ESP) no ano de 1929, devido a celebração do centenário da independência do país exatamente em 1930, e por sua seleção ser a atual bicampeã olímpica, e, de certa forma, “mundial”. Apenas 13 seleções disputaram o então desconhecido torneio, com as partidas disputadas na capital Montevidéu, a maioria no Estádio Centenário, construído especialmente para aquela competição. Não houve eliminatórias, e as inscrições eram abertas a todos os países membros da FIFA. Com isso, participaram sete equipes da América do Sul, quatro da Europa e duas da América do Norte. Por conta da longa e cansativa viagem da Europa até a América (que era feita de navio), muitas seleções não quiseram participar do torneio. As equipes foram divididas em quatro grupos, sendo que o Grupo 1 teria quatro equipes, e os outros, três cada. Os primeiros colocados garantiam vaga nas semifinais, e os vencedores iam para a final.

 

Começa o espetáculo celeste

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O Uruguai estreou na competição contra o vizinho sul-americano Peru. E venceu por 1 a 0. O jogo seguinte seria mais fácil, e a equipe goleou a Romênia por 4 a 0. Com as duas vitórias, a equipe se garantiu na semifinal, onde atropelou a Iugoslávia por 6 a 1. Era hora da grande final, contra os grandes rivais argentinos. Nota: o Brasil foi eliminado na primeira fase, ao perder para a Iugoslávia e vencer a Bolívia.

 

Mundo celeste

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Mais de 70 mil pessoas lotaram o Centenário para ver a primeira final de Copa do Mundo da história. De um lado, os soberanos e donos da casa, Uruguai. Do outro, a sempre pentelha e regular Argentina. O jogo começou pegado, e o Uruguai abriu o placar com Dorado. O gol despertou os “hermanos”, que empataram com Peucelle e viraram ainda no primeiro tempo com Stábile, um dos maiores artilheiros da história da Argentina. Porém, na etapa final, o Uruguai sufocou o rival, contou com o apoio de sua torcida, e virou o jogo, com Cea, Iriarte e Castro. Uruguai 4×2 Argentina. A celeste conquistava a primeira Copa do Mundo FIFA, e chegava, definitivamente, no topo.

A Celeste da Copa: habilidade no ataque e segurança de Andrade e Nasazzi eram os destaques de um time histórico.
A Celeste da Copa: habilidade no ataque e segurança de Andrade e Nasazzi eram os destaques de um time histórico.

 

A idade chega e a lenda termina

Depois do título e da fama mundial, a equipe começaria a iminente decadência, com a aposentadoria de seus principais craques, somadas aos boicotes às Copas de 34 e 38, por conta da ausência de muitos europeus no primeiro mundial. Era o fim de uma equipe recheada de ótimos jogadores, que ensinaram o mundo como se jogava futebol com exímia qualidade, malícia, agilidade e raça. Ninguém podia com eles. Era muito futebol, muita técnica, muitos gols. O esquadrão de Andrade, Cea, Anselmo e Castro deixou muitas saudades nos torcedores uruguaios e mundiais. Foi o time que batizou para sempre uma equipe, batismo que perdura há mais de 84 anos: A Celeste Olímpica.

 

Os personagens:

Ballesteros: era o goleiro de uma equipe que se garantia lá na frente. Normalmente, tinha pouco trabalho debaixo dos três postes.

Gestido: Álvaro Gestido era ponta esquerda daquele super time, e tinha o apelido de “El Cabellero Del Deporte”. Conquistou muitos títulos pela celeste de 1927 a 1940.

Mascheroni: atuou ao lado do lendário Nasazzi na zaga uruguaia. Jogou pela celeste de 1929 até 1939.

Nasazzi: zagueiro central de grande força física, foi um dos mais premiados e elogiados atletas da história futebolística, sendo o único, juntamente com Pedro Cea e Héctor Scarone, a ser titular em todas as conquistas da Seleção Uruguaia nos anos 1920 e na Copa de 1930. Seu estilo de jogo e sua liderança sobre os companheiros lhe renderam os apelidos “El Mariscal” e “El Terrible”, ambos criados pela imprensa de Montevidéu. Leia mais sobre ele clicando aqui.

Castro: matador de carteirinha, foi um dos maiores atacantes da história do Uruguai. Ficou conhecido como “manco”, por não ter a mão direita. Marcou diversos e decisivos gols, principalmente na Copa e nas Olimpíadas.

Scarone: outro mito da seleção uruguaia, marcou 31 gols em 52 jogos pela equipe. Conquistou inúmeros títulos, e tinha como destaque a velocidade e a habilidade tremenda com a bola nos pés. Foi um dos primeiros a jogar na Europa, em equipes como Barcelona (ESP) e Palermo (ITA).

Andrade: volante e meio campista, José Leandro Andrade foi o primeiro grande jogador negro da história do futebol mundial. Dono de um físico privilegiado, perfeito nos desarmes e elegante, era o cérebro de uma equipe mágica, e foi fundamental nas conquistas do bicampeonato olímpico (24/28) e da Copa de 1930. Leia mais sobre ele clicando aqui.

Fernandez: Lorenzo Fernandez era o “brabo” do time. Provocador e aguerrido, era completamente o oposto de seu companheiro de meio campo, Andrade. Foi fundamental na conquista da Copa de 30, e é lembrado por fazer supostas ameaças aos jogadores argentinos na decisão.

Dorado: exímio ponta esquerda, Pablo Dorado fez o primeiro gol do Uruguai na final da Copa de 30. Rápido e muito técnico, era um dos mais jovens daquele time.

Cea: Pedro Cea foi o outro integrante da tríade que disputou todas as partidas das conquistas do bicampeonato olímpico e da Copa de 30 do Uruguai. Goleador nato, marcou o gol de empate na decisão do mundial, além de anotar vários outros em muitas partidas decisivas ao longo da década de 20. É um dos grandes do futebol nacional e mundial.

Iriarte: Substituiu Anselmo na final da Copa de 30, e o fez com maestria, ao anotar um golaço contra a Argentina naquela partida histórica. Jogava pela ponta direita do esquadrão celeste.

Anselmo: centroavante goleador, só não jogou a final da Copa por um problema na coxa. Participou, também, da conquista do ouro olímpico de 28.

Alberto Suppici (técnico): teve a honra de ser o primeiro treinador campeão mundial de futebol. Com um time recheado de estrelas, praticamente tinha o papel apenas de distribuir as camisas e organizar os treinos, afinal, jogar futebol aquela equipe sabia. E muito!

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