Craque Imortal – Maradona

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Nascimento: 30 de Outubro de 1960, em Lanús, Argentina

Posição: Meia-Atacante / Atacante

Clubes: Argentinos Juniors-ARG (1976-1981), Boca Juniors-ARG (1981-1982 e 1995-1997), Barcelona-ESP (1982-1984), Napoli-ITA (1984-1991), Sevilla-ESP (1992-1993) e Newell´s Old Boys-ARG (1993-1994).

Principais títulos por clubes: 1 Campeonato Argentino Metropolitano (1981) pelo Boca Juniors

1 Copa do Rei (1983) e 1 Supercopa da Espanha (1983) pelo Barcelona

1 Copa da UEFA (1989), 2 Campeonatos Italianos (1987 e 1990), 1 Copa da Itália (1987) e 1 Supercopa da Itália (1990) pelo Napoli.

Principais títulos por seleção: 1 Copa do Mundo (1986) e 1 Campeonato Mundial Sub-20 (1979) pela Argentina.

Principais títulos individuais:

Melhor Jogador Sul-Americano do ano: 1979 e 1980

Melhor Jogador do Mundial Sub-20: 1979

Melhor Jogador Argentino do Ano pela Associação de Jornalistas da Argentina: 1979, 1980, 1981 e 1986

Bola de Ouro da Copa do Mundo da FIFA: 1986

All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 1986 e 1990

Melhor Jogador do Mundo eleito pela revista World Soccer: 1986

Onze d’Or: 1986 e 1987

Bola de Bronze da Copa do Mundo FIFA: 1990

Melhor Jogador do Século XX da FIFA (votos de internautas): 2000

3º Maior Jogador do Século XX pelo Grande Júri FIFA: 2000

2º Maior jogador Sul-Americano do século XX pela IFFHS: 1999

2º Maior jogador do século XX pela revista France Football: 1999

Time dos Sonhos da FIFA: 2002

FIFA 100: 2004

 “Deus argentino”

Ele foi o melhor jogador de todos os tempos. Isso, claro, para os argentinos. E possivelmente para os torcedores do Napoli. Diego Armando Maradona pode não ter sido o melhor dos melhores por conta de ter existido no século passado “um tal Pelé”, mas ele foi, sem dúvida alguma, um dos melhores que o mundo já viu. Dono de uma habilidade fora do comum, extrema velocidade e muita inteligência dentro das quatro linhas, Maradona foi um dos três jogadores (os outros foram Garrincha, em 1962, e Romário, em 1994) a ter ganhado uma Copa do Mundo praticamente sozinho, em 1986. O que “Dieguito” jogou naquele mundial não está escrito. Fez gol antológico driblando meio time da Inglaterra, fez gol com “a mão de Deus” e deu passes para diversos gols, inclusive para o gol do título mundial argentino. Maradona brilhou em seu país e viveu o auge ao lado do brasileiro Careca no Napoli, onde foi considerado deus e conseguiu a proeza em tentar fazer a torcida da cidade de Nápoles torcer pela Argentina na Copa de 1990, gerando a ira na própria Itália. Que ele teve diversos problemas pessoais, principalmente com drogas, isso todo mundo sabe. Mas o Imortais não vai lembrar coisas tristes e ruins. Aqui, vamos falar do jogador Maradona, e relembrar os melhores momentos desse mito do futebol.

 

O início no Argentinos Juniors

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Logo com 9 anos, Maradona já mostrava que teria um futuro brilhante no futebol. Cheio de habilidade, ele era um dos mais populares no subúrbio de Buenos Aires em que vivia, e logo começou nas categorias de base do Argentinos Juniors. Com 15 anos, disputava algumas partidas antes dos jogos e já atraia multidões. Quando foi lançado ao time profissional, não saiu mais. O vasto repertório que o craque tinha com a perna esquerda logo fez dele um dos principais jogadores do time. Chutes, dribles curtos, passes, lançamentos, cobranças de falta e escanteios eram só algumas coisas que ele fazia com perfeição, que em 1978 lhe renderam a artilharia do campeonato argentino, com ele tendo apenas 17 anos, o mais jovem artilheiro na história do torneio. Ele seria, também, artilheiro do Campeonato Argentino Metropolitano de 1979, do Nacional em 1979, do Metropolitano de 1980 e do Nacional de 1980 (Na época, os grandes clubes de Buenos Aires disputavam um campeonato entre eles antes do torneio nacional, por isso, as diferenciações). Em 1979, suas atuações o credenciaram como melhor jogador sul-americano de 1979, à frente de Romerito (PAR) e Falcão (BRA).

Show pela seleção sub-20

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Em 1979, Maradona foi o grande astro da Argentina campeã mundial sub-20, na competição disputada no Japão entre Agosto e Setembro. Na fase de grupos, a Argentina passou com sobras: vitória por 5 a 0 contra a Indonésia (2 de Maradona), 1 a 0 na Iugoslávia e 4 a 1 na Polônia (1 de Maradona). Nas quartas de final os Hermanos golearam a Argélia por 5 a 0 (1 de Maradona). Nas semifinais, duelo clássico contra o Uruguai, e vitória por 2 a 0 (1 gol de Maradona). A final foi contra a sempre perigosa URSS. Mas a Argentina venceu de novo, 3 a 1 (1 gol de Maradona) e ficou com o título de maneira incontestável. Depois de acabar com as zagas rivais ao lado de Díaz, Maradona foi eleito o Bola de Ouro do torneio.

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Em 1980, o baixinho seguiu brilhando e voltou a ganhar o prêmio de melhor jogador da América do Sul, ficando à frente de Zico (BRA) e Victorino (URU). Também em 1980, Maradona levou o Argentinos Juniors ao vice-campeonato nacional, o melhor feito do time desde então. O ótimo desempenho do craque despertou interesse do Boca Juniors, que já se ligava no futebol de Dieguito desde 1976. A ida para os xeneizes ocorreu em 1981, concretizando um sonho de Maradona, que era e sempre foi um torcedor fanático do time de La Bombonera. Décadas depois, o Argentinos Juniors batizaria seu estádio com o nome de Maradona, numa plena homenagem ao craque.

 

O primeiro título

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Foi em um amistoso contra o próprio Argentinos Juniors que Dieguito fez sua estreia pelo Boca. Ele marcou de pênalti seu primeiro gol com a camisa azul e dourada. Dois dias depois, mais de 65 mil pessoas lotaram a Bombonera para ver o jogador marcar dois gols na goleada por 4 a 1 sobre o Talleres. Começava ali a frenesi que Maradona causaria na torcida. Em meio a disputa do Campeonato Metropolitano de 1981, o clube passaria a agendar vários amistosos, com o intuito de arrecadar verbas e de promover a imagem do Boca vinculada à Maradona. O destaque foram os jogos contra o Milan, na Itália, onde o Boca venceu por 2 a 1, e contra o Flamengo de Zico, com vitória brasileira por 2 a 0. Aquele ano de 1981 foi incrível para Maradona, afinal, o craque manteve suas atuações sempre marcantes, marcou gols em todos os clássicos (inclusive na vitória por 3 a 0 contra o River Plate) e ajudou o Boca a vencer o Campeonato Argentino Metropolitano, o primeiro título do time em cinco anos. No começo de 1982, antes da Copa do Mundo da Espanha, Maradona foi vendido ao Barcelona, em um contrato de 7 milhões de dólares, recorde para a época.

A primeira Copa

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Cortado da Copa de 1978, Maradona disputou seu primeiro mundial em 1982, na Espanha. Já com status de grande revelação do futebol e prestes a brilhar na Europa, o jogador foi caçado em campo na partida inicial contra a Bélgica, e viu sua seleção perder por 1 a 0. O jogo seguinte foi mais brando, e Maradona marcou seus primeiros dois gols na goleada por 4 a 1 sobre a Hungria. O jogo seguinte foi contra a fraca seleção de El Salvador, e a Argentina venceu por 2 a 0. Na fase seguinte, quatro grupos com três países decidiriam as vagas nas semifinais. Para azar dos argentinos, eles caíram no grupo de Itália e Brasil. No primeiro jogo, Maradona foi marcado de maneira implacável pelo italiano Gentile, que bateu de todos os jeitos no argentino. De tanto reclamar da complacência do árbitro, foi o craque argentino quem levou cartão (amarelo) ao invés do italiano. Anulado, o argentino não pôde ajudar sua seleção, que perdeu por 2 a 1. No jogo seguinte, apenas uma vitória sobre o Brasil daria chance de classificação aos argentinos. Mas a seleção brasileira venceu por 3 a 1, Maradona foi expulso, e viu o sonho de ser campeão mundial pela primeira vez ir por água abaixo. O argentino comentou, tempo depois, que o clima de já ganhou e a soberba do time argentino foram cruciais para o fracasso da então campeã mundial naquela Copa.

Era obscura no Barcelona

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Ao chegar ao Barcelona, em 1981, Maradona foi ovacionado como um salvador. Naquela época, o time catalão vivia um indigesto ostracismo e não vencia nada desde 1974. Para piorar, o rival Real Madrid colecionava canecos e o Atlético de Madrid se aproximava em números de títulos espanhóis. Com Maradona, o Barcelona esperava pôr fim a esse jejum e ter novamente uma estrela no seu plantel, a maior desde o mito Cruyff, na década de 70. Mas os anos de Dieguito no Barça não foram nada bons. O jogador, logo quando chegou ao time, teve uma Hepatite. Tempo depois, sofreu uma séria fratura no tornozelo após entrada duríssima do espanhol Goikoetxea. Apenas nesses contratempos, foram mais de 6 meses sem jogar, uma decepção para diretoria e torcedores. Porém, o ponto alto foram os títulos da Copa do Rei e da Supercopa da Espanha, ambas em 1983. Na Copa do Rei, foi aplaudido de pé pela torcida rival do Real Madrid por seu desempenho brilhante na vitória por 2 a 1 dos catalães em pleno Santiago Bernabeu. Após o bom ano de 1983, Dieguito começou mal o ano de 1984. O jogador protagonizou uma briga generalizada na final da Copa do Rei daquele ano, contra o Athletic Club. O episódio rendeu três meses de suspensão a Maradona, o que culminou com o descrédito da diretoria, que logo aceitou uma oferta do pequeno Napoli, da Itália, para onde Maradona iria em 1984. O argentino se revoltou pela falta de apoio da diretoria nos tribunais para amenizar sua pena, e percebeu que seus dias na Espanha estavam terminados. Era hora de provar seu valor no país da bota.

Anos de ouro

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O Napoli, na década de 80, ainda era um time pequenino na Itália. O clube havia conquistado apenas duas Copas da Itália e torneios inexpressivos em sua história. Mas com Dieguito a história mudaria para sempre. A chegada de Maradona ao estádio San Paolo, em Nápoles, foi em grande estilo, de helicóptero, e logo foi tido como rei, assim como em Barcelona. Mas na cidade italiana Maradona viveria os melhores anos de sua vida como jogador. Nos dois primeiros, o Napoli não conquistou nenhum título, mas passou a infernizar os adversários e ficar sempre no pelotão de cima da tabela do Campeonato Italiano. Esse período serviu como “treino” para Diego se preparar para o grande desafio que o esperava: a Copa do Mundo de 1986.

Chance definitiva

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Com uma equipe renovada e nomes como Valdano, Ruggeri, Burruchaga, Maradona e Pumpido, a Argentina via na Copa de 1986 a grande chance de ser campeã mundial, a maior desde o contestado título de 1978. Maradona, no auge de sua forma, tratou a competição como a mais importante de sua carreira. Afinal, o craque não sabia como estaria em 1990. Na fase de grupos, a Argentina venceu a Coreia do Sul por 3 a 1 na estreia, com dois gols de Valdano e um de Ruggeri. O jogo seguinte foi contra a campeã da Copa de 1982, a Itália. Maradona fez o primeiro dele no mundial, mas seu time empatou em 1 a 1. A partida decisiva foi contra a Bulgária, e a Argentina venceu por 2 a 0, gols de Valdano e Burruchaga.

O caminho para a final e o show contra a Inglaterra

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Nas oitavas, a Argentina encontrou o rival Uruguai, e venceu por um magro 1 a 0, gol de Pasculli. Nas quartas de final, embate histórico e duro contra a Inglaterra. Era o primeiro jogo entre as duas seleções após a Guerra das Malvinas, que envolveu exatamente os dois países. O clima de tensão foi grande antes e durante o jogo, obrigando a polícia mexicana a realizar uma complexa operação nos arredores do estádio Azteca para coibir possíveis problemas. Porém, o que se viu em campo foi uma das maiores apresentações de um jogador na história das copas. O primeiro tempo foi morno, mas o segundo… Maradona, num gesto emblemático, abriu o placar após dar um leve toque na bola com o punho cerrado, na disputa pelo alto com o goleiro inglês. Mesmo com os protestos, o gol foi validado. Minutos depois, o craque fez todos se esquecerem da polêmica com um gol que, digamos, também foi polêmico… De maravilhoso! O argentino recebeu a bola no meio de campo, passou por cinco jogadores ingleses e tocou na saída do goleiro: Argentina 2 a 0. Uma pintura tão linda, tão fantástica, que, em 2002, foi eleito o gol mais bonito da história das Copas. Com muita justiça. A Inglaterra ainda diminuiu o placar com Lineker, mas aquele dia era de Maradona: Argentina 2×1 Inglaterra. A vingança dos argentinos por conta da Guerra vinha no futebol, da maneira mais deliciosa que poderia ser. No final do jogo, Maradona ainda nomeou, sem querer, o primeiro gol que havia feito: “se houve mão na bola, foi a mão de Deus” (leia mais sobre aquela partida clicando aqui).

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Depois do show, a Argentina encarou a Bélgica nas semifinais. Era o mesmo adversário que havia destroçado Maradona na Copa de 1982 com botinadas, chutes e pontapés. Mesmo com muitas pancadas, Maradona se vingou e anotou os dois gols na vitória por 2 a 0 da Argentina. O país, depois de 8 anos, estava na final da Copa.

Coroação emocionante

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A final foi contra a sempre competitiva e perigosa Alemanha, que havia eliminado a melhor França desde então, de Platini, Amoros, Papin, Tiganá e Giresse. Os alemães contavam com astros da bola como Rummenigge, Matthäus, Brehme, Magath e Schumacher. Sabendo da qualidade do adversário, a Argentina se apoiou na força de seu grupo e no diferencial de ter Maradona no auge da forma. A Alemanha apostou na marcação individual de Matthäus na estrela argentina. Ela funcionou, mas não nos 90 minutos. A Argentina abriu 2 a 0 com Brown e o matador Valdano, mas Rummenigge e Völler empataram heróicamente o jogo para os alemães. Visivelmente cansados com o sol de rachar do México, a Alemanha tentava levar o jogo de maneira calma, sem velocidade. Porém, a Argentina tratou de acabar com isso e, no pequeno lance em que Matthäus não grudou como deveria em Maradona, o pequenino fez a diferença. O craque, entre dois adversários, deu um passe magistral para Burruchaga fazer o terceiro gol dos argentinos, decretando a vitória por 3 a 2. Fim de jogo. A Argentina, dessa vez de maneira incontestável, era campeã mundial. Ou seria Maradona, campeão mundial de futebol? Tanto faz. O que se sabe é que o México, assim como 1970, via a consagração de mais um mito do futebol. Se na primeira Copa no país quem brilhou foi Pelé e uma legião de craques vestindo verde e amarelo, em 1986 foi a vez de Maradona e sua equipe alvi celeste encantar. A Argentina era bicampeã mundial. E Maradona estava no topo do mundo.

Só dá ele

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A conquista da Copa foi o marco na carreira de Maradona. Vencer como ele venceu, carregando o time com apresentações maravilhosas, lhe rendeu muitos prêmios, como a Bola de Ouro da Copa do Mundo da FIFA (1986), a presença no All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA (1986), Melhor Jogador do Mundo eleito pela revista World Soccer (1986) e o Onze d’Or (1986). Era o ápice. O mundo reverenciava Maradona, e os argentinos começavam a tratá-lo como deus máximo do esporte. Mas ele queria continuar seu trabalho no seu xodó: o Napoli.

A transformação do time celeste

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Entusiasmado e no auge com a conquista da Copa, Maradona conduziu de maneira plena o Napoli ao primeiro Campeonato Italiano da história do clube, na temporada 1986/1987. Para completar, o Napoli ainda venceria a Copa da Itália. O que poderia ser melhor? Ora, a chegada de Careca, centroavante brasileiro que estava brilhando no São Paulo. O jogador chegava à Nápoles justamente para poder jogar com Maradona, e, em 1987, começava uma das mais famosas e brilhantes parcerias do futebol mundial. Os dois, somados a outros craques do Napoli como Ferrara, Franchini, Alemão e Fusi, conseguiram fazer o Napoli a única equipe a jogar de igual para igual com o estrondoso Milan de Rijkaard, Gullit, Van Basten, Maldini e Baresi naquela época. Os jogos entre os dois times simplesmente saiam faísca, e eram recordes de público e audiência em toda a Europa. Depois de um ano sem conquistas, e apenas com a artilharia do Campeonato Italiano de 1987/1988 com 15 gols, Dieguito conduziu o Napoli a sua maior glória, em 1989: a Copa da UEFA. O time fez uma campanha brilhante e eliminou dois titãs nas fases finais: Juventus, nas quartas de final, com uma vitória histórica de 3 a 0 na partida de volta, sendo que o primeiro jogo, em Turim, tinha sido 2 a 0 para a Juventus, o que obrigava o Napoli a reverter a vantagem, e Bayern München, com vitória napolitana no primeiro jogo por 2 a 0 e empate no segundo em 2 a 2. Na final, o Napoli enfrentou o Stuttgart. No primeiro jogo, em Nápoles, Maradona fez um e ajudou seu time a vencer por 2 a 1. No segundo jogo, na Alemanha, empate alucinante em 3 a 3, e título para o Napoli. Era o primeiro caneco internacional do clube celeste, e mais um título que teve a contribuição fundamental de Maradona.

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Os últimos títulos

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Maradona e Careca levaram o Napoli a mais uma conquista do Campeonato Italiano, na temporada 1989/1990. O time ficou apenas dois pontos a frente do vice-campeão Milan. Nesse campeonato, o Napoli venceu o time rossonero por sonoros 3 a 0, em uma de suas grandes exibições. Maradona fez 16 gols. Ainda em 1990, o craque ajudou o Napoli na conquista da Supercopa da Itália. O título seria o último de Dieguito no clube.

Decepção na Copa

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Depois do título de 1986, Maradona tentou a conquista do tricampeonato mundial na Copa de 1990. O jogador não foi brilhante como na conquista do bi, mas teve sua participação crucial na vitória sobre o Brasil, nas oitavas de final, quando atraiu a marcação de quatro jogadores até dar a bola de presente para Canniggia marcar o gol da vitória argentina. Depois de passar pelas quartas, na semifinal Maradona teve a Itália pelo caminho, a mesma que ele pediu para os napolitanos torcerem contra, em favor da sua Argentina. A campanha de Maradona para que os torcedores fossem contra a Itália gerou muita revolta no resto do país, principalmente em cidades como Milão, Roma e Udine. Mesmo com o apelo, a torcida não conseguiu torcer contra: “Nós te amamos, Diego, mas a Itália é a nossa pátria”, foi a resposta dos napolitanos. Porém, quem riu por último foi Maradona, e sua Argentina eliminou a dona da casa nos pênaltis. Na final, Maradona reencontrou a Alemanha, que se vingou do pibe. Um magro 1 a 0 decretou o fim do sonho do tri, que acabou ficando com os germânicos. Ali, começaria a decadência e o fim da maior lenda do futebol argentino.

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Drogas e a decadência

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Com a popularidade em baixa depois da Copa de 1990, Maradona viveu um ano terrível em 1991: o craque foi pego em um exame antidoping por uso de cocaína. Ele foi suspenso por 15 meses, e ainda teve o nome ligado à Camorra, a máfia napolitana. Em 1992, ele decide deixar o clube e inicia uma batalha judicial que dura 86 dias. Depois do embróglio, ele se transfere para o Sevilla, da Espanha, já com uns quilinhos a mais. Lá, fica até 1993, sem brilhar. Ele retorna à Argentina para jogar no Newell´s Old Boys, e começa a recuperar a forma. Porém, uma série de lesões brecam uma possível reação. Deprimido, Maradona descobre um fisiculturista em Buenos Aires que lhe ajuda a emagrecer rapidamente. O “tratamento” dá certo, e o craque disputa a Copa do Mundo de 1994. Ele começa tinindo, marcando um golaço contra a Grécia, protagonizando a célebre comemoração com os olhos bem abertos, cheio de raiva, tomando para ele uma câmera inteira. Contra a Nigéria, Maradona demonstrou um fôlego de menino e conduziu a equipe a mais uma vitória, dessa vez de virada. Porém, o emagrecimento rápido em tempo recorde (de 89 para 76 quilos), o fôlego e a boa forma tinham uma resposta: efedrina, uma droga usada para emagrecer e com notável efeito estimulante. A FIFA descobriu e aquela partida contra a Nigéria foi a última de Maradona no mundial. Para a Argentina não ser eliminada, o craque teve de jurar inocência e seu nome foi retirado do plantel do time. A saída do ídolo acabou com a boa seleção argentina de Redondo, Batistuta, Bello e Canniggia, que foi eliminada nas oitavas de final pela Romênia. O doping causou mais 15 meses de suspensão à Maradona. O fim estava bem próximo.

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A volta e o adeus

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Depois de cumprir a suspensão imposta pela FIFA, Maradona voltou em 1995 ao seu clube do coração, o Boca, para encerrar a carreira. Mesmo com o clima de festa e toda a comoção, o craque não venceu nenhum título. Para piorar, viu o maior rival, o River Plate, colecionar canecos nacionais e vencer a Libertadores de 1996. Longe da forma ideal e sem o brilho de antes, o jogador decide se aposentar em 1997. Era o fim do maior jogador argentino de todos os tempos, e também de um dos maiores mitos do futebol no século XX. Maradona foi genial com a bola nos pés, e genioso fora dos gramados. Suas polêmicas e problemas com drogas quase estragaram seus feitos notáveis nos gramados. Felizmente, sua obra futebolística foi tão grande, tão bela e tão magnífica que nem esses fatores externos conseguiram apagar os feitos de Maradona nos campos. O futebol de Don Diego foi muito maior. Se nós temos Pelé, a Argentina teve Maradona. Um imortal do futebol.

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Extras:

La mano de díos. El gol de Maradona

Se o primeiro gol de Maradona na partida contra a Inglaterra teve um “toque divino”, o mesmo não podemos dizer do segundo, que foi uma obra prima assinada apenas por Dieguito. Histórico.

Mundo Maradona

A Argentina fez 3 a 2 na Alemanha, e levou sua segunda Copa. Maradona deu o passe para o gol do título.

Magia em campo

Relembre as melhores jogadas de Maradona pelo Napoli em um vídeo muito especial. Tem gol olímpico, de falta, por cobertura…

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4 thoughts on “Craque Imortal – Maradona

  1. Maradona nunca teve seleções de melhores do mundo como Messi tem hj, Maradona foi o jogador que levava equipes pequenas a grandes títulos, ganhando praticamente sozinho.

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