Craque Imortal – Carlos Alberto Torres

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Nascimento: 17 de Julho de 1944, no Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Faleceu em 25 de outubro de 2016, no Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

Posição: Lateral Direito / Zagueiro

Clubes: Fluminense (1963-1964 / 1974-1977), Santos (1965-1971 / 1971-1974), Botafogo (1971), Flamengo (1977), New York Cosmos-EUA (1977-1980 / 1982), California Surf (1981).

Principais títulos por clubes: 3 Campeonatos Cariocas (1964, 1975 e 1976) pelo Fluminense.

1 Recopa Sul-Americana (1968), 1 Recopa Intercontinental (1968), 1 Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968), 5 Campeonatos Paulistas (1965, 1967, 1968, 1969 e 1973) e 1 Torneio Rio SP pelo Santos.

4 Campeonatos Norte-Americanos – NASL Outdoor Championships (1977, 1978, 1980 e 1982), 4 Eastern Division – National Conference (1978, 1979, 1980 e 1982) e 1 Copa Transatlântico – Trans-Atlantic Cup Championship (1980) pelo New York Cosmos (EUA).

Títulos por seleção: 1 Copa do Mundo (1970) pelo Brasil.

Títulos Individuais:

Eleito para o World Team do Século XX (1998)

FIFA 100 (2004)

Eleito para o National Soccer Hall of Fame dos EUA

Eleito para a seleção da América do Sul do século XX

 “O eterno capitão”

Ele teve a honra de erguer pela última vez a Taça Jules Rimet. Teve, também, o privilégio e genialidade de marcar o último gol da Copa do Mundo de 1970, um dos mais bonitos da história da competição, após uma jogada divina que começou lá no campo de defesa. Foi ídolo em todos os clubes que jogou, além de ser sinônimo de elegância, eficiência, técnica, atitude e liderança. Ah, e foi um dos maiores laterais-direitos que o futebol já viu. Óbvio que “ele” é Carlos Alberto Torres, o eterno capitão do Tri. Brilhante no Fluminense, soberano no Santos, encantador no New York Cosmos e líder na seleção, Carlos Alberto foi um dos grandes capitães que nossa seleção já teve e está marcado para sempre na história como um dos maiores jogadores do futebol mundial. Figurinha certa em qualquer lista de grandes defensores do século XX, o Imortais relembra agora a carreira desse mito da bola.

O início tricolor

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Com apenas 19 anos, Carlos Alberto já mostrava toda a sua habilidade no desarme, no passe, no controle de bola e no apoio ao ataque e à defesa em seu início de carreira, no Fluminense. Em 1963, ao lado de Jairzinho, ajudou o Brasil a vencer a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, realizados em São Paulo. Em 1964, já conquistava seu primeiro título por clube, o Campeonato Carioca, quando o Fluminense venceu o Bangu na final por 3 a 1. Em apenas dois anos, Carlos Alberto logo conquistou o coração da torcida tricolor. Porém, em 1965, o maior time do Brasil da época, o Santos, fez uma proposta tentadora ao promissor craque, que aceitou. Afinal, quem não gostaria de jogar ao lado de Pelé?

Anos brilhantes no Santos

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Carlos Alberto chegou à Vila Belmiro na época em que o Santos não somente jogava, mas dava espetáculo. O time paulista viajava muito pelo mundo a fim de emancipar seu nome e mostrar as qualidades de Clodoaldo, Ramos Delgado, Edu, Toninho Guerreiro, e, claro, Pelé. Na Vila, Carlos Alberto começou a colecionar títulos, entre eles a Recopa Sul-Americana, a Recopa Intercontinental, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e o Campeonato Paulista, todos em 1968. Ele ainda conquistou outros quatro campeonatos estaduais e foi soberano na ala direita do time brancaleone. Suas atuações e liderança foram cruciais para garantir sua presença na dua primeira e única Copa do Mundo, em 1970.

O ápice no México

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Em meio a tantos craques, Carlos Alberto foi nomeado o capitão daquela legião. E deu conta do recado. O lateral fez uma Copa perfeita, mostrou a liderança que o time precisava nos momentos mais cruciais, como no jogo contra a Inglaterra, em que ele abandonou a posição só para dar uma entrada forte no ponta inglês Francis Lee, que havia dado um chute no rosto de Félix, goleiro do Brasil. Depois da entrada, Lee sumiu do jogo, causa do efeito Carlos Alberto…

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As atuações do capitão foram coroadas na grande final da Copa, contra a Itália, quando ele fez o último gol da goleada de 4 a 1 do Brasil. Aliás, não foi um simples gol. Foi o gol mais bonito da história das Copas, de uma plástica tão bela e tão perfeita que merece ser visto, revisto e visto muitas e muitas vezes. O golaço foi o grand finale para uma seleção perfeita, que venceu todos os jogos que disputou na competição. Carlos Alberto teve o privilégio de levantar pela última vez a Taça Jules Rimet, conquistada em definitivo pela seleção. Era o auge para o jovem lateral, que em apenas sete anos como jogador profissional já era campeão do mundo. E capitão!

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Breve passagem no Botafogo

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Em 1971, Carlos Alberto foi jogar no Botafogo, e chegou logo com status de ídolo do alvinegro. Ele teve a chance de logo se consagrar na final do Campeonato Carioca daquele ano, quando enfrentou seu ex-clube, o Fluminense. Mas o Botafogo perdeu Carlos Alberto, contundido, e o jogo, por 1 a 0, em gol polêmico marcado no final da partida. Foi um balde de água fria para o time de Paulo César, Ubirajara e o próprio Carlos Alberto. Mesmo sem um título, o craque fez ótimas apresentações, mas voltou ao Santos, onde permaneceu até 1974.

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Desfilando na Máquina Tricolor

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Carlos Alberto deixou o já decadente Santos em 1974 para jogar no seu querido Fluminense. Ele teve a decepção de não poder integrar a seleção na Copa da Alemanha por conta de um problema no joelho. Porém, no tricolor, ele teve a felicidade de integrar a mítica Máquina Tricolor de Rivellino, Gil, Doval e PC Caju, onde venceu dois campeonatos cariocas em 1975 e 1976. O único título que faltou foi o Brasileiro, que ficou no quase nas semifinais de 1975 (perdeu para o Internacional) e 1976 (perdeu nos pênaltis para o Corinthians). No Flu, Carlos Alberto repetiu a experiência do Santos da década de 60 e também desfilou pelo mundo em apresentações que encantaram os europeus, principalmente os franceses, quando ganhou o Torneio Cidade de Paris, em 1976. Em 1977, decidiu se aposentar da seleção.

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A ida aos EUA

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Depois de uma breve passagem pelo Flamengo, em 1977, Carlos Alberto tomou rumo para Nova York, para jogar no New York Cosmos, ao lado de Beckenbauer e Pelé, que encerraria sua carreira exatamente naquele ano.

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No time americano, Carlos Alberto conquistou diversos campeonatos nacionais e também obteve status de ídolo no país, tanto que conquistou seu lugar no National Soccer Hall of Fame. De 1977 até 1982 foram 9 títulos e mais de 115 jogos. Em 1981, ainda disputou uma temporada pelo extinto California Surf.

O fim

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Em 1982, Carlos Alberto decidiu se despedir do futebol, com a camisa do Cosmos. A partida do adeus foi em um amistoso contra o Flamengo, seu último clube no Brasil antes de partir para os EUA. Um dos maiores laterais-direitos de todos os tempos dava adeus ao futebol consagrado, cheio de títulos e com o nome cravado na história e na memória de todos os amantes do esporte. Depois de pendurar as chuteiras, Carlos Alberto ainda se arriscou como técnico, mas sem muito sucesso. O eterno capitão foi mítico, mesmo, dentro de campo, na ponta, no ataque, no desarme, nos passes, na defesa, na liderança, no futebol. Em outubro de 2016. o capita sofreu um enfarte fulminante e faleceu. Era o fim de um dos maiores laterais da história do futebol em todos os tempos. Um dos grandes gênios do esporte. E imortal.

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Extras:

O gol antológico

Reveja a obra prima de Carlos Alberto Torres na final da Copa do Mundo de 1970. Foi o gol mais bonito da história das Copas.

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6 thoughts on “Craque Imortal – Carlos Alberto Torres

    1. Carlos Alberto – fantástico , …. Djalma ainda mais fantástico…. depois vem os outros ….. Cafu, Zé Maria, Nelinho, Jorginho, Toninho, De Sordi, Leandro, Josimar, Zézé Procópio, Ely, Biguá ……

  1. Excelente matéria, parabéns!
    Carlos Alberto Torres foi completo e um grande craque, além de ótima figura humana.
    Não sei o quanto foi bom como técnico, mas levou o Brasileiro de 1983 pelo Flamengo.
    Grato e abs.

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