Seleções Imortais – Argentina 1986

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Grandes feitos: Campeã do Mundo em 1986.

Time base: Pumpido; Olarticoechea, Brown, Ruggeri, Cuciuffo e Giusti; Héctor Enrique, Sérgio Batista e Burruchaga; Maradona e Valdano. Técnico: Carlos Bilardo.

“Maradona, o 10, e mais 10”

Em 1978, a Argentina jogou sua primeira Copa em casa e venceu. Porém, o título, até hoje, é muito contestado pelo jogo suspeito contra o Peru, em que os argentinos venceram por acachapantes 6 a 0, num suposto favorecimento dos peruanos, que faziam uma ótima Copa. O caso magoou os argentinos, que buscavam uma oportunidade para colocar fim às pôlemicas e vencer uma Copa dignamente. Foi então que, em 1986, o esperado momento chegou. Com uma seleção bem mais equilibrada e técnica que em 1978, e com um craque fantástico (Maradona), a Argentina venceu 5 dos 6 jogos disputados e conquistou o bicampeonato mundial. Houve polêmica no segundo título argentino? Sim, o gol de mão de Maradona. Mas, na mesma partida em que ele fez o famoso gol “com a mão de Deus”, o argentino fez, também, um dos gols mais bonitos da história das Copas e da história do futebol mundial, driblando meio time inglês e passando a borracha na controvérsia. Dieguito jogou como nunca naquele mundial e pôde dizer que venceu uma Copa sozinho, assim como Garrincha, em 1962, e Romário, em 1994. Mas o time argentino ajudou (muito!) o craque na caminhada do título mundial. É hora de relembrar como foi.

 

Dando a volta por cima

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Na Copa de 1982 a Argentina teve o azar de cair em um grupo super difícil na segunda fase do Mundial, ao lado de Itália e Brasil. O time não conseguiu mostrar sua força, mesmo com Maradona, e perdeu os dois jogos, sendo eliminado. O fracasso serviu como inspiração para dar a volta por cima e entrar com tudo no Mundial de 1986. De novo com Maradona, agora como capitão, o time começava a Copa com muita esperança. Afinal, Dieguito estava no auge da forma e extremamente disposto a mostrar para o mundo o quão bom ele era.

 

Começando a luta pelo Bi

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Comparando com suas equipes anteriores, a Argentina de 1986 era a melhor já formada em anos. Com uma zaga forte e consistente (Ruggeri, Brown e Cucciufo), um meio de campo pegador (Enrique e Batista), e um ataque arrasador com Burruchaga, Valdano e Maradona, o time tinha o equilibrio, a técnica e a habilidade necessários para fazer bonito no mundial. O time jogava no 3-5-2, esquema novo na época, implantado pela brilhante Dinamarca, que dava liberdade e segurança para Maradona destruir as zagas dos rivais.

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O time caiu no Grupo A da Copa, ao lado da então campeã Itália, da Bulgária e da Coreia do Sul. O primeiro jogo foi contra os coreanos, e a Argentina não teve dificuldades: vitória por 3 a 1, gols de Valdano (2) e Ruggeri. No jogo seguinte, empate contra a Itália em 1 a 1, com Maradona marcando para os argentinos e Altobelli para os italianos.

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No jogo decisivo da primeira fase, vitória por 2 a 0 contra a Bulgária, gols de Valdano e Burruchaga. O time estava nas oitavas de final.

 

Clássico para o mundo ver

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A Argentina encontrou seu grande e clássico rival, o Uruguai, de Francescoli, nas oitavas da Copa. O jogo, como não poderia deixar de ser, foi bem disputado e pegado, mas a Argentina marcou com Pasculli aos 42´do primeiro tempo o único gol do jogo, que garantiu vaga nas quartas de final. O adversário seria a Inglaterra, de Lineker, Sansom e Waddle.

 

Jogo para a história

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A Argentina protagonizou um embate histórico e duro contra a Inglaterra. Era o primeiro jogo entre as duas seleções após a Guerra das Malvinas, que envolveu exatamente os dois países. O clima de tensão foi grande antes e durante o jogo, obrigando a polícia mexicana a realizar uma complexa operação nos arredores do estádio Azteca para coibir possíveis problemas. Porém, o que se viu em campo foi uma das maiores apresentações de um jogador na história das copas. O primeiro tempo foi morno, mas o segundo… Maradona, num gesto emblemático, abriu o placar após dar um leve toque na bola com o punho cerrado, na disputa pelo alto com o goleiro inglês. Mesmo com os protestos, o gol foi validado pelo árbitro tunisiano Ali Bin Nasser, que não viu a “mão de Deus”. Minutos depois, o craque fez todos se esquecerem da polêmica com um gol que, digamos, também foi polêmico… De maravilhoso! O argentino recebeu a bola no meio de campo, passou por cinco jogadores ingleses e tocou na saída do goleiro: Argentina 2 a 0. Uma pintura tão linda, tão fantástica, que, em 2002, foi eleito o gol mais bonito da história das Copas. Com muita justiça. A Inglaterra ainda diminuiu o placar com Lineker, mas aquele dia era de Maradona: Argentina 2×1 Inglaterra.

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A vingança dos argentinos por conta da Guerra vinha no futebol, da maneira mais deliciosa que poderia ser. No final do jogo, Maradona ainda nomeou, sem querer, o primeiro gol que havia feito: “se houve mão na bola, foi a mão de Deus“.

 

Revanche e vaga na final

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A Argentina reencontrou a Bélgica nas semifinais da Copa de 1986. Maradona estava mordido com os belgas pelo fato de eles terem “batido” demais nele no Mundial de 1982, na Espanha. E o craque, mesmo levando as mesmas botinadas, arrebentou: marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 da Argentina, que garantiu a vaga na sonhada final, oito anos depois.

A Argentina da Copa: Maradona era a estrela, mas muito bem assessorado por companheiros de talento.
A Argentina da Copa: Maradona era a estrela, mas muito bem assessorado por companheiros de talento.

 

A coroação de um gênio

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A final foi contra a sempre competitiva e perigosa Alemanha, que havia eliminado a melhor França desde então, de Platini, Amoros, Papin, Tiganá e Giresse. Os alemães contavam com astros da bola como Rummenigge, Matthäus, Brehme, Magath e Schumacher. Sabendo da qualidade do adversário, a Argentina se apoiou na força de seu grupo e no diferencial de ter Maradona no auge da forma. A Alemanha apostou na marcação individual de Matthäus na estrela argentina. Ela funcionou, mas não nos 90 minutos. A Argentina abriu 2 a 0 com Brown e o matador Valdano, mas Rummenigge e Völler empataram heróicamente o jogo para os alemães. Visivelmente cansados com o sol de rachar do México, a Alemanha tentava levar o jogo de maneira calma, sem velocidade. Porém, a Argentina tratou de acabar com isso e, no pequeno lance em que Matthäus não grudou como deveria em Maradona, o pequenino fez a diferença. O craque, entre dois adversários, deu um passe magistral para Burruchaga fazer o terceiro gol dos argentinos, decretando a vitória por 3 a 2. Fim de jogo. A Argentina, dessa vez de maneira incontestável, era campeã mundial. Ou seria Maradona, campeão mundial de futebol? Tanto faz. O que se sabe é que o México, assim como 1970, via a consagração de mais um mito do futebol.

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Se na primeira Copa no país quem brilhou foi Pelé e uma legião de craques vestindo verde e amarelo, em 1986 foi a vez de Maradona e sua equipe alviceleste encantar. A Argentina era bicampeã mundial. E Maradona estava no topo do mundo.

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Na carência do mito

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Depois do título mundial de 1986, a Argentina ainda teve a chance de ser tricampeã na Copa de 1990, quando fez a final novamente contra a Alemanha. Porém, dessa vez, foram os alemães que ficaram com a taça ao vencer por um magro 1 a 0, em gol de pênalti marcado por Brehme. Desde então, nunca mais os hermanos brilharam em Copas. Muitos bons jogadores foram revelados na década de 90 como Redondo, Batistuta, Ortega, Simeone, Zanetti, Sorín, bem como nos anos 2000, como Tévez, Agüero, Cambiasso e, sobretudo, Messi. Mas nenhum deles conseguiu levar a Argentina ao título. A equipe até chegou à final da Copa de 2014 com lampejos de Messi, mas a Alemanha foi mais uma vez o carrasco. Enquanto o tri não vem, a torcida argentina contempla, relembra e se delicia com o time mágico que venceu o bicampeonato para o país em 1986 com apresentações que misturavam raça, aplicação tática e técnica, e, claro, muita magia, de Don Diego Maradona.

 

Os personagens:

Pumpido: fechou o gol da Argentina na Copa e garantiu a segurança na conquista do bicampeonato. Foi estrela, também, no River Plate de 1986, que venceu a Copa Libertadores e o Mundial Interclubes. Era titular na Copa de 1990, mas uma fratura na perna o tirou do mundial.

Olarticoechea: ficou conhecido como “El Vasco” (O Basco, em português), por sua ascendência basca. Foi o dono da lateral esquerda da Argentina no mundial, sendo preciso tanto na marcação quanto no apoio ao ataque. Jogou nos principais clubes do país.

Brown: o sobrenome não era nada argentino, mas o nome e a raça eram. José Luis Brown foi um dos zagueiros do 3-5-2 argentino no mundial. Atuou de 1983 até 1990 na seleção, e foi bicampeão argentino pelo Estudiantes.

Ruggeri: Óscar Ruggeri, ou “El Cabezón”, foi um dos maiores zagueiros da história da Argentina. Foi essencial na conquista da Copa do Mundo de 1986 e um dos grandes líderes do time. Esteve no grande River Plate de 1986 campeão da América e do mundo. É um dos recordistas em jogos pela seleção alviceleste, com mais de 95 partidas.

Cuciuffo: era o zagueiro que fechava o paredão na zaga argentina. Muito eficiente, garantiu a segurança para os atacantes brilharem naquele mundial.

Giusti: volante e lateral direito, Ricardo Giusti foi um dos grandes defensores da Argentina campeã mundial em 1986. Brilhou, também, no Independiente, ajudando o time na conquista da sétima Libertadores de sua história, em 1984, bem como no bicampeonato Mundial Interclubes, no mesmo ano.

Héctor Enrique: “El Negro” foi um dos melhores volantes do Mundial de 1986, marcando muito e ajudando demais o ataque argentino a trabalhar com tranquilidade. Foi o autor do passe para Maradona começar a construir sua obra prima contra a Inglaterra, nas quartas de final do Mundial. Foi outro presente nas conquistas da América e do Mundo do River Plate, também em 1986.

Sérgio Batista: volante que se impunha pela presença física, Batista era a raça pura no meio de campo argentino. Esteve presente no incrível time do Argentinos Juniors que venceu a Libertadores em 1985, maior feito do clube que revelou Maradona. Depois de pendurar as chuteiras, foi técnico da seleção Argentina que venceu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, além de comandar a seleção principal de 2010 até 2011.

Burruchaga: o “Burru” foi bestial na Copa de 1986. Marcou gols, deu passes, dribles e foi peça fundamental para a Argentina vencer seu segundo título Mundial. Na final, foi o melhor em campo, melhor até que Maradona, e marcou o gol do título. Rápido e cheio de habilidade, Burruchaga foi peça importante no Independiente da década de 80, que venceu muitos títulos, entre eles a Libertadores e o Mundial de 1984.

Maradona: o que dizer do melhor jogador da história da Argentina, que escolheu justamente uma Copa do Mundo para arrebentar? Maradona pode dizer que praticamente ganhou a Copa de 1986 sozinho. O que “Dieguito” jogou naquele mundial não está escrito. Fez gol antológico driblando meio time da Inglaterra, fez gol com “a mão de Deus” e deu passes para diversos gols, inclusive para o do título mundial argentino. Capitão, entusiasta e genial, foi mais do que importante para a Argentina naquela Copa: foi parte integrante da conquista. Sem ele, dificilmente a Argentina passaria das quartas de final. Está marcado para sempre na história do futebol como um dos melhores que o mundo já viu. Foi gênio.

Valdano: o grandalhão foi outra peça decisiva para a Argentina na conquista do título mundial. Centroavante trombador, mas com boa técnica, Valdano marcou gols muito importantes na Copa, inclusive o segundo na final contra a Alemanha. Brilhou no Real Madrid (ESP), onde venceu dois campeonatos espanhóis e duas Copas da UEFA (atual Liga Europa). Encerrou a carreira precocemente, aos 31 anos, por conta de Hepatite. Ficou conhecido como filósofo do futebol, por proferir frases de efeito sobre o esporte.

Carlos Bilardo (Técnico): meio-campista de sucesso na década de 60, época em que venceu três Copas Libertadores consecutivas com o Estudiantes (ARG), Carlos Bilardo virou técnico e brilhou na seleção da Argentina, implantando o 3-5-2 que fez tanto sucesso na Dinamarca na Eurocopa de 1984. O esquema surtiu efeito logo na primeira Copa do Mundo em que dirigiu sua equipe, em 1986, sendo perfeito para Maradona brilhar. Dirigiu com maestria a seleção, inclusive na Copa de 1990, quando ficou com o vice-campeonato. Foi eleito por duas vezes o melhor técnico da América do Sul, em 1986 e 1987.

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Extras:

La mano de Díos. El gol de Maradona

Se o primeiro gol de Maradona na partida contra a Inglaterra teve um “toque divino”, o mesmo não se pode dizer do segundo, que foi uma obra prima assinada apenas por Dieguito. Histórico.

 

Mundo Argentino

A Argentina fez 3 a 2 na Alemanha e levou sua segunda Copa.

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4 thoughts on “Seleções Imortais – Argentina 1986

  1. A VELHA LENDA DO JOGADOR QUE GANHOU COPA SOZINHO. ELE ESTAVA NO GOL, NA ZAGA, NO COMBATE DO MEIO DE CAMPO E NO ATAQUE. A ARGENTINA LEVOU DOIS GOLS ATÉ A FINAL E GANHOU DESONESTAMENTE DA INGLATERRA.

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