
Grandes feitos: Bicampeão Inglês (2001-2002 e 2003-2004 – invicto), Tricampeão da Copa da Inglaterra (2002, 2003 e 2005) e Bicampeão da Supercopa da Inglaterra (2002 e 2004). Foi o primeiro clube inglês na era moderna a ser campeão nacional invicto (o primeiro campeão invicto foi o Preston North End, no ano de 1889 e em apenas 22 rodadas. O Arsenal venceu em 38).
Time-base: Seaman (Lehmann); Lauren, Kolo Touré (Keown), Campbell e Ashley Cole; Ray Parlour (Edu), Gilberto Silva (Vieira), Ljungberg e Robert Pires (Fàbregas); Bergkamp (Van Persie) e Henry. Técnico: Arsène Wenger.
“Os Invencíveis”
Por Guilherme Diniz
É impossível falar sobre o que foi o futebol no começo do século XXI sem lembrar o Arsenal de Henry, Campbell, Cole e do técnico Arsène Wenger. O time inglês encheu os olhos da Inglaterra (e do planeta) com apresentações exuberantes e recheadas de futebol arte. Jogadas vistosas, ataque perfeito, defesa sólida, meio de campo criativo. Tudo funcionava bem naquele time. Tão bem que na temporada 2003-2004 o timaço londrino conquistou o Campeonato Inglês de maneira invicta, algo que não acontecia na Inglaterra há 115 anos. O feito do Arsenal (que ficou 49 partidas invicto na Liga inglesa, um recorde jamais superado) fez o clube ganhar o apelido de “Os Invencíveis”. Muito apropriado. Só faltou mesmo um título europeu para coroar ainda mais aquela geração de ouro. Mesmo assim, os Gunners entraram para a história. Relembre agora o super Arsenal 2002-2006.
Sumário
Virando o jogo

O Arsenal começou a escrever uma de suas mais bonitas páginas no mundo do futebol em 1996, após a vertiginosa Era George Graham, quando contratou o técnico francês Arsène Wenger. Quando foi anunciado, Wenger despertou enorme curiosidade na mídia inglesa e muita gente nem sequer conhecia o técnico. David Dein, vice-presidente do clube na época, chegou a conversar com Glenn Hoddle e pediu a opinião do jogador sobre seu ex-técnico, e ele disse: “Ele é um cara diferente”. Dein afirmou que em todos os lugares que ia, as pessoas diziam a mesma coisa: “Ele é um cara de classe”.
“As manchetes eram: ‘Arsène quem?’. Lembro de ir ao centro de treinamento para contar aos jogadores antes que fosse anunciado publicamente. Eu disse aos rapazes: ‘Temos um novo treinador começando hoje, é Arsène Wenger’, e uma voz lá do fundo respondeu: ‘Quem diabos é esse?’. Qualquer contratação de treinador sempre envolve risco, mas essas coisas são riscos calculados. Eu sempre sigo o lema da tartaruga: você nunca chegará a lugar algum se não colocar o pescoço para fora.
Pense em tudo o que Arsène mudou, não apenas no Arsenal, mas no futebol inglês em geral: métodos de treinamento, controle alimentar, táticas, estilo de jogo. Nos anos 1980 e início dos anos 1990, havia uma forte cultura da bebida no futebol inglês, de forma geral e certamente no Arsenal. Nós tínhamos um time de Premier League de bebedores. Arsène precisou acabar com tudo isso. Ele fez os rapazes entenderem seus corpos, respeitá-los, fazer a coisa certa, treinar adequadamente, chegar no horário. Foi uma revolução”. – David Dein, em entrevista à BBC, março de 2014.
O estranhamento não foi apenas na imprensa, mas também no elenco do Arsenal da época. O capitão Tony Adams, por exemplo, chegou a dizer, ao The Telegraph: “A princípio, pensei: ‘O que esse francês sabe de futebol? Ele usa óculos e parece mais um professor. Não vai ser tão bom quanto o George [Graham]. Será que ele sequer fala inglês direito?’”. Além disso, Wenger teria que quebrar uma escrita de que jamais na história do Campeonato Inglês um técnico que não fosse inglês ou escocês havia vencido o torneio nacional. Seria necessário um milagre. Pois Wenger iria fazer muito mais do que isso.
Como disse David Dein, uma das primeiras ações de Wenger no Arsenal foi reformular completamente a dieta dos atletas e acabar com vícios (em especial a bebida), alimentos gordurosos e doces. O técnico rapidamente implantou novas táticas, um novo estilo de jogo e trouxe talentosos jogadores estrangeiros para compor o escrete inglês. Logo na temporada 1997-1998 ele venceu o Campeonato Inglês e a Copa da Inglaterra, além da Supercopa da Inglaterra de 1998, conquistando definitivamente os torcedores e a diretoria. Na temporada 1999-2000 levou o Arsenal ainda mais longe, até a final da Copa da UEFA, mas a equipe sucumbiu nos pênaltis para o surpreendente Galatasaray (TUR) de Taffarel. A derrota serviu como lição para a equipe rever o que estava errado e dar a volta por cima, o que aconteceria a partir de 2001.
O timaço e o Double
Na temporada 2001-2002 o Arsenal tinha um plantel de respeito. A equipe contava com o experiente goleiro Seaman, o ótimo lateral camaronês Lauren, uma zaga imponente com Adams e Campbell, a joia Ashley Cole e jogadores extremamente criativos e técnicos do meio campo até o ataque: Vieira, Parlour, Ljungberg, Bergkamp e o cracaço Thierry Henry, além de peças de reposição tão boas quanto como Kolo Touré, Robert Pires, Edu e Cia. Wenger tinha um esquadrão que iria brilhar demais na Inglaterra. E faria muita, muita história. O time logo deu mostras do sucesso que viria no Campeonato Inglês.


Com aquele elenco e Henry ainda mais goleador, Wenger sabia que a hora da volta por cima havia chegado. Se na Liga dos Campeões e na Copa da Liga o time caiu precocemente, na Premier League e na Copa da Inglaterra a história foi diferente. Desde o início, os londrinos brigaram pelo topo com o Manchester United e também Liverpool, em grande fase na época. E o grande diferencial foi exatamente não perder para os grandes rivais, além de construir vitórias marcantes e séries invictas. No turno, a campanha foi oscilante, mas teve vitória por 3 a 1 sobre o United, em casa, com dois gols de Henry, e vitória por 2 a 1 sobre o Liverpool em pleno Anfield Road, com gols de Henry e Ljungberg.
No returno, show: nenhuma derrota e 13 vitórias seguidas a partir da 26ª rodada. O ápice veio na penúltima rodada, com triunfo por 1 a 0 sobre o United em Old Trafford, em gol de Wiltord, resultado que garantiu a conquista dos londrinos com uma rodada de antecipação. O caneco do Inglês veio quatro dias depois da conquista da Copa da Inglaterra, levantada em Wembley após vitória por 2 a 0 sobre o Chelsea, com gols de Ray Parlour e Ljungberg – extremamente decisivo naquela temporada. O Arsenal assegurou um novo Double em 2001-2002 e Henry foi o artilheiro da Premier League com 24 gols, além de ter anotado 32 gols no total.

Na campanha vencedora do campeonato, o Arsenal venceu 26 jogos, empatou nove e perdeu apenas três, curiosamente todos em casa, permanecendo invicto fora de Highbury. Os Gunners marcaram 79 gols e sofreram 36. Foram 87 pontos conquistados, sete a mais do que o vice-campeão Liverpool e 10 a mais do que o terceiro colocado, o Manchester United. O caneco revelava uma nova grande equipe que conquistaria muitos torcedores não só na Inglaterra, mas também em todo mundo. A temporada terminou com muita festa e apenas a tristeza com a aposentadoria do capitão Tony Adams, lenda do clube que pendurou as chuteiras em maio de 2002.

Temporada morna
Na época 2002-2003, Wenger seguiu reforçando o time e contratou o brasileiro Gilberto Silva, que dizia que o meio-campista “fazia o simples e podia jogar em todo lugar no meio-campo”, com o adendo de que “a posição de volante, bem à frente da defesa, é o que ele faz de melhor”. Com ele em campo, o Arsenal ganhou ainda mais qualidade, além de poder contar com o zagueiro Touré com mais frequência, após o mesmo se recuperar de lesão. No começo da temporada, a Supercopa da Inglaterra foi conquistada com vitória por 1 a 0 sobre o Liverpool, com gol de Gilberto Silva.

Na Liga dos Campeões, o clube até tentou, mas não conseguiu desempenhar um bom papel. O time foi líder na fase inicial de grupos, mas ficou atrás, na fase seguinte, de Valencia e Ajax, não conseguindo a classificação para as quartas de final. Os Gunners pecaram demais ao empatar 4 dos seis jogos que disputaram, sendo três em casa. Na Premier League, a briga foi de novo contra o Manchester United, mas os comandados de Ferguson acabaram com o título, somando 83 pontos contra 78 do Arsenal, vice. Nos confrontos diretos, vitória do United em Old Trafford – 2 a 0 – e empate em 2 a 2 no Highbury. Henry marcou mais 24 gols para sua coleção e ficou apenas um gol atrás do artilheiro, Ruud van Nistelrooy, do United.
O francês vivia seu auge na carreira, e o Arsenal se aproveitava disso. Ele era idolatrado pela torcida e resolvia de todas as maneiras os jogos. Se no Inglês o título escapou, na Copa da Inglaterra o time conquistou o bicampeonato. A equipe superou Oxford United (2×0), Farnsborough Town (5×1), Manchester United – em pleno Old Trafford (2×0), Chelsea (2×2 e 3×1 – na casa do Chelsea) e Sheffield United (1×0).

Na final, o Arsenal encarou a surpresa Southampton e venceu por um magro 1 a 0, gol de Pires aos 38´do primeiro tempo. Era o título solitário de um ano que não foi tão bom para o esquadrão de Wenger. Porém, a equipe parecia estar reservando forças para a temporada seguinte, que seria inesquecível.
Os Invencíveis
A temporada 2003-2004 começou com muita expectativa para o Arsenal. A equipe acabara de contratar a revelação do Barcelona Cesc Fàbregas e ainda contava com jovens promissores como Robbie van Persie e Senderos. A equipe estava disposta a vencer novamente a Premier League, só não esperava que o título viesse de maneira tão espetacular. Nas quatro primeiras rodadas, quatro vitórias: 2 a 1 no Everton (em casa), 4 a 0 no Middlesbrough (fora), 2 a 0 no Aston Villa (em casa) e 2 a 1 no Manchester City (fora). Nas duas seguintes, empates contra Portsmouth (1 a 1, em casa) e Manchester United (0 a 0, fora). Na sequência, mais três vitórias enormes contra rivais complicados: 3 a 2 no Newcastle (em casa), 2 a 1 no Liverpool em Anfield e 2 a 1 no Chelsea, em casa.

Após um empate em 1 a 1 com o Charlton Athletic, fora, os Gunners venceram Leeds (4 a 1, fora), Tottenham (2 a 1, em casa) e Birmingham City (3 a 0, fora). Na sequência, empates diante do Fulham (0 a 0, em casa) e Leicester City (1 a 1, fora), seguidos de vitória sobre o Blackburn (1 a 0, em casa), empate com o Bolton (1 a 1, fora), e vitória sobre Wolves (3 a 0, em casa) e Southampton (1 a 0, fora), com o Arsenal na vice-liderança ao fim do primeiro turno. Mas foi no segundo turno que a equipe embalou de vez. Após um empate em 1 a 1 com o Everton, fora, os Gunners emendaram 9 vitórias seguidas:
- 4 a 1 no Middlesbrough, em casa;
- 2 a 0 no Aston Villa, fora;
- 2 a 1 no Manchester City, em casa;
- 3 a 1 no Wolverhampton, fora;
- 2 a 0 no Southampton, em casa;
- 2 a 1 no Chelsea, fora;
- 2 a 1 no Charlton, em casa;
- 2 a 0 no Blackburn, fora;
- 2 a 1 no Bolton, em casa.
Líder desde a 21ª rodada, a equipe não perdeu mais a liderança e seguiu em busca do título. Na 30ª rodada, empate em casa contra o Manchester United em 1 a 1. Depois, vitória sobre o Liverpool, também em casa, por 4 a 2, com três gols de Henry. Na rodada 32, empate sem gols com o Newcastle, seguido de triunfo por 5 a 0 contra o Leeds United, em casa. Os Gunners foram para o duelo contra o rival Tottenham, fora de casa, com a chance de serem campeões com quatro rodadas de antecedência. E, com o empate em 2 a 2, o título foi assegurado com louvor. Nos quatro jogos seguintes, a missão era uma só: manter-se invicto. E eles conseguiram: empataram com o Birmingham em 0 a 0, em casa, e com o Portsmouth (1 a 1, fora), e venceram o Fulham (1 a 0, fora) e o Leicester City por 2 a 1, em casa, e 2 a 1 no Leicester City, em casa.
A história estava escrita. Pela primeira vez na era moderna do futebol inglês, um clube conquistava o Campeonato Inglês sem nenhuma derrota. Nascia ali o mantra dos torcedores dos Gunners:
38 jogos. 26 vitórias. 12 empates. Derrotas: NENHUMA.

Além disso, o clube anotou 73 gols (melhor ataque) e sofreu 26 gols (melhor defesa). Thierry Henry marcou 30 gols e foi o artilheiro da competição. Ninguém chegou aos pés do Arsenal em 2003-2004. Foi um feito tão impressionante que o único campeão inglês invicto na história datava de 1888-1889 (!), quando o Preston North End venceu o torneio após 22 jogos, bem menos do que os 38 disputados pelo Arsenal 115 anos depois.
A Football Association, como forma de reconhecimento ao feito dos Gunners, concedeu ao clube até um troféu especial, na cor dourada, como forma de simbolizar o feito da invencibilidade. E aquele esquadrão ficou conhecido para sempre como Os Invencíveis. “Temos sido notavelmente consistentes, não perdemos nenhum jogo e jogamos um futebol vistoso. Temos entretido pessoas que simplesmente amam futebol”, comentou Wenger na época. Mais de 250 mil pessoas lotaram as ruas do norte de Londres para celebrar o título dos Gunners, em uma festa memorável. Wenger comentou ao The Guardian que vencer a Premier League sem derrotas era algo para a eternidade e único.
“Todo ano temos um time que ganha a Liga dos Campeões, mas nem todo ano temos um time que bate um recorde como esse. É difícil comparar porque não quero desmerecer a Liga dos Campeões, mas é algo único que ficará marcado. Principalmente em um campeonato tão difícil quanto o Campeonato Inglês atualmente, é realmente inacreditável.
[…] Sem dúvida, terminar a temporada invicto é a minha maior conquista. Quando você ganha o campeonato, sente que alguém pode chegar e fazer melhor do que você. Sempre foi meu sonho terminar a temporada invicto, porque não há muito mais que alguém possa fazer para superar isso.”



Fim da invencibilidade e taças em cima do United
O Arsenal estendeu sua série de jogos sem perder na Premier League até outubro de 2004, já na temporada 2004-2005. Foram 49 jogos sem derrota na competição, um recorde que perdura até hoje. Eles só não conseguiram completar o redondo número de 50 jogos por culpa do Manchester United de Ferguson, que derrotou os Gunners por 2 a 0 em Old Trafford, em jogo polêmico no qual os Red Devils tiveram um pênalti a seu favor após Rooney supostamente se jogar dentro da área em lance com Campbell. Van Nistelrooy fez 1 a 0, aos 73’, e Rooney ampliou tempo depois para encerrar a sequência dos londrinos. A partida terminou com confusão dois dois lados e um pedaço de pizza foi arremessado em direção a Alex Ferguson por Fàbregas (!) no meio da bagunça, no que deu ao jogo o apelido de Pizzagate ou a batalha do Buffet.

Wenger ficou furioso com o desfecho da partida e com a atuação do árbitro Mike Riley, além de criticar o atacante Van Nistelrooy por má conduta durante a partida. “Só podemos controlar o nosso próprio desempenho, não o do árbitro. Levamos o pênalti de sempre quando jogamos contra o Manchester United e eles estão em dificuldades. Aconteceu na temporada passada e aconteceu de novo”, disse o treinador, que acabou multado em 15 mil libras pela FA por sua conduta.


Aquele jogo acabou aumentando ainda mais a rivalidade entre os dois clubes na época e balançou um pouco a relação entre Ferguson e Wenger. A Premier League acabou escapando, mas o clube celebrou dois títulos em cima do United: primeiro, a Supercopa da Inglaterra, com um categórico 3 a 1. Depois, veio a conquista da Copa da Inglaterra, nos pênaltis, após 0 a 0 no tempo regulamentar e prorrogação. Na Liga dos Campeões, os Gunners foram eliminados nas oitavas de final pelo Bayern München-ALE.
Em busca do sonho

Com uma equipe fortíssima, o Arsenal colocou a Liga dos Campeões da UEFA de 2005-2006 como objetivo principal, mais do que qualquer outro torneio na temporada. Era talvez a última chance do esquadrão de Wenger vencer a competição europeia, pois na próxima janela de transferências muitos jogadores com certeza dariam adeus ao time (Henry já era muito cobiçado por diversos clubes, entre eles o Barcelona). O time caiu no Grupo B da competição ao lado de Ajax (HOL), Thun (SUI) e Sparta Praga (RCH). A equipe não tomou conhecimento dos adversários e venceu cinco dos seis jogos que disputou, com apenas um empate. O destaque foi a vitória dos Gunners por 2 a 1 sobre o Ajax em plena Amsterdam Arena. Na Inglaterra, os times empataram em 0 a 0.

Nas oitavas de final, duelo contra o poderoso Real Madrid. No primeiro jogo, em Madrid, o Arsenal não se intimidou e venceu por 1 a 0, gol do matador Henry. Na volta, a sempre sólida defesa do time segurou o 0 a 0 que levou a equipe às quartas de final. O adversário foi outra potência, a Juventus. No primeiro jogo, em Londres, vitória inglesa por 2 a 0, gols de Fàbregas e Henry. Na Itália, empate sem gols. Na semifinal, contra o Villarreal, o time voltou a fazer a primeira partida em casa e foi novamente econômico no placar: 1 a 0, gol de Touré. Na volta, outro empate sem gols e vaga, pela primeira vez na história do clube, na final da maior competição da Europa. A grande conquista do time de Wenger estava muito próxima. O adversário seria o Barcelona, de Deco, Eto´o, Puyol, Edmílson, Giuly e a estrela e melhor do mundo Ronaldinho.

Duelo de invictos
Arsenal e Barcelona chegaram à final da Liga dos Campeões da UEFA de 2005-2006, no estádio Stade de France, em Saint-Denis (FRA), invictos. A campanha das equipes foi impecável, com vitórias importantíssimas fora de casa e jogos planejados e inteligentes em casa. O Arsenal apostava em sua defesa com Touré e Campbell, o meio de campo criativo com Gilberto Silva, Pires e Ljungberg e na força do atacante Henry. Já o Barça tinha uma equipe fortemente armada pelo holandês Frank Rijkaard, com Márquez e Puyol na zaga, Deco e van Bommel no meio e um ataque formidável com Giuly, Eto´o e Ronaldinho. Era um duelo muito esperado que colocava frente a frente duas equipes que jogavam o fino da bola, eram muito bem organizadas taticamente e tinha estrelas do mais alto calibre. O jogo prometia muito. E foi assim até o final.


O Barcelona criou as melhores chances do jogo e foi melhor nos números absolutos com 64% de posse de bola e 20 chutes a gol contra 8 do Arsenal. O time inglês sofreu uma baixa logo com 18´de jogo quando o goleiro Lehmann foi expulso ao cometer falta em Giuly. Porém, tempo depois, aos 37´, o zagueiro Campbell, de cabeça, fez Arsenal 1 a 0. Com um jogador a menos e na frente do placar, o time decidiu se defender de todas as maneiras possíveis.

Porém, esse foi o grande erro de Wenger: jogar atrás, contra uma equipe como o Barcelona, em uma final de Liga dos Campeões, era arriscado demais. No segundo tempo, o risco veio à tona quando Eto´o empatou aos 76´. Apenas cinco minutos depois, um improvável gol de Belletti virou o jogo para o Barça e decidiu o placar: Barcelona 2×1 Arsenal. O time inglês perdia a chance de faturar sua primeira taça europeia e de se consagrar definitivamente como um dos melhores times da história. Foi uma judiação, mas o título ficou mesmo com o Barça.
Fim de uma equipe brilhante

A derrota na final da UCL foi um divisor de águas para Wenger e para o Arsenal. O clube entraria em um período sem conquistas e de resiliência por conta dos gastos com o Emirates Stadium. Pagar o estádio significava menos dinheiro para contratações. Só no começo da década de 2010 que os Gunners celebraram algumas conquistas nacionais da Copa da Inglaterra, mas demoraram 22 anos para levantarem outra Premier League, que veio na época 2025-2026, sob o comando de Mikel Arteta, pupilo de Wenger anos atrás. Além do troféu, os Gunners chegaram a mais uma final de UCL, assim como o time de 2006. Mas o fato é que o Arsenal de 2002-2006 entrou para a história com a arte de jogar bola aliada a técnica e consciência tática do futebol. O Arsenal invencível é, sem dúvida alguma, um imortal do futebol.
Os personagens:
Seaman: foi um dos maiores goleiros da história do futebol inglês (mesmo levando aquele gol épico de Ronaldinho na Copa de 2002...) e atuou de 1990 até 2003 no Arsenal, conquistando diversos títulos. Foi titular da seleção inglesa em 91 partidas. Muito seguro, David Seaman foi um dos grandes símbolos dos Gunners na década de 90.
Lehmann: chegou com a dura missão de substituir a lenda Seaman, mas deu conta do recado. Muito ágil e capaz de fazer defesas brilhantes, o alemão Lehmann rapidamente conquistou os torcedores. Seu único ponto negativo foi a expulsão na final da Liga dos Campeões de 2006, justo quando o Arsenal mais precisava dele.
Lauren: o camaronês Laureano Mayer, mais conhecido como Lauren, foi absoluto na lateral direita do Arsenal de 2000 até 2006. Foram mais de 150 jogos pelo clube londrino e atuações memoráveis na zaga do time. Ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2000 com a seleção de Camarões.
Kolo Touré: irmão de Yaya Touré, outro grande jogador, Kolo foi um dos grandes zagueiros do Arsenal de 2002 até 2009. Ótimo na defesa e também no meio de campo, como volante, o marfinense ganhou o coração da torcida com sua força de vontade e ótimo posicionamento. Ao lado de Campbell, fez uma das melhores zagas da Inglaterra.
Keown: foi outro grande zagueiro da Inglaterra, revelado pelo próprio Arsenal. Martin Keown atuou de 1993 até 2004 na equipe e pôde presenciar os melhores momentos do clube em sua história. Fez grandes partidas pelo time, mas começou a perder espaço com a chegada de Touré.
Campbell: brilhante zagueiro, ótimo no jogo aéreo, bom no posicionamento e com presença física. Sol Campbell foi a referência na zaga do Arsenal de 2001 até 2006. Seria o herói do título da Liga dos Campeões de 2006 com seu gol se o Barcelona não tivesse virado a partida e Lehmann não tivesse sido expulso. Mesmo com o drama naquela partida, brilhou nas conquistas dos Gunners, inclusive no épico título invicto do Campeonato Inglês de 2003-2004.
Ashley Cole: joia criada no Arsenal, o mundialmente famoso lateral esquerdo Ashley Cole despontou para o mundo jogando o fino no clube londrino. Preciso no apoio ao ataque, perfeito na defesa com desarmes fantásticos, e muito dedicado, Cole colecionou títulos no time de 1998 até 2006. Foi ídolo da torcida até se transferir, em 2006, para o Chelsea, o que custou uma perda de popularidade por grande parte dos torcedores. Mesmo assim, seu desempenho está marcado para sempre. Leia mais sobre ele clicando aqui!
Ray Parlour: outro formado no Arsenal, Ray Parlour brilhou intensamente no meio de campo do Arsenal de 1992 até 2004. Seu brilho ficou ainda mais evidente com a chegada de Arsène Wenger, em 1996, quando Parlour passou a ter ainda mais liberdade no meio de campo, o que resultou em muitos gols. Participou de mais de 330 jogos pelos Gunners.
Edu: o jovem volante que despontou no Corinthians rapidamente se transferiu para o Arsenal, em 2001, para brilhar no time londrino. Muito seguro, com grande visão de jogo e ótimo na contenção, Edu foi uma peça chave para o Arsenal de 2001 até 2005, inclusive marcando gols decisivos.
Gilberto Silva: outro brasileiro brilhante no meio de campo do Arsenal, Gilberto Silva virou um monstro no clube inglês com atuações fantásticas, eficientes e quase perfeitas tecnicamente. Jogou de 2002 até 2008 no time e virou até capitão quando já estava consagrado. Além de ser ótimo no meio, ainda se arriscava no ataque graças a sua técnica, e marcava uns golzinhos de vez em quando. Foi um ídolo no time e um dos poucos brasileiros a conseguir imenso sucesso no futebol inglês.
Vieira: depois de passar por Cannes e Milan, foi no Arsenal que Vieira encontrou seu verdadeiro futebol e brilhou para o mundo inteiro ver. Técnico, altíssimo (1m93cm) e ótimo no jogo aéreo, era sinônimo de segurança e estilo no meio de campo da equipe. De 1996 até 2005 foram mais de 270 jogos pelo clube, além da braçadeira de capitão do time a partir de 2002, após a aposentadoria de Tony Adams. Leia mais sobre ele clicando aqui!
Ljungberg: o sueco “tocou o terror” no Arsenal de 1998 até 2007 com atuações brilhantes como um ponta na equipe de Wenger. Muito rápido e habilidoso, Ljungberg marcou mais de 45 gols pelo Arsenal e formou um meio de campo primoroso nos anos de ouro da equipe.
Robert Pires: o talentoso meia/atacante francês Pires foi um dos grandes nomes do Arsenal de 2000 até 2006. Formou, ao lado de Ljungberg, Gilberto Silva e Vieira um meio de campo inesquecível no time de Wenger. Ajudou o Arsenal a construir a imagem de sempre contar com ótimos franceses em seu elenco, além de realizar partidas brilhantes e marcar 62 gols em 189 jogos pelo clube.
Fàbregas: o espanhol foi revelado pelo Barcelona, mas só virou uma estrela do futebol mundial jogando no Arsenal. Sob o comando de Wenger, Fàbregas virou um fenômeno e trouxe ainda mais qualidade ao meio de campo e ataque da equipe inglesa. Uma pena o jogador ter virado titular apenas tempo depois dos títulos conquistados em 2003 e 2004, pois poderia ter contribuído muito mais para a equipe. Deixou o Arsenal em 2011 para voltar ao Barcelona.
Bergkamp: o “homem de gelo” como ficou conhecido (mas que tinha pavor de avião…) foi uma das peças fundamentais e geniais no ataque do Arsenal de 1995 até 2006. Foram mais de 87 gols pelo Arsenal e muitos passes para Henry brilhar no time. O próprio Henry descrevia o holandês como “um sonho como atacante”. Muito técnico, perfeito no posicionamento e decisivo, Bergkamp fez história no time inglês e ganhou para sempre o coração dos torcedores. Pelo medo de avião, Bergkamp ganhou dos companheiros o apelido de “holandês não-voador”, parodiando o apelido de outro genial atacante holandês, Van Basten. Leia mais sobre ele clicando aqui.
Van Persie: mais um holandês, chegou para substituir Bergkamp, que saiu do time em 2006. Com um faro de gol impressionante, Van Persie se tornou um dos maiores talentos do futebol holandês e foi a estrela do time por muito tempo. O craque é o oitavo maior artilheiro do Arsenal na história com 132 gols marcados.
Henry: é o maior ídolo da história do Arsenal e o maior artilheiro da história do clube com 228 gols em 376 jogos com a camisa dos Gunners. Rápido, matador, decisivo e, claro, muito mala (rsrs), Thierry Henry conquistou para sempre a torcida do Arsenal com muitos gols e atuações brilhantes. Foi o maior atacante do Campeonato Inglês de 2002 até 2004 e um terror para os zagueiros. Atuou no clube de 1999 até 2007. Conquistou quase todos os títulos possíveis, só faltando um caneco continental. Leia mais sobre ele clicando aqui.
Arsène Wenger (Técnico): podemos definir o Arsenal antes de Arsène Wenger e depois de Arsène Wenger, tamanha sua importância para a história e identidade do clube. Suas táticas e estilos mudaram para sempre o time londrino e fizeram os Gunners ser um dos maiores esquadrões do planeta, adeptos do futebol arte e do domínio de jogo. Faltou apenas uma taça da Liga dos Campeões da UEFA, mas ele, com certeza, está no coração dos torcedores pelo feito incrível de ter levado o Arsenal ao título inglês invicto. Esse, com certeza, será muito difícil de ser igualado. Leia mais sobre ele clicando aqui!


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Esse time era imbatível! Bergkamp foi um gênio. Mesmo com a idade avançada nas temporadas 2001-2002 e 2003-2004, ele conseguiu dar conta do recado num campeonato de altíssimo nível. Bergkamp foi sem sombra de dúvida um dos melhores jogadores da década de 90 começo dos anos 2000.
GO GUNNERS !!!
Time inesquecível ! Arsène Wenger, é um manager clássico, vitorioso, e um incrível técnico que sempre levou o Arsenal à liga dos campeões, desde que chegou ao clube, na década de 90. Eu espero que o Wenger, vença uma UCL, antes de sair do comando do Arsenal. Go Arsenal !! Go gunners !!
Essa equipe do Arsenal entre 2001 a 2006 realmente foi um time fantástico , tinha lendas no elenco do quilate de Seaman , Bergkamp e Henry , tinha um treinador genial no banco como era e continua sendo o Arsene Wenger e um elenco muito bom composto por excelentes jogadores . Aquele time do Arsenal principalmente da temporada 2003/2004 era um elenco muito cascudo , que mesclava jogadores veteranos e rodados com os moleques da base e isso aliado ao trabalho e influência de Wenger acabou dando muito certo . Tinha uma defesa fortíssima formado por beques de grande técnica do nível de Kolo Toure e Campbell que tomava poucos gols , tinha o jovem e promissor Ashley Cole na lateral esquerda , com Lauren na direita , Gilberto Silva era o cão de guarda do meio-campo e Vieira completava a ‘perfeita’ dupla de volancia com Gilberto Silva , Ljungberg e Bergkamp completava o meio-campo com eficiência e categoria e o ataque era formado pela poderosa dupla de ataque formada por Pires e Henry . Era uma equipe imbatível , ganhou tudo na Inglaterra mas algo ficou incompleto , faltou algo para completar essa vitoriosa equipe dos Gunners , faltou um título de UCL para coroar esse trabalho , aquele time do Arsenal entre 2001 a 2006 merecia ter ganho uma Champions , ficou uma sensação de frustação , é lógico que aqueles 2 títulos ingleses na década passada principalmente a de 2003/2004 onde o Arsenal venceu a Premier League de forma invicta ficou para a história , foi sem dúvidas uma conquista implacável mas ficou sim faltando um algo a mais para aquele time , o Arsenal merecia ter sido campeão europeu mas pipocava no mata-mata da UCL , foi uma pena pois aquele time merecia .
Arsène Wenger, na minha opinião pessoal, deveria rever o vídeo e montar a mesma equipa. Embora reconheça que as pessoas não são as mesma. Admiro muito o Henry e Dergkamp, são incriveis e mereciam a Bola de Ouro. O treinador faz muita promessa e não compra nenhum. Lewandowski esta a venda, reforce o ataque.
Sou fã do meu maior idolo thierry henry queria ver ele terminando a carreira dele no arsenal mais ele já se aposentou mais sou grato por tudooo o q ele fez no arsenal pra mim o maior idolo da historia do arsenal e eu espero ver algum dia ver o arsenal campeâo da liga dos campeões e acredito q nessa temporada 2015 2016 eu possa ver isso estou confiante….
Esse time jogava bola demais, conseguindo a proeza de ser campeão da Premier League de maneira Invicta, algo muito difícil de conseguir em um torneio com vários times bons. Infelizmente o Arsenal não teve a mesma sorte nos torneios continentais, batendo na trave em 2006, mas perdeu para aquele timaço do Barcelona. O Grande Problema do Arsenal hoje é apenas apostar em jogadores jovens com pouca experiência. É fundamental para um time competitivo mesclar juventude e experiência. Espero ver um dia o Arsenal ser campeão europeu.
Abraços,
Caio