Esquadrão Imortal – River Plate 1996-1997

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Grandes feitos: Campeão da Copa Libertadores da América em 1996, Campeão da Supercopa da Libertadores em 1997 e Tricampeão do Campeonato Argentino (1996-Apertura, 1997-Clausura e 1997-Apertura).

Time base: Germán Burgos; Hernán Díaz, Celso Ayala, Guillermo Rivarola (Berizzo) e Altamirano (Sorín); Escudero, Almeyda (Astrada), Cedrés (Gallardo) e Ortega (Sergio Berti); Crespo (Marcelo Salas) e Francescoli. Técnico: Ramón Angél Díaz.

“Sob a batuta do mestre Francescoli”

No último dia 26 de junho, o River Plate celebrou o aniversário de 16 anos de sua última grande e marcante conquista: a Copa Libertadores de 1996. Aquela conquista marcou para sempre a história do clube por ter sido o título vencido com uma das últimas grandes gerações de craques do clube de Buenos Aires, e, mais do que isso, pela taça ter sido erguida pelo maior ídolo do River: o uruguaio Enzo Francescoli. Com jogadores talentosos, cheios de garra e muito técnicos, o River colocou os rivais para dançar um belo tango e jogou muito em dois anos maravilhosos. Os bailes de Francescoli, Ortega, Gallardo, Almeyda, Crespo e Ayala no Monumental de Nuñez sempre lotado eram demais. E o que dizer da festa no estádio do time argentino na final da Libertadores de 1996? Foi épico. O único caneco que faltou foi o Mundial Interclubes, que acabou ficando com a Juventus de Zidane, Del Piero e Cia. É hora de relembrar as façanhas daquele grande time.

Craques de casa

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O River começou a década de 90 de maneira muito promissora. O time era, de longe, o melhor da Argentina e aproveitava os tempos de vacas “bem magras” dos rivais Boca e Independiente para vencer títulos importantes no período. Apenas o Vélez de Chilavert  e o Newell´s Old Boys podiam disputar alguma coisa com os “Millonarios”. A equipe venceu os campeonatos argentinos de 1991, 1993 e 1994 (este de maneira invicta) e ainda contava com a volta de seu grande ídolo, Francescoli, que retornou ao clube em 1994. Para melhorar, uma ótima safra de jogadores nascia nas categorias de base do clube tais como Ortega, Gallardo e Crespo. Com jovens craques, aliados a magia e liderança de Francescoli, o time tinha tudo para brilhar a partir de 1995.

 

Tropeços ensinam o caminho das pedras

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Em 1995, chegou ao River o técnico Ramón Díaz, que faria história no clube. Porém, em seu ano de estreia, os resultados não foram animadores. Na Libertadores, depois de fazer uma boa primeira fase e eliminar o então campeão da América, Vélez Sarsfield, nas quartas de final, o River sucumbiu diante do Atlético Nacional, da Colômbia, ao perder nos pênaltis por 8 a 7. O time ainda fez um Campeonato Argentino apenas regular e foi eliminado nas semifinais da Supercopa da Libertadores pelo Independiente. Os resultados, porém, não desanimaram jogadores e diretoria. Todos confiavam no potencial do time e os louros seriam uma questão de tempo.

Enfim, o grande ano

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O River Plate começou com tudo o ano de 1996. Mordido pelos reveses do ano anterior, o time argentino queria fazer bonito, a começar pela Libertadores. A equipe estreou na competição continental no Grupo 5, ao lado de San Lorenzo (ARG), Minervén (VEN) e Caracas (VEN). A equipe de Buenos Aires conseguiu o primeiro lugar do grupo ao vencer quatro jogos e empatar dois, com 14 gols marcados e 3 sofridos. O time empatou com o San Lorenzo em 1 a 1, fora, e em 0 a 0 em casa; venceu o Minervén por 2 a 1 fora e 5 a 0 em casa; e fez 4 a 1 no Caracas fora e 2 a 0 em casa.

Nas oitavas de final, duelo contra o Sporting Cristal, do Peru. No primeiro jogo, no Peru, vitória do Sporting por 2 a 1. Na volta, o River impôs seu jogo e goleou por 5 a 2. Nas quartas de final, reencontro com o San Lorenzo. Na primeira partida, vitória do River por 2 a 1. Na volta, o time empatou em 1 a 1 e voltou a uma semifinal de Libertadores.

Encontro com Salas e vaga na final

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Nas semifinais, o River Plate enfrentou a forte Universidad de Chile, que depositava todas as suas fichas no hábil atacante Marcelo Salas, que logo partiria para os lados do Monumental de Nuñez. No primeiro jogo, em Santiago, muita disputa e empate em 2 a 2. Na volta, em Buenos Aires, Almeyda garantiu o 1 a 0 e a vaga na tão sonhada final. O River chegava, depois de exatos 10 anos, a final da Copa Libertadores e completava a dinastia do ano terminado em “6”, já que a equipe foi finalista das Copas de 1966, 1976, 1986 e 1996.

O River campeão da América: veloz, criativo e perigoso nos contra-ataques. Pena que durou pouco e perdeu peças importantes para o duelo contra a Juventus no Mundial...
O River campeão da América: veloz, criativo e perigoso nos contra-ataques. Pena que durou pouco e perdeu peças importantes para o duelo contra a Juventus no Mundial…

 

Dos veces campeón!

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Outra boa coincidência marcou a decisão da Copa Libertadores de 1996. O River reencontrou o mesmo rival que derrotou em sua primeira conquista continental, em 1986: o América de Cali (COL), sempre lembrado pelo tri-vice da Libertadores na década de 80. Os colombianos tinham a chance da revanche e da tão sonhada conquista do título. Já o River queria se apegar aos números totalmente favoráveis e ao talento de seu esquadrão para conquistar o bi. O primeiro jogo foi no estádio Pascual Guerrero, em Cali, na Colômbia. O River sabia que um empate era ótimo negócio, mas o América não deixou os argentinos jogarem por qualquer resultado positivo. Antony de Ávila fez o gol solitário dos colombianos, aos 26´do primeiro tempo, e garantiu a vitória do América. O River, se quisesse ser campeão, teria que vencer por dois gols de diferença.

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Na finalíssima, o estádio Monumental de Nuñez estava simplesmente maravilhoso e pegando fogo. Mais de 60 mil pessoas lotaram o caldeirão para apoiar o River. Francescoli, Ayala, Altamirano, Almeyda, Ortega e Crespo eram os principais nomes que tinham a chance de fazer história. E fizeram. O River sufocou o América desde o início e abriu o placar aos 6´com o goleador Crespo. No segundo tempo, Crespo fez mais um, aos 59´, garantindo o 2 a 0 no placar e o bicampeonato continental do River Plate.

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O Monumental explodiu de alegria: era o ápice de um time aguerrido, goleador e com fome de vitória. De quebra, Francescoli conquistava o torneio que ele havia deixado de vencer em 1986, quando saiu do time argentino para jogar no Racing Matra, da França. O capitão, enfim, saldava sua dívida com a torcida.

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Início da hegemonia na Argentina

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Depois da Libertadores, o River partiu com moral e entusiasmo em busca do título do Argentino. A equipe fez um ótimo campeonato e conseguiu o título com uma rodada de antecedência, com 46 pontos ganhos em 19 jogos, com 15 vitórias, um empate e somente três derrotas, além de ter o melhor ataque da competição (52) e uma das melhores defesas (22). O título incontestável, com nove pontos de vantagem sobre o vice-campeão (Independiente), serviu como artifício para que a equipe conquistasse outro bicampeonato: o Mundial.

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Del Piero acaba com o sonho

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O River partiu para o jogo mais importante de 1996: a final do Mundial Interclubes, que seria disputada contra a brilhante Juventus de Del Piero, Deschamps e Zidane (o francês que tinha Francescoli, do River, como ídolo). No embate entre o craque e seu fã, melhor para Zizou e a Juventus, que venceu por 1 a 0, gol de Del Piero, e ficou com o título. O River perdia a chance de superar o rival Boca em número de títulos mundiais, já que os xeneizes tinham uma conquista, assim como o River. A ausência de estrelas que ajudaram (e muito!) na conquista da Libertadores como Almeyda e Crespo fizeram falta ao time naquele jogo.

 

O tricampeonato nacional

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Em 1997 o River conseguiu a façanha do tricampeonato argentino. A equipe venceu o Clausura com 41 pontos ganhos, 12 vitórias, cinco empates e duas derrotas. No Apertura, uma campanha ainda melhor, mas bem disputada contra o rival Boca Juniors. Os Millonarios terminaram a competição com 45 pontos, apenas um a mais que os Xeneizes. O River venceu 14 jogos, empatou três e perdeu dois, um deles para o Boca, que foi a pedra no sapato do time na trajetória do tricampeonato (o River empatou um jogo e perdeu dois). Mesmo sem vencer o maior rival, o que valeu foi o título, ou melhor, os títulos, que confirmaram a hegemonia do time no país.

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Outra conquista sul-americana

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Depois da decepção na Libertadores de 1997, onde foi eliminado ainda nas oitavas de final, o River comemorou outro caneco continental: a Supercopa da Libertadores, torneio que reunia apenas ex-campeões continentais. O time argentino foi o primeiro colocado de seu grupo, derrotando o Racing (ARG) e o Santos (BRA) por 3 a 2; o Vasco (BRA) por acachapante 5 a 1; novamente o Racing por 3 a 2 e o Vasco por 2 a 0, com apenas uma derrota para o Santos por 2 a 1.

Nas semifinais, o time encarou o Atlético Nacional (COL) e venceu o primeiro jogo por 2 a 0, com dois gols de Salas, perdendo por apenas 2 a 1 a partida de volta.

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O River Plate decidiu a competição contra o São Paulo (BRA), em dois jogos. No primeiro jogo, no Morumbi, empate sem gols. Na volta, o River fez valer o fator campo e venceu por 2 a 1, com dois gols do artilheiro Salas. O time conquistava o quinto título em apenas dois anos. Mas a festa estava prestes a acabar.

 

O adeus do ídolo e do grande time

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Depois da temporada de 1997, o River perdeu seu grande ídolo, Francescoli, para a aposentadoria. Junto com o adeus do craque, ia embora, também, o período de ouro do time argentino, que colecionaria mais baixos do que altos e veria seu principal rival virar um titã tanto na Argentina quanto na América do Sul. Para piorar, em 2011, no dia em que comemorava 15 anos da conquista da Libertadores, o River caiu para a segunda divisão argentina de maneira trágica e inimaginável. Felizmente, os Millonarios voltaram e esperam nunca mais voltar para a penumbra de “la B”. Afinal, ela não combina com um clube tão rico e com tanta história como o River Plate.

Os personagens:

 

Germán Burgos: foi o dono da meta do River de 1994 até 1999 e importante referência nos títulos da Libertadores e no tricampeonato nacional. Foi herói ao defender um pênalti na primeira partida da final da Libertadores, contra o América.

Hernán Díaz: grande lateral direito do River multicampeão. Apoiava muito o ataque e era efetivo na defesa. Foi um dos grandes símbolos daquele time e jogou por uma década na equipe argentina, onde venceu 10 Campeonatos Argentinos, 1 Libertadores e 1 Supercopa da Libertadores.

Celso Ayala: o zagueiro paraguaio esbanjou elegância e eficiência na zaga do River Plate e da seleção paraguaia na década de 90. Exímio no jogo aéreo, Ayala foi ídolo no River e símbolo dos diversos títulos do clube de 1994 até 1997.

Guillermo Rivarola: jogou de 1991 até 1996 no River e brilhou em três conquistas nacionais do River e na Copa Libertadores de 1996. Não era alto para um zagueiro, mas compensava com muita garra em campo.

Berizzo: substituiu a altura Rivarola com atuações muito boas e eficientes na zaga do River, características já exibidas em seus tempos de Newell´s Old Boys. Polivalente, podia atuar muito bem, também, como volante ou até mesmo lateral. Foi ídolo.

Altamirano: outro bom defensor do River com passagem pela seleção, Altamirano atuou de 1992 até 1997 nos Millonarios e disputou 27 partidas pela seleção argentina. Foi titular em grande parte da conquista da Libertadores.

Sorín: o lateral esquerdo surgiu no River em 1996 e rapidamente ganhou o carinho da torcida com sua eficiência, tanto na defesa quanto no ataque, sendo um verdadeiro elemento surpresa nas investidas do time e autor de muitos gols. Ficou no River até 2000, quando partiu para virar ídolo em outro clube: o Cruzeiro.

Escudero: meio campista do River, venceu sete títulos com o time de 1996 até 2002. Fez, ao lado de Almeyda, uma célebre dupla que garantiu a segurança no meio para o River vencer a Libertadores depois de 10 anos.

Almeyda: foi ídolo no River por sua eficiência no meio de campo e por protagonizar partidas memoráveis, com muita técnica e disposição. Volante clássico, Almeyda venceu três campeonatos nacionais e a Libertadores de 1996 com o time de Buenos Aires. Depois de jogar muito no River, Almeyda partiu para a Lazio, da Itália, onde seria igualmente vencedor. Hoje, é o treinador responsável por trazer de volta a equipe “Millonaria” para a primeira divisão do futebol argentino.

Astrada: “El Jefe” foi outro grande jogador do River e um verdadeiro xerife no meio de campo da equipe argentina. Muito raçudo e sempre cheio de vontade, Astrada jogou quase toda a sua carreira no Millonarios, de 1988 até 2000, passando pelo Grêmio e voltando ao River para encerrar a carreira, em 2004. Foi técnico do time ainda em 2004.

Cedrés: podia jogar como meia ou atacante, sendo titular nas decisões da Libertadores de 1996, vencida pelo River. O uruguaio jogou de 1994 até 1996 no time argentino e faturou, também, um Campeonato Argentino, em 1996.

Gallardo: cria do River, Gallardo despontou como um dos mais habilidosos meias-atacantes do futebol argentino da década de 90. Fez partidas memoráveis e virou xodó da torcida. De 1992 até 1999 colecionou títulos no River e fez parte do esquadrão campeão da América em 1996.

Ortega: “El Burrito” foi um dos ícones do grande River campeão da América de 1996. Extremamente driblador, levava a torcida ao delírio com suas atuações no Monumental de Nuñez, que o levaram para a seleção, onde atuou em 87 partidas. Arisco, Ortega foi ídolo e é lembrado até hoje com muito carinho pela torcida.

Sergio Berti: por incrível que pareça, Berti começou a jogar no Boca Juniors antes de brilhar no River como meio-campista. Teve três passagens pelo River na década de 90, tendo destaque nos títulos nacionais e na Supercopa da Libertadores de 1997.

Crespo: foi um dos maiores atacantes do futebol argentino na década de 90 e um dos mais letais do futebol mundial no período. Começou com tudo no River e em apenas três anos já era campeão da América, sendo o herói do título ao marcar os dois gols da decisão. Suas exibições e seus gols o levaram rapidamente para a Europa, onde brilhou no grande Parma campeão da Copa da Itália e da Copa da UEFA. Foi um grande e notável nome, também, na seleção argentina, onde marcou 35 gols em 64 jogos.

Marcelo Salas: jogando pela Universidad de Chile, Salas enfrentou o River na semifinal da Libertadores de 1996, que seria vencida pelos argentinos. Tempo depois, ele partiu para Buenos Aires, onde virou ídolo e um dos maiores atacantes da história do clube. Ganhou o apelido de “El Shileno”.

Francescoli: extremamente habilidoso, dono de uma visão de jogo incrível e muito goleador, Francescoli foi a estrela solitária da seleção uruguaia durante toda a década de 80 e até meados da década de 90. É um dos poucos jogadores do país a não ter jogado nos maiores clubes do Uruguai (Peñarol e Nacional) e é mais adorado na Argentina (país onde vive atualmente) do que em sua própria casa. Motivo? Francescoli simplesmente arrebentou no River Plate, foi e é o maior ídolo da história do clube. O craque jogou muito, marcou gols épicos e conquistou inúmeros títulos (incluindo a Libertadores de 1996) e ganhou vários títulos individuais. Curiosamente, depois da aposentadoria de Francescoli, nunca mais o River brilhou em competições internacionais, tendo vencido apenas competições nacionais.

Ramón Angél Díaz (Técnico): foi um dos maiores técnicos da história do clube ao levar uma equipe promissora e cheia de talento às conquistas da Copa Libertadores de 1996, da Supercopa da Libertadores de 1997 e de 5 Campeonatos Argentinos. Soube como ninguém a usar toda a habilidade, maestria e liderança de Francescoli a seu favor para tornar o River temido e quase imbatível jogando em casa. Muito querido no Monumental até hoje.

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Extra:

 

Último caneco internacional

Veja a vitória do River sobre o São Paulo na final da Supercopa da Libertadores de 1997.

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