Craque Imortal – Pedro Rocha

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Nascimento: 03 de Dezembro de 1942, em Salto, Uruguai. Faleceu em 02 de dezembro de 2013, em São Paulo, Brasil.

Posição: Meia

Clubes: Peñarol-URU (1959-1970), São Paulo-BRA (1970-1977), Coritiba-BRA (1978), Palmeiras-BRA (1979), Bangu-BRA (1979) e Monterrey-MEX (1980).

Principais títulos por clubes:

2 Mundiais Interclubes (1961 e 1966), 3 Copas Libertadores da América (1960, 1961 e 1966), 1 Recopa dos Campeões Mundiais (1969) e 8 Campeonatos Uruguaios (1959, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967 e 1968) pelo Peñarol.

1 Campeonato Brasileiro (1977) e 2 Campeonatos Paulista (1971 e 1975)  pelo São Paulo.

1 Campeonato Paranaense (1978) pelo Coritiba.

 

Principais títulos individuais:

Bola de Prata da Revista Placar: 1973

38º Futebolista do Século XX pela IFFHS: 1999

Melhor Jogador da Copa América: 1967

Artilharias:

Artilheiro do Campeonato Uruguaio: 1963 (18 gols), 1965 (15 gols) e 1968 (8 gols)

Artilheiro do Campeonato Brasileiro: 1972 (17 gols)

Artilheiro da Copa Libertadores da América: 1974 (7 gols)

“El Verdugo”

Num misto de raça uruguaia com a mais nobre elegância do futebol arte, Pedro Virgílio Rocha Franchetti encantou o Uruguai, o Brasil, a América e o mundo com exibições formidáveis e uma categoria fascinante que o levou ao status de ídolo nos gigantes Peñarol e São Paulo e na seleção uruguaia. Multicampeão no clube aurinegro, “El Verdugo” (O Carrasco) é o único jogador da história do Uruguai a disputar quatro Copas do Mundo de maneira consecutiva (1962, 1966, 1970 e 1974), além de ser uma das únicas estrelas celestes no período de vacas magras da equipe. Tranquilo, sempre longe dos holofotes e preocupado apenas em jogar o simples, Pedro Rocha foi um gigante em campo e um dos grandes meias do futebol nas décadas de 60 e 70. É hora de relembrar.

Nascido em berço de ouro. E negro.

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Pedro Rocha começou a demonstrar seu talento no futebol no tradicionalíssimo Peñarol, de Montevidéu. O jogador teve a sorte de iniciar a carreira justamente no momento mais áureo e fantástico do clube aurinegro, no final da década de 50. Com jogadores como Cubilla, Martínez, Joya, Sasía, Caetano, Maidana e Spencer, o clube começou uma supremacia incrível no futebol do país, ao conquistar o Campeonato Uruguaio em oito oportunidades naquele período, com direito a um tetra de 1959 até 1962 (penta se levarmos em consideração o caneco de 1958). Jovem, talentoso, alto, forte, veloz, impecável com os dois pés e perfeito em cobranças de falta, Rocha era um craque completo, mas que começaria a brilhar apenas a partir de 1962. Antes disso, fez sua estreia como profissional ao entrar no segundo tempo de um clássico entre Peñarol e Nacional, no lotado estádio Centenário, em Montevidéu, na primeira vez que “queria chamar a mãe”, em alusão ao fato que passou na Copa de 1974, quando pela segunda vez na carreira também quis a mãe no jogo contra a Holanda. Coadjuvante, Pedro Rocha viu o Peñarol conquistar duas Copas Libertadores, perder de goleada (5 a 1) o primeiro Mundial Interclubes, em 1960, para o Real Madrid, e dar a volta por cima na edição de 1961, quando foi o Peñarol quem goleou o adversário, o Benfica, por 5 a 0, e ficou com o caneco depois de três jogos. O craque não disputou as partidas decisivas por ser “inexperiente”, segundo o técnico Scarone, um luxo que aquele esquadrão poderia ter com tantos craques no elenco. Tão jovem, Rocha conseguiu suas primeiras convocações para a seleção e um lugar na Copa de 1962, no Chile.

 

Seca de títulos continentais

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Em 1962, Pedro Rocha nada pode fazer para o Peñarol conquistar o tricampeonato da América, contra o Santos de Pelé, que ficou com a taça. Naquele ano, o craque disputou, aos 19 anos, a Copa do Mundo do Chile, ao lado dos companheiros Cubilla e Sasía. O Uruguai não tinha um bom time e estava longe de encantar como encantou nas Copas de 1954, 1950 e 1930, o que fez a equipe cair precocemente no torneio com apenas uma vitória (2 a 1 na Colômbia) e duas derrotas (3 a 1 para a Iugoslávia e 2 a 1 para a União Soviética). Sem brilho, Rocha teve que focar suas atuações no Peñarol, que manteve a sina de títulos nacionais com as taças de 1964 e 1965. No período, Rocha começou a mostrar o faro artilheiro ao conquistar as artilharias dos campeonatos de 1963, com 18 gols, e 1965, com 15 gols. Mas o grande ano do craque seria 1966. Ali, despontava de vez o gênio com a bola nos pés.

 

Campeão maiúsculo

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Titular absoluto do Peñarol, em 1966, Pedro Rocha deu show na temporada. Na Libertadores, conduziu a equipe ao tricampeonato, com muitos gols, assistências e partidas formidáveis, com destaque para o clássico contra o Nacional na fase de grupos, onde Rocha marcou dois gols na vitória dos aurinegros por 3 a 0, e em outro confronto contra os maiores rivais, agora  pelas semifinais, quando Rocha foi simplesmente fantástico ao marcar todos os gols da vitória por 3 a 0 do Peñarol, que carimbou a vaga do time para a final, contra o River Plate (ARG). Na decisão, o Peñarol venceu o primeiro jogo, em casa, por 2 a 0, perdeu o segundo por 3 a 2 (com um gol de Rocha), e venceu na prorrogação a partida derradeira, em campo neutro, por 4 a 2, após empate em 2 a 2 no tempo normal, com Rocha marcando o gol do título. O craque foi o vice-artilheiro da competição com 10 gols, sete atrás do matador nato Daniel Ortega, maior goleador em uma só edição da história da Libertadores. O caneco continental levou o Peñarol para o Mundial Interclubes, contra o Real Madrid, numa reedição da final de 1960.

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No Mundial, o Real Madrid já não era mais o mesmo dos anos 50, mas ainda sim tinha uma boa equipe, com Velásquez, Gento, Pirri e Amaro. O Peñarol queria vingar a derrota de 1960 e contava com alguns dos remanescentes das conquistas do começo da década. No primeiro jogo, no Uruguai, os aurinegros venceram por 2 a 0, com dois gols de Spencer. Na volta, no Santiago Bernabéu, Pedro Rocha fez o primeiro do Peñarol, e Spencer, sempre ele, ampliou, tudo ainda no primeiro tempo: Real Madrid 0x2 Peñarol. Com 4 a 0 no placar agregado, os uruguaios conquistavam pela segunda vez o mundo e acabavam de vez com o algoz de anos atrás. Pedro Rocha celebrava, enfim, um Mundial conquistado de maneira legítima por ele, em campo, com raça, técnica e muito futebol arte.

 

A melhor Copa

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Também em 1966, Pedro Rocha teve um desempenho brilhante na Copa do Mundo da Inglaterra. Aos 23 anos, o meia fez partidas marcantes, como na estreia, quando o Uruguai quase saiu com a vitória contra os donos da casa – o jogo terminou 0 a 0. Em seguida, o Uruguai venceu a França por 2 a 1, com um dos gols de Rocha, e empatou sem gols com o México. A equipe se classificou, mas foi eliminada pela forte Alemanha do jovem Beckenbauer, que goleou a Celeste por 4 a 0. Mesmo fora do Mundial, o mundo conheceu ainda mais o craque uruguaio, que marcou seu nome com as jogadas rápidas, os chutes, a visão de jogo e a presença em campo. Se o sonhado primeiro caneco pela Celeste escapou de novo, no ano seguinte ele não teimou em fugir.

 

A primeira (e única) taça pela Celeste

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Em 1967, Pedro Rocha liderou o Uruguai campeão da Copa América, realizada no próprio país. O time foi campeão invicto, com quatro vitórias e um empate em cinco jogos, com a taça vindo após a vitória por 1 a 0 (gol de Rocha) no clássico contra a Argentina, no estádio Centenário. O craque foi eleito o melhor jogador do torneio e foi um dos goleadores, com três gols. Aquele foi o primeiro e único troféu de Rocha com a camisa uruguaia.

 

Vestindo tricolor

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Depois de mais algumas taças em 1967, 1968 e 1969, Pedro Rocha deixou o Peñarol para jogar no Brasil, mais precisamente no São Paulo, que começava a montar um grande time depois da construção do Morumbi. Antes de começar a se destacar pelo clube brasileiro, o jogador viveu um drama na Copa do Mundo de 1970, no México, quando sofreu uma grave contusão logo na partida de estreia. O jogador perdeu todo o torneio, o Uruguai sentiu a falta de seu melhor jogador, e os sul-americanos foram eliminados pelo Brasil, nas semifinais. Como estava se recuperando da contusão, Rocha não teve um bom início no São Paulo e demorou a se adaptar no clube. Para piorar, muitos diziam que ele sofria de “boicote”, principalmente do outro craque da equipe, Gérson. Mesmo assim, o técnico do tricolor, Oswaldo Brandão, conseguiu juntar os dois gênios no time e o São Paulo venceu o Campeonato Paulista de 1971. Pedro Rocha ainda não brilhava, e começou a despontar de vez apenas com a saída de Gérson, em 1972. Mais solto, Rocha jogou muito e virou rapidamente ídolo no São Paulo, começando a dinastia de bons uruguaios no tricolor. O jogador foi um dos artilheiros do Brasileiro de 1972, com 17 gols (ao lado de Dadá Maravilha), sendo o único estrangeiro a conseguir a façanha até hoje. Em 1974, Pedro Rocha ajudou o São Paulo a chegar até a final da Copa Libertadores, mas o time brasileiro não resistiu ao copeiro Independiente, que ficou com a taça. De consolo, Rocha foi o artilheiro da competição com sete gols. O ano foi também o último de Pedro Rocha em uma Copa do Mundo, quando o Uruguai, já bem enfraquecido, foi eliminado logo na primeira fase ao perder para a Laranja Mecânica de Cruyff por 2 a 0, empatar com a Bulgária em 1 a 1 e perder para a Suécia por 3 a 0. O jogador entraria para a história como o primeiro e único uruguaio a disputar quatro Copas de maneira consecutiva.

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No ano seguinte, Rocha venceu mais um Campeonato Paulista, quando o São Paulo derrotou a Portuguesa, nos pênaltis. O jogador era o maestro na equipe que tinha Valdir Peres, Nelsinho, Chicão, Terto, Muricy Ramalho e Serginho Chulapa. Em 1977, Rocha foi campeão brasileiro com o São Paulo, mesmo não tendo participado de toda a campanha, por ter sido emprestado ao Coritiba, pelo fato de Rubens Minelli querer rejuvenescer a equipe. Naquele mesmo ano, o jogador se despediu do tricolor como 11º maior artilheiro do clube com 119 gols marcados em 393 jogos.

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Último caneco, últimos lampejos e o fim

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Em 1978, já experiente, Pedro Rocha foi um dos grandes símbolos do Coritiba na conquista do Campeonato Paranaense, quando a equipe alviverde derrotou o maior rival, o Atlético-PR, nos pênaltis. O craque, mesmo com o caneco, sabia que era hora de parar, e jogou com bem menos frequência no período. Rocha vestiu as camisas de Palmeiras, Bangu e Monterrey, antes de encerrar a carreira, em 1980. Depois de pendurar as chuteiras, o uruguaio se arriscou como treinador de futebol e comandou Mogi Mirim, Portuguesa de Desportos e Rio Branco, mas sem sucesso. Na memória de todos, ficou mesmo a classe, o talento e a arte de Pedro Rocha dentro de campo, comandando o Peñarol na consagração de seu reinado, em 1966, liderando com estilo a Celeste Olímpica no mesmo ano, na Copa do Mundo, e virando ídolo com o vermelho, preto e branco do São Paulo. Por tudo o que fez, pelos títulos invejáveis que conquistou, e pelo futebol exuberante que praticou, Rocha foi, sem dúvida, um imortal do futebol. Gênio e ídolo aurinegro, celeste e tricolor, definido de maneira sublime por Eduardo Galeano:

“Pedro Rocha fazia o que queria com a bola, e ela acreditava totalmente nele.”Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, sobre o craque.

 

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Números de destaque:

Disputou 52 partidas pela seleção do Uruguai e marcou 17 gols.

Único jogador uruguaio a disputar quatro Copas do Mundo de maneira consecutiva (1962, 1966, 1970 e 1974).

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Extras:

Mundo aurinegro

Veja os gols da vitória do Peñarol sobre o Real Madrid (um deles de Pedro Rocha) que deram ao clube uruguaio o título mundial de 1966.

Ídolo e gênio

Veja um vídeo que mostra grandes jogadas e gols de Pedro Rocha.

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3 thoughts on “Craque Imortal – Pedro Rocha

  1. FOI-SE MAIS UM SÍMBOLO FUTEBOLÍSTICO…….MUNDIAL! CRAQUE….NA ACEPÇÃO DA PALAVRA…….PEGADAS…LONGAS…COMO SE FOSSE…UMA AVE PERNALTA….! ELEGANTE! EDUCADO….POLIDO….INTELIGENTE! SE JUNTARÁ AOS NOSSOS CRAQUES…..GYLMAR…DJALMA SANTOS..DE SORDI….E, NILTON SANTOS..RECENTEMENTE…FALECIDOS…! FORMARÃO UMA BAITA SELEÇÃO NO PLANO CELESTIAL…SENDO…RECEBIDOS….PELOS ANJOS…E, ARCANJOS,SOB…À REGÊNCIA….DAQUELE QUE NOS DÁ VIDA….E, VIDA…EM ABUNDÂNCIA….CHAMADO: JESUS DE NAZARENO! AMÉM! src.

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