Esquadrão Imortal – Atlético-MG 1970-1971

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Grandes feitos: Campeão Brasileiro (1971) e Campeão Mineiro (1970). Foi o primeiro campeão do Campeonato Brasileiro de Futebol da história.

Time base: Renato; Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e Oldair (Cincunegui); Vanderlei Paiva e Humberto Ramos; Lôla (Spencer), Ronaldo, Tião (Romeu / Beto) e Dario. Técnico: Telê Santana.

 

“Galo forte e pioneiro”

Depois de muitos torneios nacionais como Taça Brasil, Taça de Prata e Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a CBD, enfim, decidiu criar um Campeonato Brasileiro genuíno no ano de 1971, um ano após a histórica conquista do tricampeonato de futebol pela seleção de Pelé, Tostão, Jairzinho e Cia. Muitos se perguntavam: quem teria a honra e o talento para conquistar a primeira edição do campeonato? O Fluminense, campeão do Robertão de 1970? O Santos, que ainda tinha Pelé? O Botafogo, sempre temido? O São Paulo, que começava a se reerguer após a construção do Morumbi? Que nada. O pioneiro e histórico campeão nacional de 1971 foi o Clube Atlético Mineiro, comandado em campo pelo “Beija-Flor” Dadá Maravilha e no banco pelo Mestre Telê Santana. Com uma ótima campanha, jogos eficientes e com os gols do artilheiro Dadá, o Galo virou, enfim, um dos grandes do futebol brasileiro e deixou o rival Cruzeiro em segundo plano. Foi a coroação de um trabalho muito bem orquestrado que começou com o título do campeonato mineiro de 1970. O Imortais relembra os feitos do Galo que segue intocável como um dos mais queridos e idolatrados pela torcida alvinegra.

 

Quando chega o mestre

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Na seca desde 1963, o Atlético-MG não aguentava mais ver o rival Cruzeiro celebrar títulos e mais títulos em 1970. O esquadrão comandado por Tostão e Piazza fazia estragos tremendos no Campeonato Mineiro (que conquistou cinco vezes, de 1964 até 1969) e na Taça Brasil, quando levantou a taça em 1966 com uma vitória épica por 6 a 2 sobre o temido Santos de Pelé. O Atlético não oferecia resistência, e tinha apenas que assistir os shows do rival. Mas tudo mudou em 1970, quando chegou ao clube o treinador Telê Santana, vindo do Fluminense. Notável ponta-direita quando jogador, Telê começava sua carreira como técnico e já contava no currículo o Campeonato Carioca de 1969 e a formação do Fluminense que em 1970 seria Campeão Nacional. Telê chegou ao Galo com o objetivo principal de retomar o caminho das glórias do time e acabar de vez com a hegemonia do Cruzeiro no estado. O Atlético tinha um time muito forte e ainda contava com a estrela de Dadá Maravilha no ataque, artilheiro nato que viva ótima fase. O time precisava apenas de um técnico capaz de usar todas as qualidades dos jogadores e desse um padrão de jogo consistente para o Galo cantar forte. Telê fez isso, e já trouxe uma alegria ao torcedor logo nos primeiros meses de seu trabalho.

De volta ao topo em Minas

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De junho até setembro de 1970, o Galo disputou o Campeonato Mineiro com o claro objetivo de ser campeão e impedir o hexacampeonato cruzeirense. O Galo começou com tudo, com cinco vitorias seguidas. No sexto jogo, a única derrota no torneio: 1 a 0 para o Sport, de Juiz de Fora. Depois desse revés, os comandados de Telê venceram 15 partidas seguidas e empataram apenas um jogo, quando já podiam empatar, contra o rival Cruzeiro, em 1 a 1. Com 20 vitórias, um empate e uma derrota em 22 jogos, o Galo foi campeão mineiro de 1970, com destaque para Dario, artilheiro do torneio com 16 gols, além de Oldair, que marcou 8 gols. A equipe alvinegra marcou 51 gols e sofreu apenas 12. Com uma faceta definida, um grupo eficaz e bem equilibrado, o Atlético de Telê se mostrou muito competitivo e fez bonito, também, no Robertão daquele ano, ao chegar no quadrangular final da competição. Se o time não foi campeão (a taça ficou com o Fluminense, formado por Telê), pelo menos ficou na frente do maior rival…

 

O ano da redenção

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Em 1971, com a mesma base campeã estadual e com o grupo formado, o Atlético queria disputar e vencer tudo o que disputasse. No primeiro torneio do ano, o Mineiro, a equipe não repetiu a atuação de 1970 e terminou na terceira posição, atrás de Cruzeiro e América, o campeão invicto. Restava o recém-criado Campeonato Brasileiro, disputado por 20 clubes em duas fases de grupos e um triangular decisivo, de turno único. A equipe contou com Dadá inspirado e foi vencendo os jogos, empatando quando podia e perdendo muito pouco. O Galo se classificou para a segunda fase na segunda posição, atrás do Grêmio, com sete vitórias, nove empates e apenas três derrotas em 19 jogos. Na segunda fase, os atleticanos venceram três, empataram um e perderam dois dos seis jogos disputados, ficou com a primeira colocação da chave e se classificou para o triangular final, ao lado de Botafogo e São Paulo. Era hora de conquistar a taça.

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Forte em casa. Imponente fora dela.

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No triangular de turno único, uma vitória logo de cara já deixaria o Galo com chances enormes de título. O time encarou o forte São Paulo de Forlán, Terto e Gérson, no primeiro jogo, no Mineirão. O tricolor era tinha um leve favoritismo, mas foi o Galo quem comandou o jogo e saiu com a vitória, com um gol marcado por Oldair aos 30´do segundo tempo. A vitória foi crucial para o Galo seguir com chance de título. Três dias depois, o São Paulo venceu o Botafogo por 4 a 1, obrigando o time carioca a vencer bem o Galo na partida decisiva. Já o Atlético jogava por um empate para ser campeão brasileiro. O jogo do Galo contra o Botafogo seria complicado, no Maracanã, com a torcida toda contra e o craque Jairzinho do lado botafoguense. Mas foi em terras cariocas que o time de Telê mostrou maturidade e futebol de campeão. Com um gol de Dadá Maravilha aos 16 minutos do segundo tempo, o Galo foi valente, forte, imponente e venceu o Botafogo por 1 a 0.

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Brasil preto e branco

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No apito final do árbitro Armando Marques, a massa atleticana em MG e em todo Brasil explodiu de alegria: Atlético-MG campeão brasileiro de futebol, com 12 vitórias, 10 empates e cinco derrotas em 27 jogos, com direito ao melhor ataque do torneio, com 39 gols.

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Era a coroação definitiva de Dadá, artilheiro do torneio com 15 gols, do seguro goleiro Renato, da zaga comandada por Vantuir e Grapete, do meio de campo pegador com Vanderlei e Humberto Ramos e do ataque letal com Ronaldo, Tião e, claro, Dadá. O Brasil conhecia o Galo. E, principalmente, o Mestre Telê Santana.

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O Galo de 1971: Telê pregava o equilíbrio, por isso, o time sabia muito bem quando atacar e defender.
O Galo de 1971: Telê pregava o equilíbrio, e o time correspondia em campo com muita qualidade no ataque e na defesa.

 

À espera do Bi

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Depois do título nacional de 1971, o Atlético-MG continuou fortíssimo no cenário nacional, principalmente no final da década de 70 e início da de 80, mas bateu na trave em várias oportunidades, seja pelo azar, seja por topar com equipes como o São Paulo raçudo de 1977 e o Flamengo de Zico em 1980. Desde então, o time mineiro coleciona diversos campeonatos estaduais e alguns continentais (Copas Conmebol na década de 90), mas nunca mais levou o Brasileirão. A fanática torcida atleticana vive a expectativa de um caneco de expressão muito em breve, graças à campanha promissora do Galo no Brasileiro deste ano. Se o Atlético vai vencer, ainda é cedo para saber. Mas é impossível esquecer que tudo começou lá em 1971, com os jogos eficientes e decisivos do Galo campeão do Brasil. O Galo do Mestre Telê.

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Os personagens:

Renato: primava pela segurança e pela regularidade. Renato quase nunca falhava, era elástico e foi um dos grandes responsáveis pela conquista do título brasileiro de 1971. Pegou tudo nas partidas finais e virou um dos maiores goleiros da história do clube.

Humberto Monteiro: como diria Vantuir, companheiro de Monteiro no Galo, “a gente passava um tijolo e ele arredondava!”. Monteiro tinha muita habilidade e dava um toque de classe à zaga do Galo naquela época. Exímio lateral-direito e fundamental para os canecos de 1970 e 1971.

Grapete: um dos grandes zagueiros da história do clube, xerife e extremamente identificado com a torcida atleticana. Compôs um paredão de respeito ao lado de Vantuir.

Vantuir: puro vigor físico, ótimo nas bolas altas e dono da área do Galo nos canecos do Estadual e do Brasileiro. Era outro xerife da zaga e se identificou demais com o clube. Disputou 507 partidas com a camisa alvinegra.

Oldair: era impecável na latera-esquerda, mas também podia atuar como um senhor volante. Oldair foi o capitão do Atlético na conquista do Brasileiro de 1971 e um dos líderes do time em campo. Ídolo, craque e querido eternamente pela torcida. Disputou 282 jogos pelo Galo.

Cincunegui: uruguaio pura raça, Cincunegui caiu nas graças da torcida logo em sua estreia, em 1968, quando parou o ponta do cruzeiro Natal, jogador que sempre causava estragos na zaga do Galo. Depois daquele jogo, o lateral-esquerdo virou ídolo e jogou muito no time alvinegro. Foram 194 jogos com a camisa alvinegra e os títulos do Estadual, em 1970, e do Brasileiro, em 1971.

Vanderlei Paiva: outro jogador muito regular e que fez brilhantes partidas no meio campo do Galo. Disputou 559 partidas e ainda marcou alguns gols (32). Jogou 10 anos no clube alvinegro.

Humberto Ramos: enquanto Vanderlei “carregava o piano”, Humberto Ramos construia diversas e lindas jogadas para Dario e companhia acabarem com as zagas rivais. Um dos grandes meio campistas do Galo na história.

Lôla: meia atacante muito rápido e habilidoso, Lôla marcava poucos gols, mas quando os fazia, eram verdadeiras obras de arte. Foi bem no Mineiro de 1970 e só não participou mais do Brasileiro de 1971 por ter fraturado a perna no decorrer da competição.

Spencer: meio campista, Spencer era homônimo do craque equatoriano que brilhou no Peñarol na década de 70, mas o Spencer do Galo era “pegador” e marcador de jogadores, não de gols como o ex-atacante. Jogou apenas de 1971 até 1973 no clube alvinegro, o bastante para participar da campanha do título Brasileiro de 1971.

Ronaldo: começou no Galo lá em 1964, mas só foi viver o auge no final da década, ajudando o Atlético a levantar os canecos do Estadual de 1970 e do Brasileiro de 1971. Atacante, Ronaldo marcou 66 gols em 270 partidas.

Tião: ponta-esquerda de muito talento, Tião chegou ao Galo em 1966 e não saiu mais do time, ajudando Dario a entupir as redes adversárias de gols e trabalhando jogadas com Humberto Ramos e Oldair.

Romeu: cria das bases do Atlético, Romeu participou do ataque atleticano nas campanhas do Mineiro de 1970 e do Brasileiro de 1971, dando bastanten velocidade à equipe.

Beto: ficou conhecido como “Beto bom de bola”, pela habilidade adquirida nos tempos de futebol de salão. Fez parte dos atacantes que ajudaram o Galo nos títulos de 1970 e 1971.

Dario: folclórico, dono de frases de efeito, simplesmente letal de cabeça e muito bom de bola. Dadá Maravilha só não fez chover no ataque do Atlético, onde marcou 211 gols em 290 jogos, se tornando o segundo maior artilheiro da história do clube, perdendo apenas para a lenda Reinaldo. Dadá era o típico centroavante matador, daqueles que guarda a bola dentro do gol em qualquer vacilo da zaga, como o próprio Dadá afirmou, à Revista Placar, em 2006: “fora da área eu era sofrível, mas dentro dela, incomparável”. É torcedor fanático do clube, ídolo incontestável da torcida e autor do gol mais importante do clube até hoje: o do título brasileiro de 1971. Um imortal do Atlético.

Telê Santana (Técnico): para um técnico que ganhou o apelido de “Mestre” é fácil entender porque Telê Santana é um mito dentro do Atlético. Foi ele o responsável por acabar com a hegemonia do Cruzeiro em Minas Gerais, por construir um time equilibrado e muito forte no jogo coletivo e por dar ao Galo seu título mais importante em mais de 100 anos de história, o Campeonato Brasileiro de 1971. Um ídolo eterno.

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Extra:

Galo campeão brasileiro!

Veja o gol de Dadá que deu o título brasileiro ao Galo em 1971.

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2 thoughts on “Esquadrão Imortal – Atlético-MG 1970-1971

  1. Grande conquista do galo mineiro que nunca mais voltou a vencer um título importante e sua fanática torcida sofre demais por causa disso e também porque o seu rival conquistou títulos importantes nesse período. Estou na torcida para eles vencerem esse brasileirão.

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