Seleções Imortais – Brasil 2002

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Grandes feitos: Campeã da Copa do Mundo de 2002. Fez do Brasil o primeiro e único pentacampeão mundial de futebol.

Time base: Marcos; Lúcio, Roque Júnior e Edmílson; Cafu, Gilberto Silva, Kléberson (Juninho), Ronaldinho (Edílson / Denílson), Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldo (Luizão). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

 

“A seleção da superação”

Nunca na história das Copas o mundo viu uma seleção que tenha se superado de maneira tão épica e exemplar quanto o Brasil de 2002. Vice-campeão da Copa de 1998, quando levou um vareio histórico da super França de Zidane, o Brasil viveu anos de decepções, derrotas lastimáveis (Honduras, lembra-se?) e um futebol bem abaixo da média. Para piorar, Ronaldo, o maior craque do futebol nacional da época, vivia um drama pessoal sem precendentes, com contusões e a incerteza de seu retorno aos gramados. E tinha mais: o Brasil penava nas eliminatórias e vivia pela primeira vez em sua história o risco de ter que acompanhar a Copa pela TV. O torcedor brasileiro parecia não acreditar. O time do futebol arte, da beleza e dos dribles parecia ter esquecido como protagonizar e fazer arte em campo. Mas a turbulência, felizmente, foi passageira. Ronaldo, e o Brasil por inteiro, se recuperaram, a seleção repetiu o feito do Brasil de 1970 e venceu todos os jogos da Copa de 2002, faturando o inédito pentacampeonato. O time que se uniu na “Família Scolari” formou a seleção brasileira mais unida da história. Sem polêmicas, sem dancinhas, sem firulas. O Brasil de 2002 jogou bola, teve raça e muito amor à camisa. O Imortais relembra agora a façanha da última seleção brasileira que fazia seu torcedor ter orgulho e parar para vê-la em campo.

 

Chamem os bombeiros! Ou melhor, Felipão.

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Após a derrota para a França na Copa do Mundo de 1998, o Brasil viveu dramas. Muitos dramas. Passaram pelo comando da equipe Vanderlei Luxemburgo, Candinho e Emerson Leão, mas nenhum conseguiu dar uma cara à equipe. A cada jogo, uma decepção, uma derrota, e muitas vaias. A torcida perdia cada vez mais a paciência, dava de ombros para a equipe e não via esperanças no futuro. Foi então que em 2001 chegou ao comando da equipe o técnico Luiz Felipe Scolari, conhecido pelo temperamento forte e também por ter estrela e inúmeros títulos por Criciúma, Grêmio e Palmeiras. O treinador tinha a missão de apagar o “fogo” que consumia a seleção e levar a equipe à Copa do Mundo de 2002. Mas a tarefa não seria nada fácil. Logo de cara, Felipão comandou a seleção em um vexame, na Copa América de 2001, quando o Brasil foi eliminado nas quartas de final para a inexpressiva Honduras, ao perder por 2 a 0. O técnico disse, à época: “podem me colocar no Guiness Book, eu perdi para Honduras”. Aquele era o momento mais grave da trajetória do Brasil, que ia muito mal nas eliminatórias e corria o sério risco de não ir à Copa. Porém, Felipão conseguiu recuperar a equipe, fechou o grupo e começou a reação.

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Em agosto de 2001, o Brasil derrotou o Paraguai, por 2 a 0, gols de Marcelinho Paraíba e Rivaldo, e respirou um pouco. No duelo seguinte, derrota para a Argentina por 2 a 1, em Buenos Aires. Em seguida, Edílson e Rivaldo deram a vitória por 2 a 0 em cima do Chile. Em novembro, nova derrota, 3 a 1, para a Bolívia, em La Paz. O Brasil ia para a última rodada das eliminatórias com a obrigação de vencer a fraca Venezuela, em São Luís (MA), se quisesse ir para a Copa sem depender de repescagem ou até ficar de fora. Focado e determinado, o time despachou os venezuelanos logo no primeiro tempo, com dois gols de Luizão e um de Rivaldo: Brasil 3×0 Venezuela. Para alívio da nação, o Brasil estava na Copa de 2002. A campanha da seleção foi mediana: nove vitórias, três empates e seis derrotas em 18 jogos, com 31 gols marcados e 17 sofridos. O time ficou na terceira posição, atrás de Argentina (líder, com apenas uma derrota) e Equador. Mesmo na Copa, o Brasil ainda não era unanimidade. E a torcida não apostava nem um tostão em um título mundial.

 

Sem Romário… Mas com Ronaldo

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Às vésperas da convocação de Felipão para a Copa, mídia e torcida fizeram uma pressão absurda em cima do treinador para a convocação de Romário. O baixinho vivia, como sempre, uma grande fase, mas tinha entrado em atrito com o técnico canarinho por fazer corpo mole e não participar de uma partida certa vez, por precisar fazer uma cirurgia no olho, o que na verdade havia sido desculpa para não jogar. Felipão confiou no seu grupo e principalmente nos “erres” Rivaldo e Ronaldo, este acabando de se recuperar de uma séria lesão no joelho. Muitos criticaram Felipão e duvidavam que o Brasil fosse bem sem Romário (e, tempo depois, sem o capitão Emerson, que foi cortado após se contundir num rachão). Porém, aquilo só seria descoberto no pontapé inicial, lá do outro lado do mundo.

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Bola no oriente

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Pela primeira vez na história, a Copa do Mundo da FIFA seria disputada em um país asiático, ou melhor, em dois países: Coreia do Sul e Japão. A entidade máxima do futebol implantava, enfim, o rodízio de continentes tão sonhado por todos, acabando com a bipolaridade Europa / América. As seleções se revezariam entre os países e o Japão receberia a grande final. Os favoritos ao caneco eram França, então campeã mundial e europeia, Argentina, embalada depois de fazer ótimas eliminatórias, Inglaterra, com Owen, Ashley Cole e Beckham, Itália com Maldini e o promissor Totti e até mesmo a Alemanha, com Kahn e Ballack. O Brasil nem era mencionado e estava mais para “azarão” do que favorito. Aquilo, de certa forma, mexeu com o orgulho dos jogadores, esquecidos por bolsas de apostas e pelo público geral. Era hora de provar para todos que não se deve, jamais, subestimar a seleção brasileira.

 

O início

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Cabeça de chave no Grupo C da Copa, o Brasil esteve ao lado de Turquia, Costa Rica e China, e tinha pela frente um caminho bem tranquilo se comparado às outras seleções do Mundial, como a Argentina, que estava no “grupo da morte” ao lado de Suécia, Inglaterra e Nigéria. O Brasil estreou contra os turcos e teve muita dificuldade. Os europeus tinham a melhor seleção de sua história, com jogadores muito eficientes e um esquema de jogo muito bem definido pelo técnico Senol Gunes. Os turcos não se intimidaram com o Brasil e abriram o placar com Hakan Sas, após bobeada de Juninho Paulista no meio de campo. O gol assustou o Brasil, mas não abalou a equipe, que conseguiu a volta por cima no segundo tempo. Logo aos cinco minutos, Ronaldo aproveitou cruzamento de Rivaldo e empatou o jogo para o Brasil. A seleção acordou de vez e dominou os turcos, mas a bola teimava em não entrar. Foi então que aos 39´, Luizão, que tinha entrado no lugar de Ronaldo, partiu em direção à área, foi derrubado fora dela, e viu o árbitro sul-coreano Young Joo Kim marcar pênalti para o Brasil. Rivaldo cobrou com categoria e virou o jogo para o Brasil: 2 a 1. Com a vitória garantida, o Brasil encontrou tempo para provocar uma expulsão do rival, quando Rivaldo simulou de maneira bizarra que havia levado uma bolada no rosto de Unsal, bola que na verdade pegou na perna do craque brasileiro. Tempo depois, a FIFA multou o brasileiro, mas não teve problema: a seleção, mesmo com sustos, vencia o adversário mais complicado da primeira fase.

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No jogo seguinte, contra a fraca China, o Brasil não encontrou dificuldades e garantiu a vaga nas oitavas de final com uma goleada por 4 a 0, com gols marcados pelos “erres” da seleção: Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo. Na partida seguinte, jogando com vários reservas, o Brasil deu mais um show e goleou a Costa Rica por 5 a 2, com direito a gol de bicicleta de Edmílson (os outros gols foram marcados por Ronaldo, duas vezes, Rivaldo e Júnior). Com 100% de aproveitamento, e vendo as favoritas França e Argentina serem eliminadas logo na primeira fase, o Brasil podia acreditar mais do que nunca no penta. Era só manter o ritmo e corrigir os erros defensivos. Afinal, Rivaldo e Ronaldo estavam tinindo.

 

São Marcos garante a vaga

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Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou um páreo duríssimo: a Bélgica. Os belgas deram um trabalho imenso ao Brasil, com Van Buyten marcando sem dó Ronaldo e Peeters e Wilmots dando sustos no jogo aéreo, fazendo o goleiro Marcos suar muito para defender bolas dificílimas. Com o paredão brasileiro pegando tudo, o ataque do Brasil conseguiu fazer sua parte apenas no segundo tempo. Ronaldinho cruzou na área, e Rivaldo, com seu talento de sempre, chutou forte, marcando o primeiro gol (aço) do Brasil: 1 a 0. Perto do final do jogo, com a Bélgica partindo para o tudo ou nada, o Brasil engatou um contra-ataque, Kléberson cruzou rasteiro na área e Ronaldo bateu de canhota, decretando a vitória por 2 a 0. Ainda nas oitavas de final, outra grande seleção dava adeus ao Mundial: a Itália, eliminada de maneira polêmica pela Coreia do Sul, na prorrogação. Os italianos tiveram um gol mal anulado e ainda a expulsão de Totti. Dos grandes, restavam apenas o Brasil, a Alemanha  e o próximo adversário do esquadrão canarinho: a Inglaterra.

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Bestial e uma besta

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Nas quartas de final, num jogo visto apenas pelos “madrugueiros” aqui no Brasil (foi às 2h), o Brasil encarou a forte seleção inglesa, que tinha Ashley Cole, Scholes, Beckham e Owen. O jogo começou de igual para igual, até que aos 22´do primeiro tempo, Lúcio dominou mal a bola, que sobrou para Owen fazer Inglaterra 1 a 0. O Brasil não se abalou, mostrou frieza e contou com o início de uma atuação bestial de Ronaldinho. Nos acréscimos da etapa inicial, o craque fez uma jogada divina, driblou Ashley Cole e rolou para Rivaldo, sempre ele, marcar o gol de empate:  1 a 1. No começo do segundo tempo, Ronaldinho foi novamente bestial. Falta na intermediária para o Brasil. O camisa 11 percebeu Seaman adiantado, chutou direto pro gol e marcou um golaço antológico: Brasil 2×1 Inglaterra. O estádio explodiu em festa. Porém, o que era uma partida perfeita para Ronaldinho quase virou um drama quando o jogador foi… Uma besta. Num acesso de fúria, o jogador fez falta dura em Mills, foi expulso, e deixou o Brasil na fogueira com o jogo ainda nos 11´da etapa final. Mas quem esperava uma pressão inglesa viu o Brasil equilibrar o jogo, se acertar, enfim, na defesa, e não deixar os ingleses pressionarem. Ao apito final, o alívio: o Brasil estava, pela terceira vez consecutiva, em uma semifinal de Copa do Mundo. Mas tinha chumbo grosso pela frente: os fortes e chatos turcos. De novo.

 

De bico, na final!

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Dúvida pouco antes da partida semifinal, por estar com um leve desconforto na perna esquerda, Ronaldo foi a campo para o jogo contra a Turquia. O adversário estava mordido pela derrota na primeira fase, pela encenação de Rivaldo e pelo pênalti polêmico marcado pelo árbitro naquela ocasião. O jogo era tido como uma “guerra”. E foi praticamente isso. O Brasil usou a mesma tática do jogo contra a Bélgica, ao apostar nos contra-ataques rápidos, no talento dos laterais Cafu e Roberto Carlos e em Rivaldo e Ronaldo. Sem Ronaldinho, Edílson fez dupla de ataque com Ronaldo. No primeiro tempo, as melhores chances de gol foram da Turquia, que assustava o goleiro Marcos e mantinha o controle da bola. Mas o Brasil também teve chances claras, impedidas pelo ótimo goleiro Rüstü, que operava milagres. Foi então que o talento e a estrela de Ronaldo fizeram a diferença. Aos 3´do segundo tempo, o craque recebeu na esquerda, foi driblando, levando e chutou de bico, fazendo a bola resvalar na mão do goleiro turco e entrar no canto esquerdo do gol: 1 a 0 para o Brasil.

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O estádio fez festa, e o banco do Brasil um carnaval! O jogo ficou dramático, a Turquia pressionava, o Brasil perdia gols incríveis, Denílson fazia suas firulas e prendia a bola, protagonizando, no final do jogo, a hilária cena em que metade do time turco correu atrás dele em busca da bola (sem sucesso). Mas aquela vitória era do Brasil. A seleção fazia história ao chegar pela terceira vez seguida em uma final de Copa do Mundo, como a Alemanha em 1982, 1986 e 1990. E, curiosamente, seriam os alemães os rivais do Brasil, num confronto inédito na história das Copas.

O Brasil de 2002: 3-5-2 pela primeira vez em um mundial e o penta conquistado, quem diria, graças ao talento do ataque.
O Brasil de 2002: 3-5-2 pela primeira vez em um mundial e o penta conquistado, quem diria, graças ao talento do ataque.

 

Duelo de titãs

Copeiros e recheados de títulos, Brasil e Alemanha fizeram uma final de Copa do Mundo memorável no Japão em 2002. De um lado, o talento de Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo. Do outro, a frieza de Neuville, Frings, Klose e o goleiro eleito o craque da Copa, Oliver Kahn. A Alemanha apostava justamente em seu arqueiro, já que o craque do time, Michael Ballack, não jogaria a final. O jogo não tinha favorito. E o primeiro tempo mostrou exatamente isso.

A Alemanha ocupava bem os espaços, virava o jogo constantemente e não deixava aflorar o talento brasileiro. Já o Brasil tentava aproveitar as poucas chances que tinha, mas faltava pontaria. Ao que tudo indicava, teríamos prorrogação. Teríamos. Não fosse por certo Fenômeno…

 

Fenomenal!

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No segundo tempo, o Brasil passou a ser mais incisivo e a pressionar mais a Alemanha. Tanta pressão resultou em gol, aos 22´, quando Rivaldo chutou forte, Kahn, o então paredão da Copa, não segurou, e Ronaldo aproveitou a falha para fazer Brasil 1 a 0. Festa em Yokohama! O Brasil seguiu absoluto e impecável, principalmente na zaga, com Roque Júnior fazendo um partidaço ao lado de Lúcio e Edmílson. Aos 34´, o golpe final: Kléberson puxou um contra-ataque pela direita, passou para Rivaldo, que deixou a bola passar por debaixo de suas pernas e ir de encontro a Ronaldo, que chutou no cantinho de Kahn: Brasil 2×0 Alemanha. O gol foi um balde de água fria em qualquer esboço de reação dos alemães, que tiveram que tentar parar Denílson e suas firulas, e os constantes ataques do Brasil. Quando o árbitro italiano Pierluigi Colina apitou o final do jogo, o mundo ficou, pela quinta vez, verde e amarelo: Brasil Pentacampeão mundial!

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Era a consagração e a volta por cima da seleção mais vitoriosa do planeta, responsável por reinventar o futebol. Ronaldo, com oito gols, entrava para a história como o primeiro artilheiro da Copa a marcar mais de sete gols desde 1974. E o Brasil repetia o filme de 1970 ao vencer simplesmente todas as suas partidas, com o detalhe de que em 1970 foram seis, e não sete como em 2002. Cafu quebrou o protocolo e subiu no palanque da taça, fazendo escola para as comemorações que se seguiram. Ninguém podia com o Brasil. Muito menos superá-lo por pelo menos oito longos anos.

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Na saudade de um time histórico

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Depois da conquista do mundo em 2002, o Brasil ainda levantou outros canecos como a Copa América e a Copa das Confederações, mas passou a decepcionar muito em Copas do Mundo. O brilho que a equipe tinha se apagou, o talento minguou e a paixão em vestir a camisa amarela sumiu de muitos (ou quase todos) os jogadores. Desde então, a torcida brasileira aguarda angustiada pela volta de um Brasil que dê gosto e vontade de torcer, vibrar e celebrar. Enquanto isso, resta voltar 10 anos no tempo e recordar as atuações impecáveis de craques do naipe de Marcos, Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Ronaldinho, Rivaldo e ele, Ronaldo, o exemplo mais claro da superação que marcou aquela seleção brasileira. Um time imortal.

Os personagens:

Marcos: mítico no Palmeiras, Marcos foi salvador e perfeito com a camisa da seleção na Copa de 2002. Muito querido por Felipão, o goleiro deixou Dida e Rogério Ceni no banco para entrar para a história. Pegou tudo no jogo contra a Bélgica, nas oitavas, e continuou a ser “santo” nas partidas seguintes, contra Inglaterra, Turquia e Alemanha. Um dos maiores goleiros de nosso futebol.

Lúcio: tirando a falha nas quartas de final, contra a Inglaterra, foi um leão em campo com muita disposição e raça. Virou intocável na zaga nacional por muitos anos, disputando ainda as Copas de 2006 e 2010.

Roque Júnior: outro escudeiro de Felipão, Roque Júnior jogou demais no Palmeiras de 1995 até 2000, conquistando quase todos os títulos possíveis, até se transferir para o Milan, em 2000. Fez uma ótima Copa, não comprometeu e jogou muita na final contra a Alemanha.

Edmílson: estrela do São Paulo no final da década de 90, Edmílson podia jogar tanto como zagueiro quanto como volante, sendo eficiente e talentoso em ambas as posições. Na Copa, jogou muito bem, marcou até golaço e compôs uma forte defesa, que cresceu justamente na reta final do Mundial.

Cafu: sempre com o fôlego nas alturas, ótimo no apoio ao ataque e eficiente auxiliando a defesa, Cafu herdou a braçadeira de capitão do lesionado Emerson na conquista do pentacampeonato mundial e se tornou o primeiro (e único) jogador a disputar três finais de Copa do Mundo de maneira consecutiva. Um craque e símbolo daquele Brasil campeão.

Gilberto Silva: fez uma Copa perfeita ao comandar o meio de campo brasileiro com muita técnica, marcação e visão de jogo. Era uma estrela no Atlético-MG até ir para o Arsenal, em 2002, onde fez história. Foi implacável e perfeito naquela seleção. E sinônimo de volante talentoso.

Kléberson: campeão brasileiro com o Atlético-PR em 2001, Kléberson ganhou a convocação para a Copa e ostentou a reserva até começar a entrar no time no jogo contra a Costa Rica, mostrar muita eficiência e ganhar a posição de Juninho. Fez partidas memoráveis contra Inglaterra, Turquia e Alemanha, ajudando no elo entre meio de campo e ataque com muita velocidade.

Juninho Paulista: foi improvisado como volante do Brasil no começo da Copa, fazendo às vezes o papel de meia com o avanço de Edmílson ao meio, auxiliando Rivaldo e Ronaldinho no ataque. Com o andamento da Copa, perdeu a posição para Kléberson, mas teve sua contribuição quando jogou.

Ronaldinho: estrela em franca ascenção depois de jogar muito no Grêmio, Ronaldinho cumpriu muito bem seu papel na equipe de Felipão, principalmente no jogo contra a Inglaterra, quando virou praticamente sozinho a partida com uma assistência e um golaço épico. Essencial no penta.

Denílson: o atacante era o amuleto do segundo tempo, quando o Brasil já vencia a partida e precisava “cozinhar” o jogo até o apito final. Com suas firulas e dribles, enervava os adversários e garantia preciosos minutos à equipe. Sua cena correndo de cinco turcos, na semifinal, é impagável.

Edílson: o capetinha não foi o mesmo dos tempos de Corinthians, mas ainda sim ajudou o Brasil em algumas partidas, como contra a Turquia, na semifinal, quando entrou como titular no lugar do suspenso Ronaldinho.

Rivaldo: foi, ao lado de Ronaldo, um dos maiores craques do Brasil na Copa. Meia habilidoso, inteligente e goleador, Rivaldo jogou muito, mas muito naquele Mundial. Deu assistências, marcou gols, deu dribles desconcertantes, fez tabelinhas… Foi genial e fundamental. Sem ele, dificilmente o Brasil voltaria para casa com a taça. Craque eterno.

Roberto Carlos: da esquerda, Roberto Carlos mandava cruzamentos perfeitos e passes açucarados para os companheiros fazerem estragos nas defesas dos adversários. Depois do papelão e estrelismo protagonizado na Copa de 1998, o lateral deu a volta por cima em 2002 com atuações sem vaidade e muito futebol. Um dos grandes da conquista do penta.

Luizão: era reserva de ninguém mais ninguém menos que Ronaldo, por isso, não teve chances de brilhar. Mesmo assim, foi o principal responsável pela primeira vitória da seleção na Copa, contra a Turquia, ao sofrer o “pênalti” que resultou no gol da vitória por 2 a 1. Teve esperteza ao cair dentro da área, enganando o árbitro coreano.

Ronaldo: o que dizer do Fenômeno, artilheiro da Copa com oito gols, autor dos dois gols que deram ao Brasil o pentacampeonato contra a Alemanha e grande herói do título verde e amarelo? O atacante fez tudo e mais um pouco no Oriente e deu a volta por cima numa das histórias mais marcantes do futebol mundial. Superou contusões, ficou mais de um ano sem jogar e mesmo assim manteve seu status de ídolo e com a confiança do técnico Felipão. É, sem dúvida, o maior símbolo da superação que marcou aquela seleção e ele próprio. Eterno.

Luiz Felipe Scolari (Técnico): salvador da pátria em 2001, quando conseguiu classificar o Brasil para a Copa, Felipão superou os obstáculos no início de seu trabalho, construiu um grupo fechado e “familiar” e trouxe para o Brasil a Copa do Mundo de futebol. É querido até hoje por todos os brasileiros pela façanha conquistada na Coreia e no Japão e sempre lembrado ou apontado como “salvador” da seleção, sempre após a queda de um treinador ou fiasco em um torneio importante. Porém, Felipão sempre se esquiva do assunto. Comandou o Brasil em 39 partidas, com 23 vitórias, 10 empates e seis derrotas, com 84 gols marcados e 29 sofridos, e uma Copa do Mundo na bagagem. Eternamente no coração da torcida brasileira.

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Extras:

A estreia

Veja os gols de Brasil 2×1 Turquia, no primeiro jogo da seleção na Copa.

 

Show e golaço

No último jogo da primeira fase, o Brasil fez 5 a 2 na Costa Rica, com direito a gol de bicicleta de Edmílson.

 

Show de Ronaldinho

Com atuação memorável de Ronaldinho, o Brasil virou sobre a Inglaterra e avançou às semifinais.

 

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20 thoughts on “Seleções Imortais – Brasil 2002

  1. Última seleção brasileira de verdade. Ocaso da legendária camisa amarela que aprendi a amar nos anos 80, com tanta história. Depois disso sentamos em cima da Glória e a seleção virou um mercado de jogadores e o futebol brasileiro decaiu, deixando de formar grandes craques. Não existe mais seleção brasileira e sim time da CBF. O resultado do processo pode ser visto 12 anos depois no Mineirão, nos 7×1 que ficarão pra sempre na memória de quem amou essa camisa amarela.

  2. tantos otimos jogadores de fora caso de alex,juninho pernabucano,romario,ze roberto,giovanni,djalminha,serginho, e dai o felipao leva edilson,luizao,anderson polga e kleberson e foi campeao mundial e em 2014 ele leva bernard,dante,fred,hulk o raio nao cai duas vezes no mesmo lugar

  3. Imortais, levando em consideração o talento e não a conquista, qual Brasil foi melhor? 1998 ou 2002? para mim, 98. Tinha no banco Emerson, Edmundo, Giovanni, Zé Roberto e André Cruz. Fora os titulares Leonardo e Bebeto. e pra você?

    1. O de 2002 foi melhor. Era um elenco mais unido e com jogadores dispostos a dar a volta por cima (Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo). Em 1998, a equipe era boa, mas o elenco era uma bomba-relógio e não inspirava confiança. O time podia jogar bem num dia e no outro passar sufoco (vide os jogos contra Noruega e Dinamarca). Vale lembrar que os jogadores do banco que você citou nunca brilharam devidamente com a camisa da seleção.

  4. Pingback: Blog do Lucho
  5. E 14 anos depois, a seleção brasileira novamente corre o risco de não se classificar para uma Copa do Mundo.

    Mas se em 2002 ainda tinha alguns craques (Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Denilson, Cafu, Roberto Carlos) atualmente tem… quem?

    Roberto Firmino? Thiago Silva? David Luiz? Daniel “Dani” Alves? Oscar? Hulk? Se pelo menos todos esses aí jogassem o mesmo tanto que choram.

  6. Resumirei a copa de 2002 em uma palavra: nostalgia. Tinha 11 anos, mas parece que foi ontem. Vi aquele gol do ronaldinho gaucho contra a Inglaterra ao vivo.

  7. O brasil tem De apostar mais jovens De cada clubes e term motivacao e determinacao uniao e claro dedicar pelo seu pais o she passou na copa De 2002 foi exatamente isso os craques”erres” tiveram que dar volta por cima e isso assemelhou do portugal do euro 2016 e sobretudo o scolari tambem trouxe uniao para selecao portuguesa tambem queria que voces se mencionassem o portugal de 2004-2006 e 2012 voces sao sensacionais e falasse tambem do tecnico muito obrigado pela vossa redecao

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