Esquadrão Imortal – Hamburgo 1981-1983

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Grandes feitos: Campeão da Liga dos Campeões da UEFA (1982-1983) e Bicampeão Alemão (1981-1982 e 1982-1983).

Time base: Uli Stein; Manfred Kaltz, Wehmeyer (Beckenbauer), Hieronymus e Jakobs; Rolff, Milewski (Schröder) e Groh (Thomas von Heesen); Felix Magath; Hrubesch e Lars Bastrub. Técnico: Ernst Happel.

“A ascensão dos súditos de Magath”

O futebol europeu naquele ano de 1983 estava ficando chato. Os clubes ingleses ostentavam uma “entediante” hegemonia no continente quando o assunto era Liga dos Campeões da UEFA. De 1977 até 1982 somente clubes ingleses haviam vencido o principal torneio de clubes do planeta, com três taças para o Liverpool, duas para o Nottingham Forest e uma para o Aston Villa. Será que ninguém era capaz de acabar com aqueles ingleses? Sim, os alemães do Hamburgo, comandados pelo extraordinário Felix Magath, que já davam mostras no final dos anos 70 que iriam brilhar muito não só na Alemanha, mas também fora dela. Com muita criatividade e velocidade o time faturou dois títulos alemães e levantou pela primeira vez a Liga dos Campeões da UEFA, em 1983, sobre a poderosíssima Juventus de Zoff, Gentile, Cabrini, Scirea, Tardelli, Paolo Rossi, Platini e Boniek. É hora de relembrar as façanhas do segundo clube alemão campeão continental.

 

Ventos prósperos

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O Hamburgo começou a sair da sombra do Bayern e a mostrar identidade própria em 1977, quando conquistou a Recopa da UEFA, derrotando o Anderlecht (BEL) por 2 a 0, já com o promissor meia Felix Magath no comando ofensivo da equipe. Em 1979, veio o título da Bundesliga, com destaque para Kevin Keegan, autor de 17 gols na campanha vitoriosa. Em 1980, o time foi mais longe e chegou à final da Liga dos Campeões da UEFA, eliminando na semifinal o poderoso Real Madrid com um sonoro 5 a 1 na partida de volta, na Alemanha, depois de derrota por 2 a 0 em Madrid. Com o talento de Magath e o matador Hrubesch, o time foi com moral e confiança para a decisão, mas sucumbiu diante do Nottingham Forest de Brian Clough, que levou o bicampeonato consecutivo com uma vitória magra por 1 a 0.

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Happel e seu cigarro: viciado em nicotina e em títulos.

 

O revés não abalou a equipe, que tratou de se reestruturar com a chegada do técnico austríaco Ernst Happel, que tinha bagagem e talento, principalmente por ter no currículo uma conquista de Liga dos Campeões da UEFA, em 1970, com o Feyenoord. Happel tinha em mãos um time excelente e muito competitivo. O sistema defensivo era muito bom e seguro com Uli Stein, Kaltz, Jakobs e Wehmeyer, além de Beckenbauer, que fez uma ponte no clube até 1982, mas jogando bem pouco. No meio de campo e no ataque, Hartwig, von Heesen, Milewski, Groh, Felix Magath e Hrubesch construíam as jogadas responsáveis por destruir as defesas adversárias.

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Na temporada 1980-1981, o time por pouco não levou o título do Campeonato Alemão, que acabou ficando com o Bayern. O ótimo atacante Hrubesch marcou 17 gols e foi um dos maiores destaques do Hamburgo, que aplicou a maior goleada do torneio: 7 a 1 no Schalke 04. Com o vice-campeonato, o técnico Happel conseguiu identificar os erros da equipe e corrigi-los, com o objetivo de retomar o trono alemão já na temporada seguinte. E foi o que ele fez.

 

Donos da coroa

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Na temporada 1981-1982, o Hamburgo deu show (com direito a goleadas impiedosas, incluindo um 4 a 1 no Bayern München, em casa, e um 4 a 3 no mesmo Bayern, em pleno estádio olímpico de Munique) e conquistou o título alemão com três pontos de vantagem sobre o vice-campeão, o Köln, em uma campanha sensacional: 18 vitórias, 12 empates e apenas quatro derrotas em 34 jogos, com estrondosos 95 gols marcados e 45 sofridos, uma média de 2,79 gols por jogo. O maior responsável por fazer o Hamburgo uma máquina de gols foi o “Header Beast” Hrubesch, que, do alto de seus 1,88m e um talento formidável para marcar gols de cabeça, anotou 27 tentos em 32 jogos na temporada, artilheiro máximo daquela Bundesliga. Outros craques de destaque foram Hartwig, com 14 gols, Magath, com 8, Bastrup, com 13, e Milewski, com 10. O título valeu vaga na Liga dos Campeões da UEFA de 1982-1983 e presenteou Beckenbauer com mais uma Bundesliga para seu vasto currículo, a última de sua carreira. Uma pena o Kaiser não ter ficado mais, afinal, vinha “peixe grande” por aí…

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Decepção à sueca

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Ainda na temporada 1981-1982, o Hamburgo mostrou seu lado copeiro e alcançou mais uma final, dessa vez na Copa da UEFA. O time fez uma boa campanha eliminando Utrecht (HOL), Bordeaux (FRA), Aberdeen (ESC), Neuchâtel Xamax (SUI) e Radnicki Nis (IUG). Na decisão, porém, a equipe parece ter sofrido uma pane e foi derrotada nas duas partidas finais pelo Göteborg (SUE) – comandado por Sven-Göran Eriksson – por 1 a 0, na Suécia, e 3 a 0, na Alemanha. Com mais um vice, a torcida começava a duvidar da capacidade do time em competições europeias. O que faltava?

Volta por cima

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Na temporada 1982-1983, o Hamburgo estava com uma aura diferente, mais experiente e sério. As derrotas recentes mexeram com o brio dos jogadores, que tinham no maior palco possível a chance de dar a volta por cima: a Liga dos Campeões da UEFA. Os comandados de Happel estrearam contra o rival local Dynamo Berlin, da Alemanha Oriental. Depois de empatar em 1 a 1 na partida de ida, o Hamburgo venceu a volta por 2 a 0, gols de Hartwig e Hrubesch. Nas oitavas de final, duas vitórias sobre o Olympiacos (GRE): 1 a 0 na Alemanha, gol de von Heesen, e 4 a 0 em pleno estádio Olímpico de Atenas, com 75 mil pessoas, que viram o show de Magath, Hrubesch, Rolff e Bastrup. Nas quartas de final, duelo contra o Dynamo Kyiv (URSS). Na primeira partida, em Kyiv, goleada do Hamburgo por 3 a 0, com um hat-trick de Balstrup. Na volta, a derrota por 2 a 1 não foi suficiente para eliminar os alemães, que chegaram à semifinal.

O Hamburgo de 1983: Magath era o cérebro do time e Hrubesch o fazedor de gols.
O Hamburgo de 1983: Magath era o cérebro do time e Hrubesch o fazedor de gols. Mas tinha também Bastrub, Rolff, Jakobs…

 

Curiosamente, os alemães enfrentaram mais um time espanhol, a exemplo de 1980, mas dessa vez a Real Sociedad. No primeiro jogo, na Espanha, empate em 1 a 1. Na volta, Jakobs e von Heesen deram a  vitória suada por 2 a 1 para o Hamburgo, que chegou em sua segunda final europeia. O adversário, porém, seria dificílimo: a Juventus, base da seleção italiana tricampeã mundial no ano anterior.

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Magath, deus de Hamburgo

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A decisão, no estádio Olímpico de Atenas, na Grécia, colocou frente a frente dois times de puro talento e que viviam fases maravilhosas. De um lado, o Hamburgo, campeão alemão e perto do bi naquele ano, com um time coeso e muito forte ofensivamente. Do outro, a experiente e copeira Juventus, com nada mais nada menos que seis craques que, em 1982, levaram a Itália ao tricampeonato mundial na Copa da Espanha, reforçados por Boniek e pelo astro Michel Platini. A equipe italiana, claro, era a favorita e tinha ampla maioria no estádio tomado por 75 mil pessoas. Mas ninguém esperava que a estrela maior do Hamburgo liquidasse a fatura logo com nove minutos de jogo, num chutaço de esquerda de fora da área, sem chance alguma para o veterano goleiro Dino Zoff: Hamburgo 1×0 Juventus. O jogo seguiu e o Hamburgo foi soberano na partida, perdendo muitos gols e dando um baile na Juventus, com Magath infernal. O resultado coroou o time alemão como o segundo de seu país a levantar o mais cobiçado troféu da Europa. De quebra, dava a quatro jogadores do time (Magath, Kaltz, Hieronymus e Hrubesch) a revanche de 1982, quando perderam a final da Copa para a Itália vestindo a camisa da Alemanha.

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A Europa era do Hamburgo! E o técnico Ernst Happel entrava para a história como o primeiro treinador a conquistar por dois clubes diferentes uma Liga dos Campeões da UEFA, feito que só seria igualado por Ottmar Hitzfeld, em 2001 (quando venceu com o Bayern München, depois de já ter vencido com o Borussia Dortmund, em 1997) e José Mourinho, em 2010 (quando venceu com a Internazionale, depois de já ter vencido com o Porto, em 2004).

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Bicampeões

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Além de se tornar pela primeira vez um gigante europeu em 1983, o Hamburgo conquistou seu primeiro bicampeonato consecutivo da Bundesliga, somando seis títulos nacionais. O time de Happel levantou o caneco graças ao critério de saldo de gols, pois terminou empatado em pontos com o vice-campeão, Werder Bremen. A campanha dos alemães foi ainda melhor que no ano anterior: 20 vitórias, 12 empates e apenas duas derrotas em 34 partidas, com 79 gols marcados e 33 sofridos. Hrubesch foi novamente o artilheiro do time, com 18 gols, quatro a menos que o goleador do campeonato, Rudi Völler. Reis na Alemanha, faltava ainda para o Hamburgo conquistar o mundo, em dezembro, no Japão.

Renato acaba com o sonho

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O Hamburgo chegou ao Japão como favorito na decisão do Mundial Interclubes de 1983, contra o campeão da América, o Grêmio (BRA). O time alemão estava no meio da disputa da Supercopa da UEFA, contra o Aberdeen, da Escócia, e havia empatado o primeiro jogo em 0 a 0, na Alemanha (na volta, depois do Mundial, os alemães perderam por 2 a 0 e ficaram com o vice). Mas quem esperava um jogo fácil para os comandados de Happel viram os alemães levarem sufoco do esquadrão tricolor montado apenas para aquela partida, com a vinda de Mário Sérgio e Paulo César Caju, além da base campeã da América que tinha craques como De León, Tarciso e a estrela da final: Renato, ele mesmo, o Gaúcho. O ponta só não fez chover naquele jogo e abriu o placar para o Grêmio aos 37´do primeiro tempo, depois de entortar o defensor Schröder e contar com uma falha do goleiro Stein, que não fechou o ângulo na hora do chute do brasileiro. No segundo tempo, no finalzinho, o mesmo Schröder contou com o bate rebate na área e empatou para o Hamburgo. Na prorrogação, Renato, de novo, fez 2 a 1 para o Grêmio, resultado que persistiu até o final. O time brasileiro conquistou seu primeiro mundial, e o Hamburgo perdeu a chance de igualar a façanha de 1976 do rival Bayern München. Ali, terminava o auge e os tempos áureos do clube alemão.

 

À espera de novos anos de ouro

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Depois do vice-mundial, o Hamburgo não foi mais o mesmo. O time foi eliminado logo na primeira fase da Liga dos Campeões de 1983-1984 e ficou com o vice do alemão. A equipe só voltaria a comemorar um título em 1987, com a conquista da Copa da Alemanha. Desde então, nunca mais o Hamburgo (único grande clube da Alemanha que nunca foi rebaixado para ligas inferiores) voltou a brilhar. O time tenta voltar aos tempos áureos, mas a torcida sabe que será bem difícil, ainda mais sem um Happel no banco, um Hrubesch no ataque e uma estrela que parece ter nascido para brilhar no clube: Felix Magath, sem dúvida o maior responsável por tornar aquele Hamburgo do final dos anos 70 e início dos anos 80 um time imortal.

Os personagens:

Uli Stein: teve o azar de concorrer com outros bons goleiros alemães naqueles anos 80, por isso, não brilhou na seleção. No Hamburgo, foi bem e colecionou títulos de 1980 até 1987. As vezes, esquentava a cabeça e arrumava confusões, prejudicando a equipe.

Manfred Kaltz: um dos grandes defensores do futebol alemão e mundial nos anos 70 e 80, Kaltz foi um mito no Hamburgo, onde jogou de 1971 até 1989, com uma passagem no futebol francês até encerrar a carreira no mesmo Hamburgo, em 1991. Disputou mais de 580 partidas na Bundesliga, um dos recordistas, além de ser perito em cobranças de pênalti ao marcar 53 dos seus 76 gols na competição da marca da cal. Dava cruzamentos formidáveis para Hrubesch, muitos com curvas bizarras durante suas trajetórias.

Wehmeyer: chegou ao Hamburgo em 1978 já consagrado como um bom zagueiro, mas foi lá que ele fez história, participando de todas as glórias do clube até 1986. Seguro, deu conta do recado e até marcava alguns gols.

Beckenbauer: o maior jogador da história da Alemanha e um dos cinco maiores de todos os tempos vestiu a camisa do Hamburgo de 1980 até 1982. Foram poucos jogos, infelizmente, mas o Kaiser contribuiu para o título nacional de 1982, seu último na carreira. Uma pena ele ter saído do time justo um ano antes do título europeu de 1983. Mesmo assim, entrou para a história.

Jakobs: jogou uma década no Hamburgo e entrou para a história do time como um dos maiores zagueiros e líberos que já vestiram a camisa branca e vermelha do clube. Técnico, raçudo e líder, foi referência no sistema defensivo do time de Happel. Encerrou a carreira no Hamburgo, em 1989, depois de sofrer um acidente em campo, quando os ganchos de fixação de um gol entraram em sua coluna e por pouco (mais precisamente dois centímetros) não lesionaram sua espinha. O susto foi enorme e fez o craque não querer saber mais de futebol.

Hieronymus: talentoso defensor, Hieronymus jogou muito no Hamburgo de 1979 até 1984, participando dos momentos de drama e alegria da equipe. Teve de encerrar a carreira com apenas 26 anos em 1985 depois de sofrer uma entrada violentíssima, que acabou com seu joelho.

Rolff: de 1982 até 1986 foi o dono do meio de campo do Hamburgo, fazendo partidas primorosas e sendo element surpresa no campo de ataque. Jogou mais de 350 partidas na Bundesliga.

Milewski: jogava no meio de campo e no ataque, em ambos com talento e velocidade. Foram cinco anos de Hamburgo e os principais títulos da história do clube conquistados no período, entre eles a Liga dos Campeões da UEFA e a Bundesliga. Fez vários gols decisivos e foi peça chave no esquema tático de Happel.

Schröder: era o volante/zagueiro bem clássico, brucutu, que não jogava bonito e fazia o simples. Marcou um gol na final do Mundial, contra o Grêmio, mas é mais lembrado pelas entortadas que levou de Renato…

Groh: compunha o sistema defensivo do Hamburgo com muita categoria e eficiência, participando de todas as conquistas do clube de 1980 até 1985.

Thomas von Heesen: foram mais de 14 anos de Hamburgo e muitas histórias para contar. Jogava como meia e até atacante e marcava vários gols, com oportunismo e agilidade. Marcou 99 gols na Bundesliga e foi essencial para o bicampeonato em 1982 e 1983 no torneio.

Felix Magath: filho de pai porto-riquenho e mãe alemã, Magath é o maior ídolo da história mais do que centenária do Hamburgo, maestro do meio de campo do time de 1976 até 1986, autor de gols decisivos e do maior gol de todos: o do título europeu de 1983, em cima da poderosa e favorita Juventus. Disputou as Copas de 1982 e 1986 pela seleção da Alemanha e foi cerebral para o time em muitos jogos, dando passes precisos e gols feitos para os companheiros. Imortal para qualquer torcedor do clube.

Hrubesch: era um fenômeno dentro da área, principalmente de cabeça. Foi a referência máxima no ataque do Hamburgo de 1978 até 1983, sendo até o capitão da equipe e tendo a honra de erguer a taça da Europa em 1983, depois da vitória contra a Juventus. Foi herói do título da Eurocopa de 1980 da Alemanha, quando marcou os dois gols da final contra a Bélgica, e disputou 159 partidas na Bundesliga com a camisa vermelha e branca, marcando 96 gols. Artilheiro e craque histórico do Hamburgo.

Lars Bastrub: jogou apenas de 1981 até 1983 no Hamburgo, mas o suficiente para vencer duas Bundesligas e uma Liga dos Campeões, esta quando marcou inclusive um hat-trick. O atacante dinamarquês fez uma dupla memorável com Hrubesch no ataque do time.

Ernst Happel (Técnico): foi um dos maiores treinadores do futebol mundial no século XX, ícone dos anos 60, 70 e 80 e ídolo por onde passou. Multicampeão, Happel fazia dos seus times esquadrões poderosos e extremamente competitivos, principalmente em torneios eliminatórios. Levantou duas Ligas dos Campeões da UEFA com dois times diferentes (Feyenoord, em 1970, e Hamburgo, em 1983), além de vários torneios nacionais, copas e supercopas. Foram 17 títulos como técnico. Imortal.

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Extras:

Jogaço

Veja os gols de Bayern 3×4 Hamburgo, pela Bundesliga de 1982. Um show.

 

Hamburgo 1×0 Juventus

Veja os melhores momentos da grande final da Liga dos Campeões da UEFA de 1983, quando o Hamburgo colocou a favorita Juventus no bolso e levantou pela primeira vez a “velhinha orelhuda”.

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