Esquadrão Imortal – Vasco 1987-1989

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Grandes feitos: Campeão Brasileiro (1989), Bicampeão Carioca (1987 e 1988), Tricampeão do Torneio Ramón de Carranza (1987, 1988 e 1989) e campeão da Copa Ouro (1987).

Time base: Acácio; Paulo Roberto (Luís Carlos Winck), Donato (Marco Aurélio), Fernando (Quiñonez) e Mazinho; Dunga (Zé do Carmo), Geovani (Boiadeiro) e Tita (Henrique / Willian); Mauricinho (Vivinho / Bebeto), Roberto Dinamite (Bismarck) e Romário (Sorato). Técnicos: Sebastião Lazaroni (1987 e 1988) e Nelsinho Rosa (1989).

 

“Veteranos e jovens constroem um time multicampeão”

Ver a dupla Fla-Flu comemorar títulos e mais títulos na primeira metade da década de 80 foi bem dolorido para o torcedor do Vasco. O time não teve chances de sucesso e só conseguiu vencer um torneio, o Carioca de 1982. Mas, em 1985, tudo começaria a mudar no time cruzmaltino com a subida aos profissionais de uma futura estrela: Romário, um baixinho invocado e marrento que jogaria ao lado de um dos maiores ídolos do clube: Roberto Dinamite. Com a dupla em campo, aliados a outros grandes jogadores experientes e jovens promessas lançadas pelo futuro técnico da seleção, Sebastião Lazaroni, o clube voltou a brilhar no Rio e faturou um bicampeonato estadual em 1987 e 1988. Em 1989 veio o ápice daquele esquadrão que ficou conhecido como “SeleVasco” com a conquista do Campeonato Brasileiro em cima do São Paulo, numa campanha onde o alvinegro derrotava seus adversários principalmente longe de casa. E foi exatamente distante do São Januário que o Vasco faturou o bicampeonato nacional. É hora de relembrar as façanhas de uma geração de ouro do futebol vascaíno e de craques como Romário, Roberto Dinamite, Bismarck, Bebeto e Sorato.

 

Na base mora o sucesso

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Depois de ver Romário despontar e brilhar no Carioca de 1986, marcando 20 gols, o Vasco entrou em 1987 com perspectivas muito boas. O time contava com ótimos jogadores para todas as posições do campo, além de promissores talentos da base como Mazinho e Bismarck. Além dos jovens, o time comandado à época por Joel Santana ainda tinha o ótimo goleiro Acácio, o lateral Paulo Roberto (estrela do Grêmio campeão de tudo no começo da década), o zagueiro revelado pelo Vasco e já experiente Donato, o volante Dunga e o meia Tita. Com grandes nomes, o time era um dos favoritos ao título estadual, junto com Flamengo (como sempre) e Fluminense. Durante a primeira fase, oito vitórias, três empates e apenas uma derrota. Na última rodada, um empate bastava para o time conquistar o título do primeiro turno. E foi o que aconteceu, no 0 a 0 contra o Flamengo. Na Taça Rio, a equipe foi novamente bem, mas perdeu o turno para o Bangu. Nesse meio tempo, Joel Santana deixou a equipe para se aventurar no mundo árabe, dando lugar a Sebastião Lazaroni. No terceiro turno, os melhores times ao longo do torneio (Vasco, Flamengo, Fluminense e Bangu) se enfrentaram e o Flamengo foi o vencedor. Por fim, um triangular (com Bangu, Flamengo e Vasco) iria decidir o campeão carioca daquela temporada. O Vasco derrotou o Bangu por 4 a 0 e o Flamengo venceu o alvirrubro por 1 a 0, decretando o óbvio: Vasco e Flamengo na final.

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Campeões no Rio, nos EUA e na Espanha

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Na final, no Maracanã lotado como de costume, o jogo foi de grandes lances e um desfile de craques, mas quem levou a melhor foi o time cruzmaltino. O gol do Vasco e do título saiu após uma interceptação de Romário em um passe de Leandro no meio de campo, com o baixinho tocando para Luís Carlos que mandou para Roberto ajeitar para Tita mandar para o fundo do gol do Zé Carlos. O Vasco era campeão carioca, com seus artilheiros polarizando a competição: Romário (16 gols), Roberto (15) e Tita (12). Foram 61 gols em 31 jogos, com a consagração da dupla Ro-Ro no ataque do time, como bem recordou Dinamite em entrevista à Placar em 2005:

“Você sabe o que é jogar ao lado do Romário com 20 anos de idade? Era só jogar a bola para ele. Das três que chegavam no pé, duas ele colocava dentro do gol!”

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Depois disso do título, o time foi esbanjar sua técnica pelo mundo e venceu a Copa Ouro, nos EUA, passando por América-MEX, Roma-ITA, Guadalajara-MEX e Rosario Central-ARG, com shows de Tita, Dunga, Geovani e Vivinho. Depois da passagem nos EUA, a equipe viajou até a Espanha para conquistar o imponente e gigantesco troféu do Torneio Ramón de Carranza, derrotando o Sevilha por 3 a 0 (gols de Tita, Roberto, duas vezes) e Cádiz por 2 a 0 (gols de Tita e Roberto). No Campeonato Brasileiro (que naquele ano foi uma tremenda bagunça e foi chamado de Copa União) o Vasco não foi bem e nem sequer avançou até as etapas finais. Mas era hora de pensar no bi estadual de 1988.

Time mais forte e a saideira do baixinho

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Em 1988, Lazaroni conseguiu, enfim, implantar seu estilo de jogo no Vasco, sempre utilizando a velocidade de seu ataque e uma defesa sempre bem postada. O time era criativo, leve e sabia quando utilizar suas ferramentas para liquidar o adversário. Naquela temporada, subiu para os profissionais mais uma ótima cria de São Januário: Sorato, atacante que iria dar muitas alegrias à torcida.

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Assim como em 1987, o objetivo do Vasco era ir bem e vencer o estadual. A equipe estreou com o pé esquerdo, perdendo por 1 a 0 para o Flamengo. Mas na sequência o time se recompôs, fez ótimos jogos, mas ainda sim viu o rival rubro-negro ficar com a Taça Guanabara. Na Taça Rio, as vitórias sobre o Flamengo (1 a 0), América (2 a 0) e Botafogo (3 a 0) foram cruciais para a conquista do 2º turno. No triangular final, vitórias sobre Americano (1 a 0) e Flamengo (3 a 1) e empate com o Fluminense (1 a 1). O time faria a final contra o Flamengo, em dois jogos. No primeiro, vitória por 2 a 1, gols de Bismarck e Romário. Na grande decisão, um empate bastava para o bi, mas o reserva Cocada não entendeu assim. Ele entrou no lugar de Vivinho, aos 41´do segundo tempo, marcou o gol da vitória por 1 a 0 aos 44´e foi expulso de campo aos 45´por comemorar tirando a camisa. Ele ligou? Nem um pouco! A torcida fez a festa junto com ele: Vasco bicampeão carioca. Era a consagração dos garotos de São Januário (que venceram 21 dos 27 jogos da equipe na competição) e de Romário, que ficou na vice-artilharia com 16 gols, um a menos que Bebeto. Aquele foi o último título do baixinho com a camisa do Vasco, já que o craque partiria para o PSV-HOL.

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Depois do título carioca, o Vasco conquistou mais um bicampeonato, dessa vez no troféu Ramón de Carranza, na cidade de Cádiz-ESP, derrotando o Atlético de Madrid por 2 a 1, com gols de Sorato e Vivinho.

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Soberano no Rio, o Vasco quis fazer bonito também no Campeonato Brasileiro. O time foi líder no grupo B do primeiro turno, com sete vitórias, três empates e duas derrotas em 12 jogos, com o melhor ataque. No segundo turno, o time foi novamente líder de seu grupo (dessa vez invicto) com seis vitórias e cinco empates em 11 jogos. Classificados, os comandados de Lazaroni enfrentaram o Fluminense nas quartas de final. Depois de perder por 1 a 0 o primeiro jogo, o Vasco venceu a volta por 2 a 1, mas perdeu na prorrogação por 2 a 0 e deu adeus ao sonho do título brasileiro, que ficaria nas mãos do Bahia de Newmar, Bobô e Charles. Mesmo com a eliminação, a torcida gostou do que viu e tinha muita esperança no time para o ano seguinte, afinal, mesmo sem o título a equipe foi a que menos perdeu na competição: três derrotas em 25 jogos. Vale destacar também os 879 minutos sem levar gols do goleiro Acácio, o quarto maior período na história do Campeonato Brasileiro.

 

SeleVasco

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As saídas de Romário e Roberto Dinamite não enfraqueceram o Vasco. O time soube se reforçar e trouxe o atacante Bebeto e o zagueiro equatoriano Quiñonez, que se juntariam aos craques Acácio, Luís Carlos Winck, Mazinho, Bismarck e Sorato para compor a SeleVasco, pelo fato de o time ter vários jogadores de seleção ou que já haviam passado por ela. No Estadual, o time não teve a concentração e a pegada dos anos anteriores e viu o Botafogo, depois de mais de duas décadas de jejum, levantar o caneco. Para salvar o primeiro semestre, veio mais um título internacional, o tri do Ramón de Carranza, conquistado após vitórias sobre Atlético de Madrid-ESP por 1 a 0 (gol de Sorato) e 2 a 0 no Nacional-URU (gols de Sorato e Vivinho).

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No segundo semestre, o time comandado por Nelsinho Rosa (Lazaroni partiu para comandar a seleção brasileira) tratou de buscar o Campeonato Brasileiro, torneio que desde 1974 não ia para os lados de São Januário. O torneio seria de tiro curto, com uma primeira fase rápida (10 jogos) e uma segunda mais ainda (oito), com a final sendo disputada em um ou dois jogos, dependendo das campanhas dos finalistas.

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A equipe alvinegra estrou com vitória sobre o Cruzeiro por 1 a 0, gol de Vivinho. Na sequência, empate em 1 a 1 com o Coritiba, vitória por 2 a 1 sobre o Santos, empates em 2 a 2 com o Bahia e 0 a 0 com o Fluminense, goleada de 4 a 1 sobre o Goiás, vitória de 3 a 1 sobre o Grêmio, derrota por 1 a 0 para o Palmeiras, empate sem gols com a Lusa e vitória por 1 a 0 sobre o Sport. A equipe se classificou na segunda posição do Grupo B, atrás apenas do Palmeiras. Na segunda fase, o time mostrou ainda mais força e liderou seu grupo. O início foi ruim, com dois empates (0 a 0 contra o São Paulo e 2 a 2 contra o Inter) e derrota por 2 a 0 para o Flamengo. Mas aí os craques vascaínos trataram de dar a volta por cima com uma vitória por 4 a 2 sobre o Náutico e dois triunfos fora de casa sobre o Corinthians, por 1 a 0, e sobre o Internacional, por 2 a 0. Com apenas uma derrota, o Vasco conseguiu a vaga na decisão para enfrentar o São Paulo, líder na outra chave.

O Vasco de 1989: time leve, compacto e preciso no ataque com uma dupla inesquecível.
O Vasco de 1989: time leve, compacto e preciso no ataque com uma dupla inesquecível.

 

Enfim, campeões do Brasil

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Na grande final, o Vasco – por ter melhor campanha – pôde escolher o local do jogo de ida e só precisava de dois pontos para ser campeão. E o time da colina preferiu jogar a primeira partida da final fora de casa. Maluquice? De jeito nenhum. A equipe carioca naquele campeonato tinha um retrospecto muito melhor fora de casa do que dentro dela, como provaram as vitórias sobre Cruzeiro, Grêmio, Santos, Sport, Corinthians e Internacional, todas como visitante. Era um retrospecto de respeito. Se o time vencesse no Morumbi, nem precisaria disputar a partida de volta que já era campeão. O alvinegro era favorito diante do São Paulo, que tinha como principais nomes Gilmar, Ricardo Rocha, Bobô, Raí e Tilico. No primeiro tempo, o tricolor atacou mais, mas o Vasco soube se defender com Acácio em tarde inspirada. Na segunda etapa, o golpe letal. Jogada pela direita, cruzamento na área e Sorato, livre de marcação, marcou de cabeça o gol que inaugurou o placar no Morumbi: 1 a 0.

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O São Paulo bem que tentou empatar e virar, mas Acácio estava iluminado naquele 16 de dezembro de 1989 e se imortalizou como um dos maiores goleiros da história do clube. No fim do jogo, a magra vitória foi suficiente para os cariocas comemorarem o bicampeonato brasileiro e a coroação de um trabalho eficiente e memorável, que começou lá no começo da segunda metade da década de 80 com o investimento nas categorias de base e nos talentos juvenis. O caneco nacional era mais do que merecido para aquele esquadrão.

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Debandada marca fim de um timaço

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Em 1990, o Vasco começou a se enfraquecer e viu várias de suas estrelas saírem como Bebeto, Mazinho, Sorato, Acácio e Luís Carlos Winck, desmontando a espinha dorsal campeã nacional e tirando do time a chance de almejar voos mais altos. Na Libertadores, o time alcançou as quartas de final, mas foi eliminado pelo Atlético Nacional-COL, que cairia diante do futuro campeão, Olimpia-PAR, nas semis. No Brasileiro, nova decepção e queda precoce no torneio vencido pelo Corinthians. A equipe de São Januário só brilharia de novo no eixo estadual, com a conquista inédita do tricampeonato carioca em 1992, 1993 e 1994. Mas o futuro reservava muitos momentos de glória ao time, com o esquadrão de 1997-1998, que você pode ver aqui. Mas nem mesmo o time campeão da América pôde se gabar em ter dois dos maiores atacantes da história vascaína no mesmo time (Roberto Dinamite e Romário), que trouxeram de volta a alegria a uma torcida tão carente de títulos numa década com rivais tão difíceis de ser batidos como a de 80. O Vasco 1987-1989, com uma comissão de frente eterna com Roberto, Romário, Bebeto, Sorato e Bismarck, com os fieis ajudantes Acácio, Donato, Mazinho, Paulo Roberto, Luís Carlos Winck, Tita, Geovani e muitos outros foi, sem dúvida, um esquadrão imortal.

Os personagens:

Acácio: depois de passar pelo Americano e pelo Serrano, o goleirão de 1,87m chegou ao Vasco em 1982 com a missão de substituir Mazarópi, cedido ao futuro campeão mundial Grêmio. Com regularidade, elasticidade e reflexos incríveis, Acácio conquistou rapidamente a torcida vascaína, comemorando no mesmo ano de 1982 o título carioca. Nos anos seguintes, seguiu como titular da meta do clube e foi essencial para as conquistas estaduais de 1987 e 1988, além das glórias nos torneios internacionais. Em 1988, ficou 879 minutos sem levar gols no Campeonato Brasileiro, recorde que o colocou na quarta posição na lista dos maiores “invictos” do torneio. Em 1989, novamente no Brasileiro, teve uma das maiores atuações individuais de um goleiro da história na final contra o São Paulo, garantindo o 1 a 0 no placar e o bicampeonato do Vasco. Com todo respeito a Andrada e Mazarópi, Acácio compõe a santíssima trindade dos maiores goleiros do Vasco, ao lado de Barbosa e Carlos Germano. Ídolo eterno.

Paulo Roberto: chegou com um currículo de peso, com as conquistas do Brasileiro, Libertadores e Mundial pelo super Grêmio de 1981 a 1983. Com sua eficiência, garantiu qualidade à lateral-direita do time e teve papel fundamental nos títulos do carioca de 1987 e 1988. Saiu do time em 1989 e perdeu a chance de ser campeão brasileiro pela segunda vez na carreira.

Luís Carlos Winck: outro consagrado, Luís Carlos veio do Internacional para, enfim, ser campeão brasileiro em 1989 depois ser vice em 1988 (perdeu para o Bahia) e 1987 (perdeu para o Flamengo a polêmica Copa União). Foi um dos maiores laterais-direito da década de 80 e figurinha fácil nas seleções de base do Brasil, vencendo as medalhas de prata nas Olimpíadas de 1984 e 1988.

Donato: cria do Vasco em 1980, Donato se consagraria pelo time ao longo dos anos, mas teve o azar de jogar numa época em que a dupla Fla-Flu dominava o estado. Viu a sorte mudar em 1987 e 1988, quando conquistou o bicampeonato estadual. Muito seguro e firme na marcação, deixou o time em 1988 mesmo para brilhar no futebol espanhol, em especial no Deportivo La Coruña, onde venceu o primeiro e único título espanhol da história do clube.

Marco Aurélio: zagueiro do time nas conquistas do Carioca de 1988 e do Brasileiro de 1989, Marco Aurélio era firme na marcação e se colocava bem. Cumpriu seu papel.

Fernando: revelado pela Portuguesa Santista, o zagueiro caiu nas graças da torcida com seu estilo de jogo e suas subidas ao ataque, que às vezes rendiam gols ao time. Foi um dos destaques na conquista do bicampeonato estadual de 1987 e 1988. Deixou o time em 1989 para jogar no futebol português.

Quiñonez: impressionou a diretoria do Vasco jogando pelo Barcelona-EQU e pela seleção, fatores que o levaram a São Januário. Não foi nenhuma estrela, mas desempenhou um bom papel durante o Brasileiro de 1989, ajudando na conquista do título. Deixou a equipe rapidamente para voltar a jogar em seu país. Chamava mais a atenção pela cabeleira dreadlocks do que pelo futebol…

Mazinho: dono de uma habilidade extrema, Mazinho foi revelado pelo Vasco em 1986 e voou na lateral esquerda do time até 1991. Polivalente, podia jogar no meio de campo também, mas teve de ser deslocado por conta dos grandes jogadores que já ocupavam aquele espaço no time à época. Foi titular absoluto e um dos principais jogadores do Vasco no período, até se transferir para o futebol italiano e brilhar no Palmeiras da Parmalat. Suas atuações o levaram à Copa de 1994, onde virou titular e ajudou o Brasil a conquistar o tetracampeonato mundial.

Dunga: forte na marcação, presença constante no ataque e dono de um chute poderoso na perna direita, Dunga foi um dos grande volantes de seu tempo e um dos melhores da história do futebol brasileiro. Começou a carreira no Internacional, mas foi seu período no Vasco que o projetou nacionalmente. Por ter trabalhado com Lazaroni, ganhou crédito e moral para disputar a Copa da Itália, em 1990. Sucumbiu, como todo o grupo, mas daria a volta por cima em 1994, sendo o capitão do tetra.

Zé do Carmo: volante de muita raça e liderança, Zé do Carmo foi peça chave nos títulos do Carioca de 1988 e do Brasileiro de 1989, ajudando a equipe nos momentos difíceis e injetando ânimo nos companheiros para grandes vitórias. Brilhou, também, no Santa Cruz.

Geovani: outro talento da base, o meia Geovani foi um dos melhores de sua época, ajudando demais o time nas conquista do bicampeonato carioca. Armava jogadas precisas para o ataque destruir os rivais, além de marcar seus gols. Pecava, porém, pelo excesso de individualismo em muitas jogadas.

Boiadeiro: outro grande meio-campista de sua época, Marco Antônio Boiadeiro chegou ao Vasco em 1989 exatamente para ser campeão brasileiro e dar o troco no São Paulo, clube que havia tirado dele a chance de ser campeão nacional em 1986, quando vestia a camisa do Guarani. Compôs uma linha de frente memorável ao lado de Bismarck, Bebeto e Sorato.

Tita: vencedor nato, Tita chegou ao Vasco com todos os títulos possíveis no currículo, graças as suas passagens por Flamengo e Grêmio. Em São Januário, manteve a sina de campeão e de talento, marcando gols importantes e dando outros para seus companheiros de ataque. Foi campeão carioca de 1987 e dos torneios internacionais do mesmo ano, além do Brasileiro de 1989.

Henrique: meia de origem, Henrique tinha que cumprir a função de volante muitas vezes naquele time por conta dos outros meias que já ocupavam o espaço no campo. Dono de muito talento, ajudou a equipe no bicampeonato carioca e nas conquistas internacionais de 1987 e 1988.

Willian: podia jogar como meia ou como atacante, sendo muito eficiente em ambas as funções. Outra cria das bases, William ganhou quase tudo com o Vasco de 1986 até 1994, período em que ficou no time da colina.

Mauricinho: outra jovem promessa, mas vindo do Comercial, Mauricinho teve bons momentos no Vasco, ajudando o time no bicampeonato carioca, mas saiu em 1988 para jogar no Palmeiras. Depois que saiu do Vasco, nunca mais reencontrou o bom futebol e perambulou por vários clubes pelo país e pelo mundo.

Vivinho: ponta-direita arisco e habilidoso, Vivinho brilhou muito no Vasco daqueles anos 80. Marcou um gol antológico no Brasileiro 1988, quando aplicou três chapéus pra cima do volante Capitão, da Portuguesa, antes de estufar as redes do goleiro da Lusa, um golaço que ganhou até placa no estádio São Januário. Ganhou quase tudo com o time e chegou até a vestir a camisa da seleção.

Bebeto: rápido, driblador, letal. Bebeto supriu muito bem a ausência de Romário e ajudou o Vasco na conquista do Brasileiro de 1989 com gols e atuações de gala. Foi eleito o melhor jogador da América naquele ano e brilharia ainda mais com a conquista da Copa do Mundo de 1994. Foi um dos maiores atacantes do nosso futebol.

Roberto Dinamite: o maior artilheiro da história do Vasco e do Campeonato Brasileiro estava encerrando a carreira quando uma safra de ouro começava a render frutos em São Januário. Sorte a dele que pôde jogar ao lado do mais dourado dos frutos, Romário, fazendo barba, cabelo e bigode no Carioca de 1987 e 1988. Uma pena o matador ter saído do time e não ter ficado para a conquista do Brasileiro de 1989…

Bismarck: depois de brilhar no futebol de salão, Bismarck foi para o campo e arrebentou. Cria do Vasco (pra variar…), o meia/atacante fez história com atuações de gala, gols e dribles secos e curtos. Brilhou intensamente nas conquistas do time no período e disputou até uma Copa do Mundo, em 1990. Ganhou quatro Cariocas e um Brasileiro pelo Vasco, além de vários títulos internacionais. Teve destaque, também, no futebol japonês.

Romário: irresistível com a bola nos pés, matador, arisco, marrento, goleador. Romário era tudo em seu começo de carreira no Vasco. Foi artilheiro do time por três anos seguidos e a referência maior quando o assunto era gol. Fez uma parceria surreal e inesquecível (embora curta) com Roberto Dinamite e deu muitas alegrias à torcida. Partiu em 1988 para conquistar o mundo na Europa, até retornar outras tantas vezes à equipe nos anos 2000. Um mito.

Sorato: sim, outro das categorias de base do Vasco… Sorato começou a mostrar seu faro de matador em 1988, mas foi em 1989 que o atacante mostrou que tinha mesmo estrela, marcando vários gols, sendo o principal deles na final contra o São Paulo. Ficou no time até 1992, retornando em 1997, já sem o mesmo brilho de antes.

Sebastião Lazaroni e Nelsinho Rosa (Técnicos): o Vasco teve vários treinadores entre 1987 e 1989, mas foi a dupla que guiou de maneira impecável o time que mesclava garotos com veteranos e conseguiu, enfim, acabar com a hegemonia da dupla Fla-Flu no futebol carioca. O maior resultado desse trabalho foi a conquista do Brasileiro de 1989, quando aquele time jovem mostrou, mesmo longe de casa, que era mesmo muito bom de bola.

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Extras:

 

Enfim, campeão

Na grande final do Carioca de 1987, o Vasco derrotou o Flamengo e faturou o título.

 

Obra prima em São Januário

Veja o golaço de Vivinho no Brasileiro de 1988

 

Brasil sob a cruz de malta

O Vasco mostrou seu instinto predador novamente fora de casa e faturou o bi brasileiro em pleno Morumbi, contra o São Paulo.

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5 thoughts on “Esquadrão Imortal – Vasco 1987-1989

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