Esquadrão Imortal – Steaua Bucareste 1985-1989

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Grandes feitos: Campeão da Liga dos Campeões da UEFA (1985-1986), Campeão da Supercopa da UEFA (1986), Tetracampeão Romeno (1985-1986, 1986-1987*, 1987-1988* e 1988-1989**Invicto) e Tricampeão Invicto da Copa da Romênia (1986-1987, 1987-1988 e 1988-1989).

Foi o primeiro clube do leste europeu a conquistar uma Liga dos Campeões da UEFA.

Conseguiu estabelecer o recorde europeu de maior número de partidas invictas em uma liga nacional: 104 jogos, de junho de 1986 até setembro de 1989. Esse número aumenta para 119 partidas se considerarmos os 15 jogos invictos da Copa da Romênia entre 1986 e 1989.

Time base: Duckadam (Stângaciu / Lung); Iovan (Petrescu), Belodedici (Ungureanu), Bumbescu e Barbulescu (Stoica); Balan (Minea), Boloni (Rotariu), Balint e Majearu (Gheorge Hagi); Lacatus e Piturca. Técnicos: Emerich Jenei (1985-1986) e Anghel Iordanescu (1986-1989).

 

“Os Invencíveis dos Cárpatos”

Foram cinco anos mágicos. Cinco anos que jamais saem da cabeça dos torcedores azuis e grenás. Nunca um clube da Romênia havia conseguido tantas glórias e quebrar tantos recordes como aquele Steaua Bucareste de 1985-1989. O time tricampeão nacional invicto e campeão europeu de 1986 em cima do poderoso Barcelona escreveu seu nome para sempre na história do futebol mundial com técnica, força, conjunto e, claro, sorte. Os técnicos Emerich Jenei e Anghel Iordanescu mostraram que o futebol romeno podia, sim, ter jogadores de qualidade e brigar de igual para igual com forças espanholas, italianas, inglesas e alemãs. Basta ver a quantidade de jogadores que brilharam no clube naquele período e ver a carreira que tiveram após aqueles anos dourados. Gheorghe Hagi, por exemplo, foi um dos maiores jogadores da história da Romênia e um dos maiores de todos os tempos, a ponto de ser lembrado no FIFA 100 de 2004 e de ter conduzido a seleção amarela em uma brilhante Copa do Mundo, em 1994, eliminando a Argentina nas oitavas de final. No ataque, Lacatus e Piturca formaram uma dupla que se entendia por telepatia e monopolizava os gols do time. No gol, Duckadam contou com a maior estrela do universo ao defender quatro (isso mesmo, QUATRO) pênaltis consecutivos do Barcelona para dar ao Steaua a Liga dos Campeões da UEFA de 1986. Como um time daquele conseguiu tanto em tão pouco tempo? É hora de descobrir.

 

Bons ventos em Bucareste

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Em 1985, o Steaua começaria a construir um legado para a eternidade em seu país. Daquele ano em diante, os rivais se curvariam diante dos gigantes de Bucareste como nunca antes havia acontecido na Romênia. A temporada marcou a volta do técnico Emerich Jenei, que jogou no Steaua no final da década de 50 e boa parte dos anos 60. O treinador, que comandou o time na década de 70, retornou já conquistando um campeonato romeno em 1984-1985. Foi esse título, com o atacante Piturca como artilheiro da equipe com 19 gols, que classificou o Steaua para a Liga dos Campeões da UEFA de 1985-1986. O time, claro, nem imaginava alcançar uma final, mas Jenei tinha em mãos uma equipe sólida e forte que não deixava a desejar em nada para os outros clubes europeus, com uma zaga segura, um meio de campo que armava e defendia bem e um ataque rápido e raçudo, que não se acuava diante dos defensores, principalmente Lacatus, que tinha técnica e ao mesmo tempo robustez a ponto de deixar por várias vezes as travas de suas chuteiras nas canelas dos zagueiros.

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Com esses artifícios, o time iniciou sua caminhada europeia contra o Vejle-SUI. Ao empatar fora de casa em 1 a 1, o time goleou por 4 a 1 em Bucareste, com gols de Piturca, Boloni, Balint e Stoica. Nas oitavas de final, duelo contra o clássico Budapest Honvéd-HUN. No primeiro jogo, em Budapeste, vitória húngara por 1 a 0. Na volta, Piturca, Lacatus, Barbulescu e Majearu fizeram os gols de mais uma goleada por 4 a 1 do time romeno.

 

Sorte pra que te quero

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Nas quartas de final, o Steaua ganhou na loteria mais uma vez naquela Liga ao enfrentar o inexpressivo Kuusysi-FIN e escapar de duelos contra Barcelona, Bayern e Juventus. Mesmo jogando contra um adversário sem tradição alguma, o time romeno suou para vencer os finlandeses. No primeiro jogo, empate sem gols. Na volta, na Finlândia, vitória magra por 1 a 0, gol de Piturca. Na semifinal, o time encarou o Anderlecht-BEL de Enzo Scifo, que havia eliminado o Bayern nas quartas de final. No primeiro jogo, na Bélgica, vitória dos donos da casa por 1 a 0, gol de Scifo. Na volta, o Steaua deu show e fez 3 a 0, gols de Piturca (2) e Balint. Pela primeira vez na história a equipe chegava a uma final da Liga dos Campeões da UEFA. Mas, dessa vez, o time iria precisar de muito mais que sorte para vencer, afinal, o adversário seria o Barcelona-ESP.

 

O jogo mais importante da história romena

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Aquele dia 07 de maio de 1986 era a data mais importante da vida do Steaua Bucareste. Jogando em Sevilha, portanto Espanha, casa do Barcelona, o time teria que derrotar todos os prognósticos adversos para levantar uma improvável taça de campeão europeu. O técnico Jenei tinha em mãos sua equipe completa e pronta para mostrar a eficiência fora de casa que caracterizou a campanha naquela Liga. O romeno apostava em sua consciente e segura zaga para frear as investidas dos catalães e tentar usar o contra-ataque como arma. No estádio Ramón Sanchez Pijuan, mais de 50 mil torcedores do Barça monopolizaram os lugares, com apenas um punhado de fãs do Steaua. Parecia uma barbada: Barcelona campeão com goleada, provavelmente. Mas, com a bola rolando, não foi nada disso que aconteceu.

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O Steaua fez uma partida muito inteligente diante dos catalães naquele dia. A zaga, uma barreira intransponível, não ofereceu espaços ao time espanhol e neutralizou todas as poucas investidas com toque de bola e calmaria. O calor e os nervos à flor da pele do Barça, que tinha toda a responsabilidade de ser campeão, contribuíram para o jogo ser entediante nos 90 minutos. Na prorrogação, mais 30 minutos sem chance alguma, e a partida, como já esperavam os milhares de torcedores no estádio, foi para os pênaltis.

 

A façanha do Herói de Sevilha

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Nas cobranças, os goleiros de Barcelona e Steaua começaram um show à parte ao defenderem as duas primeiras cobranças de cada equipe. Parecia que aquelas redes permaneceriam intactas, com o vento como única força capaz de tirá-las da inércia. Foi então que Lacatus, enfim, marcou para o Steaua. Pichi Alonso bateu a terceira cobrança para o Barcelona e Duckadam defendeu de novo! Na quarta cobrança do Steaua, Balint fez o segundo gol. Marcos foi para a quarta cobrança do Barça. Ele precisava fazer para manter o time ainda vivo na disputa. Ele bateu e, inacreditável, Duckadam defendeu de novo! Era o fim do jogo e o feito histórico consolidado: o Steaua Bucareste era campeão da Europa pela primeira vez! Nunca um time do leste europeu havia vencido a principal competição do continente, mas o Steaua quebrou a escrita com estilo e com seu goleiro entrando para o livro dos recordes como primeiro e único a defender quatro cobranças de pênaltis em uma decisão europeia, transformado em “Herói de Sevilha” pela torcida. O estádio emudeceu diante do feito extraordinário do time romeno. Ali, era a consagração de um trabalho mais do que eficiente do técnico Emerich Jenei, que comandaria a seleção romena já em 1986, mas não antes de levantar mais um título romeno, o segundo consecutivo.

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A volta do Steaua à Romênia foi uma festa enorme. Mais de 30 mil torcedores receberam a equipe e fizeram a cidade de Bucareste viver um feriado nacional, algo jamais visto no país, que à época era um dos mais castigados da Europa. O triunfo ajudou na autoestima da população e amenizar um pouco a dura vida de todos sob o governo comunista.

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Mudanças e o início da era invicta

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Depois da conquista europeia e da saída de Jenei, todos se voltaram para o Steaua para ver o que aquele time tinha para ter levantado a mais cobiçada das taças. O clube começou a ficar famoso e aumentou ainda mais sua fama com a chegada do promissor meio-campista Gheorghe Hagi, que há várias temporadas era o grande astro do campeonato romeno. A vinda do craque, conhecido mais tarde como o “Maradona dos Cárpatos”, foi crucial para o time ficar ainda mais forte, além da efetivação do ex-jogador Anghel Iordanescu como técnico. Uma baixa no elenco foi a do Herói de Sevilha, o goleiro Duckadam, que sofreu um raro problema sanguíneo que o fez encerrar a carreira precocemente. Daquele ano até 1989, ninguém na Romênia conseguiria derrotar o Steaua, seja no campeonato romeno, seja na Copa da Romênia. Em dezembro de 1986, o time disputou o Mundial Interclubes contra o River Plate-ARG, no Japão, mas perdeu por 1 a 0. Dois meses depois, uma nova taça continental foi conquistada: a Supercopa da UEFA, vencida sobre o Dynamo Kyev-URSS de Blokhin e Belanov por 1 a 0, gol de Hagi. No Campeonato Romeno de 1986-1987, o time conquistou o tricampeonato seguido e o primeiro invicto com 25 vitórias e nove empates em 34 jogos, marcando 87 gols e sofrendo apenas 17. Nesse ano, veio também a Copa da Romênia, com triunfo por 1 a 0 sobre o rival Dinamo Bucareste. Na Liga dos Campeões, o time não brilhou e foi eliminado pelo Anderlecht logo na segunda fase.

 

Bi invicto e quase finalista europeu

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Na temporada 1987-1988 o Steaua deu mais um show no Campeonato Romeno e faturou o caneco com 30 vitórias e quatro empates em 34 jogos, marcando absurdos 114 gols e sofrendo apenas 18. O artilheiro do torneio foi Piturca, com 34 gols, com Gheorghe Hagi em terceiro com 25. Em casa, a equipe sofreu apenas sete gols e aplicou várias goleadas, a maioria acima de quatro gols. Na Liga dos Campeões, o time eliminou o MTK-HUN, o Omonia-CHP e o Rangers-ESC até chegar à semifinal do torneio. Nela, os romenos não foram páreos para o Benfica-POR, empatando em casa sem gols e perdendo em Portugal por 2 a 0. Na final, o time português perdeu nos pênaltis para o PSV-HOL.

 

Tricampeão invicto

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Campeão de tudo nas duas últimas temporadas, o Steaua seguiu imbatível na temporada 1988-1989 e sacramentou seu feito histórico. A equipe conseguiu a façanha de melhorar sua campanha do ano anterior no Campeonato Romeno e faturou o pentacampeonato consecutivo, o terceiro invicto, com 31 vitórias e três empates em 34 jogos, marcando 121 gols e sofrendo 28. O time foi impiedoso com os rivais e aplicou goleadas elásticas como 11 a 0 no Corvinul, 7 a 0 no Târgu Mures, 6 a 0 no Arges Pitesti, 5 a 0 no Bihor Oradea, 5 a 0 no Otelul Galati, 5 a 0 no Universitatea Cluj entre outras. Era incrível o que o time de Bucareste conseguia fazer e alcançar. Na mesma temporada, veio o tricampeonato da Copa da Romênia, que coroou o trabalho de Iordanescu e levou o time às incríveis 119 partidas invictas em competições nacionais, 104 no campeonato e 15 na Copa. A escrita só foi quebrada em setembro de 1989, com uma derrota por 3 a 0 para o rival Dinamo.

 

Nova façanha europeia

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Sem rivais em casa, o Steaua voltou a fazer bonito em solo europeu. Na Liga dos Campeões da UEFA de 1988-1989, o time romeno começou goleando o Sparta Praga-RCH por 5 a 1 fora de casa, com gols de Lacatus (2), Hagi (2) e Stoica. Na volta, em casa, empate em 2 a 2, com gols de Hagi e Lacatus. Nas oitavas de final, goleada de 3 a 0 em casa pra cima do Spartak Moscou-URSS, gols de Dumitrescu e Hagi (2). Na volta, outra vitória, dessa vez por 2 a 1, gols de Lacatus e Balint.

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Nas quartas de final, o time encarou os suecos do Göteborg e perdeu o primeiro jogo por 1 a 0. Na volta, em casa, nova goleada: 5 a 1, gols de Lacatus (3), Dumitrescu e Balint. O time chegou à semifinal com moral e confiante para enfrentar o Galatasaray-TUR. No primeiro jogo, em Bucareste, goleada dos mágicos romenos: 4 a 0, gols de Dumitrescu, Hagi, Petrescu e Balint. Na volta, empate em 1 a 1 (gol de Dumitrescu) que colocou o Steaua em mais uma decisão europeia, uma resposta àqueles que pensavam que o time era zebra ou que só ia bem jogando em casa.

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Derrota para o Super Milan

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Na final, disputada no Camp Nou, em Barcelona (ESP), os romenos bem que tentaram, mas nada puderam fazer contra o super Milan de Tassotti, Maldini, Baresi, Costacurta, Donadoni, Rijkaard, Gullit e Van Basten, e os mais de 80 mil rossoneros que viram sua equipe golear por 4 a 0 (sendo três gols apenas no primeiro tempo), com show da dupla Gullit e van Basten. Os italianos voltavam a conquistar a Liga dos Campeões depois de 20 anos (o último título havia sido em 1969, também com goleada – 4 a 1 – pra cima de um novato Ajax). A dolorosa derrota significaria o fim de uma era de ouro para o Steaua.

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Rijkaard, Van Basten e Gullit, expoentes do super Milan do final dos anos 80.

 

 

Revolução decreta o fim de um time histórico

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Em dezembro de 1989, a Romênia viveu um período conturbado em sua história. Protestos e violentas brigas por todo país eclodiram a Revolução Romena, que matou mais de 1000 pessoas e culminou com o fim do regime comunista de Nicolae Ceausescu, executado naquele ano juntamente com sua esposa, Elena Ceausescu. A abertura de mercado proporcionada pelo fim do comunismo no país fez com que o futebol romeno fosse afetado, com caminho livre para os clubes estrangeiros contratarem os grandes craques do país, o que causou uma debandada geral nos clubes. O Steaua, claro, foi o maior prejudicado e viu nomes como Gheorghe Hagi, Lacatus, Petrescu, Lung, Iovan e Stoica deixarem a equipe. A saída dessas estrelas decretou o fim do mágico Steaua, que perdeu o campeonato nacional de 1989-1990 para o Dinamo Bucareste e nunca mais voltou a brilhar no continente. Era o fim de uma equipe que quebrou paradigmas e se manteve no topo tanto de seu país quanto na Europa por cinco anos, mostrando força defensiva e de ataque somente com jogadores romenos, na melhor e mais talentosa safra que o país já produziu. Aqueles craques seriam os responsáveis, anos depois, por conduzir a Romênia em uma campanha histórica na Copa do Mundo de 1994, sendo eliminada apenas nas quartas de final e superando, entre outros, a Argentina. Os feitos daquele Steaua, sua invencibilidade e seu título europeu contra tudo e todos em 1986 jamais serão esquecidos. Um esquadrão imortal.

 

Os personagens:

Duckadam: sem dúvida, o maior ídolo do Steaua e responsável maior pelo maior título da história do clube: a Liga dos Campeões da UEFA de 1986. Defender pênaltis não é para qualquer um. Em uma final europeia, então, mais difícil ainda. Agora, defender quatro chutes seguidos, só Duckadam conseguiu, um feito extraordinário e imortal que nem nomes como Buffon, Schmeichel e Dida conseguiram fazer. Uma pena o Herói de Sevilha, como ficou conhecido, ter encerrado a carreira tão precocemente por um raro problema sanguíneo.

Stângaciu: com a saída de Duckadam, o goleiro assumiu a titularidade do Steaua por algum tempo até perder a vaga para Lung, que se tornou o preferido do técnico Iordanescu. Jogou mais de uma década no Steaua.

Lung: chegou ao clube em 1988 e permaneceu até 1990, conquistando vários títulos nacionais e disputando a Liga dos Campeões da UEFA. Foi o goleiro que teve o “desprazer” de levar os quatro gols do Milan na decisão europeia de 1989, quando o Steaua perdeu a chance de ser bicampeão.

Iovan: o lateral foi o capitão do Steaua na final da Liga dos Campeões de 1986, quando teve a honra de erguer o troféu. Era muito eficiente na defesa e apoiava regularmente o ataque, marcando alguns gols.

Petrescu: cria do Steaua, Petrescu começou no clube em 1985 e ficou até 1991, vivendo toda a era de ouro da equipe, mas perdendo a chance de ser campeão europeu por estar emprestado a outro time romeno, o Olt Scornicesti. Podia jogar como zagueiro ou ala, sempre com muita qualidade, regularidade e bem nos passes. Brilhou, também, no Chelsea da segunda metade da década de 90.

Belodedici: era um dos grandes nomes da zaga do Steaua entre 1982 e 1988, sendo uma das peças chave na conquista da Liga dos Campeões da UEFA de 1986. Notável por sua elegância e precisão nos desarmes, Belodedici foi um dos líberos de maior prestígio na Romênia. Depois da revolução, deixou o país e brilhou no Estrela Vermelha, onde também venceria uma Liga dos Campeões, em 1991, sendo um dos poucos a ter conquistado a taça por duas equipes diferentes (e o único a vencê-la por dois times do leste europeu).

Ungureanu: chegou à equipe em 1987 e assumiu a lateral-esquerda do time, sendo uma das peças fundamentais para as conquistas nacionais de 1988 e 1989. Jogou no clube até 1992, até encerrar a carreira no Rapid Bucareste em 1993.

Bumbescu: era o xerife da zaga do Steaua, duro, sério e raçudo. Com ele em campo, a equipe ganhava muita força na marcação e conseguia o fator intimidação pesar a favor. Bumbescu jogou de 1984 até 1992 no Steaua, participando totalmente do pentacampeonato romeno da equipe entre 1985 e 1989.

Barbulescu: outro bom defensor do Steaua, Barbulescu jogava pelo setor esquerdo do time com categoria e eficiência. Ficou na equipe de 1984 até 1987.

Stoica: foi o soberano do meio de campo do Steaua por longos 14 anos, com muita regularidade e controle de bola. Não jogou a final da Liga de 1986 por estar suspenso, mas comemorou como nunca o título. Como capitão, disputou a final de 1989, mas essa ele nada pôde fazer para para o Milan, que ficou com o título. Ganhou sete campeonatos nacionais com o Steaua.

Balan: outra peça importante no meio de campo da equipe entre 1985 e 1989. Disputou a final da Liga de 1986 e ajudou o time a segurar o favorito Barcelona.

Minea: o meio campista começou no Steaua, mas teve uma passagem pelo Olt Scornicesti entre 1983 e 1988, perdendo a chance de se sagrar campeão europeu. Disputou a Liga de 1989, mas sucumbiu diante do Milan.

Boloni: antes de Hagi chegar ao Steaua, era Boloni o grande cérebro do time azul e grená. Várias jogadas de efeito do time passavam pelos seus pés, além de o jogador marcar muitos gols. É um dos recordistas de jogos pela seleção romena, com mais de 100 disputados e 25 gols marcados.

Rotariu: meio campista do Steaua entre 1986 e 1990, chegou ao time pouco depois do título europeu. Disputou a final da Liga de 1989 e foi um dos responsáveis pelo brilho do time nas competições nacionais conquistadas em 1987, 1988 e 1989.

Balint: atacante e meia, Balint fez parte do pentacampeonato romeno do Steaua entre 1985 e 1989, além de anotar seu gol na vitória por 2 a 0 sobre o Barcelona, nos pênaltis, na final da Liga dos Campeões da UEFA de 1986. Rápido e perigoso, marcava vários gols, tendo destaque, também, na seleção.

Majearu: foram nove títulos com a camisa do Steaua e grandes exibições como meio campista e até lateral-direito. Disputou mais de 190 partidas com a camisa do clube entre 1981 e 1988.

Gheorge Hagi: é considerado por muitos como o maior jogador romeno de todos os tempos e um ícone dos anos 80 e 90. Meia habilidoso, Hagi era letal em bolas paradas e marcava muitos golaços. Foi soberano no campeonato romeno por vários anos, sendo o principal artilheiro do país. Despertou o interesse do Steaua logo depois do título europeu de 1986. Pelo clube, Hagi fez partidas maravilhosas, continuou com o faro artilheiro, mas não conseguiu reconquistar a Europa, perdendo a final de 1989 para o Milan. Disputou uma Copa do Mundo fantástica em 1994 e brilhou no Galatasaray, da Turquia, no final da década de 90 e início dos anos 2000. Ficou conhecido como o “Maradona dos Cárpatos” por sua semelhança física e, em parte, na bola, com Dieguito. Leia mais sobre ele clicando aqui.

Lacatus: raçudo, artilheiro e habilidoso, Lacatus foi um dos grandes nomes do futebol romeno e um dos maiores ídolos do Steaua Bucareste na história. Ao lado de Piturca, fez uma dupla de ataque marcante na equipe e foi um dos responsáveis pelo sucesso do time tanto nas competições nacionais quanto nas internacionais. Na Liga dos Campeões de 1988-1989, quando o Steaua ficou com o vice, Lacatus marcou 7 gols, sendo um dos artilheiros do torneio, atrás apenas de van Basten, do Milan, com 10.

Piturca: outro atacante matador, Piturca anotou 137 gols em 174 jogos do Campeonato Romeno, um dos maiores artilheiros da história do Steaua. Seus 34 gols na temporada 1987-1988 lhe concederam a chuteira de bronze da Europa como um dos maiores artilheiros do continente.

Emerich Jenei e Anghel Iordanescu (Técnicos): ambos formaram a espinha dorsal que levou o Steaua de um simples clube romeno a uma força da Europa entre 1985 e 1989, reconhecido no mundo inteiro por sua eficiência na defesa e no ataque tanto dentro quanto fora de casa. Os treinadores foram responsáveis por duas façanhas distintas: Jenei, por levar o time ao título da Liga dos Campeões da UEFA de 1986 e Iordanescu por conduzir com maestria a equipe no tricampeonato romeno invicto, além da Supercopa da UEFA de 1986 e um vice-campeonato europeu em 1989. Ambos, por tudo o que fizeram, e por mostrar a todos do que a Romênia era capaz, são imortais, tanto para o Steaua como para o futebol mundial.

 

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Extra:

A final para a história

Veja como foi o triunfo do Steaua pra cima do Barcelona na final da Liga dos Campeões de 1986.

 

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