Esquadrão Imortal – Atlético-MG 1978-1983

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Grandes feitos: Hexacampeão Mineiro (1978, 1979, 1980, 1981, 1982 e 1983), Vice-Campeão Brasileiro (1980), Campeão do Torneio de Paris (1982), Campeão do Torneio de Bilbao (1982) e Campeão do Torneio de Berna (1983).

Time base: João Leite; Orlando (Alves / Nelinho), Osmar (Vantuir), Luisinho e Jorge Valença; Geraldo (Chicão / Heleno), Toninho Cerezo e Paulo Isidoro (Palhinha); Pedrinho (Renato Queiróz), Reinaldo e Dario (Éder). Técnicos: Barbatana (1978 e 1982), Procópio Cardoso (1978-1981), Carlos Alberto Silva (1981-1982) e Mussula (1983).

 

“Eles mereciam o Brasil”

Aqueles craques vestidos de preto e branco compunham um timaço. Do goleiro ao atacante, todos tinham talento, força, raça, técnica e brilho. Vários já tinham ou teriam passagens pela seleção brasileira (Luisinho, Reinaldo, Éder…) e davam ao Clube Atlético Mineiro uma hegemonia cada vez maior em Minas, onde eles não tinham rivais à altura. O negócio era desfilar pelos campos do Brasil e da Europa e conquistar títulos e mais títulos. O caneco que muitos acreditavam já ser deles era aquele Campeonato Brasileiro de 1980. Mas os alvinegros foram vítimas de dois adversários: o Flamengo de Zico e o árbitro José de Assis Aragão, que prejudicou demais o clube mineiro na grande final do torneio e acabou com o sonho do bicampeonato. Foi uma pena, pois aquele time merecia o Brasil pelo futebol exuberante que jogava, pela intensidade e pelo talento. O Mineirão vivia lotado para acompanhar os shows e gols de Reinaldo, a segurança do goleiro João Leite, a técnica de Lusinho, a visão de jogo de Toninho Cerezo, os petardos de Éder e a habilidade de Palhinha e Pedrinho. Aquele time, mesmo sem um grande título, deixou marcas profundas no coração do atleticano, tão profundas que muitos consideram aquele esquadrão melhor que o time campeão brasileiro de 1971. É hora de relembrar.

 

Hora de levantar a crista

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Waldir Peres (à esq.) tira o sarro do atleticano Márcio na decisão por pênaltis do Brasileiro de 1977: Atlético foi vice-campeão invicto.

 

Naquele primeiro semestre de 1978 o Galo estava abalado e triste. Em março, a equipe tinha perdido de maneira inacreditável o título do Campeonato Brasileiro de 1977, em casa, diante de um apenas raçudo São Paulo, que derrotou os mineiros nos pênaltis. O time alvinegro conseguiu ser vice-campeão invicto, algo inédito e único na história do torneio, mas que não traz nenhuma boa lembrança ao torcedor. A derrota fez com que a equipe se reorganizasse em busca do título perdido e da hegemonia dentro de casa, pois em 1977 o Cruzeiro havia vencido o campeonato mineiro. O elenco do Galo era ótimo, com bons jogadores na zaga, meio de campo e ataque – comandado pelo talentoso Reinaldo. O técnico Procópio Cardoso, que assumiu a equipe no lugar de Barbatana, tratou de estimular seus jogadores novamente e de mostrar que aquele revés poderia significar o início de algo de bom no clube. E o Galo tratou de voltar suas atenções ao torneio estadual de 1978.

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O início da hegemonia

Paulo Isidoro: craque e motor do meio de campo do Galo no final dos anos 70.
Paulo Isidoro: craque e motor do meio de campo do Galo no final dos anos 70.

 

Se no Brasileiro o Atlético-MG não repetiu a campanha do ano anterior, no Mineiro a história foi diferente. Líder no primeiro turno e vice-líder no segundo, a equipe se classificou para o quadrangular final ao lado de Cruzeiro, América e Valério. Nos seis jogos, a equipe venceu quatro e empatou dois, ficando com o título estadual. O destaque da campanha foi o baixo número de gols sofridos – apenas 12 em 28 partidas – e o faro de gol apurado do talentoso Paulo Isidoro, artilheiro da equipe com 11 gols. Aquele título marcaria o início de uma hegemonia histórica do Galo na chamada “Era Mineirão”. E saborosos capítulos a serem escritos por Reinaldo e companhia.

Atlético Mineiro - Campeão Mineiro (78)

 

Troca de craques

Éder Aleixo: craque da ponta-esquerda foi um dos maiores jogadores do Brasil nos anos 80.
Éder Aleixo: craque da ponta-esquerda foi um dos maiores jogadores do Brasil nos anos 80.

 

Entre 1979 e 1980 o Atlético passou por mudanças qualitativas em seu elenco. Alguns jogadores de destaque como Vantuir, Dario e Paulo Isidoro deixaram o clube para a chegada de grandes nomes como Éder, Pedrinho, Chicão, Jorge Valença e Palhinha. As mudanças deixaram a equipe ainda mais forte e a torcida ficou com boas perspectivas para os anos seguintes. Em 1979, veio o bicampeonato estadual com 22 vitórias, cinco empates e seis derrotas em 33 jogos, com uma vitória por 1 a 0 sobre o rival Cruzeiro na grande final com gol de Paulo Isidoro. No Brasileiro, o time empatou demais (10 empates em 19 jogos) e ficou fora das fases finais. Em 1980, porém, tudo seria diferente.

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Máquina alvinegra

O esquadrão de 1980: pura arte em campo.
O esquadrão de 1980: pura arte em campo.

 

Com vários craques, um esquema extremamente ofensivo e jogadores no auge da forma, o Atlético colocou o Campeonato Brasileiro de 1980 como prioridade absoluta. O torneio foi disputado no primeiro semestre daquele ano e o Galo mostrou desde o início que era um dos favoritos. A equipe emendou cinco vitórias consecutivas nas primeiras rodadas, com destaque para um 3 a 2 no Fluminense no Maracanã e um 2 a 0 no Palmeiras no Mineirão. Ao longo da campanha, o time mostrou força tanto em casa quanto fora dela, a ponto de bater o Internacional (então campeão brasileiro de 1979) em pleno Beira Rio por duas vezes: 3 a 1 na segunda fase e 3 a 0 na semifinal. Reinaldo, Éder e Palhinha se entendiam por telepatia, jogavam o fino e o Galo era favorito ao título. Mas aí, na grande final, começou a dar tudo errado. Primeiro, o time deu azar de encarar o Flamengo de Zico na decisão, uma equipe que começava a despontar como um dos maiores esquadrões da história e que no ano seguinte conquistaria a América e o mundo. No primeiro jogo, no Mineirão lotado, o Atlético conseguiu vencer por 1 a 0, gol de Reinaldo, e foi para o Maracanã com a vantagem do empate. Mas no “maior do mundo” o Galo teria que enfrentar três adversários: o Flamengo, a torcida do Flamengo e o árbitro José de Assis de Aragão.

O Atlético de 1980 chegava a jogar com quatro homens no ataque tamanha qualidade ofensiva.
O Atlético de 1980 chegava a jogar com quatro homens no ataque tamanha qualidade ofensiva. Isso quando Cerezo não aparecia de surpresa lá na frente, transformando o 4-2-1-3 num surreal 4-1-1-4.

 

Injustiçados

Nunes marca: fim do sonho do bi.
Nunes marca: fim do sonho do bi.

 

Na grande decisão de 1º de junho de 1980, o Flamengo jogava no Maracanã e tinha mais de 154 mil torcedores ao seu lado. O esquadrão rubro-negro contava com craques do naipe de Raul, Marinho, Júnior, Andrade, Carpegiani, Zico, Tita e Nunes, com Cláudio Coutinho no banco. Era um timaço. Mas o Atlético não ficava atrás e contava com João Leite, Osmar, Luisinho, Cerezo, Palhinha, Pedrinho, Éder, e Reinaldo, com Procópio Cardoso no banco. Seria uma final de arrepiar. E foi mesmo.

Reinaldo (à dir.) é cercado por Zico (à esq.): craque atleticano jogou baleado a decisão e ainda sim marcou dois gols.
Reinaldo (à dir.) é cercado por Zico (à esq.): craque atleticano jogou baleado a decisão e ainda sim marcou dois gols.

 

O Flamengo abriu o placar com Nunes aos sete minutos. Um minuto depois, Reinaldo se livrou de três marcadores e empatou num golaço, calando o Maracanã. No final do primeiro tempo, Zico deixou o Flamengo em vantagem novamente. No decorrer do jogo, Reinaldo sentiu uma distensão e foi provocado pela torcida carioca, que gritava “bichado, bichado”. O atacante, porém, encontrou forças para superar aquela dor e empatou o jogo no segundo tempo. Maracanã em silêncio novamente. Era o placar necessário para o bicampeonato atleticano. Mas o árbitro daquele jogo, José de Assis de Aragão, expulsou Reinaldo de maneira injusta, além de outros dois jogadores do Galo, que ficou com apenas oito homens em campo e completamente sem chances de segurar o resultado. Aos 37´, Nunes fez o terceiro do Flamengo, e o Galo foi outra vez vice-campeão. Muitos lamentam até hoje aquela derrota, tida como injusta pela brilhante campanha do Atlético naquele torneio, que teve uma vitória a mais que o Flamengo (15), marcou o mesmo número de gols (46) e levou menos (16 do Galo e 20 do Flamengo). O goleiro atleticano João Leite, em entrevista ao Super Sports, comentou sobre aquela final:

“O árbitro José de Assis Aragão expulsou três jogadores do nosso time. Até o Reinaldo, que havia feito o gol de empate. Além dele, Chicão e Palhinha também foram expulsos. O Atlético tinha muitas possibilidades de ganhar naquele ano, mas foi prejudicado”. João Leite, goleiro do Atlético em 1980.

 

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A derrota em 1980 parecia o mesmo filme de 1977, quando o Galo tinha a vantagem e o favoritismo e perdeu para o São Paulo. Mesmo com o revés, a equipe manteve a concentração e conquistou mais um título estadual com uma campanha impecável: 20 jogos, 18 vitórias, um empate e apenas uma derrota, com 55 gols marcados e apenas oito sofridos. Os destaques da campanha, claro, foram os triunfos sobre o Cruzeiro por 1 a 0 (gol de Cerezo) e 2 a 0 (dois gols de Éder, artilheiro do time no torneio com 12 gols).

 

 

Desfiles europeus

Reinaldo: mítico com a bola nos pés e artilheiro em qualquer ocasião.
Reinaldo: mítico com a bola nos pés e artilheiro em qualquer ocasião.

 

Depois de mais um título estadual em 1981 e fracas campanhas na Libertadores (com mais partidas polêmicas contra o Flamengo) e no Brasileiro, o Atlético decidiu viajar pelo continente europeu em 1982 e mostrar a qualidade de seu esquadrão para gringo ver. Naquele ano, a equipe venceu o Torneio de Paris e o Torneio de Bilbao derrotando adversários como PSG-FRA, Dinamo Zagreb-CRO, Hamburgo-ALE e Athletic Bilbao-ESP (estes dois últimos nos pênaltis após empates em 2 a 2 e 0 a 0, respectivamente). As apresentações do time em solo europeu renderam diversos elogios da mídia e ajudaram a divulgar ainda mais o talento do futebol brasileiro, que naquele ano encantaria a todos na Copa do Mundo da Espanha.

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Últimas taças e o fim

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Em 1982 e 1983 o Atlético sacramentou o hexacampeonato estadual, algo inédito e até hoje insuperável na Era Mineirão. Foi em 1983 que a equipe conseguiu a maior vitória sobre o rival Cruzeiro naquela sequência de títulos: 4 a 0, com gols de Éder (2), Renato e Reinaldo. Naquele mesmo ano, a equipe conquistou mais um torneio internacional (o Torneio de Berna, na Suíça, com vitória por 5 a 2 sobre o Young Boys-SUI e triunfo por 6 a 5 nos pênaltis sobre o Grasshopper-SUI após empate em 2 a 2) e voltou a fazer uma boa campanha no Campeonato Brasileiro, mas caiu para o Santos na semifinal após derrota por 2 a 1 e empate em 0 a 0. Naquele ano, o time começou a perdeu sua intensidade e em 1984 não conseguiu manter a hegemonia no estadual, que ficou com o rival Cruzeiro.

 

Atlético imortal

Reinaldo e Cerezo: dupla inesquecível dos anos 70 e 80 no Galo.
Reinaldo e Cerezo: dupla inesquecível dos anos 70 e 80 no Galo.

 

Após o período de ouro vivido nos anos 70 e início dos 80, o Atlético sofreu com a ascensão do rival Cruzeiro e teve apenas alguns bons momentos nos anos 90 com as conquistas das Copas Conmebol em 1992 e 1997 e o vice-campeonato brasileiro de 1999. Até hoje, o esquadrão de 1978-1983 é considerado pelos torcedores e por muitos especialistas como o melhor da história do clube tamanha qualidade técnica e tática que possuía, além de contar com vários dos atletas formados nas categorias de base. Mesmo sem conquistar um grande título, aquele time segue na memória do torcedor, que guarda com carinho as apresentações mágicas de João Leite, Luisinho, Toninho Cerezo, Éder, Palhinha e Reinaldo, estrelas máximas de um Atlético Imortal.

 

Os personagens:

João Leite: tranquilo, exímio pegador de pênaltis e recordista em jogos pelo Atlético (684), João Leite é um símbolo do Galo e considerado o melhor goleiro alvinegro em todos os tempos. Marcou época no clube e conquistou mais de uma dezena de títulos. Detém um impressionante retrospecto pelo time com 413 vitórias, 176 empates e apenas 95 derrotas nos 684 jogos que disputou. Ficou 773 minutos sem levar gols pelo Galo no Brasileiro de 1978 e detém a menor média de gols sofridos pelo clube na competição nacional: 132 gols em 178 jogos (0,72 gol por jogo).

Orlando: era reserva de Alves, mas se beneficiou com a contusão do companheiro para assumir a titularidade na lateral-direita do time no Brasileiro de 1980. Jogou no time entre 1980 e 1982 e faturou três títulos estaduais.

Alves: foi um dos grandes laterais-direito do Atlético e jogou na equipe entre 1975 e 1980. Era um marcador muito leal e ajudava a defesa com um grande senso de colocação e muita segurança. Não era muito de apoiar o ataque como Orlando e Nelinho.

Nelinho: identificado com o Cruzeiro, o lateral-direito Nelinho enfrentou muita desconfiança da torcida alvinegra quando chegou ao clube em 1982, mas mostrou em campo não se importar com camisas ou com o passado. Jogou muito, esbanjou categoria e ganhou um lugar no time dos sonhos do Atlético em uma votação realizada pela revista Placar em 2006. Tinha um chute venenoso nos pés, apoiava muito bem o ataque e dava cruzamentos maravilhosos para os companheiros. Se estivesse no time em 1980, com certeza a história do Brasileiro daquele ano teria sido diferente. Foram 274 jogos, 52 gols e três títulos estaduais com o Galo nos anos 80.

Osmar: muito raçudo, mas leal, o zagueiro Osmar marcou época no Galo. Era vibrante em campo e desarmava como poucos. Foram cinco anos de Atlético e várias glórias no currículo. Fez uma dupla de zaga inesquecível ao lado de Luisinho.

Vantuir: o xerifão campeão brasileiro em 1971 ainda tinha lenha para queimar naquele final de anos 70. O zagueiro ficou uma década no Galo e conquistou quatro títulos estaduais, incluindo os de 1978 e 1978. Foram 507 jogos pelo clube e atuações marcantes que tinham raça, vigor, e qualidade nas antecipações.

Luisinho: zagueiro técnico, clássico, soberano na área e exímio com a bola nos pés, Luisinho foi outro monstro sagrado da história alvinegra e uma unanimidade entre os torcedores. Jogou entre 1978 e 1989 no clube e conquistou 10 campeonatos estaduais. Disputou a Copa do Mundo de 1982 pela seleção e foi titular, mas saiu abalado daquele mundial após a má partida contra a Itália. No Atlético, porém, Luisinho jamais deixou o torcedor na mão e foi ídolo. Foram 537 jogos e 21 gols com o manto atleticano.

Jorge Valença: lateral-esquerdo de muita raça e vigor físico, Valença incorporava o estilo de garra do Atlético como ninguém. Apoiava bem o ataque e ajudava na marcação ao seu estilo, sempre com força e sem firulas. Foi ídolo da torcida entre 1979 e 1986.

Geraldo: volante de muita pegada, Geraldo jogou no Galo entre 1977 e 1982 e conquistou cinco dos seis títulos estaduais do alvinegro no período. Dava a proteção no meio de campo para que Cerezo se mandasse para o ataque.

Chicão: depois de ser um dos algozes do Atlético na final do Brasileiro de 1977 e despertar a ira da torcida mineira por dar um pisão no atleticano Ângelo naquele jogo, o volante Chicão conseguiu virar ídolo dos alvinegros entre 1980 e 1981. Com sua habitual raça e imponência física, comandou o meio de campo do time no Brasileiro de 1980 e ajudou a equipe na campanha do vice-campeonato nacional. Foi bicampeão estadual pelo Galo.

Heleno: cria do Atlético, Heleno foi um dos muitos meio-campistas de talento que o Galo revelou naqueles anos 70. Jogou de 1971 até 1985 no clube e faturou 11 títulos com a camisa alvinegra. Era especialista em lançamentos de longa distância.

Toninho Cerezo: um dos maiores volantes da história do futebol brasileiro em todos os tempos começou no Atlético sua trajetória de sucesso. Em Minas, Cerezo foi ídolo eterno e realizou partidas memoráveis com seu jeito desengonçado, mas cheio de técnica, precisão, visão de jogo e apoio ao ataque. Transmitia muita segurança para os companheiros e foi um símbolo de uma época de ouro do Atlético. Disputou 400 jogos pelo Galo e marcou 53 gols, além de ter conquistado sete títulos estaduais. Quando saiu do Galo, em 1983, foi ser ídolo e campeão por Roma-ITA, Sampdoria-ITA e São Paulo-BRA.

Paulo Isidoro: com um fôlego invejável e um motorzinho no meio de campo e ataque do Galo, Paulo Isidoro foi um dos grandes craques do time nos anos 70. Foi campeão mineiro em 1976 e 1978 e em sua segunda passagem pelo time em 1985 e 1986. Tinha habilidade e marcava gols importantes. Disputou 399 jogos e marcou 98 gols com a camisa alvinegra.

Palhinha: era o responsável por armar as jogadas daquele Atlético de 1980-1981 para que Éder e Reinaldo acabassem com as zagas rivais. Disputou 77 jogos pelo Galo e marcou 27 gols. Tinha muita habilidade, visão de jogo e velocidade. Foi outro que conseguiu a façanha de ser ídolo no Cruzeiro e no Atlético.

Pedrinho: era uma flecha pelo lado direito do ataque do Galo e infernizava as zagas adversárias. Abria brechas para Reinaldo fazer a festa com gols. Foi tricampeão mineiro pelo Galo e marcou 24 gols em 110 jogos.

Renato Queiróz: foram 213 jogos pelo Atlético e cinco títulos estaduais conquistados, além de torneios amistosos pela Europa. Ajudou a compor o meio de campo da equipe entre 1977 e 1984.

Reinaldo: rei e maior artilheiro do Mineirão (157 gols), maior artilheiro da história do Atlético (255 gols), maior artilheiro da história do clássico Atlético x Cruzeiro (16 gols), maior temor dos zagueiros brasileiros nos anos 70… Reinaldo foi um mito no Galo e um ídolo irresistível e incontestável para qualquer atleticano da face da terra. Driblador, letal dentro e fora da área, arisco, rápido, talentoso, gênio. Adjetivos não faltam para classificar o futebol daquele atacante nascido para jogar no Clube Atlético Mineiro. Foram 255 gols em 475 jogos pelo Galo e oito títulos estaduais conquistados, além dos torneios amistosos. Merecia sorte melhor nos Campeonatos Brasileiros e na seleção. Teve a carreira abreviada por causa de seguidas lesões. Um craque imortal que você pode conhecer melhor clicando aqui.

Dario: folclórico, dono de frases de efeito, simplesmente letal de cabeça e muito bom de bola. Dadá Maravilha só não fez chover no ataque do Atlético, onde marcou 211 gols em 290 jogos, se tornando o segundo maior artilheiro da história do clube, perdendo apenas para a lenda Reinaldo. Dadá era o típico centroavante matador, daqueles que guarda a bola dentro do gol em qualquer vacilo da zaga. É torcedor fanático do clube, ídolo incontestável da torcida e autor do gol mais importante do clube até hoje: o do título brasileiro de 1971.

Éder: chegou em 1980 para se tornar o maior ponta-esquerda da história do clube. Fazia cruzamentos sensacionais, tinha um petardo espetacular na perna esquerda e uma habilidade rara, além de muita força, raça e gana para vencer. Realizou um sonho ao jogar no Galo naquele início de anos 80, pois era torcedor atleticano desde criança. Disputou 368 jogos pelo clube entre 1980-1985 e 1989-1990 e marcou 122 gols. Conquistou cinco títulos estaduais, vários torneios amistosos e o coração dos atleticanos (e das atleticanas) no período.

Barbatana, Procópio Cardoso, Carlos Alberto Silva e Mussula (Técnicos): depois de Telê Santana, Procópio e Barbatana são os treinadores que mais vezes comandaram o Galo na história com 328 e 227 jogos, respectivamente. Ambos foram vencedores, transmitiram o espírito vencedor aos jogadores e mantiveram a sina vencedora do clube por anos a fio. Procópio comandou o Galo no início do hexacampeonato estadual entre 1978 e 1980 e Barbatana deixou uma ótima herança para o companheiro em 1978 e manteve a pegada em 1982, junto com Carlos Alberto Silva. Em 1983, Mussula encerrou a era de ouro com o título estadual de 1983.

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Extras:

Merecia o caneco

Veja os gols da final do Brasileiro de 1980, quando Reinaldo marcou duas vezes e por muito pouco não deu o título ao Galo.

 

Chocolate francês

Veja os gols do baile atleticano pra cima do PSG em 1982.

 

Tetra

Veja os gols que garantiram o tetracampeonato mineiro ao Galo.

 

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12 thoughts on “Esquadrão Imortal – Atlético-MG 1978-1983

  1. Meus parabéns pelo projeto !!!! Faz um bom tempo (digo anos) que procurava na net algum material semelhante, de qualidade e sem chacrinha, e sempre fragmentado, juntando um pedçao aqui, outro ali; cresci adorando a cultura em torno futebol: os escudos, as uniformes, as lendas,os mitos… e hoje em dia não existe mais esta paixão pela cultura do futebol; os ‘ídolos’ são fabricados e tal..
    Que tal expandir cada vez mais e passar a também falar dos mantos sagrados, dos estádios, dos escudos, porque estou adorando este trabalho. Parabéns de novo

    1. Olá André! Muito obrigado pelos elogios! Suas sugestões são ótimas e muito bem vindas. Num futuro próximo, o Imortais terá outras histórias e editorias. Só não amplio mais por falta de tempo, grana e pessoal (faço tudo sozinho). Obrigado e continue sempre por aqui! Abraços

    2. João Leite na final do Brasileiro de 1980, foi um desastre. Reparem nos três gols do Mengo o que ele fez…no terceiro foi um frango pois, goleiro que toma gol como o Nunes fez nele…muitos gols que JOÃO LEITE TOMOU, foi devido suas saídas adiantadas que, se estivessa na pequena área, não teria tomado tantos gols…

  2. foi por causa desta máquina de jogar futebol que me tornei atleticano!!!!!……………por esse time é que somos o maior de minas e um dos maiores do brasil!

  3. Sensacional o trabalho cara, sem palavras. Impossível acessar este acervo imenso e não se emocionar. Só 2 coisas a dizer com toda a certeza após ler e ver essa página: 1) Eu tenho orgulho imenso e inenarrável em ser Atleticano, 2) Eu odeio os Mulambos malditos!

  4. Parabéns Flamengo! Os seus 3 maiores ídolos surgiram nos anos 80. Vamos ao pódio: Medalha de Bronze: Zico!(Pode ter sido o melhor jogador da história do time, mas não o principal responsável pelos títulos). Medalha de Prata: José de Assis Aragão!(Esse provoca o maior roubo da história até então, mas no ano seguinte viria um roubo mais aberrante). Medalha de Ouro: José Roberto Wright!(Esse é o cara que consegue a façanha de provocar o maior assalto de todos os tempos. O verme expulsa vários jogadores do Galo sem motivo, só pra terminar o jogo e colocar o Menguinho na final. Um escandalo eterno!). Mas mesmo com os roubos dos Urubus, esse Galo não deixou de ser um time pra sempre. Parabéns Galo!

  5. Belo Horizonte, 21 de Maio de 2016. Vamos voltar no tempo? VEJAM O UNIFORME DO GALO NA FOTA ONDE NELINHO ESTÁ COMO LATERAL…é o uniforme mais belo que o Galo teve. Hoje en dia, inventam demais os criadores e dá essa merda que é a camisa atual do Galo…

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