Craque Imortal – Schmeichel

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Nascimento: 18 de Novembro de 1963, em Gladsaxe, Dinamarca.

Posição: Goleiro

Clubes: Gladsaxe-Hero BK-DIN (1981-1983), Hvidovre IF-DIN (1984-1986), Brondby IF-DIN (1987-1991), Manchester United-ING (1991-1999), Sporting Lisboa-POR (1999-2001), Aston Villa-ING (2001-2002) e Manchester City-ING (2002-2003).

Principais títulos por clubes:

4 Campeonatos Dinamarquês (1987, 1988, 1990 e 1991-Superliga) e 1 Copa da Dinamarca (1989) pelo Brondby.

1 Liga dos Campeões da UEFA (1998-1999), 1 Supercopa da UEFA (1991), 5 Campeonatos Inglês (1992-1993, 1993-1994, 1995-1996, 1996-1997 e 1998-1999), 3 Copas da Inglaterra (1993-1994, 1995-1996 e 1998-1999), 1 Copa da Liga Inglesa (1991-1992) e 4 Supercopas da Inglaterra (1993, 1994, 1996 e 1997) pelo Manchester United.

1 Campeonato Português (1999-2000) e 1 Supercopa de Portugal (2000) pelo Sporting.

1 Copa Intertoto (2001) pelo Aston Villa.

Principal título por seleção: 1 Eurocopa (1992) pela Dinamarca.

 

Principais títulos individuais:

Eleito o Goleiro do Ano pela UEFA: 1992, 1993, 1997 e 1998

Melhor Goleiro do Mundo pela IFFHS: 1992 e 1993

Futebolista Dinamarquês do Ano: 1990, 1993 e 1999

Eleito para o Hall da Fama do Futebol Inglês: 2003

Goleiro Dinamarquês do Ano: 1987, 1988, 1990 e 1992

Eleito para o Dream Team da década da Liga dos Campeões da UEFA (1992-2002): 2002

Eleito para o Time do Século do Campeonato Inglês (1907-2007): 2007

Premiado no Premier League Awards da década (1993-2002) e eleito para o Time da Década e autor da Defesa da Década no jogo Manchester United 1×0 Newcastle, em 21 de dezembro de 1997

Eleito em uma pesquisa da Reuters com mais de 200 mil pessoas o Melhor Goleiro de Todos os Tempos: 2001

Eleito para o Time dos Sonhos do aniversário de 20 anos da Premier League: 2012

Eleito o 7º Melhor Goleiro do Século XX pela IFFHS

Eleito o 7º Melhor Goleiro do Século XX na Europa pela IFFHS

FIFA 100: 2004

“The Great Dane”

Ser atacante de futebol nos anos 80 e 90 na Europa, mais precisamente na Inglaterra, deve ter sido bem complicado. Não por causa de falta de dinheiro ou crises, longe disso. Deve, ou melhor, foi complicado para aqueles que encararam o Manchester United entre os anos de 1991 e 1999 e toparam com um dinamarquês gigantesco, imponente e incrivelmente elástico debaixo das traves. Ele tinha 1,93m de altura, 105 kg, era dono de mãos e pés enormes e uma presença física que intimidava qualquer um e que lhe rendeu o apelido de “The Great Dane” (O Grande Dinamarquês). Marcar um gol naquele goleiro era tarefa para poucos. Sorte do United e da seleção dinamarquesa, que tiveram o privilégio de ter em seus elencos Peter Boleslaw Schmeichel, ou simplesmente Peter Schmeichel, um dos maiores goleiros de todos os tempos, um mito dos anos 90 e reverenciado por gerações e gerações. Ícone do gol e adorado até mesmo pelos torcedores rivais, Schmeichel tinha particularidades e qualidades que o consagraram no esporte para sempre. Além de elástico, rápido, frio, pegador de pênaltis, ótimo nas saídas de bola e até artilheiro, Schmeichel foi um vencedor nato, tinha personalidade, espírito vencedor, carisma e tudo o que um ídolo do esporte deve ter. Conquistou títulos em seu país, por sua seleção e pelo Manchester United, incluindo uma espírita Liga dos Campeões da UEFA em 1999, na épica decisão contra o Bayern München-ALE no Camp Nou. É hora de relembrar os feitos de um dos maiores nomes do futebol mundial.

 

No caminho dos ídolos

Schmeichel agarra a bola em começo de carreira: prodígio.
Schmeichel agarra a bola em começo de carreira: prodígio.

 

Nascido em Gladsaxe, município próximo de Copenhagen, Peter Schmeichel tinha desde cedo vários ídolos no futebol – e todos eles goleiros. O maior de todos para o dinamarquês foi Gary Bailey, inglês que defendeu por quase uma década o Manchester United-ING, clube pelo qual Schmeichel simpatizava. Além de Bailey, o dinamarquês tinha como referências os alemães Sepp Maier e Tony Schumacher e o inglês Peter Shilton. Com talento desde pequeno e uma base de inspiração da mais alta qualidade, Schmeichel começou a jogar no clube de sua cidade, o Gladsaxe-Hero, onde conheceria sua futura esposa e filha do técnico Svend Aage Hansen, que o lançou na equipe principal do Gladsaxe em 1981. Os primeiros anos do goleiro, no entanto, não foram nada bons. Enquanto não conseguia uma chance num grande clube do país, Schmeichel teve de trabalhar de tudo um pouco: faxineiro de asilo, ajudante em uma fábrica de tecidos e até na ONG World Wildlife Fund (WWF). Schmeichel ainda prestou o serviço militar e foi ajudante na fábrica de pisos de seu sogro, mas logo deixou o serviço ao ver que o excesso de pesos das caixas (95 kg!) iria acabar com seus joelhos e, claro, com sua futura carreira. Tempo depois, o goleiro conseguiu se transferir para o Hvidovre, onde se destacava praticamente sozinho num time fraco e sem perspectivas de sucesso. Mas as atuações do goleiro logo despertaram o interesse do Brondby, que contratou aquele jovem gigante em 1987.

 

Títulos e seleção

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No Brondby, Schmeichel começou a mostrar para a Dinamarca o quão bom ele era. Mesmo gigantesco, o goleiro tinha uma flexibilidade fascinante, reflexos apuradíssimos e muita segurança, além de uma presença física intimidadora. Sua qualidade refletiu diretamente no desempenho do Brondby naqueles anos e a equipe conquistou quatro campeonatos nacionais e uma Copa nacional entre 1987 e 1991, com Schmeichel sendo alçado como um dos maiores jogadores do país ao mesmo nível de Michael Laudrup, Brian Laudrup e outros. Para se ter uma ideia, nas campanhas dos quatro títulos nacionais conquistados pelo Brondby no período, em todas a equipe teve a melhor defesa da competição. “Culpa” de Schmeichel…

Em 1987, o goleiro recebeu sua primeira convocação para a seleção comandada por Sepp Piontek. Schmeichel integrou a Dinamarca que disputou a Euro de 1988, como reserva, e viu sua equipe ser eliminada ainda na fase de grupos. Além dos títulos com o Brondby, o goleiro ganhou entre 1987 e 1990 vários prêmios individuais na Dinamarca, incluindo o de melhor jogador do ano. Mas a grande temporada do goleiro, e de seu Brondby, foi em 1990-1991. A equipe fez uma campanha memorável na Copa da UEFA ao eliminar Eintracht Frankfurt-ALE (com um 5 a 0 na partida de ida, na Dinamarca), Ferencvaros-HUN (3 a 0 e 1 a 0), Bayer Leverkussen-ALE (3 a 0 e 0 a 0) e Torpedo Moscow-RUS, quando a equipe dinamarquesa venceu nos pênaltis após uma atuação decisiva de Schmeichel, que pegou duas cobranças dos russos.

Na semifinal, o Brondby encarou a Roma-ITA. Depois de um empate sem gols no primeiro jogo, em Copenhagen, a equipe empatava em 1 a 1 com os italianos em Roma até os minutos finais do jogo, resultado que colocava os dinamarqueses em uma incrível final. Mas o alemão Rudi Völler desmanchou o sonho de Schmeichel e fez o gol da vitória por 2 a 1. A derrota foi muito sentida principalmente pelo fato de a equipe do Brondby ter feito uma campanha mágica, com pouquíssimos gols sofridos e grandes atuações de Schmeichel. Mas o revés não teria apenas um lado negativo para o goleiro. Sua participação naquela competição serviu como vitrine para que Alex Ferguson encontrasse o arqueiro que ele tanto precisava no Manchester United. E um sonho de infância de Schmeichel estava prestes a se realizar.

 

“Negócio do século”

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Depois de anos no ostracismo e vivendo nas sombras dos rivais, o Manchester United estava disposto a tudo para acabar de vez com o jejum de títulos nacionais na Inglaterra e também na Europa. O processo de ressurgimento começou em 1986 com a chegada de Alex Ferguson, técnico que trouxe Peter Schmeichel para Old Trafford em 1991 num negócio extremamente rentável para o clube inglês. A equipe pagou ao Brondby cerca de 505 mil libras, valor irrisório para um goleiro de tanta qualidade. Ferguson declarou em 2000 que a compra de Schmeichel foi o “negócio do século” para o clube. E foi mesmo. Ainda pouco conhecido fora da Dinamarca e por vários de seus companheiros de United naquela época, Schmeichel provou com trabalho, carisma e defesas espetaculares que era um goleiro especial. Já em 1991 ele venceu a Supercopa da UEFA na vitória por 1 a 0 sobre o então campeão europeu Estrela Vermelha-IUG. O goleiro conquistou a titularidade quase que instantânea no time de Ferguson naquela temporada. Mas seria em 1992 que o goleiro se consagraria de vez como o melhor do mundo.

 

Para ser o rei da Europa

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Schmeichel e a seleção da Dinamarca contaram com a sorte para participar da fase final da Eurocopa de 1992. Depois de uma boa campanha na fase preliminar, a equipe ficou atrás da Iugoslávia na classificação e perdeu a vaga. No entanto, os iugoslavos foram desclassificados do torneio por conta da guerra que assolava o país na época e a vaga caiu no colo dos dinamarqueses. Com isso, a seleção aproveitou a chance de ouro para não fazer feio. Sem Michael Laudrup, que deixou a equipe por conta de desavenças com o treinador da seleção Richard Nielsen, a equipe vermelha se apoiou no talento do irmão de Michael, Brian, além da forte zaga capitaneada pelo goleirão Schmeichel para brilhar. A estreia na Euro foi contra a Inglaterra em um jogo sem gols. A partida seguinte foi contra a Suécia, dona da casa, e a Dinamarca perdeu por 1 a 0. O time tinha que vencer a grande França de Amoros, Blanc, Deschamps, Boli, Cantona e Papin para seguir na competição. E venceu. Larsen abriu o placar para a Dinamarca no começo do primeiro tempo, mas Papin empatou para a França no segundo. Perto do final de jogo, o reserva Elstrup fez o segundo gol que garantiu a classificação dos dinamarqueses e eliminou a França, que não venceu nenhum dos três jogos. Era hora da semifinal.

 

Classificação épica

Schmeichel no gol: van Basten tremeu.
Schmeichel no gol: van Basten tremeu.

 

A Dinamarca teve pela frente a então campeã europeia, Holanda, que tinha a mesma base de 1988: Koeman, Rijkaard, Van Breukelen, Gullit, van Basten e os novatos Frank de Boer e Bergkamp. Um timaço. Mas a Dinamarca não se intimidou e tratou de fazer jogo duro contra os laranjas. Larsen abriu o placar para os vermelhos aos cinco minutos. Aos 23´, Bergkamp empatou. Dez minutos depois, Larsen fez mais um. No segundo tempo, Rijkaard empatou para a Holanda, levando a decisão para os pênaltis. A Dinamarca deu uma aula de como bater penalidades e converteu todas as cobranças. Do lado holandês, van Basten perdeu sua cobrança, ou melhor, Schmeichel a defendeu, garantindo o placar em 5 a 4 para a Dinamarca. Na final, seria necessária uma nova façanha: derrotar os alemães, campeões do mundo.

 

Feito (s) histórico (s)

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A cidade de Gotemburgo viu naquele dia 26 de junho de 1992 a consagração surpreendente da Dinamarca. Com gols de Jensen, aos 18´, e Vilfort, aos 78´, os vermelhos derrotaram a favorita Alemanha por 2 a 0 e ficaram com o título inédito da Eurocopa. Mais do que a vitória, o público que acompanhou aquela final presenciou uma atuação épica de Peter Schmeichel, que fez defesas emblemáticas, agarrou um cruzamento com uma só mão e bloqueou toda e qualquer investida alemã em sua área. O goleiro foi um monstro e teve participação mais do que decisiva para o título dos dinamarqueses. Ainda naquele ano, Schmeichel ganhou o prêmio de melhor goleiro do mundo, feito que se repetiria em 1993. Uma pena que sua seleção não conseguiu vaga na Copa do Mundo de 1994, pois do jeito que as “zebras” aprontaram naquele mundial, a Dinamarca com certeza iria bem longe.

 

Coleção de títulos. E defesas

Schmeichel voa espetacularmente: vê-lo em ação era um show da mais pura arte.
Schmeichel voa espetacularmente: vê-lo em ação era simplesmente inesquecível.

 

Nos anos seguintes, Schmeichel seguiu jogando em alto nível e foi beneficiado pelo timaço construído pelo United. Foram várias taças nacionais, partidas memoráveis e craques de todas as qualidades em campo. Na primeira conquista do Campeonato Inglês, em 1992-1993, Schmeichel foi fundamental para o título ao ficar 22 dos 42 jogos disputados no torneio sem levar gols, totalizando apenas 31 gols sofridos (melhor defesa do torneio). Em 1994, o goleiro teve uma pequena desavença com Ferguson após um empate em 3 a 3 com o Liverpool, quando esbravejou com os companheiros e entrou em atrito com o treinador, que pensou até em vender o goleiro. Porém, Schmeichel se desculpou com os colegas, Ferguson gostou da atitude do dinamarquês e todos se uniram novamente para uma nova conquista da Premier League naquele ano. O goleiro mostrava na Inglaterra tanta gana para vencer que costumava ir até as áreas adversárias nos minutos finais para tentar marcar gols de cabeça em cobranças de escanteio sempre que seu time estivesse empatando ou perdendo o jogo. Esse artifício Schmeichel já tinha desde os tempos de futebol dinamarquês, quando marcou alguns gols pelo Hvidovre e Brondby. Pelo United, o goleiro marcou um único gol, pela Copa da UEFA de 1995-1996, quando empatou um jogo em 2 a 2 contra o Rotor Volgograd-RUS aos 44´do segundo tempo, mas que de nada adiantou para classificar os ingleses, que perderam pelo critério de gols marcados para os russos.

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Entre 1996 e 1998, Schmeichel viveu talvez seu auge como goleiro. O arqueiro dinamarquês fez defesas sensacionais e passou a colecionar obras primas embaixo das traves. Uma dessas defesas, num jogo contra o Newcastle United em 21 de dezembro de 1997, rendeu ao “Great Dane” o prêmio de “defesa da década” na Premier League, após uma cabeçada mortal de um jogador da equipe alvinegra. Aliás, Schmeichel foi um especialista em defender bolas cabeceadas contra sua meta na carreira. Suas melhores performances foram exatamente nessa “modalidade”.

Schmeichel e Ferguson: dupla imortal do United.
Schmeichel e Ferguson: dupla imortal do United.

 

Temporada “trinesquecível”

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Prestes a encerrar seu ciclo no United, Schmeichel viveu momentos mágicos na temporada 1998-1999. O único desapontamento do arqueiro foi pela seleção dinamarquesa, quando disputou sua primeira e única Copa do Mundo na França, em 1998, mas nada pôde fazer para evitar a eliminação nas quartas de final contra o Brasil de Rivaldo por 3 a 2. Aquela foi a única Copa do goleiro, que se despediria da seleção em 2001. Antes disso, no entanto, Schmeichel brilhou no United. Na Copa da Inglaterra, os Red Devils superaram Middlesbrough, Liverpool, Fulham e Chelsea até chegar à semifinal contra o rival Arsenal. O empate sem gols forçou a realização de uma nova partida, que seria tensa, com expulsões e cheia de história. Beckham abriu o placar para o MU aos 17´do primeiro tempo, num chutaço de fora da área. O Arsenal não se abateu e empatou com Bergkamp, aos 69´, também num grande chute de longe. No final do jogo, pênalti para o Arsenal. Se o time londrino fizesse, estaria na final. O frio e calculista Bergkamp foi para a bola… E Schmeichel defendeu de maneira primorosa! A torcida do Manchester explodiu em alegria! Com o empate em 1 a 1, o jogo foi para a prorrogação. Os times continuaram plenos no ataque, afinal, com tantos craques em campo, não havia outra possibilidade. Schmeichel seguiu fazendo milagres e evitando um gol do Arsenal.

Schmeichel defende o pênalti de Bergkamp: sublime e sem se adiantar um centímetro sequer.
Schmeichel defende o pênalti de Bergkamp: sublime e sem se adiantar um centímetro sequer.

 

Foi então que no segundo tempo da prorrogação, Ryan Giggs aproveitou um passe errado no meio de campo, foi conduzindo a bola ao ataque, passou por um, dois, três, quatro e chutou pro gol de Seaman, sem chances de defesa: GOLAÇO do Manchester United!!! O lado Red Devil do estádio Villa Park, em Birmingham, era puro delírio: 2 a 1. E Manchester na final da Copa da Inglaterra, que seria vencida por 2 a 0 sobre o Newcastle United do astro Alan Shearer.

 

“Premier Devils”!

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Antes de levantar a taça da Copa da Inglaterra, o MU faturou o torneio nacional com um ponto de diferença sobre o rival Arsenal. Foram 22 vitórias, 13 empates e apenas 3 derrotas em 38 jogos. Novamente campeão, faltava ao time e a Schmeichel um último desafio: a Liga dos Campeões da UEFA.

O Manchester United começou sua caminhada europeia na fase preliminar, enfrentando o Lódz, da Polônia. O time inglês venceu o primeiro jogo por 2 a 0 e segurou um empate sem gols na Polônia. Classificado, o MU foi para o grupo D, ao lado de Bayern München (ALE), Barcelona (ESP) e, veja só, Brondby (DIN), o clube responsável por revelar Schmeichel para o futebol europeu. A equipe inglesa foi bem, não teve dó alguma do time dinamarquês (duas vitórias, 6 a 2 e 5 a 0) e avançou até as quartas de final. Nela, o United eliminou a Internazionale-ITA e depois a Juventus-ITA até chegar à decisão da maior competição europeia depois de 31 anos. O adversário seria um velho conhecido, lá da fase de grupos: o Bayern München.

 

Duelo de titãs

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Com mais de 90 mil pessoas, o estádio Camp Nou, em Barcelona, foi o palco da grande final da Liga dos Campeões da UEFA de 1998-1999. De um lado, o Bayern München, que tentava seu quarto título europeu. Do outro lado, o Manchester United, lutando pelo bicampeonato e pelo fim de uma escrita incômoda: desde 1984 que um time inglês não vencia o principal torneio do continente. O jogo seria mágico. E foi.

O Bayern começou melhor e abriu o placar logo de cara, num gol de falta marcado por Basler aos seis minutos sem chances para Schmeichel. A equipe inglesa sentiu o baque e sofreu constantes ataques dos alemães, que mandaram bola na trave e pararam nas defesas do goleirão dinamarquês. Será que o Manchester perderia mesmo o título e a chance da tríplice coroa? Não. Aos 67´, Alex Ferguson começaria a mudar para sempre a história do time inglês.

 

Sobrenaturais da bola

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Quando o jogo caminhava para seus momentos finais, Ferguson foi para o tudo ou nada. Tirou Blomqvist e colocou Sheringham, e sacou Cole para a entrada de Solskjaer. Mal sabia (ou sabia?) o treinador que aqueles substitutos fariam história no abarrotado Camp Nou. Aos 46´do segundo tempo, já nos três minutos de acréscimo sinalizados pelo árbitro Pierluigi Colina, o Manchester United teve um escanteio a seu favor. O goleiro Schmeichel, como de praxe, foi até a área para tentar algo para o time inglês. Com praticamente 21 homens na área do Bayern, Beckham cobrou, a bola foi rebatida mal pela zaga alemã e ela sobrou para Sheringham empatar o jogo: 1 a 1. O estádio explodiu. E o Bayern ficou atordoado. Parecia que a partida iria para a prorrogação. Mas só parecia. Perto dos 48 minutos, novo escanteio para o MU. Era o último lance do jogo. De novo Beckham na bola. Ele chutou… Ela voou… E foi de encontro aos pés de Solskjaer. GOL!!! O Manchester United, nos três últimos minutos da final, fazia os dois gols da virada por 2 a 1. Ninguém acreditava! O estádio espanhol via a mais emocionante decisão de Liga dos Campeões da história (até um certo milagre de Istambul aparecer, em 2005, na final Milan e Liverpool…) terminar com a apoteose do maior esquadrão da Europa naquela temporada: o Mancheter United, depois de 31 anos, campeão europeu! Os reservas escolhidos por Ferguson faziam história, assim como o MU, que se tornava o primeiro clube na Inglaterra a conquistar a tríplice coroa (Campeonato Inglês, Copa da Inglaterra e Liga dos Campeões).

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Era o auge dos Red Devils e a taça tão sonhada por Schmeichel, que encerrava seu ciclo na equipe como campeão da Europa. Na hora de erguer o troféu, o goleiro (que era capitão) fez questão de levantar a “velhinha orelhuda” junto com o técnico Alex Ferguson, num gesto de gratidão por tudo o que ele havia proporcionado ao dinamarquês, num momento épico e inesquecível para qualquer torcedor.

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Rotina vencedora em Portugal

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Campeão europeu, Schmeichel decidiu mudar de ares na temporada 1999-2000 e foi jogar no Sporting-POR. Depois que o dinamarquês deixou o United, o clube inglês demorou vários anos para encontrar um substituto à altura, o que aconteceria apenas em 2005, quando Ferguson trouxe o holandês Edwin van der Sar. Jogando pelo Sporting, Schmeichel conseguiu contribuir para o fim do jejum de 18 anos sem taças do campeonato nacional da equipe alviverde, que teve, claro, a melhor defesa da competição com apenas 22 gols sofridos em 34 jogos. Schmeichel, mesmo com 36 anos, jogava em alto nível e era exemplo para muitos novatos do esporte. Em 2000, ele marcou o primeiro e único gol pela seleção, de pênalti, num jogo contra a Bélgica. Na temporada 2000-2001, o goleiro viveu pela primeira vez em 14 anos uma situação inusitada: seu clube ficou numa posição abaixo do segundo colocado no campeonato nacional. O goleiro pensou ao término daquela temporada em encerrar a carreira, mas aceitou uma proposta do Aston Villa-ING e voltou ao futebol inglês já em 2001.

 

Últimos anos e aposentadoria

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No Aston Villa, Schmeichel passou longe de títulos, conquistando apenas uma pequenina Copa Intertoto. Foi no clube de Birmingham que Schmeichel marcou seu primeiro e único gol na Premier League, na derrota por 3 a 2 para o Everton. Ele foi o primeiro goleiro a celebrar um gol na história do torneio. A passagem do dinamarquês pelo Aston Villa foi curta, e em 2002 ele foi jogar em seu último clube na carreira, o Manchester City. Pela equipe celeste, Schmeichel chegou a enfrentar seu ex-clube, o United, e manteve uma escrita memorável: a de jamais perder um só derby de Manchester, seja pelo United, seja pelo City. Em 2003, perto de completar 40 anos, Schmeichel decidiu se aposentar do futebol e seguiu no mundo do esporte ao comprar um de seus ex-clubes na Dinamarca, o Hvidovre, ser comentarista esportivo na BBC e apresentador de diversos outros programas, sempre com seu bom humor e carisma. O filho de Schmeichel, Kasper, segue os passos do pai e também é goleiro.

 

Mito e imortal

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Peter Schmeichel foi, sem dúvida alguma, um dos maiores goleiros da história do futebol e presente em qualquer lista dos 10 melhores de todos os tempos. Com todas as qualidades necessárias num goleiro, além de muita segurança, brio e imponência, o dinamarquês foi um símbolo por onde passou e considerado o melhor goleiro da história da Dinamarca e do Manchester United, clube no qual ele ficou incríveis 42% das 398 partidas disputadas sem levar um gol sequer. Alex Ferguson, comandante do goleiro entre 1991 e 1999, foi categórico ao descrever as habilidades de Schmeichel:

“Ele era capaz de defesas realmente alucinantes. Tinha reflexos esplêndidos para um homem tão grande. E usava o tamanho a seu favor. Ninguém ficava tão grande quanto ele. Eu perdi as contas de quantas vezes vi atacantes travarem quando Schmeichel deixava o gol para fechar o ângulo.”Alex Ferguson, ao site da FIFA.

Travar era pouco, Ferguson. Os atacantes ficavam aterrorizados com aquele gigante. Ídolo, craque e imortal.

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Números de destaque:

Disputou 129 partidas pela seleção da Dinamarca. É o recordista em jogos pela equipe.

Disputou 398 jogos pelo Manchester United.

Marcou 11 gols em sua carreira profissional: 1 pela Dinamarca, 1 pelo Manchester United, 1 pelo Aston Villa, 2 pelo Brondby e 6 pelo Hvidovre.

ZF

 

Extras:

 

Save of the decade

Veja a defesa da década de Schmeichel em 1997.

 

Veja abaixo momentos marcantes do goleiro:

 

Schmeichel “a lá” Gordon Banks

 

Schmeichel e Giggs garantem triunfo sobre o Arsenal

 

Grandes defesas

 

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3 thoughts on “Craque Imortal – Schmeichel

  1. meu deus!!esse cara realmente existe??existe i e o melhor do mundo!!eu conhecia ele so do pes mas era pelo nome shirawtel!!ele e meu goleiro favorito!..na master liga ele nunka mi dexou na mao!eu treno di goleiro..e esse cara vai ser minha inspiraçao!! Schmeichel eu te amo cara!!voce e meu heroi!!

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