Técnico Imortal – Brian Clough

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Nascimento: 21 de março de 1935, em Middlesbrough, Inglaterra. Faleceu em 20 de setembro de 2004, em Derby, Inglaterra.

Times que treinou: Hartlepools United-ING (1965-1967), Derby County-ING (1967-1973), Brighton & Hove Albion-ING (1973-1974), Leeds United-ING (1974) e Nottingham Forest-ING (1975-1993).

Principais títulos por clubes: 1 Campeonato Inglês (1971-1972) e 1 Campeonato Inglês da Segunda Divisão (1968-1969) pelo Derby County.

2 Ligas dos Campeões da UEFA (1978-1979 e 1979-1980), 1 Supercopa da UEFA (1979), 1 Campeonato Inglês (1977-1978), 4 Copas da Liga Inglesa (1977-1978, 1978-1979, 1988-1989 e 1989-1990) e 1 Supercopa da Inglaterra (1978) pelo Nottingham Forest.

Principais títulos individuais: Eleito o técnico do ano pela LMA: 1977-1978

Eleito um dos 1000 maiores esportistas do século XX pelo jornal The Sunday Times

Eleito para o Hall da Fama do Futebol Inglês: 2002

“Carismático, polêmico e inigualável”

Imagine um técnico de futebol que assume o comando de um time apenas mediano, consegue levá-lo para a primeira divisão nacional no ano seguinte, conquista esta mesma divisão logo de cara e obtém uma vaga para a maior competição do continente. Nela, supera todos os adversários e conquista o título. Para provar que nada fora um acidente, esse técnico leva seu pequenino clube ao bicampeonato continental e prova que ele e seus comandados tinham valor. Pura competência e exemplo maior de que nada é impossível, basta ter força de vontade, organização, foco e talento, claro. Brian Howard Clough, mais conhecido como Brian Clough, fez tudo isso e muito mais. Ele conseguiu ser idolatrado e reverenciado por dois clubes rivais, ganhou estátuas, nome de rodovia e se transformou em uma das maiores lendas do futebol inglês e mundial ao levar o modestíssimo Nottingham Forest a títulos inacreditáveis no final dos anos 70, sendo o bicampeonato da Liga dos Campeões da UEFA o mais marcante de todos. Carismático, sem papas na língua, energético e um entusiasta nato, Clough mostrou como extrair o máximo de um grupo de atletas em busca de ideais restritos a estrelas ou grandes clubes de futebol. Além disso, foi um dos pioneiros na gestão de um time fora das quatro linhas, cuidando de contratações, melhorias estruturais e afazeres que o transformaram em um verdadeiro “manager”. É hora de relembrar a carreira de um dos mais notáveis treinadores da história.

 

E o goleador foi para o banco

Clough nos tempos de jogador: artilheiro nato e destinado a brilhar em pequenos clubes.
Clough nos tempos de jogador: artilheiro e destinado a brilhar em pequenos clubes.

 

Muito antes de pensar em ser técnico de futebol, Brian Clough cresceu em Middlesbrough, norte da Inglaterra, ao lado dos oito irmãos e sempre ligado nos esportes, dando alguns perdidos na escola e também nos exames. Por conta disso, deixou os estudos aos 15 anos para trabalhar em uma indústria química e depois tentar a sorte nos gramados, além de jogar uma partida ou outra de críquete. Como jogador de futebol, Clough mostrou-se um dos mais prolíficos atacantes do futebol inglês nos anos 50 e início dos anos 60 ao anotar 197 gols em 213 jogos de liga pelo Middlesbrough. Tempo depois, jogou no Sunderland, mas teve de encerrar a carreira com apenas 29 anos por causa de uma ruptura total dos ligamentos cruzados do joelho. Na carreira, Clough marcou 251 gols em 274 jogos, uma incrível média de 0,92 gols por jogo.

Sem demonstrar abatimento, o agora ex-jogador decidiu seguir a carreira de técnico em 1965 para comandar o pequenino Hartlepools United juntamente com uma figura que marcaria para sempre sua vida esportiva: Peter Taylor, assistente de Clough e um dos principais responsáveis pelas contratações do treinador nos clubes onde ele iria trabalhar. Em uma equipe sem dinheiro e na quarta divisão do futebol inglês, Clough não conseguiu grandes resultados (o máximo foi uma oitava posição em 1966-1967), mas pôde perceber como seria a vida do outro lado do balcão. No entanto, ele não ia se submeter às ordens de presidentes e mandatários por conta de seu temperamento forte e estilo próprio de comando. Em 1967, Clough se mandou junto com Taylor para o Derby County, onde começaria uma nova fase: a das vitórias. E dos títulos.

 

Cresce a fama. E os louros

Brian Clough (à esq.) ao lado do eterno parceiro Peter Taylor: façanhas no Derby County.
Brian Clough (à esq.) ao lado do eterno parceiro Peter Taylor: façanhas no Derby County.

 

Quando chegou ao Derby, Clough colocou ordem na casa ao reestruturar por completo o elenco do time e montar uma base que renderia frutos muito em breve. Chegaram jogadores como Roy McFarland, John O´Hare, Alan Hilton e John McGovern. Além dos reforços, Clough fez uma faxina no quadro administrativo do Derby ao demitir secretária, jardineiro e, diz a lenda, até duas senhoras que serviam chá por rirem após uma derrota do Derby (!). O estilo centralizador e ao mesmo tempo sarcástico de Clough conquistou a todos no clube, principalmente os jogadores, que viam no treinador uma figura amiga e que sabia muito bem como conversar e lidar com as mais diversas situações de treino e jogo. Um estilo muito nítido em Clough era o jogo limpo de seus atletas, sem faltas ríspidas, apenas com um futebol bem jogado e em prol de sua equipe. Com muito treino e sempre extraindo o máximo de seus atletas, Clough levou o Derby ao título da segunda divisão inglesa em 1968-1969 e ao nono lugar da primeirona no ano seguinte. Na temporada 1971-1972, Clough conquistou o título do Campeonato Inglês após uma disputa acirradíssima contra Leeds United, Liverpool e Manchester City, decidida apenas na última rodada. A equipe do Derby venceu 24, empatou 10 e perdeu apenas oito dos 42 jogos disputados, com 69 gols marcados e 33 sofridos. Na campanha do título inédito, o time derrotou equipes como Liverpool (1 a 0 em casa), Manchester City (3 a 1 em casa), e os dois clássicos contra o Nottingham Forest por 4 a 0 (em casa) e 2 a 0 (fora). A festa foi enorme na cidade e todo o elenco desfrutou de merecidas férias, com Clough aproveitando o sossego nas Ilhas Scilly (ou Sorlingas), na península de Cornualha, Inglaterra.

A base do Derby County campeão inglês: time competitivo, entrosado e unido.
A base do Derby County campeão inglês: time competitivo, entrosado e unido.

 

Com o título, Brian Clough ficou ainda mais famoso na Inglaterra não só por conseguir levar uma equipe mediana ao topo do futebol do país, mas também pelo jeito ácido de tratar a imprensa e se recusar a responder perguntas tolas, além de sempre exigir que fosse chamado de “Mr. Clough”. No começo da temporada 1972-1973, Clough começou a entrar em atrito com o presidente do Derby ao fechar a contratação de David Nish sem consultar o mandatário do clube. Os cartolas do Derby tinham ainda mais problemas com o técnico muito pelo fato de ele possuir canais diretos na mídia, participar de programas de TV e sempre disparar contra tudo e todos.

 

Boa campanha continental não evita problemas

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Na temporada 1972-1973, Clough conseguiu levar o Derby County até as semifinais da Liga dos Campeões da UEFA após eliminar Zeljeznicar-IUG, Benfica-POR e Spartak Trnava-RCH, mas caiu diante da Juventus-ITA, que venceu o primeiro jogo semifinal por 3 a 1 em casa e segurou um empate sem gols na Inglaterra. Foi nesse embate contra a Juve que Clough disparou contra os repórteres italianos ao dizer que “não falaria com bastardos trapaceiros”, se referindo a um suposto esquema entre os jogadores da equipe de Turim e o árbitro do primeiro jogo semifinal, o alemão Gerhard Schulenburg. Os estresses daquela temporada, a não manutenção do título nacional com o Derby e os atritos quase que diários com o presidente do clube levaram Clough e seu assistente a saírem da equipe em 1973, notícia que abalou demais a torcida da equipe, que via em Clough a pessoa ideal para transformar o time no melhor da década na Inglaterra e um dos poucos capazes de peitar o Liverpool de Bob Paisley.

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Depois de saírem do Derby, Brian Clough e Peter Taylor seguiram em 1973 rumo a mais uma aventura em um time de divisão inferior: o Brighton & Hove Albion, que frequentava a terceira divisão na época. Dessa vez, a dupla não teve como reerguer o pequenino time e fracassaram. Em 1974, Clough foi chamado para assumir o Leeds United, campeão inglês da temporada 1973-1974. Pela primeira vez em um clube grande, o treinador voltou a decepcionar principalmente por não estar ao lado de seu parceiro Peter Taylor, que permaneceu no Brighton e fez muita falta. O Leeds venceu apenas um dos sete jogos que disputou sob o comando de Clough, que criticou duramente o estilo de jogo “sujo e trapaceiro” do Leeds, enraizado desde os tempos de Don Revie no comando dos Peacocks. De setembro até dezembro, Brian Clough ficou sem trabalhar e fez apenas suas aparições na mídia como comentarista. Depois de meses sabáticos, o treinador iria voltar à ativa para seu quinto clube na carreira – e que também seria o último: o Nottingham Forest.

 

A revolução

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Contratado em janeiro de 1975 pelo Nottingham Forest, Brian Clough chegou a um território hostil e pouco convidativo. Ele assumia o rival do time que ele tivera maior sucesso até então (Derby County) e pegava um clube na segunda divisão e com graves problemas financeiros. Além disso, o Forest nunca havia ganhado um campeonato nacional e ostentava apenas duas FA Cup como principais títulos, além de troféus de divisões inferiores. Depois de comandar a equipe por um ano, Clough foi agraciado com a vinda de seu fiel companheiro Peter Taylor em julho de 1976, pessoa que seria fundamental para ajudar o treinador a construir uma base de sucesso que pudesse pelo menos subir de divisão. E eles conseguiram. Com jogadores como Peter Shilton, Viv Anderson, Kenny Burns, Martin O´Neil e John McGovern, o Forest foi sendo arquitetado cuidadosamente por Clough, que não só comandava as ações do time em campo como também voltava a administrar os assuntos burocráticos do clube. A torcida começava a gostar do novo técnico e pressentir um futuro promissor, tanto é que a média de público da equipe aumentou para quase 20 mil pessoas por jogo.

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Na temporada 1976-1977 o Forest conseguiu a sonhada vaga na elite inglesa e na temporada seguinte se tornou um dos pouquíssimos clubes a vencer o Campeonato Inglês um ano após conseguir o acesso à primeira divisão. O time deixou para trás grandes titãs do país como Arsenal, Manchester United e o poderoso Liverpool da época e conquistou seu primeiro título nacional. Um dos pontos altos da campanha foi uma goleada de 4 a 0 pra cima do Manchester United em pleno Old Trafford. Embalado, o time de Nottingham venceu, também em 1978, a Copa da Liga Inglesa e a Supercopa da Inglaterra, ao vencer o Liverpool, por 1 a 0, e o Ipswich Town, por 5 a 0, respectivamente. Três canecos em apenas uma temporada era demais para a fanática torcida do Forest. O título inglês dava, ainda, a chance de o pequenino clube disputar pela primeira vez em sua história a Liga dos Campeões da UEFA.

 

Reforço milionário e saga europeia

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No começo da temporada de 1978-1979, o técnico Brian Clough conseguiu convencer a diretoria do Forest a gastar o dinheiro ganho com as conquistas do Campeonato Inglês e da Copa da Liga Inglesa na contratação do atacante Trevor Francis, do Birmingham City, naquela que foi a primeira contratação de um milhão de libras da história do futebol britânico. Com o mesmo elenco do ano anterior, o Forest entrou na Liga dos Campeões como completo azarão num torneio que era dominado pelo compatriota Liverpool nos dois últimos anos (1977 e 1978). Porém, a competição virou coisa séria logo na primeira partida, contra o então bicampeão Liverpool. O Forest venceu a primeira partida por 2 a 0, gols de Birtles e Barrett, e obteve uma boa vantagem para a volta. Jogando na casa do Liverpool, o Forest conseguiu segurar o ímpeto do adversário e empatou em 0 a 0, obtendo uma surpreendente classificação. O Liverpool, bicampeão da Europa, estava fora da Liga logo na primeira fase. Era o estímulo que o Forest precisava para tratar a competição não mais como um treino, mas sim como “O” principal objetivo na temporada.

Na segunda fase o Forest enfrentou os gregos do AEK Atenas e não teve dificuldades: vitórias por 2 a 1 na Grécia e 5 a 1 na Inglaterra. Nas quartas de final, os ingleses despacharam o Grasshopper, da Suíça, ao vencer o primeiro jogo por 4 a 1 e empatar o segundo em 1 a 1. Nas semifinais, duelo contra o Köln, da Alemanha. No primeiro jogo, na Inglaterra, um show de gols que resultou em empate: 3 a 3. O Forest teria que vencer os alemães na Alemanha se quisesse ir à final. E venceu. Com um gol de Bowyer na segunda etapa, o time inglês garantiu o 1 a 0 e seu lugar na decisão. A glória máxima do continente, por mais incrível que pudesse parecer, estava muito próxima.

 

Improváveis campeões

Trevor Francis marca o gol do título europeu de 1979...
Trevor Francis marca o gol do título europeu de 1979…
...E beija a taça da Liga dos Campeões.
…E beija a taça da Liga dos Campeões.

 

Lembra que no começo da temporada o Forest havia contratado o atacante Trevor Francis? Pois bem, por conta de regras da UEFA, o jogador teve que ficar meses sem jogar competições da entidade. Com isso, ele pôde jogar apenas um jogo da campanha continental do Forest: a final! E foi exatamente de Francis o único gol da final entre Nottingham Forest e Malmö, da Suécia, que garantiu o primeiro e incrível título de campeão europeu ao time inglês – e de maneira invicta. Os ingleses não quiseram disputar o Mundial Interclubes, mas também nem precisavam: a festa era tão grande que a competição foi menosprezada sem dó.

O Nottingham e a coleção de taças de 1979.
O Nottingham e a coleção de taças de 1979.

 

Ainda em 1979, o Nottingham Forest venceu a Supercopa da UEFA ao derrotar o poderoso Barcelona-ESP por 1 a 0 no primeiro jogo, na Inglaterra, e empatar em 1 a 1 no Camp Nou. A conquista somou-se ao bicampeonato da Copa da Liga Inglesa, quando o Forest venceu o Southampton por 3 a 2, de virada.

O Forest campeão europeu de 1979: recuo do capitão McGovern dava mais proteção à zaga e ataques pelas pontas eram o ponto forte do time de Clough.
O Forest campeão europeu de 1979: recuo do capitão McGovern dava mais proteção à zaga e ataques pelas pontas eram o ponto forte do time de Clough.

 

Base mantida

McGovern (à dir.) um dos símbolos do Forest nos anos 70 e 80.
McGovern (à dir.): um dos símbolos do Forest nos anos 70 e 80.

 

O Forest começou a temporada 1979-1980 cheio de pompa. O time já era uma potência na Inglaterra, tinha o respeito dos adversários e jogava de igual para igual com qualquer clube do mundo. Com a segurança do goleiro Peter Shilton, o ótimo lateral Viv Anderson, o meia Martin O´Neill e o trio de escoceses John Robertson, Archie Gemmill e Kenny Burns, o Forest começou a disputa de uma nova Liga dos Campeões da UEFA com mais segurança, auto estima, mas, acima de tudo, pés no chão.

A equipe de Clough começou a luta pelo bicampeonato eliminando o Öster, da Suécia, ao vencer por 2 a 0 e empatar em 1 a 1. Na segunda fase, duas vitórias sobre o Arges Pitesti, da Romênia, por 2 a 0 e 2 a 1. Nas quartas de final, o Forest conheceu a sua primeira derrota no torneio continental ao perder por 1 a 0, em casa, para o Dynamo Berlin, da Alemanha Oriental. Na volta, porém, o então campeão europeu mostrou sua força e venceu os alemães, na Alemanha, por 3 a 1, com show de Francis, que marcou dois gols. Nas semifinais, uma prova de fogo contra o Ajax, time que havia encantado a Europa e o mundo no início da década de 70 ao conquistar três Ligas dos Campeões seguidas. No primeiro jogo, na Inglaterra, vitória do Forest por 2 a 0. Na volta, o Ajax venceu os campeões por 1 a 0, placar que não garantiu a classificação dos holandeses. Em sua segunda participação, o Forest estava na final. Era hora de enfrentar o embalado Hamburgo (ALE), que eliminara o Real Madrid (ESP) com acapachantes 5 a 1.

 

Incrível soberano europeu

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O duelo entre Nottingham Forest e Hamburgo, no estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, colocava duas equipes em franca ascensão na Europa. De um lado, o Forest, que saiu da segunda divisão inglesa para chegar ao topo do continente. Do outro, o Hamburgo, que vinha de várias conquistas nacionais e até uma Recopa Europeia, em 1977. O Forest apostava na força de seu conjunto e na experiência de seus jogadores, brilhantemente treinados por Brian Clough. Já o Hamburgo concentrava suas fichas no talentoso meia Felix Magath. O jogo foi disputado e bem acirrado até os 20´do primeiro tempo, quando John Robertson marcou o primeiro gol do Forest, que seria novamente o único do time em uma final de Liga. Com o 1 a 0 no placar, o time inglês venceu o bicampeonato da Liga dos Campeões da UEFA, ficando à frente do Manchester United em número de títulos europeus e se igualando ao Liverpool com duas conquistas. O time conseguia, também, ser o primeiro clube a ter mais títulos europeus do que títulos de sua própria liga nacional.

Conquistar duas taças continentais seguidas em um curto espaço de tempo foi o maior feito da carreira de Clough. A façanha do técnico foi tão grande que apenas um time conseguiu levantar a mais cobiçada taça da Europa por duas vezes consecutivas desde então: o Milan-ITA, de Arrigo Sacchi, em 1989 e 1990. O Forest daquele fim de anos 70 conseguiu também a incrível façanha de acumular 42 partidas sem uma única derrota no Campeonato Inglês entre novembro de 1977 e dezembro de 1978 (recorde só superado pelo Arsenal de 2003-2004), algo que só comprova a eficiência e talento de Clough no comando de um time que deixou de ser um mero figurante no futebol inglês para se transformar no maior fenômeno já visto na Europa.

 

Aposentadoria de Taylor, vacas magras e adeus

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Depois do bicampeonato europeu e a consagração mundial, o Nottingham Forest começou a cair no futebol europeu e também inglês. O time perdeu a Supercopa da UEFA de 1980 para o Valencia (ESP) e o Mundial Interclubes do mesmo ano para o Nacional (URU). O clube disputou a Liga dos Campeões de 1980-1981, mas sucumbiu logo na estreia, na última disputada pelos vermelhos até hoje. Clough não conseguiu levar o time a mais um título nacional, embora tenha quase sempre ficado entre os dez primeiros do torneio (incluindo um terceiro lugar em 1983-1984). Em 1982, Peter Taylor se aposentou e Clough se viu abandonado e sem o homem que tanto o ajudou a montar elencos, apontar bons nomes para contratar e o porto seguro nos momentos mais difíceis e decisivos.

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Nos anos pós-bicampeonato europeu, Clough venceu apenas duas Copas da Liga Inglesa nas temporadas de 1988-1989 e 1989-1990. Na temporada 1992-1993, o treinador não resistiu ao ver seu Forest rebaixado na recém-criada Premier League e se aposentou da carreira de treinador depois de 18 anos no comando do Forest e com mais de 400 vitórias em pouco mais de 900 jogos. Fora de campo, Clough seguiu no mundo esportivo como colunista da revista Four Four Two e travando uma difícil luta contra o alcoolismo, que o perseguiu por mais de 30 anos. Depois de um transplante de fígado no começo dos anos 2000, Clough voltou a sofrer com o órgão e faleceu em 20 de setembro de 2004 em decorrência de um câncer aos 69 anos.

A rodovia que liga as cidades de Derby e Nottingham tem o nome de Brian Clough como reconhecimento ao trabalho do técnico nos times rivais.
A rodovia que liga as cidades de Derby e Nottingham tem o nome de Brian Clough como reconhecimento ao trabalho do técnico nos times rivais.

 

Superá-lo? Quase impossível

A estátua do mito.
A estátua do mito.

 

As façanhas de Brian Clough no futebol inglês seguem intactas e são relembradas até hoje como incríveis e dificílimas de serem igualadas. Vencer duas Ligas dos Campeões consecutivas e com um time longe da força e tradição de gigantes da Europa como ele venceu é algo inimaginável para os padrões do futebol moderno. Símbolo de trabalho, força de vontade e ambição, Brian Clough foi um dos mais talentosos técnicos da história e um homem que conduziu com pulso firme e frases de efeito uma carreira predestinada a dar alegrias às torcidas de pequenos clubes. Por causa de seu jeito tempestivo, Clough jamais ganhou uma chance de conduzir a seleção inglesa, uma profunda perda para o English Team, mas não para Clough, que possivelmente não se daria bem numa grande seleção. Ele gostava mesmo de pôr a mão na massa e fazer história em pequenos clubes. Como ele mesmo disse:

“Dizem que Roma não foi construída em um dia, mas é porque eu não estava naquele trabalho!”.

Se estivesse, o Império Romano com certeza teriam mais alguns dias de soberania…

 

Números de destaque:

Comandou o Nottingham Forest em 907 jogos com 411 vitórias, 246 empates e 250 derrotas.

Comandou o Derby County em 289 jogos com 135 vitórias, 70 empates e 84 derrotas.

 

Frases marcantes:

“Manchester (United) no Brasil? Espero que peguem uma diarreia!” – em 2000, sobre a participação do clube inglês no Mundial de Clubes da FIFA.

 

“Se eu não consigo soletrar espaguete em italiano como vou pedir para um jogador italiano pegar a bola? Ele deveria pegar a minha!” – sobre o excesso de jogadores estrangeiros no futebol britânico.

 

“Não fui o maior treinador, mas sempre estive entre os Top 1” – “modesto”, sobre sua qualidade de técnico.

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Extras:

Prazer, Nottingham Forest

Em uma final atípica, o Forest bateu o Malmö por 1 a 0 e faturou uma incrível Liga dos Campeões da UEFA de maneira invicta.

 

Mais perto das finais

O Forest encarou o grande Ajax nas semifinais da Liga dos Campeões de 1980. No primeiro jogo, em seu estádio lotado, o time venceu os holandeses e garantiu a vantagem que foi crucial para o caminho até a final.

 

Bicampeões

O Nottingham Forest nem ligou para o Hamburgo e venceu por 1 a 0, conquistando o bicampeonato europeu. Era o auge dos incríveis e meteóricos vermelhos.

 

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5 thoughts on “Técnico Imortal – Brian Clough

  1. Acabei de assistir The damned united belo filme sobre Brian Clough e fui buscar algo sobre ele…baita texto é como ver o filme. Parabens.

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