Seleções Imortais – Polônia 1972-1976

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Grandes feitos: Terceira Colocada na Copa do Mundo de 1974, Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Munique (1972) e Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de Montreal (1976). Conseguiu os melhores resultados da história do futebol polonês.

Time base: Tomaszewski (Kostka); Szymanovski, Gorgon, Zmuda e Musial (Anczok / Bulzacki); Cmikiewicz (Maszczyk), Deyna, e Kasperczak (Lubanski); Lato, Szarmach e Gadocha. Técnico: Kazimierz Górski.

 

“Olímpicos, mundiais e imortais”

Uma Olimpíada, um ouro. Uma Copa do Mundo, um bronze. Outra Olimpíada, uma prata. Jogadores velozes. Time entrosado. Disciplina tática. Talento no ataque, no meio de campo e na defesa. Uma geração de ouro. Os títulos e as qualidades descritas no trecho anterior parecem até ser de uma grande e tradicional seleção mundial, mas todos eles e muitos outros são de uma turma que vestia vermelho e branco e fez história nos anos 70 ao disputar e chegar entre os melhores de todas as principais competições do período: a Polônia. Ninguém dava bola para aqueles jogadores de nomes complicados e quase impronunciáveis com tantas consoantes como  Szymanovski, Anczok, Cmikiewicz, Kasperczak, Szymczak. No entanto, eles foram mais do que essenciais para que os craques do time – curiosamente os donos dos nomes mais “comuns” – como Gorgon, Deyna, Lato e Gadocha devastarem adversários como Argentina, Brasil, Hungria, Itália, Suécia ou URSS. Apenas uma seleção conseguiu resistir ao talento e força daquele esquadrão: a Alemanha de Beckenbauer e Gerd Müller. Mesmo assim, eles só se saíram bem no mais importante embate (a fase decisiva da Copa do Mundo de 1974) por jogarem em casa e em um gramado terrível e encharcado que prejudicou demais a velocidade dos poloneses comandados por Kazimierz Górski. É hora de relembrar as façanhas da melhor seleção polonesa de todos os tempos.

 

O ressurgimento, três décadas depois

Kazimierz Górski: técnico responsável por formar a melhor seleção polonesa da história.
Kazimierz Górski: técnico responsável por formar a melhor seleção polonesa da história.

 

Desde 1938 que a Polônia não conseguia aparecer para o mundo no futebol. Naquele ano, os poloneses disputaram a Copa da França e deram um trabalho federal à seleção brasileira de Leônidas da Silva e Domingos da Guia, que venceu os europeus por 6 a 5 em um dos jogos mais alucinantes dos mundiais – e com quatro gols do polonês Wilimowski. Mesmo com a derrota, aquela foi a primeira e última Copa disputada pelo país, que sofreu com a II Guerra Mundial e passou a se esconder atrás da cortina de ferro do bloco comunista. Por conta disso, o profissionalismo no futebol do país não aconteceu e todos os jogadores eram simples amadores. No entanto, o que era para ser algo ruim para o esporte acabou tendo lá suas vantagens. Por ter apenas “amadores”, os poloneses podiam enviar para os Jogos Olímpicos (que eram disputados apenas por amadores) suas equipes completas, o que representava o popular “amadorismo de fachada”. Sem ligar para isso, a Polônia começou a mudar para sempre sua história futebolística no começo dos anos 70 quando Kazimierz Górski assumiu o comando técnico da equipe em 1971. Muito amigo dos atletas, mas também com fama de disciplinador e intransigente principalmente com relação a horários, o treinador passou a montar um time jovem que renderia frutos fantásticos. Os clubes responsáveis pela “matéria prima” eram o Górnik Zabrze (que tinha o goleiro Kotska, o defensor Anczok, o atacante Lubanski e outros) e o Legia Warsaw (com os meio-campistas Cmikiewicz e Deyna, além do atacante Gadocha). Outro jogador de destaque era um jovem de 22 anos muito promissor: Grzegorz Lato, que não jogava bem apenas no verão como poderia sugerir seu sobrenome (“Lato” é “verão” em polonês), mas fazia estragos também no outono, inverno e primavera com uma velocidade absurda pela ponta-direita e a fama de correr 100 metros em menos de 11s (mais precisamente 10s8).

O técnico Górski passou a aperfeiçoar exatamente a velocidade do time e a visão de jogo estonteante de Kazimierz Deyna para fazer o primeiro teste nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, na Alemanha, mesmo país que sediaria a Copa do Mundo de 1974. Um bom papel em terras germânicas seria mais do que fundamental para embalar a garotada nada amadora rumo ao mundial.

 

Invencíveis, goleadores e dourados

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A Polônia começou sua caminhada olímpica no Grupo D ao lado de Colômbia, Alemanha Oriental e Gana. Logo na estreia, os europeus massacraram os colombianos por 5 a 1, com três gols de Gadocha e dois de Deyna. Na partida seguinte, nova goleada: 4 a 0 em Gana, com gols de Lubanski, Gadocha (2) e Deyna. Já pensando na segunda fase, os poloneses suaram, mas venceram os alemães do oriente por 2 a 1 com dois gols de Gorgon. No Grupo 2 da fase decisiva, a Polônia empatou em 1 a 1 com a Dinamarca (gol de Deyna), venceu, de virada, a forte URSS de Oleg Blokhin por 2 a 1 (gols de Deyna e Szoltysik, cobrando pênalti) e se garantiu na disputa da medalha de ouro ao massacrar Marrocos por 5 a 0, com gols de Deyna (2), Kmiecik, Lubanski e Gadocha. Faltava apenas um desafio para o trabalho do técnico Kazimierz Górski ganhar seu primeiro louro.

Na decisão, com mais de 80 mil pessoas no estádio Olímpico de Munique, a Polônia voltou a mostrar seu espírito de luta e sangue frio contra a Hungria, que saiu na frente com um gol de Varadi aos 42´do primeiro tempo. Logo no começo da segunda etapa, o craque Deyna empatou num lance genial ao despachar dois marcadores e chutar de fora da área. O mesmo Deyna virou o jogo aos 23´ com um golzinho chorado e deu a vitória e o inédito ouro olímpico ao futebol polonês. A conquista surpreendeu a todos e mostrou a força daquele time, dono de um futebol veloz, criativo e muito consistente. Acima de tudo, o meio-campista Deyna era um virtuose com a bola nos pés ao organizar o jogo, chamar a responsabilidade e marcar gols importantes, como os da final contra a Hungria. O craque foi o artilheiro dos Jogos com nove gols.

 

Não foi mero acaso

Contra a Inglaterra, a Polônia jogou como gente grande e saiu de Wembley classificada.
Contra a Inglaterra, a Polônia jogou como gente grande e saiu de Wembley classificada.

 

Passadas as Olimpíadas, a Polônia concentrou suas ações para as eliminatórias da Copa do Mundo de 1974, que começaram já no mês de novembro de 1972. Os poloneses teriam pela frente País de Gales e a sempre tradicional Inglaterra na luta por uma vaga na Alemanha. O caminho polonês começou da pior maneira possível com uma derrota por 2 a 0 para os galeses em Cardiff por 2 a 0. No jogo seguinte, os vermelhos se recuperaram ao derrotarem a Inglaterra em Chorzów (POL) por 2 a 0, com gols de Banas e Lubanski. No terceiro jogo, a vingança contra País de Gales: 3 a 0, gols de Gadocha, Domarski e Lato, agora já titular e ainda mais essencial no esquema do técnico Kazimierz Górski. No último e decisivo jogo, a Polônia teria que segurar um empate em Wembley contra a Inglaterra, que apostava suas últimas fichas em busca da classificação. Diante de 90.587 pessoas, os poloneses não se intimidaram e jogaram de igual para igual com os ingleses, que paravam no célebre goleiro Tomaszewski. No comecinho da segunda etapa, Domarski abriu o placar para a Polônia e deixou a missão bem mais tranquila. No entanto, Clarke empatou oito minutos depois e colocou sufoco pra cima da Polônia, que resistiu bravamente e saiu do estádio mais emblemático do mundo com a vaga na Copa de 1974. Já os ingleses tiveram que sintonizar o mundial em suas TVs de madeira. Pelo menos elas já eram a cores…

Um onze ideal da Polônia nos anos 70: força pelas pontas, Deyna no auge e uma zaga segura.
Um onze ideal da Polônia nos anos 70: força pelas pontas, Deyna no auge e zaga segura.

 

Quando os garotos viraram homens

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Em 1974, a seleção polonesa não era mais uma equipe de garotos desconhecidos. Ela era formada por homens jovens, mas entrosados, fortes e prontos para fazer uma ótima campanha na Copa do Mundo da Alemanha, que tinha naquele ano uma nova taça em disputa: a Taça FIFA. Todos falavam sobre os favoritos Holanda, Brasil, a própria Alemanha e até mesmo a Itália. A Polônia, mesmo com o Ouro olímpico de 1972 e a banca por ter eliminado a Inglaterra, ficava de fora muito pelo fato de as façanhas do time pouco frequentar os noticiários estrangeiros, principalmente na América, além da ausência de Lubanski, contundido. Tudo isso foi ótimo, pois dava mais tranquilidade para os poloneses trabalharem em busca de uma final.

Lato marca contra o Haiti: 7 a 0.
Lato marca contra o Haiti: 7 a 0.

 

Classificada no Grupo 4, a Polônia teria pela frente Argentina, Itália e Haiti. Os céticos apostavam, claro, na classificação de argentinos e italianos para a segunda fase. Mas todos quebraram a cara logo na estreia polonesa, em Stuttgart, contra a Argentina. O veloz Lato abriu o placar para os europeus com sete minutos de jogo e Szarmarch ampliou um minuto depois. No segundo tempo, a Argentina diminuiu com Heredia, mas Lato ampliou para 3 a 1. Babington descontou para os latinos e o jogo terminou 3 a 2 para a Polônia. Era a queda do primeiro favorito. Na partida seguinte, os poloneses não tiveram dó da fraca seleção haitiana e golearam por 7 a 0, com gols de Szarmarch (3), Lato (2), Deyna e Gorgon. O último jogo era contra a Itália, que tinha nomes como Zoff, Burgnich, Facchetti, Mazzola, Capello, Chinaglia e Causio. Mas, quem esperava um triunfo dos então vice-campeões mundiais viu mais uma aula polonesa recheada de toque de bola, velocidade, passes precisos e muito talento. Szarmach abriu o placar aos 38´e Deyna ampliou aos 44´do primeiro tempo. No final da segunda etapa, Capello ainda descontou, mas quem venceu pela terceira vez em três jogos foi a Polônia, classificada para a segunda fase. A Itália ficava de fora de maneira melancólica e a Argentina conseguiu a vaga graças ao saldo de gols. A partir daquele instante, quem ainda duvidava do poder de fogo dos poloneses passou a rever conceitos…

Kasperczak e Deyna conversam durante o jogo contra a Itália: craques e símbolos do meio de campo polonês.
Kasperczak e Deyna conversam durante o jogo contra a Itália: craques e símbolos do meio de campo polonês.

 

Tinha uma Alemanha (e muita chuva) no caminho…

Nem o pênalti defendido por Tomaszewski adiantou...
Nem o pênalti defendido por Tomaszewski adiantou…

 

Na segunda fase da Copa, as oito seleções se dividiram em dois grupos de quatro. Todos jogavam entre si e os campeões de cada um fariam a final, com os segundos colocados disputando o terceiro lugar. A Polônia deu sorte e ficou no Grupo B, ao lado de Suécia, Iugoslávia e a anfitriã Alemanha Ocidental. No outro grupo, Holanda, Brasil, Argentina e Alemanha Oriental teriam que se esfacelar por uma vaga no paraíso. Jogando novamente em Stuttgart, a Polônia fez o básico e venceu a Suécia por 1 a 0 no primeiro jogo, gol de Lato. Na sequência, outra vitória, dessa vez por 2 a 1 sobre os iugoslavos (gols de Deyna e Lato). Com duas vitórias, restava o triunfo contra a Alemanha Ocidental no terceiro jogo, em Frankfurt, para a Polônia disputar uma incrível final de Copa do Mundo. Mas, no dia 3 de julho de 1974, tudo deu errado para os poloneses. Para começar, uma chuva torrencial caiu no dia do jogo e deixou o gramado totalmente encharcado, o que prejudicaria o futebol de toque de bola da Polônia e facilitaria a força dos alemães. Os poloneses tentaram adiar a partida, mas de nada adiantou, afinal, eles estavam na casa da Alemanha e jogariam contra a Alemanha. No jogo, muita disputa, ótimas chances por parte da Polônia e destaque para o goleiro Tomaszewski, que chegou a defender um pênalti de Hoeness. Mas o artilheiro Gerd Müller conseguiu fazer o gol que deu a vitória por 1 a 0 aos alemães, que foram para a final. Mesmo com a derrota, a Polônia não se abateu e saiu de cabeça erguida pelo fato de ter jogado melhor que os alemães e só não ter vencido pelas condições adversas e o território hostil do jogo.

Da esquerda para a direita: Grzegorz Lato, Andrzej Szarmach, Kazimierz Deyna, Jerzy Gorgon e Jan Tomaszewski
Grzegorz Lato, Kazimierz Deyna, Jerzy Gorgon (à direita de Deyna, ao fundo) e Jan Tomaszewski.

 

Bronze polonês

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Na disputa pelo terceiro lugar, a Polônia encarou mais um titã do futebol: o Brasil de Leão, Marinho Chagas, Jairzinho, Rivellino, Carpegiani e Dirceu. Jogando pelo orgulho, os poloneses venceram os brasileiros por 1 a 0, com um gol de Lato, que se sagrou artilheiro da Copa com sete gols marcados em sete jogos. Era o bronze tão merecido para aquela seleção que jogava de maneira eficiente, rápida e dinâmica, muito melhor que muita equipe tarimbada da época. Como o próprio Brasil, que amargou o quarto lugar.

 

Nova final olímpica…

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Em 1976, a Polônia foi para os Jogos Olímpicos de Montreal, no Canadá, com a mesma base de sucesso da Copa de 1974. Os poloneses despacharam Cuba e Irã na primeira fase e se classificaram para as quartas de final. Nela, golearam a Coreia do Norte por 5 a 0 e venceram um já freguês Brasil (comandado por Claudio Coutinho e com jogadores como Carlos, Edinho, Júnior e Batista) por 2 a 0 (gols de Szarmach).

 

… E novo revés diante dos alemães

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Na disputa pelo ouro, a Polônia, favorita, teve pela frente a amadora Alemanha, algoz de 1974. Nunca uma vingança poderia vir em tão boa hora, mas os poloneses voltaram a sucumbir diante da frieza germânica e perderam por 3 a 1, um resultado considerado zebra pelo fato de os poloneses jogarem com seus titulares nada amadores e os alemães com seus verdadeiros amadores. A derrota valeu a prata, amarga, mas histórica por ser o terceiro título do futebol do país em tão pouco tempo.

 

Polônia imortal

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Depois de anos intensos e inesquecíveis, a Polônia perdeu sua força com a saída do técnico Górski em 1976 e só voltou a brilhar em 1982, na Copa do Mundo da Espanha, com alguns remanescentes de 1974 e uma nova estrela: Boniek. Mesmo com outro terceiro lugar, aquela equipe não teve o brilho e a força do time dos anos 70, lembrado até hoje como a melhor seleção polonesa de todos os tempos e uma das maiores que a Europa já viu. Novos talentos vêm surgindo no país nos últimos anos, mas cravar que eles devolverão ao futebol do país os momentos dourados de outrora é difícil. No entanto, inspiração não falta, basta assistir aos vídeos dos jogos disputados por Deyna, Lato, Lubanski e companhia nos anos 70, craques que formaram uma seleção imortal.

 

Os personagens:

Tomaszewski: foi um dos maiores goleiros da Europa nos anos 70 e um dos heróis da classificação polonesa para a Copa de 1974. Foi o goleiro que parou toda e qualquer investida inglesa no empate em 1 a 1 que colocou a Polônia no mundial e eliminou o English Team. A atuação do goleiro naquele jogo rendeu a ele o apelido de “The Man Who Stopped England” (O homem que parou a Inglaterra). O jogador calou a todos naquele jogo, inclusive o então comentarista Brian Clough, que chamou o arqueiro polonês de “palhaço” antes de ter que engolir seco a atuação de gala de Tomaszewski.

Kostka: antes de Tomaszewski assumir a titularidade da seleção polonesa, foi Hubert Kostka o grande responsável por garantir a meta alvirrubra intacta em grande parte dos anos 60 e começo dos anos 70. Kostka foi titular na campanha do ouro olímpico da Polônia em 1972 e um dos grandes nomes do futebol do país.

Szymanovski: defendeu a Polônia em 82 jogos durante uma década, se tornando um dos principais defensores do time comandado por Górski. Era muito eficiente na defesa e ainda ajudava o meio de campo com passes precisos e bons lançamentos.

Gorgon: se impunha não só pela presença física (tinha 1,92m), mas também pela incrível regularidade e segurança na defesa polonesa. Jerzy Gorgon foi um dos maiores (literalmente!) e melhores zagueiros poloneses de todos os tempos e um símbolo da equipe nos anos 70. Dominava o jogo aéreo e ainda se arriscava no ataque. Marcou seis gols em 55 jogos com a camisa da Polônia.

Zmuda: ao lado de Gorgon, formava uma dupla de zaga alta, segura e muito eficiente nas bolas aéreas e também por baixo. Tinha boa qualidade no passe, visão de jogo e transmitia segurança com a bola no pé. Disputou 91 partidas pela Polônia e esteve presente em quatro Copas do Mundo consecutivas, de 1974 até 1986. Em 1974, Zmuda foi eleito o melhor jogador jovem do torneio.

Musial: ganhou destaque durante a campanha da Polônia na Copa de 1974 e era peça chave no time do técnico Górski até se atrasar em 20 minutos em um treino e ser sacado da partida contra a Suécia, já na segunda fase. A Polônia venceu, Musial aprendeu a lição e continuou a jogar até a disputa do terceiro lugar. Porém, o atleta não jogou mais pela seleção nos anos seguintes.

Anczok: foi um dos maiores laterais-esquerdo da história da Polônia e um dos principais jogadores na conquista do ouro olímpico de 1972. Tinha velocidade e ótima visão de jogo, além de apoiar o ataque com passes precisos. Sofreu com muitas contusões na carreira, sendo que uma delas o tirou da Copa de 1974.

Bulzacki: defensor que podia jogar nas laterais ou até mesmo como zagueiro, Bulzacki esteve na Copa de 1974, fez carreira no Lódz e disputou 23 jogos com a camisa da seleção.

Cmikiewicz: um dos grandes meio-campistas da Polônia nos anos 70, Leslaw Cmikiewicz brilhou na conquista do ouro em 1972 e nas outras façanhas polonesas daqueles anos mágicos. Jogava pela direita e era um dos garçons do ataque do time.

Maszczyk: meio-campista, jogou de 1968 até 1976 pela seleção e esteve nas campanhas do ouro olímpico de 1972, do bronze na Copa de 1974 e da prata olímpica em 1976. Era forte na marcação e dava proteção à zaga da equipe. Tinha técnica com a bola nos pés e era extremamente introvertido.

Deyna: muitos dizem que Boniek foi o maior jogador polonês de todos os tempos, mas e quanto a Deyna? O craque foi simplesmente o maestro e principal articulador da Polônia dos anos 70, a melhor de todos os tempos, com técnica exuberante, dribles curtos e secos e um faro de gol excepcional. Marcou 41 gols em 97 jogos pela Polônia, fez os gols que deram o ouro olímpico ao futebol do país em 1972 e era o astro que ditava o ritmo de jogo proposto pelo técnico Górski. Vestiu a camisa do Manchester City no final dos anos 70 e de times dos EUA. Kazimierz Deyna faleceu em 1989, aos 41 anos, em um acidente de carro, deixando órfãos todos os torcedores poloneses que tanto vibraram com sua classe, técnica e talento. Um craque imortal.

Kasperczak: disputou as Copas de 1974 e 1978 e ainda os Jogos Olímpicos de 1976, sendo sempre uma opção de meio de campo para a equipe. Tinha força física e qualidade no passe. Jogou no futebol francês e virou técnico de sucesso no futebol africano.

Lubanski: os anos se passam e ele continua lá, intacto e no topo. Wlodzimierz Lubanski é o maior artilheiro da história da Polônia com 48 gols em 75 jogos, a maioria nos anos de 1969, 1972 e 1973, período no qual ajudou a seleção na conquista do ouro olímpico. Iria fazer um ataque devastador ao lado de Lato na Copa de 1974, mas se contundiu e não disputou o mundial. Esteve na Copa de 1978, mas sua fase já havia passado e não brilhou. Foi um dos grandes atacantes poloneses da história.

Lato: velocista, goleador, especialista em dribles largos e entrar nas zagas adversárias pela diagonal e marcar gols em profusão, Grzegorz Lato foi um símbolo polonês nos anos 70 e um dos principais responsáveis pela campanha exuberante da seleção na Copa de 1974. Esteve no grupo que venceu o ouro nas Olimpíadas de 1972, mas começou a brilhar mesmo a partir de 1974. Foi o artilheiro da Copa com sete gols e um dos principais jogadores europeus de seu tempo. Disputou também as Copas de 1978 e 1982. Pela seleção, marcou 45 gols em 100 jogos. É o segundo maior artilheiro do país. E um craque imortal.

Szarmach: sem Lubanski na Copa de 1974, muitos poderiam temer pelo pior no ataque polonês, mas Szarmach aproveitou como nunca a chance que teve e cumpriu seu papel na Alemanha: fazer gols. Embora tenha sido ofuscado por Lato, o atacante marcou cinco gols e contribuiu para o sucesso do país nos anos seguintes ao brilhar, também, nas Olimpíadas de 1976. Tinha presença de área e precisão nos chutes. Marcou 32 gols em 61 jogos pela Polônia.

Gadocha: era o dono da ala esquerda do ataque polonês naqueles anos 70 e foi fundamental para as façanhas de 1972 e 1974. Era veloz e ótimo nos passes. Marcou 16 gols em 62 jogos pela seleção.

Kazimierz Górski (Técnico): montou a melhor seleção polonesa de todos os tempos com o que de melhor o futebol do país produziu, além de dar ao time um estilo de jogo autêntico, competitivo e vencedor. Chegou às fases finais de todos os torneios que disputou e cravou para sempre seu nome na história com disciplina, talento e ousadia. Sem dúvida, o mais importante técnico da história da seleção polonesa.

 

Extras:

Veja abaixo vídeos com imagens daquela seleção imortal.

 

O ouro olímpico

 

A campanha na Copa de 1974

 

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16 thoughts on “Seleções Imortais – Polônia 1972-1976

  1. Antigamente Polonia,Hungria,Austria entre outras tinham seus craques e hoje em dia poucos jogadores conseguem se destacar. Seu trabalho é muito legal para sabermos como jogavam e quais seleçoes se destacaram entre os anos e hoje estao esquecidas. Parabens!!!!!!!!!!!!!!!!!

    1. Comunismo.

      O foco do regime era o esporte, e a motivação aos jovens era intensa, sobretudo para quem quisesse ter uma vida melhor.

      Não é à toa, que depois da queda da URSS, países do leste europeu deixaram de ter estrelas de nível mundial. A Romênia e a Iugoslávia teve o ultimo brilho dos frutos desse regime.

      Hoje os jovens desses países estão focados em outras coisas, como estudos para ganhar a vida.

  2. Eu gostaria de saber se ainda tem alguma seleçao antiga que voce nao publicou ainda?
    E como voce consegue o historico de cada jogador. O Boniek foi um meia-atacante e tambem jogou de libero, essas informaçoes no ”enciclopedia” de alguns jogadores nao aparece e por acaso descobri do Boniek.Abraços!!!

    1. Olá Carlos! Ah, tem várias seleções que ainda vou publicar tais como a Colômbia do começo dos anos 90, a Tchecoslováquia de Masopust e muitas outras. Sobre os jogadores, é a parte mais difícil dos textos! Pesquiso em diversos sites e livros que possuo. Dá trabalho, mas é a seção que vários leitores admiram e que encontramos pérolas bem curiosas. Boa essa do Boniek, nem eu sabia! Obrigado mais uma vez pelo comentário! abraços!

  3. Primeiramente, parabéns pelo belo trabalho! Sou entusiasta do futebol que era praticado no leste europeu: toques rápidos, velocidade, futebol clássico, pena que hoje em dia as seleções não jogam mais assim. A últimas delas que se destacaram foram a Romênia e a Bulgária na copa de 94, a Croácia de 1998, e a Rep.Tcheca da euro 2004. Depois disso não vimos mais nada daquelas bandas, infelizmente. Torço para que daqui uns anos alguma seleção daquela região venha se destacar consideravelmente, quem sabe com um título mundial, desbancando as grandes potências. Ao meu ver quem ainda está engatinhando para um futuro crescimento é a Polônia de Lewandovsky. Vamos acompanhar!

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