Esquadrão Imortal – Portuguesa 1951-1955

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Grandes feitos: Bicampeã do Torneio Rio-São Paulo (1952 e 1955), Campeã da Taça San Izidro (1951), Campeã do Torneio Quadrangular de Salvador (1951) e Campeã do Torneio de Belo Horizonte (1951). É considerado o maior esquadrão já formado pela Associação Portuguesa de Desportos em todos os tempos.

Time base: Muca (Lindolfo / Cabeção); Nena e Noronha (Floriano); Djalma Santos, Brandãozinho e Ceci; Julinho Botelho, Renato (Ipojucan), Nininho (Aírton), Pinga (Edmur) e Simão (Ortega). Técnicos: Oswaldo Brandão (1951-1952), Jim Lopes (1952-1953), Aymoré Moreira (1953), Abel Picabea (1954) e Délio Neves (1954-1955).

 

“A melhor Lusa de todos os tempos”

Um lateral-direito simplesmente fenomenal. Um ponta técnico, habilidoso e velocíssimo. Uma linha de frente arisca, rápida e goleadora. Um meio de campo criativo. Uma zaga coesa. Técnicos competentes e vencedores. Viagens para a Europa. Vitórias e mais vitórias. Títulos. Imortalidade adquirida. Idolatria eterna da torcida e dos amantes do futebol. Tudo isso e mais um pouco foi o que a Portuguesa conseguiu na primeira metade da década de 50, a mesma do primeiro título mundial da seleção brasileira. Sem medo de gigantes, muito bem organizada pelo mítico treinador Oswaldo Brandão e com craques do mais alto calibre como Djalma Santos, Noronha, Brandãozinho, Julinho e Pinga, a Lusa conseguiu feitos históricos que a transformaram em uma das maiores potências do futebol brasileiro na época. Até hoje, aquele time é considerado o maior já formado pela Portuguesa em todos os tempos e capaz de derrotar equipes como o Vasco de Belini, Eli, Danilo e Ademir, o Fluminense de Telê Santana e Castilho, e equipes internacionais como Atlético de Madrid-ESP, Fenerbahce-TUR, Galatasaray-TUR, Göteborg-SUE, Millonarios-COL, Schalke 04-ALE e muito mais. É hora de relembrar as façanhas de uma Lusa inesquecível.

 

Brandão faz a mágica

Oswaldo Brandão, um dos maiores treinadores da história do futebol brasileiro.
Oswaldo Brandão, um dos maiores treinadores da história do futebol brasileiro.

 

Depois de conquistar o bicampeonato paulista em 1935 e 1936, a Portuguesa viveu um incômodo jejum de títulos nos anos 40 muito por causa da forte concorrência com Corinthians e São Paulo e pela falta de craques. Já no começo da década de 50, a equipe começou a mudar de ares com a chegada do técnico Oswaldo Brandão, que vinha de uma boa passagem pelo Palmeiras (campeão paulista de 1947). Em começo de carreira, mas já com seu “toque de Midas” para formar grandes equipes, revelar promessas e grupos vencedores, o técnico caiu nas graças dos jogadores por se mostrar sempre preocupado em ouvir seus atletas, além de dar importância às pequenas coisas e ao bem-estar de todos, embora fosse caladão e de pouco papo na maioria das vezes. Com isso, a Portuguesa passaria a ter já em 1951 um time de respeito, com jogadores jovens que formariam um dos melhores e mais talentosos times do futebol brasileiro.

Nena, brilhante zagueiro da Lusa nos anos 50.
Nena, brilhante zagueiro da Lusa nos anos 50.

 

A zaga era composta pelos mais experientes do grupo, Nena (ex-Internacional) e Noronha, ídolo do Grêmio dos anos 30 e do São Paulo da década de 40. No gol, Muca era o “arqueiro do treinador”, pois foi o próprio Oswaldo Brandão que o buscou em terras paranaenses. Do meio de campo para frente, a Portuguesa era o mais puro show com craques fabulosos, a começar pela cria da casa na direita, Djalma Santos, o mesmo que anos depois se consagraria como o melhor lateral-direito da história do futebol brasileiro (quiçá mundial). No meio, Brandãozinho seria o responsável por articular as jogadas e dar passes precisos para a linha de frente do time, além de ajudar na marcação. Ao lado dele, pela esquerda, Otacílio Henrique do Amparo, o Ceci, apoiava o ataque muito bem e dava suporte para a defesa. Na frente, pura virtuose, talento e velocidade com o ponta-direita Julinho Botelho, um craque maiúsculo que marcava gols, dava gols e abusava dos dribles e jogadas de efeito. Além dele, brilhavam o meia-direita Renato, desde 1945 na equipe, Nininho, centroavante de ofício do time, Pinga, meia-esquerda muito habilidoso e mais fazedor de gols que o próprio Nininho, e Simão, ponta-esquerda que levava muito perigo aos adversários com seus poderosos chutes em cobranças de falta e também de fora da área. Com algumas variações nos anos seguintes e a entrada de um ou outro jogador, esse foi o time da Portuguesa que começaria já em 1951 a escrever uma rica e inesquecível história.

 

A primeira Fita Azul

Julinho Botelho, Renato, Nininho, Pinga e Simão: a linha de frente mais famosa da história da Lusa.
Julinho Botelho, Renato, Nininho, Pinga e Simão: a linha de frente mais famosa da história da Lusa.

 

Era muito comum naquela época os times brasileiros excursionarem pelo mundo para ganhar dinheiro, experiência e fama, tão comum que o jornal A Gazeta Esportiva oferecia um troféu chamado “Fita Azul” para os times que conseguissem ficar invictos em dez partidas disputadas em solo estrangeiro. A Portuguesa foi em busca dessa honraria em abril de 1951, numa viagem por terras turcas, espanholas e suecas. E a viagem foi mais do que inesquecível. Os paulistas disputaram 12 jogos, venceram 11, empataram apenas um (contra o Valencia-ESP em 1 a 1) e conquistaram pela primeira vez a Fita Azul. Os destaques da excursão pelo Velho Continente foram as vitórias pra cima do Galatasaray-TUR (4 a 2 e 3 a 1), Fenerbahce-TUR (3 a 1), Besiktas-TUR (4 a 1), Atlético de Madrid-ESP (4 a 3) e Göteborg-SUE (4 a 2). Vale destacar que o triunfo sobre o Atlético aconteceu em Madrid e valeu até troféu, a Taça San Isidro (homenagem ao padroeiro de Madrid). A Lusa chegou a estar vencendo os espanhóis por 3 a 0, mas a arbitragem tratou de dar uma ajudinha para os donos da casa, que perderam “apenas” de 4 a 3. Um fato curioso dessa viagem foi a compra de dólares falsos, sem saber, pelo jogador Renato em Lisboa-POR. O meia acabou emprestando algumas notas para Djalma Santos e Rubens, o trio foi comprar uns presentinhos em Roma-ITA e acabaram presos por falsificação! Depois de muita conversa, os jogadores foram liberados ao assinarem um documento afirmando que eles tinha adquirido as notas em outro lugar, não em Portugal.

O sucesso em solo europeu embalou a equipe brasileira na volta ao Brasil. Jogando bem, com um time entrosado e muito técnico, seria mais do que óbvio que aquele esquadrão poderia brigar de igual para igual com qualquer clube do país em busca de um título, seja lá qual fosse. E ainda naquele ano, a Lusa venceu mais duas taças: o Torneio Quadrangular de Salvador (disputado na recém-inaugurada Fonte Nova), com vitórias sobre o Ypiranga (6 a 1), Vitória (3 a 1) e empate com o Bahia (1 a 1) e o Torneio Quadrangular de Belo Horizonte, com triunfos da Lusa sobre o América-MG (4 a 1), Cruzeiro (4 a 3) e Atlético-MG (2 a 1).

A Portuguesa de 1951-1952: talento na zaga, no meio de campo e no ataque davam ao time uma competitividade formidável.
A Portuguesa de 1951-1952: talento na zaga, no meio de campo e no ataque davam ao time uma competitividade formidável.

 

Apesar do sucesso em solo estrangeiro e nessas pequenas competições, a Lusa não conseguiu conquistar o título do Campeonato Paulista, mas ainda sim fez uma boa campanha, ficando na terceira posição e derrotando equipes como São Paulo (4 a 1), Santos (2 a 0), Guarani (7 a 1) e até o campeão Corinthians por 7 a 3.

 

Título histórico

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Em 1952, a Portuguesa começou a temporada com foco total na disputa do Torneio Rio-SP, uma das competições mais importantes do país na época. A equipe estreou com o pé esquerdo (derrota por 4 a 2 para o Fluminense), mas depois embalou e foi com tudo rumo ao título inédito. Os comandados do técnico Jim Lopes venceram Palmeiras (3 a 2), Flamengo (2 a 0), Santos (5 a 1), Corinthians (3 a 2), Bangu (5 a 1), Botafogo (2 a 1) e empataram com o Vasco em 1 a 1. A única derrota nessa sequencia foi para o São Paulo por 3 a 2. Como a Lusa terminou empatada em pontos com o Vasco, foram realizadas duas partidas de desempate para definir o campeão. Na primeira, no Pacaembu, a Portuguesa goleou os cariocas por 4 a 2, com dois gols de Nininho, um de Pinga e outro de Julinho. No segundo jogo, no Rio, empate em 2 a 2 que garantiu o título para a Lusa. Era a coroação de uma equipe talentosa e que era o mais puro primor em campo, com a genialidade de Djalma Santos, Julinho, Brandãozinho e Cia. Mesmo sem Oswaldo Brandão, a Portuguesa mostrou que a troca de técnico não abalou a estrutura competitiva do time, que mantinha sua habitual força ofensiva. Favorita ao título Paulista, a equipe tropeçou demais no decorrer da campanha e acabou outra vez na terceira posição, atrás de Corinthians (campeão) e São Paulo (vice).

 

Novas “Fitas” e matéria prima para a seleção

Nena, Brandãozinho, Renato e o técnico Lopes.
Nena, Brandãozinho, Renato e o técnico Lopes.

 

Entre 1953 e 1954 a Portuguesa não conseguiu repetir o título do Rio-SP de 1952 e as boas campanhas no Campeonato Paulista, mas voltou a brilhar em solo estrangeiro. Em 1953, o time viajou pelo Peru, Colômbia e Equador e conseguiu sete vitórias e três empates em 10 jogos, desempenho que rendeu mais uma Fita Azul à equipe. Os destaques foram as vitórias sobre o Alianza Lima-PER (4 a 0 e 3 a 0), Independiente Santa Fé-COL (4 a 2), Millonarios-COL (2 a 1) e Barcelona-EQU (2 a 0). Em 1954, a viagem foi outra vez para a Europa e teve como destinos Inglaterra, França, Alemanha, Turquia e Bélgica. O time brasileiro voltou a fazer bonito e faturou sua terceira Fita Azul com 14 vitórias, cinco empates e apenas uma derrota (por 7 a 1 para o Arsenal-ING) em 20 jogos. Os destaques foram os triunfos sobre o Watford-ING (5 a 2), Stade de Reims-FRA (3 a 1, que disputaria a primeira final de Liga dos Campeões da UEFA da história em 1955-1956), o combinado Borussia Mönchengladbach/Rheydter-ALE (4 a 1), Fortuna Düsseldorf-ALE (2 a 1) e Schalke 04 (2 a 1).

Djalma Santos: mito da lateral-direita.
Djalma Santos: mito da lateral-direita.

 

A força da equipe no estrangeiro, bem como o brilho de seus jogadores, foi crucial para que o técnico da seleção brasileira, Zezé Moreira, convocasse três jogadores da Portuguesa para a disputa da Copa do Mundo de 1954, na Suíça (além do folclórico massagista Mário Américo): o lateral Djalma Santos, o meio-campista Brandãozinho e o atacante Julinho. Pinga, que fora da Lusa, mas estava no Vasco, e o goleiro Cabeção, que iria para a Portuguesa em 1955, mas estava no Corinthians à época, também foram chamados para o mundial. Infelizmente, o Brasil caiu diante da Hungria de Puskás nas quartas de final por 4 a 2.

 

Bicampeões

Pinga, Brandãozinho, Djalma Santos e Julinho dão uma lida num jornal da época: só dava Lusa!
Pinga, Brandãozinho, Djalma Santos e Julinho dão uma lida num jornal da época: só dava Lusa!

 

Em 1955, a Portuguesa protagonizou os últimos lampejos de seu esquadrão na disputa do Torneio Rio-SP. Outra vez a equipe começou com derrota (3 a 1 para o Botafogo), mas aquilo era bom presságio, pois remetia ao ano de 1952. No jogo seguinte, duelo eletrizante contra o Corinthians e empate pirotécnico em 5 a 5. Na sequência, vitórias sobre América-RJ (4 a 2), São Paulo (2 a 0), Palmeiras (5 a 2), Santos (5 a 1) e Fluminense (3 a 1), além de dois empates contra Flamengo (1 a 1) e Vasco (0 a 0). Empatada em pontos com o Palmeiras, a Lusa disputou dois jogos desempate contra o alviverde. No primeiro jogo, muito equilíbrio e 2 a 2 no placar. Na partida decisiva, prevaleceu a força do conjunto da Portuguesa, que marcou com Julinho e Ipojucan e venceu por 2 a 0, conquistando o bicampeonato do Torneio Rio-SP. A festa da torcida lusitana foi enorme em São Paulo, ainda mais pelo fato de o título ter sido conquistado sobre um rival estadual. No Paulistão, outra vez a equipe fez uma campanha irregular e sem a força ofensiva de antes, mas teve ainda um lampejo de brilho com uma goleada marcante sobre o Santos, ainda sem Pelé, por 8 a 0. No entanto, seria a partir daquele ano que o esquadrão que tanto brilhou pelo Brasil e pelo mundo vestindo verde e vermelho começaria a esmaecer.

 

Saudades de uma Portuguesa imortal

 

campeã de 1952

 

Ainda em 1955, a Portuguesa perdeu um de seus maiores expoentes no ataque, Julinho, para a Fiorentina-ITA e não conseguiu mais conquistar títulos naquela década. A equipe ainda disputou a final do Torneio Rio-SP de 1956, mas perdeu para o Fluminense de Altair, Telê Santana, Waldo e Escurinho. Nos anos 60, ostracismo, com brilho posterior na década de 70 com o título do Campeonato Paulista de 1973 sob a batuta do craque Enéas. Depois disso, uma nova Lusa de talento apareceu em 1996, quando por muito pouco não venceu o Campeonato Brasileiro, que acabou ficando com o Grêmio de Felipão. Desde então, a torcida espera por uma nova safra de jogadores que possa resgatar a tradição e a força que a Portuguesa começou a construir lá nos anos 50 com um time até hoje lembrado pelos amantes do futebol como um dos mais exuberantes, ofensivos e técnicos do futebol brasileiro, com as assinaturas de craques eternos, gols plásticos e façanhas impagáveis. Uma Portuguesa imortal.

 

Os personagens:

Muca: goleiro muito seguro e símbolo de uma era de ouro da Lusa. Jogou na equipe de 1950 até 1953 e foi muito importante nas conquistas de 1951 e do Torneio Rio-SP de 1952.

Lindolfo: tinha força e grande senso de colocação. Vestiu a camisa da Lusa de 1952 até 1956. Foi titular da equipe na viagem pela Europa em 1954, que rendeu a terceira Fita Azul da Portuguesa na história. Só não foi titular na campanha do título do Rio-SP de 1955 por causa da contratação de Cabeção.

Cabeção: Luís Morais, o Cabeção, foi um dos maiores goleiros do futebol brasileiro nos anos 50 e 60 e só não teve mais destaque na seleção brasileira por ter tido o azar de disputar posição com Gilmar dos Santos Neves (este também no Corinthians) e Castilho. Brilhou no Corinthians antes de ir para a Lusa em 1955. Foi o goleiro titular na conquista do Rio-SP daquele ano.

Nena: depois de ser um dos destaques do Rolo Compressor do Internacional dos anos 40, o zagueiro Nena foi para a Portuguesa em 1951 para se tornar um dos maiores defensores da história da Lusa. Técnico, dono da grande área, ótimo nas jogadas aéreas e impecável no posicionamento, Nena formou uma dupla maravilhosa com Noronha naquele começo de anos 50.

Noronha: jogando pela esquerda, formou ao lado de Ruy e Bauer a famosa linha média do São Paulo nos anos 40. Em 1951, já consagrado, foi ser zagueiro na Portuguesa e seguiu impecável na marcação, eficiência e vitalidade.

Floriano: com a saída de Noronha, virou titular da zaga da Portuguesa e ajudou a equipe na conquista do Rio-SP de 1955. Não tinha a mesma vitalidade que seu antecessor, mas cumpriu seu papel.

Djalma Santos: técnica primorosa, físico privilegiado, visão de jogo estupenda, habilidade nos dribles e em roubar bolas… Em linhas gerais, um jogador perfeito e nascido para jogar na lateral-direita de qualquer equipe do mundo, seja na melhor Portuguesa de todos os tempos, na Academia do Palmeiras dos anos 60 e na seleção brasileira bicampeã mundial em 1958 e 1962. Djalma Santos foi e é até hoje uma lenda do esporte por sua qualidade em campo e fora dele e por ser um exemplo para qualquer futebolista que deseje ser lateral-direito no futebol. O craque começou na Lusa a encantar a todos com seu talento fora do comum e muito, mas muito acima da média. Não é à toa que depois que deixou a Lusa, em 1959, a equipe só foi voltar a brilhar mais de uma década depois. Um craque imortal que vestiu a camisa da Portuguesa em 453 jogos.

Brandãozinho: impecável na articulação de jogadas e também na marcação, Brandãozinho foi o grande maestro da Portuguesa entre 1949 e 1955, exatamente o período de ouro da equipe no futebol brasileiro. Foi convocado diversas vezes para a seleção brasileira e teve de encerrar a carreira precocemente por causa de uma cirurgia malsucedida. Um ídolo eterno da Lusa.

Ceci: jogava como lateral-esquerdo e fechava a linha média da grande Portuguesa do começo dos anos 50, ao lado de Brandãozinho e Djalma Santos. Foi essencial para as pontes entre a defesa e ataque e o consequente sucesso da equipe no período. Jogou na Lusa de 1951 até 1956, quando encerrou a carreira.

Julinho Botelho: foi um dos maiores pontas da história do futebol brasileiro e só não foi o maior pelo simples fato de por aqui ter nascido um tal de Garrincha. Veloz, driblador nato, extremamente técnico e dono de um chute potente e preciso, Julinho encantava plateias por onde passava com um futebol à frente de seu tempo e digno da magia futebolística que aflorava no Brasil naquela década de 50. O craque jogou tanto que despertou a atenção da Fiorentina-ITA, que o levou para a Itália em 1955. Julinho conduziu a equipe de Florença ao título italiano de 1956 e disputou a Copa de 1954. Não foi para o mundial da Suécia por não achar justo ir no lugar de algum jogador que atuasse no Brasil. Um craque imortal.

Renato: ótimo meia e ponta-direita que compôs o fabuloso ataque da Portuguesa naqueles anos de ouro. Jogou uma década inteira na Lusa, teve atuações de gala e marcou seu nome na história do clube com faro de gol, dribles e muita técnica.

Ipojucan: já era um craque consagrado pelos tempos de Vasco quando chegou à Lusa em 1955 para ser campeão do Torneio Rio-SP. Alto (tinha 1,90m), mas muito habilidoso, Ipojucan caiu como uma luva no esquema ofensivo da Lusa e contribuiu para o sucesso do time naquele ano. Encerrou a carreira na equipe paulista em 1958.

Nininho: foi o centroavante da Portuguesa entre 1945 e 1954 e marcou 132 gols pelo clube, se consagrando como o terceiro maior artilheiro da história da Lusa. Participou da campanha do título da Copa América de 1949 pela seleção brasileira.

Aírton: foi campeão do Torneio Rio-SP de 1955 pela Lusa e assumiu a condição de centroavante do time naquele ano. Não teve o destaque de Nininho, mas fez sua parte.

Pinga: é simplesmente um mito na Portuguesa. Motivo? É o maior artilheiro da história do clube com 284 gols marcados entre os anos de 1944 e 1953. Só não fazia chover pelo lado esquerdo do ataque do time e formou uma linha de frente maravilhosa naquele começo de anos 50. Foi convocado para a seleção brasileira 19 vezes e encerrou a carreira no Juventus, de São Paulo, em 1964.

Edmur: compôs o ataque da Lusa na campanha do título do Rio-SP de 1955, quando foi artilheiro com 11 gols marcados. Jogou na equipe de 1953 até 1957 e teve passagens pelo futebol português, espanhol e venezuelano.

Simão: chegou na Portuguesa em 1946 para se consagrar na ponta-esquerda do ataque do time no começo dos anos 50. Era muito veloz, driblador e decisivo, seja com gols (a maioria de chutes fortes de fora da área ou de falta), seja com assistências milimétricas.

Ortega: quando Simão deixou a Lusa em 1953, Ortega foi para a ponta-esquerda do time para ser campeão do Torneio Rio-SP de 1955. Fez boas partidas e conseguiu um lugar entre os grandes do clube no período.

Oswaldo Brandão, Jim Lopes, Aymoré Moreira, Abel Picabea e Délio Neves (Técnicos): de todos os treinadores que passaram pela Lusa naquele começo de anos 50, Oswaldo Brandão foi o principal responsável pelo brilho do time e por ter montado a base de ouro daquela Portuguesa supercampeã. Jim Lopes conquistou o Torneio Rio-SP de 1952 e manteve o bom relacionamento com os jogadores por ser muito atento às opiniões de seus atletas, como Brandão. Aymoré Moreira conduziu a Lusa em 1953, na conquista da Fita Azul, e quase uma década depois foi campeão mundial com a seleção na Copa de 1962. Picabea e Neves foram os últimos técnicos da era de ouro do time e conquistaram a Fita Azul de 1954 e o Rio-SP de 1955, respectivamente. Todos estão no rol de grandes na história do clube.

 

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5 thoughts on “Esquadrão Imortal – Portuguesa 1951-1955

  1. Dizem que a Portuguesa de Desportos jogava o futebol mais bonito do Brasil na primeira metade da década de 50. Mesmo em 1953 e 1954 ganhando apenas a Fita Azul por duas vezes, era forte, sendo o adversário que mais fazia frente ao vitorioso Corinthians, ganhando praticamente os mesmos títulos. Só faltou ser campeão paulista.
    Sua força já vinha desde a segunda metade dos anos 40, formando bons elencos. Com a chegada de grandes valores em 1951 é que fato viveu por 1 ano uma fase inesquecível, com a melhor equipe do futebol brasileiro.
    Diferente do time corinthiano, que ainda era bem competitivo até 1958 e 1959, depois de 1955, com o seu segundo Rio-São Paulo, perdeu bem a força, principalmente por causa da contusão de Brandãozinho e com a saída de Julinho Botelho para a Fiorentina.

  2. Maravilha! Muito gostoso essas recordações da história da simpática Portuguesa de Desportos. Sou corintiano mas adoro a Portuguesa. Aliás, todo
    amante do futebol gosta da Portuguesa, independentemente do clube para o qual torça. Seria muito interessante enviar cópia desta edição do IMORTAIS DO FUTEBOL para a Diretoria da Portuguesa de Desportos. Quem sabe se os diretores não serão incentivados a reunir um grande número de colaboradores dispostos a contribuir para o renascimento da nossa Portuguesa dos bons e maravilhosos tempos. Afinal, não são
    poucos, no Brasil, os simpatizantes dessa prestigiosa agremiação. Pensem nisso!

  3. Em uma edição de O MUNDO DA BOLA , da JOVEM PAN , Flávio Prado perguntou ao Roberto Petri : ” Quais as 10 maiores equipes de futebol em todos os tempos , entre clubes e seleções ? ” . Petri citou o Torino dos anos 40 , o River Plate dos anos 40 , o Real Madrid dos anos 50 , a Hungria de 54 , o Honved dos anos 50 , a Holanda de 74 , o Brasil de 58 , o Vasco dos anos 40 , o Benfica dos anos 60 e a Portuguêsa dos anos 50 . ” E entre essas , qual a maior equipe de futebol de todos os tempos ? ” Petri respondeu : – a Portuguêsa de Muca , Nena e Noronha ; Santos , Brandãozinho e Ceci ; Julinho , Renato , Nininho , Pinga e Simão . Esta equipe foi a base com a qual o Brasil ganhou o primeiro título fora do nosso país , o Panamericano no Chile , em 1952 . E o Petri conhece o futebol mundial como poucos !

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