Esquadrão Imortal – Colo-Colo 1989-1993

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Grandes feitos: Campeão da Copa Libertadores da América (1991), Campeão da Recopa Sul-Americana (1992), Campeão da Copa Interamericana (1992), Tetracampeão Chileno (1989, 1990, 1991 e 1993) e Bicampeão da Copa Chile (1989 e 1990). Foi o primeiro (e até hoje único) clube chileno campeão da Copa Libertadores da América.

Time base: Daniel Morón; Juan Carlos Peralta, Javier Margas, Lizardo Garrido e Miguel Ramírez; Gabriel Mendoza, Eduardo Vilches, Jaime Pizarro e Rubén Espinoza (Patrício Yáñez); Rubén Martínez (Ricardo Dabrowsky / Luís Pérez / Marco Etcheverry) e Marcelo Barticciotto (Leonel Herrera). Técnicos: Arturo Salah (1989-1990) e Mirko Jozic (1990-1993).

 

“El Cacique da América”

Estádio reinaugurado e novinho em folha. Time muito bem arrumado e vencedor. Chegada de técnico estrangeiro e consagração continental. Vitórias épicas e de goleada pra cima de grandes forças do futebol sul-americano. E títulos inéditos para o futebol chileno. Foi tudo isso e muito mais que o Colo-Colo do final dos anos 80 e início da década de 90 conseguiu graças a talentosos e aguerridos jogadores muito bem treinados pelo célebre técnico croata Mirko Jozic, que estivera no Chile em 1987 e gostou tanto do país que resolveu voltar em 1990. Escolha mais do que acertada, afinal, o gringo conseguiu levar os caciques da bola ao inédito título da Copa Libertadores de 1991, com direito a goleada por 3 a 0 na decisão contra o Olimpia-PAR, além de passeios sobre Boca Juniors-ARG e Nacional-URU, sempre na base do futebol dinâmico e do calor da torcida que lotava o estádio Monumental David Arellano. A única taça que escapou do esquadrão de Garrido, Margas, Mendoza, Peralta, Martínez e Barticciotto foi o Mundial Interclubes, que acabou ficando com o fortíssimo Estrela Vermelha-IUG. Mesmo assim, o torcedor do Cacique tem orgulho até hoje de dizer, bem alto, que seu time é o único na história do Chile a ter conquistado o mais cobiçado troféu da América. É hora de relembrar.

Namoro croata

Mirko Jozic: croata seria um dos maiores expoentes do Colo-Colo no começo dos anos 90.
Mirko Jozic: croata seria um dos maiores expoentes do Colo-Colo no começo dos anos 90.

 

Mesmo sob a ditadura do general Augusto Pinochet naquele final de anos 80, o Chile ainda tinha espaço para que seus clubes pudessem ter algum brilho no cenário futebolístico. O Cobreloa foi o primeiro a quase beliscar um título da Libertadores quando ficou com os vices em 1981 e 1982. Em 1987, o Colo-Colo bem que tentou algum lampejo e até venceu o São Paulo-BRA dos menudos, mas parou na primeira fase. Foi nesse mesmo ano que o país sediou o Campeonato Mundial Sub-20 da FIFA, que terminou com a Iugoslávia campeã absoluta e recheada de craques como Djukic, Mijatovic, Savicevic, Mihajlovic, Jugovic, Suker e Prosinecki (na época, a Croácia era território dependente da Iugoslávia). No comando daquele talentoso time estava o técnico Mirko Jozic, que gostou muito do que viu no país latino e teve as primeiras conversas com dirigentes do Colo-Colo, que queriam muito ter o croata no comando do time. No final de 1987, Jozic comandou as categorias de base do clube durante um ano, até retornar novamente à Europa. A diretoria tentou a todo custo trazer o croata de volta, mas não conseguiu. Mesmo sem o europeu, a equipe era muito forte na época e comandada com maestria por Arturo Salah, que levou o Colo-Colo ao título do Campeonato Chileno de 1989 após 20 vitórias, cinco empates e cinco derrotas em 30 jogos. No mesmo ano, o Cacique faturou o bicampeonato consecutivo da Copa Chile após triunfo por 1 a 0 sobre a Universidad Católica.  Em setembro, o clube reinaugurou seu estádio, o Monumental David Arellano, para mais de 60 mil pessoas. Era o marco zero para que o alvinegro embalasse de vez e tentasse voos ainda maiores nos anos seguintes.

 

Começa a revolução

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No comando do Colo-Colo desde 1986, Arturo Salah ganhou mais uma Copa Chile em 1990 (vitória por 3 a 2 sobre a freguesa Universidad Católica), teve seu trabalho reconhecido pela federação chilena e foi convidado a assumir o comando da seleção “roja”, prontamente atendido em setembro daquele ano. Foi a deixa para os dirigentes do clube entrarem em contato com Mirko Jozic, que aceitou o desafio e voltou ao Chile. Em sua chegada, Jozic deixou bem claro que os principais objetivos do Colo-Colo a partir daquele instante seriam o título nacional e a Copa Libertadores. Muitos pensaram que ele estava devaneando, mas aquilo era possível. O Colo-Colo tinha uma base montada por Arturo Salah muito boa e que precisava de apenas alguns retoques para dar liga em solo internacional. Jozic mudou o esquema tático e o foco daquela equipe, que passaria a abusar da força ofensiva e jogar no erro do adversário, marcando a saída de bola e sempre se fazendo valer da força do estádio Monumental. Jogadores que antes jogavam apenas um uma posição passaram a atuar em outros setores do campo, e Jozic construía um Colo-Colo polivalente, dinâmico, forte e muito bem postado.

O estádio Monumental, casa do Colo-Colo.
O estádio Monumental, casa do Colo-Colo.

 

Os frutos daquele time começaram a amadurecer já naquele final de 1990, quando Jozic faturou o título do Campeonato Chileno com 17 vitórias, 10 empates e só três derrotas em 30 jogos, além de uma impressionante zaga que levou apenas 22 gols (como efeito de comparação, a segunda melhor defesa do torneio, do Unión Española, levou 37). O atacante Rubén Martínez foi o destaque do time ao se sagrar artilheiro da competição com 22 gols em 28 jogos. A taça garantiu o clube chileno na Copa Libertadores de 1991, objeto de desejo de todos na equipe e do técnico Jozic, que queria terminar a segunda parte de seu projeto.

 

Para apagar o passado

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Vice-campeão da América lá em 1973 (perdeu para o Independiente-ARG) e eliminado nas oitavas de final de 1990 pelo Vasco-BRA, o Colo-Colo entrou na Copa Libertadores de 1991 disposto a riscar de vez o passado de fracassos na competição e mostrar para todos seu futebol moderno e competitivo. Com jogadores entrosados e muito eficientes como Daniel Morón, Miguel Ramírez, Lizardo Garrido, Javier Margas, Gabriel Mendoza, Eduardo Vilches, Marcelo Barticciotto, Rubén Martínez e muitos outros, a equipe começou sua caminhada continental no Grupo 2, ao lado de LDU-EQU, Deportes Concepción-CHI e Barcelona-EQU. Os comandados de Mirko Jozic empataram sem gols contra o Deportes na estreia, fora de casa, e venceram o Barcelona no Monumental por 3 a 1. Em seguida, vitórias em casa sobre o Deportes (2 a 0, gols de Barticciotto e Dabrowsky) e LDU (3 a 0, com dois gols de Dabrowsky e um de Mendoza), e dois empates fora contra Barcelona (2 a 2) e LDU (0 a 0). Líder de seu grupo, o Colo-Colo avançou até as oitavas de final e eliminou o Universitario-PER após empate sem gols fora de casa e vitória por 2 a 1 no Chile. Nas quartas, a equipe teria um duelo complicado contra o tricampeão Nacional-URU, mas nada era difícil para o time chileno quando jogava ao lado de sua fanática torcida. Com dois gols de Dabrowsky, um de Martínez e um de Espinoza, a equipe massacrou os uruguaios e goleou por 4 a 0, resultado que praticamente deu a classificação ao Colo-Colo. Na volta, os tricolores venceram só por 2 a 0 e foram eliminados. A final estava cada vez mais próxima para o Cacique chileno. Mas o adversário seguinte seria ainda maior: o Boca Juniors-ARG de Batistuta e Latorre.

 

Na raça e na bola, na final!

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Jogando muito bem e crescendo a cada jogo da Libertadores, o Colo-Colo foi para o tudo ou nada contra os argentinos naquela semifinal. No primeiro jogo, em La Bombonera, Graciani fez o único gol do jogo, o da vitória do Boca. Mesmo com o revés, os chilenos foram confiantes para a partida de volta, no Monumental tomado por mais de 64 mil pessoas. O jogo foi disputado, cheio de provocações e com o Boca notadamente pronto para apenas empatar e se segurar atrás. Mas o Colo-Colo jamais ia permitir que um intruso saísse de sua casa sem levar gols. Depois um primeiro tempo morno, o time chileno começou a todo vapor a segunda etapa e fez o primeiro gol após uma troca de passes pelo meio, quando Barticciotto recebeu na direita de Mendoza, driblou três marcadores e cruzou na medida para Martínez abrir o placar para os chilenos. Golaço! O segundo veio a partir de uma jogada em velocidade pela direita, cruzamento de Yañez e gol de Barticciotto. O Boca foi obrigado a partir para o ataque e Batistuta cruzou bonito para Latorre diminuir para os argentinos: 2 a 1. Aquele resultado levava a decisão para os pênaltis, mas o Colo-Colo tratou de liquidar o jogo no tempo normal com outro golaço. Aos 37´, troca de passes rápidos pela esquerda, Martínez tabela com Yañez e recebe de volta, marcando um lindo gol na saída do goleiro: 3 a 1. O gol provocou o delírio puro da torcida chilena        e iniciou uma confusão entre os jogadores argentinos e chilenos, que tiveram de ser contidos pela polícia local. Depois de ânimos ferventes, empurra-empurra e muita bagunça, o Colo-Colo celebrou a vitória por 3 a 1 e a classificação para a final. Era a grande hora de ser campeão da América.

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O Colo-Colo campeão da América: meio de campo do time era a principal arma do técnico Jozic para pressionar os adversários.
O Colo-Colo campeão da América: meio de campo do time era a principal arma do técnico Jozic para pressionar os adversários.

 

A história é escrita com goleada

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O Colo-Colo teria vários adversários pela frente naquela final de Copa Libertadores de 1991. O primeiro deles, claro, era o Olimpia-PAR, que trazia consigo a tradição de ser bicampeão continental, detentor do título à época e presente na terceira final seguida (1989, 1990 e 1991). Os paraguaios já não tinham mais o brilho do atacante Amarilla, mas continuavam bem competitivos com jogadores como Balbuena, Monzón e Samaniego. O outro adversário dos chilenos era a ausência de Patricio Yáñez, contundido na semifinal contra o Boca, e o artilheiro Ricardo Dabrowsky, que acumulava semanas no departamento médico. Sem esses jogadores, o técnico Jozic teve que improvisar na primeira partida com apenas Rubén Martínez no ataque e Barticciotto, Pizarro, Peralta, Espinoza e Mendoza no meio. O primeiro duelo foi no caldeirão do estádio Defensores del Chaco, em Assunção-PAR, e o Colo-Colo conseguiu segurar a pressão adversária (com o goleiro David Morón segurando tudo lá atrás), não levou gols e saiu do Paraguai com um valioso empate em 0 a 0. Porém, só para aumentar as dores de cabeça de Jozic, o atacante Martínez foi expulso no segundo tempo e aumentou para três o número de desfalques para a decisão.

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Em Santiago, naquele dia 05 de junho de 1991, mais de 65 mil pessoas lotaram o estádio Monumental David Arellano para apoiar o Colo-Colo no jogo mais importante de sua história. Sem Martínez, a equipe foi a campo com o desconhecido Luís Pérez, que teria a função de colocar para dentro as bolas lançadas pelos companheiros. E nunca um desconhecido fez tanto para se fazer notável. Aos 12´, Pérez tabelou na entrada da área paraguaia com Espinoza e chutou rasteiro, como manda o manual do centroavante, no cantinho do goleiro Battaglia: 1 a 0. Apenas cinco minutos depois, boa jogada de Barticciotto pela direita, que cruza na área. Pérez recebe, ajeita com categoria e chuta para fazer um lindo gol: 2 a 0. Delírio no Monumental! Um atacante antes desconhecido por todos e que havia estreado na equipe em março daquele ano já se consagrava com dois gols importantíssimos para o inédito título da Libertadores. O Colo-Colo dominou o jogo e liquidou de vez a fatura aos 40´do segundo tempo, após novo cruzamento da direita de Barticciotto e gol de Herrera: 3 a 0. Colo-Colo campeão da América. Era a primeira vez na história que um clube chileno conquistava o maior dos títulos do continente. A festa foi enorme em Santiago e encheu de orgulho a todos no país, além de ter emocionado jogadores, torcedores e comissão técnica presentes no estádio Monumental. Aquilo era tudo? Não. Os caciques queriam mais.

 

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Tricampeão

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Após o título inédito da Libertadores, o Colo-Colo manteve a pegada para buscar outra façanha: o tricampeonato chileno consecutivo. Embalados pelo artilheiro Rubén Martínez (artilheiro do torneio com 23 gols), os caciques foram campeões com 18 vitórias, oito empates e quatro derrotas em 30 jogos, com 57 gols marcados (melhor ataque) e 25 sofridos (melhor defesa). O tri inédito fez o clube igualar o até então intocável feito do C.D. Magallanes, tricampeão nos anos de 1933, 1934 e 1935. A equipe só não conseguiu ganhar o “triplete” por causa de uma partida esquecível contra o Palestino pelas quartas de final da Copa Chile daquele ano. Os alvinegros levaram de 5 a 1 e foram eliminados da competição.

 

Vítimas dos “professores”

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No Mundial, Mendoza não foi páreo para Mihajlovic.

 

Depois de duas taças, o Colo-Colo foi até o Japão em 08 de dezembro de 1991 para disputar a final do Mundial Interclubes. Por ironia do destino, o adversário seria o Estrela Vermelha-IUG, time que contabilizava em seu elenco a base daquela seleção iugoslava campeã mundial sub-20 em 1987 e comandada por Mirko Jozic, o técnico do clube chileno. No duelo entre criador e suas criaturas, melhor para o Estrela, que venceu facilmente os caciques por 3 a 0 (dois gols de Jugovic e um de Pancev). A acachapante derrota fez com que muitos pensassem que ali era o fim de uma era. Mas o Colo-Colo ainda daria mais algumas alegrias para sua torcida.

 

Novas taças internacionais, último título nacional e o fim

No ano de 1992 os adversários do Colo-Colo queriam a todo custo derrotar os campeões da América, por isso, a concorrência interna no Campeonato Chileno e na Copa Chile foi acirrada. Os caciques foram até o fim em ambas as competições, mas acabaram com o(s) vice(s). No torneio nacional, o Cobreloa foi campeão com apenas dois pontos de vantagem e uma vitória a menos que o Colo-Colo, dono do melhor ataque com 68 gols em 30 jogos. Na Copa, derrota na final por 3 a 1 para o Unión Española.

Se no âmbito nacional o time não foi bem, no internacional a história foi diferente. Embora tenha caído já nas oitavas de final da Libertadores diante do Barcelona-EQU, os caciques conquistaram a Recopa Sul-Americana com vitória nos pênaltis (5 a 4) sobre o Cruzeiro-BRA após empate sem gols no tempo normal. Em setembro, foi a vez de os chilenos levantarem o troféu da Copa Interamericana após destroçarem os mexicanos do Puebla FC por 4 a 1 no México (com três gols de Barticciotto) e 3 a 1 no Chile.

Em 1993, o Colo-Colo retomou a coroa no Campeonato Chileno e conseguiu mais um título após 17 vitórias, 10 empates e três derrotas em 30 jogos, com 50 gols marcados e 21 sofridos (melhor defesa). Aquela, no entanto, seria a última taça com Mirko Jozic no comando da equipe. Em 1994, o treinador croata assumiu o comando técnico da seleção chilena e deixou órfão o clube alvinegro, que jamais conseguiu repetir os feitos daqueles anos de ouro. Nos anos seguintes a equipe conquistou títulos nacionais e fez uma ótima campanha na Copa Sul-Americana de 2006 graças a jogadores como Arturo Vidal, Humberto Suazo e Alexis Sánchez. No entanto, os chilenos perderam para os mexicanos do Pachuca na final.

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Desde então os torcedores esperam por uma nova safra de talentos que possa fazer o Cacique da América voltar das cinzas e assumir o topo que fora dele naquele começo de anos 90. E que nenhum outro clube do Chile ousou em igualar ou superar, fato que por si só já faz daquele Colo-Colo um esquadrão imortal.

 

Os personagens:

Daniel Morón: ídolo incontestável do Colo-Colo, o argentino marcou época no clube com defesas espetaculares, muita segurança e agilidade, além de se impor em campo e chamar a responsabilidade. Com sua clássica camisa amarela, “El Loro” jogou de 1988 até 1994 no clube chileno e conquistou quase todos os títulos possíveis. Teve tanta simpatia com o Chile que se naturalizou chileno nos anos 90.

Lizardo Garrido: mítico zagueiro do Colo-Colo, Garrido marcou época com a camisa alvinegra e se consagrou como um dos melhores de seu tempo graças a sua qualidade em sair jogando, eficiência nas bolas aéreas, grande velocidade e ótima desenvoltura no mano a mano com os atacantes rivais. Jogou de 1980 até 1992 na equipe e foi um dos principais jogadores das conquistas do clube entre 1989 e 1992.

Miguel Ramírez: defensor de muita qualidade, velocidade e garra, Ramírez contribuiu para a consistência daquela ótima zaga do Colo-Colo do começo dos anos 90. Era muito seguro e esbanjava categoria em campo. Jogava como lateral-esquerdo mais recuado e ajudava na marcação do meio de campo. Jogou de 1990 até 1995 na equipe, teve passagens pelo futebol espanhol e mexicano e voltou ao alvinegro em 2004 para encerrar a carreira um ano depois.

Javier Margas: cria das bases do Colo-Colo, o defensor fez uma parceria memorável com Garrido na zaga da equipe naquele começo de anos 90. Era forte, muito eficiente na marcação e ótimo cabeceador. Jogou de 1988 até 1995 no time.

Juan Carlos Peralta: ao lado de Mendoza, cuidava do setor direito do Colo-Colo com força na marcação e precisão nos passes. Era ele quem dava a liberdade necessária para o companheiro poder atacar com tranquilidade. Jogava, também, como meio campista.

Gabriel Mendoza: era um dos polivalentes do time montado por Jozic ao agregar qualidade tanto defensiva quanto ofensiva. Jogava pelo lado direito e era ótimo na armação e também na marcação. Tinha grande aptidão física e ótima técnica. Ia constantemente para a linha de fundo e ajudava o craque Barticciotto nas jogadas de ataque.

Eduardo Vilches: podia jogar como zagueiro ou como um forte e imponente volante de marcação, posição esta que o consagrou no esquema de jogo do técnico Jozic. Tinha um chute poderoso de longa distância. Jogou de 1989 até 1994 no clube alvinegro.

Rubén Espinoza: dos polivalentes do Colo-Colo, Espinoza talvez fosse o maior de todos. Podia jogar como lateral-esquerdo, primeiro ou segundo volante e até como meia. Era um dos destaques do meio de campo da equipe chilena naqueles anos de ouro. Marcou cinco importantíssimos gols na campanha do título da Libertadores de 1991.

Jaime Pizarro: foi o capitão do Colo-Colo campeão da América e um dos maiores jogadores do clube naqueles anos históricos. Era um meio-campista completo, muito eficiente nas roubadas de bola, na armação e nos chutes de média distância com as duas pernas. Jogou de 1982 até 1993 no clube e é um dos ídolos imortais da torcida.

Patrício Yáñez: chegou veterano ao Colo-Colo em 1991, mas ainda conseguiu ajudar a equipe na caminhada do título da Libertadores. Deu qualidade e inteligência ao ataque do time em vários dos jogos, principalmente na reta final da competição.

Rubén Martínez: goleador nato, Martínez foi a principal referência no ataque do Colo-Colo e essencial para o tricampeonato chileno do time nos anos de 1989, 1990 e 1991, além de ter sido artilheiro do torneio nessas três edições. Uma pena que tenha ficado de fora da decisão da Libertadores de 1991 após ser expulso na primeira partida contra o Olimpia. Era frio e muito oportunista dentro da área, além de se especializar em fazer tabelas em profundidade. Craque imortal do clube e ídolo da torcida.

Ricardo Dabrowsky: foi o goleador do Colo-Colo na Libertadores de 1991 com seis gols, mas uma lesão o tirou das partidas decisivas do time na reta final. Felizmente, o clube conseguiu se virar, e o grandalhão argentino foi campeão do torneio.

Luís Pérez: o atacante Luís Pérez passou como um cometa pelo Colo-Colo e teve o mesmo efeito: foi rápido, encantou e deixou saudades. Emprestado pela Universidad Católica apenas para a disputa da Libertadores, Pérez foi titular em plena final de Libertadores e marcou dois belos gols na decisão que o colocaram para sempre no rol dos ídolos eternos do clube. Após o título, Pérez voltou à Universidad e nunca mais voltou. Mas nem precisava, afinal, seu dever já havia sido cumprido.

Marco Etcheverry: o “Pelé” boliviano chegou no final da temporada de 1993 no Colo-Colo e teve alguma contribuição na conquista do Campeonato Chileno daquele ano. Em 1994, ganhou também a Copa Chile e teve tempo para encantar os torcedores com seu futebol rápido, virtuoso e muito eficiente.

Marcelo Barticciotto: o argentino foi um dos mais emblemáticos e talentosos jogadores da história do Colo-Colo e ícone de uma era marcante da equipe alvinegra. Era o típico ponta que partia pra cima dos rivais com velocidade, dribles rápidos e cruzamentos certeiros. Foi fundamental nos títulos nacionais de 1989, 1990 e 1991 e na Libertadores de 1991. Barticciotto se identificou muito com a equipe chilena, pela qual jogou de 1988 até 1992 e de 1996 até 2002, quando encerrou a carreira e foi até treinador do próprio Colo-Colo, mas sem o brilho dos tempos de jogador.

Leonel Herrera: perambulou por várias equipes ao longo da carreira, inclusive pelo Colo-Colo, onde esteve em 1991 e marcou um dos três gols que deram o título da Libertadores para a equipe. Era rápido e tinha boa presença de área no ataque.

Arturo Salah e Mirko Jozic (Técnicos): Salah assumiu o comando do Colo-Colo em 1986 e formou a base de um time que faria história no futebol chileno e sul-americano naquele começo de anos 90. A chegada de Jozic marcou definitivamente a ascensão do time ao topo da América com um futebol fortíssimo no meio de campo, uma zaga segura e quase intransponível e jogadores capazes de atuarem fora de suas posições de origem. Jozic provocou uma verdadeira revolução no clube e se eternizou como o mais importante técnico do Colo-Colo pelos títulos, pelo simbolismo do futebol e por ser lembrado até hoje por qualquer torcedor. Mas tudo começou com Arturo Salah. Por isso, ambos são imortais.

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Extras:

Batalha e vaga na final

Veja os gols que classificaram o Colo-Colo para a decisão da Libertadores de 1991.

 

iCampeones!

Na final contra o Olimpia, vareio do Cacique e goleada: 3 a 0.

 

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2 thoughts on “Esquadrão Imortal – Colo-Colo 1989-1993

  1. Belo artigo sobre o Colo Colo, não cheguei a ver esse time, mas já ouvi dizer que foi um dos melhores times da América do Sul na época. Ainda no Chile, uma boa equipe recente foi a da Universidad de Chile de 2011

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