Craque Imortal – Peyroteo

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Nascimento: 10 de Março de 1918, em Humpata, Angola (à época colônia portuguesa). Faleceu em 28 de novembro de 1978, em Lisboa, Portugal.

Posição: Atacante

Clubes: Sporting-POR (1937-1949) e Os Belenenses-POR (1949-1950).

Principais títulos por clubes: 5 Campeonatos Portugueses  (1940-1941, 1943-1944, 1946-1947, 1947-1948 e 1948-1949), 5 Taças de Portugal (1937-1938, 1940-1941, 1944-1945, 1945-1946 e 1947-1948) e 1 Supercopa de Portugal (1944) pelo Sporting.

 

Principais títulos individuais e artilharias:

Maior artilheiro da história do Campeonato Português: 331 gols em 197 jogos (média de 1,68 gols por jogo).

Artilheiro do Campeonato Português: 1937-1938 (34 gols), 1939-1940 (29 gols), 1940-1941 (29 gols), 1945-1946 (37 gols), 1946-1947 (43 gols) e 1948-1949 (39 gols).

Maior artilheiro da história do Sporting: 635 gols em 393 jogos* (média de 1,62 gols por jogo) *contabilizando partidas amistosas. Em jogos oficiais, foram 529 gols em 327 jogos.

Artilheiro com a maior média de gols em campeonatos nacionais do mundo: 331 gols em 197 jogos (média de 1,68 gols por jogo).

Tido como dono da melhor média de gols marcados da história do futebol: 1,61 gols por jogo (693 gols em 430 jogos).

“A Máquina de Golos”

Ele teve um número de gols maior do que o de partidas que disputou na carreira. Era comum para aquele craque fazer de três a cinco gols por jogo. Ou seis. E oito. Por que não nove?! Nem Puskás, nem Pelé, nem Eusébio, nem Gerd Müller. O mais letal, prolífico e assombroso atacante da história do futebol mundial foi Fernando Baptista Seixas Peyroteo, ou simplesmente Peyroteo, uma máquina de “golos” que apavorou o futebol português e europeu nos anos 40 e cravou recordes alucinantes e dificílimos de serem igualados ou batidos. Já estamos no século XXI, vimos artilheiros incríveis e ninguém conseguiu passar perto de tudo o que Peyroteo fez, sobretudo, com a camisa verde e branca do Sporting, clube onde ele foi a estrela principal de um quinteto de ataque que ficou eternizado na memória de todos sob o nome “Cinco Violinos”. Eles jogavam realmente por música e Peyroteo era o maestro de uma equipe que colecionou títulos em Portugal e teve médias de gols estrondosas. Pouco conhecido na América e no Brasil, este português forte, rápido e muito talentoso foi o atacante perfeito e um sonho para qualquer treinador ou torcedor. É hora de conhecer as façanhas e carreira desse mito do futebol.

 

Nascido para os gols

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Fernando Peyroteo cresceu em Humpata, uma vila angolana com pouco mais de 30 mil habitantes e uma das primeiras colônias portuguesas no interior de Angola. O jovem começou a pegar gosto pelo futebol desde cedo e mostrou um talento precoce e incrível para marcar gols com a camisa do Sporting de Luanda. Por causa de um problema de saúde de sua mãe, Peyroteo viajou até Portugal com 19 anos e foi lá que seguiu em direção ao Sporting Lisboa, mesmo clube de um amigo angolano que havia indicado o jogador à diretoria do time alviverde. A fama de goleador de Peyroteo era grande e o jovem passou a fazer testes na equipe até disputar seu primeiro jogo-treino em agosto de 1937. O garoto começou a partida muito tenso e nervoso, mas se acalmou com o decorrer da partida e anotou três gols logo de cara. O jovem deixou bem claro que era uma joia rara e sua contratação foi acertada quase que instantaneamente, sem contrato ou algo do tipo, apenas por palavra de honra entre o jogador e os dirigentes, num raro acordo de confiança mútuo. Tempo depois, Porto e Benfica tentaram seduzir o futuro craque, mas ele declinou e preferiu cumprir sua palavra mesmo diante de ofertas mais vantajosas financeiramente. Para a sorte dos alviverdes, começaria já em outubro de 1937 uma era de ouro e inesquecível para o time do Campo do Lumiar.

 

O atacante perfeito

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Depois de anotar três gols em seu primeiro jogo e realizar treinos intensivos e separados dos outros jogadores, Peyroteo fez sua estreia profissional contra o Benfica, em 12 de outubro de 1937. Na ocasião, o atacante marcou dois gols na vitória por 5 a 3. A força física do jogador, bem como sua impressionante precisão nos chutes encantou a todos, em especial o jornal Sports, que salientou as qualidades do craque no dia seguinte:

“Peyroteo tem recursos físicos excelentes e possui pontapé fácil. (…) Trata-se de um elemento com bases sólidas para ser trabalhado”.

O Sporting de 1940-1941: Peyroteo é o jogador à frente da taça, agachado.
O Sporting de 1940-1941: Peyroteo é o jogador à frente da taça, agachado.

 

Em sua primeira temporada no Campeonato Português, Peyroteo causou o terror nas defesas adversárias e se tornou o artilheiro da competição com 34 gols em apenas 14 jogos (!). Para se ter uma ideia, o craque marcou sozinho o mesmo número de gols do campeão português daquele ano – Benfica, e mais gols que os dois últimos times do torneio somados. O Sporting teve o melhor ataque do torneio com 67 gols marcados, mas mesmo assim não conseguiu o título. No entanto, a equipe faturou a Taça de Portugal após derrotar o Benfica na final por 3 a 1.

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Depois de passar perto do título nacional em 1939 e 1940, o Sporting de Peyroteo colocou fim à espera pela taça e faturou o título nacional com 11 vitórias, um empate, duas derrotas, 58 gols marcados e 23 sofridos, com Peyroteo sendo novamente o artilheiro da competição com 29 gols em 14 jogos. No mesmo ano, a equipe venceu outra Taça de Portugal ao bater Os Belenenses por 4 a 1 na decisão. Com uma incrível média de gols, Peyroteo começou aquela década de 40 como o principal responsável por fazer do Sporting o clube com melhor ataque do país e ganhou várias convocações para a seleção portuguesa (ao todo, foram 20 partidas e 14 gols). Nas temporadas 1941-1942 e 1942-1943, o craque fez 28 e 22 gols, respectivamente, mas não conseguiu ajudar o Sporting a erguer o troféu nacional. Foi nesse período que Peyroteo fez história ao marcar nove gols em uma só partida (recorde no futebol português) na goleada por 14 a 0 sobre o Leça. O craque voltou a comemorar um título nacional em 1943-1944, quando os alviverdes venceram 14, empataram três e perderam apenas um dos 18 jogos disputados. A equipe fez 67 gols (24 de Peyroteo) e sofreu 22.  Na temporada seguinte, novo vice e Peyroteo artilheiro com 37 gols em 21 jogos.

Pela seleção portuguesa, Peyroteo marcou 14 gols em 20 jogos.
Pela seleção portuguesa, Peyroteo marcou 14 gols em 20 jogos.

 

Os Cinco Violinos

Os músicos da boal do Sporting: Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.
Os músicos da bola do Sporting: Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano.

 

A partir de 1946, o futebol português viveu sob o domínio máximo de cinco jogadores que transformaram o Sporting em uma verdadeira máquina. Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano formaram a linha de ataque alviverde que ficou conhecida como os “Cinco Violinos”. A expressão foi criada pelo jornalista e treinador Tavares da Silva pelo fato de os jogadores formarem uma verdadeira orquestra de futebol tamanha beleza de suas atuações, do espírito coletivo e, claro, da quantidade de gols. Com os cinco em campo, o Sporting se tornou tricampeão do Campeonato Português, façanha que começou em 1946-1947, quando o time marcou incríveis 123 gols em 26 jogos (média de quase cinco por jogo!) e venceu 23 partidas. Peyroteo atingiu um recorde na artilharia do torneio ao anotar 43 gols em 19 partidas disputadas (média de 2,26 gols por jogo). Somente em 1974 a façanha de Peyroteo foi superada , pelo também sportinguista Yazalde, que marcou 46 gols em 30 jogos, ainda sim uma média bem inferior a de Peyroteo.

No fabuloso ataque dos Violinos, Peyroteo era o legítimo centroavante fazedor de (muitos) gols.
No fabuloso ataque dos Violinos, Peyroteo era o legítimo centroavante fazedor de (muitos) gols.

 

Na temporada 1947-1948, Peyroteo não marcou tantos gols (14 em 17 jogos), mas teve papel fundamental para o título alviverde num mítico jogo contra o Benfica, pelo returno da competição. A equipe do craque precisava vencer por três gols de diferença fora de casa se quisesse ficar com o bicampeonato. Muitos davam como certo o título do Benfica pelo fato de Peyroteo não poder disputar a partida decisiva por causa de uma forte febre que o acometera na noite anterior ao jogo. No entanto, o jogador mostrou força de vontade e garra ao pedir para jogar e tentar fazer de tudo para que os alviverdes pudessem alcançar a façanha improvável. E Peyroteo provou mesmo ser um fenômeno ao marcar três dos quatro gols do Sporting na vitória por 4 a 1. Uma partida épica que colocou o craque no rol dos imortais do clube de Lisboa.

Peyroteo com o troféu "O Século", entregue juntamente com o título do Campeonato Português de 1948.
Peyroteo com o troféu “O Século”, entregue ao Sporting em 1948 em homenagem aos diversos títulos nacionais conquistados naquela década pelo clube alviverde.

 

Em 1948, cheio de dívidas por causa de uma fracassada tentativa de montar uma loja de artigos esportivos, Peyroteo decidiu se aposentar para utilizar o dinheiro proveniente da festa de sua despedida, algo muito comum na época. No entanto, sócios do Sporting resolveram adiantar ao craque o dinheiro para que ele seguisse jogando por mais um ano. Peyroteo ficou extremamente lisonjeado e resolveu retribuir como nunca o favor prestado da melhor maneira possível: com gols. O artilheiro fez 39 tentos na campanha do tricampeonato do Sporting em 1948-1949 e foi decisivo mais uma vez para o esquadrão alviverde, que marcou exatos 100 gols em 26 jogos.

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Aposentadoria e o adeus ao mito

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Em 1949, aos 31 anos, Peyroteo decidiu mesmo se aposentar e ganhou enormes honras do Sporting, onde é tido como maior atleta da história do clube. O atacante ainda jogou algumas partidas pela equipe d´Os Belenenses, mas não teve o mesmo vigor de antes e só pensava em sanar as dívidas da Casa Peyroteo, a loja de artigos esportivos que o craque abriu em Lisboa. Peyroteo decidiu voltar a sua terra natal, onde não encontrou grandes perspectivas e o fez voltar a Lisboa. Nos anos 60, comandou a seleção portuguesa em duas partidas, mas perdeu ambas e deixou a equipe para Manuel da Luz Afonso. Tempo depois, sofreu uma lesão após um jogo de veteranos e teve a perna amputada por causa de uma cirurgia malsucedida. Em 1978, o maior artilheiro da história do Sporting sofreu um ataque cardíaco e faleceu aos 60 anos de idade.

 

Superá-lo: uma missão impossível

Mesmo sem a fama de vários artilheiros dos anos posteriores à sua época, Peyroteo segue intocável e insuperável como o maior artilheiro que o futebol já viu. Ninguém até hoje conseguiu atingir uma média tão alta de gols como a do craque, que permanece no topo de várias listas de artilheiros e até no livro dos recordes. Soberano do ataque do Sporting nos anos 40 e ídolo máximo da torcida alviverde, Peyroteo foi a maior máquina de “golos” da história do futebol. E dificilmente será superado por alguém, afinal, se nem Pelé conseguiu atingir a média do “Violino futebolístico” mais afinado da história, quem conseguirá? Só por isso, Fernando Peyroteo é, e sempre será, um craque imortal.

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Números de destaque:

Marcou quatro gols em um só jogo 17 vezes.

Marcou cinco gols em um só jogo 12 vezes.

Marcou seis gols em um só jogo 3 vezes.

Marcou oito gols em um só jogo (Sporting 12×1 Boa Vista, temporada 1948-1949).

Marcou nove gols em um só jogo (Sporting 14×0 Leça, temporada 1941-1942).

 

Extra:

Veja imagens marcantes sobre a carreira de Peyroteo.

 

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7 thoughts on “Craque Imortal – Peyroteo

  1. Boa Guilherme poucos conheçem a história de Peyroteo no Brasil se fala de Romário + e quanto a Peyroteo ?
    sempre será titular no meu Portugal de todos os tempos

  2. Um verdadeiro craque, do tempo em que o amor à camisola era mais forte que tudo! Uma verdadeira máquina do golo, um aversão preliminar (mas mais mortífera!) do bombardeiro alemão, Gerd Muller. Tal como muitos afirmam, do pescoço para baixo quase todos os jogadores podem ser bons, mas é a cabecinha que os distingue: uns têm, outros não!

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