Esquadrão Imortal – Real Madrid 1983-1990

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Grandes feitos: Bicampeão da Copa da UEFA (1984-1985 e 1985-1986), Pentacampeão do Campeonato Espanhol (1985-1986, 1986-1987, 1987-1988, 1988-1989 e 1989-1990), Campeão da Copa do Rei (1988-1989), Tricampeão da Supercopa da Espanha (1988, 1989 e 1990) e Campeão da Copa da Liga Espanhola (1984-1985).

Time base: Miguel Ángel (Agustín Rodríguez / Paco Buyo); Chendo, Sanchís, Uli Stielike (Tendillo / Jesús Ángel Solana / Ruggeri) e Camacho; Schuster, Martín Vázquez (Hierro), Míchel e Gordillo (Pardeza / Gallego); Hugo Sánchez (Santillana / Jorge Valdano) e Butragueño (Juanito). Técnicos: Alfredo Di Stéfano (1983-1984 e 1990), Amancio Amaro (1984-1985), Luis Molowny (1985-1986), Leo Beenhakker (1986-1989) e John Toshack (1989-1990).

“La Quinta del Buitre“

Aquele esquadrão vestido de branco podia tudo. Ou quase tudo. Os jovens davam a tona em campo. O futebol era totalmente ofensivo. Os gols eram maravilhosos, acrobáticos ou originados de jogadas arquitetadas com a mais pura inteligência e beleza. Virar partidas impossíveis era um hobby. E jogar no Santiago Bernabéu lotado era o mais puro deleite para os madrilenos e o mais puro terror para qualquer adversário, afinal, 90 minutos no imponente estádio da capital espanhola são muito longos… Entre 1983 e 1990, a Espanha viveu sob o domínio de uma só equipe: o Real Madrid de Sanchís, Míchel, Camacho, Chendo, Rafael Martín Vázquez, Schuster, Hugo Sánchez e o grande astro daquele time imortal – Emílio Butragueño, a encarnação do abutre que batizou um dos maiores esquadrões da história do Real Madrid, o Madrid de La Quinta del Buitre (algo como “o quinteto – ou quina – do abutre”), equipe quase toda formada nas categorias de base do clube espanhol que conquistou, entre outros títulos, um bicampeonato inédito da Copa da UEFA e um inesquecível pentacampeonato consecutivo do Campeonato Espanhol. Mais do que as conquistas, aquele time virou sinônimo de futebol bem jogado, de ofensividade pura e mudou para sempre o jeito de jogar bola na Espanha a partir do final dos anos 80. É hora de relembrar.

 

O nascimento de La Quinta

A garotada do Castilla campeão de 1983-1984: cinco jovens desse time entrariam para a história do Real Madrid principal.
A garotada do Castilla campeão de 1983-1984: cinco jovens desse time entrariam para a história do Real Madrid principal.

 

Depois de perder a final da Liga dos Campeões da UEFA de 1981 para o fortíssimo Liverpool-ING de Ray Clemence, Phil Neal, Kenny Dalglish, Terry McDermott e Graeme Souness, o Real Madrid buscava naquele ano de 1983 a reconstrução de sua equipe para voltar a brilhar não só em solo europeu, mas também em casa. O time não conquistava o título do Campeonato Espanhol desde a temporada 1979-1980 (uma eternidade se tratando de Real Madrid) e só teve um momento de brilho em 1982, quando levantou a Copa do Rei. No entanto, tudo mudou graças ao surgimento de uma garotada boa de bola comandada pelo técnico Amancio Amaro, lenda madrilena que conquistou a Europa com o Real “Yé-Yé” em 1966 como jogador. A equipe do Real Madrid Castilla, time “B” do clube espanhol, venceu de maneira histórica na temporada 1983-1984 o título do campeonato nacional da segunda divisão, algo inédito e jamais igualado por outra equipe reserva de um clube espanhol. Naturalmente, o Castilla não pôde subir de divisão pelo fato de o Real Madrid principal já estar na primeirona. No entanto, a base daquele time campeão seria muito bem aproveitada pelo técnico do Madrid à época, Alfredo Di Stéfano, outra lenda que dispensa apresentação. Cinco jogadores em especial ganharam a atenção da diretoria do clube após o jornalista Julio César Iglesias escrever um artigo no jornal El País batizando o time campeão de “La Quinta del Buitre”, referência aos talentos Manolo Sanchís, Miguel Pardeza, Míchel, Rafael Martín Vázquez e o tal de buitre, Emílio Butragueño, atacante rápido, oportunista e muito promissor que já ostentava o apelido de “abutre” (buitre, em espanhol) por ter uma visão apurada e rodear o campo em busca de alimento, ou melhor, de gols.

Butragueño e Di Stéfano: lendas merengues.
Butragueño e Di Stéfano: lendas merengues.

 

Muito bem treinados por Amancio, os cinco craques foram levados para o time principal e devidamente lapidados por Di Stéfano, que foi escalando os jovens aos poucos no time titular, que já tinha nomes como Miguel Ángel, Chendo, Camacho, Gallego, Stielike, Juanito e Santillana. Com média de idade abaixo dos 21 anos, cheios de vitalidade e gana para vencer, o quinteto deu a juventude e a força que tanto o Real Madrid precisava para retomar o caminho das glórias e voltar a ser o soberano do país. O retorno das taças pelas bandas do Santiago Bernabéu era apenas uma questão de tempo.

 

Para retomar a mística

O mexicano Hugo Sánchez virou uma das figurinhas mais famosas da história do Real Madrid.
O mexicano Hugo Sánchez virou uma das figurinhas mais famosas da história do Real Madrid.

 

Na temporada 1984-1985, o Real Madrid sofreu mudanças em seu corpo técnico quando Di Stéfano deu lugar a Amancio Amaro e este saiu para a chegada de Luis Molowny, mas nada disso interferiu no trabalho realizado no dia-a-dia do clube. Com um esquema tático totalmente voltado para o futebol ofensivo e trabalhando a bola de maneira incisiva e organizada, a equipe usou o Campeonato Espanhol como teste para entrosar ainda mais os jogadores e estudar até onde aquele time poderia chegar. No torneio nacional, o clube ficou apenas na quinta posição, e na Copa do Rei foi eliminado ainda nas oitavas de final. Durante a competição nacional, o clube madrileno viu no rival Atlético uma peça que cairia como uma luva no time: o atacante mexicano Hugo Sánchez, artilheiro do campeonato daquela temporada com 19 gols e extremamente decisivo com a bola nos pés dentro da área. Sánchez foi contratado logo no fim do torneio e iria formar uma dupla eletrizante ao lado de Butragueño no ataque merengue. Mesmo sem títulos nacionais, o clube ainda daria grandes alegrias à sua torcida em outra competição: a Copa da UEFA.

 

Las remontadas

Santillana vibra: o Santiago Bernabéu pulsou como nunca naquelas noites de anos 80.
Santillana vibra: o Santiago Bernabéu pulsou como nunca naquelas noites de anos 80.

 

Se em torneios longos aquele Real ainda não estava no ponto, nos de tiro curto a história era bem diferente. Com o vice-campeonato nacional de 1983-1984, a equipe garantiu um lugar na Copa da UEFA, torneio que os merengues jamais haviam vencido. Na primeira fase, a equipe mostrou seu poder de fogo ao vencer o Wacker Innsbruck-AUT por 5 a 0, em casa, e perder por apenas 2 a 0, fora. Na fase seguinte, os espanhóis perderam para o NK Rijeka-IUG por 3 a 1, mas deram o troco no Santiago Bernabéu com uma goleada de 3 a 0 (gols de Juanito, Santillana e Valdano).

A “remontada” contra os iugoslavos não foi nada perto do que os garotos de Madrid fizeram nas oitavas de final contra o Anderlecht-BEL. Depois de perder por 3 a 0 a partida de ida, muitos acreditavam que os espanhóis já estavam eliminados. Porém, o abutre Butragueño chamou para si a responsabilidade e comandou um verdadeiro passeio do Real pra cima dos belgas: 6 a 1, com três gols do atacante, um de Sanchís e dois de Valdano. A vitória épica mostrou a imensa maturidade daqueles garotos e a intensidade de jogo do time comandado por Amancio Amaro, que acreditava na vitória a qualquer momento e em qualquer circunstância. Nas quartas de final, La Quinta liquidou o Tottenham Hotspur-ING já na partida de ida, na Inglaterra, com uma vitória por 1 a 0. Na volta, o empate sem gols classificou os espanhóis para a semifinal.

 

“Noventa minuti en el Bernabéu son molto longo…”

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O último desafio do Real antes da final da Copa era a forte Internazionale-ITA de Zenga, Giuseppe Baresi (irmão de Franco Baresi), Bergomi, Mandorlini, Altobelli e Rummenigge. No primeiro jogo, no estádio Giuseppe Meazza lotado com mais de 75 mil pessoas, os garotos sentiram a pressão do adversário e perderam por 2 a 0. Mas o Real Madrid mostrou que era mesmo o “rei das remontadas” e fez a Inter tremer diante dos 95 mil torcedores que lotaram o Santiago Bernabéu na noite de 24 de abril de 1985. Com dois gols de Santillana ainda no primeiro tempo, o Real igualou o placar agregado e passou à frente no comecinho do segundo tempo, quando Míchel fez o terceiro gol. Depois disso, a partida virou uma festa merengue e o atacante Juanito ainda teve tempo para zombar o zagueiro Graziano Bini sobre a mística e força do estádio madrileno em bom italiano:

“Noventa minuti en el Bernabéu son molto longo…” (noventa minutos no Bernabéu são muito longos).

Bini e toda a Inter entenderam muito bem o recado. E o Real Madrid se classificou para a final da Copa da UEFA de 1984-1985.

 

Campeões da Europa

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Na decisão, os espanhóis encararam os húngaros do Videoton, que haviam eliminado pelo caminho equipes como Manchester United-ING, Partizan-IUG e PSG-FRA. O primeiro jogo foi disputado na Hungria e o Real pareceu jogar em casa. Com gols de Míchel, Santillana e Valdano, a equipe venceu por 3 a 0 e foi para a partida de volta, no Santiago Bernabéu, bem relaxada. Aliás, relaxada até demais, pois os húngaros venceram o jogo por 1 a 0, mas o resultado não tirou a inédita Copa da UEFA das mãos merengues. O título serviu para provar que aquela geração podia, sim, dar muitas glórias ao Real Madrid e marcar época no futebol espanhol e também europeu. Era hora de começar a escrever mais e mais páginas de sucesso.

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La Quinta de los Machos

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O título da Copa da UEFA de 1984-1985 e as chegadas de Hugo Sánchez, Gordillo e Maceda no começo da temporada 1985-1986 ao Real fizeram a Quinta del Buitre virar a Quinta de los Machos, pelo fato de a garotada merengue já ter a experiência necessária para brigar pelo título do campeonato nacional e por outras façanhas.  Com um ataque devastador e entrosado, o Real venceu com sobras o Campeonato Espanhol depois de 26 vitórias, quatro empates e apenas quatro derrotas em 34 partidas, com 83 gols marcados (melhor ataque) e 33 sofridos. Hugo Sánchez foi o artilheiro do torneio com 22 gols marcados em 33 jogos, seguido do também madrileno Jorge Valdano, com 16. Durante a competição, o Real venceu todos os 17 jogos disputados em sua casa, com destaque para o 3 a 1 sobre o Barcelona, o 2 a 0 em cima do Athletic Bilbao e a goleada de 5 a 0 ante o Valencia. A liderança foi conquistada na sétima rodada e não foi largada até o final do torneio.

Faminto por títulos, o Real Madrid começou sua busca pelo bicampeonato da Copa da UEFA com uma vitória por 5 a 0 sobre o AEK-GRE, em casa, após derrota por 1 a 0, fora. Na fase seguinte, vitória por 2 a 1 e empate sem gols contra o Chornomorets (!) Odessa-URSS, resultados que garantiram o clube merengue nas quartas de final, onde o time teria pela frente o Borussia Mönchengladbach-ALE, clube de um país que sempre trouxe péssimas recordações e eliminações ao time espanhol.

 

A maior remontada

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Se a Alemanha já era “la bestia negra” para qualquer torcedor do Real Madrid, após o primeiro duelo entre o time espanhol contra o Borussia a fama ficou ainda mais consolidada. Completamente apático e jogando bem abaixo do que estava acostumado, o Real levou uma sonora goleada de 5 a 1 dos alemães. O golzinho marcado por Gordillo, aos 23´do segundo tempo, era tido como a consolação dos espanhóis diante de uma eliminação iminente. Mas aquele gol foi a ponte para uma das mais incríveis “remontadas” da história do clube espanhol – quiçá a maior. Novamente no Santiago Bernabéu lotado e furioso pela vitória, o Real Madrid goleou os alemães por 4 a 0 com dois gols de Valdano e dois de Santillana, capitão do time que fez o gol da vitória aos 43´do segundo tempo. O 5 a 5 no placar agregado classificou o Real Madrid graças ao golzinho de Gordillo lá no primeiro jogo, na Alemanha. A festa varou a madrugada em Madrid e encheu de orgulho os torcedores, que vibraram não só pela vitória, mas pela força de vontade, talento e garra demonstrada pelo time durante os 90 minutos, algo bem difícil de se ver no futebol moderno.

Nas quartas de final, o Real passou pelo Neuchatel Xamax-SUI com um 3 a 2 no placar agregado e se garantiu na semifinal. Nela, o time espanhol reencontrou a Internazionale-ITA, que venceu os merengues por 3 a 1 no jogo de ida, em Milão, e voltou a sentir a força do Santiago Bernabéu na volta: Real Madrid 5×1 Internazionale, com dois gols de Hugo Sánchez, dois de Santillana e um de Gordillo. Era hora de mais uma final. E de encarar outro time alemão: o Köln.

 

Show e bicampeonato

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Na grande final da Copa da UEFA de 1985-1986, o Real enfrentou o Köln de Schumacher, Steiner, Uwe Bein, Littbarski e Allofs, time complicado e muito perigoso. No entanto, a equipe merengue não ligou para a fama do rival e goleou os alemães na primeira partida, no Santiago Bernabéu: 5 a 1, com dois gols de Valdano, um de Santillana, um de Gordillo e um de Hugo Sánchez. Na volta, no Olympiastadion, em Berlim, o Köln venceu por 2 a 0, mas o Real Madrid foi quem levou o título da Copa da UEFA. Pela primeira vez na história do torneio um clube era bicampeão consecutivo, façanha que só seria igualada em 2006 e 2007 por outro clube espanhol, o Sevilla.

 

Base da seleção e novo comandante

Pela seleção espanhola, Butragueño trucidou a Dinamarca na Copa do Mundo de 1986.
Pela seleção espanhola, Butragueño trucidou a Dinamarca na Copa do Mundo de 1986.

 

Após os títulos do Campeonato Espanhol e da Copa da UEFA, o Real Madrid se encheu de orgulho ao ter sete de seus jogadores convocados para a seleção da Espanha que viajou até o México para a disputa da Copa do Mundo de 1986. Camacho, como capitão, Maceda, Gordillo, Butragueño, Gallego, Chendo e Míchel foram os escolhidos pelo técnico Miguel Muñoz para a disputa do mundial. Na primeira fase, a Fúria perdeu para o Brasil por 1 a 0, mas venceu a Irlanda do Norte por 2 a 1 e a Argélia por 3 a 0. Nas oitavas de final, a equipe espanhola entrou como zebra diante da badalada Dinamarca, que era conhecida na época como “Dinamáquina” pelo fato de ter atropelado seus rivais na primeira fase. Porém, quem atropelou a equipe vermelha e branca foi a Espanha, ou melhor, Emilio Butragueño. Com quatro gols marcados e uma das maiores atuações de um jogador espanhol em toda a história das Copas, o atacante ajudou a Espanha a golear a Dinamarca por 5 a 1. Nas quartas de final, porém, a Fúria perdeu nos pênaltis para a Bélgica de Pfaff, Gerets, Vercauteren, Enzo Scifo e Grun por 5 a 4, após empate em 1 a 1 no tempo normal. A derrota impossibilitou um confronto pra lá de épico entre os espanhóis e a futura campeã, Argentina, na semifinal.

Passada a Copa, o Real Madrid anunciou a chegada do técnico Leo Beenhakker, holandês que teria a missão de manter a hegemonia merengue na Espanha e fazer com que o time espanhol voltasse a levantar uma Liga dos Campeões da UEFA, taça que não era vista pelas bandas de Madrid desde 1966.

 

Bicampeões e revés na Liga

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No Campeonato Espanhol de 1986-1987, o Real Madrid voltou a celebrar um título graças ao faro de gol apurado de Hugo Sánchez, artilheiro com 34 gols marcados nos 41 jogos que o atacante disputou no bagunçado torneio daquela temporada, que teve disputas de play-off em uma segunda fase após o turno e returno iniciais. De volta à Liga dos Campeões, o Real seguia firme após eliminar Young Boys-SUI, Juventus-ITA e Estrela Vermelha-IUG. Na semifinal, porém, a “bestia negra” voltou a atacar os espanhóis, dessa vez vestida com as cores do Bayern München-ALE, que fez 4 a 1 na partida de ida, em Munique, e segurou a pequena derrota por 1 a 0 em Madrid.

 

Tri no adeus de Santillana

Jogando muito e com um ataque que se entendia por telepatia, o Real Madrid trucidou seus rivais no Campeonato Espanhol de 1987-1988 e faturou o tetracampeonato com 28 vitórias, seis empates e quatro derrotas em 38 jogos, com 95 gols marcados (melhor ataque) e 26 gols sofridos (melhor defesa). Pela quarta vez seguida (contando uma pelo Atlético de Madrid), o mexicano Hugo Sánchez foi o artilheiro do torneio, com 29 gols marcados em 36 jogos. O título foi um presente ao atacante Carlos Alonso González “Santillana”, que se aposentou naquela temporada depois de 17 anos de Real Madrid e 289 gols em 645 jogos disputados.

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Na Liga dos Campeões, o Real despachou o Napoli-ITA, o Porto-POR e se vingou do Bayern München-ALE com uma vitória por 2 a 0 (gols de Jankovic e Míchel) na partida de volta das quartas de final após derrota por 3 a 2 na ida. Na semifinal, os merengues não conseguiram furar a forte defesa do PSV-HOL, que segurou um empate em 1 a 1 no Santiago Bernabéu, na ida, e empatou sem gols a partida de volta, na Holanda, resultado que classificou o time de Eindhoven para a final europeia. Mais uma vez, a Velhinha Orelhuda escapou das mãos madridistas.

 

Doblete

Gordillo comemora: jogador foi um dos grandes destaques do Real no setor esquerdo do ataque.
Gordillo comemora: jogador foi um dos grandes destaques do Real no setor esquerdo do ataque.

 

Na temporada 1988-1989, o Real faturou tudo o que disputou em solo nacional e celebrou seu quarto doblete (Campeonato e Copa nacionais) na história. Primeiro, veio a Supercopa da Espanha, vencida sobre o rival Barcelona. Depois, a Copa do Rei, conquistada sobre o Real Valladolid. Por último, o tetracampeonato espanhol, este a cereja do bolo e celebrado após 25 vitórias, 12 empates e apenas uma derrota em 38 jogos, com 91 gols marcados (melhor ataque) e 37 sofridos. Hugo Sánchez marcou 27 gols, mas viu sua sequência de artilharias ser quebrada pelo brasileiro Baltazar, do Atlético de Madrid, que anotou 35. Equilibrado, goleador e beneficiado pelo talento do meio-campista alemão Schuster (perito em lançamentos de longa distância), principal reforço do time naquela temporada, o Real Madrid atingia seu ápice no futebol espanhol e não via outro caminho que não fosse o brilho em solo europeu. A Liga dos Campeões deveria ser vencida a qualquer custo.

 

Tinha um Milan no caminho…

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Na principal competição europeia, o Real Madrid foi avançando sem grandes problemas rumo à sonhada final. Depois de eliminar o Moss-NOR, o Górnik Zabrze-POL e o PSV-HOL (este na prorrogação, com um gol salvador marcado por Martín Vázquez), o time espanhol alcançou as semifinais com muita confiança na classificação. Porém, os merengues tinham pela frente um certo Milan-ITA comandado por Arrigo Sacchi que tinha jogadores como Maldini, Baresi, Costacurta, Tassotti, Donadoni, Ancelotti, Rijkaard, Gullit e Van Basten. Depois de empatar em 1 a 1 o primeiro jogo, em Madrid, o Real viajou até Milão e perdeu. Ou melhor, foi humilhado. O Milan venceu por 5 a 0, deu um baile de futebol e se garantiu na final, onde venceria o Steaua Bucareste-ROM por 4 a 0. A derrota, uma das piores de toda a história do clube merengue, determinou a saída do técnico Leo Beenhakker ao término da temporada e começou a gerar uma dúvida: será que era o fim daquele esquadrão?

 

Um pentacampeonato se faz com gols

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Se muitos pensavam que a derrota para o Milan simbolizava o fim da Quinta del Buitre, o título do Campeonato Espanhol de 1989-1990 foi a resposta que calou todos os descrentes no time de Madrid. Com uma das melhores e mais avassaladoras campanhas da história do torneio, o Real venceu 26, empatou 10 e perdeu apenas dois dos 38 jogos disputados. Muito à frente dos rivais Valencia e Barcelona, o clube merengue deu show pela quantidade de gols marcados: 107, um recorde que só seria superado na temporada 2011-2012 pelo próprio Real Madrid.  Hugo Sánchez, pra variar, foi o artilheiro da competição com uma marca impressionante: 38 gols em 35 jogos, uma média superior a um gol por partida. O mexicano quebrou o recorde de gols marcados em uma só temporada do campeonato e se consagrou de vez como um dos maiores artilheiros que o futebol espanhol já viu. Somente Cristiano Ronaldo (41 gols em 34 jogos, na temporada 2010-2011) e Lionel Messi (50 gols em 37 jogos, na temporada 2011-2012, e 46 gols em 32 jogos, na temporada 2012-2013) conseguiram superar a façanha do “depredador”.

"La Quinta" em campo: velocidade pelas pontas, Sanchís, Míchel, Butragueño e Sánchez em seus auges... O gol era apenas uma questão de tempo para aquele time.
“La Quinta” em campo: velocidade pelas pontas, Sanchís, Míchel, Butragueño e Sánchez em seus auges… O gol era apenas uma questão de tempo para aquele time.

 

Novo revés europeu e o fim

A última cartada da Quinta del Buitre  para conquistar a sonhada Liga dos Campeões foi naquela temporada 1989-1990, mas de novo o grande Milan-ITA cruzou o caminho dos espanhóis, dessa vez já nas oitavas de final. No primeiro jogo, em Milão, os italianos venceram por 2 a 0 (gols de Rijkaard e van Basten). Na volta, Butragueño marcou um gol no finalzinho do primeiro tempo, mas o Milan neutralizou as investidas merengues e saiu do Santiago Bernabéu com a vaga na mão. Depois disso, o Real não conseguiu manter a hegemonia no Campeonato Espanhol, viu o time outrora supercampeão dar sinais de esgotamento e teve de ver o crescimento do rival Barcelona, que emendaria quatro títulos seguidos no campeonato nacional e ainda faturar uma Liga dos Campeões em 1992. No entanto, a torcida do clube começaria a vibrar novamente com uma nova era a partir de 1998, quando o Real voltou a levantar o título da Liga dos Campeões e entraria para a história com o esquadrão dos Galácticos, time que o Imortais já relembrou e que você pode ler clicando aqui.

 

Legado imortal

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Mesmo sem conquistar a mais nobre taça do futebol europeu, o Real Madrid da Quinta del Buitre entrou para a história por representar uma era de ouro do futebol da Espanha e por mostrar a força das categorias de base do clube merengue. Além disso, aquele time foi mais do que nunca a essência que o futebol espanhol utilizou para se reconstruir como um todo, baseando suas ações na ofensividade e na técnica com a bola no pé. Outro time que também fez isso foi o Dream Team do Barcelona de Cruyff, que iniciou uma nova era de conquistas exatamente quando La Quinta perdeu sua força.

Até hoje, as façanhas de Buyo, Chendo, Sanchís, Camacho, Gordillo, Schuster, Juanito, Santillana, Hugo Sánchez, Butragueño e muitos outros cercam as rodas de torcedores do Real Madrid quando o assunto é bom futebol, grandes viradas, grandes gols e grandes times que o clube merengue já teve em sua história. E La Quinta foi um deles. Um esquadrão imortal.

O quinteto do abutre: Butragueño, Pardeza, Míchel, Sanchís e Martín Vázquez.
O quinteto do abutre: Butragueño, Pardeza, Míchel, Sanchís e Martín Vázquez.

 

Os personagens:

Miguel Ángel: já estava em final de carreira quando participou do começo da Quinta. Jogou quase 20 anos no Real, de 1967 até 1986, e conquistou 14 títulos com a camisa merengue, incluindo a Copa da UEFA de 1984-1985, quando realizou grandes defesas na campanha do título.

Agustín Rodríguez: cria das bases do Real, o goleiro jogou de 1980 até 1990 no clube madrileno e cumpriu seu papel nas vezes em que foi acionado como goleiro titular, entre elas as finais da Copa da UEFA de 1985-1986. Tinha boa impulsão e facilidade para sair nas bolas aéreas graças à sua altura (1,92m).

Paco Buyo: depois de brilhantes temporadas no Sevilla, o goleiro Francisco “Paco” Buyo foi contratado pelo Real na temporada 1986-1987 e rapidamente ganhou a titularidade da equipe com grandes defesas, muita segurança e maturidade nos momentos decisivos. Buyo jogou de 1986 até 1997 no Real e disputou mais de 340 jogos do Campeonato Espanhol pelo clube.

Chendo: foi o titular absoluto da lateral-direita do Real durante toda aquela era de ouro do clube merengue. Muito eficiente na marcação, ótimo nos passes e extremamente competitivo, Chendo foi um dos mais importantes jogadores da Quinta e também um dos mais leais ao clube na história, afinal, o lateral jogou toda sua carreira no Santiago Bernabéu, de 1979 até 1998.

Sanchís: cria do clube, Sanchís era um dos cinco jogadores da famosa Quinta e o principal nome da zaga do Real Madrid durante quase duas décadas. Com muita técnica, segurança, grande senso de colocação e agilidade, Sanchís se tornou um dos maiores craques da história do Real, clube onde jogou de 1983 até 2001 e venceu 22 títulos. Se não conquistou a Liga dos Campeões nos anos 80, Sanchís pôde tirar o atraso em 1998, quando levantou a sonhada taça como capitão. Disputou mais de 700 jogos com a camisa do Real.

Uli Stielike: como meio-campista ou líbero, o alemão Stielike demonstrava muita eficiência no apoio ao ataque e também na marcação, além de marcar gols importantes. Brilhou no Real no final dos anos 70 e início dos anos 80, sendo fundamental para o equilíbrio do time quando a garotada da Quinta desembarcou no Santiago Bernabéu. Após o título da Copa da UEFA de 1985, Stielike deixou o Real para encerrar a carreira no futebol suíço.

Tendillo: foi zagueiro central do Real entre 1987 e 1992, desempenhando um bom papel no setor defensivo do time com qualidade no jogo aéreo e eficiência nos desarmes. Antes de jogar no clube merengue, Tendillo brilhou no Valencia campeão da Recopa da UEFA de 1980.

Jesús Ángel Solana: outro proveniente das categorias de base do Real, o defensor Solana foi uma das peças que ajudaram o time espanhol a construir sua história de conquistas naqueles anos 80. Venceu 10 títulos entre 1986 e 1991 jogando no clube de Madrid.

Ruggeri: já consagrado por ter feito parte da seleção argentina campeã do mundo na Copa de 1986, o zagueiro Ruggeri chegou ao Real em 1989 como uma verdadeira estrela, mas teve pouco tempo para brilhar. Venceu o Campeonato Espanhol de 1989-1990, mas deixou o time já no final da temporada para jogar no Vélez Sarsfield-ARG.

Camacho: lenda do futebol espanhol e tido como um dos melhores laterais-esquerdo da história, José Antonio Camacho foi um ícone do Real Madrid entre 1973 e 1989, período em que conquistou títulos, fez partidas marcantes e se tornou um símbolo de liderança, visão de jogo, eficiência técnica e qualidade nos passes e cruzamentos. Depois de ficar dois anos parado, no final dos anos 70, por causa de uma contusão, o lateral voltou mais forte do que nunca e mostrou ser duro na queda. Camacho disputou 577 partidas com a camisa merengue, foi capitão do time em várias oportunidades e ainda capitaneou a seleção espanhola na Copa do Mundo de 1986.

Schuster: com uma facilidade incrível para bater na bola e capaz de fazer lançamentos de 40 metros de olhos fechados, o alemão deu muita qualidade ao meio de campo madrileno nas temporadas 1988-1989 e 1989-1990, quando faturou dois títulos espanhóis e manteve a hegemonia merengue no futebol nacional.

Martín Vázquez: muito veloz e com uma perna esquerda venenosa, o jovem Vázquez era outro membro da Quinta que ganhou seu espaço no time titular do Real e deu muita qualidade ao meio de campo e ataque do time. Teve passagens por outros clubes da Europa, mas sem o sucesso que teve em suas duas pelo Real, de 1983 até 1990 e de 1992 até 1995.

Hierro: reforço do Real em 1989, Fernando Hierro se tornaria tempo depois um dos maiores ídolos da história do Real Madrid, jogando no clube de 1989 até 2003. Conquistou 16 taças, jogou tanto como zagueiro quanto como volante e brilhou muito, também, com a camisa da seleção. Tinha muita qualidade no passe e era elemento surpresa no ataque, qualidade que o fez marcar mais de 100 gols pelo Real, tornando-o um dos maiores zagueiros-artilheiros do futebol mundial.

Míchel: pelo setor direito do meio de campo, o outro membro da Quinta, Míchel, era o maestro daquele Real Madrid vencedor e goleador. Com ótima visão de jogo, capaz de realizar magníficos cruzamentos e querido por todos os atacantes madrilenos no período, Míchel era o garçom do time e ainda marcava vários gols. Disputou 559 partidas com a camisa merengue e marcou mais de 100 gols. Brilhou também pela seleção espanhola, pela qual disputou 66 jogos e marcou 21 gols.

Gordillo: carismático, ágil, habilidoso e com um inconfundível estilo de jogar com as meias totalmente caídas, Rafael Gordillo foi uma das principais armas ofensivas do Real Madrid naqueles anos 80. Legítimo ponta-esquerda e também opção para várias outras posições do campo, o jogador brilhou no clube com passes precisos, grandes jogadas individuais e gols importantes, como o do título da Copa do Rei de 1989. Pela seleção, disputou 75 jogos e marcou três gols.

Pardeza: mais um membro da Quinta, o atacante Miguel Pardeza dava muita velocidade ao ataque do Real com suas corridas na diagonal e uma habilidade marcante com a bola dominada. Pelo fato de o time contar na época com vários atacantes de qualidade, Pardeza acabou não tendo muitas chances como imaginava ter e foi emprestado ao Zaragoza entre 1985 e 1986.

Gallego: foi um dos guardiões do meio de campo do Real entre 1980 e 1989 e um dos principais jogadores da equipe no setor. Com excelente poder de marcação, inteligência e qualidade nos passes, Gallego disputou mais de 250 partidas com a camisa do Real e teve destaque, também, na seleção espanhola, pela qual jogou 42 jogos e marcou dois gols.

Hugo Sánchez: goleador nato, perito em marcar golaços acrobáticos (em especial de bicicleta) e um terror para qualquer zagueiro. Hugo Sánchez foi, sem dúvida, um dos maiores centroavantes do mundo nos anos 80 e também um dos mais talentosos craques que o futebol mexicano já produziu. Com uma presença de área absurda e uma facilidade incrível para marcar gols, Sánchez foi um estrondo no futebol da época ao vencer por quatro anos consecutivos o prêmio Pichichi de artilheiro do Campeonato Espanhol (façanha inigualável pelo fato de nos quatro anos ele não ter dividido a artilharia com ninguém). Sánchez marcou 251 gols em 289 jogos com a camisa do Real, sendo 164 deles em 207 partidas do Campeonato Espanhol. O mexicano é ainda o terceiro maior artilheiro da história do torneio com 234 gols em 347 partidas, atrás apenas de Lionel Messi (ainda em atividade) e Telmo Zarra (251 gols em 277 jogos). Um craque imortal que você pode ler mais clicando aqui.

Santillana: outro jogador mítico do clube merengue, Carlos Santillana foi o grande fazedor de gols do Real muito antes de a Quinta del Buitre despontar para o futebol espanhol. O atacante jogou de 1971 até 1988 na equipe madrilena e foi referência no time com grande senso de colocação e uma capacidade notável para marcar gols de cabeça. Santillana é um dos maiores artilheiros do Real Madrid em todos os tempos com 289 gols em 645 partidas, muitos deles decisivos e em partidas finais, como nas inesquecíveis “remontadas” da equipe durante o bicampeonato da Copa da UEFA.

Jorge Valdano: com 1,88m de altura, o argentino Valdano era um terror na grande área graças à sua impulsão, mas era nas bolas rasteiras que o atacante se destacava com muita habilidade e velocidade, qualidades que o fizeram artilheiro por onde passou, seja no Real Madrid, seja na seleção argentina campeã do mundo em 1986. Valdano jogou no Real de 1984 até 1987 e foi decisivo para os títulos das Copas da UEFA de 1985 e 1986 ao marcar um gol na vitória por 3 a 0 sobre o Videoton, em 1985, e dois na goleada de 5 a 1 sobre o Köln, em 1986. Debilitado por causa de uma hepatite, o argentino decidiu encerrar a carreira precocemente pelo próprio Real, em 1987.

Butragueño: se o Real Madrid ganhou quase tudo nos anos 80 e não teve rivais à altura no futebol espanhol, isso tudo se deve muito a Emilio Butragueño, o “buitre” em pessoa e estrela maior da Quinta. Com uma habilidade marcante, enorme sorte para marcar gols ou para dá-los aos companheiros e nascido para jogar no ataque, o tímido garoto ruivo foi um dos maiores jogadores da história do Real Madrid e também do futebol espanhol. Em 463 jogos pelo clube merengue, Butragueño marcou 171 gols, sendo muitos deles golaços e decisivos. Pela seleção, o craque viveu seu grande momento na Copa do Mundo de 1986, quando destroçou sozinho a tal da “Dinamáquina”. Em 69 jogos pela Espanha, Butragueño marcou 26 gols. Um craque imortal.

Juanito: driblador nato, provocador e predestinado em decisões, o atacante Juanito foi um dos destaques do Real Madrid entre 1977 e 1987 e fundamental para as conquistas nacionais e internacionais do clube no período. Na temporada 1983-1984, Juanito foi o artilheiro do Campeonato Espanhol com 17 gols e venceu seu primeiro e único troféu Pichichi. Já aposentado, o atacante chocou a todos em 1992 quando faleceu com apenas 37 anos após um acidente de carro em Calzada de Oropesa, na Espanha.

Alfredo Di Stéfano, Amancio Amaro, Luis Molowny, Leo Beenhakker e John Toshack (Técnicos): a Quinta del Buitre se garantia em campo com gols, jogadas de efeito e enorme competitividade. No entanto, nada seria possível sem os comandantes daquele esquadrão imortal. Amancio Amaro foi quem começou tudo ao treinar os cinco garotos de ouro que conquistaram a segunda divisão espanhola em 1983, ensinando-lhes os truques para vencer e domar a ansiedade tão frequente nos jovens futebolistas. Alfredo Di Stéfano tratou de lapidar aquelas joias e foi quem deu o padrão de jogo ofensivo que seria característico daquele time. Depois disso, coube a Luis Molowny e Leo Beenhakker as tarefas de conquistar tudo o que fosse possível. E eles conseguiram. Molowny faturou duas Copas da UEFA, uma Copa da Liga Espanhola e um Campeonato Espanhol. Já Beenhakker venceu três Campeonatos, uma Copa do Rei e duas Supercopas da Espanha. O galês John Toshack encerrou com chave de ouro aquela era fantástica com o brilhante título nacional de 1989-1990, aquele dos 107 gols marcados. Por tudo isso, “La Quinta de los Entrenadores” foi, assim como La Quinta del Buitre, imortal.

 

Extras:

Las remontadas

Veja abaixo algumas das incríveis viradas da Quinta del Buitre.

 

Real Madrid 6×1 Anderlecht – Copa da UEFA 1984-1985

 

Real Madrid 3×0 Internazionale – Copa da UEFA 1984-1985

 

Real Madrid 4×0 Borussia Mönchengladbach – Copa da UEFA 1985-1986

 

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6 thoughts on “Esquadrão Imortal – Real Madrid 1983-1990

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