Técnico Imortal – Helenio Herrera

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Nascimento: 10 de Abril de 1910, em Buenos Aires, Argentina. Faleceu em 09 de Novembro de 1997, em Veneza, Itália.

Times que treinou: Puteaux-FRA (1944-1945), Stade Français-FRA (1945-1948), Real Valladolid-ESP (1948-1949), Atlético de Madrid-ESP (1949-1953), Málaga-ESP (1953), Deportivo La Coruña-ESP (1953), Sevilla-ESP (1953-1957), Os Belenenses-POR (1957-1958), Barcelona-ESP (1958-1960 e 1979-1981), Seleção da Espanha (1959-1962), Internazionale-ITA (1960-1968 e 1973-1974), Seleção da Itália (1966-1967), Roma-ITA (1968-1973) e Rimini-ITA (1978-1979).

Principais títulos por clubes: 2 Campeonatos Espanhóis (1949-1950 e 1950-1951) e 1 Copa Eva Duarte (1951) pelo Atlético de Madrid.

2 Campeonatos Espanhóis (1958-1959 e 1959-1960), 2 Copas do Rei (1958-1959 e 1980-1981) e 2 Copas das Cidades com Feiras – precursora da Copa da UEFA (1955-1958 e 1958-1960) pelo Barcelona.

2 Mundiais Interclubes (1964 e 1965), 2 Ligas dos Campeões da UEFA (1963-1964 e 1964-1965) e 3 Campeonatos Italianos (1962-1963, 1964-1965 e 1965-1966) pela Internazionale.

1 Copa da Itália (1968-1969) pela Roma.

 

“O mago da tática”

Armar equipes com precisão. Usar e abusar do psicológico e das frases de efeito. Provocar rivais com soberba e confiando plenamente no próprio taco. Mostrar propriedade dentro e fora de campo. E colecionar títulos históricos para não deixar dúvidas sobre sua competência como um dos maiores técnicos de futebol de todos os tempos. Helenio Herrera Gavilán é o personagem retratado nas linhas anteriores e um verdadeiro ícone do esporte por tudo o que conseguiu dentro de campo. Com uma sólida carreira construída no futebol espanhol e, sobretudo, italiano, Herrera fez parte de histórias vencedoras do Atlético de Madrid, do Barcelona e da maior Internazionale que o mundo já viu, a Grande Inter dos anos 60, campeã da Itália, da Europa e do Mundo e recheada de craques como Sarti, Picchi, Facchetti, Burgnich, Luís Suárez, Jair da Costa e Sandro Mazzola. Adepto da filosofia, da conversa com seus atletas e da dedicação total em busca dos títulos, Herrera foi um dos maiores exemplos de treinador completo, daqueles que são unanimidades para os torcedores e até para os rivais. Com um talento indiscutível e célebre por armar equipes extremamente sólidas defensivamente, Herrera foi um dos mentores do catenaccio, sistema tático mais famoso da história do futebol italiano. É hora de relembrar a carreira desse mago da tática.

 

Nômade da bola

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Herrera teve uma infância difícil e totalmente avessa a dos garotos comuns de Buenos Aires. Filho de um pai anarquista, o jovem vivia viajando e, com apenas 16 anos, teve de ir até o Marrocos, onde teria vários problemas de saúde (como uma grave difteria) e encontraria no futebol um aliado para espantar a solidão e a saudade de casa. Herrera jogava futebol na praia e foi nela que começou a conhecer alguns colegas e a tentar a sorte em clubes de Casablanca como zagueiro, mas sem sucesso ou grande técnica. Com 22 anos, lá se foi Herrera para outro país, dessa vez a França. Por lá, o jovem se virou sozinho e longe da família, jogou em clubes da capital e até se naturalizou francês para ganhar uma chance na seleção francesa. Porém, a Segunda Guerra Mundial acabou com os planos do argentino, que só não combateu no front de batalha pela França por ter conseguido uma vaga em uma fábrica de produtos bélicos enquanto ainda jogava futebol. Herrera encerrou a carreira em 1945, mesmo ano em que começou a desempenhar a função de jogador-técnico do pequenino Puteaux. Com muitas ideias e ampla experiência de vida em diferentes países, o argentino já se considerava um “cidadão mundial” e mostrava a todos seu jeito ditatorial, exigente e intelectual.

Em 1945, o novato treinador assumiu o Stade Français como caçador de talentos nas categorias de base e, posteriormente, treinador. Sob seu comando, o time francês subiu de divisão e conseguiu fazer boas campanhas na Ligue 1, ficando na quinta posição por duas temporadas seguidas (1946-1947 e 1947-1948). O bom desempenho no pequeno clube da França foi o bastante para que o treinador chamasse a atenção de clubes internacionais, mais precisamente os espanhóis, que levaram o argentino para a terra das touradas já em 1948.

 

“Estágio” e títulos

No Atlético, Herrera despontou como um treinador muito promissor.
No Atlético, Herrera despontou como um treinador muito promissor.

 

Quando desembarcou na Espanha, Herrera assinou contrato com o Atlético de Madrid, mas teve que dirigir um clube menor para “ganhar experiência” e amenizar a desconfiança de alguns dirigentes do clube alvirrubro, que não sabiam se poderiam confiar naquele homem prepotente e cheio de soberba. Com isso, o argentino foi comandar o Valladolid, onde ficou apenas durante a temporada 1948-1949. Na seguinte, assumiu o Atlético e calou a todos com seu modo de trabalho extremamente profissional e com intensa dedicação aos atletas. Herrera começou a exigir dos seus comandados muito preparo físico, testado e aprimorado em sessões de três horas diárias de muita corrida, musculação e exercícios aeróbicos. Tanto treino transformou os jogadores do clube da capital em verdadeiras máquinas de jogar futebol e de correr, que ainda tinham verdadeiras aulas sobre táticas e motivação com o professor Herrera. O resultado de todo esse trabalho não poderia ser outro: títulos. O Atlético conquistou dois Campeonatos Espanhóis consecutivos nas temporadas 1948-1949 e 1949-1950 com um desempenho fantástico jogando em casa e um ótimo poder ofensivo de seu ataque, que marcou 71 gols em 26 jogos no primeiro título nacional e 87 gols em 30 partidas no segundo. Os grandes craques daquele esquadrão colchonero eram Adrián Escudero (artilheiro do time na temporada 1949-1950 com 20 gols) e o “Pérola Negra” Larbi Benbarek, marroquino muito habilidoso e primeiro jogador africano a brilhar na Europa.

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O futebol do time de Herrera chamou a atenção de todos pela força absurda dos contra-ataques, pela velocidade e pelo foco total no controle da bola. Porém, o temperamento do treinador fez sua estadia em Madrid durar apenas até 1952, quando assumiu o Málaga e, posteriormente, o Deportivo La Coruña e o Sevilla, todos sem grandes sucessos. Em 1957, o argentino sofreu uma punição da FIFA por causa de um suposto contrato assinado sem o consentimento do Sevilla junto ao Barcelona e que chegou aos ouvidos do presidente da equipe de Herrera à época, Ramón de Carranza Gómez (o mesmo que empresta nome ao popular torneio de verão disputado por vários clubes brasileiros nos anos 70, 80 e 90). Com os ânimos exaltados na Espanha, Herrera passou dois anos em Portugal comandando Os Belenenses. Depois de receber o perdão da FIFA, em 1958, o treinador pôde assinar com o Barcelona depois de o clube catalão pagar gordas quantias (algo em torno de cinco milhões de pesetas) ao Sevilla em prol dos serviços do mago argentino.

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A base do Atlético de Herrera.

 

 

A evolução da magia

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Com a bagagem de dois títulos nacionais pelo Atlético, Helenio Herrera teve um ambiente e um elenco perfeitos para aprofundar ainda mais seu trabalho e colecionar mais títulos históricos. Privilegiado por poder contar com um time recheado de craques como Ramallets, Segarra, Gensana, Gràcia, Luis Suárez (seu conhecido desde os tempos de Deportivo La Coruña), Tejada, Kocsis, Czibor, Evaristo e Kubala, Herrera transformou o Barcelona em uma força não só no futebol espanhol, mas também no futebol europeu – mesmo com o notável predomínio do Real Madrid de Di Stéfano da época. Já na temporada 1958-1959, o Barça conseguiu interromper a sequência de dois títulos do rival no Campeonato Espanhol e ficou com a taça após vencer 24 jogos, empatar três e perder apenas três dos 30 disputados. O ataque fenomenal do time catalão anotou 96 gols (melhor do torneio), enquanto a defesa sofreu 26 (melhor zaga da competição). Evaristo marcou 20 gols e foi o artilheiro do time, seguido de Tejada, com 19. Ainda em 1959, o time blaugrana venceu a Copa do Rei após eliminar o Real Madrid nas semifinais (4 a 2 em pleno Santiago Bernabéu e 3 a 1 no Camp Nou) e vencer o Granada na final por 4 a 1 (dois gols de Kocsis, um de Martínez e outro de Tejada).

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Fora da Espanha, Herrera levou o clube catalão ao título da Copa das Cidades com Feiras de 1955-1958 (precursora da Copa da UEFA) com uma goleada de 6 a 0 pra cima do London XI (seleção que representou a cidade de Londres-ING e que foi criada apenas para aquela edição do torneio continental). O argentino comandou o clube catalão apenas na partida final e mostrou logo de cara seu talento.

Foi no Barça que Herrera iniciou as tão famigeradas e contestadas concentrações, com o intuito de preservar seus atletas para jogos difíceis e decisivos. Além disso, começaram a se tornar célebres os bilhetinhos e anotações que Herrera espalhava pela concentração:

“Jogue pelo adversário, jogue coletivamente, jogue por você!”

“Desloque-se com velocidade, passe a bola com velocidade, marque e desmarque com velocidade!”

Entusiasta e competitivo ao extremo, o treinador seguiu fazendo sucesso no Camp Nou e comandou o time em mais uma conquista do Campeonato Espanhol na temporada 1959-1960, quando o clube venceu 22, empatou dois e perdeu seis dos 30 jogos disputados, com 86 gols marcados e 28 sofridos (melhor defesa). No entanto, foi naquela temporada que o argentino começou a gerar conflitos e a perder espaço no clube principalmente por não se bicar com o craque Kubala, algo que ele contestou na época:

“Não tenho diferenças com nenhum jogador, incluindo Kubala. Claro, desde que façam o que eu digo”.Helenio Herrera, em reportagem do site da FIFA.

 

Herrera posado com seu super Barcelona. Em pé: Ramallets, Olivella, Brugue, Segarra, Luis Suárez, Gensana e o mago Herrerra.  Agachados: Tejada, Kocsis, Evaristo, Kubala e Czibor.
O super Barcelona de Herrera. Em pé: Ramallets, Olivella, Brugue, Segarra, Luis Suárez e Gensana.
Agachados: Tejada, Kocsis, Evaristo, Kubala e Czibor.

 

Antes de ter seu ciclo no Barcelona encerrado, Herrera conduziu o clube blaugrana até a final da Copa de Feiras de 1958-1960 após eliminar pelo caminho Basel-SUI (7 a 3 no agregado), Internazionale-ITA (8 a 2 no agregado) e Belgrado XI-IUG (4 a 2 no agregado). Na decisão, o argentino só comandou o Barça na primeira partida da final contra o Birmingham City-ING, que terminou empatada sem gols. No duelo seguinte, Enric Rabassa assumiu o comando do time catalão e venceu o jogo por 4 a 1.

Foi justamente durante a competição internacional que Helenio Herrera garantiu por antecipação seu próximo emprego. Ao eliminar a Internazionale de maneira categórica nas quartas de final, o treinador encantou o presidente do clube italiano à época, Angelo Moratti, que levou o argentino para Milão já em 1960.

 

A Copa e o catenaccio

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Antes de começar sua revolução na Internazionale, Helenio Herrera teve um compromisso pra lá de grande em sua carreira: comandar a seleção espanhola na Copa do Mundo de 1962, no Chile. Em terras latinas, o argentino chegava com um time favorito ao título mundial graças aos craques naturalizados espanhóis José Santamaría (uruguaio), Alfredo Di Stéfano (argentino) e Ferenc Puskás (húngaro), além de Luis del Sol, Francisco Gento, Joaquín Peiró, Eulogio Martínez, Joan Segarra e Luis Suárez. Mesmo com esse timaço em mãos, Helenio Herrera não conseguiu fazer a Espanha jogar bola, o ataque emperrou e o selecionado não passou da primeira fase (perdeu para a Tchecoslováquia por 1 a 0, venceu o México por 1 a 0 e perdeu para o Brasil por 2 a 1).

O fracasso com a Espanha foi benéfico para a Inter, que pôde contar com o trabalho de Herrera de maneira integral a partir de 1962. Com isso, o treinador começou a organizar e montar um dos maiores times da história do futebol italiano. Com vários bons jogadores em Milão como Facchetti, Corso, Sandro Mazzola e os reforços de Sarti, Picchi, Burgnich, Jair da Costa e os velhos conhecidos de Herrera, Peiró e Luis Suárez, a Inter serviu como cobaia para o treinador armar um esquema tático que começava pela defesa, com um homem à frente do goleiro exercendo o papel de líbero, três ou quatro homens atrás da linha do meio de campo, e duas linhas de frente no ataque. No papel, o esquema de Herrera era um 1-3-3-3 / 1-4-3-2 bem defensivo e que dificultava ao máximo as ações ofensivas dos rivais, além de a Inter atacar com extrema eficiência e mobilidade principalmente pelo setor esquerdo do campo, onde residia o mito e polivalente Facchetti, que atuava tanto como ala quanto como lateral clássico. Nascia, assim, o catenaccio de Herrera, totalmente na contramão do 5-3-2 utilizado por muitos treinadores no Calcio da época (inclusive por Nereo Rocco, treinador do rival Milan) e definido pelo próprio Herrera da seguinte forma:

“As táticas, se forem aplicadas de maneira rigorosa, são uma estupidez. A maneira de jogar deve ser concebida pelo técnico considerando a personalidade de seus jogadores. No ataque, poucos passes em grande velocidade fazem o time chegar à meta contrária no menor tempo possível. O drible caiu em desuso. É um recurso, mas não um sistema. A bola sempre viaja mais rápido sem um jogador detrás dela”. – Helenio Herrera, em reportagem do site da FIFA.

 

Helenio Herrera

Com o sólido esquema tático, a Inter começou a ter identidade e a dar muito trabalho aos rivais. Na temporada 1960-1961, o time terminou na terceira posição do Campeonato Italiano com a segunda melhor defesa do campeonato ao sofrer 39 gols em 34 jogos. Na temporada seguinte, o Scudetto passou perto e a equipe nerazurri ficou com o vice, com o Milan como campeão. Em franca ascensão, a temporada 1962-1963 só poderia resultar em uma coisa: título!

 

Colecionando títulos

Sandro Mazzola e Helenio Herrera: expoentes máximos da Grande Inter dos anos 60.
Sandro Mazzola e Helenio Herrera: expoentes máximos da Grande Inter dos anos 60.

 

Helenio Herrera aprimorou as características de seu time na temporada 1962-1963 e conquistou o primeiro Campeonato Italiano de sua carreira, o oitavo da Inter. A equipe nerazurri venceu 19 jogos, empatou 11 e perdeu apenas 4, com 56 gols marcados e 20 sofridos (novamente a melhor defesa), além de protagonizar algumas goleadas como  6 a 0 no Genoa, 4 a 0 no Palermo, 4 a 0 na Sampdoria e 5 a 1 no Napoli.

Na temporada seguinte, Herrera levou a Inter à final da Liga dos Campeões da UEFA após eliminar Everton-ING, Monaco (FRA), Partizan (IUG) e Borussia Dortmund-ALE. A final foi disputada no Praterstadion, em Viena-AUT, onde Herrera teria pela frente o copeiro Real Madrid-ESP. Sem medo do rival espanhol, Herrera fez seu time dominar o jogo durante os 90 minutos e ser letal na hora de concluir ao gol. Sandro Mazzola, duas vezes, e Milani fizeram os gols da vitória italiana por 3 a 1 que coroou uma campanha impecável e invicta da equipe de Milão. Além disso, o caneco servia para mostrar ao continente que o esquema tático de Herrera, embora fosse defensivo demais, era mais do que competitivo e eficiente.

Meses depois, a Inter faturou o título do Mundial Interclubes sobre o Independiente-ARG após perder o primeiro jogo, na Argentina, por 1 a 0, e vencer os dois duelos seguintes por 2 a 0 e 1 a 0.

A Inter de Herrera: depois de atacar, todo mundo voltava para marcar, formando um sistema altamente defensivo.
A Inter de Herrera: depois de atacar, todo mundo voltava para marcar, formando um sistema altamente defensivo.

 

Manias de campeão

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Com o passar do tempo, Herrera foi ficando cada vez mais famoso no futebol europeu e suas manias entravam de vez nos livros e contos sobre futebol. Disciplinador, ele exigia de seus “interistas” uma dieta equilibrada sem cigarros ou bebidas antes dos jogos. Na concentração, Herrera queria sempre que os atletas respirassem “ar puro” antes dos jogos e o silêncio e a organização deveriam ser respeitados. Além de ter o elenco em suas mãos e chegar ao ponto de punir um jogador que disse, na época, “vamos jogar em Roma” ao invés de “vamos vencer em Roma”, Herrera exigia da torcida apoio maciço durante os jogos e foi, sem dúvida, um dos precursores das alas “ultras” das torcidas europeias do final dos anos 60, dando enorme importância ao “12º jogador”.

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A simetria entre o treinador e a Inter continuou na temporada 1964-1965, quando a equipe venceu o bicampeonato europeu (vitória por 1 a 0 sobre o Benfica-POR na final) e mundial (vitória por 3 a 0 e empate sem gols contra o Independiente-ARG na final) e ainda a Serie A, que fez a torcida nerazurri simplesmente delirar com seu time após as goleadas sobre Fiorentina (6 a 2), Genoa (4 a 1) e um inesquecível 5 a 2 sobre o rival Milan.

 

O ano da estrela e da queda na Europa

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Facchetti, um dos maiores craques da história da Itália e mito da Internazionale, posa com a camisa nerazurri já com a estrela dourada do Scudetto de número 10.

 

Na temporada 1965-1966 a Inter tratou o Campeonato Italiano como objetivo principal pelo fato de uma conquista representar o 10º título na competição e a tão sonhada estrela no uniforme (apenas a Juventus tinha a estrela em seu uniforme na época). E os comandados de Herrera não decepcionaram seus apaixonados torcedores. O time conquistou o nacional com 20 vitórias, 10 empates e quatro derrotas. Foram 70 gols marcados e 28 sofridos. A campanha teve novamente goleadas marcantes como 7 a 0 no Brescia, 4 a 1 na Lazio, 4 a 0 no Torino e 5 a 0 na Sampdoria. De quebra, a equipe ainda fez o artilheiro do torneio: o craque e ídolo Sandro Mazzola, que marcou 17 gols.

Se em casa a Inter fez história, na Europa o Real Madrid acabou com o sonho dos italianos de conquistarem o tricampeonato e se vingaram da derrota de 1964. Os times se enfrentaram nas semifinais, onde o Real venceu por 1 a 0 em casa e segurou um empate em 1 a 1 na Itália. Os italianos foram insistentes e voltaram à Liga dos Campeões na temporada 1966-1967 em busca do tri. No caminho, novamente o Real Madrid, só que dessa vez nas quartas de final. Os italianos, loucos pela vingança, venceram os dois jogos: 1 a 0 em Milão (gol de Cappellini) e um 2 a 0 com autoridade em pleno Santiago Bernabéu (gols de Cappellini e Zoco).

O time chegou à final (disputada em Lisboa-POR) contra o Celtic, da Escócia, e adotou novamente a tática infalível: partir em busca do gol e depois se defender com unhas e dentes. Mazzola, de pênalti, abriu o placar aos 7´de jogo. O gol fez a Inter ficar toda em seu campo de defesa e o Celtic a buscar, sem sucesso, o gol. Parecia o filme do título de 1965, quando a Inter também venceu por 1 a 0. Mas, no segundo tempo, depois de tanto atacar, o Celtic começou a fazer história. Gemmell, aos 63´, empatou o jogo para os escoceses. O gol foi tudo o que eles precisavam, pois faria com que a Inter fosse obrigada a deixar de lado o catenaccio defensivo e partir em busca do gol. Aos 84´, Chalmers marcou o épico gol da virada do Celtic, que deu a vitória por 2 a 1 e o inédito título ao clube da Escócia, uma façanha jamais repetida ou igualada por outro clube do país. A derrota foi um duro golpe ao esquadrão de Milão, que na mesma temporada perdeu o título italiano para a Juventus por apenas um ponto. Era sinal de que uma era de ouro estava perto do fim.

 

Azzurra e vacas magras

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Em 1968, Herrera viu sua Grande Inter desaparecer e teve que aceitar uma proposta milionária da Roma, que levou o técnico para a capital italiana naquele mesmo ano. Paralelo a isso, o argentino comandou a seleção italiana entre 1966 e 1967, mas não conseguiu grandes resultados com a Squadra Azzurra, mas ajudou a montar o time que seria campeão da Europa e vice-campeão do mundo nos anos seguintes sob o comando de Ferruccio Valcareggi.

Na Roma, Herrera voltou a celebrar um título em 1969 (Copa da Itália), mas atritos com o presidente Alvaro Marchini e resultados ruins na temporada 1969-1970 fizeram com que o argentino deixasse a capital italiana. Nos anos seguintes, Herrera ainda comandou novamente a Inter e o Barcelona e teve uma passagem pelo pequeno Rimini, da Itália, até se aposentar de vez em 1981, já com a saúde debilitada por causa de problemas no coração.

 

O fim do mago

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Depois de se aposentar, Herrera viveu seus últimos anos na bela e romântica Veneza, que nem assim conseguiu acalmar os nervos do exaltado argentino, que faleceu aos 87 anos, em novembro de 1997, após um ataque cardíaco. O adeus do treinador foi sentido por vários amantes do futebol, principalmente os torcedores da Inter, que tiveram no argentino um ídolo e um símbolo de tempos de ouro que serão difíceis de ser igualados. O legado de Helenio Herrera foi enorme e seu estilo de comandar equipes ou mesmo inflar seus jogadores foi seguido por vários técnicos nos anos seguintes, em especial o português José Mourinho, que possui características bem parecidas com a do argentino, tanto de comando quanto de títulos. Falastrão, polêmico e vencedor nato, Helenio Herrera foi um dos maiores técnicos da história do futebol mundial, conseguiu títulos marcantes e é, para o todo e sempre, um técnico imortal.

 

Extras:

Leia mais sobre a Grande Inter de Herrera no Imortais clicando aqui.

 

Frases marcantes de Herrera

“Uma vez me perguntaram o motivo de eu só dirigir equipes grandes. É que as pequenas não podem me pagar!”.

“Dez jogadores jogam melhor do que onze”.

“Classe + preparação + inteligência + preparo físico = títulos”.

 

Reis da Europa

Veja os gols da final da Liga dos Campeões da UEFA de 1964 entre Internazionale e Real Madrid.

 

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3 thoughts on “Técnico Imortal – Helenio Herrera

  1. Grande texto de uma grande personalidade do futebol, mas aqui cabe um adendo, o Jair da Costa era ponta direita e o Peiró vinha por dentro, como centroavante, Mazzola compunha com ele o ataque por dentro, Corso vinha pela esquerda e Suarez era uma espécie de meia esquerda da equipe.

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