Esquadrão Imortal – Atlético-PR 2001

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Em pé: André Luís, Nem, Rogério Corrêa, Cocito, Fabiano, Igor, Douglas, Kléberson e Flávio. Agachados: Souza, Adriano Gabiru, Rogério Souza, Kléber, Pires, Alessandro, Ilan e Alex Mineiro.

 

Grandes feitos: Campeão Brasileiro (2001) e Campeão Paranaense (2001). Conquistou o primeiro título nacional da história do clube.

Time base: Flávio; Gustavo, Nem e Rogério Corrêa (Igor); Alessandro, Cocito (Pires), Kléberson, Adriano (Souza) e Fabiano; Kléber (Ilan) e Alex Mineiro. Técnicos: Flávio Lopes, Mário Sérgio e Geninho.

 

“O temível Furacão do Brasil. E a temível Arena do Furacão”

Por Guilherme Diniz

Em 1949, surgiu na cidade de Curitiba (PR) a lenda do Furacão. Uma equipe vestida em rubro-negro e composta apenas por jovens arrebatou os adversários no Campeonato Paranaense e faturou o título estadual de maneira épica (10 vitórias, um empate e uma derrota em 12 jogos, com média de 4,08 gols por jogo!). Mais de meio século se passou e a lenda do tal Furacão ressurgiu, dessa vez com uma força sobrenatural e que atingiu todo o Brasil. Não importava a cidade, o Furacão se impunha em campo e vencia quase sempre com vários gols, às vezes de goleada. Mas era jogando em casa, em uma Arena construída especialmente para o deslize e ataque daquele vento incontrolável que os estragos eram maiores. Viradas. Goleadas. Consagração de um iluminado camisa 9. Um ataque rápido, criativo e devastador. A pulsação de uma fanática torcida. E um feito para a história. Em 2001, o Clube Atlético Paranaense conquistou seu primeiro título do Campeonato Brasileiro e escreveu seu nome na galeria de imortais do futebol nacional. Com uma campanha digna, brilho tático e técnico e um conjunto entrosadíssimo, a equipe comandada pelo técnico Geninho e por Flávio, Fabiano, Alessandro, Kléberson, Adriano, Kléber e Alex Mineiro despachou adversários que eram até considerados mais fortes do que ela para erguer um troféu que até então apenas o maior rival havia conseguido no estado do Paraná. Naquele ano, porém, tudo ficou igual. Com vantagem para o Furacão, que teve um aproveitamento muito melhor que o Coritiba de 1985. É hora de relembrar.

 

Da prata se projeta o ouro. E uma Arena

A Arena da Baixada: estádio foi inaugurado em 1999 e virou um marco positivo na história do Atlético-PR.
A Arena da Baixada: estádio foi inaugurado em 1999 e virou um marco positivo na história do Atlético-PR.

 

Muito antes de formar o esquadrão de 2001, o Atlético-PR começou a escrever seu futuro lá no ano de 1995, quando conquistou o título do Campeonato Brasileiro da Série B (representado por uma estrela de prata acima do distintivo do clube), que teve um sabor especial pelo fato de o rival, Coritiba, ter ficado com o vice. Em 1996, a equipe fez uma ótima campanha na Série A e chegou até as oitavas de final. Na temporada seguinte, a diretoria do clube tomou uma decisão radical e anunciou que iria demolir o antigo estádio Joaquim Américo para a construção de uma arena, que teria como principal objetivo ser a mais moderna do Brasil (e da América Latina) e ajudar a inserir o Atlético no rol dos principais clubes do país. O que mais chamou a atenção foi que a demolição do Joaquim Américo acontecia apenas três anos após a reinauguração do estádio, que havia passado por uma reforma. Porém, tudo aquilo se mostrou mais do que acertado. As obras seguiram a todo vapor e, em junho de 1999, o clube inaugurou sua imponente Arena da Baixada, que consumiu aproximadamente US$ 35 milhões e só não teve seu projeto de mais de 40 mil lugares posto em prática pelo fato de o espaço destinado à área reta localizada no lado da rua Brasílio Itiberê estar ocupado por uma escola. No jogo inaugural, a equipe venceu o Cerro Porteño-PAR por 2 a 1, com gols de Lucas e Vanin. Naquele time que entrou em campo e era comandado pelo técnico Antonio Clemente, vários jogadores que seriam fundamentais para a campanha de 2001 já vestiam o rubro-negro: o goleiro Flávio, o zagueiro Gustavo, o atacante Kléber e os meio-campistas Kléberson e Adriano, este um baixinho mirrado que rapidamente ganhou o apelido de “homem-gabiru”.

Jornal "Lance!" destaca o estádio do Furacão.
Jornal “Lance!” destaca o estádio do Furacão.

 

Em 1999, o time terminou na 9ª posição do Campeonato Brasileiro, disputou a antiga Seletiva para a Libertadores e garantiu seu lugar na principal competição do continente, em 2000. Nela, após uma ótima primeira fase (cinco vitórias e um empate após despachar Nacional-URU, Alianza Lima-PER e Emelec-EQU), o Furacão caiu nos pênaltis para o Atlético-MG e deu adeus ao sonho de um título sul-americano logo em sua estreia continental. Embora tenha conquistado apenas um título estadual em 2000, ficou claro que o grupo de jogadores do Atlético possuía qualidade para render mais. Só faltava alguém para impor um consistente padrão de jogo. E domar as saideiras dos jovens na noite curitibana.

 

O bi, a crise e Geninho

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No primeiro semestre de 2001, o Atlético se reforçou com a contratação do atacante Alex Mineiro e, após ser eliminado na Copa do Brasil, o time deu a volta por cima no Campeonato Paranaense e conquistou o bicampeonato sobre o Paraná Clube mesmo tendo empatado os três jogos da decisão – fruto do regulamento, que beneficiava o time de melhor campanha na primeira fase, no caso, o Furacão. Depois do torneio estadual, o técnico Flávio Lopes deixou o comando da equipe para a entrada de Mário Sérgio, que ratificou o esquema 3-5-2 como principal do time para a disputa do Campeonato Brasileiro e ajudou na contratação do meia Souza e do atacante Ilan. Com o padrão de jogo definido e seu linguajar “do campo” para conversar com os jogadores, Mário Sérgio teve um ótimo início no torneio nacional. Na estreia, em casa, contra o forte Grêmio de Tite (que tinha Danrlei, Anderson Polga, Tinga e Zinho), Kléber e Kléberson fizeram os gols da vitória por 2 a 0 do Furacão. Em seguida, triunfo fora de casa por 2 a 1 sobre o Cruzeiro. Também fora de casa, a equipe empatou com o São Caetano em 0 a 0 e voltou para a Arena na 4ª rodada, quando goleou o Flamengo por 4 a 0 (gols de Gustavo, Alex Mineiro, Kléber e Rodriguinho). A força do alçapão funcionou mais uma vez na vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-MG. Na 6ª rodada, o primeiro revés: 2 a 1 para o São Paulo, no Morumbi.

Geninho (de vermelho): técnico soube domar os baladeiros e levou o Furacão até a reta final do Brasileirão.
Geninho (de vermelho): técnico soube domar os baladeiros e levou o Furacão até a reta final do Brasileirão.

 

Depois daquele jogo, começaria uma maré negra no clube paranaense. Em São Januário, na 7ª rodada, a equipe não jogou nada, teve dois jogadores expulsos e perdeu por 4 a 0 para o Vasco, na pior partida do Furacão em todo o campeonato. Precisando da vitória, em casa, contra o Santos, a equipe só empatou em 1 a 1 e o ambiente azedou de vez quando o técnico Mário Sérgio criticou publicamente as saídas noturnas de vários jogadores, um dos motivos para a queda de rendimento do time. A frase mais profunda do treinador na época foi:

“Ou o Atlético acaba com a noite ou a noite acaba com o Atlético”.

Depois do episódio, Mário Sérgio chegou a entregar o cargo, mas foi convencido pelos jogadores a ficar. Porém, mais duas derrotas na sequência (2 a 0 para o Palmeiras, fora, e 2 a 1 para o Fluminense, em casa) determinaram o fim da estadia do treinador em Curitiba. Para seu lugar, a diretoria agiu rápido e trouxe Geninho, pouco conhecido no cenário nacional. O novo técnico não mexeu na estrutura tática do time e também adotou o 3-5-2, mas fez com que os jogadores passassem a jogar com mais garra, ofensividade e com foco total no ataque, principalmente pelo meio de campo, com a bola passando por Kléberson, Adriano, Kléber e Alex Mineiro. Além disso, Geninho cobrou mais disciplina e soube, aos poucos, domar os festeiros do elenco para fortalecer o profissionalismo do grupo.

 

Recuperação

Kléberson, Ilan e Alex Mineiro.
Kléberson, Ilan e Alex Mineiro.

 

Na estreia de Geninho, o Furacão deu um chega pra lá na crise e venceu a Portuguesa, em casa, por 3 a 1 (dois gols de Kléber e um de Alex Mineiro). Foi a deixa para o Furacão começar a causar estragos e permanecer 12 rodadas sem conhecer uma derrota sequer: 4 a 4 com o Internacional, fora, 3 a 2 no Corinthians, em casa, 3 a 1 no Botafogo, fora, 5 a 1 no Santa Cruz, fora, 1 a 1 com o Paraná, em casa, 5 a 1 na Ponte Preta, fora, 3 a 2 no América-MG, em casa, 0 a 0 com o Coritiba, fora, 2 a 0 no Botafogo-SP, fora, 2 a 1 no Goiás, em casa, e um inesquecível 6 a 3 no Bahia, em casa. Já classificado para o mata-mata, a equipe deu uma relaxada e perdeu, fora, para o Juventude por 2 a 0. No restante da primeira fase, vitórias sobre Sport (2 a 1, em casa) e Vitória (4 a 2, fora), empate com o Guarani (2 a 2, em casa), e derrota para o Gama (4 a 1, fora).

Com um bom começo, uma queda e uma recuperação irrepreensível, o Furacão terminou na segunda posição (atrás apenas do São Caetano) da fase de classificação com 15 vitórias, seis empates, seis derrotas, 58 gols marcados (melhor ataque) e 40 sofridos em 27 partidas. Com isso, a equipe teria a vantagem de jogar em casa os duelos únicos das quartas de final e de uma possível semifinal. Na decisão, disputada em dois jogos, a equipe só não jogaria a finalíssima em casa se encarasse o Azulão.

Para manter a concentração do elenco, Geninho pediu à diretoria do clube que os jogadores ficassem concentrados no moderno CT do Caju durante a fase final do torneio a fim de evitar excessos, bebedeiras e problemas extracampo. Para aumentar ainda mais a “segurança”, a psicóloga Suzy Fleury foi contratada para ajudar os atletas a suportar a pressão dos jogos e realizou trabalhos motivacionais, dinâmicas de grupo e atendimentos individuais. Decisões muito bem acertadas e que teriam enorme peso no resultado final.

 

Fazendo Kaká chorar

Nas quartas de final, o Atlético-PR teve pela frente o São Paulo de Rogério Ceni, Belletti, Fábio Simplício, Júlio Baptista, Kaká e França, uma equipe com vários talentos no papel, mas que sofria com problemas internos e de egos. Jogando ao lado de sua fanática torcida, o Furacão não deixou o tricolor aprontar e abriu o placar aos 28´do primeiro tempo, com Kléber. Na segunda etapa, Adriano, de pênalti, empatou, mas aí a Arena começou a pulsar, o Furacão aumentou sua força e Alex Mineiro, aos 36´, definiu a vitória por 2 a 1 e a classificação às semifinais. Um fato marcante naquele jogo foi a marcação implacável do volante Cocito (xodó da torcida rubro-negra) no ainda jovem Kaká, que não suportou a pressão (e as faltas) do rival e chorou quando foi substituído justamente por causa de uma falta do “cão de guarda” rubro-negro.

A base do Atlético-PR de 2001: mesmo com três zagueiros, o sistema defensivo do time não era lá muito confiável. No entanto, um ataque devastador garantiu gols, viradas e o título ao clube paranaense.
A base do Atlético-PR de 2001: mesmo com três zagueiros, o sistema defensivo do time não era lá muito confiável. No entanto, um ataque devastador garantiu gols, viradas e o título ao clube paranaense.

 

A vitória no melhor jogo

"Alex Noel" fez a alegria da torcida do Furacão na reta final: oito gols em quatro jogos.
“Alex Noel” fez a alegria da torcida do Furacão na reta final: oito gols em quatro jogos.

 

Naquele campeonato, apenas uma equipe havia derrotado o Atlético-PR em plena Arena: o Fluminense. E era este mesmo Fluminense o adversário dos paranaenses na semifinal do dia 09 de dezembro. Será que os tricolores repetiriam a dose? Ou o Furacão ganharia sua vingança? O fato é que a Arena da Baixada foi palco do melhor jogo da competição, totalmente aberto, com equipes jogando um futebol de muita qualidade e puramente ofensivo. Não havia precauções ou retrancas. O negócio era gol! Para o deleite dos torcedores.

Depois de várias oportunidades, foi o Fluminense quem abriu o placar no primeiro tempo, com Magno Alves. O gol assustou a torcida, mas o iluminado Alex Mineiro começou a escrever sua saga. Logo aos 4´da segunda etapa, o artilheiro empatou o jogo e, vinte minutos depois, virou para o Furacão. Magno Alves, aos 29´, voltou a deixar o Flu vivo, mas Alex Mineiro, aos 44´, decretou a vitória épica do rubro-negro por 3 a 2 num jogaço recheado de grandes jogadas, tabelinhas e bolas na trave. A vaga na final era o prêmio a um time que atacava sem parar e não se satisfazia com uma vantagem pequena no placar. Era preciso sempre mais e mais.

 

A Arena resolve!

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No dia 16 de dezembro, o Atlético-PR encarou o melhor time da fase de classificação e que havia surpreendido todo o Brasil: o São Caetano. A equipe do ABC Paulista havia sido vice-campeã da Copa João Havelange do ano anterior e repetia a sina competitiva ao alcançar sua segunda final em dois anos. Comandados por Jair Picerni, os azuis eram difíceis de ser batidos e apostavam em uma marcação extremamente sufocante e disciplinada. Porém, qual a chance de aqueles jogadores segurarem o Furacão dentro de sua casa? Zero! Com a Arena completamente lotada e a torcida gritando sem parar, o Atlético abriu o placar logo aos 4´, com Ilan. Aos 31´, Mancini empatou para o São Caetano, de falta. No comecinho da segunda etapa, Mancini cobrou outra falta e Marcos Paulo virou para o Azulão. Pânico na Arena? Que nada. Alex Mineiro estava em campo. Dois minutos depois, o artilheiro empatou após receber de Alessandro. Aos 35´, a virada veio num golaço após o atacante tabelar na entrada da área paulista e passar por entre os zagueiros. No final do jogo, Alex Mineiro bateu o pênalti sofrido por Adriano e fechou a conta: 4 a 2. Pela segunda vez o camisa 9 marcava três gols num jogo. Já era o sétimo em apenas três jogos no mata-mata. O resultado dava ao Furacão a opção de até perder por um gol que ainda sim o título ficaria com os paranaenses.

 

Uma faixa eterna

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No dia da final, o técnico Geninho abusou do lado psicológico para fazer com que seus jogadores entrassem no estádio Anacleto Campanella entusiasmados e convictos de que seriam campeões brasileiros. Depois da preleção antes da subida ao gramado, Geninho pegou uma caixa e retirou dela várias faixas de “campeão brasileiro”. O treinador começou a colocá-las em cada jogador e disse que todos eles já eram campeões. Além disso, ele enfatizou:

“Não deixem que ninguém tire essa faixa de vocês!”.

O recado foi prontamente atendido pelos jogadores e a iniciativa se mostrou muito criativa e acertada. Em campo, o Furacão jogou com segurança e autoridade, não deixou o São Caetano aprontar e ainda venceu o jogo por 1 a 0, gol, claro, de Alex Mineiro, que se tornou o primeiro jogador na história dos Campeonatos Brasileiros a marcar quatro gols em uma série final, superando Reinaldo (Atlético-MG, 1980), Marcelinho Carioca (Corinthians, 1998), Guilherme (Atlético-MG, 1999) e Luizão (Corinthians, 1999), todos com três gols. Pronto. Pela primeira vez na história o Clube Atlético Paranaense era campeão brasileiro de futebol.

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A festa e a farra que tanto os rubro-negros não puderam fazer nos últimos meses podiam, enfim, ser extravasadas. E o time com melhor campanha e aproveitamento era premiado: 31 jogos, 19 vitórias, seis empates, seis derrotas, 68 gols marcados (melhor ataque) e 45 gols sofridos – aproveitamento de 67%. Alex Mineiro e Kléber foram os artilheiros do time na competição com 17 gols cada. Romário, do Vasco, marcou 21 gols e foi o goleador do ano.

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O fim e a espera pela nova Arena

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Em 2002, uma fracassada pré-temporada, a falta do pagamento do bônus do título de 2001 e pressões internas fizeram com que o Atlético-PR perdesse o brilho de outrora e virasse uma equipe comum. Na Libertadores, campanha pífia e última posição num grupo que tinha América de Cali-COL, Olmedo-EQU e Bolívar-BOL. No Brasileiro, um modesto 14º lugar. A equipe só voltaria a demonstrar brilho semelhante em 2004, quando por pouco não faturou o bicampeonato nacional (perdeu pontos importantes nas últimas rodadas, dando de bandeja a taça para o Santos de Robinho e Ricardinho). Em 2005, a equipe ainda alcançou uma inédita final de Libertadores, mas não pôde contar com sua Arena e foi presa fácil para o São Paulo. Desde então, a equipe passou por momentos complicados e deu a volta por cima em 2018 e 2019, quando faturou a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil em sua Arena renovada e, enfim, completa, impondo aos adversários o medo e a vibração que tanto jogaram junto com o time de 2001, que fez valer cada letrinha da palavra caldeirão. E cada km percorrido de um Furacão imortal.

 

Os personagens:

Flávio: um dos maiores ídolos recentes do clube, Flávio viveu grande fase em 2001 e fez defesas importantíssimas no caminho até o título. Dono de reflexos apurados e muito ágil, o goleiro levou segurança ao time quando mais foi preciso.

Gustavo: com mais de 1,90m, o zagueirão se impunha pela presença física e nas jogadas aéreas. Não tinha habilidade para sair jogando, por isso, dava chutão e afastava o perigo de qualquer maneira. Com problemas musculares, jogou as partidas decisivas no sacrifício e graças às injeções.

Nem: foi o capitão do Furacão na campanha do título e também esbanjava raça dentro e fora da área para compensar a falta de técnica. Líder, ajudou o técnico Geninho a domar os jovens “arteiros” e manter o foco no título. Viveu sua melhor fase na carreira justamente no Furacão. Depois, sumiu.

Rogério Corrêa: do trio da zaga, era o que tinha melhor técnica com a bola nos pés e também o mais rápido. Desarmava bem e ajudava o ataque com suas subidas e gols. Muito identificado com o clube, jogou até 2005 na Arena.

Igor: o zagueiro atuou relativamente bem em algumas partidas, mas não teve espaço no time titular por causa do trio Gustavo, Nem e Rogério Corrêa.

Alessandro: muito veloz e habilidoso, o lateral-direito viveu uma fase incrível pelo Furacão em 2001 e foi um dos principais jogadores do time no Brasileirão. Com constantes subidas ao ataque e cruzamentos certeiros, o lateral ganhou o carinho da torcida e até vestiu a camisa da Seleção Brasileira.

Cocito: com fama de mal e violento, Cocito foi um dos xodós da torcida do Atlético por seu espírito de entrega em campo e pela raça. Não tinha técnica alguma, mas sabia marcar as estrelas dos adversários e anulava as jogadas da maneira que fosse. Foi assim que Kaká, do São Paulo, Roger, do Fluminense, e Esquerdinha, do São Caetano, praticamente não aprontaram no mata-mata do Brasileiro de 2001. Cocito estava lá para impedir qualquer ação.

Pires: volante, atuou em várias partidas da equipe no torneio e foi titular em muitas delas, principalmente no início, mas Cocito ganhou a disputa e foi soberano até o final do Brasileiro.

Kléberson: um motorzinho no meio de campo do Furacão e capaz tanto de construir jogadas como desarmar os adversários com notável precisão, Kléberson foi um dos grandes nomes do Atlético na conquista do Brasileiro de 2001. O jogador podia jogar em quase todas as posições e foi a principal peça no esquema tático de Geninho. Sua polivalência lhe rendeu prêmios individuais, uma convocação para a Copa do Mundo de 2002 e a titularidade no time de Felipão, incluindo uma ótima atuação na final contra a Alemanha.

Adriano: o “gabiru” ainda era um apelido interno e o meia era conhecido apenas como Adriano. Naquele ano, o alagoano jogou muito, marcou gols, deu assistências e foi uma das armas ofensivas do Atlético na conquista do Brasileiro. Adriano ficou de 1998 até 2004 na equipe e teve uma curiosa passagem pelo Internacional, onde marcou o gol do título mundial de 2006 do clube colorado como reserva e totalmente desprestigiado por todos. O futebol fraco continuou mesmo depois do título e o meia jamais jogou o que jogou no Furacão.

Souza: chegou com o status de estrela no clube e, em alguns momentos, até fez jus à fama. O meia marcou seis gols e participou de vários outros, mas não foi titular absoluto (se revezou com Adriano). Mesmo assim, teve contribuição na conquista do título nacional e ganhou o carinho da torcida.

Fabiano: muito regular, hábil e veloz, o lateral foi absoluto pela esquerda do campo rubro-negro em 2001 e teve grande participação na campanha do título nacional. Fez ótimas partidas, apoiava o ataque e até marcou um gol no torneio.

Kléber: o atacante fez uma dupla letal e eficiente ao lado de Alex Mineiro naquele ano de 2001. Legítimo atacante oportunista, Kléber (que ainda não era conhecido pelo sobrenome Pereira) marcou 22 gols no Campeonato Paranaense e outros 17 no Brasileiro. Costumava marcar gols bonitos e também perder chances claras. Depois de brilhar em Curitiba, teve uma boa passagem no Santos e no futebol mexicano.

Ilan: por causa da concorrência e do entrosamento entre Kléber e Alex, Ilan não conseguiu ser titular no time de 2001, mas marcou quatro gols no Brasileiro e teve sua contribuição na conquista (incluindo um na final). Nos anos seguintes, jogou com mais regularidade, brilhou, chegou até a seleção, mas caiu de rendimento.

Alex Mineiro: oito gols em quatro jogos. Dois hat-tricks seguidos. Golaços. Quatro gols nos dois jogos da decisão. Se existia alguém predestinado ao sucesso naquele elenco do Furacão ele atendia pelo nome de Alex Mineiro. O atacante mostrou um faro de gol impressionante e provou como nunca ser o camisa 9 do melhor ataque do torneio. Rápido, habilidoso e com um chute certeiro, o artilheiro foi o nome do título rubro-negro e craque do Brasileiro daquele ano, ganhando, inclusive, a Bola de Ouro. Xodó da torcida, Alex Mineiro foi o próprio furacão em pessoa naquele ano.

Flávio Lopes, Mário Sérgio e Geninho (Técnicos): Lopes ganhou o título estadual, Mário Sérgio ajudou a moldar o 3-5-2 atleticano, mas foi Geninho o grande mestre de 2001. Inteligente e conhecedor das qualidades e limitações de seu time, ele sabia que a única maneira daquele Atlético dar certo era atacando os adversários sem dó. A tática funcionou perfeitamente, afinal, com Adriano, Kléberson, Fabiano, Alessandro, Kléber e Alex Mineiro trabalhando na frente, o ponto fraco do time – a defesa – não teria com o que se preocupar. Isso explica os jogos alucinantes e recheados de gols da equipe ao longo do torneio e a enorme pressão nas partidas disputadas na Arena. Vale destacar, também, o trabalho emocional que o treinador utilizou com o grupo. Sem dúvidas, mereceu demais o título. Bem como o Furacão e sua torcida.

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Extras:

Goleada

Veja o 6 a 3 do Atlético pra cima do Bahia.

 

Em um jogo eletrizante, o Furacão virou pra cima do Fluminense e venceu por 3 a 2.

 

A final de 2001 foi decidida logo na primeira partida. Em casa, o Furacão meteu 4 a 2 no São Caetano e só correu para o abraço na volta.

 

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8 thoughts on “Esquadrão Imortal – Atlético-PR 2001

  1. Parabéns pelo texto!!
    Emocionante para mim, como torcedora do furacão, que tinha apenas 4 anos quando foi campeão brasileiro, saber um pouco mais da história do meu clube do coração. Obrigada, excelente trabalho.

  2. Esse foi sem dúvida um grande time do Athletico PR. PS: acho que o time de 2018-19 campeão da copa sul-americana e da copa do Brasil tá pedindo passagem aqui no Imortais.

  3. vendo e relembrando meu furacão lindo sendo campeão, saudades, esses vídeos deveriam ser mostrados antes dos jogos para que atuais jogadores dessem mais valor a camisa rubro negra.

  4. Cara, não tem como descrever em palavras o trabalho que voce vem fazendo nesse site. É simplesmente incrivel. Parabéns e continua a trazer um pouco mais da historia do futebol a todos nós. E que nos emocionam. Saudades de Berkgamp, Fernando Redondo… Parabéns

  5. Este foi de longe o melhor e mais surpreendente Campeonato Brasileiro que eu já,tinha 11 anos na época,lembro que fiquei muito bravo quando o São Paulo levou 7×1 do Vasco em São Januário.
    Excelente texto pessoal,parabéns !!!

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