Jogos Eternos – Corinthians 7×1 Santos 2005

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Data: 06 de novembro de 2005

O que estava em jogo: a vitória, claro, na 37ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2005.

Local: Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), em São Paulo, SP, Brasil

Juiz: Evandro Rogério Roman (PR)

Público: 21.918 pessoas

Os Times:

Sport Club Corinthians Paulista: Fabio Costa; Eduardo Ratinho, Wendel, Marinho e Hugo; Marcelo Mattos, Bruno Octávio (Wescley), Rosinei e Carlos Alberto; Tévez (Jô) e Nilmar. Técnico: Antônio Lopes.

Santos Futebol Clube: Saulo; Paulo César, Halisson (Wendel), Rogério e Kléber; Fabinho (Matheus), Heleno, Ricardinho e Giovanni; Geílson e Luizão (Basílio). Técnico: Nelsinho Baptista.

Placar: Corinthians 7×1 Santos (Gols: Rosinei-COR, aos 1′, Geílson-SAN, aos 8´ e Tévez-COR, aos 20´e aos 37´do 1º T; Tévez-COR, aos 8´, Nilmar-COR, aos 13´e aos 32´, e Marcelo Mattos-COR, aos 45´do 2º T).

“A Tarde de Tango do Timón”

O sol daquela tarde de 06 de novembro de 2005 sugeria um domingo perfeito para um clássico de futebol. E, naquele dia, a cidade de São Paulo teria um Corinthians e Santos para assistir e torcer. As equipes não eram lá tão boas e vistosas como nos anos de 2002, 1999, 1998, 1962 ou 1963, mas alguns jogadores poderiam tornar um jogo monótono e sem gols em uma partida especial. E coube a um argentino, talvez o que despertou mais paixão e idolatria na fanática torcida corintiana, o responsável por conduzir o Timão (ou seria Timón?) a um dos resultados mais fantásticos e inesquecíveis de sua história. Em 06 de novembro de 2005, o Corinthians se vingou, com juros e correção monetária, de todos os sapecos que levou do Santos na chamada Era Robinho. As derrotas nas finais do Brasileiro de 2002 ainda não haviam cicatrizado. As pedaladas e abusos de Robinho e companhia infernizavam as memórias dos corintianos. Era hora do basta. Do chega. De uma única revanche que valesse por dezenas. Em 06 de novembro de 2005, o Corinthians fez um. Dois. Três. Quatro. Cinco. Seis. Sete gols. E levou apenas um. Eterno 7 a 1. Eterno Carlos Tévez, autor de três gols. Eterno Nilmar, autor de dois. Eterno Timón, que trucidou sem dó um de seus maiores rivais e fez a alegria de pessoas que jamais haviam visto um placar tão elástico num clássico paulista. Desde 1941 que o Timón não aplicava uma goleada como aquela no rival praiano. E, pela primeira vez, uma vitória do time de Parque São Jorge foi comemorada com tango, com canciones argentinas e tudo o que o país portenho poderia oferecer. Ninguém jamais se esqueceu daquela tarde. E ninguém jamais se esquecerá. É hora de relembrar.

Pré-jogo

As pedaladas de Robinho em 2002 ainda atormentavam os pensamentos dos corintianos...
As pedaladas de Robinho em 2002 ainda atormentavam os pensamentos dos corintianos…

 

Depois de vencer o Campeonato Brasileiro de 2004, o segundo em quatro anos, e perder o ídolo Robinho para o futebol espanhol, o Santos vivia um período de transição naquele ano de 2005. A equipe ainda contava com alguns remanescentes do bicampeonato nacional, a volta do ídolo de 1995, Giovanni, mas não engrenava no Campeonato Brasileiro. O time era inconstante e não brigava nem pelo título, nem para cair, nem por uma vaga na Copa Libertadores. Já o rival Corinthians era totalmente o oposto. Depois de assinar uma parceria milionária com a MSI e fazer contratações de baciada, a equipe formou um elenco “estrelar” e caminhava a passos largos rumo ao título nacional. Motivados por bichos extras pagos pelo iraniano Kia Joorabchian, os corintianos eram líderes do torneio e precisavam de uma vitória no clássico para já garantir uma vaga na Libertadores de 2006, a grande vedete do time (e da MSI) na época.

Tévez: principal nome do Corinthians em 2005 e autor de 20 gols no Brasileiro daquele ano.
Tévez: principal nome do Corinthians em 2005 e autor de 20 gols no Brasileiro daquele ano.

 

Embora não fosse um time forte, o Santos não era encarado como moleza pelo Corinthians e qualquer resultado era possível. Já os santistas queriam manter o retrospecto favorável contra o rival (o Santos estava invicto na cidade de São Paulo contra o rival em Brasileiros desde 1998) e esperavam por uma atuação de gala de Giovanni no mesmo palco onde ele teve uma das atuações mais marcantes de um jogador no Brasil, em 1995 – o Pacaembu. No entanto, aquele clássico estava mais para o brilho de um jovem e endiabrado argentino, Carlos Tévez, do que para um já veterano Don Giovanni.

Primeiro tempo – Timón constante

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Com menos de um minuto de jogo, o Corinthians mostrou logo de cara que levaria aquela partida muito a sério. Muito mesmo. Nilmar roubou a bola de Halisson, tocou para Tévez na esquerda e este cruzou na área para Rosinei, de frente para o gol, fuzilar o goleiro Saulo: 1 a 0. Prenúncio de uma goleada? De jeito nenhum, pensava a maioria. Mas o fato é que o gol atordoou o Santos, que demorou a se encontrar no jogo. Mais precisamente oito minutos, quando Geílson aproveitou uma falha da zaga corintiana para empatar, de cabeça, após cobrança de escanteio. Logo após o gol, o Corinthians se inflou e não deixou o rival tomar gosto pelo jogo. Nilmar, vivendo grande fase e sem as famosas contusões, invadiu a área santista um minuto depois e carimbou a trave de Saulo. Apostando muito na jogada aérea, o Santos tentava, em vão, chegar ao gol da virada, enquanto o Corinthians errava passes demais e via Carlos Alberto ser anulado pela marcação rival. Porém, os erros crassos da defesa santista começaram a dar as caras aos 19´. Halisson, de novo, errou um passe perto da área e tocou para Rosinei, que lançou para Tévez chutar cruzado e no alto para fazer o segundo gol: 2 a 1.

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O camisa 10 corintiano começava o seu show. Habilidoso, totalmente identificado com a torcida e iluminado ao máximo naquele ano de 2005, Carlitos fazia o que queria com a bola em seus pés. Aos 23´, tirou um marcador com uma finta seca, chutou e obrigou o goleiro Saulo a fazer uma difícil defesa. O Santos respondeu alguns minutos depois, com Geílson, mas Fábio Costa salvou o Timón. Aos 37´, Tévez mostrou ao atacante santista como se faz ao receber de Eduardo Ratinho, girar e bater de perna esquerda: 3 a 1. O placar era o reflexo claro da superioridade ofensiva do Corinthians e da fragilidade dos defensores santistas, que anulavam Carlos Alberto, mas se esqueciam de tomar conta de Tévez e Nilmar, os principais fazedores de gols do time alvinegro. Nelsinho Baptista, técnico santista, precisava fazer alguma coisa. Ou o segundo tempo teria ainda mais gols pelo lado corintiano.

Os times em campo: os sistemas defensivos das equipes não eram lá grande coisa, mas o ataque corintiano funcionava muito bem.
Os sistemas defensivos das equipes não eram bons, mas o ataque corintiano funcionava muito bem.

 

Segundo tempo – Eterno e vingado

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Com a mesma postura da etapa inicial, o Corinthians continuou assíduo no ataque e Nilmar, de novo, quase fez 4 a 1 com apenas dois minutos de jogo, quando aproveitou (nova) falha da zaga santista e chutou para uma ótima defesa de Saulo. As mudanças de Nelsinho não surtiam efeito (ele tirou Halisson e colocou Wendell e pôs Heleno na zaga), e, para piorar, Rogério foi expulso aos seis minutos após cometer falta em Tévez. Com 10 homens, a situação do Santos era dramática. E a do Corinthians, mágica. Três minutos após a expulsão de Rogério, Tévez voltou a aprontar. O argentino dominou de frente para a área, tabelou com Nilmar e fuzilou: 4 a 1. Goleada no Pacaembu! E desestruturação total no Santos. Apático e sem reação alguma, a equipe praiana teria que se fechar na defesa se não quisesse levar um sapeco ainda maior. Mas a pergunta era: que defesa?! Ela simplesmente não existia. E não atuava como tal. Já o ataque do Corinthians… Aos 17´, Carlos Alberto chutou de fora da área, Saulo rebateu mal e a bola sobrou livre para Nilmar, enfim, marcar seu primeiro gol no jogo: 5 a 1. Era deleite puro para o corintiano que tanto sofrera nos anos anteriores ver seu time golear o time da Vila por acapachantes 5 a 1. E a vingança por tanto drama passado. Mas ainda era pouco, pensavam os jogadores do Timón. Cinco era pouco. Era preciso mais. Um número maior. E bem simbólico.

O Corinthians continuava no ataque e não relaxava por causa do placar já elástico, atitude que deixava a Fiel torcida ainda mais entusiasmada. Jô, atacante, entrou no lugar de Tévez, que saiu ovacionado por todos no estádio. E, na primeira jogada do suplente, ele cruzou na cabeça de Nilmar, que ganhou do atabalhoado goleiro santista para fazer o seu segundo gol no jogo e o sexto do Timón: 6 a 1. Virava três e acabava seis. Quanta ousadia! E quanto drama para os santistas. A torcida corintiana gritava olé, respirava os ares da vaga na Libertadores 2006 e comemorava um título nacional cada vez mais perto. Já o torcedor do Santos queria o apito final, queria a volta do brio de seus jogadores e que desse por encerrada uma partida totalmente aquém da história de um clube que sempre fez mais gols que os rivais. E não o contrário. Mas ainda tinha mais.

 

O placar do Pacaembu não estava quebrado: era 7 a 1 mesmo.
O placar do Pacaembu não estava quebrado: era 7 a 1 mesmo.

 

Aos 45´, Marcelo Mattos cobrou falta na meia-lua, a bola bateu em uma trave e entrou do outro lado do gol. Pronto. Era o fim: 7 a 1. Eterno 7 a 1. Se o Corinthians precisava vingar os revezes de outrora, aquele dia 06 de novembro de 2005 virava de vez uma data histórica para o clube do Parque São Jorge. Não foi apenas um show. Foi uma aula de pontaria, de chances concretizadas, de ímpeto ofensivo e de extrema felicidade. E a melhor e mais portentosa vingança que aqueles jogadores corintianos poderiam dar ao fanático torcedor. Sete gols. 7 a 1. Não havia placar mais simbólico para representar a revanche que valia por várias. Lembra qual era o número da camisa de Robinho? Sete. Pois é. Para a sorte dos santistas, ele não vestia a 10. Se vestisse…

A capa do jornal "Lance!" do dia seguinte.
A capa do jornal “Lance!” do dia seguinte.

 

Pós-jogo: o que aconteceu depois?

Corinthians: embalado, o time alvinegro seguiu firme rumo ao título nacional daquele ano, embora a conquista tenha sido ofuscada pelo escândalo de manipulação de resultados envolvendo o ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho. Depois disso, a equipe entrou em uma maré negra, a MSI não trouxe os louros prometidos e o time foi parar no fundo do poço ao ser rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro em 2007. Na temporada seguinte, a equipe voltou à Série A, entrou em uma nova fase de ouro e colecionou títulos em 2009, 2011, 2012 e 2013. No entanto, não houve mais nenhuma tarde de sol embalada a tango semelhante àquela de 2005. Tampouco um 7 a 1 eterno como o orquestrado por Tévez, Nilmar e outros coadjuvantes do mais “Timón” de todos os Timões.

Marcelo Mattos (com a taça) e Carlos Alberto festejam o título de 2005.
Marcelo Mattos (com a taça) e Carlos Alberto festejam o título de 2005.

 

Santos: após o revés histórico e vexatório, muito se comentou sobre um possível complô dos jogadores santistas para com o técnico Nelsinho Baptista, bem como um racha no elenco. Tais afirmações jamais foram provadas, mas o fato é que Nelsinho deve ter ficado bem bravo por ter levado de sete do Corinthians. Em 2007, ele era o técnico que levou o time do Parque São Jorge à Série B do Brasileiro. Em 2008, lá estava Nelsinho no caminho do Corinthians, dessa vez no comando do Sport, adversário da equipe paulista na final da Copa do Brasil daquele ano. Depois de perder por 3 a 1 a primeira partida, o Sport venceu o Timão por 2 a 0 na Ilha do Retiro e faturou o título, fatos que transformaram Nelsinho em um verdadeiro fantasma pelas bandas do Parque São Jorge. Já o Santos voltou a brilhar na virada da década de 2010 com uma nova geração de ouro comandada por Neymar, que venceu títulos estaduais, Copa do Brasil, Libertadores e uma Recopa. No entanto, a nova garotada da Vila não conseguiu vingar a goleada de 2005, que segue entalada na garganta dos santistas.

O tempo passa e a Fiel não se esquece...
O tempo passa e a Fiel não se esquece…

 

Extra:

Veja os lances e gols daquele jogo eterno.

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9 thoughts on “Jogos Eternos – Corinthians 7×1 Santos 2005

  1. O C.Tevez, melhorou ainda mais seu empenho, a partIr da chegada de outro craque,chamado Nilmar.Esse milionário Corinthians,não foi de maneira alguma a sombra daquele grande Corinthians,de 98-00,que tinha tantos craques-Edilson,Marcelinho,Ricardinho,Dida, F.Rincón, Vampeta, Gamarra e cia,que teve um padrão de jogo montado pelo competente técnico Vanderlei Luxemburgo,conseguindo assim grandes conquistas,contudo, Guilherme, 7×1 não deixa de der um baile,ou melhor um TANGO ARGENTINO.
    Obs. Aguardo anciosamente o meu pedido que lhe fiz,Craque Imortal,Edmundo-O Animal.

  2. OLha rapaz, não sei para que time você torce, mas você está de parabéns pela matéria, sou santista e acabei de digerir esta vitória expressiva do corinthians. Você mostrou todas as faces da moeda e deixou clara a situação que as equipes viviam, e todos os fatos, extra campo que envolveram a partida. A parte que eu mais gostei, foi o pós 7×1 das duas equipes. Abraço

  3. Sou colorado e dessa partida não esqueço…tinha 9 anos de idade, primeiro ano como torcedor assíduo e envolvido com o time. Estávamos disputando a taça ponto a ponto com o Corinthians, lembro que parei na frente da tv pra “secar” os paulistas, cheguei a comemorar aquele gol de empate, se não me engano havíamos ganhado no sábado e restava a torcida pro Corinthians perder pontos. Foi um massacre, sempre lembrarei deste campeonato como símbolo da minha infância, por mais que o Colorado tenha sido vice-campeão.

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