Craque Imortal – Schiaffino

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Nascimento: 28 de Julho de 1925, em Montevidéu, Uruguai. Faleceu em 13 de Novembro de 2002, em Montevidéu, Uruguai.

Posições: Atacante, Ponta-de-lança e Meia

Clubes: Peñarol-URU (1943-1954), Milan-ITA (1954-1960) e Roma-ITA (1960-1962).

Principais títulos por clubes: 4 Campeonatos Uruguaios (1949, 1951, 1953 e 1954) pelo Peñarol.

3 Campeonatos Italianos (1954-1955, 1956-1957 e 1958-1959) pelo Milan.

1 Copa das Cidades com Feiras (1960-1961) pela Roma.

 

Principal título por seleção: 1 Copa do Mundo da FIFA (1950) pelo Uruguai.

 

Principais títulos individuais: Bola de Prata da Copa do Mundo da FIFA: 1950

Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 1950

Eleito um dos 1000 Maiores Esportistas do Século XX pelo jornal The Sunday Times

Eleito o 63º Melhor Jogador do Século XX pela revista Placar: 1999

Eleito o 6º Melhor Jogador Sul-Americano do Século XX pela IFFHS: 2004

Eleito o 81º Melhor Jogador da História das Copas pela revista Placar: 2006

“O eterno gênio celestial”

Foram duas décadas de brilho, gols, cadência e passes exuberantes. Duas décadas como o mais técnico jogador que o Uruguai já havia revelado. Duas décadas de títulos, grandes feitos e duas Copas do Mundo no currículo. E, como se não bastasse, uma participação mais do que decisiva no bicampeonato mundial da Celeste Olímpica, em 1950. Se houve um jogador que encheu os olhos de todos nos anos 40 e 50, foi ídolo de dois dos maiores clubes do planeta (Peñarol e Milan) e conseguiu virar um verdadeiro “Deus do futebol” para uruguaios e italianos, esse alguém foi Juan Alberto Schiaffino. O alto e esguio atacante foi um dos maiores de todos os tempos ao aliar toques rápidos e total domínio de bola a uma visão de jogo e cadência dignas de um camisa 10. Lenda e patrimônio do futebol uruguaio, Schiaffino venceu várias eleições de melhor jogador de seu país na história e conseguiu ficar à frente de outros mitos como José Nasazzi, José Leandro Andrade, Obdulio Varela, Fernando Morena e Enzo Francescoli, por exemplo. É hora de relembrar.

Entre idas e vindas, o futebol

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“Pepe” Schiaffino começou a tomar gosto pelo futebol bem jovem, no bairro de Pocitos, em Montevidéu, além de jogar em equipes do bairro de Palermo. Para ajudar na renda familiar, trabalhou como padeiro, em uma fábrica de alumínio e em vários outros pequenos serviços até descobrir, de fato, que seu negócio era mesmo o esporte. Em 1943, com apenas 17 anos, foi levado pelo irmão, Raúl, ao Peñarol e iniciou sua carreira no tradicional clube aurinegro. Nas bases do clube da capital, Schiaffino mostrou em poucos jogos que tinha um futuro brilhante exibindo uma técnica fantástica para sua pouca idade, tranquilidade de veterano e uma visão de jogo pouco comum para um jogador que queria ser atacante. Depois de gastar a bola nos anos de 1943 e 1944 e ser convocado para a seleção uruguaia antes mesmo de jogar nos profissionais do Peñarol, Pepe subiu para a equipe principal de seu clube já em 1945. Em 1946, fez seu debute no Campeonato Uruguaio e marcou 13 gols em 23 jogos, num claro prenúncio de anos maravilhosos que estavam por vir.

Estrela na Esquadrilha

O fantástico Peñarol de 1949. Em pé:  Hugo, Gonzales, Etchegoyen, Pereyra Natero, Varela e Ortuño. Agachados: Ghiggia, Hohberg, Míguez, Schaffino e Vidal.
O fantástico Peñarol de 1949. Em pé: Hugo, Gonzales, Etchegoyen, Pereyra Natero, Varela e Ortuño. Agachados: Ghiggia, Hohberg, Míguez, Schaffino e Vidal.

 

Já titular no esquema tático do Peñarol, Schiaffino viveu seu primeiro grande ano como profissional em 1949. Pepe era um dos estrelares jogadores que compuseram a chamada “escuadrilla de la muerte” do Peñarol campeão invicto do Campeonato Uruguaio daquele ano com 16 vitórias, dois empates, 62 gols marcados e 17 sofridos em 18 jogos. A equipe comandada pelo técnico húngaro Emérico Hirschl fez história ao contar com diversos nomes de peso que também teriam destaque pela seleção uruguaia tais como Ernesto Vidal, Óscar Míguez, Alcides Ghiggia, Obdulio Varela e Juan Eduardo Hohberg (além de Schiaffino, claro). Eles eram apenas alguns dos craques que transformaram o Peñarol em uma verdadeira máquina de jogar futebol em 1949.

Jogadores do Peñarol esperam (em vão) o rival Nacional na partida "da fuga" em 1949. Foto: Padre y Decano.
Jogadores do Peñarol esperam (em vão) o rival Nacional na partida “da fuga” em 1949. Foto: Padre y Decano.

 

Uma das maiores façanhas daquele esquadrão foi ter “botado pra correr” o maior rival, o Nacional, num clássico que ficou conhecido como “El clásico de la fuga”. Ainda no primeiro tempo da partida realizada em 09 de outubro de 1949, o Nacional teve dois jogadores expulsos (Eusebio Tejera e Walter Gómez) e perdia por 2 a 0 (gols de Ghiggia e Vidal) quando a equipe tricolor não voltou para a disputa do segundo tempo com nítido medo de levar uma goleada homérica do Peñarol pelo fato de estar com apenas nove jogadores. O caso rendeu inúmeras brincadeiras dos aurinegros e ganhou os jornais do país pela falta de coragem e espírito esportivo dos tricolores.

Ao lado daqueles e vários outros jogadores, Schiaffino venceria não só o troféu de 1949, mas também os de 1951, 1953 e 1954 (este também invicto, mas com 14 vitórias e quatro empates em 18 jogos) com a camisa aurinegra. Com gols e várias assistências, o craque virou uma unanimidade nacional e peça certa no selecionado uruguaio que disputaria a primeira Copa do Mundo do pós-guerra, em 1950, no Brasil.

A Esquadrilha do Peñarol de 1949: Schiaffino era uma das grandes armas de um time extremamente ofensivo e letal.
A Esquadrilha do Peñarol de 1949: Schiaffino era uma das grandes armas de um time extremamente ofensivo e letal.

 

Convocado!

Todos no Uruguai tinham plena convicção de que mais da metade do grande time do Peñarol também seria titular da Celeste na Copa de 1950. No entanto, uma série de acontecimentos quase enterrou o imaginário da torcida charrua. Nas dez partidas disputadas antes do Mundial, a Celeste teve um desempenho pífio: duas vitórias, um empate e sete derrotas, incluindo um revés de 2 a 1 para o time do Brasil de Pelotas (RS), resultado que enfureceu a imprensa uruguaia. Para piorar, o técnico Enrique Hernández foi demitido e a Associação Uruguaia de Futebol (AUF) comprou briga com o Peñarol por desprezar o técnico do clube, Emérico Hirschl, o favorito do público para assumir a seleção. O Peñarol decidiu não mais ceder seus jogadores para a AUF por conta desse menosprezo, o que incluía Schiaffino, Varela, Ghiggia e vários outros craques. Só em meados de abril de 1950 que uma reunião de emergência entre os dirigentes aurinegros e da AUF definiu a permanência dos jogadores do Peñarol na seleção. Mas ainda havia um problema: a Celeste não tinha técnico, apenas uma junta técnica. Essa tal junta comandou a seleção em vários duelos pré-Copa e somente um mês antes do Mundial que Juan López foi escolhido o treinador definitivo. E ele convocou, para o alívio da nação, todas as estrelas do Peñarol.

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Schiaffino, bem como seus companheiros, viajaram para o Brasil com total desconfiança da imprensa e torcida e ainda sob as acusações de que estavam fora de forma e “gordos”. Mas os “deuses do futebol” jogariam junto com a Celeste naquela Copa a começar pelo chaveamento do Mundial: seriam quatro grupos, dois com quatro equipes, um com três e um com apenas duas (justamente o do Uruguai). Os melhores de cada grupo disputariam um quadrangular final onde o primeiro colocado ficaria com o título. A Celeste enfrentou a fraquíssima Bolívia, no estádio Independência, em Belo Horizonte, e massacrou os bolivianos: 8 a 0, gols de Míguez (3), Schiaffino (2), Vidal, Julio Perez e Ghiggia. Foi nessa partida, a primeira de Schiaffino em Copas, que o craque entrou para os anais dos Mundiais por ter marcado supostos cinco gols, o que faria dele o primeiro a conseguir semelhante proeza. No entanto, 44 anos depois, em 1994, o próprio Schiaffino desfez essa confusão com sua clássica sinceridade ao dizer que não tinha marcado cinco gols naquele jogo. A FIFA refez a contagem e descobriu, de fato, que Míguez fora o goleador dos 8 a 0 com três gols.

O gol “sem querer” e a glória no Maracanazo

Schiaffino empata o jogo contra o Brasil: era o início do Maracanazo.
Schiaffino empata o jogo contra o Brasil: era o início do Maracanazo.

 

No quadrangular final, o Uruguai de Schiaffino suou bastante para arrancar um empate em 2 a 2 da Espanha num Pacaembu tomado por mais de 54 mil pessoas. Na partida seguinte, outro duelo difícil, contra a Suécia, de novo no Pacaembu, dessa vez bem vazio, com apenas oito mil pessoas. O jogo foi mais uma vez disputado, mas o Uruguai mostrou garra e venceu por 3 a 2, de virada. A vitória manteve o esquadrão Celeste com chances de título e ele só dependia de si para ficar com a taça na partida decisiva contra o Brasil, que havia vencido a Suécia, por 7 a 1, e a Espanha, por 6 a 1.

Na grande final, o Uruguai entrou em campo mordido pelo fato de o Brasil cantar vitória antes da hora e ter como certa a conquista de sua primeira Copa. Empurrados pelo capitão Obdulio Varela, os uruguaios mostraram sangue frio diante de 200 mil pessoas no Maracanã e contaram com o talento de Schiaffino para começar a construir uma vitória fascinante. Perdendo por 1 a 0 até os 21´do segundo tempo, o Uruguai alcançou o empate após Varela lançar Ghiggia na intermediária, perto da lateral, e este tocar rasteiro para Schiaffino, que chutou alto, sem chances para Barbosa. Aquele gol assustou a torcida brasileira e mostrou o caminho para a virada Celeste. Mas se engana quem pensa que o craque uruguaio tinha plena convicção do que tinha acabado de fazer. Para ele, aquilo foi “sorte de campeão”:

“Tentei escorar a bola de raspão, só que acertei o peito do pé. Em vez de ir para o canto direito, ela foi para o ângulo esquerdo. Foi uma sorte espantosa!”Schiaffino, em entrevista à revista Placar, novembro de 1999.

Aos 34 minutos da segunda etapa, Julio Perez passou pela marcação brasileira e tocou para Ghiggia, na direita. Ele devolveu ao companheiro e partiu em velocidade, para receber nas costas de seu marcador, Bigode. O goleiro brasileiro Barbosa pressentiu que a jogada do primeiro gol poderia se repetir e se afastou da trave esquerda. Livre de marcação, pois Juvenal estava indo em direção à Schiaffino, Ghiggia correu e, ao invés de cruzar como no primeiro gol, chutou forte, rasteiro, exatamente no canto onde Barbosa deveria estar: Uruguai 2×1 Brasil. Faltando apenas 11 minutos para o fim do jogo, o time Celeste conseguia o que muitos acreditavam ser impossível. O Maracanã foi tomado por um “silêncio de morte”, como muitos lembram até hoje. O Brasil não teve forças para empatar o jogo e, aos 45´, o juiz inglês George Reader cumpriu a pontualidade britânica e apitou o final do jogo. Era o fim. O Uruguai, 20 anos depois, conquistava a Copa do Mundo, se igualava à Itália e era bicampeão mundial. E Schiaffino vivia o momento mais mágico e emocionante de sua carreira. O craque foi eleito um dos melhores da Copa e estava, enfim, no topo do mundo.

A melhor Copa foi a que escapou

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Mesmo com a fama alcançada após a Copa, Schiaffino permaneceu no Peñarol, seguiu jogando em alto nível e manteve a equipe aurinegra no topo do país. No auge da forma, o craque se firmou ainda mais no time titular da seleção e viajou até a Suíça para a disputa da Copa do Mundo de 1954. Em terras europeias, Schiaffino fez daquele Mundial sua mais portentosa vitrine. O Uruguai era um dos grandes favoritos ao título e contava com um time tão bom quanto o de 1950, com vários campeões e ainda outros talentos como Abbadie e Borges. Na estreia, contra a Tchecoslováquia, a equipe sul-americana mostrou autoridade e venceu por 2 a 0, com um lindo gol de falta marcado por Schiaffino. Na partida seguinte, a equipe Celeste se aproveitou da fragilidade emocional da Escócia (que viu seu treinador pedir demissão em plena disputa do Mundial) e goleou por 7 a 0.

Nas quartas de final, o Uruguai travou um duelo épico contra a Inglaterra e venceu por 4 a 2, com mais um gol marcado por Schiaffino (ele anotou o terceiro após entrar na área a dribles e tocar na saída do goleiro Merrick). Jogando muito e mostrando um futebol simplesmente fascinante, parecia que Schiaffino seria, de fato, o grande maestro que conduziria o Uruguai ao tricampeonato na Suíça. No entanto, a equipe sul-americana deu azar e topou nas semifinais com a avassaladora Hungria. O duelo foi uma ode ao futebol espetáculo a ao que de melhor o esporte poderia oferecer. Investidas em velocidade, gols maravilhosos, lançamentos perfeitos. Teve de tudo naquele dia 30 de junho no estádio Olympique La Pontaise, em Lausanne. A Hungria abriu o placar com Czibor, aos 13´, mas não conseguiu se impor nos outros minutos graças a defesa uruguaia, que jogava com firmeza mesmo sem a presença do mito Obdulio Varela, contundido. No segundo tempo, Hidegkuti ampliou para a Hungria, mas o Uruguai mostrou a fibra de sempre e Schiaffino o talento de sobra que tinha. O craque comandou as ações ofensivas, orquestrou jogadas de perigo e fez o lançamento que originou o primeiro gol da Celeste, de Hohberg, aos 31´. Dez minutos depois, Hohberg fez mais um e levou a partida para a prorrogação. O esforço e a emoção do atacante foram tão grandes que ele desmaiou após o gol de empate. Na prorrogação, Schiaffino seguiu jogando muito e viu Hohberg quase marcar o terceiro ao carimbar a trave do goleiro Grosics. O erro custou caro e Kocsis, em duas cabeçadas certeiras, decretou a vitória magiar por 4 a 2. Aquela foi a primeira derrota do Uruguai em Copas do Mundo. Até então, a Celeste havia disputado 11 jogos (quatro em 1930, quatro em 1950 e três em 1954) sem uma derrota sequer.

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Na disputa pelo terceiro lugar, o Uruguai mostrou desinteresse e perdeu para a Áustria por 3 a 1, ficando na quarta posição da Copa. Embora não tenha conquistado seu segundo Mundial, Schiaffino ganhou os elogios de toda a imprensa pelo futebol apresentado em terras suíças e a incrível técnica atuando ou como meia ou como atacante. Foi o bastante para que o Milan-ITA fizesse uma vertiginosa proposta ao Peñarol, que aceitou vender sua joia aos italianos naquele mesmo ano de 1954 por 50 milhões de liras.

Deus do Calcio

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Depois de uma década de brilho no Peñarol, Schiaffino teve sorte ao encontrar, na Itália, o ambiente propício para mais anos de ouro. Vestindo o vermelho e preto do Milan, o uruguaio venceu já na temporada 1954-1955 o título do Campeonato Italiano ao disputar 27 partidas e marcar 15 gols. O craque reforçou demais um elenco formidável que a equipe rossonera tinha na época, com destaque para os suecos Gunnar Nordahl e Nils Liedholm, o zagueiro Cesare Maldini (pai de Paolo Maldini), o atacante Eduardo Ricagni e o goleiro Lorenzo Buffon (primo do avô de Gianluigi Buffon). Extremamente ofensivo, aquele Milan foi o time perfeito para Schiaffino esbanjar seu talento no Calcio e encantar os torcedores italianos quase que instantaneamente. Seu futebol era tão virtuoso que Schiaffino se naturalizou italiano e vestiu a camisa da Azzurra em quatro oportunidades entre 1954 e 1958, mas não conseguiu ajudar a seleção a se classificar para a Copa de 1958.

Carlo Galli e Schiaffino.
Carlo Galli e Schiaffino.

 

Nesse meio tempo, Schiaffino se consolidou no ataque do Milan com gols e assistências impecáveis para Carlo Galli, Nordahl, Gastone Bean e outros atacantes que aproveitaram a visão de jogo do uruguaio para encher as redes adversárias de gols. Na época, Cesare Maldini, companheiro do uruguaio no Milan, dizia que ele tinha “um radar no lugar do cérebro” tamanha calma e precisão que Pepe exibia nos passes e lançamentos. Além do título nacional de 1954-1955, o Milan de Schiaffino também faturou os Scudettos de 1956-1957 e 1958-1959.

Na temporada 1957-1958, a equipe fez uma ótima Liga dos Campeões da UEFA e despachou pelo caminho Rapid Wien-AUT, Rangers-ESC, Borussia Dortmund-ALE e Manchester United-ING (este com show de Schiaffino, que marcou um gol no primeiro jogo e dois na goleada de 4 a 0 dos italianos na partida de volta, em Milão). Na decisão, o Milan encarou o estupendo e quase imbatível Real Madrid-ESP de Di Stéfano, Gento, Rial, Santamaría, Zárraga, Joseito e Kopa. Schiaffino abriu o placar para o Milan no começo do segundo tempo, mas o Real se impôs e venceu o jogo por 3 a 2, com um gol de Gento na prorrogação.

Schiaffino e Ghiggia: uruguaios vestiram a camisa da Itália nos anos seguintes à conquista do Mundial de 1950.
Schiaffino e Ghiggia: uruguaios vestiram a camisa da Itália nos anos seguintes à conquista do Mundial de 1950.

 

No final dos anos 50, Schiaffino viveu seus últimos anos com a camisa do Milan e abriu espaço para a chegada de um promissor garoto: Gianni Rivera, meia que assumiu o posto do uruguaio no começo dos anos 60 e iniciou uma nova era de ouro da equipe de Milão (que você pode ler mais clicando aqui). Entre 1960 e 1962, Schiaffino vestiu a camisa da Roma e, mesmo com 34 anos, teve tempo para ganhar uma Copa das Cidades com Feiras, torneio continental precursor da Copa da UEFA (atual Liga Europa). Sem chances de vencer um novo Scudetto, Schiaffino se aposentou em 1963 e voltou para o Uruguai, onde treinou as categorias de base do Peñarol e até a seleção uruguaia. No entanto, o craque viu que as pranchetas não lhe eram tão familiares e viveu uma boa vida de empresário e investidor, ocupação esta que ele tinha desde os tempos de Milan, quando aplicava grande parte de seu salário em imóveis.

No Milan dos anos 50, Schiaffino jogou mais recuado e virou um verdadeiro garçom para seus companheiros.
No Milan dos anos 50, Schiaffino jogou mais recuado e virou um verdadeiro garçom para seus companheiros.

 

Eterno mito

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Em 2002, aos 77 anos, Schiaffino faleceu em Montevidéu (URU) e deixou órfãs duas nações apaixonadas pelo futebol. Uruguaios e italianos choraram e deram adeus a um verdadeiro gênio do esporte, que foi sepultado no Panteão dos Olímpicos, local exclusivo dos heróis que conquistaram os títulos olímpicos de 1924 e 1928 e as Copas de 1930 e 1950 pelo Uruguai. Ambidestro, mas com uma perna esquerda capaz de colocar uma bola no ângulo mais inalcançável de qualquer goleiro ou de lançar com precisão cirúrgica um companheiro, Juan Alberto Schiaffino virou uma lenda do futebol e provou com seus títulos, gols e prêmios individuais que foi, definitivamente, um monstro sagrado. E, acima de tudo, um esportista cavalheiro, sincero e com a mais nobre calma. Afinal, não era preciso ter pressa. Sua mente brilhante sabia muito bem o que fazer quando a bola estava vindo. Um craque imortal.

 

Números de destaque:

Disputou 227 jogos e marcou 88 gols pelo Peñarol.

Disputou 171 jogos e marcou 60 gols pelo Milan.

Disputou 21 jogos e marcou 8 gols pela Seleção Uruguaia.

 

Leia mais sobre o Maracanazo clicando aqui.

 

Extra:

Veja alguns gols de Schiaffino.

 

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