Jogos Eternos – Itália 3×2 Brasil 1982

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Data: 05 de julho de 1982

O que estava em jogo: uma vaga na semifinal da Copa do Mundo da FIFA de 1982.

Local: Estadi di Sarrià, Barcelona, Espanha.

Juiz: Abraham Klein (ISR)

Público: 44.000 pessoas

Os Times:

Itália: Zoff; Oriali, Scirea, Colovatti (Bergomi, aos 34´do 1º T) e Cabrini; Gentile; Bruno Conti, Tardelli (Marini, aos 30´do 2º T), Antognoni e Graziani; Paolo Rossi. Técnico: Enzo Bearzot.

Brasil: Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Toninho Cerezo e Falcão; Sócrates, Zico e Éder; Serginho (Paulo Isidoro, aos 24´do 2º T). Técnico: Telê Santana.

Placar: Itália 3×2 Brasil (Gols: Paolo Rossi-ITA, aos 5´ e aos 25´, Sócrates-BRA, aos 12´do 1º T; Falcão-BRA, aos 22´, e Paolo Rossi-ITA, aos 29´ do 2º T).

“Sarriá – A tragédia e o renascimento”

Depois de 12 anos, o Brasil voltava a esbanjar talento e arte com uma seleção sublime, plástica e goleadora. Assim como em 1970, os canarinhos tinham um time que fazia questão de jogar bonito, de marcar golaços e de sair dos estádios onde jogava sob aplausos intensos e suspiros da torcida. Foi assim nos amistosos preparativos para a Copa do Mundo de 1982. E foi assim naquele começo de Copa do Mundo. Um a um, os adversários eram batidos e o torcedor espanhol tinha a certeza de que Leandro, Júnior, Luisinho, Falcão, Sócrates, Zico e Éder ergueriam na decisão do Mundial, no Santiago Bernabéu, a imponente Taça FIFA. No entanto, a mesma seleção derrotada pelo último grande Brasil, em 1970, fez questão de estragar toda a festa verde e amarela justamente no dia “D”. Em 05 de julho de 1982, a Seleção Italiana de futebol vingou da maneira mais saborosa possível a goleada aplicada pelo Brasil em 21 de junho de 1970. Antes esnobada, criticada e desacreditada, a Squadra Azzurra jogou tudo o que havia devido na primeira fase e renasceu. Mas não foi somente ela que teve um momento fênix no acanhado Sarriá. Paolo Rossi, atacante renegado e na seca há muito tempo, marcou um. Dois. Três gols. Dino Zoff, que havia sido execrado justamente contra o Brasil, num duelo pelo terceiro lugar na Copa de 1978, operou um milagre fantástico na última bola do jogo. E a Itália venceu. Convenceu. E renasceu, assim como Zoff, Rossi, Cabrini, Scirea, Tardelli, Conti e tantos outros talentos que ninguém notava, mas que estavam ali, vestindo o azul que era ofuscado pelo brilho amarelo do Brasil, o time da arte, o time do futebol vistoso. E o time que não nasceu para ser campeão. Para os brasileiros, foi uma tragédia. Para os italianos, um dos jogos mais importantes de toda a história de sua seleção. Mais do que a derrota, o Brasil perdeu naquele fatídico dia toda sua essência artística. Jamais uma seleção brasileira jogaria como aquela. E nunca uma Itália jogou tanto “à italiana” como aquela squadra vitoriosa de 1982. É hora de relembrar.

Pré-jogo

Perfilados e prontos para o show: o Brasil de 1982 era pura música. Em pé: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luisinho e Júnior. Agachados: Sócrates, Cerezo, Serginho, Zico e Éder.
Perfilados e prontos para o show: o Brasil de 1982 era pura música. Em pé: Waldir Peres, Leandro, Oscar, Falcão, Luisinho e Júnior. Agachados: Sócrates, Cerezo, Serginho, Zico e Éder.

 

Brasil e Itália chegaram ao duelo do dia 05 de julho de 1982 em situações muito, mas muito opostas. Do lado brasileiro, o clima era de festa, confiança extrema e créditos de sobra após uma campanha impecável na primeira fase – vitórias sobre URSS (2 a 1), Escócia (4 a 1) e Nova Zelândia (4 a 0) – e um acapachante triunfo por 3 a 1 sobre a Argentina, este já na segunda fase. Em todas as vitórias brasileiras, o público espanhol se encantou com o futebol cheio de classe, vigor, toques inteligentes e gols magníficos do esquadrão montado por Telê Santana. Era a mais bela Seleção Brasileira como há anos não se via, mais precisamente desde o timaço de Pelé e companhia que ganhou o tricampeonato mundial, em 1970. Já a Itália juntava os cacos de seu futebol após o escândalo do Totonero, que deflagrou uma grande máfia de manipulação de resultados que puniu clubes, dirigentes e jogadores, incluindo Paolo Rossi, que ficou dois anos sem jogar. Mesmo com vários bons jogadores, o técnico Enzo Bearzot sofreu com a marcação cerrada da imprensa e com a falta de ânimo do elenco, que empatou os três jogos da primeira fase (0 a 0 com a Polônia, 1 a 1 com o Peru e 1 a 1 com Camarões) e só se classificou para a etapa seguinte por causa do saldo de gols. Nem a vitória por 2 a 1 sobre a Argentina, com uma atuação muito melhor do que na primeira fase, serviu para amenizar as críticas da torcida italiana, que tinha quase certeza na derrota para o poderoso e “imbatível” Brasil.

Naquela segunda fase, os campeões de cada um dos quatro grupos fariam as semifinais. Ao Brasil, bastava um empate. À Itália, só a vitória interessava. Antes do duelo, praticamente ninguém apostava nos europeus tamanha diferença técnica entre os adversários. A Itália jogava um futebol sem graça, sem brilho e sem ação. O Brasil jogava um futebol cheio de graça, cheio de brilho, com muita ação e muitos gols. O palco da partida seria o Estádio Sarriá, em Barcelona, cidade do famoso clube homônimo conhecido por sempre praticar um futebol vistoso e jantar seus oponentes no Camp Nou, palco que deveria, por méritos, abrigar uma partida tão importante e tão cheia de história.

Ao contrário do Brasil, a Itália capengava naquela Copa e havia empatado os três jogos da primeira fase.
Ao contrário do Brasil, a Itália capengava naquela Copa e havia empatado os três jogos da primeira fase.

 

Diante de tanto favoritismo, o Brasil ia para o jogo com certa soberba e a obrigação de vencer a Itália, que sabia de suas limitações, mas também conhecia os caminhos para derrotar o rival: marcação homem a homem, o carrapato Gentile grudado em Zico e força nas jogadas aéreas, o ponto fraco da zaga canarinho.

Primeiro tempo – Os pontos fracos dos “imbatíveis”

Gentile grudado em Zico: a síntese da marcação italiana naquela tarde.
Gentile grudado em Zico: a síntese da marcação italiana naquela tarde.

 

Quando entrou em campo, o time do Brasil parecia já ter consigo a vitória. Os jogadores tinham confiança plena em si e sabiam que os gols sairiam com naturalidade e na hora que eles bem entendessem. Mas foi só a bola rolar para todo aquele pensamento e toda aquela aura mística construída ao redor do esquadrão verde e amarelo esmaecer. Pela primeira vez na Copa, o time de Telê Santana enfrentava um adversário que marcava homem a homem, sem deixar espaços nem chances para os pensantes brasileiros arquitetarem suas obras de arte. Oriali grudava em Éder. Colovati mirava Serginho. Cabrini vigiava Sócrates. Gentile era a sombra de Zico. Conti não saía de perto do companheiro de Roma, Falcão. Graziani atrapalhava as investidas de Leandro. Antognoni recuava para infernizar Cerezo. Só Rossi não tinha função. Ou melhor, tinha sim: marcar gols. Aquele era o jogo para o “bambino de ouro” afastar de vez a urucubaca e classificar a Itália para a semifinal. No entanto, ninguém dava bola para ele. Nem o público, muito menos os zagueiros brasileiros. E esse desprezo seria duramente penalizado.

Com apenas cinco minutos, a Itália mostrou a todos o primeiro ponto fraco do time sul-americano: a bola aérea. O lateral Cabrini, com liberdade e sem o incômodo de Leandro, recebeu livre após boa inversão de jogo e viu Rossi na área. O cruzamento foi certeiro, bem como a cabeçada do camisa 20, que apareceu entre Luisinho e Júnior e mandou para as redes de Waldir Peres: 1 a 0. Enfim, Rossi havia marcado seu primeiro gol na Copa. E, pela terceira vez no Mundial, o Brasil saía atrás no marcador. O gol italiano não assustou ninguém, afinal, o timaço de Telê sempre vencia e sempre virava. Minutos depois, Zico encontrou um espaço diante da marcação cerrada de Gentile, roubou uma bola na entrada da área e deu de bandeja para Serginho. O centroavante brasileiro tinha o gol escancarado à sua frente, mas o chute do camisa 9 foi bisonho, grotesco, horrível, repugnante! A bola saiu pela linha de fundo e a nação brasileira lamentou profundamente a ausência de Careca. O Brasil era só ataque, e a Itália era só marcação, jogando de maneira plena e com uma aplicação tática fora do comum. Mas, aos 12´, a genialidade de Zico superou qualquer recomendação do técnico Enzo Bearzot ou qualquer puxada de camisa de Gentile. Após receber de Falcão, o camisa 10, num lapso de segundo, driblou seu marcador e tocou fantasticamente para Sócrates, que vinha na corrida pela direita. O Doutor chutou entre a trave e Dino Zoff e marcou um golaço: 1 a 1. Festa no Sarriá! E alívio no Brasil.

Sócrates finaliza uma jogada maravilhosa: golaço do Brasil.
Sócrates finaliza uma jogada maravilhosa: golaço do Brasil.

 

Ainda confiantes, os brasileiros seguiram no ataque e tinham tanta calma que nem sequer pediram pênalti após Gentile puxar a camisa de Zico dentro da área. Parecia que os sul-americanos não queriam matar o jogo logo. Eles queriam dar show. Mas a Itália precisava vencer. Era preciso tomar a bola daqueles brasileiros a qualquer custo. À espreita, cada italiano aguardava um único vacilo para contra-atacar. E ele aconteceu. Aos 25´, Toninho Cerezo estava no meio de campo, com a bola dominada, e só precisava efetuar um passe simples para que uma possível jogada de ataque fosse construída. Mas Cerezo errou. Devaneou. Deve ter pensado na fase seguinte, na final, no título. Se esqueceu que ainda tinha a Itália. E Paolo Rossi. O atacante recebeu o passe de Cerezo, saiu em disparada como um foguete e fuzilou Waldir Peres: 2 a 1. A Itália estava novamente na frente. E Cerezo ameaçou chorar. Júnior percebeu, foi até ele e disse: “se não parar de chorar, meto-lhe a mão na cara. Esse é um jogo para homens, Toninho. Se você está com medo, saia logo”.

Rossi e a bola: perigo constante para o Brasil.
Rossi e a bola: perigo constante para o Brasil.

 

Não era apenas Cerezo que tinha medo. O torcedor brasileiro, bem como o espanhol, começava a temer pelo pior. O Brasil não encaixava seu jogo de antes. E a Itália jogava como jamais havia jogado antes. O tempo passou e os gols não saíram por causa da zaga italiana, impecável e um verdadeiro muro, com o líbero Scirea capitaneando as ações como quem comandava um imponente e azzurro transatlântico. Após o apito do árbitro israelense Abraham Klein, os brasileiros foram para os vestiários precisando de mais um gol. Haveria mais emoção. E como.

Os times em campo: a marcação homem a homem da Itália surpreendeu o Brasil e destruiu o futebol sublime das partidas anteriores.
Os times em campo: a marcação homem a homem da Itália surpreendeu o Brasil e destruiu as chances dos sul-americanos.

 

Segundo tempo – Rossi…

1982 World Cup Finals. Second Phase. Barcelona, Spain. 5th July, 1982. Italy 3 v Brazil 2. Members of the Italian team form a wall as Brazil's Eder takes a free kick.

Com apenas 45 minutos para reverter sua situação, o Brasil começou com tudo o segundo tempo e se mandou para o ataque logo de cara. A Itália apostava na tática da primeira etapa e se resguardava em seu campo de defesa, só esperando o momento certo para dar o bote. Só dava Brasil e, nos poucos lances em que a Itália conseguia ter a bola consigo, era sempre pelo lado esquerdo, com Cabrini, aproveitando a ausência de um ponta-direita no Brasil. Falcão, num chute que raspou a trave, Serginho e Leandro tentavam, mas a falta de pontaria e Dino Zoff evitavam o empate canarinho. Os italianos também arriscavam com Conti e Rossi, mas a bola teimava em não entrar. Mas, aos 27´, mais um golaço brasileiro colocou fogo no jogo e reascendeu os ânimos dos amantes do futebol arte. Júnior, ao seu estilo, deixou a lateral-esquerda e foi avançando pela diagonal em direção à área. O craque tocou para Falcão, que podia deixar com Cerezo, na direita. Mas o Rei de Roma percebeu que a marcação italiana estava se afastando e decidiu mandar um petardo que destruiria tranquilamente a outra metade do Coliseu: 2 a 2. E que golaço! Na comemoração, Falcão berrou, vibrou e mostrou para todo mundo suas veias saltadas com o sangue da emoção, o Puro Sangue que tanto os torcedores do Internacional conheciam. Era o retrato pleno da alegria que o Brasil sentia naquele momento. A semifinal estava perto. O futebol arte estava vencendo!

Falcão chuta...
Falcão chuta…

 

... E mostra toda sua vibração.
… E mostra toda sua vibração.

 

Depois do gol, Telê Santana tirou Serginho e colocou Paulo Isidoro não para manter o placar, mas para marcar mais gols. Não era da filosofia do técnico retrancar sua equipe. Seria um sacrilégio mandar Falcão, Zico, Éder e Sócrates ficarem atrás da linha do meio de campo sem avançar um centímetro sequer. Mas ali nasceu o entusiasmo italiano e o caminho para tentar mais um gol. Aquele Brasil sabia atacar, mas não sabia se defender. Embora os sul-americanos continuassem atacando e buscando o terceiro gol, a Itália, nas poucas vezes em que ia para o ataque, causava problemas na zaga brasileira. Perto dos trinta minutos, a Azzurra buscava um gol na jogada aérea e a bola foi desviada para escanteio. Na cobrança, os brasileiros se amontoaram na grande área e, ao invés de cada um pegar um, vários italianos ficaram sozinhos. Incluindo um camisa 20. A bola viajou, Tardelli tentou o chute, a bola foi desviada e Paolo Rossi, livre, marcou: 3 a 2. Ninguém entendeu nada. Os brasileiros, atônitos, olhavam para o árbitro e para o bandeirinha como quem diz “ele não estava impedido? De onde ele veio?”. Rossi saiu correndo em puro êxtase com o que tinha acabado de fazer: três gols em cima do Brasil.

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Faltavam quinze minutos. O Brasil precisava de apenas mais um gol. Mas o terceiro gol italiano foi de exaurir as energias. De rabiscar as táticas. De esfriar todo e qualquer ânimo. Os entusiasmados espanhóis percebiam que aquele Brasil poderia, sim, ser eliminado. E que a Itália, incrivelmente, poderia se classificar. Com 25 chutes a gol na partida, o Brasil deu apenas um nos quatorze minutos seguintes ao gol fatídico de Rossi. Já a Itália ainda marcou o quarto, com Antognoni, após boa jogada de Rossi, mas o bandeirinha anulou o tento por impedimento. Aos 44´, Éder cobrou uma falta da esquerda na cabeça do zagueiro Oscar. Ele cabeceou firme, em direção ao chão, mas Dino Zoff fez uma defesa espetacular, segurando a bola quase em cima da linha. Muitos acharam que foi gol, mas o veterano capitão italiano, com a bola em seus braços, calou qualquer contestação adversária. Mais alguns segundos e pronto. Era o fim de jogo. A Itália, tão contestada, tão execrada e tão ignorada, estava classificada. E o Brasil, tão elogiado, tão maravilhado e tão endeusado, estava eliminado.

A lamentação de Sócrates e Éder após o apito final.
A lamentação de Sócrates e Éder após o apito final.

 

Para os amantes do futebol arte, a derrota dos sul-americanos era uma verdadeira tragédia, algo inimaginável. Assim como a Hungria, em 1954, e a Holanda, em 1974, mais uma grande seleção ficava pelo caminho e não faturava a Copa do Mundo. Pior do que isso, a derrota brasileira foi também a morte do “Joga Bonito” e da magia no futebol verde e amarelo. Os três gols de Paolo Rossi mataram os últimos vestígios de beleza que o Brasil tinha. Dali em diante, a equipe brasileira só jogaria um futebol simples, normal, “terráqueo” e com poucos lances dignos dos deuses. Mais duas Copas seriam ganhas, em 1994 e em 2002, mas nenhuma com a plasticidade e a exuberância dos times de 1958, 1962, 1970 e 1982. A comoção foi tão grande que a Espanha inteira decretou que a Copa “havia terminado” com a eliminação brasileira, a ponto de um jornal de Sevilha estampar em sua capa: “Por favor, voltem logo. Será difícil que nos acostumemos a outro tipo de futebol”. Anos depois, até o palco daquela fatídica partida, o Estádio Sarriá, não continuou em pé e parou de alimentar lembranças tão dolorosas. Ele virou pó e entulhos em apenas três segundos e deu lugar a um grande condomínio residencial.

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Dias depois, a Itália fez a semifinal contra a Polônia, no Camp Nou, o palco que tanto o Brasil merecia jogar, e venceu por 2 a 0, com mais dois gols de Paolo Rossi. Três dias depois, no Santiago Bernabéu, lá estavam os italianos vencendo a freguesa Alemanha por 3 a 1 e conquistando o tricampeonato mundial. E com mais um gol de Paolo Rossi, que se tornou o artilheiro da Copa com seis gols. Mas isso pouca gente se lembra. O que ficou marcado, mesmo, foi o ressurgimento do “bambino” e seus três gols na tarde do dia 05 de julho de 1982, o dia do renascimento italiano. E do último voo do canarinho que cantou para o mundo inteiro e nunca mais voltou.

Pós-jogo – o que aconteceu depois?

Itália: vencer o último Brasil artístico custou caro à Itália. Muito caro. Depois daquele dia, nunca mais a Azzurra voltou a vencer o time verde e amarelo. Isso mesmo! Mais de três décadas se passaram e jamais os italianos venceram uma simples partida amistosa contra o rival. Para piorar, o time europeu disputou mais uma final de Copa com o Brasil, em 1994, e perdeu, nos pênaltis, em uma tarde tão ensolarada quanto em 1982, mas que teve gols apenas na marca da cal. Em 2006, a Azzurra conquistou o tetracampeonato num filme bem parecido com o do Brasil de 1994, contra a França, nos pênaltis, e bateu os algozes do próprio Brasil naquele Mundial. E Zidane, o terceiro na tríade dos fantasmas históricos do futebol brasileiro, que tem Alcides Ghiggia, carrasco de 1950, e ele: Paolo Rossi.

1982 World Cup Final. Madrid, Spain. 11th July, 1982. Italy 3 v West Germany 1. Italy's Paolo Rossi celebrates after scoring the opening goal in the World Cup Final.

Brasil: a revanche contra a Itália demorou 12 anos para acontecer. Foi em 1994, na Copa do Mundo dos EUA. O Brasil superou vários desafios e chegou à decisão contra uma Itália tão encardida e complicada quanto a de 1982. Mas, naquela tarde, não havia Paolo Rossi, nem Gentile. Depois de 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, o Brasil venceu os italianos por um placar espantosamente emblemático: 3 a 2, o mesmo do fatídico 05 de julho de 1982. Depois do tri, o Brasil faturou o tetra também sobre a Itália e mantém até hoje a honra de não perder para os europeus, seja em amistoso, seja em competição oficial. Mesmo assim, a ferida de 1982 ainda dói. E sem previsão de cicatrização.

Relembre as histórias desses dois times emblemáticos aqui no Imortais!

Brasil 1982

Itália 1982

 

Extra:

Veja os lances e gols daquele jogo histórico.

 

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7 thoughts on “Jogos Eternos – Itália 3×2 Brasil 1982

  1. Faltava esse emblemático jogo. Seguramente um dos 5 jogos mais relevantes da História do Futebol. Que simboliza porque Futebol é o esporte mais popular, mais amado do mundo: que sim, o melhor nem sempre vence, nem sempre ganha. Esse 3×2 da Italia no Brasil 1982 não é marcado por erro de arbitragem, por conluios em bastidores, por nada a nao ser a pura magia do futebol: A Itália COMEU A BOLA e anulou o timaço brasileiro. E a Itália seria pátria de muitos dos jogadores brasileiros no seguimento da carreira, que se tornariam ídolos e queridos na Bota: Falcão (Roma), Cereza (Sampdoria), Zico (Udinese), Junior (Torino e Pescara), e mesmo nosso saudoso Dr. Socrates passou pela Fiorentina. Linda Italia, inesquecível Brasil 1982.

  2. bola mau passada do Cerezo resultou no 1° gol da Itália..meio de campo muitíssimo técnico..
    os laterais (leandro e júnior ambos do meu flamengo) jogavam o fino, porém avançavam muito, exponde demais a zaga..sei lá..acho que com uma zaga mais íntima, com mozer por exemplo, a história poderia ser outra…sei lá..

    Em tempo: Dizem que o Zico não é completo, pois não ganhou Copa do Mundo. Segundo o mestre Armando Nogueira..”azar da Copa do Mundo..”

  3. à parte da itáloa, os algozes do brasil em 1982 foram o salto alto e a bebedeira, n existe aquela lenda q o brasil jogou esse jogo de ressaca? pelo q vi nos videos da copa de 82, “voa canarinho voa” deve ter enchido mt o saco dos espanhóis naquela copa, até no elevador tocavam aquele samba maldito kkkkk

  4. A partir dali, o futebol perdeu a graça pra mim, eu não senti nada quando o Brasil foi campeão em 94 e 2002! Paolo Rossi foi o coveiro do futebol arte , depois do que aconteceu esse ano na copa, a alemanha tb jogou mais um monte de terra e nos colocou há 7 palmos a baixo da terra!.

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