Esquadrão Imortal – Nacional 1980

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Grandes feitos: Campeão Mundial Interclubes (1980), Campeão da Copa Libertadores da América (1980) e Campeão Uruguaio (1980).

Time-base: Rodolfo Rodríguez; José Hermes Moreira, Juan Carlos Blanco, Hugo De León (Daniel Enríquez) e Washington González; Víctor Espárrago, Eduardo de la Peña e Arsenio Luzardo (Denis Milar); Alberto Bica, Waldemar Victorino e Julio César Morales (Dardo Pérez) . Técnico: Juan Martín Mujica.

 

Equilíbrio + experiência + bom futebol = ¡Triple Corona!

Depois de um ano de 1971 histórico, quando conquistou pela primeira vez a Libertadores e o Mundial Interclubes, o Nacional de Montevidéu passou por um período de pouco brilho e apenas duas taças conquistadas (dois títulos nacionais, em 1972 e 1977) naqueles anos 70 amplamente dominados por clubes argentinos no cenário sul-americano. Sem força para brigar com as potências vizinhas nem sequer dentro de sua casa, o clube tricolor elegeu um novo presidente e se apoiou em antigos ídolos do passado para voltar a ser grande. E conseguiu. Aliando a experiência de Blanco, Espárrago e Morales, equilíbrio e com o apoio de jovens que se transformariam em mitos nos anos 80 (como o goleiro Rodolfo Rodríguez e o zagueiro Hugo De León), o Nacional encerrou o jejum de nove anos e levantou uma histórica Copa Libertadores em cima do poderoso Internacional-BRA de Falcão, time que havia vencido o Brasileirão de 1979 sem perder uma partida sequer. Não bastasse o título continental, a equipe ainda venceu o Campeonato Uruguaio e o primeiro Mundial Interclubes disputado em jogo único, no Japão, com patrocínio da empresa Toyota. Em apenas um ano, os tricolores deram três títulos a sua fanática torcida e mostraram um futebol de altíssimo nível, com marcação implacável homem a homem, disciplina tática notável e um sistema defensivo quase intransponível. Falando em torcida, a hinchada do Nacional deu show naquele ano ao não medir esforços para acompanhar sua equipe e foi em peso à primeira partida final da Libertadores, contra o Inter, no Beira Rio. Os mais de 20 mil tricolores fizeram diferença e ajudaram a manter o placar em 0 a 0. É hora de relembrar.

 

Resgate do passado

Espárrago: capitão e experiente, volante seria um dos símbolos da reconstrução do Nacional.
Espárrago: capitão e experiente, volante seria um dos símbolos da reconstrução do Nacional.

 

Depois de encerrar o trauma de três vices na Copa Libertadores e vencer a competição em 1971, o Nacional entrou em uma época de quase nenhum fruto e várias decepções. Em casa, o clube venceu apenas dois títulos uruguaios, não fez grandes participações na competição continental e os reforços minguaram de vez pelas bandas do tricolor. No final da década, tudo começou a mudar quando Dante Iocco assumiu a presidência do clube e decidiu apostar em pessoas experientes que já tivessem conhecimento da história do time para ajudar na reconstrução. Para o comando técnico, Iocco trouxe Juan Martín Mujica, ex-jogador do próprio Nacional e campeão continental e mundial pelo clube em 1971. Junto com ele, veio também o preparador físico Esteban Gesto, que teve a missão de dar àquele elenco o gás necessário para desempenhar bons papéis durante a temporada.

Quando chegou ao clube, Mujica decidiu incorporar ao elenco três jogadores experientes que haviam participado dos títulos históricos de 1971: o defensor Juan Carlos Blanco, o volante Víctor Espárrago e o atacante Julio César Morales. O trio se uniu a jovens que se mostrariam verdadeiras joias sob o comando de Mujica: o goleiro Rodolfo Rodríguez, dono de uma elasticidade impressionante e imensa coragem, o zagueiro Hugo De León, soberbo e sem brincar em serviço, e o atacante Waldemar Victorino, pequenino, mas muito ágil e difícil de ser marcado pelos zagueiros rivais. Com o entusiasmo elevado e boas perspectivas, o Nacional estava pronto para começar a temporada. E despachar o maior rival da Libertadores.

 

Embalo sul-americano

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Naquela época, os melhores colocados do Campeonato Uruguaio disputavam um minitorneio chamado Liguilla Pre-Libertadores, que determinava os dois representantes do país na principal competição do continente. Na Liguilla de 1979 (que classificaria para a Libertadores de 1980), Peñarol, Nacional, Defensor, River Plate, Danubio e Fênix lutaram pelas duas vagas continentais e, na última rodada do torneio, o Nacional jogava pelo empate contra o Peñarol para ser campeão e se garantir na Libertadores. No entanto, os aurinegros venceram por 2 a 1 e, logo depois, o Nacional perdeu a decisão da Liguilla para o Defensor, por 1 a 0, e viu a chance de disputar a Copa ficar por um triz pelo fato de o Peñarol ter o direito de disputar uma repescagem se ficasse de fora da área de classificação por ser o detentor do título uruguaio (sim, o regulamento era esdrúxulo e o tal torneio, desnecessário). Como o Nacional havia ficado na segunda posição e o Peñarol em terceiro, o jogo extra foi disputado em 04 de fevereiro de 1980, no Estádio Centenário. Para o duelo, o técnico Mujica ressaltou aos seus jogadores a necessidade de marcar homem a homem e de usar e abusar da velocidade para sair com a vitória e a vaga. E foi isso mesmo que os tricolores fizeram. Com dois gols de Julio César Morales, o Nacional venceu por 2 a 0 e se garantiu na Libertadores, deixando o campeão uruguaio de fora da disputa (bizarro, não?).

Entusiasmados pelo feito, os tricolores colocaram a Copa Libertadores como objetivo principal do semestre e iniciaram a caminhada continental no Grupo 2 (ao lado de Defensor-URU, The Strongest-BOL e Oriente Petrolero-BOL) com uma vitória sobre o compatriota Defensor, por 1 a 0. Na sequência, os uruguaios viajaram até a Bolívia, levaram um gol do Oriente, mas viraram para 3 a 1 (dois gols de De la Peña e um de Milar). Ainda na Bolívia, o Nacional sucumbiu diante do The Strongest (3 a 0), mas deu a volta por cima no returno do grupo ao derrotar o Defensor (3 a 0, com dois gols de Victorino e um de Luzardo), Oriente Petrolero (5 a 0, com três gols de Morales, um de Milar e outro de Victorino) e The Strongest (2 a 0, com gols de Morales e Victorino). Foram cinco vitórias e uma derrota em seis jogos, 14 gols marcados e apenas quatro sofridos, reflexo da aplicação tática proposta pelo técnico Mujica e pelo talento que aflorava do trio de ataque, do fortíssimo meio de campo e da zaga imponente que não deixava os rivais pensarem.

 

Economia e final!

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No triangular semifinal, o Nacional teve pela frente o Olimpia-PAR (campeão da Libertadores de 1979) e o O´Higgins-CHI. Diante de uma fase decisiva que não permitia erros, o time uruguaio adotou uma estratégia mais precavida com foco nos contra-ataques e na força da marcação. No primeiro duelo, contra o O´Higgins, em Santiago, o Nacional venceu por 1 a 0 (gol do jovem Dardo Pérez) e trouxe pontos importantes para o restante da competição. Em seguida, foi a vez de viajar até o Paraguai, se impor e vencer o campeão Olimpia por 1 a 0, com mais um gol de Pérez após passe brilhante de Morales. No duelo seguinte, de novo contra o Olimpia, mas em Montevidéu, os paraguaios abriram o placar, mas De la Peña empatou com um golaço e deixou o Nacional a um passo da decisão. E ela veio após o triunfo sobre o O´Higgins, em casa, por 2 a 0 (gols de De la Peña e Victorino), resultado que colocou os tricolores na final da Libertadores depois de nove anos. Mas o adversário seria complicadíssimo: o Internacional-BRA, de Mauro Galvão, Batista, Jair, Mário Sérgio, o brilhante Falcão e o lendário técnico Ênio Andrade.

 

Um título para “la hinchada”

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Entrosados e só pensando no bicampeonato continental, os jogadores do Nacional sabiam que deveriam pelo menos empatar contra o Internacional no primeiro duelo da decisão, que seria disputado no gigante Beira-Rio, em Porto Alegre. Antes do duelo, os tricolores ficaram sabendo que sua fanática torcida estava se preparando para comparecer em peso à capital gaúcha para apoiar ainda mais seus heróis. Os atletas pensavam em algumas centenas de torcedores apenas, mas tiveram uma grata e surpreendente surpresa quando entraram em campo naquele dia 30 de julho de 1980 e viram mais de 20 mil tricolores ensandecidos que gritavam sem parar e conseguiam rivalizar em euforia com os mais de 50 mil colorados. Os tricolores usaram os mais diversos meios de transporte (tais como carros, ônibus, avião e caminhões) para percorrer as centenas de quilômetros que separavam Montevidéu de Porto Alegre. A viagem tricolor foi descrita pela imprensa da época como o “segundo êxodo do povo oriental”, em referência à emigração coletiva que aconteceu na Banda Oriental do Uruguai, ao leste do rio Uruguai, no século 19. Contagiados pelo exemplo histórico de fanatismo, os atletas do Nacional jogaram com o coração no bico da chuteira e frustraram Falcão, que fazia seu último jogo no Beira-Rio antes de ir jogar na Roma-ITA. O meio-campista foi anulado sem dó por Espárrago e o Nacional segurou um 0 a 0 providencial para a partida de volta, no Centenário.

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No dia 06 de agosto de 1980, o estádio Centenário ficou absolutamente lotado muito antes do apito inicial e despertou apreensão do trio de arbitragem, que temia problemas de segurança pelo fato de não existir alambrados atrás dos gols (o estádio passava por uma reforma na época). Com mais policiais, a segurança foi reforçada e o duelo foi o oposto do primeiro jogo. Ao contrário do defensivismo, as duas equipes brigaram pelo gol desde o início, mas o Nacional era o responsável pelas principais oportunidades. Depois de tanto martelar, o time da casa abriu o placar aos 35´do primeiro tempo, quando Victorino, artilheiro daquela Libertadores, subiu mais alto do que todo mundo e testou firme para o gol de Gasperin após aproveitar um cruzamento vindo da direita. Com o 1 a 0 no placar, o Nacional jogou com inteligência o segundo tempo e soube neutralizar as principais investidas dos colorados, que passaram mais um jogo sem marcar. Ao apito do peruano Édson Perez, a hinchada tricolor vibrou como nunca o feito histórico de seu time. Com um ataque preciso e econômico e um sistema defensivo pleno baseado nas defesas homéricas de Rodríguez (que defendeu uma cabeçada letal de Falcão perto do final do jogo) e na imposição de Hugo De León, o Nacional era bicampeão da Copa Libertadores. Era o primeiro fruto da nova presidência e do ótimo trabalho do técnico Mujica, que armou um time aguerrido, implacável na marcação e com as doses certas de juventude e experiência. Mas aquilo era só o começo…

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A base do Nacional de 1980: com marcação homem a homem e enorme poder de contra-ataque, os uruguaios se mostraram quase imbatíveis naquela época.
A base do Nacional de 1980: com marcação homem a homem e enorme poder de contra-ataque, os uruguaios se mostraram quase imbatíveis naquela época.

 

Reis do Uruguai e os primórdios de um novo Mundial

O embalo continental impulsionou o Nacional ao título do Campeonato Uruguaio, que não vinha desde 1977. Em 26 jogos, o tricolor venceu 19, empatou três e perdeu apenas quatro, com 53 gols marcados (melhor ataque) e 21 gols sofridos. Durante a campanha, o time do técnico Mujica derrotou os principais concorrentes tais como Wanderers (2 a 0), Peñarol (3 a 1), Bella Vista (3 a 0), Defensor (2 a 0 e 1 a 0) e Cerro (2 a 0) e celebrou o segundo título num curto espaço de tempo. Sem rivais no Uruguai e na América, o Nacional já pensava na disputa do Mundial Interclubes. O possível adversário seria o Nottingham Forest, da Inglaterra, que havia conquistado o bicampeonato consecutivo da Liga dos Campeões da UEFA e tinha em seu elenco grandes nomes como Peter Shilton, Viv Anderson, John McGovern, John Robertson e o técnico Brian Clough.

O objeto de desejo do Nacional: a taça do Mundial Interclubes.
O objeto de desejo do Nacional: a taça do Mundial Interclubes.

 

O time vermelho ainda não era presença garantida pelo fato de ter abdicado da disputa em 1979, quando cedeu sua vaga ao Malmö-SUE, vice-campeão europeu. Por causa disso, os uruguaios iniciaram um árduo processo de negociação com os dirigentes ingleses. Nesse meio tempo, começaram a surgir ideias para que a disputa deixasse de ser em partidas de ida e volta e fosse realizada em data única para evitar conflitos no calendário. Foi então que a Conmebol e a UEFA aceitaram a participação da empresa japonesa Toyota, que decidiu patrocinar de maneira exclusiva o evento. A partir daquele ano, o Mundial Interclubes seria em jogo único, no estádio Nacional de Tóquio, no Japão, e os clubes envolvidos na disputa jogariam com uniformes limpos, clássicos e sem qualquer patrocinador justamente para não concorrer com a montadora nipônica. Pronto. O torneio ganhava novos moldes e permaneceria desse jeito até 2004 sem desistências dos europeus nem problemas de datas ou “preguiças”. E o Nacional queria, claro, ser o primeiro campeão desse “novo” Mundial.

Rodolfo Rodríguez ergue a taça do Mundialito de 1981 para o Uruguai.
Rodolfo Rodríguez ergue a taça do Mundialito de 1981 para o Uruguai.

 

... Enquanto De León celebra a conquista com a camisa do Grêmio.
Na festa, o zagueiro De León celebrou a conquista com a camisa do Grêmio.

 

Por causa de toda aquela mudança, o Mundial Interclubes de 1980 só seria disputado em fevereiro de 1981. Antes disso, o Nacional cedeu grande parte de seus atletas à Seleção Uruguaia que disputou – e venceu – o Mundialito de 1981, competição organizada pela FIFA que celebrou os 50 anos de criação da Copa do Mundo, que teve início em 1930 no próprio Uruguai. Além do time celeste, participaram todos os campeões mundiais à época (Argentina, Alemanha, Brasil e Itália), com exceção da Inglaterra, que foi substituída pela Holanda, vice-campeã das Copas de 1974 e 1978. O Uruguai venceu Holanda (2 a 0), Itália (2 a 0) e Brasil (2 a 1), na final, e sagrou-se campeão. Rodríguez, Moreira, Eduardo de la Peña, Victorino, Morales e Luzardo foram os tricolores presentes entre os campeões, além de Hugo De León, que logo em seguida se transferiu para o Grêmio-BRA e perdeu a chance de disputar o Mundial Interclubes.

 

Banzai, Nacional!

Victorino: herói na Liberta, atacante brilhou novamente na final do Mundial.
Victorino: herói na Liberta, atacante brilhou novamente na final do Mundial.

 

No dia 11 de fevereiro de 1981, o Nacional entrou em um estádio com o mesmo nome que o seu e que se tornaria um templo sagrado para todo e qualquer torcedor tricolor. Em Tóquio, o time uruguaio fez seus fãs acordarem de madrugada para presenciar mais um feito histórico do time de Montevidéu. Sem se importar com a força do rival europeu nem a fama estrategista do técnico Brian Clough, o Nacional se impôs logo no início do jogo e, aos 10 minutos, Waldemar Victorino, o homem-gol que adorava aparecer em decisões, recebeu um passe da direita de Moreira, se livrou do zagueiro e fuzilou o goleiro Shilton: 1 a 0. O clube uruguaio ainda marcou mais um, com Luzardo, mas o juiz anulou de maneira equivocada. No começo do segundo tempo, Bica fez o que seria o terceiro gol, mas outra vez a arbitragem anulou. O Nottingham se apoiou nessas “ajudinhas” para crescer na partida, mas Rodolfo Rodríguez mostrou o quão bom ele era ao fazer várias defesas milagrosas e evitar que suas redes fossem agredidas pelos ingleses. Com o apito do árbitro israelense Abraham Klein, a festa sul-americana tomou conta de Tóquio e encheu as ruas da capital uruguaia de torcedores vestidos em azul, branco e vermelho.

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Pela segunda vez em sua história, o Nacional era campeão mundial de futebol. E, pela primeira vez, o clube levantava a taça em solo japonês nos novos moldes da competição interclubes. Waldemar Victorino, que havia marcado o gol do título sul-americano e voltava a garantir uma taça de peso ao Nacional, foi agraciado pela Toyota com um veículo zero quilômetro, iniciando a tradicional premiação da empresa japonesa aos melhores jogadores em campo. Era a consolidação da Tríplice Coroa tricolor e do ótimo trabalho iniciado lá no final de 1979, cuja aposta em veteranos e em alguns jovens se mostrou mais do que acertada.

 

À espera da geração 1988

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Após vencer tudo o que havia disputado em 1980 e voltar ao topo do cenário futebolístico mundial, o Nacional tentou manter a hegemonia na Libertadores, mas caiu na fase semifinal da edição de 1981 perante o Cobreloa-CHI, que seria vice-campeão. Em 1983, a equipe voltaria a vencer um Campeonato Uruguaio, mas uma nova epopeia internacional só aconteceria em 1988, um ano após o rival Peñarol faturar o pentacampeonato sul-americano. Com a volta de Hugo De León e o talento de Ostolaza, Ernesto Vargas e William Castro, o time foi tricampeão da América ao bater o Newell´s Old Boys-ARG após reverter a derrota por 1 a 0 no jogo de ida e enfiar 3 a 0 nos argentinos no duelo decisivo, em Montevidéu. Mais tarde, a equipe voltou ao Japão e encarou o PSV-HOL do técnico Guus Hiddink e de jogadores como Van Breukelen, Eric Gerets, Ronald Koeman, Vanenburg, Wim Kleft e Romário. O jogo foi alucinante, terminou empatado em 2 a 2 e os uruguaios levantaram o tricampeonato mundial nos pênaltis, após vitória por 7 a 6, o que fez do time o primeiro tricampeão mundial invicto (contabilizando a conquista de 1971, em dois jogos).

Depois de uma década cheia de louros, o Nacional caiu consideravelmente no cenário internacional e só celebrou conquistas em sua própria casa, passando longe dos tempos em que sua torcida viajava centenas de quilômetros para apoiar sua equipe e que sua camisa causava calafrios em qualquer adversário. Tempos que os tricolores esperam por reprises como o de 1980, um ano que jamais deveria ter terminado para os aficionados do Club Nacional de Football.

 

Os personagens:

Rodolfo Rodríguez: com mais de 1,90m de altura, bigode avantajado e cara de poucos amigos, Rodolfo Rodríguez já se impunha pela presença física. Mas, debaixo das traves, o goleirão uruguaio era muito mais do que isso. Com reflexos apurados, elasticidade, coragem e enorme gana para vencer, o camisa 1 foi simplesmente fenomenal naquele começo de anos 80 vestindo a camisa do Nacional, da Seleção Uruguaia e também do Santos-BRA, onde virou ídolo e espantou a todos quando fez uma sequência de defesas alucinantes em um jogo pelo Campeonato Paulista de 1984 (veja aqui). Pelo tricolor, Rodríguez conquistou, além da Tríplice Coroa de 1980, mais dois campeonatos uruguaios e jogou no clube de Montevidéu entre 1976 e 1984. Em 1981, garantiu o título do Mundialito para o Uruguai ao fechar o gol e parar o ataque do Brasil na decisão. Foi craque.

José Hermes Moreira: começou a carreira no Danubio como ponta-direita, mas foi na lateral que se destacou e virou peça chave para os títulos do Nacional naquele ano mágico. Não era tão bom na defesa, mas compensava com grandes atuações no setor ofensivo com passes e cruzamentos na medida.

Juan Carlos Blanco: ajudava na defesa e também no apoio ao meio de campo e ataque, pelo meio e pelas pontas. Começou no próprio Nacional, em 1967, ficando até 1973. Jogou ainda no Zaragoza (ESP) até voltar ao Nacional e esbanjar experiência atuando como líbero. encerrou a carreira no clube em 1982 e é um dos poucos a ter vencido duas Libertadores e dois Mundiais com a camisa tricolor, em 1971 e 1980.

Hugo De León: cria das bases do Nacional, tinha apenas 22 anos na época e já mostrava o vigor e a força que seriam sua marca registrada. Com uma maturidade impressionante, o zagueiro jogou muito naquele ano de 1980 e foi essencial nas conquistas do tricolor. Uma pena que não ficou para ser campeão mundial, pois se mandou para o Grêmio logo após a conquista do Mundialito pelo Uruguai, no começo de 1981. Mas não havia problema. Em 1983, De León levantou mais uma Libertadores e o Mundial, pelo Grêmio, e voltou ao Nacional em 1988 para conquistar sua terceira Copa e faturar o Mundial que ele tanto merecia em 1980.

Daniel Enríquez: assumiu a vaga deixada por De León e não comprometeu. Fez boas partidas e garantiu a meta de Rodríguez intacta na final do Mundial contra o Nottingham Forest.

Washington González: muito eficiente na marcação e cheio de raça, dava tranquilidade ao setor esquerdo do campo, mas não era tão bom no apoio ao ataque. Jogou de 1980 até 1983 no Nacional.

Víctor Espárrago: meio campista de extremo talento, Espárrago é outro craque imortal do Nacional, presente nos títulos da América e do Mundo em 1971 e 1980. Foram mais de 400 partidas com a camisa do clube uruguaio, atuações de gala e gols memoráveis. Tinha 35 anos na época e era o capitão e líder do time. Além de marcar muito bem (Falcão que o diga…), Espárrago também se aventurava no ataque com muita classe e inteligência.

Eduardo de la Peña: ao lado de Espárrago, era o motor do meio de campo do Nacional e ajudava na marcação e no ataque com a mesma eficiência. Tinha um chute forte e marcou vários gols importantes nas campanhas vitoriosas da Libertadores e do Campeonato Uruguaio de 1980. Só não jogou a decisão do Mundial de 1980 por estar lesionado.

Arsenio Luzardo: fez partidas notáveis pelas seleções juvenis do Uruguai antes de garantir seu lugar entre os titulares do Nacional. Gostava de atacar e criar jogadas de gol e não era muito de marcar os adversários. Muito técnico, tinha apenas 20 anos quando conquistou tudo e mais um pouco com a camisa tricolor. Jogou de 1980 até 1985 no Nacional e teve passagens pelo futebol espanhol e sul-coreano.

Denis Milar: era um reserva de luxo e podia atuar como meia ou atacante no esquema tático do técnico Mujica. Disputou a final do Mundial de 1980 e teve grandes atuações na Libertadores.

Alberto Bica: uma das forças daquele Nacional era o contra-ataque e Bica era uma arma letal quando o time tricolor partia pra cima dos rivais. Extremamente veloz, o ponta-direita tinha cruzamentos precisos e ótimos chutes. Fez um trio de ataque inesquecível ao lado de Victorino e Morales.

Waldemar Victorino: com 28 anos na época, Victorino era titular da Seleção Uruguaia e do Nacional e tinha a vocação para marcar gols decisivos e históricos. Ágil e capaz de se desvencilhar da marcação com muita facilidade, o atacante foi sublime e deu ao Nacional a Libertadores e o Mundial de 1980 ao marcar os gols que definiram ambas as conquistas. Foi o artilheiro da Libertadores de 1980 com seis gols, marcou 11 na conquista do Campeonato Uruguaio e foi o artilheiro do Mundialito vencido pelo Uruguai, em 1981, com três gols. ídolo eterno de qualquer torcedor tricolor.

Julio César Morales: atacante premiado tanto no Uruguai quanto na Europa (jogando pelo Austria Viena), Morales é outro célebre por ter conquistado a Libertadores e o Mundial Interclubes em duas oportunidades pelo Nacional, em 1971 e 1980. Com 35 anos, tinha a experiência necessária para encontrar os atalhos do campo e escapar da marcação dos rivais com absoluta precisão. Tinha um importante papel na marcação quando voltava para ajudar o meio de campo. É o terceiro maior goleador da história do Nacional com 191 gols em 471 jogos.

Dardo Pérez: o jovem de 19 anos foi outro reserva que teve sua importância nos títulos do Nacional, principalmente na Libertadores, quando marcou gols e não sentiu o peso da final quando atuou contra o Internacional. Tinha bom domínio de bola e chutava bem.

Juan Martín Mujica (Técnico): depois de ter participado do grande time do Nacional campeão da América e do Mundo em 1971, Mujica voltou a fazer história ao comandar um segundo Nacional vencedor e copeiro. Com inteligência tática e modelando um time à sua maneira, o treinador teve méritos de sobra na Tríplice Coroa de 1980 e soube derrotar os rivais sob quaisquer circunstâncias. Virou ídolo da torcida. Depois de comandar o Nacional, trabalhou no futebol colombiano e na América Central.

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Leia mais sobre o Nacional do começo dos anos 70 clicando no link abaixo!!

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Extras:

Veja imagens da conquista do Nacional na Libertadores de 1980.

 

Veja o gol do título mundial do Nacional na final contra o Nottingham Forest.

 

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