Seleções Imortais – Uruguai 2010-2014

EquipoUruguay2011

 

Grandes feitos: Campeã da Copa América (2011) e 4ª colocada na Copa do Mundo da FIFA (2010). Recolocou o Uruguai na elite do futebol mundial depois de quatro décadas.

Time-base: Muslera; Maxi Pereira, Diego Lugano (Scotti), Diego Godín (Victorino / Sebastian Coátes) e Jorge Fucile (Martín Cáceres); Diego Pérez (Álvaro González), Arévalo Ríos (Cristian Rodríguez) e Álvaro Pereira (Álvaro Fernández / Gargano / Gastón Ramírez); Edinson Cavani (Lodeiro), Diego Forlán e Luís Suárez (Sebástian Abreu). Técnico: Óscar Tabárez.

 

“O renascimento da Celeste”

Foram quatro décadas dormindo. Quatro décadas com pouquíssimos momentos para comemorar e campanhas desprezíveis em Copas do Mundo. Isso quando havia Copa para aquela seleção tão vitoriosa e com tanta história como a uruguaia. Mas, em 2010, a tão laureada Celeste Olímpica, bicampeã mundial e bicampeã olímpica, voltou à cena. E com pompa e brilho. Enquanto todos apostavam nos europeus e na dupla Brasil e Argentina na Copa do Mundo da África do Sul, eis que os uruguaios quebraram todas os prognósticos e chegaram entre os quatro melhores do planeta. Para provar que nada daquilo havia sido por acaso, um ano depois eles viajaram até a Argentina, despacharam os anfitriões e conquistaram a hegemonia na Copa América. Era o auge de uma geração que ressuscitou uma instituição que vivia na periferia do futebol mundial e trouxe de volta o respeito e dignidade que tanto os uruguaios queriam. Nos anos seguintes, eles venceram grandes jogos e foram a mais uma Copa do Mundo na base da garra e da emoção, mas a geração de ouro de 2010 se mostrou envelhecida em 2014 e não conseguiu ir além das oitavas de final – ainda mais com uma inesperada ausência de última hora de seu bravo atacante Luís Suárez, que assumiu o protagonismo que fora de Forlán e virou o maior símbolo da Celeste em anos inesquecíveis. É hora de relembrar.

 

El maestro cambia todo

Do outro lado do mundo, o drama: parecia mentira, mas o Uruguai estava fora da Copa por culpa da Austrália.
Do outro lado do mundo, o drama: parecia mentira, mas o Uruguai estava fora da Copa por culpa da Austrália.

 

Sydney, Austrália, 16 de novembro de 2005. Após vencer por 1 a 0 no tempo normal, a Austrália força a decisão por pênaltis contra o Uruguai no duelo decisivo que colocaria ou o representante da Oceania ou o da América do Sul na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. No primeiro jogo da repescagem, o Uruguai venceu por 1 a 0, mas não conseguiu segurar o empate do outro lado do mundo. Nos pênaltis, a Austrália fez a alegria das mais de 82 mil pessoas que lotaram o Telstra Stadium e voltou a um Mundial depois de 32 anos. Já o Uruguai amargava mais um tropeço para sua “coleção” de desprazeres em Mundiais ou em Eliminatórias para Mundiais. O torcedor não sabia o que mais deveria ser feito para que a Celeste tão vencedora e imponente de antes parasse de perder jogos bestas ou se apequenar diante de times com tradição zero. O primeiro passo foi dado pela Federação Uruguaia, que chamou para o comando técnico Óscar Tabárez, que tinha no currículo uma Copa Libertadores da América com o Peñarol-URU, em 1987, um Campeonato Argentino com o Boca Juniors-ARG, em 1992, e a disputa de uma Copa do Mundo com o próprio Uruguai, em 1990, quando a equipe sul-americana caiu nas oitavas de final diante dos anfitriões italianos.

Conhecido em seu país como “El Maestro”, por ser professor quando não está treinando clubes ou seleções, Tabárez assumiu a equipe uruguaia com o principal objetivo de ver quais jogadores poderiam ser utilizados nos anos seguintes e quais peças mereciam chances no selecionado celeste. Após alguns amistosos e a disputa da Copa América de 2007 (competição na qual o Uruguai ficou na 4ª colocação, após perder nos pênaltis para o Brasil na semifinal), Tabárez mudou várias peças do elenco e começou a chamar jovens para diversas posições. Do time que perdeu a vaga na Copa de 2006 para a Austrália, saíram o goleiro Carini, os zagueiros Dario Rodríguez, Guillermo Rodríguez e Paolo Montero, os meio-campistas Pablo García, Carlos Diogo e Álvaro Recoba, o ponta Gustavo Varela e os atacantes Mario Regreiro, Richard Morales e Marcelo Zalayeta. Apenas Diego Lugano, Diego Pérez e Diego Forlán, remanescentes daquela fatídica partida, foram mantidos nos planos de Tabárez, que trouxe mais juventude ao elenco com as entradas de Diego Godín, Jorge Fucile, Cristian Rodríguez, Walter Gargano e Maxi Pereira, todos estes presentes no elenco que disputou a Copa América de 2007.

Tabárez, o professor que mudou a história da Celeste.
Tabárez, o professor que mudou a história da Celeste.

 

Após a disputa do torneio continental, Tabárez seguiu fazendo testes em seu time até a estreia nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, em outubro de 2007, quando a Celeste recebeu a Bolívia, em Montevidéu, e goleou por 5 a 0, um ótimo presságio que teve gols de Abreu, Forlán, Sánchez, Bueno e um brigador e habilidoso atacante chamado Luís Suárez, à época atleta do Ajax-HOL e que recebia muitos elogios por sua raça e grande qualidade na hora de finalizar ao gol. O treinador gostou do que viu naquela partida e deixou bem claro para a torcida e imprensa que aquela goleada não seria algo comum, mas sim os resultados:

“Nosso objetivo será vencer. O jeito como isso acontecer é secundário.”

E, nos jogos seguintes, os uruguaios entenderiam muito bem o recado.

 

Drama à vista

Forlán passa por Verón (no chão): atacante seria a principal arma ofensiva do Uruguai em 2010.
Forlán passa por Verón (no chão): atacante seria a principal arma ofensiva do Uruguai em 2010.

 

Nos três últimos compromissos pelas Eliminatórias, em 2007, o Uruguai perdeu para Paraguai (1 a 0, fora) e Brasil (2 a 1, fora), e empatou em 2 a 2 com o Chile, em casa. Em 2008, a equipe conseguiu se recuperar e manteve-se invicta por oito jogos entre fevereiro e setembro, com duas vitórias (3 a 2 sobre a Turquia, fora, e 3 a 1 no Japão, fora) e dois empates (2 a 2 com a Colômbia, em casa, e 2 a 2 com a Noruega, fora) em amistosos e duas vitórias (6 a 0 sobre o Peru, em casa, e 1 a 0 na Colômbia, fora) e dois empates (1 a 1 com a Venezuela, em casa, e 0 a 0 com o Equador, em casa) pelas Eliminatórias. No entanto, o embalo foi quebrado com dois empates (0 a 0 com o Equador, em casa, e 2 a 2 com a Bolívia, fora) e uma derrota (2 a 1, para a Argentina, fora).

A torcida começava a ficar ressabiada pela inconsistência do time e pela quantidade de pontos perdidos nos jogos em casa – que começavam a fazer falta na tabela de classificação e sugeriam um novo play-off para a Celeste disputar. As críticas aumentaram ainda mais quando a equipe disputou quatro jogos entre abril e setembro e não venceu nenhum. Foram três derrotas e um empate, com direito a uma goleada de 4 a 0 sofrida para o rival Brasil em pleno estádio Centenário, resultado que por pouco não custou o cargo de Tabárez. A torcida reclamava da falta de empenho dos jogadores e da ausência da famosa “garra uruguaia”, que acabava ficando nos clubes do futebol europeu, onde grande parte dos jogadores atuava, e deixada de lado nas partidas da seleção. Foi então que o treinador uniu o grupo para os três últimos jogos e deixou bem claro que seria preciso fazer de tudo para manter a equipe na zona de classificação para a Copa. No dia 9 de setembro, os uruguaios encararam a Colômbia e venceram por 3 a 1, em casa, com gols de Suárez, Scotti e Eguren. No duelo seguinte, contra o Equador, em Quito, o 1 a 1 persistia no placar até que Forlán, no finalzinho, fez 2 a 1 e deixou a decisão para a última rodada, em casa, contra a rival Argentina. Na quarta posição, o time precisava da vitória para não depender de outros resultados nem cair para o quinto lugar, que forçaria a famigerada repescagem. No entanto, nem a mística do estádio Centenário e a força da torcida ajudaram a Celeste contra os Hermanos, que venceram por 1 a 0 e mandaram o vizinho para o confronto decisivo contra o representante da CONCACAF, a Costa Rica. Haveria mais drama. Como em 2005…

 

Bendito seja o capitão!

Lugano vibra: golzinho salvador na Costa Rica.
Lugano vibra: golzinho salvador na Costa Rica.

 

Para evitar o filme que eliminou o Uruguai da Copa de 2006, Tabárez concentrou seu grupo na necessidade de uma vitória por qualquer placar no duelo de ida, em San José, para que a volta, em casa, fosse mais tranquila e sem os riscos passados contra a Austrália, em 2005. Dito e feito, os uruguaios jogaram com a raça que sua torcida tanto gosta e venceram por 1 a 0, com um gol do capitão Lugano ainda no primeiro tempo. Na volta, o estádio Centenário recebeu mais de 62 mil pessoas, que encheram os céus de fumaça e apoiaram sua equipe à classificação. No segundo tempo, Abreu fez 1 a 0. Logo em seguida, Centeno empatou, mas o placar manteve-se assim até o final e o Uruguai conseguiu a última vaga na Copa da África do Sul. Com sofrimento, a Celeste estava de volta. E pronta para apagar de uma vez por todas os fiascos anteriores.

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Bom presságio

Antes de o Mundial começar, a seleção uruguaia venceu os dois amistosos que disputou no começo de 2010 e os torcedores perceberam que o momento de alguns atletas do elenco era especial. Contra a Suíça, Cavani, Suárez e Forlán fizeram os gols da vitória por 3 a 1 e Tabárez viu que o trio seria de mais valia para a disputa da Copa por aliar velocidade, técnica, força e uma dose extra de qualidade com as bolas paradas de Forlán, que gastava a bola jogando pelo Atlético de Madrid-ESP (que seria campeão da Liga Europa naquele ano com dois gols do atacante na final). Contra Israel, a goleada de 4 a 1 teve dois gols de Abreu, um de Álvaro Pereira e outro de Forlán. Foi o último teste antes da Copa, e Tabárez viu com bons olhos que o Uruguai não iria apenas viajar até a África para passear ou fazer safaris. A Celeste poderia ir mais longe e até ficar em primeiro lugar do grupo, algo que não acontecia desde a Copa de 1954. Ninguém apostava naquilo, mas algo de diferente rondava Montevidéu: a tal da mística…

 

Los primeros

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A estreia uruguaia no Mundial foi contra a França, vice-campeã na Copa anterior e bastante reformulada. O jogo foi frio e sem grandes emoções, como foram os duelos anteriores entre as equipes na Copa de 2002 e em um amistoso em 2008. E, como nestas duas vezes, o placar foi o mesmo: 0 a 0. A torcida presente em Cape Town não gostou nada do que viu, muito menos o torcedor uruguaio, que já temia pelo confronto seguinte, contra os anfitriões da África do Sul, que teriam toda a torcida a favor. Mas, em Pretória, Forlán começou a mostrar seu brilho ao marcar um golaço de fora da área e abrir o placar para o Uruguai, aos 24´do primeiro tempo. Na segunda etapa, o mesmo Forlán fez o segundo, de pênalti, e ele mesmo começou a jogada que terminou no terceiro gol, de Álvaro Pereira, já nos acréscimos. O placar de 3 a 0 embalou os sul-americanos, que foram para o duelo contra o México em busca da classificação e do primeiro lugar no grupo.

Em Rustenburg, Guardado, Giovani dos Santos e Blanco eram os perigos para a zaga uruguaia, mas Lugano e o ótimo sistema de marcação do meio de campo armado por Tabárez conseguiram dar tranquilidade à equipe, que venceu por 1 a 0 graças a um gol de Suárez, de cabeça, aos 43´do primeiro tempo, após belo cruzamento de Cavani. A vitória, aliada ao triunfo da África do Sul sobre a França, colocou os uruguaios na primeira posição, com sete pontos e nenhum gol sofrido em três jogos, campanha que levou a equipe a uma fase de oitavas de final pela primeira vez desde a Copa de 1990, curiosamente com o mesmo Óscar Tabárez no comando. Mas, diferente do Mundial da Itália, aquele Uruguai iria muito mais longe.

 

Com garra e com sorte

Suárez e seu gol na chuva: vitória e classificação contra a Coreia.
Suárez e seu gol na chuva: vitória e classificação contra a Coreia.

 

Nas oitavas, o Uruguai encarou a Coreia do Sul, do capitão Park Ji-Sung, e dominou as ações desde o apito inicial do árbitro Wolfgang Stark (ALE). Logo aos 8´, Suárez aproveitou uma bola levantada na área e abriu o placar para os sul-americanos. A Coreia tentou responder, mas a zaga uruguaia se mostrava muito eficiente e sem apelar para as faltas duras (tanto é que nenhum uruguaio levou cartão no jogo). Na segunda etapa, depois de tanto martelar, a Coreia chegou ao empate com Lee Chung-Yong, e muitos acreditavam que haveria prorrogação. Mas, aos 35´, Luís Suárez chamou a responsabilidade, invadiu a área e desferiu um lindo chute que resultou no gol da vitória da Celeste por 2 a 1. Debaixo de chuva, a festa tomou conta do banco de reservas e dos fanáticos uruguaios, que celebravam a vaga nas quartas de final.

Entre os oito melhores do planeta, o Uruguai entrou com enorme força para encarar a única seleção africana remanescente no Mundial: Gana, de Gyan, Muntari e Boateng. O duelo que tinha tudo para ser equilibrado e sem grandes acontecimentos acabou se tornando a partida mais emocionante e angustiante de todo o torneio. Gana abriu o placar com Muntari, nos acréscimos do primeiro tempo, e Forlán, de falta, empatou logo aos 10´da segunda etapa. Após os 90 minutos, o duelo foi para a prorrogação e a torcida que lotou o estádio Soccer City presenciou momentos de delírio puro nos minutos finais, com uma “defesa” de Suárez em cima da linha, pênalti perdido por Gyan e cavadinha de Loco Abreu nas disputas de pênaltis, que acabaram classificando o Uruguai. O Imortais dedicou um capitulo especial sobre esse duelo para que você possa entender melhor aquele jogo eterno. Leia mais clicando aqui.

O capitão uruguaio, Diego Lugano, comentou em entrevista à revista Placar sobre aquele embate histórico:

“Esse jogo foi incrível, por tudo o que aconteceu. Saí machucado logo no começo, e ver todo aquele drama do banco foi tão duro quanto emocionante. A mão milagrosa do Suárez, a cavadinha do Loco Abreu, que é um filho da mãe. Como é que ele me bate um pênalti daquele jeito?!”Diego Lugano, em entrevista à revista Placar, janeiro de 2011.

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Embora a vitória dramática tenha deixado a torcida africana irada pela maneira como transcorreu, os uruguaios já sabiam que tinham feito história pelo fato de estarem de volta a uma semifinal depois de 40 anos – e ser o único representante do futebol sul-americano na Copa, já que Brasil, Argentina e Paraguai caíram todos nas quartas de final. A decisão estava próxima. Mas seria preciso derrotar a embalada Holanda de Sneijder, Robben e Van Persie.

 

Faltou fôlego

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A Holanda estava invicta e com 100% de aproveitamento. E o Uruguai vinha também sem derrotas, mas com um desgaste físico e emocional enorme por causa do embate contra Gana, além de não ter o capitão Lugano, contundido. Por conta disso, os europeus aproveitaram para abrir o placar logo no começo do jogo, com Van Bronckhorst, e abusaram da velocidade para tentar liquidar a fatura o quanto antes. Mas o Uruguai foi valente e chegou ao empate com Forlán, em mais um lindo chute, aos 41´. No segundo tempo, Sneijder e Robben ampliaram para 3 a 1 e tornaram a virada uruguaia quase impossível. Nos acréscimos, Maxi Pereira ainda descontou, mas já era tarde. A Holanda venceu por 3 a 2 e ficou com a vaga na final. Na disputa pelo terceiro lugar, o jovem time da Alemanha venceu a Celeste pelo mesmo placar, mas não sem Forlán deixar mais um gol e se tornar um dos artilheiros do Mundial com cinco gols, além de ser eleito pela FIFA como o Melhor Jogador da Copa.

Na volta para casa, os jogadores e a comissão técnica do Uruguai foram recebidos com enorme festa pela torcida em reconhecimento à campanha marcante que recolocou o país no mapa do futebol. Antes do 4º lugar de 2010, a Celeste era esquecida em especiais sobre a história dos Mundiais, em debates e em grandes feitos no futebol. Depois da Copa, o mundo inteiro voltou a admirar a equipe e percebeu que aquela colocação representava o renascimento de uma seleção tão tradicional no esporte. E, para ratificar a boa campanha na África, os uruguaios já traçaram uma nova meta: a Copa América de 2011.

O Uruguai da Copa: Forlán inspirado e meio de campo marcador foram as armas de um time extremamente competitivo.
O Uruguai da Copa: Forlán inspirado e meio de campo marcador foram as armas de um time extremamente competitivo.

 

Em busca da hegemonia

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Após alguns amistosos no começo do ano – incluindo um empate em 1 a 1 com a Holanda, algoz da Copa de 2010, com vitória nos pênaltis por 4 a 3 – o Uruguai viajou até a Argentina para a disputa da Copa América, torneio que a Celeste não vencia desde 1995. Com a mesma base do Mundial da África, os uruguaios eram os favoritos ao título ao lado da anfitriã, Argentina, e do Brasil. Na estreia pelo Grupo C, os comandados de Tabárez empataram em 1 a 1 com o Peru, com o gol celeste marcado por Suárez. Na sequência, novo empate, em 1 a 1, contra o Chile (o gol uruguaio foi de Álvaro Pereira). No último duelo, a equipe precisava da vitória diante do México para conseguir a classificação sem sustos. Com a zaga muito bem postada e firme graças ao capitão Lugano e a jovem promessa Sebastián Coates, a Celeste venceu por 1 a 0, gol de Álvaro Pereira, e garantiu o segundo lugar do grupo. Mas a vice-liderança significou algo indigesto: enfrentar a Argentina já nas quartas de final…

 

O dia de Muslera

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No dia 16 de julho (data favorita dos uruguaios no calendário por causa do Maracanazo…), a cidade de Santa Fe recebeu os tradicionais rivais sul-americanos no estádio Brigadier General Estanislao López, conhecido como “El Cementerio de Los Elefantes”, por ter abrigado várias vitórias do Club Atlético Colón contra grandes equipes. E o Uruguai, como adora aprontar arruaça na casa de vizinhos, fez da partida uma batalha épica em busca da vaga mesmo sem Cavani, contundido, e Coates, suspenso. Logo aos 5´, Pérez abriu o placar para a Celeste, mas Higuaín empatou, aos 17´. O que se viu a partir dali foi um jogo disputado e repleto de lances perigosos e com muita catimba. Foram nove cartões amarelos, dois vermelhos (Mascherano e Pérez) e um show a parte do goleiro Muslera, que fez um punhado de defesas sensacionais que garantiram o empate à Celeste até o final do jogo. Mesmo com um ataque composto por Di María, Agüero, Higuaín e Messi, a Argentina não conseguiu furar a meta do camisa 1 uruguaio, que transformou aquele jogo em sua volta por cima pessoal pelas críticas que recebeu após as falhas durante o Mundial de 2010.

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Após a prorrogação e mais salvações, Muslera garantiu a vaga uruguaia nos pênaltis, ao defender o tiro cobrado por Tévez. O 5 a 4 classificou o Uruguai e eliminou a Argentina, que mais uma vez sucumbiu na tentativa de conquistar um título de expressão. E aumentou ainda mais a fama de que o 16 de julho é o dia da Celeste.

 

Soberania continental

Lugano e Arévalo Ríos: estrelas do título continental.
Lugano e Arévalo Ríos: estrelas do título continental.

 

Nas semifinais, o Uruguai liquidou o Peru por 2 a 0 com dois gols de Suárez, que mostrou oportunismo para abrir o placar no segundo tempo e habilidade quando driblou o goleiro e fechou a conta. Na grande final, no estádio Monumental, a Celeste teve pela frente um time que era uma verdadeira “aberração”: o Paraguai, que havia empatado todos os jogos da primeira fase e todos os da fase de mata-mata, avançando tanto nas quartas quanto nas semifinais graças às disputas de pênaltis. E, para piorar, a equipe poderia ser campeã empatando de novo (!) e vencendo nos pênaltis (!!). Ou seja, sem vencer um jogo sequer (!!!). Para evitar uma aberração ainda maior, o Uruguai mostrou toda a imponência de um time vencedor e que vivia grande fase e massacrou os rivais: 3 a 0. O primeiro gol foi uma pintura de Suárez, que deixou o marcador no chão e bateu de canhota sem chance alguma para o goleiro. O segundo veio após uma roubada de bola do valente Arévalo Rios na entrada da grande área, que tocou para Forlán encher o pé de primeira. No segundo tempo, um contra-ataque sublime fechou a conta com participação do tridente de ouro da Celeste: Cavani recebeu na esquerda, inverteu o jogo na direita para Suárez, que deixou de cabeça para Forlán fazer outro belo gol. Foi a vitória da consagração e que provou de uma vez por todas que o time uruguaio era, de fato, o melhor do continente. Jogando com inteligência, marcação feroz e genialidade no ataque, a equipe de Tabárez alcançava um grau de maturidade fascinante. A 15ª taça transformou o Uruguai no maior vencedor da história da Copa América e o prêmio de fair play à equipe mostrou, também, que aquela mentalidade de brigas e provocações de outrora havia ficado para trás, como disse o técnico Tabárez na época:

“Há uma formação interessante de novos jogadores no país, um processo de profissionalização que ajuda a montar uma seleção forte. Além disso, estamos trabalhando nesse sentido também (de cometer menos faltas e praticar jogo limpo). Em torneios sub-20, também ganhamos o prêmio”.Óscar Tabárez, em entrevista à Folha de S. Paulo, 25 de julho de 2011.

Suárez, o jogador mais valioso (MVP) da Copa América.
Suárez, o jogador mais valioso (MVP) da Copa América.

 

Feitos que inspiram

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Não foi só a seleção principal do Uruguai que fez bonito naquele ano de 2011. O time sub-23 da Celeste conseguiu a façanha de terminar o campeonato sul-americano na segunda posição, eliminar a poderosa Argentina e se classificar depois de 84 anos para uma Olimpíada. Desde os tempos do esquadrão bicampeão olímpico de 1924 e 1928 que a equipe não disputava o torneio. Em Londres, em 2012, o time não conseguiu ir longe e caiu na primeira fase, mas a vaga foi bastante comemorada pela torcida charrúa.

O time da Copa América: para muitos, melhor que o esquadrão de 2010.
O time da Copa América: para muitos, melhor que o esquadrão de 2010.

 

No embalo de Suárez e uma nova queda

Ainda em 2011, o Uruguai disputou mais cinco jogos, venceu quatro e empatou um. Os duelos mais lembrados foram os amistosos contra a Ucrânia (vitória por 3 a 2, com gols de Álvaro González, Lugano e Hernández) e Itália (vitória por 1 a 0, gol de Hernández, em pleno estádio Olímpico de Roma), e as vitórias pelas Eliminatórias para a Copa de 2014 sobre Bolívia (4 a 2, em casa, com dois gols de Lugano, um de Suárez e outro de Cavani) e sobre o Chile, em casa, por 4 a 0, com quatro gols de Suárez, que começava a assumir o protagonismo do time e ofuscar o então líder do ataque, Forlán. Em 2012, a equipe manteve-se invicta por mais cinco jogos, totalizando 18 partidas sem perder entre junho de 2011 e início de setembro de 2012, até ser derrotada por 4 a 0 para a Colômbia, em Barranquilla, e começar uma nova era de tropeços pelas Eliminatórias – para desespero da torcida!

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Em 2013, os uruguaios tropeçaram três vezes e só voltaram a vencer em um amistoso contra a França, em casa, por 1 a 0 (gol de Suárez), vitória que inspirou um novo triunfo por 1 a 0, contra a Venezuela, pelas Eliminatórias. Em junho, a Celeste disputou a Copa das Confederações no Brasil e se classificou em segundo lugar após derrota por 2 a 1 para a Espanha e vitórias sobre Nigéria (2 a 1) e Taiti (8 a 0). Na fase de mata-mata, duelo tenso contra o Brasil e derrota por 2 a 1, resultado que levou a equipe para a disputa pelo terceiro lugar, contra a Itália, que acabou ficando com a vitória nos pênaltis após empate em 2 a 2 no tempo normal.

De volta à batalha por uma vaga na Copa, o Uruguai venceu Peru (2 a 1, com dois gols de Suárez) e Colômbia (2 a 0, com gols de Cavani e Stuani), mas perdeu para o Equador por 1 a 0, em Quito, e foi para a última rodada precisando desesperadamente de uma vitória sobre a Argentina para sonhar com (adivinhe?) a repescagem. Parecia brincadeira, mas a Celeste outra vez flertava com a eliminação do Mundial mesmo com a fama construída nos anos anteriores. Muitos diziam que o time estava cansado e que a ausência de Forlán, longe de sua melhor forma, e a dependência excessiva de Suárez fragilizava um time antes tão competitivo. Contra os Hermanos, no dia 15 de outubro de 2013, Cristian Rodríguez, Cavani e Suárez fizeram os gols da suada vitória por 3 a 2 que classificou o Uruguai para a repescagem contra a Jordânia. Suárez terminou como artilheiro das Eliminatórias com 11 gols, um a mais que Messi.

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Contra os rivais asiáticos, a Celeste viajou até Amnan e não se importou com a torcida local para fazer 5 a 0 (gols de Maxi Pereira, Stuani, Lodeiro, Rodríguez e Cavani) e praticamente selar a classificação. Na volta, em Montevidéu, os jogadores entraram com muito conforto e seguraram o empate sem gols que carimbou o passaporte uruguaio para a Copa no Brasil, país que inspirava a façanha de um Maracanazo 2, ainda mais por tudo o que o time havia passado.

 

Susto pré-Copa

Antes do Mundial começar, o técnico Óscar Tabárez levou um susto imenso ao saber que Suárez, seu principal jogador, havia se contundido seriamente no joelho. Muitos duvidavam da presença do craque na Copa e a esperança de classificação para a fase seguinte seria ainda mais difícil após o sorteio das chaves que colocou a Celeste no “grupo da morte”, ao lado de Itália, Inglaterra e Costa Rica. Mas, contra todos os prognósticos, Luisito operou, se recuperou e viajou com o grupo para o Brasil com condições de jogo para a segunda partida. Era o bastante, afinal, a vitória contra a desconhecida Costa Rica era tida como natural. Era…

 

A zebra, o retorno do astro e o iluminado

Em Fortaleza, no estádio Castelão, o Uruguai iniciou sua campanha com muita confiança e certo desprezo pelo adversário. Parecia que a vitória viria a qualquer momento, e tal fato se mostrou ainda mais verídico quando Cavani, de pênalti, abriu o placar aos 24´do primeiro tempo. Mas, na segunda etapa, os costarriquenhos surpreenderam a todos com um toque de bola envolvente, muita velocidade e enorme talento vindo de Campbell e Bryan Ruiz, que comandaram a virada histórica de 3 a 1 que tirou três pontos tidos como certos do Uruguai.

Suárez e seus gols contra a Inglaterra: retorno perfeito!
Suárez e seus gols contra a Inglaterra: retorno perfeito!

 

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No compromisso seguinte, em São Paulo, a Celeste teria que derrotar a Inglaterra se quisesse continuar com chances de classificação. E, com o retorno de seu ídolo, a tarefa ficou mais fácil. Aos 39´, Suárez abriu o placar de cabeça. No segundo tempo, a Inglaterra empatou e encurralou os sul-americanos em busca da virada. Mas, aos 35´, Suárez recebeu um lançamento longo e mostrou que estava devidamente recuperado ao correr, ajeitar a bola, recuperar o equilíbrio e emendar um chutaço: golaço! O 2 a 1 deu mais esperanças à Celeste e rechaçou a imensa importância do craque para o esquema do técnico Tabárez.

No último duelo, o Uruguai encarou a Itália, também com três pontos, num jogo que era como uma final. Quem vencesse, estaria nas oitavas. Se desse empate, a Itália avançaria. Ou seja: só restava a vitória aos sul-americanos, que fizeram uma partida tensa e com chances escassas de gol. No segundo tempo, a Itália perdeu Marchisio, expulso, e a Celeste se mandou em busca do gol, que saiu no finalzinho após cobrança de escanteio e escorada de costas de Godín, o zagueiro iluminado que tanto decidiu jogos para seu clube naquela temporada – o Atlético de Madrid. A vitória classificou o Uruguai, mas a comemoração seria esfriada rapidamente após a repercussão de um lance daquele jogo protagonizado justamente pela estrela do time: Luís Suárez.

 

A falta que ele fez…

A fera sente: nova mordida, velha polêmica.
A fera sente: nova mordida, velha polêmica.

 

Durante os minutos finais do jogo contra a Itália, Luís Suárez teve a “proeza” de morder o italiano Chiellini em uma disputa dentro da área, mas o ato não foi visto pelo árbitro mesmo após o zagueiro mostrar as marcas da fera celeste. As imagens pós-jogo comprovaram o ocorrido e a FIFA não perdoou: Suárez foi expulso da Copa, penalizado em nove jogos internacionais e um gancho de quatro meses sem atuar por seu clube. Foi a maior penitência aplicada pela FIFA na história das Copas e que causou enorme repercussão na mídia internacional pelos antecedentes do jogador, que já havia mordido outros rivais atuando pelo Ajax e pelo Liverpool. A comissão técnica uruguaia tentou, mas a decisão não foi revertida. Com isso, o Uruguai foi para o confronto contra a Colômbia, no Maracanã, “mordido”, mas sem o brilho necessário para vencer.

Com uma atuação de gala do meia James Rodríguez, autor de dois gols, os colombianos venceram por 2 a 0 e se classificaram. Era o fim do sonho do tricampeonato justamente no estádio onde a Celeste vencera sua última Copa 64 anos antes. Sem Suárez, o time se mostrou envelhecido, sem poder de fogo e com nenhuma inspiração. Forlán, substituto do camisa 9, não foi nem sombra do líder que empurrou a seleção na Copa de 2010. Cabisbaixos, os uruguaios lamentavam profundamente a ausência de sua estrela. E sabiam que uma era de ouro tinha acabado de terminar.

 

No mapa novamente

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Embora tenha tido uma queda de rendimento após o título da Copa América, o Uruguai de Tabárez entrou para sempre na história do futebol do país por ter ressuscitado uma camisa que estava estagnada e repleta de pó. O time 4º colocado na Copa de 2010 e campeão continental teve o cuidado de tirar a celeste do fundo do baú, limpado com os mais nobres produtos e mostrar para o mundo o valor e a força que aquela camisa multicampeã tinha. Mais do que isso, a geração de Forlán, Suárez e companhia fez o torcedor voltar a torcer por sua equipe e esperar as mais inesperadas façanhas e os mais sobrenaturais gols. Uma Celeste que já ficou na história. E no coração dos uruguaios.

 

Os personagens:

Muslera: o goleiro foi titular absoluto no gol da seleção e sempre teve o respaldo do técnico Tabárez mesmo com as falhas que cometeu na Copa de 2010 e em vários outros jogos. Muslera alternou partidas maravilhosas com outras péssimas, mas sempre esteve presente quando a Celeste precisou. Seu melhor momento foi na Copa América, quando fechou o gol, mostrou enorme agilidade e garantiu uma caminhada que só terminou com o título continental.

Maxi Pereira: lateral-direito ídolo do Benfica-POR, foi titular em vários jogos do Uruguai no período e teve como principal característica a marcação e o apoio à defesa. Não era muito de ir até a linha de fundo, mas quando o fez cumpriu bem a tarefa. Tem mais de 90 jogos com a camisa da seleção.

Diego Lugano: o grande capitão foi um notável líder em campo e empurrou seus companheiros na base do grito e personificando a garra uruguaia como ninguém. Um dos poucos zagueiros do futebol atual a ainda ter a faceta de “xerife” da área, Lugano não tirava o pé de divididas e parava como fosse preciso os atacantes rivais. Seu maior problema foi a quantidade de cartões amarelos que recebeu e o tirou de partidas importantes. Se machucou na Copa de 2010 e fez falta na partida contra a Holanda, pela semifinal. Ídolo também no São Paulo-BRA, onde conquistou títulos importantes como Libertadores e Mundial de Clubes, tem mais de 90 jogos pela seleção.

Scotti: zagueiro muito bom no jogo aéreo e concentrado taticamente, não foi titular absoluto, mas atuou em várias e decisivas partidas da Celeste no período. Sempre lembrado pelo técnico Tabárez, teve grande importância na partida contra a Argentina na Copa América de 2011, tanto no tempo regulamentar como na disputa de pênaltis, quando marcou um gol.

Diego Godín: começou a se destacar principalmente após a Copa de 2010, quando assumiu mais vezes a titularidade e esbanjou segurança na zaga com desarmes, boas subidas nas bolas aéreas e até presenças surpresas no ataque. Virou peça de destaque no elenco principalmente em 2013 e 2014, assumindo diversas vezes a braçadeira de capitão.

Victorino: foi titular em algumas partidas da Copa de 2010 e presence constante nas convocações de Tabárez até 2011. Regular, fazia o simples. Acabou perdendo espaço com as aparições de Coates e o crescimento técnico de Godín.

Sebastian Coátes: surgiu como grata revelação em 2011, quando fez dupla de zaga com Lugano e jogou muito durante a conquista da Copa América com desarmes precisos, excelente cobertura e grande impulsão no jogo aéreo. Depois disso, foi para o Liverpool-ING e perdeu o encanto.

Jorge Fucile: foi o lateral-esquerdo titular na Copa de 2010 e fez um ótimo Mundial com regularidade na marcação e no apoio ao ataque. Após o torneio, alternou bons e maus momentos, mas seguiu entre os convocados de Tabárez.

Martín Cáceres: foi o mais polivalente dos jogadores de Tabárez no período ao atuar como zagueiro, lateral-esquerdo ou lateral-direito. Fez grandes partidas com sua velocidade e bons passes em profundidade.

Diego Pérez: volante de muita pegada na marcação, Pérez fez uma dupla de grande talento ao lado de Arévalo Ríos naquela era de ouro. Desarmava com precisão e iniciava contra-ataques com muita eficiência. Tem mais de 80 jogos pela seleção. Fundamental na Copa de 2010 e na Copa América de 2011.

Álvaro González: outro multifuncional do setor defensivo, atuou mais vezes como meio-campista na equipe celeste. Seguro, fez o simples e foi bem quando exigido.

Arévalo Ríos: por clubes, ele pode até não ter ido bem, mas pela seleção… Arévalo se transformava. O volante virava um bicho e foi uma peça essencial nos times que Tabárez armou principalmente em 2010 e 2011. Com velocidade, fôlego de dar inveja e ótimo senso de colocação, foi o motor de marcação da Celeste na Copa da África e, principalmente, na conquista da Copa América. Um leão que ganhou o respeito do torcedor.

Cristian Rodríguez: veloz e muito habilidoso, atuou pelo setor esquerdo do meio de campo da Celeste no período e foi uma importante arma de ataque do time com passes, lançamentos e gols. Tem mais de 70 jogos com a seleção.

Álvaro Pereira: atuou como meio-campista e também como lateral-esquerdo nos times de Tabárez e demonstrou muita qualidade e garra em campo. Bom nos passes, no desarme e nos cruzamentos, viveu grandes momentos entre 2010 e 2012 e foi titular em diversas partidas, marcando gols na Copa da África e na Copa América.

Álvaro Fernández: atuou em alguns jogos da Copa de 2010 no meio de campo e deu conta do recado marcando bem e ajudando o sistema defensivo. Acabou perdendo espaço no time nos anos seguintes.

Gargano: outro volante pegador e eficiente na marcação, foi titular em vários jogos da Copa de 2010 e peça importante do time celeste no período. Perdeu espaço após o Mundial com a grande quantidade de bons jogadores no setor.

Gastón Ramírez: surgiu como promessa em meados de 2013 na seleção, mas nunca provou a fama com a camisa celeste. Meia armador, seria uma importante peça para o time na Copa de 2014, mas não chamou a responsabilidade e sumiu das listas de titulares do técnico Tabárez.

Edinson Cavani: um dos principais atacantes uruguaios do século XXI, Cavani cresceu de produção após a Copa de 2010 e virou uma das grandes armas da Celeste e dos clubes por onde passou. Rápido, com precisão cirúrgica no arremate ao gol e frio, fez a torcida recordar os atacantes de outrora da seleção charrua. Tem 66 jogos e 22 gols com a camisa celeste.

Lodeiro: brigador e com bom toque de bola, foi outro avançado a ter espaço com o técnico Tabárez no período. Foi titular em vários jogos, marcou gols e ajudou no ataque com suas investidas e boas jogadas individuais.

Diego Forlán: esqueça os anos de 2012, 2013 e 2014. Diego Forlán foi a alma e o coração do ataque da Celeste em 2010 e 2011, os anos de puro brilho da seleção do renascimento. No Mundial da África, o atacante marcou golaços de todos os jeitos, chamou o jogo para si e incorporou a mística uruguaia como poucos jogadores da história haviam feito. Tanta qualidade contagiou até a FIFA, que o presenteou com o prêmio de Melhor Jogador da Copa. Em 2011, o craque seguiu com a boa fase e anotou dois gols na vitória por 3 a 0 que deu o título da Copa América ao Uruguai, taça merecidíssima e que Forlán não poderia deixar de vencer. Ídolo incontestável no país e presente em três Copas, Forlán é o jogador que mais vestiu a camisa celeste, com 112 jogos, e o segundo maior artilheiro, com 36 gols marcados.

Luís Suárez: se Forlán foi “o cara” em 2010, Suárez pegou para si o protagonismo nos anos seguintes. E olha que em 2010 o atacante ainda beliscou a popularidade do companheiro com a “defesa do século” no jogo contra Gana, pelas quartas de final da Copa. Habilidoso, rápido, oportunista e talentoso, Suárez emendou gols e mais gols nas diversas campanhas da Celeste no período e virou o maior artilheiro da história da seleção com 40 gols em 79 jogos. Na Copa de 2014, o astro ressurgiu após uma grave lesão e marcou os dois gols da vitória sobre a Inglaterra, na fase de grupos, que deu sobrevida à Celeste para o duelo decisivo contra a Itália. Mas, quando tudo era para sair bem, o atacante perdeu a cabeça e aprontou mais uma das suas ao morder um italiano e ser expulso do Mundial. Ele fez falta, o Uruguai sentiu e voltou para casa mais cedo. Mesmo assim, segue ídolo no país. Mas deve controlar seu “apetite” em campo para não manchar uma carreira que ainda deve render muitos frutos.

Sebástian Abreu: “El loco” foi presença constante nas listas de Tabárez até 2010 e um dos destaques na classificação heroica contra Gana, no Mundial daquele ano, ao converter o pênalti decisivo com uma abusada cavadinha. Após aquele feito, perdeu espaço no time e não foi mais chamado depois de 2012. Disputou 70 jogos e marcou 26 gols pela seleção.

Óscar Tabárez (Técnico): El Maestro foi, sem dúvida, o principal responsável por remontar o Uruguai e devolvê-lo ao topo do futebol mundial com campanhas maravilhosas e irrepreensíveis entre 2010 e 2011. Inteligente e inspirador, comandou com brilho seus jogadores e criou um grupo coeso e conhecido por todos os torcedores, que souberam depois de muitos anos escalar seu time do goleiro ao último atacante sem pestanejar. Mesmo com a queda de rendimento após 2013, o treinador cumpriu seu papel por renascer a Celeste. E trazer de volta ao esporte uma das mais vitoriosas e místicas seleções que existem. O que dizer? Apenas “muito obrigado, professor. O esporte agradece!”.

FINAL: URUGUAY CAMPEÓN

Extras:

A odisseia na Copa da África começou contra os anfitriões: vitória por 3 a 0.

 

Veja os gols da vitória por 2 a 1 sobre a Coreia do Sul, nas oitavas.

 

Na Copa América, Muslera jogou muito. E esse lance contra a Argentina exemplifica bem…

 

Veja os gols da vitória por 2 a 0 do Uruguai sobre o Peru.

 

Veja os gols da vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai, na final da Copa América de 2011.

 

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2 thoughts on “Seleções Imortais – Uruguai 2010-2014

  1. O Uruguai sempre renascendo.Pena que outro time(no meu ver ) imortal com um futuro jogador imortal resolveu parar o renascimento desse time.

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