Jogos Eternos – Brasil 1×7 Alemanha 2014

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Data: 08 de julho de 2014

O que estava em jogo: uma vaga na final da Copa do Mundo da FIFA de 2014.

Local: Estádio do Mineirão, Belo Horizonte (MG), Brasil.

Juiz: Marco Rodriguez (MEX)

Público: 58.141 pessoas

Os Times:

Brasil: Júlio César; Maicon, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Paulinho, intervalo) e Oscar; Hulk (Ramires, intervalo), Bernard e Fred (Willian, aos 23´do 2º T). Técnico: Luiz Felipe Scolari

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels (Mertesacker, intervalo) e Höwedes; Schweinsteiger, Khedira (Draxler, aos 31´do 2º T), Kroos e Özil; Thomas Müller e Klose (Schürrle, aos 12´do 2º T). Técnico: Joachim Löw.

Placar: Brasil 1×7 Alemanha (Gols: Müller-ALE, aos 11´, Klose-ALE, aos 23´, Kroos-ALE, 24´e aos 26´, e Khedira-ALE, aos 29´do 1º T; Schürrle-ALE, aos 24´e aos 34´, e Oscar-BRA, aos 45´do 2º T.)

 

“O espetáculo alemão na partida da abertura de olhos”

Desde 2013, após a conquista da Copa das Confederações, que a história era a mesma e repetida aos borbotões em solo brasileiro: “seremos hexacampeões”. “O Maracanazo será enterrado”. “A amarelinha pesa”. E vários outros blábláblás. O povo, que em sua maioria não entende nada de futebol como ele realmente é, acreditou na ladainha. Quando a Copa começou, o script do ano anterior foi repetido: hino cantado à capela, emoção, bravura. Os jogadores pareciam guerreiros antes de entrarem em uma batalha. Na primeira fase, liderança, duas vitórias e um empate e nada de futebol bonito e eficiente. Nas oitavas, um empate que poderia ser uma derrota contra o Chile e classificação no sufoco (e no chororô) apenas nos pênaltis. Nas quartas, outra vitória apertada contra a freguesa Colômbia. Aí veio a semifinal. E o primeiro grande adversário. Outra vez, o discurso foi o mesmo, de otimismo e de superação mesmo sem a principal estrela brasileira, Neymar. Mas, quando a bola rolou no Mineirão, o que se viu foi um atropelamento. A Alemanha, exemplo de seleção bem treinada, bem preparada e com talento em praticamente todos os cantos do campo, não se importou com o adversário em casa, com a torcida toda contra, com a tal da amarelinha e suas cinco estrelas no escudo etc. Eles fizeram um gol. Dois gols. Três gols. Quatro gols. Cinco gols. E tudo isso em apenas 18 minutos, do gol de Müller, aos 11´, até o gol de Khedira, aos 29´. Nunca antes na história das Copas algo semelhante havia acontecido. No segundo tempo, eles fizeram mais um. E outro. O placar da FIFA teve que usar pela primeira vez o scroll para mostrar os marcadores para quem via pela TV. Era Brasil 0x7 Alemanha. SETE! No final, ainda teve um golzinho de Oscar, o único que logo após o apito final do jogo chorou. Era o fim do oba-oba. A prova real de que aquela seleção (?) treinada (??) por um ex-técnico em atividade não iria e não merecia final alguma. Era um time medíocre. Um time sem alma. Um time desequilibrado emocionalmente. Um time sem talento à altura da história da amarelinha. Para os daqui, foi a maior tragédia (e foi mesmo) da história centenária da Seleção Brasileira. Mas, para o futebol, foi um prêmio, um favor prestado pela Alemanha por evitar que uma aberração como aquela chegasse à decisão e, quem sabe, vencesse uma das melhores Copas dos últimos tempos. Lembra do Maracanazo? Pois é. Ele virou partida comum. É hora de relembrar a mais nova ferida do futebol nacional: o Mineirazo (ou seria Mineiratzen?).

 

Pré-jogo

Os alemães na Bahia: descontração e calmaria sem perder o foco em nenhum momento.
Os alemães na Bahia: descontração e calmaria sem perder o foco em nenhum momento.

 

Brasil e Alemanha chegaram à semifinal em condições completamente opostas. Do lado alemão, a equipe havia iniciado a caminhada com uma sonora goleada de 4 a 0 sobre Portugal, empatou um jogo disputadíssimo contra Gana e venceu os EUA por 1 a 0, resultados que classificaram os alemães em primeiro lugar no Grupo G. Nas oitavas de final, o time penou para vencer a Argélia, que segurou o 0 a 0 no tempo normal e só caiu na prorrogação, vencida pelos europeus por 2 a 1. Nas quartas, um duelo cheio de história contra a França e, como sempre, final feliz para a Alemanha: vitória por 1 a 0. Sólidos, organizados e com o astral lá em cima graças a hospedagem na belíssima Santa Cruz Cabrália, na Bahia, os jogadores alemães pareciam se divertir no Brasil em busca de um título que era o objetivo primordial para coroar um trabalho iniciado há mais de uma década.

Por outro lado, o time que o Brasil levava para a “sua” Copa, a Copa tão esperada depois de 64 anos, era um verdadeiro crime contra a história da Seleção Brasileira – que, justamente em 2014, completava 100 anos de vida. A comissão técnica era ultrapassada e tinha Luiz Felipe Scolari, um ex-treinador em atividade, como o “comandante” do hexa, amparado por um igualmente retrógrado Parreira. A dupla acreditava veemente que o trabalho estava bem feito e que o time vencedor da Copa das Confederações (competição que, convenhamos, nunca valeu nada e nunca foi levada a sério pelas grandes seleções) poderia ser campeão do mundo jogando em casa. Mas, a partir da estreia, contra a Croácia, tudo começou a ficar bem claro que nada daquilo iria terminar bem. Na primeira fase, a seleção da casa venceu os croatas graças a uma providencial ajuda do árbitro, empatou sem gols com o México e venceu a patética seleção de Camarões (e ainda levou um gol dos africanos). A equipe jogava um futebol medíocre, sem brilho e sem nenhuma organização tática. Neymar era o único jogador considerado craque no elenco, mas só havia feito jus ao nome nos jogos em que não recebeu marcação cerrada – contra Croácia e Camarões.

Choro, choro e mais choro: um dos muitos retratos do Brasil na Copa.
Choro, choro e mais choro: um dos muitos retratos do Brasil na Copa.

 

Nas oitavas, um exemplo máximo do despreparo do time: empate em 1 a 1 com o Chile, prorrogação e quase eliminação quando os chilenos mandaram uma bola na trave no finalzinho do tempo extra. Mesmo com o apoio da torcida, os brasileiros desabaram no choro antes da disputa de pênaltis e mostraram para todo o mundo o despreparo emocional que aquela seleção (?) tinha. Nos pênaltis, Júlio César fez sua parte e deu a vaga para o Brasil. Nas quartas de final, a equipe encarou a sensação Colômbia, que não confiou em si própria e acabou derrotada por 2 a 1, embora tenha levado perigo nos minutos finais.

Naquele jogo, Neymar sofreu uma pancada de Zuñiga que o tirou do Mundial, além de Thiago Silva ter levado o segundo amarelo após uma falta boba e desnecessária. Falando em faltas, o que mais aquele Brasil fazia era faltas, numa clara incapacidade de roubar bolas dos adversários. Sem sua principal estrela (que se mostrou apagada nos dois jogos de mata-mata por ter recebido a marcação devida), a equipe, ao invés de chamar a responsabilidade e buscar alternativas para vencer a Alemanha, começou uma verdadeira procissão pela saúde do astro, com mensagens, vídeos e várias ações de puro marketing que até parecia que Neymar nunca mais iria voltar a jogar – ou até que tinha partido para a vida eterna! Era simplesmente patético. Os jogadores apareciam mais nas redes sociais e em fotos do que no campo de treinamento, enquanto a Alemanha treinava e se preparava para um jogo de tamanha importância que era uma semifinal. Completa e sem desfalques, a equipe europeia era a favorita mesmo contra o país sede e sua torcida. Mas o Brasil tinha a certeza de que iria vencer, principalmente sua torcida, que mostrava em sua grande maioria uma alienação tremenda e olhos fechados para o péssimo time que o Brasil tinha naquele Mundial.

Enquanto o Brasil se preocupava com Neymar e postava fotos em redes sociais, a Alemanha treinava...
Enquanto o Brasil se preocupava com Neymar e postava fotos em redes sociais, a Alemanha treinava…

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Primeiro tempo – O atropelamento

Com quase 60 mil pessoas, o Mineirão se pintou mais uma vez de amarelo para apoiar sua seleção em busca da final, do último degrau, do Maracanã, do hexa. Na escalação, Felipão optou por Bernard e pela manutenção do mesmo esquema de jogo fraco no meio de campo e que dava total liberdade para o rival tocar a bola e pensar, algo que nunca este mesmo Felipão faria em seus tempos de treinador vitorioso e copeiro. O Brasil vestia seu uniforme tradicional, belo, inconfundível, mas que era vestido por um punhado de jogadores que nunca souberam o tamanho da camisa que tinham em seus corpos. Já a Alemanha optava pela combinação rubro-negra, tida por alguns da imprensa brasileira como um tiro no pé pelo fato de o Flamengo, clube homenageado pelos alemães, nunca ter sido bem vindo em Minas Gerais (vê se pode!).

Na hora dos hinos, mais um exemplo do marketing e da supervalorização da imagem dos jogadores ao cantarem segurando a camisa de Neymar (!). Qual o motivo daquilo? Em 2002, quando Emerson foi cortado, ele teve sua camisa levada nos jogos? Em 1998, quando Romário foi cortado, ele teve sua camisa levada nos jogos? Em 1962, quando Pelé foi cortado, ele teve sua camisa levada nos jogos? Não, não e não! O público alienado adorou, claro, mas aquilo era mais uma prova de que o time dependia demais de Neymar e não tinha talento suficiente para suplantá-lo.

Müller (ao centro, com olhar penetrante): gol do artilheiro foi o de número 2000 na história da Seleção Alemã.
Müller (ao centro, com olhar penetrante): gol do artilheiro foi o de número 2000 na história da Seleção Alemã.

 

Quando a bola rolou, o equilíbrio e o 0 a 0 duraram apenas dez minutos, tempo para a Alemanha ter um escanteio a seu favor, cobrar e Müller aparecer no meio da área, sozinho, para fazer o primeiro gol do jogo (e o de nº 2000 da Seleção Alemã na história): 1 a 0. Era o primeiro ato da melhor e mais brilhante partida da Alemanha em toda a Copa do Mundo. E o início de um jogo que entraria para todos os livros e enciclopédias sobre esportes (e não só sobre futebol) no planeta. Sem criatividade nem força ofensiva, o Brasil não esboçava reação alguma para chegar ao gol de empate. Com um centroavante nulo e longe de seus melhores dias (Fred), nenhum meia digno da camisa 10 e até com um jogador com nome de herói da Marvel, o Brasil era nulo. E a Alemanha era tudo o que um dia o time canarinho foi. Toques precisos, dedicação tática, marcação suprema, lealdade e total confiança em si e no time, no conjunto, e não só em um jogador. A torcida brasileira, lacônica, não apoiava sua seleção e parecia só existir, mesmo, para cantar o hino nacional e as músicas manjadas e “brocha-jogador” de sempre (“Eeeeeeu sou brasileiro, com muito orgulho…” e “Brasil, Brasil”).

Klose celebra seu gol nº16 em Copas.
Klose celebra seu gol nº16 em Copas.

 

Avessa a tudo aquilo, a Alemanha tratou de mostrar seu futebol e seu apetite aos 23´, quando Fernandinho não interceptou um passe e deixou a bola livre para Kroos, que tocou para Müller e este deixou com categoria para Klose chutar duas vezes antes de marcar o segundo gol: 2 a 0. Era o 16º gol do atacante em Copas, tento que fez o alemão ultrapassar o brasileiro Ronaldo como o maior goleador da história dos Mundiais. Certa dos espaços que tinha, a Alemanha decidiu aproveitar e ver até onde seu talento iria. E até que ponto aquele Brasil era ruim. Apenas um minuto depois, em mais um ataque de pé em pé, Khedira deixou no meio com Kroos, este deixou com Özil, que viu a passagem de Lahm na direita e fez o lançamento. Sozinho, o capitão cruzou para a área, Müller furou, mas Kroos pegou o rebote e, de primeira, fez um belo gol: 3 a 0. Era um desfile da Alemanha. E uma passividade impressionante do Brasil. Dois minutos depois, acredite, Kroos roubou a bola de Fernandinho no campo de defesa com uma facilidade imensa, deixou com Khedira, e este devolveu como se a jogada fosse num treino ou os zagueiros brasileiros fossem bobinhos. Kroos fuzilou e fez o quarto gol: 4 a 0.

Kroos chuta para marcar um de seus dois gols: jogador foi o melhor em campo.
Kroos chuta para marcar um de seus dois gols: jogador foi o melhor em campo.

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A Alemanha flutuava, encantava. O Brasil agonizava. E chorava, claro. Mas ainda tinha mais. Aos 29´, em mais um ataque pelo meio, Hummels saiu do campo de defesa, foi levando e deixou com Khedira, que tocou para Özil, e este devolveu para o meio-campista fazer o quinto: 5 a 0. Era um estrondo! Um vexame para os brasileiros. E um feito para a história das Copas. Nunca uma seleção havia marcado cinco gols em apenas 18 minutos. Muito menos QUATRO gols em seis minutos.

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A partir daquele gol, era fato que a Alemanha estava na final. E que os europeus poderiam aumentar o placar quando quisessem e como quisessem. Cientes do que estavam fazendo, os respeitosos alemães diminuíram o ritmo e não quiseram se esforçar mais naqueles quinze minutos restantes. Kroos ainda chutou uma bola aos 31´que quase enganou Júlio César. Ao invés de se fechar para não tomar mais, o Brasil continuava da mesma maneira, concedendo espaços, sem apertar na marcação e sem um mínimo de raça. Ao apito do árbitro, o Mineirão era um misto de choque e revolta, com as vaias ecoando em meio aos cânticos dos alemães de “Rio de Janeiro, ô ô ô ôô” e “Deutschland, Deutschland, Deutschland”. Será que viraria cinco e acabaria dez? Ninguém duvidava…

Os times em campo: com todos os espaços possíveis, a Alemanha aplicou seu jogo coletivo e colocou o Brasil na roda.
Os times em campo: com todos os espaços possíveis, a Alemanha aplicou seu jogo coletivo e colocou o Brasil na roda.

 

Segundo tempo – A consagração alemã e o vexame eterno

O paredão Neuer defende um chute de Paulinho: só faltava a exibição dele para o show ficar completo!
O paredão Neuer defende um chute de Paulinho: só faltava a exibição dele para o show ficar completo!

 

Tentando esboçar alguma reação, Felipão tirou o pseudo super-herói e Fernandinho para as entradas de Ramires e Paulinho, volantes que teriam a obrigação de diminuir os espaços no meio de campo. Nos primeiro minutos, o Brasil foi mais ativo do que não tinha sido no primeiro tempo e percebeu que a Alemanha não era apenas um time excelente, mas também detentora de um goleiro fora de série: Neuer. Aos 6´, o camisa 1 alemão cortou com precisão um cruzamento rasteiro de Ramires que tinha endereço certo (os pés de Oscar). Aos 7´, Neuer defendeu com as pernas um chute de Oscar à queima roupa. Aos 8´, o gigante fez duas defesas sensacionais em dois chutes de Paulinho e mostrou que aquele era mesmo o dia da Alemanha – e que ele era, de fato, o melhor goleiro do mundo na época. Mesmo sofrendo aqueles ataques, a Alemanha continuava seu jogo solidário e com os jogadores cumprindo suas funções com maestria. Müller e Özil ajudavam na marcação e voltavam para recuperar a bola, Lahm tinha o apoio dos volantes, Schweinsteiger e Kroos eram os comandantes das jogadas pelo meio e Boateng o pilar do sistema defensivo.

Schüurle vibra...
Schüurle vibra…

 

Aos 12´, o técnico alemão Joaquim Löw decidiu sacar Klose para a entrada de Schüurle, atacante oportunista e com muita técnica. Querendo mostrar serviço, o camisa 9 entrou com gás e disposto a acabar com aquele “marasmo” alemão. Aos 15´, Müller arriscou de fora da área e Júlio César espalmou para escanteio. Aos 24´, a Alemanha cansou de ficar sem fazer gols e decidiu construir mais um. Lá atrás, Boateng tocou para Özil, que partiu em direção ao ataque e deixou com Kroos, que tocou para Lahm e este deixou na direita para Khedira. Como um verdadeiro lateral, o meio-campista cruzou rasteiro para o mesmo Lahm, que tocou para o miolo da área, onde Schüurle se movimentou como quis e só teve o trabalho de tocar para o canto oposto do goleiro: 6 a 0. Que fácil! Estava claro que a Alemanha marcava quando queria e do jeito que mais lhe convinha. No placar o jogo, a FIFA era obrigada a baixar a barra de rolagem para mostrar os autores dos gols alemães, algo pouco comum (seria inédito?) nas transmissões pela TV.

... E acerta um lindo chute para fechar o passeio.
… E acerta um lindo chute para fechar o passeio.

 

A exemplo do que já havia acontecido no primeiro tempo, mais e mais pessoas deixavam o Mineirão indignadas e revoltadas, mas com os olhos enfim abertos pela goleada alemã que escancarou a realidade daquele Brasil. Aos 34´, após uma cobrança de lateral, a Alemanha fechou sua apresentação de gala com uma pintura de Schüurle, que recebeu da esquerda, dominou e chutou uma bola indefensável para o gol: 7 a 0. Os aplausos ecoavam pelo Mineirão. Em pé, os torcedores davam sua primeira mostra lúcida de realidade ao reconhecer o talento e a força daquela Alemanha, em uma postura digna e respeitosa. Os minutos se passaram e o jogo esfriou. Özil ainda teve sua chance de fazer um gol, mas chutou para fora no finalzinho. Aos 45´, Oscar fez o gol de honra (que honra?!) do Brasil, para desespero de Neuer, que ficou p*** da vida por levar um gol daquele time tão fraco. Após os acréscimos, o árbitro Marco Rodríguez apitou o final do jogo. A Alemanha estava na final do Maracanã graças a uma das maiores atuações de sua seleção em toda a história. E o Brasil, de maneira vexatória e humilhante, eliminado em sua própria casa. Estava sacramentada a maior derrota em toda a história da Seleção Brasileira. E uma série de recordes, tais como:

– A pior derrota do Brasil em Copas;

– A partida que o Brasil mais tomou gols em Copas;

– A maior goleada em semifinais de Copa, superando outros três duelos que haviam terminado em 6 a 1;

– A maior goleada em jogo entre campeões do mundo, superando o Alemanha 4×0 Uruguai, em 1966;

– A pior derrota de um anfitrião da Copa;

– Nunca uma seleção havia marcado quatro gols em tão pouco tempo em uma Copa do Mundo. A Alemanha conseguiu isso em apenas seis minutos, entre os 23´e os 29´do 1º tempo;

– A Alemanha foi a terceira seleção a conseguir marcar cinco gols ou mais em um só tempo. As outras foram Iugoslávia (marcou seis gols no primeiro tempo), na goleada de 9 a 0 sobre o Zaire, em 1974, e a Polônia (marcou cinco gols no primeiro tempo), nos 7 a 0 sobre o Haiti, também em 1974.

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A derrota vexatória transformou a partida de 08 de julho de 2014 em Mineirazo, em alusão ao Maracanazo de 1950. Mas, ao contrário da derrota brasileira na final de 64 anos antes, o revés em Belo Horizonte significou muito mais. Foi a derrota da pior equipe que o Brasil levou para um Mundial, a maior humilhação nacional e transmitida para bilhões de pessoas, ao vivo, em todo o mundo e a deflagração de um time obsoleto, patético, individualista e parado no tempo há mais de uma década, desde o pentacampeonato conquistado na Coreia e no Japão, em 2002. Desde aquele penta (com o próprio Felipão), o Brasil jamais foi o mesmo. Não produziu mais camisas 10. Não ensinou em suas categorias de base (quais categorias?) que o futebol é, também, tático e coletivo, e cometeu o erro crasso de endeusar e adjetivar como craque qualquer jovem que marcasse algum gol bonito ou fizesse uma jogada plástica de efeito vez ou outra.

A vitória alemã fez bem ao futebol. Classificou um exemplo de Seleção na mais pura definição da palavra, que se preocupa com os resultados e com o bom jogo ao invés de ficar chorando, lamentando, postando fotos e participando de centenas e dezenas e milhares e milhões de propagandas. Após a abertura de olhos para a realidade, o torcedor brasileiro espera ter uma seleção digna, profissional e organizada nos próximos anos. Mas, para isso, é preciso uma reconstrução, e, acima de tudo, educação esportiva e profissional com investimentos em jovens e em suas cabeças, para que não se transformem nos moleques que pensam ser homens que tanto empesteiam o futebol brasileiro. Falando nisso, o ex-jogador alemão Lothar Matthäus, um dos maiores craques da história, foi preciso nas palavras ao se referir sobre os jogadores brasileiros na Copa:

“Não entendo por que um jogador de futebol chora. Brasileiros sempre choram. Toca o hino, choram; eliminam o Chile, choram; perdem para a Alemanha, choram. Eles têm de mostrar que são fortes. Nunca vi nada tão nefasto como a linguagem corporal dessa equipe”. – Lothar Matthäus, em entrevista ao jornal francês Le Journal du Dimanche, 12 de julho de 2014.

 

Se a mudança tão necessária no futebol brasileiro acontecer num médio espaço de tempo, quem irá ganhar será não só o Brasil, mas também o futebol, que terá de volta a Seleção Brasileira, aquela pentacampeã mundial, mas que teve o pior presente de aniversário que ela poderia imaginar para seu centenário. Um crime que jamais será esquecido. E que, ao contrário de 1950, quando um só jogador carregou injustamente o fardo da culpa pelo resto da vida (Barbosa – leia mais clicando aqui), teve vários culpados no gramado, no banco e em paletós espalhados por aí.

Abaixo, algumas capas de jornais e home-pages de sites com a repercussão do jogo.

A Bola (Portugal) e Olé (Argentina).
A Bola (Portugal) e Olé (Argentina).

 

 

Extra (Brasil) e O Globo (Brasil).
Extra (Brasil) e O Globo (Brasil).

 

A Tarde (Brasil) e Folha de S.Paulo (Brasil).
A Tarde (Brasil) e Folha de S.Paulo (Brasil).

 

Home-page do Bild (Alemanha).
Home-page do Bild (Alemanha).

 

Home-page do Olé (Argentina).
Home-page do Olé (Argentina).

 

Pós-jogo: o que aconteceu depois?

 

Brasil: depois do vexame, a comissão técnica (?) brasileira tentou explicar o fracasso com frases feitas, mentiras ridículas e que o “trabalho havia sido bem feito”, em legítimas conversinhas para enganar a torcida e a imprensa. Todos disseram que seria “questão de honra” ficar com o terceiro lugar, que a “vida deveria continuar porque amanhã é um novo dia”, mas, no jogo do dia 12 de julho, a equipe perdeu de 3 a 0 da Holanda, não jogou absolutamente nada novamente e conseguiu mais uma façanha: ter a pior defesa do Brasil em uma só Copa do Mundo com 14 gols sofridos em sete jogos, além de ter terminado o Mundial com a pior zaga da competição e ter mostrado que havia ido longe demais na Copa graças aos adversários fracos e fregueses que enfrentou pelo caminho antes de enfrentar equipes realmente fortes. Foi o “vexame dos vexames” na “Copa das Copas”.

Troca de comando técnico no jogo contra a Holanda: os jogadores do banco passando instruções para Thiago Silva, com Felipão esquecido à esquerda. Retrato de um time para se esquecer.
Troca de comando técnico no jogo contra a Holanda: os jogadores do banco passando instruções para Thiago Silva, com Felipão à esquerda. Retrato de um time para se esquecer.

 

Alemanha: seria um sacrilégio se a seleção alemã, depois de tudo o que fez no Brasil e pelo Brasil, com doações aos índios e até construção de um centro de treinamento, saísse da América sem a Copa. Na final, contra a cascuda Argentina, os europeus brincaram com a sorte e quase levaram gols de Higuaín, Messi e Palacio, mas, após 0 a 0 nos 90 minutos, o jovem Mario Götze, de 22 anos, marcou um golaço e deu a vitória por 1 a 0 e o título à melhor equipe da Copa e do mundo, que venceu seis jogos, empatou um, marcou 18 gols (melhor ataque) e sofreu apenas quatro. Um prêmio a quem tratou o Mundial com respeito e valor desde o início. E que planejou ser campeã com uma década de antecedência. Um tetra inesquecível, como foi inesquecível o vareio do eterno 7 a 1.

 

A Alemanha com a Copa: o futebol agradeceu.
A Alemanha com a Copa: o futebol agradeceu.

 

 

Extra:

Veja os gols e lances daquele jogo eterno.

 

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54 thoughts on “Jogos Eternos – Brasil 1×7 Alemanha 2014

  1. Primeiramente, meus parabéns pelo texto, um misto de revolta, crítica e bom senso, sem deixar o bom e velho jeito carismático de falar sobre um jogo eterno como esse foi. Os torcedores brasileiros de bem, nossas crianças, não mereciam isso, foi um verdadeiro “chocolate”, fomos vencidos tecnicamente, taticamente, fisicamente e emocionalmente, tínhamos tudo para fazer deste torneio inesquecível (positivamente, claro), mas não o fizemos. Espero que agora possamos largar a soberba e o orgulho de lado, ver o que se passa lá fora, na Europa, na Ásia, e se espelhar em filosofias de futebol que vêm funcionando, como o da Alemanha, pois jogamos um futebol do passado, dos anos 90, com treinadores com metodologias de trabalho de vinte ou trinta anos atrás, uma Liga Nacional muito fraca tecnicamente, com trabalhos pífios nas categorias de base, fora a corrupção existente nas mesmas, garotos se profissionalizando sem autenticação médica, com o risco de morrerem em campo, e sem nenhum tipo de avaliação técnica, tudo na base da ganância e do roubo, e isso se aplica também à CBF, com uma diretriz totalmente inútil.

    Alguém já deveria ter se ligado desde 2007, quando o Grêmio levou aquela surra do Boca Juniors na Final da Libertadores, porque até 2006, nosso futebol estava beleza, mesmo nunca tendo desfrutado de uma grande organização, como um calendário digno e mais humano. Pois de finais de Libertadores como 2008 e 2009, passamos a passar vexames em Mundiais de Clubes da FIFA, em 2010, 2011 e 2013. Copa América de 2007, Copa das Confederações de 2009 e 2013, considero como acidentes de percurso, porque não dá para elogiar essas campanhas, nunca dignas de um bom futebol.

    Agora, sem revelar jogadores, nosso “craque” não passa de um jogador superestimado que se provavelmente tivesse jogado nos anos 80, por exemplo, seria considerado um jogador comum, fica a nossa torcida por reestruturações colossais em nosso futebol, porque tratar apenas como apagão ou algo que acontece no futebol, para mim, é mera hipocrisia.

    1. Fiquei tristíssimo com esta copiosa e inimaginável derrota! Recuso-me a pensar, no entanto, que ela seja o reflexo real da diferença de valor entre as duas equipas. Apesar das evidentes lacunas da seleção brasileira, muito claras, sobretudo, no setor do ponta de lança, considero este resultado exagerado e que acontece excecionalmente. É um daqueles dias em que tudo corre bem a uma equipa e tudo corre mal à outra. Tratou-se, sobretudo, de um descontrole emocional da seleção brasileira. Resultados desnivelados como este não são totalmente inéditos entre equipas de valor semelhante. Vou dar apenas um exemplo recente: a derrota por 4-0 do Bayern de Munique, no seu próprio estádio, perante o Real Madrid, após a derrota tangencial e promissora por 1-0, no estádio de Santiago de Barnabéu. Estou a falar da equipa de clube que é, precisamente, a base desta seleção alemã campeã do mundo e que é considerada uma razão poderosa para o êxito estrondoso da seleção. Para além dos craques alemães, tem o reforço dos geniais Robben e Ribéry. Teria sido possível imaginar resultado tão desequilibrado? Apesar da racionalidade, calma e frieza das equipas alemãs, não terá acontecido também um certo descontrole emocional?

      É certo que o Brasil sentiu dificuldades claras, mesmo na primeira fase, mas nunca a passagem para os oitavos de final esteve em questão. O empate contra a seleção mexicana deveu-se, fundamentalmente, à sublime exibição do guarda-redes Ochoa, particularmente, na inspirada defesa do excelente remate de cabeça de Neymar. Contra o Chile, funcionou um pouco a sorte e as contingências das grandes penalidades, mas tenhamos em consideração que o Chile é uma equipa bastante organizada e que contribuiu para o afastamento da seleção espanhola, logo na primeira fase, seleção essa, campeão do mundo e principal favorita. No jogo com a Colômbia, o Brasil fez, quanto a mim, a sua melhor exibição. Utilizou uma tática correta, de acordo com o perfil dos seus jogadores, marcou alto, em cima, defendeu bem ,embora, na parte final do jogo, tivesse sentido bastantes dificuldades.

      Como o jogo contra a Colômbia tinha sido coroado de êxito, como o resultado do jogo da final da Taça das Confederações contra a Espanha tinha sido o corolário de uma marcação forte para neutralizar o tiki-taka do passe curto da seleção espanhola, dava a ideia de que perante seleções com excelente circulação de bola como é o caso desta atual seleção alemã, essa estratégia daria os seus frutos: marcar em cima, jogar com alma, pressionar o adversário. Foi o que o Brasil começou a fazer. Entregou-se energicamente ao jogo. É verdade! Basta rever o jogo. Quem reparar nesse início de jogo, concluirá que não era possível imaginar o enorme pesadelo que estava para vir. As bolas divididas estavam a pertencer à seleção brasileira. O 1ºgolo da Alemanha é, claramente, contra a corrente do jogo e resultou, de facto, de uma desatenção defensiva. O Brasil ainda teve força anímica para tentar uma reação mas a equipa alemã estava a defender de uma forma soberba. O 2ºgolo, também consequência de erros defensivos, voltou a ser contra a corrente de jogo e foi decisivo para o descalabro e para o descontrole emocional. O pormenor da extraordinária eficácia dos alemães foi relevante com os seus remates certeiros. Foi um jogo que, a partir desse momento, começou a correr bem demais par os alemães e mal demais para os brasileiros. É futebol!

      Também considero esta seleção brasileira uma das menos brilhantes da história do futebol brasileiro. O problema maior desta equipa refere-se ao ponta-de-lança. Depois de Romário e de Ronaldo, nunca o Brasil apresentou um ponta-de- lança à altura de um campeão do mundo. O Brasil também não tem jogadores com a categoria de Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo do Mundial de 2002, nem um defesa esquerdo como Roberto Carlos.Um jogador de que se esperava muito era o Hulk, que fez grandes exibições no futebol clube do Porto mas que não produziu nada de significativo neste campeonato do mundo. Os centrais Tiago Silva e David Luís não são inferiores a outros centrais de equipas anteriores. Mesmo Brito e Piazza da longínqua e extraordinária seleção de 1970 teriam sido melhores? Tiago Silva não jogou contra a Alemanha, o que terá constituído a principal razão para o desentendimento defensivo, no 2º e após o 2º golo.

      Em relação às camadas jovens, há uma questão que eu sinto dificuldades em explicar. Como sabemos, existe um campeonato mundial de juniores(sub-20) de 2 em 2 anos. Começou em 1977 e o próximo será em 2015, na Nova Zelândia. Fazendo um balanço desse torneio, as equipas sul-americanas hegemonizam as vitórias: a Argentina com 6 vitórias e o Brasil com 5. A Alemanha tem apenas uma vitória. Que leitura deve ser feita deste facto? O Brasil. afinal, preocupa-se e investe na formação de base. Será que os alemães não levam a sério a formação nestes escalões ou lhe dão menos visibilidade?

      E é tudo. Estas são algumas reflexões de quem sofreu com esta expressiva derrota da seleção brasileira. Eu sou adepto da seleção portuguesa mas, depois que esta foi eliminada, torci, como sempre, pela seleção do Brasil. Sofri imenso com esse resultado humilhante mas interpreto-o como uma mera contingência do futebol. Em condições normais, mesmo contra a seleção das Honduras ou dos Camarões, muito dificilmente a Alemanha venceria por 7 a 1. Esta seleção sentiu dificuldades contra a Argélia e contra o Gana! Fiquei tão desgostoso com esta catástrofe que teria preferido que o Brasil tivesse sido eliminado nos penalties contra o Chile, porque nunca é humilhante perder por penalties. Mas, enfim, tenta-se fazer o melhor jogo a jogo e depois se verá.

      O futebol brasileiro renascerá e voltará a ser campeão! A extraordinária habilidade, virtuosismo técnico e os resultados das seleções de juniores dos campeonatos e dos torneios de Toulon indicam o caminho a seguir!

      1. Caro Augusto Barros: parabéns pela sua análise. Eu cheguei a essa mesma conclusão. Se o mesmo jogo, com os mesmos jogadores e técnicos fosse uma hora mais cedo, ou mais tarde; se fosse um dia antes, ou um dia depois; ou qualquer coisa do tipo, esse placar nunca ocorreria. Foi uma coisa excepcional, no mau sentido da palavra. Um evento situado no espaço e no tempo de forma isolada, e que jamais voltará a acontecer. A Alemanha tem uma seleção muito superior à brasileira. Mas não para um 7 x 1. E já assisti o jogo três vezes, tentando entender como 7 x 1 puderam ocorrer. E ainda não entendi… Só concluí que foi algo desproporcional pela grandeza das duas seleções. Abraço!

      2. Eu até concordo com você Augusto, sua análise foi bem detalhada, mas o fato é que o nosso futebol está defasado, de todos esses garotos que participam dos Torneios Mundiais Sub-20, raros são aqueles que conseguem chegar a Seleção Principal e disputar a Copa do Mundo, da equipe de 2011 mesmo, só Oscar e Neymar chegaram a tal feito, diferente da Seleção Alemã Campeã Europeia Sub-20 se eu não me engano no ano de 2009, estavam nesta campanha do título mundial em 2014, Neuer, Khedira, Ozil, entre outros. Nosso futebol nunca gozou de tanto prestígio como o europeu, a nunca chance que tínhamos de provar que éramos melhores era na extinta Copa Intercontinental e na atual Copa do Mundo de Clubes, em 1981 por exemplo, o Flamengo destruiu o Liverpool, o mesmo digo do São Paulo em 1992, e mesmo que não ganhássemos jogávamos de igual para igual, como o Grêmio em 1995, o Palmeiras em 1999, o Vasco da Gama em 1998 e o Corinthians Campeão do Mundo em 2000, fora os títulos de 2005 e 2006, mas hoje, existe um colossal abismo técnico entre o futebol sul-americano e o europeu, não viu o Santos em 2011 contra o Barcelona? E que logo após tomou de 8 a 0 no Troféu Joan Gamper, sem contar o Internacional em 2010 sucumbindo diante do Mazembe e o Atlético-MG ano passado contra o Raja Casablanca, talvez o único que se safou foi o Corinthians em 2012. Só que isso não é normal cara, mesmo com a desorganização que impera em nossos campeonatos, antigamente cada equipe daqui possuía três ou quatro jogadores que podiam facilmente serem titulares da Seleção Brasileira, e a maioria dos grandes clubes europeus possuíam jogadores brasileiros talentosos que eram o centro das atenções, basta comparar a Seleção que disputou a Copa do Mundo de 2006 com a de agora, sem contar a decadência de nossos técnicos, que usam metodologias de trabalho de 10 ou 15 anos atrás.
        Hoje o nosso campeonato, o “Brasileirão” é horrível tecnicamente, péssimas partidas, baixa média de público, está tudo errado por aqui, creio que só vamos voltar a conquistar um título mundial de futebol em 2030, enquanto a CONMEBOL e a CBF forem entidades corruptas e desorganizadas.

    2. A derrota de 7 a 1 para a Alemanha, mostrou o quão está defasado, o futebol brasileiro e precisa de uma reciclagem urgente, o ex-técnico Dunga, detectou esse problema, que o time tinha problemas de recomposição, ele saiu injustamente em 2010, numa derrota, onde o árbitro tailandês, favoreceu o time da Holanda, que fazia pressão nele, com um gol legítimo mal anulado de Robinho e um pênalti não marcado em Kaká. E foi demitido em 2016, sem saber se ele era o técnico adequado para dirigir a seleção brasileira. Provavelmente ganharia a medalha de ouro, no Rio de Janeiro, tamanho nível de seleções ruins. Jornais, televisões e rádios, torciam por sua demissão. Mas sem ele a seleção piorou. Além da demissão covarde de Mano Menezes, quando ele dava um perfil à seleção. E não pode realizar o seu trabalho.

  2. Parabéns Guilherme, esta é a realidade do futebol brasileiro, sempre usando seus velhos jargões. “Brasil o país do Futebol” “A amarelinha pesa” ridículo. Dependência absoluta de Neymar, cadê a coletividade, de outrora, dos esquadrões de 58,70 e 82? Seleção sem um padrão de jogo definido, chororô pra tudo, redes sociais, um ex- treinador em atividade que afundou o gigante Palmeiras e fora um dos principais responsáveis por essa Vergonha Nacional, uma nação iludida, uma mídia alienada, em especial Rede Globo, dizendo que tudo estava “maravilhoso”. A Seleção Alemã ressuscitou há 14 anos, porém a nossa morrera faz 12. Robin van Persie, disse uma declaração importante, após a Holanda humilhar a Espanha por 5×1:
    -Poderia ter sido ( six, seven ) – seis, sete
    Também seria real qualquer jogador alemão dizer:
    -Poderia ter sido (eight, nine, ten)- oito, nove, dez , mas INFELIZMENTE eles resolveram tirar o pé.
    Volto a dizer, esta é a REALIDADE do futebol brasileiro: decadência profunda, péssima administração dos gestores do futebol, um clima sempre de já ganhou, não mudamos a mentalidade na formação de nossos futuros craques , culminando nessa vexatória derrota, diante da Grande Seleção Alemã.

  3. Os deuses do futebol abençoaram o Brasil por vários anos por esse mesmo país ñ ser abençoado pelos deuses da ética e da infrestutura.Mas depois de 20 anos ñ praticando o futebol que foi abençoada,o Brasil perdeu sua benção que passou de uma forma grandiosa para a Alemanha.

  4. São estes jogos que marcam negativamente carreiras e a própria competição. Depois de Ronaldo ter batido o recorde de golos em mundiais na Alemanha, destronando um alemão (o bombardeiro Muller!) eis que Klose retribui a graça, ao contrário, em solo brasileiro, deixando para trás o fenómeno Ronaldo. E num jogo que sempre fará parte dos compêndios do futebol. Parece-me todavia que nem a selecção do Brasil é assim tão má quanto a pintam nem a Alemanha a super-potência. Basta ver que na final acabaram por ter um pouco de sorte pois a Argentina, que até que não jogava grande coisa, esteve a um pequeno passo de vencer o mundial pois disfrutou de soberanas ocasiões de golo. E o Gana e a Argélia encostaram a Alemenha às cordas… Compreendo a frustração mas acho algum exagero e mesmoalguma falta de respeito pelos jogadores e demais comissão técnica. Nunca fui apoiante de Scolari, mesmo quando ele esteve em Portugal, e nunca lhe perdoarei a derrota com a Grécia no Euro 2004. Porém, neste caso também não merecerá todas as críticas, sendo que algumas delas são bem contundentes… Afinal, como fazer omeletes sem ovos?! Os jogadores brasileiros dantes eram os melhores do mundo, mas agora, quantos deles figurariam na lista dos 20 melhores?! E o sargentão daqui a uns anos é bem capaz de responder à sua maneira!

  5. Ex-treinador em atividade…. genial!!!!
    Esses 7:1 não representam apenas a maior derrota do futebol brasileiro… representa a maior humilhação do esporte em todos os tempos e qualquer época!
    Mas, para o bem (ou mal, se é que vocês me entendem) a vida continua e, nada como um torneio após o outro…

  6. A alemanha merecidamente foi a campeã, e agradeço a esse jogo por expôr a realidade do momento em que se encontra o futebol brasileiro
    O placar de 7×1… é até hoje inimaginável, o brasil que foi muito ruim mesmo, vide que a mesma alemanha passou sufoco com times que no papel eram mais fracos que o brasil, Mas como torcedor brasileiro e na torcida pras 5 estrelas continuarem sendo só nossa, espero que a Alemanha encontre a Itália na proxima copa…

  7. Wie wenig brasilianische Funktionäre aus diesem Desaster gelernt haben, lässt sich an der Aussage Peles ablesen, dass Brasilien nun eben in Russland seine “Hexa” hole: die gleiche Hybris wie vor der Copa im eigenen Land: nichts gelernt!

  8. Caro Roberto, muito obrigado pelos seus elogios!Escrevi o que, realmente, sinto e penso sobre o jogo em causa. Continuo admirador do futebol brasileiro e a minha esperança é que o Brasil regresse ao brilhantismo das esplêndidas seleções de 1970 e de 1982. Essa seleção de 1982 foi, para mim, a mais extraordinária seleção da história do futebol e, ironia das ironias, não só não foi campeã de mundo como nem sequer chegou às meias-finais. Em minha opinião, trata-se da maior injustiça no futebol de que há memória! Abraço!

  9. Parabéns pelo texto. Era uma vez o futebol na Seleção Brasileira. Infelizmente, não se vislumbra nenhuma melhora significativa para a seleção nos próximos anos. As tão propagadas “mudanças” não vieram e os donos da CBF optaram mais uma vez por uma comissão técnica medíocre baseada apenas em conveniências políticas. No entanto, acredito que, independente de quem estiver no comando, não veremos outra derrota tão acachapante quanto essa sofrida pelo time campeão da Alemanha e que entrou para a história das Copas do Mundo.

  10. Fantástico o texto. Descreveu bem o que foi aquele jogo e o que foi o Brasil e a Alemanha nessa Copa de 2014.

    Além disso, para quem diz que alemão só faz gol de cabeça, nenhum dos sete gols foram de cabeça. E só um gol (o primeiro) foi de jogada aérea. Os outros seis gols foram de toques rápidos e bola no chão.

  11. Sim, eu também sou da opinião de que o futebol alemão é muito organizado, científico e com um razoável índice técnico, embora não tão virtuoso e malabarista como, por exemplo, o Brasil de 1970 nem com a exuberante técnica de precisão de passe da Espanha de 2010. Para mim, a melhor seleção alemã de todos os tempos foi a do Europeu de 1972.
    Penso que, atualmente, já não existe aquela dicotomia que havia, outrora, entre a Escola sul-americana de técnica apuradíssima, com futebol de passe curto, à flor da relva e a Escola Inglesa de passe longo, de grande preparação atlética e futebol aéreo de insistentes cruzamentos.

    1. Augusto, eu é que peço desculpas por demorar tanto a responder, acabo entrando em outros sites de notícias esportivas e sem querer me esqueço deste rsrsrsrs’. Eu concordo com você, inclusive, boa análise das equipes brasileiras de 58, 62 e 70. A verdade é que hoje o poder aquisitivo dos clubes europeus é muito superior ao nosso, fica mesmo difícil manter os talentos aqui, diferentemente do que ocorria nos anos 70, 80 e 90, é também mais vistoso ao atleta disputar uma Liga dos Campeões da UEFA ao invés do nosso fraco Brasileirão e da horrorosa Copa Libertadores da América, nunca vi um torneio tão desorganizado como este por parte da CONMEBOL; o que nos resta primeiramente é retornar com a qualidade técnica para os gramados sul-americanos, pelo menos assim manteríamos os craques aqui por mais tempo e formaríamos torneios continentais mais interessantes de se assistir, como a própria Libertadores e quem sabe a Copa Sul-Americana, neste caso, para o atleta seria interessante disputar um Campeonato Brasileiro forte, enfrentando três ou quatro equipes de técnica apurada, e saindo do país, enfrentando equipes como Boca Juniors, River Plate, Peñarol, enfim. A curto prazo seria o jeito até quem sabe um dia conseguirmos desfrutar da formosa organização e administração da UEFA.

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  14. Caro Richard, começo por pedir desculpa pelo facto de, só há momentos, ter lido o Seu comentário já de 26 de Dezembro. Quase diariamente consulto este site e tinha-me passado despercebido.
    Muito obrigado pelo elogio que fez à minha análise e agradeço imenso a explicação que o Richard me facultou acerca da não otimização do rendimento dos jovens jogadores brasileiros para a Seleção Principal do Brasil.Será esse aproveitamento do investimento na formação de base que urge fazer para melhor espelhar a valia do futebol brasileiro.
    Eu penso que o futebol brasileiro, até 2006 e, sobretudo, nos Mundiais de 1958, 1962, 1970, 1982, foi visto como o paradigma da beleza técnica, do futebol-arte, do malabarismo, do virtuosismo, das triangulações, das tabelas, etc. Desses Mundiais referidos, somente os jogadores Dirceu e Falcão do Mundial de 1982 jogavam na Europa, o que prova que o futebol brasileiro tem valor intrínseco. Acho interessantíssimo o exemplo da equipa de 1970 pelo facto de envolver craques de vários clubes brasileiros. Vejamos, do meio-campo para a frente: Clodoaldo- Santos; Gerson- S.Paulo; Rivelino-Corinthians; Jairzinho- Botafogo; Pelé- Santos; Tostão- Cruzeiro e ainda havia, na retaguarda, Félix-fluminense; Brito- Flamengo Everaldo- Grémio. É considerada a melhor equipa da história do futebol e o 4ºgolo de Carlos Alberto, na final contra a Itália, o melhor golo de jogada coletiva de todos os tempos. Não sei até que medida esta será uma ideia romântica mas, em todo o caso, reflete a imagem de fascínio pelo futebol brasileiro.
    Em relação à Taça Intercontinental, penso que, em geral, as equipas sul-americanas dominaram, sobretudo na década de 1960 e, salvo erro, entre 1977 e 1984 para além das datas e dos clubes que o Richard refere. Na década de 60, (sobretudo 62 e 63)o Santos foi a melhor equipa do mundo, com um ataque arrasador.
    Comungo da opinião de que, atualmente, existe, efetivamente, um colossal abismo técnico entre o futebol sul-americano e o europeu mas, especialmente, a nível de clubes. Penso que, a partir de uma certa altura, mesmo na Taça Intercontinental, os confrontos já não espelhavam fielmente a diferença de valor entre o futebol dos dois continentes. E porquê? Porque os clubes europeus têm nas suas fileiras muitos dos melhores futebolistas sul-americanos. Mesmo, por exemplo, o Benfica tem jogado ultimamente quase sempre com jogadores da América do Sul, particularmente, brasileiros e argentinos. Penso que a lei Bosman foi um exagero ao permitir uma situação destas que descarateriza e tira a identidade futebolística aos clubes, refiro-me, por exemplo, aos portugueses.
    O Richard referiu a copa de 2006. Penso que a seleção brasileira poderia ter vencido esse Mundial. Foi pena, por exemplo, Ronaldinho Gaúcho não ter sido igual a si próprio pois esteve bastante aquém das suas soberbas potencialidades não conseguindo exibir a sua técnica de veludo, os seus livres, os seus pontapés de bicicleta.
    E é tudo! Penso que é uma pena as leis de mercado dominarem o futebol.
    Foi um prazer esta troca de ideias! Mais uma vez, obrigado pelo comentário e análise.

  15. Richard, muito obrigado pela atenção! De novo, fui apanhado desprevenido! Quase todos os dias, consulto o site e, inadvertidamente, tenho sempre a tendência de ver se há intervenções novas apenas no fundo do écran. Não contava com o comentário do Richard, que estava mais acima. Só há momentos, me apercebi. Concordo inteiramente com a análise e com as esperanças formuladas.
    Em síntese, penso que o caminho do renascer do esplendor do futebol brasileiro será a afirmação identitária e genuína do perfume da técnica brasileira e não qualquer tentação de europeização. Técnica na velocidade e velocidade na técnica! Sem pretender dar a ideia de uma obsessão, ao jeito da magnífica seleção de 1982.
    De novo, um prazer este intercâmbio de opiniões.

    1. Concordo com você Augusto, uma tentativa exasperada de europeização não funcionaria mesmo, precisamos de qualidade técnica e tática, mas claro, o Brasil precisa aprender a organizar os seus torneios, e se inspirar em campeonatos como a Bundesliga e a J-League, que desfrutam de uma ótima administração e organização. Mas por enquanto, fica a nossa torcida por melhoras e que o futebol brasileiro volte a ser como era antes, mágico e respeitado por todos. Forte abraço!

  16. Análise perfeita, o que não dá pra entender é gente defendendo os envolvidos nesse jogo pífio, gente falando que David Luiz é zagueiro, o que não entendo é um cara como o Thiago Silva que fez dupla de zaga com o Nesta fazer o penalti que ele fez contra o Paraguai, eu sei que ele não tava no 7×1 mas ele é o segundo simbolo dessa geração o primeiro é o Neymar.

  17. No meu ponto de vista, a calamidade dos 7-1 terá sido, essencialmente, fruto de um descalabro emocional e de uma contingência do futebol. Quem se terá salvo desse “naufrágio”? Júlio César? Maicon? … Tratou-se de um desnorte generalizado, não só da linha defensiva como também dos outros setores.
    David Luís não será propriamente um modelo de defesa central, concordo. Foi francamente infeliz nesse jogo mas não parece assim tão mau defesa. Fez um extraordinário corte na final da Taça das Confederações e marcou um estupendo golo contra a Colômbia, no Mundial. Penso, no entanto, que a seleção brasileira pode apresentar melhores defesas centrais.
    Quanto a Tiago Silva, não esteve realmente bem no penalti contra o Paraguai mas toda a seleção não demonstrou capacidade de reação a esse lance. Tiago Silva, que, salvo erro, jogou contra a Holanda para o terceiro lugar, também não conseguiu evitar a derrota por 0-3. Há muita coisa relativa no futebol. Não é uma ciência exata.
    Tenhamos esperança em melhores dias para o futebol brasileiro e saboreemos a autêntica obra de arte que foi o golo do Brasil na final de sub-20, que prova que existe boa matéria-prima para sucessos futuros.

  18. meu pai disse que os times brasileiros como corinthians,são paulo,palmeiras,flamengo etc se jogassem contra a alemanha perdiam de goleada mas não de 7 x 1.e contra o brasil os times brasileiros ganhavam do brasil sem neymar se até o paraguai eliminou o brasil seria.

    corinthians 3 x 0

    -são paulo 2 x 0

    -palmeiras 2 x 1

    -santos 3 x 1

    -até flamengo 1 x 0

    -o galo o gremio o inter o vasco zueira mas se perdesse pro vasco o dunga tem que ser demetido

  19. O futebol brasileiro parou no tempo, perdeu o bonde da história e também a moral. Muito dificilmente voltará a vencer uma Copa do Mundo e, ouso dizer mais, corre sério risco de ficar de fora de uma Copa pela primeira vez, e não demorará muito. O nível dos campeonatos regionais já é um indicador da estagnação crônica por que passa o nosso futebol. Não há renovaçao no pensamento dos dirigentes, somente para dizer o mínimo. Jogadores deixam o Brasil para jogar no exterior antes mesmo de serem conhecidos ou mesmo ídolos por aqui. A globalização tem seus efeitos nefastos, e esse, no caso do futebol dos países subdesenvolvidos, é apenas um deles. O triunfo da Alemanha no Brasil, primeiro de uma seleção europeia em terras americanas, marca a hegemonia progressiva do endinheirado futebol daquele continente que, mesmo em crise econômica, ainda consegue exercer domínio sobre centros menos abastados, também vivendo a crise, que é de alcance internacional.

    1. Também penso que, pelo menos a curto prazo, muito dificilmente o futebol brasileiro voltará a vencer um Campeonato do Mundo. Lembremos que isso não será inédito se tivermos em consideração que já esteve 24 anos sem o vencer apesar da prodigiosa equipa de 1982. Estas questões não são lineares. Recordemos também que entre o bicampeonato (1962) e o tricampeonato (1970), o Brasil não passou da 1ªfase (1966) apesar de contar com Pelé, que foi massacrado pelos defesas de Portugal e Hungria. Em 1974 e 1978, o futebol apresentado pela seleção brasileira, nos primeiros jogos, foi bastante irregular(em 1974, 0-0 nos dois primeiros jogos, contra Escócia e Jugoslávia). Lembremos também que o Brasil já correu alguns riscos de não se apurar. Se não me engano, aconteceu no apuramento para o Mundial de 2002, que acabou por vencer, em contraste com a seleção da Argentina, que era considerada favorita e nem sequer passou a primeira fase.
      Na atualidade, o que é mais relevante, nesta crise do futebol brasileiro, é o facto de não conseguir supremacia sobre o geral das seleções sul-americanas, já não falando da Argentina.
      Quais serão as razões subjacentes a esta realidade?
      Em minha ótica, a seleção brasileira já não conta há uns tempos com avançados ou pontas de lança da qualidade de Romário, Ronaldo e Rivaldo; com médios como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho; com defesas como Ricardo Gomes, Aldair, Márcio Santos e Roberto Carlos. Para além disso, há outro aspeto importante: o futebol brasileiro já não possui o seu toque de bola tecnicista e malabarista, que distinguia a sua escola de futebol. Nesse parâmetro, já não se superioriza às principais seleções europeias: Espanha, Alemanha, Itália, Holanda e mesmo Portugal. Outro fator será também significativo: o êxodo de imensos jogadores brasileiros para a Europa desde muito cedo. Isto traduz-se em prejuízo de identidade, genuinidade e estabilidade do futebol brasileiro. Se é verdade que o Brasil já venceu 5 Mundiais de sub-20, em que os jogadores ainda estavam no Brasil, o mais provável seria que, a nível de seniores, isso também acontecesse se os jogadores continuassem no Brasil. A dispersão por diversos clubes europeus traduz-se por perdas de coesão e de entrosamento quando vão para os treinos da seleção.
      Uma época do futebol brasileiro deve ser referida para servir como modelo: Mundial de 1970: Após o desaire de 1966, já aludido acima, houve reflexão, preparação intensiva e uma vitória estrondosa. Houve Pelé? Também tinha havido em 1966! Um espírito semelhante deve imperar no presente: após o desaire de 2014, haja reflexão, determinação, preparação intensiva para uma vitória em 2018.Isto está em contradição com o que foi dito em cima? Em parte, está mas, embora seja improvável, deverá haver esperança se esse caminho for seguido.

  20. Infelizmente não vejo na atual geração de jogadores brasileiros da atualidade um espírito de competição. O que vejo são indivíduos focados em si mesmos, em suas próprias carreiras, mais preocupados com suas autoimagens do que com qualquer outra coisa. Vivemos um período de destruição do futebol brasileiro, com causas intrínsecas (o êxodo em busca da realização profissional em centros mais abastados) e extrínsecas (os reflexos negativos da globalização do futebol). Há falta de preparo emocional e senso de equipe. O problema não é novo. Por que, por exemplo, ajeitar meias dentro da área quando uma bola perigosa é jogada com real perigo de gol, o que afinal acabou acontecendo? E ainda por cima a arrogante justificativa posterior de que “aquela não é a minha área de autuação”? É demais! Jamais um jogador da clássica seleção holandesa de 1974, por exemplo, em tempo algum, cometeria tamanho sacrilégio! Simplesmente porque eles não guardam posições! Considero este o pior exemplo que um jogador de futebol pode transmitir para gerações futuras. Mais nobre teria sido admitir o erro, mas a preocupação com a autoimagem gera o fenômeno da autoblindagem num momento como aquele. Quem também deu um chutão de qualquer maneira para escanteio que acarretou um gol da França na final de 1998? Considero personalidades fortes aquelas como a de Zito, Nilton Santos (este jamais teria ajeitado sua meia num momento crítico), Gérson, Carlos Alberto e outros vitoriosos de educação formada com princípios e valores de verdade. Vivemos a época da perda de referências. É mesmo muito triste. Está na hora de privilegiarmos outros esportes, pois o futebol remunera a peso de ouro muita gente que não necessariamente merece tanto prestígio. Não há mais critérios que permitam distinguir o que realmente é bom do que realmente não é bom. E isso ocorre também na hora de escolher o que lemos, o que ouvimos, o que assistimos, todo tipo de informação que a mídia nos joga goela abaixo, os que irão nos representar, enfim, o nível caiu e nosso grau de exigência é muito baixo. Algo precisa ser urgentemente revisto.

  21. Como diz em seu livro André Midani, profissional do mercado fonográfico brasileiro, “vivemos um tempo em que a fama precede o talento, em que a obra é mais importante que seu criador”. Hoje, com alguns milhares de acessos, seguidores, curiosos ou outra coisa que o valha, qualquer um vira “celebridade”. Agora, verificar se esse um é realmente talentoso, isso é outra história. Da mesma forma, músicas de qualidade duvidosa são jogadas incessantemente pela mídia a um público (?) que as consome sem exercer qualquer filtro crítico. Não mais importa quem compôs a música, e sim o consumo imediato, o que torna a obra praticamente descartável. Antigamente reconhecia-se o valor de uma obra pela chancela de seu autor. Hoje não mais importa quem é o pai da criança. Estão todos anestesiados. No futebol também tem sido assim. Perdeu-se o senso crítico e, pior de tudo, o autocrítico.

  22. Excelentes reflexões, caro Ricardo! Vivemos numa sociedade onde prevalece uma crise ou mesmo inversão de valores.Toda a esfera artística, cultural e desportiva deve servir para nos formar e desalienar e não para nos adormecer. O valor da qualidade deveria ter primazia sobre a euforia e alienação do consumismo. O juízo crítico contribui para a nossa liberdade e autonomia.
    Concretamente em relação ao futebol, ele libertar-nos-á tanto mais quanto mais arte e técnica tiver e estimulará a nossa sensibilidade estética. Que a técnica e arte regressem ao futebol como nas seleções brasileiras de 1970 e 1982! A boa música também é arte sublime. Admiro a doçura da música brasileira, por exemplo, Roberto Carlos, Taiguara Xalar da Silve e Gal Costa, a sentimentalidade da música dos Andes, a natureza vibrante do cantor chilenoVitor Jara e, no meu país a profundidade da música de Zeca Afonso.
    Como gosto muito de futebol-arte, tenho esperança que os talentosos jogadores brasileiros regressem aos relvados!

  23. Acho que o problema é da geração atual de jovens. Existe uma lacuna imensa entre os que nasceram a partir dos anos 1980, 1985 mais ou menos, e os que nasceram antes, ou seja, os pais daqueles jovens. Não vejo razão, sinceramente, para tanto choro diante de insucessos. Lothar Matthäus acertou em cheio quando denunciou esta característica de comportamento de nossos jovens. Será que derramar lágrimas sensibiliza e atenua a crítica que será recebida? Para mim, jamais! Nasci em 1963, e não sofri um único trauma decorrente de palhaçadas que hoje são chamadas empoladamente de bullying, politicamente correto etc. Esses jovens cresceram muito mal-acostumados e cercados de carinho e cuidados em excesso vindos da geração de pais bananas. Como pai, não me enquadro nessa categoria, graças a Deus, pois recusava-me (e ainda me recuso) a ter filhos diante de tal realidade. Perdeu-se a medida daquele mote de criação “eu quero que meus filhos tenham aquilo que não tive”. Neymar, bem no iniciozinho, havia mandado o pai tomar naquele lugar. Impensável para alguém da minha geração! O saudoso Cazuza também fez o mesmo com sua mãe, três décadas antes. Não há mais lugar para o disciplinador, seja pai ou técnico de qualquer equipe, até porque os interesses das grandes empresas envolvidas acaba prevalecendo sobre a autoridade de quem comanda. O último disciplinador que tivemos na seleção foi Telê Santana, basta lembrar o episódio na lateral direita na equipe de 1986, em que três jogadores foram convocados para a posição em pouquíssimo lapso de tempo! O respeito à autoridade, na via inversa, acabou! Uma das pouquíssimas (senão únicas) coisas deixadas pela última ditadura militar (lembrem-se, esta não foi a única!) foi o respeito à ordem, à autoridade, às instituições e aos valores transmitidos de geração a geração. Infelizmente, ao longo da história, seja na política, nas artes, no pensamento e em todos os movimentos culturais, a nova corrente nega totalmente o que a anterior deixou. Não se faz uma revisão do que ficou e que pode ser aproveitado. Isso gera um processo de desconstrução cíclica, imprimindo uma falsa noção de progresso. No caso do futebol, é coisa para HOMEM, embora admire muito o futebol feminino. Mas quando o negócio for para HOMEM, sejamos HOMENS! É como uma guerra, que coloca semelhantes coisas e valores em jogo. O próprio HOMEM do século XXI precisa urgentemente ser repensado, pois a queda de qualidade é vertiginosa, sem qualquer sinal aí de homofobia. Simplesmente acho que está havendo uma mistura de padrões e expectativas de comportamento social, o que gera confusão no momento de educar, e acarreta o surgimento de identidades nebulosas no indivíduo produto final. Como nosso principal e eterno problema é educação, com o agravante de sermos um país ainda relutante em emergir, não vejo com otimismo algum nosso futuro para as próximas décadas. Ainda vai levar um tempo para que tenhamos algo com contornos mais definidos em termos de identidade, atitude e respeito. Até lá, talvez eu não esteja mais vivo para testemunhar.

    1. Passado quase dois anos dessa derrota vexatória e infelizmente poucas mudanças ocorreram. Cada vez mais os jogadores saem do Brasil, nem sempre rumo a Europa, mas a outros mercados como China e Oriente Médio e muitos sem ao menos estarem formados, ganhando um caminhão de dinheiro. A volta de Dunga ao comando pra mim, foi de forma errônea, visto que Tite, atual técnico do Corinthians fosse o melhor nome para assumir o cargo naquele momento. Estamos as vésperas de uma Copa América centenária, na qual o Brasil não tem um padrão de jogo desenvolvido e fica cada vez mais difícil termos esperanças. A Neymar dependência está cada vez maior, ainda mais que colocaram a faixa de capitão num jogador que não tem total equilíbrio emocional pra liderar o gripo. A ameaça de ficar fora da próxima Copa (2018), está ficando cada vez mais forte e se nada for mexido a seleçaõ vai ter que assistir esse evento de casa, pela primeira vez em sua história, o que superaria esse vexame de 7 a 1.

  24. Boa Tarde
    Esse 7 a 1 da Alemanha, poderia ter sido 11 a 0, se a seleção alemã quisesse, isso mostrou que o futebol brasileiro, precisa de reciclagem, a demissão de Dunga em 2010, ao ver foi errônea, a derrota para a Holanda, foi erro de arbitragem, gol mal anulado de Robinho e um pênalti mal marcado em cima de Kaká, os jogadores da Holanda, pressionavam muito a árbitro. Teria tido o mesmo tempo que o técnico da Alemanha, a demissão em 2016, no retorno de Dunga, não deu tempo para mostrar que ele seria o técnico ideal da seleção. Provavelmente teria sido medalha de ouro no Rio 2016. Devido o nível das seleções muito fraco. Haja visto que a fraquíssima Honduras foi semifinalista. Foi um jogo treino para a final. Assim como foi para os alemães. A entrada de Tite pode ser ou não a solução.

  25. Com o elevado respeito que tenho pela profissão de treinador como por qualquer outra atividade profissional desde que exercidas com honra, com dignidade, com deontologia e ética, sinto uma enorme dificuldade em avaliar o mérito e a qualidade de qualquer treinador de futebol, individualmente.
    Está fora de questão que os treinadores são necessários e imprescindíveis, por mais razões que não houvesse, na responsabilidade de escalarem a equipa que vai jogar porque, imaginando que fossem os jogadores em autogestão, qual deles não preferiria jogar? Não poderiam ser totalmente objetivos porque seriam parte interessada. Portanto, os treinadores são necessários. Porém, como distinguir um de outro? Qual é o melhor? Sinceramente, não sei tecer juízos de valor a este respeito. E porquê? Eu penso que, acima de qualquer mérito ou valor intrínseco, os treinadores são sobretudo o fruto das conjunturas. Se a conjuntura é favorável, terão resultados favoráveis e vice-versa. Por que razão? Porque há diversas variáveis, contingências, vicissitudes, mesmo caráter aleatório que os homens do leme neste navio complexo que são as equipas de futebol, não conseguem controlar.
    Esta minha opinião (não é nenhuma tese!) pode ser corroborada por vários exemplos: Felipe Scolari foi campeão do mundo pelo Brasil em 2002, quando esta seleção estava longe de ser uma das favoritas e acaba por ser o timoneiro de uma formação que registou o maior vexame da seleção brasileira(estes 1-7 com a Alemanha). Voltando ao Mundial de 2002, Scolari foi o terceiro treinador escolhido. Antes dele, tinham sido preferidos Wanderley Luxemburgo( se não me engano) e Emerson Leão.
    Zagalo foi o treinador de uma das melhores equipas de futebol da história (Brasil de 1970) mas já não conseguiu repetir a proeza em 1974, sem Pelé, Tostão, Gerson, Clodoaldo… . Neste Mundial de 1974, O Brasil evidenciou um futebol sem grande criatividade nem fôlego.
    Jupp Heynckes, treinador alemão que dirigia a equipa do Benfica, que levou 7-0 do Celta de Vigo e acabou por ser despedido, foi o mesmo que,orientou a excelente equipa do Bayern de Munique, que, em 2012/2013, eliminou a conceituada equipa de futebol do Barcelona com 4-0 em casa e 3-0 em Nou Camp. Muitos outros exemplos abundariam, mas correria o risco de me tornar maçador e monocórdico se é que já não o corri.

    De qualquer maneira, genuínas e sinceras felicidades para Tite e para o Brasil a caminho de 2018, na Rússia, para recuperar o Mundial perdido na América do Sul.

  26. Tenho certeza , com Tite no comando seremos campeões dá copa de 2018 , temos hj um técnico inteligente que sabe usar cada peça que tem no seu plantel… Vamos Brasil rumo ao hexa

  27. A certeza, não tenho. Nutro uma grande esperança! Devemos ter em mente, no entanto, a natureza contingente e imprevisível do futebol, onde a lógica nem sempre impera.
    Obviamente, torço por Portugal, em primeiro lugar. Em segundo lugar, incondicionalmente pelo Brasil.

  28. Muito obrigado, Giovanni, pela generosidade do elogio!
    Acho fascinante este intercâmbio de opiniões, com respeito, com ética e com ideias!

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