Esquadrão Imortal – Bayern München 1998-2003

Grandes feitos: Campeão Mundial Interclubes (2001), Campeão da Liga dos Campeões da UEFA (2000-2001), Tetracampeão Alemão (1998-1999, 1999-2000, 2000-2001 e 2002-2003), Bicampeão da Copa da Alemanha (1999-2000 e 2002-2003) e Tricampeão da Copa da Liga Alemã (1998, 1999 e 2000). Encerrou um jejum de 25 anos sem títulos na Liga dos Campeões.

Time-base: Oliver Kahn; Thomas Linke (Robert Kovac), Lothar Matthäus (Patrik Andersson) e Samuel Kuffour; Markus Babbel (Willy Sagnol), Stefan Effenberg (Torsten Fink / Zé Roberto), Jens Jeremies (Owen Hargreaves / Niko Kovac / Schweinsteiger) e Bixente Lizarazu (Michael Tarnat); Mario Basler (Mehmet Scholl / Michael Ballack), Élber (Carsten Jancker / Paulo Sérgio) e Alexander Zickler (Salihamidžić / Roque Santa Cruz / Claudio Pizarro). Técnico: Ottmar Hitzfeld.

 

“Os Bávaros da volta por cima”

Camp Nou, 26 de maio de 1999. Eram 45 minutos do segundo tempo. Depois de 23 anos de jejum, o Bayern conquistava sua quarta Liga dos Campeões da UEFA. Os bávaros cantavam ali, em Barcelona, e por toda Munique. Era a coroação do trabalho bem feito de Ottmar Hitzfeld e de todo o elenco, em especial Lothar Matthäus, que teria a honra de levantar, enfim, uma Liga dos Campeões. Mas, aos 46’, o Manchester United empatou. Dois minutos depois, num repeteco do primeiro gol, Solskjaer virou. Dois gols em dois minutos, virada e fim do tetra. Inconformados, os jogadores do Bayern tiveram as mais diversas reações possíveis. Uns deitaram no chão. Outros, choraram copiosamente. Alguns sentaram e abaixaram a cabeça. Em décadas de competição, nunca havia acontecido aquilo na Europa. Foi um choque para os alemães em uma das finais mais impressionantes que o futebol já viu (leia mais clicando aqui). Como um clube poderia se reerguer depois daquilo? Como alcançar uma nova final de uma competição tão difícil e árdua como aquela? Só sendo muito estruturado, ter muita base psicológica, e, claro, futebol de qualidade. Pois aquele Bayern conseguiu. Com praticamente o mesmo elenco e com o mesmo técnico, o time alemão voltou a uma decisão europeia dois anos depois e acabou com um jejum de 25 anos, um dos maiores entre os grandes clubes do continente na competição à época. Com um sistema defensivo sólido, ataque consistente e entrosado e um técnico experiente e vencedor, o Bayern conseguiu ser protagonista em tempos de esquadrões difíceis de se enfrentar, um Real Madrid começando a ser Galáctico e clubes emergentes cheios de dinheiro e craques. A volta por cima foi digna e tipicamente alemã. Afinal, eles são peritos em começar o tudo do nada. É hora de relembrar.

 

A chave está no rival

Ottmar Hitzfeld com a taça da Liga dos Campeões de 1997.

 

Em 1998, o Bayern estava “mordido”. Clube mais vitorioso de seu país, os bávaros tiveram que engolir a ascensão e sucesso do rival Borussia Dortmund naquela segunda metade da década de 90. Os aurinegros venceram, além de títulos nacionais, uma Liga dos Campeões da UEFA e um Mundial Interclubes, feitos históricos baseados no talento de jogadores como Heinrich, Sammer, Kohler, Reuter, Möller, Lambert entre outros (leia mais clicando aqui). Mas, além deles, uma pessoa chamava a atenção pela capacidade de liderança e inteligência tática: o técnico Ottmar Hitzfeld, mentor daquele time e responsável por transformar o Borussia no melhor time da Europa e do mundo em 1997. Com isso, o Bayern não hesitou em contratar o treinador já em 1998 a fim de encerrar um incômodo jejum de mais de duas décadas sem títulos na principal competição europeia. A última glória bávara na Liga havia sido lá nos anos 70, com o inesquecível esquadrão comandado por Beckenbauer. Falando nele, foi também o kaiser quem comandou o time em sua última taça europeia, mas como técnico: a Copa da UEFA de 1995-1996, vencida sobre o Bordeaux-FRA. Remanescentes daquela conquista, o goleiro Oliver Kahn, o lateral Babbel, o polivalente Matthäus e o meia Mehmet Scholl integravam o plantel do Bayern quando o técnico Hitzfeld chegou em Munique e seriam a base para o treinador começar uma nova era na carreira. E batalhar para colocar fim ao jejum do time, afinal, dos grandes clubes europeus, o Bayern era um dos que ostentava o maior jejum na Liga.

Para reforçar o elenco, a diretoria do clube contratou o bósnio Salihamidžić e os alemães Jeremies, Effenberg e Linke, que aumentaram ainda mais as opções para o técnico Hitzfeld, que tinha à sua disposição um vasto elenco com nomes como Lizarazu (excepcional lateral-esquerdo), Tarnat, Kuffour, Jancker, Basler e o brasileiro Giovane Élber. Hitzfeld trabalharia, assim como em seu Borussia multivencedor, num sólido sistema defensivo que teria no líbero Matthäus e no excepcional e frio goleiro Oliver Kahn os pontos fortes. Matthäus jogava de forma mais livre, comandando as ações do time e com liberdade para atacar, uma característica forte do craque, que esbanjava técnica e versatilidade. O meio de campo e o ataque teriam como virtudes o erro mínimo e a eficiência da dupla Jeremies/Effenberg, no meio, e Jancker, Élber, Zickler e Basler, no ataque. Effenberg era o “criador”, muito técnico, com um chute poderoso, determinado, um líder. Jeremies era o incansável, rápido, roubador de bolas. E os atacantes tinham em comum o oportunismo, a visão de jogo e a ótima colocação para colocar a bola dentro do gol depois do trabalho árduo do pessoal de trás. Enfim, era um timaço, um dos melhores da Europa e do mundo na época. Classificado para a disputa da segunda fase de qualificação da Liga dos Campeões de 1998-1999 e com bons nomes, o Bayern poderia almejar grandes voos na temporada de estreia do técnico Hitzfeld. E a fanática torcida bávara tinha certeza que o sucesso não tardaria em vir.

 

A retomada da coroa em casa

Jancker disputa a bola com Alfred Nijhuis, do Borussia, na temporada 1998-1999. (Foto: Marcus Brandt/Bongarts/Getty Images).

 

O Bayern começou a temporada vencendo a Copa da Liga Alemã após passar pelo Bayer Leverkusen, na semifinal (1 a 0), e derrotar o Stuttgart, na final, com uma goleada de 4 a 0 com três gols de Élber no primeiro tempo e um de Jancker no finalzinho do jogo. Foi um ótimo presságio do que estava por vir. Na Bundesliga, a equipe emendou seis vitórias consecutivas e ficou as nove rodadas iniciais sem perder até ser derrotado pelo Eintracht Frankfurt por 1 a 0, fora de casa. O técnico Hitzfeld fazia vários testes com seu vasto elenco e conseguia construir mais de um bom time titular para disputar o campeonato nacional, a copa nacional e a Liga dos Campeões.

Até a 18ª rodada da Bundesliga, os bávaros conseguiram 14 vitórias, dois empates e apenas duas derrotas. A defesa se mostrava o ponto forte do time com poucos gols sofridos e por ter permanecido da 17ª até a 23ª rodada sem levar gols durante a sequência de sete vitórias seguidas, a maior do time naquela competição. Com vitórias cruciais sobre os principais concorrentes ao título – triunfos por 2 a 0 e 2 a 1 sobre o Bayer Leverkusen, 4 a 0 no Kaiserslautern e empate em 2 a 2 com o Borussia, goleadas – 6 a 1 e 4 a 0 no Hansa Rostock, 5 a 3 no Hamburgo e 4 a 2 no Borussia Mönchengladbach, o Bayern foi soberano do início ao fim e sagrou-se campeão alemão com uma das maiores margens de pontos sobre o vice-campeão: 15 pontos. O time venceu 24 jogos, empatou seis e perdeu quatro, marcando 76 gols (melhor ataque) e sofrendo 28 (melhor defesa). Giovane Élber e Carsten Jancker foram os artilheiros do time com 13 gols cada, seguidos de Stefan Effenberg, com oito, e Alexander Zickler, com sete. Com entrosamento, ótimo volume de jogo e capaz de jogar bem tanto dentro quanto fora de casa, aquele Bayern demonstrava muita confiança e força. Hitzfeld superava as expectativas com rápidos frutos e ótimas perspectivas. Será que a Liga dos Campeões era um sonho possível?

 

Rumo à Barcelona

Luis Enrique, do Barça, e Lizarazu, do Bayern.

 

Antes de entrar na fase de grupos, o Bayern teve que passar pelo FK Obilic, da Sérvia. Após uma vitória por 4 a 0, em casa, e empate em 1 a 1, fora, o time se juntou ao Brondby-DIN, Manchester United-ING (guarde bem esse time…) e Barcelona-ESP. A estreia não foi nada boa: derrota por 2 a 1 para os dinamarqueses, fora de casa. Em seguida, o empate em 2 a 2 com o Manchester, em Munique, ligou o sinal de alerta, já que se classificavam para as quartas de final apenas os primeiros de cada um dos seis grupos mais os dois melhores segundos colocados. De novo em casa, o time venceu a primeira: 1 a 0 sobre o Barcelona, com gol de Effenberg. No returno do grupo, o Bayern mostrou força e venceu os catalães em pleno Camp Nou por 2 a 1, de virada, com gols de Zickler e Salihamidžić. No duelo seguinte, vitória por 2 a 1 sobre o Brondby, e, no duelo derradeiro da fase de grupos, o empate em 1 a 1 com o Manchester, na Inglaterra, deu o primeiro lugar ao Bayern, que terminou com 11 pontos (um a mais do que os ingleses), eliminando o Barcelona, que acabou em terceiro, com apenas oito.

Élber (à dir.) observa a bola no empate em 2 a 2 com o Manchester.

 

Nas quartas, os alemães tiveram pela frente os compatriotas do Kaiserslautern, do meia Michael Ballack. Na ida, em Munique, Élber e Effenberg fizeram os gols da vitória por 2 a 0. Na volta, no Fritz Walter Stadion, o Bayern atropelou: 4 a 0, com gols de Effenberg, Jancker, Basler e Rösler (contra). A ótima atuação encheu o time bávaro de moral para a semifinal, na qual teve pela frente o perigoso Dynamo de Kiev, comandado pelo lendário treinador Valeri Lobanovskyi e pelo craque Shevchenko em campo. Os ucranianos haviam despachado o Real Madrid – campeão da edição anterior do torneio – e vinham muito fortes. No primeiro jogo, em Kiev, Shevchenko fez dois gols no primeiro tempo, mas Tarnat diminuiu. Na segunda etapa, Kosovskyi ampliou, mas o Bayern foi valente e chegou ao empate com Effenberg e Jancker, este com um gol aos 44’. Na volta, com 60 mil pessoas no Olympiastadion, em Munique, o Bayern fez 1 a 0 com Basler, se segurou, e conseguiu a classificação para a grande final. Seria mais uma chance do clube em busca do tetra da competição. Desde 1976, quando foi tricampeão, a equipe só colecionava frustrações no torneio. Em 1982, perdeu a final para o surpreendente Aston Villa-ING. Em 1987, para o Porto-POR. Em 1999, a torcida tinha certeza na conquista pelo tanto que jogava aquele time. O adversário e o campo de jogo seriam velhos conhecidos lá da fase de grupos: o Manchester United e o Camp Nou.

 

“A mãe de todas as derrotas”

O time na final de 1999 – Em pé: Effenberg, Jancker, Babbel, Zickler e Linke. Agachados: Jeremies, Tarnat, Kuffour, Kahn, Basler e Matthäus. Mesmo assim, não deu.

 

No dia 26 de maio de 1999, mais de 90 mil pessoas lotaram o Camp Nou para a grande decisão da Liga dos Campeões. Seria um jogo sem favoritos e onde tudo poderia acontecer. De um lado, o ótimo e jovem time do Manchester, comandado com maestria por Alex Ferguson e cheio de bons jogadores como Schmeichel, Stam, Beckham, Giggs, Yorke e Cole. Do outro, um coeso e equilibrado Bayern, que, mesmo desfalcado de Lizarazu e Élber – que tinha operado o joelho, tinha peças de reposição à altura e contava com a força e entrosamento de seu elenco, além da experiência de Matthäus no miolo da zaga e do meio de campo comandado por Effenberg e Jeremies. Enfim, seria um jogaço. E foi. Na verdade, um jogo histórico que entraria para livros e documentários sobre futebol. O Bayern, logo aos seis minutos, abriu o placar em cobrança de falta de Basler – o jogador foi o artilheiro do clube alemão com quatro gols na Liga. Depois disso, o time bávaro teve inúmeras chances de ampliar, meteu duas bolas na trave no segundo tempo, mas a bola teimava em não entrar. Foi então que, aos 46’, quando o Bayern e sua torcida já esperavam soltar o grito de campeão entalado há mais de duas décadas na garganta, o Manchester teve um escanteio perigoso a seu favor. Após a cobrança, Sheringham empatou para o Manchester. Haveria prorrogação? Não. Aos 48’, Solskjaer virou. Manchester 2×1 Bayern. E fim de jogo (leia mais clicando aqui).

 

O sonho caía por terra. Ou melhor, se esparramava sob o gramado do Camp Nou. Desolados, os jogadores do Bayern simplesmente não acreditavam no que tinha acontecido. Um título ganho perdido em dois dolorosos minutos. Foi, como o próprio Bayern destaca em seu site, a “Mother of all defeats” (a mãe de todas as derrotas) de sua história. Anos depois, o clube teria uma derrota terrível em sua própria casa pela mesma Liga dos Campeões, mas as circunstâncias daquele jogo de 1999 superam o revés de 2012. O time vencia até os 46’. Jogava bem. Tinha chutado duas bolas na trave. Seria o fim do jejum de mais de duas décadas, a consagração de vários jogadores e a chance derradeira para Matthäus levantar a mais cobiçada taça de clubes do mundo. Enfim, seria. Não foi. Élber, que assistiu ao jogo das tribunas, teve uma história curiosa sobre aquela partida. Antes do fim da partida, ele e Lizarazu foram chamados pelo presidente da UEFA à época, Lennart Johansson, para descer ao gramado. No caminho das tribunas até o campo, tudo mudou…

 

“O presidente da Uefa na época olhou para mim e para o Lizarazu e disse: ‘vamos descer porque vocês são os campeões’. E quando a gente estava descendo, saindo da tribuna para chegar ao campo, aconteceram os dois gols do Manchester. Eu nem vi os gols, fui ver muito tempo depois. A gente estava ganhando a Liga dos Campeões até o minuto 90 do segundo tempo, estava 1 a 0 para gente. Aí, quando levantou a placa, o juiz careca, aquele italiano (Pierluigi Collina), deu mais três minutos de acréscimos, o Manchester United fez dois gols, e eles acabaram conquistando a taça em cima da gente. Foi uma sensação horrível. Desci da tribuna campeão e cheguei no campo vice, foi exatamente isso”. – Giovane Élber, em entrevista ao UOL Esporte, 08 de abril de 2016.

Dias depois, o Bayern, ainda abalado, perdeu a final da Copa da Alemanha nos pênaltis para o Werder Bremen. Era o fim de uma temporada que começou ótima, teve um ápice doce no meio e terminou de maneira amarga e dramática. Mas, em clube grande, não existe tempo para refletir nem respirar. Era hora de pensar na temporada 1999-2000.

O time de 1998-1999: três defensores, meio de campo forte e ataque eficiente.

 

Hora de recomeçar – com taças, de preferência!

Após o fim de uma temporada trágica, a diretoria bávara percebeu que o trabalho feito pelo técnico Hitzfeld havia sido muito bom e manteve boa parte do elenco em busca do fim do jejum. Cinco jogadores deixaram o clube no decorrer da temporada: o iraniano Ali Daei e os alemães Thomas Helmer, Berkant Götkan, Mario Basler e Lothar Matthäus, este de maneira conturbada por exigir 500 mil euros do clube e até acioná-lo judicialmente por causa disso. Mesmo com o Bayern oferecendo um jogo de despedida cheio de astros, Matthäus não cedeu. No fim, recebeu apenas 7,5 mil euros e a antipatia de um clube que defendeu em boa parte da carreira.

Paulo Sérgio e Élber: brasileiros ajudaram o Bayern a manter a hegemonia em casa na temporada 1999-2000.

 

Quanto aos reforços de destaque, o Bayern trouxe o já veterano atacante brasileiro Paulo Sérgio, o jovem atacante paraguaio de 17 anos Roque Santa Cruz e o zagueiro sueco Patrik Andersson. O primeiro teste do “novo” time foi a Copa da Liga Alemã, vencida sobre o Werder Bremen após triunfo por 2 a 1 na final – gols de Paulo Sérgio e Tarnat. Parecia um repeteco da temporada anterior, quando o Bayern também embalou para ótimos resultados nos meses seguintes antes da final europeia. Com a chegada de Paulo Sérgio, Hitzfeld ganhou mais força ofensiva e continuou a mesclar bem seus jogadores a fim de poder disputar todas as competições. Na Bundesliga, o time começou empatando em 2 a 2 com o Hamburgo, em casa, e com derrota por 2 a 0 para o Bayer, fora, que seria o grande rival do time na luta pelo caneco nacional. Após os dois tropeços iniciais, o time venceu três seguidas, mas caiu em casa diante do Stuttgart e empatou com o Schalke em 1 a 1 fora de casa. Os tropeços iniciais já deixavam o técnico Hitzfeld cismado e a torcida mais ainda. Mas o time emendou cinco vitórias seguidas, e, após derrota para o 1860 München, teve uma boa sequência de nove jogos sem derrotas. Nessa série, os destaques foram as goleadas de 4 a 1 sobre o Bayer Leverkusen, Duisburg e Eintracht e ótimas atuações do ataque, principalmente de Zickler e Paulo Sérgio.

Nas rodadas finais, o time tropeçou apenas na 30ª rodada, de novo contra o 1860 München (derrota por 2 a 1), mas venceu os três jogos seguintes e a decisão ficou para a última rodada. Nela, o Bayern venceu o Werder Bremen em casa por 3 a 1, com dois gols de Jancker e um de Paulo Sérgio, e faturou o bicampeonato graças ao número de vitórias (22 a 21) e ao tropeço do Bayer para o Unterhaching, já que os times ficaram empatados com 73 pontos. Élber, com 14 gols, e Paulo Sérgio, com 13, foram os artilheiros do time na competição.

Embalado, o Bayern não deu trégua para os rivais domésticos e faturou, também, a taça que faltou na temporada anterior em casa: a Copa da Alemanha. Após eliminar Meppen, Waldhof Mannheim, Mainz e Hansa Rostock, a equipe se vingou do Werder Bremen, algoz de 1999, e venceu por 3 a 0, gols de Élber, Paulo Sérgio e Scholl, num jogo que Hitzfeld colocou um time super ofensivo com os brasileiros no ataque mais Jancker e Salihamidžić e a dupla infalível Jeremies e Effenberg no meio. Em casa, o Bayern encerrava a temporada com todos os títulos ganhos. Mas ainda tinha a Europa.

 

Dessa vez não foi “La Bestia Negra”

Na Liga dos Campeões de 1999-2000, o Bayern demorou a engrenar. Na primeira fase de grupos, a equipe venceu o PSV-HOL, na estreia, por 2 a 1, mas empatou três jogos seguidos em 1 a 1 contra Rangers-ESC e Valencia-ESP – este duas vezes. No quinto duelo, perdeu para os holandeses por 2 a 1 e jogou sua vida contra o Rangers, na última rodada. Com um gol salvador de Strunz, os bávaros se classificaram a duras penas em segundo lugar, com nove pontos.

Na fase seguinte, também de grupos, a equipe teria pela frente Real Madrid-ESP, Dynamo de Kiev-UCR e Rosenborg-NOR. E, após empatar em 1 a 1 com os noruegueses fora de casa, o time voou. Primeiro, fez 2 a 1 no Dynamo, em Munique, com gols de Jancker e Paulo Sérgio. Depois, foi até Madrid e goleou o Real por 4 a 2, com gols de Scholl, Effenberg, Fink e Paulo Sérgio. Na quarta rodada, novo show sobre os espanhóis, dessa vez na Alemanha, por 4 a 1 (gols de Scholl, Élber e dois de Zickler). Com a classificação em primeiro lugar assegurada, o time bávaro se deu ao luxo de perder para o Dynamo, fora, por 2 a 0 e se garantiu nas quartas. O adversário seria o velho conhecido Porto-POR. E o Bayern teve uma doce classificação após empatar em 1 a 1 em Portugal e vencer na Alemanha por 2 a 1, com gols de Paulo Sérgio e Linke.

Na semifinal, o Real Madrid. Tradicionalmente, os alemães levavam vantagem sobre os espanhóis e eram conhecidos como “las bestias negras” do clube madrileno. Mas, naquela vez, quem se deu melhor foi o Real. Na ida, em Madrid, vitória merengue por 2 a 0. Na volta, Jancker abriu o placar, mas Anelka empatou. Élber colocou o Bayern em vantagem no começo do segundo tempo, mas o Real se segurou e garantiu a vaga na final, da qual ele sairia campeão. O tetra teria que esperar mais um pouco.

 

Bons presságios

Salihamidzic celebra, com Paulo Sérgio ao fundo. (Foto: Sebastian Schupfner/Bongarts/Getty Images).

 

Após duas temporadas de taças e decepções, o Bayern começou a de 2000-2001 determinado a corrigir os erros, manter a coroa em casa e alcançar a decisão da Liga dos Campeões. Embora tenha perdido Markus Babbel, que foi para o Liverpool-ING, a equipe trouxe como destaque o francês Willy Sagnol e promoveu das categorias de base o meio-campista Owen Hargreaves. Sem perder as estrelas do ataque e da defesa, o Bayern seguia forte e cada vez mais entrosado. O técnico Hitzfeld, mesmo com seu jeito “general”, tinha o grupo nas mãos e era muito respeitado. No começo da temporada, fez os testes habituais e viu seu Bayern vencer um torneio amistoso após superar dois rivais complicados – o Galatasaray de Hagi (leia mais aqui) e o algoz Manchester United, ambos vencidos por 3 a 1 na Opel Master Cup. Na Copa da Liga Alemã, o Bayern venceu mais uma vez dando show: fez 4 a 1 no Kaiserslautern (gols de Jancker, Scholl, Wiesinger e Santa Cruz) e massacrou o Hertha Berlim por 5 a 1 (três gols de Zickler, um de Jancker e outro de Eyjólfur, contra).

Ao contrário das duas temporadas anteriores, o time bávaro iria se concentrar em apenas duas competições depois de ser eliminado precocemente da Copa da Alemanha, ao perder para o Magdeburg logo na segunda fase, livrando o time de compromissos bem na reta final do Campeonato Alemão e da Liga dos Campeões. No final das contas, deixar a competição foi um bom negócio para o time de Munique.

 

Tricampeões com emoção!

O gol histórico de Andersson: tri!

 

No campeonato nacional, o Bayern fez um caminho curioso ao longo de sua campanha. Ao invés de ganhar pontos fáceis contra os times fracos, acabou faturando mais contra os grandes e perdendo para os da parte de baixo da tabela. O time era capaz de golear Hertha Berlim (4 a 1, logo na estreia), bater o rival 1860 München duas vezes (3 a 1 e 2 a 0), mas perder pontos para times como Energie Cottbus (derrota por 1 a 0, fora), Hansa Rostock (duas derrotas, 1 a 0 e 3 a 2) e para os rebaixados Eintracht Frankfurt (derrota por 2 a 1, em casa) e Unterhaching (derrota por 1 a 0, fora). Em compensação, os bávaros aplicaram uma goleada inesquecível de 6 a 2 sobre o Borussia Dortmund (dois gols de Salihamidžić, dois de Scholl, um de Paulo Sérgio e um de Élber), venceram o Bayer Leverkusen por 2 a 0, em casa, e por 1 a 0, fora, e Hamburgo (2 a 1, em casa), além de emendarem uma sequência de seis vitórias e dois empates no final do primeiro turno e, após o revés para o Schalke 04, na 29ª rodada, vencer quatro seguidas e chegar à liderança na penúltima rodada após o time de Gelsenkirchen perder para o Stuttgart por 1 a 0.

Na última rodada, a Bundesliga viu muita, mas muita emoção. O Schalke encarou o Unterhaching e vencia por 5 a 3 enquanto o Bayern empatava sem gols com o Hamburgo, fora de casa. A combinação de resultados dava o título para os bávaros, mas, aos 45’ do segundo tempo, o Hamburgo abriu o placar. Instantaneamente, os jogadores do Schalke começaram a comemorar em seu campo o título, com torcida no gramado e muita festa. Em Hamburgo, os do Bayern lamentavam perder mais um título nos minutos finais. Que carma maldito era aquele? Torcedores choravam nas arquibancadas. No banco, desolação total. Era inacreditável. Mas, aos 49’, o juiz deu um recuo intencional do zagueiro do time da casa e marcou tiro livre indireto para o Bayern. O Hamburgo colocou praticamente todos os jogadores na frente do gol. Como seria possível passar a bola no meio daquela gente toda? Mas o Bayern acreditava. Até Kahn foi para a área tentar alguma coisa. Quando o juiz apitou, a bola foi rolada para o zagueiro Andersson encher o pé. E, inacreditavelmente, a bola foi morrer dentro do gol. Explosão da torcida de Munique! Festa em campo e no banco de reservas. Nas tribunas do estádio, Beckenbauer, presidente do clube à época, também não se conteve em alegria. Do outro lado, em Gelsenkirchen, os que antes comemoravam trocaram as doces lágrimas de alegria pelas amargas do choro. Realmente, o futebol é imprevisível, indescritível e imponderável. Aquele Bayern podia muito bem assinar embaixo. Parecia que o drama de 1999 estava sendo exorcizado.

O título entrou para a história do clube como um dos mais celebrados e suados de todos. Foram 19 vitórias (uma a mais que o vice-campeão), seis empates e nove derrotas, com 62 gols marcados e 37 sofridos. Mais uma vez o brasileiro Élber foi o artilheiro do time com 15 gols, seguido de Jancker, com 12. Era mais um tricampeonato da Bundesliga para a coleção dos bávaros. E um estímulo mais do que especial para o compromisso que eles teriam quatro dias depois, em Milão-ITA. Adivinhe… Uma nova final de Liga dos Campeões, que você vai saber agora como eles conseguiram alcançar.

Effenberg levanta a suada Bundesliga de 2001.

 

Acerto de contas

Élber passa por Michel Salgado e Hierro: brasileiro deu show nas semis.

 

Durante a dura caminhada no Campeonato Alemão, o Bayern teve a Liga dos Campeões. E ela foi bem complicada. Na primeira fase de grupos, o time superou Paris Saint-Germain-FRA, Rosenborg-NOR e Helsingborg-SUE com uma vitória sobre cada rival, dois empates e apenas uma derrota (para o PSG, em Paris, por 1 a 0), terminando na primeira colocação, com 11 pontos. Na segunda fase de grupos, o time teve pela frente Arsenal-ING, Spartak Moscou-RUS e Lyon-FRA. No turno, vitória sobre o Lyon (1 a 0, em casa), empate em 2 a 2 com o Arsenal, em Londres, e vitória por 1 a 0 sobre o Spartak, em casa. No returno, triunfo sobre os russos, fora, por 3 a 0, derrota para os franceses por 3 a 0, fora, e vitória por 1 a 0 sobre o Arsenal, em casa. Classificação assegurada, de novo na liderança, dessa vez com 13 pontos.

Nas quartas de final, eis que o destino colocou no caminho bávaro o Manchester United, ainda com boa parte do time de 1999. Era a chance do acerto de contas com o carrasco do trauma que ainda não tinha cicatrizado. No primeiro jogo, em Old Trafford, o Bayern foi soberano, diminuiu os espaços do campo com seu 3-4-3, teve mais chances de gol e foi premiado no segundo tempo, quando Paulo Sérgio fez o gol da vitória por 1 a 0, aos 41’. Com a vantagem, o time foi para Munique disposto a dar de presente para sua fanática torcida (foram 60 mil pessoas ao belíssimo Olympiastadion) a classificação diante dos algozes do passado. E deu. Élber, logo aos cinco, fez 1 a 0. Na segunda etapa, Giggs empatou e fez gelar a espinha de todos. Mas, aos 39’, uma obra-prima selou a vitória por 2 a 1. No meio de campo, Jeremies, com velocidade e habilidade, passou por dois rivais, avançou e cruzou rasteiro em direção à grande área. Nela, Zickler ajeitou para Scholl, que chutou sem chances para o goleiro Barthez. Foi uma vitória marcante que aliviou demais o torcedor e embalou o time para a semifinal.

No último desafio antes da decisão, o Bayern encarou outro algoz: o Real Madrid, que havia eliminado os bávaros exatamente na semifinal da temporada anterior. Em Madrid, o Bayern voltou a ser “La Bestia Negra” e derrotou os campeões europeus por 1 a 0, gol de Élber. Na volta, Élber, de novo, abriu o placar para os bávaros aos oito minutos e confirmou a eficiência do “abafa” que o time sempre aplicava nos primeiros minutos em seus jogos em casa. O Real empatou com Figo, aos 18’, mas Jeremies, após cobrança de falta ensaiada, fez 2 a 1, aos 35’, e deu a vitória e a vaga na final ao Bayern. Enfim, o time alemão tinha a chance de voltar a brigar por um título que ele não via há 25 longos anos. Desde 1976 que a “Velhinha Orelhuda” não tinha o FC Bayern München gravada em seu corpo. Com o aprendizado de temporadas anteriores, experiência e muito, mas muito sangue frio, aquele time tinha certeza do título. Mas seria preciso derrotar o forte Valencia-ESP (leia mais clicando aqui).

 

Drama, suor e Kahn: o fim do jejum de 25 anos

No dia 23 de maio de 2001, 79 mil pessoas lotaram a “Ópera del Calcio”, no San Siro, em Milão (ITA), para ver duas equipes que buscavam se redimir de decepções recentes. De um lado, o Valencia-ESP, vice-campeão da temporada anterior após perder a primeira final “espanhola” da Liga dos Campeões para o Real Madrid por acachapantes 3 a 0. O time de Héctor Cúper queria a taça e a consagração máxima para jogadores como Cañizares, Ayala, Mendieta, Aymar e companhia. Do outro, o Bayern, derrotado tragicamente em 1999, desfalcado de Jeremies, lesionado (o novato Hargreaves, de apenas 19 anos, entrou em seu lugar), mas com o moral lá em cima, afinal, quatro dias antes, o time havia vencido o tricampeonato alemão “daquele” jeito como você leu lá em cima. Com todos esses ingredientes e tanto “apetite”, o jogo não poderia ser de outro jeito: tenso, disputado, acirrado. Logo aos três minutos, pênalti para o Valencia. Mendieta bateu bem e fez: 1 a 0. O torcedor do Bayern gelou. Mas sorriu quando, quatro minutos depois, Effenberg foi derrubado na área. Pênalti! Mas logo a alegria virou pânico quando Scholl chutou e Cañizares defendeu com as pernas. O Bayern, no entanto, não se abateu. Ficou com a bola sob seu domínio – o time teve 64% de posse! – e encurralou o Valencia em seu campo. O novato Hargreaves superava as expectativas e fazia uma ótima partida no lugar de Jeremies com bons passes, versatilidade e boa visão de jogo.

Effenberg celebra: Bayern vivo na final!

 

Até que, aos cinco do segundo tempo, o time alemão começou a ver sua sorte virar. Carboni colocou a mão na bola após disputa com Jancker e o árbitro marcou outro pênalti para o Bayern. Na cobrança, o leão Effenberg. E o meio-campista marcou: 1 a 1. Alívio na Baviera! O jogo permaneceu com o placar intacto mesmo com o Bayern dominando as ações. O time teve dez escanteios a seu favor, chutou 19 vezes ao gol – dez a mais que o Valencia – e mandou na final. Após o apito do árbitro e do tempo extra, o jogo foi para os pênaltis. Mais drama. Logo no primeiro chute, Paulo Sérgio perdeu. Os batedores seguintes converteram suas cobranças até que, no terceiro chute do Valencia, Kahn defendeu o pênalti de Zahovic. Na sequência, Andersson, herói do título nacional, chutou e Cañizares defendeu. Haja coração para o torcedor alemão! Foi então que Carboni chutou e acertou a trave. No último chute do Bayern, Effenberg marcou, bem como Baraja para os espanhóis.

 

Era hora das cobranças alternadas. Lizarazu e Kily González fizeram por seus times. Linke anotou para o Bayern. Foi então que Pellegrino partiu para sua cobrança. Kahn, ávido, estava concentrado. Se ele defendesse, acabaria a disputa e seu Bayern sairia da fila. Pellegrino correu, bateu e Kahn defendeu magistralmente. Saí, zica! Enfim, o time alemão conquistava o tetracampeonato europeu. A emoção tomou conta de todos. A alegria dos jogadores, o choro de todos em campo, no banco e nas arquibancadas foi comovente. Imagine ver seu time sair de uma fila de duas décadas e meia e após passar o que passou dois anos antes? Foi emocionante até para quem não torcia pelos bávaros. Effenberg, capitão do time, era um dos mais emocionados e teve a honra de erguer o troféu, passado de mão em mão, incluindo as de Oliver Kahn, que confirmava viver sua melhor fase na carreira, além de ter sido eleito o melhor em campo. A campanha dos bávaros foi incontestável: 12 vitórias, três empates e duas derrotas em 17 jogos, com 24 gols marcados e 12 sofridos. Élber foi o vice-artilheiro com seis gols, atrás apenas de Raúl, com sete. O atacante, inclusive, falou sobre aquela final.

 

“A gente viu que tinha condições de chegar de novo na final e viu que nunca se deve desistir numa partida de futebol. A mentalidade alemã já é essa, nunca desistir. Não é fácil você chegar numa final, e, quando chegamos em 2001, nós falamos: ‘olha, agora a gente tem que ganhar. Agora é a hora, não dá para perder, não!'”. Élber, em entrevista ao UOL Esporte, 08 de abril de 2016.

 

Após o jogo, Kahn consolou o goleiro Cañizares.

 

Era o prêmio para um time coeso, forte, equilibrado e, acima de tudo, aguerrido, que jamais desistiu de seu objetivo. Naquele dia, nunca o torcedor bávaro dormiu tão bem e tão tranquilo. Ele estava no topo da Europa.

O Bayern de 2001 era forte, tinha laterais talentosos, controlava as ações no meio e tinha muita eficiência no ataque.

 

Donos do mundo

Kuffour fuzila: Bayern bicampeão mundial!

 

Para a temporada 2001-2002, o Bayern trouxe os irmãos croatas Robert Kovac (zagueiro) e Niko Kovac (meio-campista) e o atacante peruano Claudio Pizarro. Entre as baixas, o zagueiro Patrik Andersson, que deixou o clube para jogar no Barcelona-ESP. Ainda de ressaca, o time não começou a temporada bem e caiu na Copa da Liga Alemã já nas semifinais, além de perder a final da Supercopa da UEFA para o Liverpool-ING por 3 a 2. Na Bundesliga, derrota na estreia por 1 a 0 para o Borussia Mönchengladbach, mas sequência de nove vitórias seguidas a partir da 4ª rodada. A boa vida só terminou em novembro, com o revés diante do Werder Bremen. Naquele mesmo mês, o time viajou para o Japão para a disputa do Mundial Interclubes contra o Boca Juniors-ARG de Carlos Bianchi (leia mais clicando aqui), campeão mundial no ano anterior ao derrotar o Real Madrid. Os alemães sabiam do perigo que era o jogo dos argentinos, mas foram precavidos para o duelo com boa proteção à frente da zaga (Fink, Hargreaves e Niko Kovac) e três homens na frente (Paulo Sérgio, Élber e Pizarro). O Boca, claro, tentou usar o contra-golpe como arma, mas foi dominado pelo Bayern, que teve 62% de posse de bola, chutou 21 vezes contra seis dos argentinos e teve oito escanteios contra nenhum do Boca. A soberania se deu muito por causa da expulsão do atacante Delgado, do Boca, logo no final do primeiro tempo. Após um interminável 0 a 0 no tempo normal, o Bayern chegou ao título com um gol de Kuffour, aos 4’ do segundo tempo da prorrogação. O time faturou seu segundo Mundial na história – o primeiro foi em 1976, contra o Cruzeiro-BRA, e confirmou ser mesmo o melhor esquadrão do planeta na época.

Kahn levanta a taça no Japão. (Foto: Alexander Hassenstein/Bongarts/Getty Images).

 

Últimos louros

Michael Ballack, principal reforço para a temporada 2002-2003 (KEYSTONE/AP Photo/Martin Meissner).

 

No fim da temporada 2001-2002, o Bayern acabou longe de títulos em casa e terminou apenas na terceira posição a Bundesliga, além de ter caído na semifinal da Copa da Alemanha e nas quartas da Liga dos Campeões – acredite, em mais um confronto contra o Real Madrid! Depois de anos de dominação, o time passou uma temporada inteira sem levantar taças dentro de casa. Já para a temporada 2002-2003, a equipe começou a passar por uma grande transição. O clube contratou o brasileiro Zé Roberto e o meio-campista Michael Ballack já pensando em substitutos para Effenberg e Jeremies. Além deles, foram promovidos das categorias de base Bastian Schweinsteiger (ele jogou alguns jogos na temporada 2002-2003) e Phillip Lahm (só teria chances mais para frente), que virariam ídolos no futuro. Em compensação, jogadores emblemáticos deixaram a equipe naquela época: Paulo Sérgio, Carsten Jancker e Stefan Effenberg, além de outros pouco utilizados no elenco. A mudança no meio com Ballack e Zé Roberto deu mais agilidade e criatividade ao time, que saiu da “ressaca” e voltou a jogar muito bem. Com toques ágeis, jogadas plásticas e movimentação, o time parecia que ia voltar a levantar taças. E realmente levantou.

Na pré-temporada, o Bayern venceu o Troféu Santiago Bernabéu (competição amistosa), batendo Milan-ITA (2 a 1) e Real Madrid-ESP (2 a 1, com um gol do estreante Ballack). Na Copa da Liga Alemã, o time caiu na fase preliminar com derrota para o Hertha Berlim, nos pênaltis, mas deu a volta por cima nas principais competições nacionais. Na Copa da Alemanha, superou Werder Bremen II (3 a 0), Hannover (2 a 1), Schalke 04 (0 a 0 e 5 a 4 nos pênaltis), estraçalhou o Köln (8 a 0, com três gols de Élber, dois de Schweinsteiger, um de Hargreaves, um de Zé Roberto e outro de Sagnol), Bayer (3 a 1) e venceu o Kaiserslautern na decisão por 3 a 1 (dois gols de Ballack e um de Pizarro).

Élber e Zé Roberto fazem a festa em 2003.

 

Mas o show maior ficou para a Bundesliga. Com uma força parecida com a aplicada durante a campanha do título de 1998-1999, o time bávaro não deu chances para os rivais e retomou a coroa com incríveis 16 pontos de vantagem sobre o vice-campeão, o Stuttgart – 75 a 59. Foram 23 vitórias, seis empates e cinco derrotas, com 70 gols marcados (melhor ataque) e apenas 25 sofridos (melhor defesa). Depois de muito tentar, enfim, Élber foi o artilheiro do campeonato com 21 gols marcados e foi o primeiro do clube no topo da artilharia da competição desde Roland Wohlfarth, em 1991, que também havia marcado 21 gols. Claudio Pizarro foi outro artilheiro bávaro de destaque com 15 gols anotados. Nas primeiras 11 rodadas o time perdeu apenas dois jogos. E, da 12ª até a 27ª, não conheceu derrotas – foram 12 vitórias e quatro empates. Um dos maiores destaques dessa jornada invicta foi a vitória por 3 a 0 fora de casa sobre o Stuttgart, com dois gols de Santa Cruz e um de Zickler. Na reta final, já campeão, o time emendou mais quatro vitórias seguidas (2 a 0 no Wolfsburg, 1 a 0 no Kaiserslautern, 6 a 3 no Hertha Berlim e 2 a 1 no Stuttgart) e encerrou o torneio com derrota para o Schalke, fora de casa, por 1 a 0.

Embora a temporada tenha terminado com dois títulos e muitos elogios, os bávaros amargaram uma decepção enorme na Liga dos Campeões ao cair na fase de grupos depois de duas finais, uma semifinal e uma quartas de final nas últimas temporadas. Com as contratações que havia feito e o forte elenco – para se ter uma ideia, dez jogadores do time estiveram na Copa do Mundo de 2002 – os franceses Lizarazu e Sagnol, o paraguaio Roque Santa Cruz, os alemães Kahn, Linke, Jancker e Jeremies, o inglês Hargreaves e os croatas Niko e Robert Kovac (isso sem contar Ballack, que, no Mundial, ainda era do Bayer Leverkusen) – muitos pensaram que o time iria longe na competição, mas acabou em último lugar e sem vencer um jogo sequer (quatro derrotas e dois empates) em um grupo com Milan-ITA, Deportivo La Coruña-ESP e Lens-FRA. Foi um verdadeiro vexame e uma das piores campanhas do clube na história do torneio. Para piorar, o time perdeu a invencibilidade de 31 jogos em casa (que começou lá na temporada 1997-1998) em torneios internacionais na derrota por 3 a 2 para o Deportivo. Mesmo assim, o Bayern terminou a temporada com mais de 60% de aproveitamento de pontos nos 49 jogos que disputou – 30 vitórias, dez empates e nove derrotas, com 106 gols marcados e 44 sofridos.

No time de 2003, Hitzfeld deixou de lado o esquema com três zagueiros e fez a equipe jogar com mais homens à frente do meio de campo. Resultado: mais gols e títulos.

 

À espera do Treble

Após anos como protagonista e hegemônico, o Bayern caiu de produção e teve que reformular o elenco para voltar a ser temido na Europa e no Mundo. Na temporada 2003-2004, os bávaros passaram em branco e Ottmar Hitzfeld deixou o comando do time já em 2004. Em 2005, os bávaros mudaram de casa com a inauguração da Allianz Arena, que simbolizou uma nova era do clube, focada na emancipação da marca e de programas de sócio-torcedor. Porém, os frutos só seriam colhidos no começo da segunda década, quando o time voltou a se recuperar de dois baques continentais terríveis para vencer um inédito Treble e ser o melhor do mundo, como o Imortais relembrou aqui.

O fato é que o Bayern 1998-2003 entrou para a história como um dos times mais fortes de sua época e um exemplo notável de superação. Perder uma final do jeito que eles perderam e dar a volta por cima foi algo inesquecível e bonito de se ver. De quebra, venceram quase todos os títulos possíveis e estraçalharam o jejum de 25 anos sem títulos na principal competição de clubes do mundo. Durante seis anos, o torcedor sofreu, mas sorriu como há muito tempo não sorria. Tais alegrias ajudaram a moldar uma nova geração de torcedores que aprenderam a vibrar pelo gigante alemão, sem dúvida, um exemplo inquestionável de como reconstruir o destruído. Um esquadrão imortal.

 

Os personagens:

Oliver Kahn: o Bayern sempre teve ótimos goleiros, e com Oliver Kahn não foi diferente. Frio, ágil, seguro, o craque viveu a melhor fase da carreira justamente naquela época de ouro do clube. Mesmo com bons defensores à sua frente, Kahn fez defesas fantásticas e foi o melhor do mundo na posição durante vários anos. Após a Copa de 2002, caiu de produção, mas seguiu intacto na meta bávara. Leia mais sobre ele clicando aqui.

Thomas Linke: duro na marcação, no desarme e ótimo nas jogadas aéreas, o zagueiro foi um dos principais nomes do sistema defensivo do time na época e jogou no Bayern de 1998 até 2005. Em seu começo no clube, foi contestado e muitos duvidavam que ele conseguiria manter a posição de titular. Com bom futebol e atuações sólidas, calou a todos e colecionou taças com a camisa bávara – foram 14 troféus. Pela seleção, Linke disputou 43 jogos e esteve na Copa de 2002 com a seleção alemã.

Robert Kovac: outro bom zagueiro bávaro no período, tinha facilidade para desarmar os rivais e se posicionava bem na área. Brilhou no Bayer Leverkusen até se transferir para Munique, em 2001. Ficou até 2005 e conseguiu ser titular em várias ocasiões. Pela seleção croata, disputou 84 jogos entre 1999 e 2009.

Lothar Matthäus: uma das maiores lendas da história do futebol alemão, Matthäus teve duas passagens pelo Bayern, uma nos anos 80 e outra nos anos 90. Na segunda, cravou seu nome como ídolo e com seu futebol eficiente que tanto ajudou na sua consagração como um craque. No entanto, o camisa 10 saiu pela porta dos fundos do clube por cobrar uma dívida na justiça de 500 mil euros em 2000, quando deixou o Bayern após 12 anos. A maior decepção, sem dúvida, foi ter sido vice da Liga dos Campeões em suas duas passagens por lá: em 1987 e 1999. Leia mais sobre ele clicando aqui.

Patrik Andersson: o defensor marcou seu nome na história do clube graças ao gol anotado no último minuto que valeu o título alemão de 2001, contra o Hamburgo. Além disso, fez boas partidas e foi titular em grande parte do período no qual esteve em Munique – de 1999 até 2001. Após seis taças, foi jogar no Barcelona. Pela seleção sueca, disputou quase 100 jogos e marcou quatro gols.

Samuel Kuffour: jogou de 1993 até 2005 no Bayern e se consagrou como ídolo e um dos maiores jogadores africanos de sua época, um feito notável no futebol alemão. Forte e com ótimo senso de colocação, o ganês disputou mais de 250 jogos com a camisa bávara e colecionou 16 troféus. Por sua seleção, disputou 59 jogos e esteve na Copa do Mundo de 2006. Em 2007, foi eleito pela Confederação Africana de Futebol um dos 30 maiores jogadores africanos de todos os tempos.

Markus Babbel: cria do Bayern, o lateral-direito e defensor jogou um período no Hamburgo até retornar à Munique, em 1994, ficando no clube até 2000. No período, disputou mais de 160 jogos e foi titular em grande parte das conquistas do time, sendo uma importante peça no sistema defensivo do técnico Hitzfeld.

Willy Sagnol: chegou em 2000 para suprir a ausência de Babbel e se consagrou como um dos melhores laterais-direitos da história do clube. Ótimo na marcação e no apoio ao ataque, Sagnol se destacava, também, pela precisão nos cruzamentos e por ter a capacidade de atuar quase como um ponta pela direita caso fosse necessário. Jogou no Bayern até 2009, faturou 11 títulos e disputou mais de 200 jogos com a camisa bávara.

Stefan Effenberg: foi o coração do Bayern naquela era de ouro e sinônimo de uma geração que superou as adversidades para chegar ao topo do mundo. Líder nato, técnico, dono de um chute poderoso, incrível habilidade nos passes, visão de jogo formidável e forte fisicamente, Effenberg foi ídolo e um símbolo que entrou para a história do Bayern. No meio de campo, controlava as ações como poucos e fez uma dupla inesquecível ao lado de Jeremies. Jogou no clube de 1990 até 1992 e de 1998 até 2002. Foram 160 jogos e 35 gols com a camisa bávara, além de 35 jogos e cinco gols com a camisa da Alemanha. Ottmar Hitzfeld tinha o jogador como um exemplo e declarou certa vez que “Effenberg liderava o time e muitos dos jogadores ganhavam vida com ele por perto”. E ganhavam mesmo!

Torsten Fink: o meio-campista jogou de 1997 até 2003 no time e foi uma das boas opções do técnico Hitzfeld para o meio de campo. Não foi titular absoluto, mas fez boas partidas quando exigido, principalmente entre 1997 e 2000, seu melhor período em Munique e época na qual foi titular em dezenas de jogos.  

Zé Roberto: chegou num período de transição do clube e acabou sem as taças históricas de 2001. Mesmo assim, deu dinamismo ao meio de campo da equipe com sua habitual classe e velocidade. Ao lado de Ballack, foi crucial para o título alemão de 2002-2003 ao disputar 31 dos 34 jogos da equipe. Ficou até 2006, foi emprestado ao Santos, e voltou em 2007, ficando até 2009 em Munique.

Jens Jeremies: especialista em desarmar rivais e com um fôlego invejável, foi outro jogador importantíssimo para aquela era de ouro do Bayern. Titular absoluto no meio de campo, fez uma simbiose notável com Effenberg e era um dos mais queridos da torcida. Jogou de 1998 até 2006 em Munique e levantou 16 troféus, além de disputar mais de 200 jogos com a camisa bávara. Em suas duas últimas temporadas, sofreu com problemas no joelho e teve que pendurar as chuteiras com apenas 32 anos. Pela seleção, disputou 55 jogos e marcou um gol.

Owen Hargreaves: meio-campista incansável e bom na marcação, começou nas categorias de base do clube, em 1997, e chegou ao time titular bem jovem, em 2000, ficando até 2007. Teve uma prova de fogo ao ser escalado para a final da Liga dos Campeões de 2001 e surpreendeu a todos com um ótimo futebol e muita personalidade com apenas 19 anos. A partir dali, virou titular em vários jogos e uma das importantes peças do técnico Hitzfeld. Após seu período em Munique, acabou caindo de produção quando se transferiu para o Manchester United, sofreu com várias lesões até encerrar a carreira em 2012.

Niko Kovac: com bons passes e eficiência no desarme, chamou a atenção do Bayern, que o contratou, juntamente com seu irmão, em 2001. Teve algumas chances com titular, mas não foi absoluto por causa da concorrência com outros nomes no meio de campo do time. Deixou o clube em 2003 para jogar no Hertha Berlim.

Schweinsteiger: cria do Bayern, viu dos juniores todo aquele período de altos e baixos até ser integrado aos profissionais em 2002. Disputou apenas 14 jogos na Bundesliga, mas chamou a atenção com seu futebol eficiente e técnico. Com o passar dos anos, virou titular e se consagrou como um dos maiores do clube. Jogou no Bayern de 2002 até 2015 e venceu 18 títulos.

Michael Tarnat: chegou em 1997 no clube e conseguiu, diversas vezes, colocar o francês Lizarazu no banco graças ao seu talento pelo setor esquerdo e por poder jogar, também, como volante. Muito eficiente no apoio ao ataque e na marcação, foi um dos melhores laterais da época. Entre 1997 e 2000, viveu sua melhor fase com partidas memoráveis. Em 2003, foi jogar no Manchester City. Pela seleção alemã, disputou 19 jogos.

Bixente Lizarazu: com apenas 1,69m de altura, Lizarazu compensava a baixa estatura para um defensor com muita técnica, ótima impulsão, cruzamentos impecáveis, apoio maciço ao ataque e talento que o transformaram num dos maiores laterais-esquerdos do futebol mundial. Após algumas contusões em seu início no Bayern, nas temporadas 1997-1998 e 1998-1999, o craque assumiu a lateral de vez a partir da temporada 1999-2000 e foi um dos destaques do time até 2004, quando deixou o clube por alguns meses até voltar em 2005 e se aposentar no Bayern em 2006, época em que vestia a camisa 69 por ter nascido em 1969, medir 1,69m e pesar 69kg, segundo palavras do próprio. Disputou 182 jogos na Bundesliga e venceu 16 títulos pelos bávaros. Pela seleção francesa, venceu tudo, incluindo uma Copa do Mundo, em 1998, e uma Eurocopa, em 2000, ambas como titular absoluto. Foram 97 jogos e dois gols com a camisa azul. Foi um grande ídolo em Munique.

Mario Basler: criativo e extremamente perigoso nas bolas paradas (chegando a marcar dois gols olímpicos na carreira), Mario Basler foi um notável ponta-direita do futebol alemão e uma das estrelas do Bayern que ganhou a Bundesliga de 1998-1999 e quase faturou a Liga dos Campeões daquela temporada. Aliás, foi com um gol dele, de falta, que o time vencia o Manchester até os 46′ do segundo tempo naquela fatídica decisão. Habilidoso, entortava os rivais com muita categoria e construía boas jogadas de ataque para si e para os companheiros. Basler jogou em Munique de 1996 até 1999 e faturou seis taças. Embora tivesse talento, não gostava de treinar, fumava muito, bebia e era descrito pelo presidente do clube à época, Franz Beckenbauer, como “incorrigível”. O próprio Basler admitiu, em 2001, que poderia ter conquistado mais títulos se tivesse mais empenho. Pela Alemanha, disputou 30 jogos, marcou dois gols e faturou a Eurocopa de 1996.

Mehmet Scholl: outro ídolo da torcida e um dos recordistas em jogos pelo Bayern – foram 469 jogos e 117 gols, é o décimo que mais vestiu a camisa bávara – o meia, que podia atuar como segundo atacante e também como ponta-direita, era ágil, inteligente e muito útil na construção de jogadas de ataque, além de marcar vários gols. Jogou de 1992 até 2007 no clube e levantou 21 troféus, sendo um dos mais bem-sucedidos jogadores alemães na história. Pela seleção alemã, disputou 36 jogos e marcou oito gols. Após se aposentar pelo clube, disse, com, bom humor: “o Bayern foi meu maior sucesso. Eu passei 15 temporadas nesse clube sem ser engolido nesse tanque de tubarões”.

Michael Ballack: após anos de sucesso no Kaiserslautern e Bayer Leverkusen, Ballack precisava ter o Bayern em seu currículo. E teve. O talentoso meia chegou em 2002 e, logo de cara, marcou gols decisivos que ajudaram o time a faturar duas taças nacionais na temporada 2002-2003. Forte, com ótimo passe, boa visão de jogo e dono de um chute poderoso, o jogador foi um dos maiores de sua época e uma estrela mundial. Ficou até 2006 na equipe, marcou mais de 50 gols, mas não conseguiu disputar uma final de Liga dos Campeões, competição que ele nunca teve sorte – perdeu o título na final de 2002, pelo Bayer, contra o Real Madrid, e em 2008, quando estava no Chelsea e foi derrotado pelo Manchester United. Pela seleção, disputou 98 jogos e marcou 42 gols.

Élber: é o brasileiro mais adorado pelo torcedor bávaro em toda a história. E motivos não faltam, afinal, ele foi o artilheiro máximo da equipe nas Bundesligas de 1999-2000 (14 gols), 2000-2001 (15 gols, além de ter sido o artilheiro máximo com 21), 2001-2002 (17 gols e artilheiro máximo com 24) e 2002-2003 (21 gols, e artilheiro máximo com 32), além de ter sido por muito tempo o estrangeiro com mais gols na história da competição nacional – 133 gols em 256 jogos por dois clubes, Stuttgart e Bayern. Foi justamente pelo futebol apresentado no Stuttgart que o brasileiro foi contratado pelos bávaros, em 1997, onde ficou até 2003. Habilidoso, oportunista e com faro artilheiro, o atacante foi decisivo em várias das conquistas do clube no período e marcou 92 gols em 169 jogos de Bundesliga pelo Bayern, além de 139 gols em 265 no total – é o sétimo na lista dos dez maiores artilheiros da história do clube. Élber venceu 13 títulos com o Bayern e foi um dos preferidos do técnico Hitzfeld, que dizia que o brasileiro era “um de seus mais importantes jogadores”. Élber foi tão querido pela torcida que entrou para o Hall da fama do clube e representa o Bayern em vários eventos pelo mundo como embaixador.

Carsten Jancker: mesmo com 1,93 m de altura, o grandalhão não tinha muita força no jogo aéreo, mas sim habilidade e oportunismo com a bola em seus pés. Foi um dos principais atacantes do time entre 1996 e 2002 e era um bom finalizador que não inventava na grande área. Disputou mais de 140 jogos pelo Bayern e marcou mais de 45 gols. Pela seleção alemã, disputou 33 jogos e marcou dez gols.

Paulo Sérgio: após vários anos no Bayer Leverkusen e uma passagem pela Roma, o brasileiro chegou já veterano – 30 anos – ao Bayern, em 1999, mas mostrou que ainda tinha “lenha para queimar”. Na temporada 1999-2000, marcou 13 gols em 28 jogos na Bundesliga e foi um dos principais atacantes do time. Na caminhada do título europeu de 2001, marcou três gols em 11 jogos na Liga dos Campeões. Não foi titular absoluto, mas cumpriu seu papel quando exigido.

Alexander Zickler: jogou de 1993 até 2005 no clube bávaro, e, embora tenha sofrido bastante com contusões, foi essencial quando jogou, marcando gols, participando de jogadas e trazendo a marcação para si graças aos seus 1,88 m de altura. Foram mais de 200 jogos, mais de 50 gols com a camisa bávara e 19 títulos. Pela seleção alemã, apenas 12 jogos e dois gols.

Salihamidžić: polivalente, o bósnio podia jogar no meio de campo, na lateral e até como ponta se fosse necessário. Com boa técnica, força nos cruzamentos e visão de jogo, além de ser elemento surpresa no ataque, foi titular em várias partidas daquele time e um dos principais jogadores do Bayern entre 1998 e 2007, disputando mais de 230 jogos com a camisa bávara. Faturou 16 taças durante sua estadia em Munique. Pela seleção da Bósnia, disputou 42 jogos e marcou seis gols.

Roque Santa Cruz: o paraguaio chegou jovem à Alemanha depois de despontar no Olimpia, mas nunca teve uma boa sequência de jogos devido a concorrência com Élber, Jancker, Pizarro e companhia e por conta de contusões que sofreu. Ficou de 1999 até 2007 em Munique, disputou 238 jogos e marcou 43 gols pelo clube. Pela seleção paraguaia, foram 111 jogos e 32 gols.

Claudio Pizarro: o peruano chegou ao Bayern em 2001 e se identificou rapidamente com o clube marcando gols e conquistando títulos. Sempre teve o oportunismo como principal virtude, além de puxar a marcação para si e ceder espaços para os companheiros. Em sua primeira passagem pela Baviera, de 2001 até 2007, disputou 256 jogos e marcou 100 gols. Na segunda, de 2012 até 2015, foram 71 jogos e 25 gols.

Ottmar Hitzfeld (Técnico): ele já era um técnico vencedor quando ganhou a missão de dirigir o maior time da Alemanha e tirá-lo do jejum de mais de duas décadas sem títulos na Liga dos Campeões. Logo em sua primeira temporada, provou ter estrela e faturou o Campeonato Alemão com show e enorme vantagem sobre o vice-campeão. E, na final da Liga, vivia um sonho até tudo ruir em apenas dois minutos. A tragédia não abalou sua confiança e, jogo após jogo, ele montou uma equipe sólida, forte e vencedora que faturou a sonhada taça já em 2001, ano em que foi eleito o melhor técnico da Europa. Hitzfeld se consagrou como um dos maiores técnicos da história do futebol alemão e do próprio Bayern, virou ídolo da torcida e sempre teve o elenco em suas mãos, sabendo extrair o melhor de seus jogadores. Foram 14 títulos em duas passagens pelo Bayern (1998-2004 e 2007-2008) e um aproveitamento marcante de pontos. Na primeira, mais de 60%, com 193 vitórias, 73 empates e 53 derrotas em 319 jogos. Na segunda, 59%, com 45 vitórias, 20 empates e 11 derrotas em 76 jogos. Um trabalho incontestável.

Extras:

Veja os gols da final da Liga de 1999

 

Veja os momentos finais do marcante tricampeonato alemão de 2001.

 

Veja os gols de Bayern e Manchester, em 2001

 

Veja os lances da final da Liga dos Campeões de 2001

 

Veja os lances da final do Mundial de 2003.

 

Veja os gols da final da Copa da Alemanha de 2003.

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8 thoughts on “Esquadrão Imortal – Bayern München 1998-2003

  1. Rs… Rs… Torço para que o Real Madrid de agora pare de ganhar títulos para ser imortalizado aqui, bem como Cristiano Ronaldo. Eles merecem.

    Por falar no Cristiano… Seria possível um texto sobre a Euro 2016 vencida por Portugal?

    Mto bom os dois textos sobre o Bayern.

    Abs.

  2. Texto Fabuloso , site fantastico , obrigado por todo seu trabalho de imortalizar grandes equipes , jogos , jogadores e técnicos , Fãs de Futebol que conhecem seu site com certeza apreciam seus textos

  3. Teria como fazer um esquadrão imortal do Leeds United 1968-1974?

    Taça das Freiras- 1967-1968 e 1970-1971

    Campeonato Inglês- 1968-1969 e 1973-1974

    Copa da Liga Inglesa- 1967-1968

    Supercopa da Inglaterra-1969

    Copa da Inglaterra- 1971-1972

    Desde já felicitamos você pelo trabalho árduo, mas fantástico!…Obrigado!

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