Esquadrão Imortal – Atlético de Madrid 2009-2014

Grandes feitos: Bicampeão da Liga Europa (2009-2010 e 2011-2012), Bicampeão da Supercopa da UEFA (2010 e 2012), Campeão Espanhol (2013-2014), Campeão da Copa do Rei (2012-2013), Campeão da Supercopa da Espanha (2014) e Vice-Campeão da Liga dos Campeões da UEFA (2013-2014). Encerrou um jejum de 14 anos sem grandes títulos do clube e venceu um título europeu depois de 48 anos de jejum.

Time-base: Courtois (De Gea); Juanfran (Ujfalusi), Godín (Perea), Miranda (Álvaro Domínguez) e Filipe Luís (Antonio López / Alderweireld); Raúl García (Mario Suárez), Gabi (Paulo Assunção), Arda Turan (Reyes / Tiago) e Koke (Simão / Diego / Salvio); Diego Costa (Diego Forlán / Adrián López) e David Villa (Sergio Agüero / Radamel Falcao). Técnicos: Quique Sánchez Flores (2009-2011), Gregorio Manzano (2011) e Diego Simeone (2011-2014).

 

“O despertar Colchonero”

Espanha, 1996. Fim de temporada. No embalo de Molina, Simeone, Vizcaíno, Pantic, Caminero, Kiko e Penev, o Atlético de Madrid conquista o Campeonato Espanhol depois de 19 anos, e, de quebra, levanta a Copa do Rei com uma vitória por 1 a 0 sobre o Barcelona do técnico Cruyff e de jogadores como Nadal, Gheorghe Popescu, Guillermo Amor, Guardiola, Bakero, Hagi e Figo. As ruas de Madrid foram tomadas pela fanática multidão colchonera, que viu seu time dominar o país naquela temporada. Os anos se passaram e a alegria sumiu das bandas do Vicente Calderón. Contratações equivocadas, péssimos resultados, diretoria investigada e suspensa por uso indevido dos fundos do clube até o fundo do poço: rebaixamento para a segunda divisão nacional, em 2000. Em 2002, o clube conseguiu o acesso com o título. E, ano após ano, foi mudando sua figura, acertando as contratações para, na temporada 2009-2010, ressuscitar da melhor maneira possível: com um título continental da “primeira” Liga Europa, novo nome da antiga Copa da UEFA, que deixou de se chamar assim na temporada anterior. Ali, começaria uma era inesquecível do clube madrileno. Com ótimos jogadores em todas as posições e sempre com atacantes devastadores em grande fase, o time brigou de igual para igual com os gigantes do continente até o ápice, entre 2012 e 2014, quando o agora técnico Diego Simeone montou um esquadrão aguerrido, brigador, técnico e competitivo ao extremo que ganhou quase tudo o que disputou. O quase é por causa da sonhada Liga dos Campeões, que escapou por entre os dedos justamente contra o maior rival, o Real Madrid, em uma final histórica. Mas histórico, mesmo, foi aquele time, que despertou de um profundo sono e trouxe a alegria de volta à ala colchonera da cidade. É hora de relembrar as façanhas de um dos times mais competitivos e queridos da década de 2010.

Uma nova era

Forlán e Agüero: expoentes da nova era atleticana.

 

Há mais de uma década sem grandes títulos e já um clube centenário, o Atlético começou a mudar sua história a partir da temporada 2007-2008. Foi naquela época que a diretoria começou a traçar a mudança de sua casa, o Vicente Calderón, para o estádio Metropolitano “La Peineta”, no distrito de San-Blas Canillejas. Até lá, o clube tinha em mente que deveria sair de vez do ostracismo e montar um esquadrão que pudesse fazer jus à era que a diretoria almejava. E, após seguidos anos de fracassos, tudo começou a ser bem feito dali para frente. Com boas contratações como Raúl García, Paulo Assunção, Simão Sabrosa e Diego Forlán, o time começou a dar mostras do seu poder de fogo na temporada 2008-2009, quando Forlán “destruiu” no Campeonato Espanhol ao marcar 32 gols e ser o mais prolífico goleador do torneio desde os 34 gols de Ronaldo, pelo Barcelona, em 1996-1997. Em outubro de 2009, o ex-lateral direito espanhol Quique Sánchez Flores assumiu o comando técnico e começou a mudar completamente o modo de jogar do time. Ele promoveu para o plantel titular o jovem goleiro David De Gea, oriundo das categorias de base e que tinha poucas chances com o treinador anterior, Abel Resino, além de montar um esquema de jogo que privilegiava a velocidade e talento dos sul-americanos Agüero e Forlán. Com a boa proteção do meio de campo formado por Raúl García e Paulo Assunção, além das boas chegadas de Simão e Reyes, o Atlético se mostraria uma equipe perfeita para competições de tiro curto. E os colchoneros teriam duas pela frente: a Liga dos Campeões da UEFA e a Copa do Rei.

 

Período de adaptação

Quique Sánchez Flores, técnico madrileno a partir de 2009. Foto: JAVIER SORIANO / AFP.

 

No começo da temporada, o Atlético demorou para engrenar e acabou sacrificando sua participação na Liga dos Campeões da UEFA. Após superar o Panathinaikos-GRE na fase preliminar, o time fez uma péssima campanha na fase de grupos e não venceu nenhum dos seis jogos que disputou. Foram três empates, três derrotas e a terceira colocação, atrás de Porto-POR e Chelsea-ING, que acabou eliminando os colchoneros da competição. Porém, teve um prêmio de consolação: a última vaga na fase de mata-mata da Liga Europa e a experiência de tentar resultados melhores nas casas dos adversários a partir dali. Paralelo a isso, o time não conseguiu se encontrar no Campeonato Espanhol e terminaria apenas na nona colocação, com 13 vitórias, oito empates e 17 derrotas, uma trajetória muito irregular e com sérios problemas defensivos.

Em novembro, o time começou a caminhada na Copa do Rei com duas vitórias sobre o Marbella: 2 a 0 e 6 a 0. Já em 2010, a equipe encarou o Recreativo, fora de casa, pelas oitavas, e levou um susto: derrota por 3 a 0. Mas, na volta, Agüero, duas vezes, Simão, outras duas, e Ujfalusi fizeram os gols da goleada de 5 a 1 do Atlético. O triunfo entusiasmou o time, que eliminou, entre janeiro e fevereiro, Celta (2 a 1 no agregado) e Racing Santander (6 a 3 no agregado) para assegurar uma vaga na final, que seria disputada só em maio contra o Sevilla.

Exatamente após a semifinal da Copa do Rei, os colchoneros começaram a caminhada na Liga Europa. O primeiro desafio foi no dia 18 de fevereiro, contra o Galatasaray-TUR, em Madrid. Reyes abriu o placar, mas Keita empatou e deixou a decisão para Istambul. Lá, Simão abriu o placar no começo do segundo tempo e Keita empatou. No minuto final, Forlán fez o segundo e deu a vitória ao Atlético. Nas oitavas, a equipe mais uma vez não fez o dever de casa e apenas empatou sem gols com o Sporting-POR. Na volta, quase 42 mil pessoas lotaram o estádio José Alvalade, em Lisboa, certos de que o time da casa sairia com a classificação. Mas Agüero decidiu mais uma vez e marcou dois gols no empate em 2 a 2 que colocou o time madrileno nas quartas de final. Vale lembrar que o Sporting só empatou nos acréscimos da segunda etapa, com o brasileiro Ânderson Polga.

Nas quartas, os comandados de Quique Sánchez tiveram um adversário doméstico pela frente: o perigoso Valencia, de David Villa, Juan Mata, David Silva e Jordi Alba. Na ida, após um primeiro tempo morno no Mestalla, as equipes fizeram um jogaço na segunda etapa. Forlán abriu o placar, aos 14’. Manuel Fernandes empatou para os morcegos sete minutos depois. Aos 27’, Antonio López colocou os colchoneros na frente mais uma vez. Mas, aos 37’, Villa empatou e definiu o placar em 2 a 2. No dia 08 de abril, o Atlético jogou com o regulamento embaixo do braço e segurou o 0 a 0 que lhe garantiu na semifinal. Faltava pouco para a equipe alcançar uma final continental. Mas seria preciso superar um adversário complicado: o Liverpool-ING de Reina, Gerrard, Kuyt, Mascherano e companhia.

 

Hora de fazer história

Forlán celebra em Anfield: gol do uruguaio colocou o Atlético na final!

 

O Vicente Calderón recebeu 52 mil pessoas para ver o Atlético encarar o perigoso Liverpool, que não teve Fernando Torres, cria do próprio Atlético, lesionado. Agüero, suspenso, foi a baixa mais sentida do lado colchonero. Mas, para quem tinha Forlán na melhor fase da carreira, era só mandar a bola para ele que tudo estava resolvido! Logo aos 9’, o uruguaio marcou o primeiro gol do jogo e deu mais tranquilidade ao time espanhol. A equipe até poderia ter feito mais – foram 13 chutes a gol contra apenas um do Liverpool, mas a falta de pontaria e as boas defesas de Reina evitaram uma catástrofe para os ingleses.

Na volta, no alçapão de Anfield, o duelo foi eletrizante e cheio de possibilidades, com os times atacando bem, mas bem postados na defesa. Depois de tanto insistir, o Liverpool abriu o placar com Aquilani, aos 44’ do primeiro tempo. Na segunda etapa, o placar permaneceu o mesmo e forçou a prorrogação. Nela, Benayoun fez 2 a 0 Liverpool e gelou o torcedor do Atlético. Mas os colchoneros tinham Forlán. E a estrela do uruguaio brilhou mais uma vez. Após cruzamento de Raúl García, o atacante estufou as redes do goleiro Reina e colocou o Atlético em sua primeira final europeia depois de 24 anos – a última havia sido em 1986, quando os espanhóis perderam a Recopa da UEFA para o Dynamo de Kiev. Faltava pouco para o time de Quique Sánchez acabar com o jejum.

 

Forlán resolve!

Na grande decisão, em Hamburgo (ALE), o Atlético foi com força máxima para encarar outro time inglês: o Fulham, que havia superado Shakhtar Donetsk-UCR, Juventus-ITA, Wolfsburg-ALE e Hamburgo-ALE. Desde o início, o time de Madrid dominou as ações e quase abriu o placar aos 12’, quando Agüero roubou uma bola no meio de campo, tocou para Forlán e o uruguaio acertou a trave do goleiro Schwarzer. Aos 32’, Reyes aproveitou um passe errado do rival, saiu em disparada e cruzou para Simão. O português tocou para Agüero, que chutou meio esquisito para Forlán “consertar” o lance e mandar a bola para o fundo do gol: 1 a 0 Atlético! No entanto, apenas cinco minutos depois, Davies fez um golaço e empatou para o Fulham. O jogo seguiu energético, com chances para ambos os lados, mas o gol teimava em não sair. Após os 90 minutos, prorrogação. E, faltando quatro minutos para o fim, Agüero fez uma jogada pela esquerda, esperou e cruzou. Na área, adivinhe? Forlán! O uruguaio deu um toque na bola e ela foi parar no fundo do gol inglês: 2 a 1.

O técnico Quique com a taça mais do que merecida. Foto: AFP / Getty Images.

Com justiça, o Atlético era campeão da Liga Europa. Foi a taça que sepultou de vez os jejuns que pairavam sobre as bandas do Vicente Calderón e recolocou o clube no mapa da Europa. Na decisão, foi o time que mais chutou a gol (27 contra 11), que mais teve escanteios a seu favor (9 a 2) e que mais ficou com a bola (54% a 46%). Forlán foi o Homem do Jogo e confirmou sua melhor fase na carreira, que seria exibida para um público ainda maior na Copa do Mundo daquele ano, na África do Sul, na qual o Uruguai fez uma campanha marcante (leia mais clicando aqui). O craque foi artilheiro do time na liga nacional (18 gols) e na temporada (28 gols).

O Atlético de 2010: time versátil, rápido e com Forlán no auge.

 

Na volta para casa, as ruas de Madrid foram tomadas pela torcida, que tirou onda do rival, o Real, que passou em branco a temporada. Dias depois, o time ainda teve a chance de encerrar o jejum de títulos nacionais, mas, por conta da grande partida na Liga Europa e o cansaço de alguns jogadores, acabou derrotado na final da Copa do Rei pelo Sevilla por 2 a 0. Mas a torcida nem ligou, afinal, o peso daquele título foi enorme para o clube. Afinal, desde o longínquo ano de 1962 (há 48 anos!) que o clube não conquistava um título continental.

 

Quem é o campeão europeu mesmo?

Em agosto de 2010, o Atlético começou a temporada com um grande desafio logo de cara: enfrentar a Internazionale-ITA, campeã da Liga dos Campeões com um timaço e nomes como Cambiasso, Sneijder, Stankovic, Zanetti, Eto’o e o talismã Milito (leia mais sobre ela clicando aqui), na final da Supercopa da UEFA, em Mônaco. Sem se importar com a força do adversário e com muita força coletiva, a equipe espanhola venceu os italianos por 2 a 0, com gols de Reyes e Agüero. Foi a primeira Supercopa da história do Atlético e mais um título internacional para a coleção colchonera. Será que a taça iria embalar o time para uma temporada ainda melhor?

 

Ressaca e a chegada do velho ídolo

Após uma temporada inesquecível, o Atlético mostrou falta de pique e interesse na seguinte. Ao invés do título da Supercopa da UEFA embalar a equipe, o que se viu foi um time bem aquém do que voou na reta final de 2009-2010. Com Forlán em má fase, Agüero foi quem assumiu o protagonismo no ataque ao ser artilheiro do time no campeonato nacional, com 20 gols, e na temporada, com 27. Mesmo com os reforços de Juanfran, Filipe Luís, o retorno de Diego Costa e a efetivação no elenco principal de Koke, os colchoneros ficaram apenas na sétima colocação no Campeonato Espanhol, com 17 vitórias, sete empates e 14 derrotas, com 62 gols marcados e 53 sofridos. A equipe mostrou muita inconsistência, principalmente entre o final de 2010 e começo de 2011, quando emendou quatro derrotas seguidas em La Liga e acabou eliminada ainda na fase de grupos da Liga Europa, ficando atrás do Bayer Leverkusen-ALE e, acredite, do Aris, da Grécia (!). Na Copa do Rei, duas derrotas para o rival Real Madrid nas quartas de final encerraram precocemente a temporada colchonera, que apenas cumpriu tabela no torneio nacional até o meio de 2011.

Após o fim da temporada, a torcida ficou preocupada ao ver grandes nomes do time deixarem Madrid. O goleiro De Gea foi para o Manchester United-ING, Forlán foi para a Internazionale-ITA, Ujfalusi foi para o Galatasaray-TUR, Agüero foi vestir a camisa do Manchester City-ING por 45 milhões de euros, Reyes foi para o Sevilla-ESP e Diego Costa foi emprestado para o Rayo Vallecano, ambos mais tarde, na janela de inverno. Ou seja, a base do time campeão continental de 2010 estava desmantelada. Mas, com a grana obtida nas negociações, o time colchonero foi às compras. Aliás, ótimas compras. Para o gol, os espanhóis trouxeram o belga Courtois (ex-Chelsea-ING). Para a zaga, o brasileiro Miranda, ex-São Paulo, começaria uma dupla fantástica ao lado do uruguaio Godín. Para o meio, o português Tiago foi contratado em definitivo (antes, ele estava emprestado pela Juventus-ITA). Também para o setor de meio de campo, vieram Arda Turan, ex-Galatasaray-TUR, Gabi, ex-Zaragoza-ESP e o brasileiro Diego, ex-Wolfsburg-ALE. E, para o ataque, vieram Adrián López (ex-Deportivo La Coruña-ESP) e a grande tacada colchonera: Radamel Falcao, campeão da Liga Europa da temporada anterior pelo Porto-POR e artilheiro da competição com 17 gols em 14 jogos (recorde na competição), que desembarcou em Madrid por 40 milhões de euros. Para fechar, o técnico Quique deu lugar à Gregorio Manzano (ex-Sevilla), que teria a missão de montar uma equipe praticamente do zero para buscar boas campanhas nas competições nacionais e em uma nova Liga Europa.

Falcao chega em Madrid: uma contratação certeira do clube!

 

Entre julho e agosto, a equipe fez boas partidas na pré-temporada, participou de um amistoso em homenagem ao centenário do clube egípcio Zamalek (vitória espanhola por 4 a 1, em plena cidade do Cairo) e superou Stromsgodset-NOR (4 a 1 no agregado) e Vitória de Guimarães-POR (6 a 0 no agregado) nas fases preliminares da Liga Europa. Porém, em território nacional, a equipe simplesmente não se encontrou. Sem padrão de jogo e excesso de faltas – o time levava, em média, de três a cinco cartões amarelos por jogo, com picos de até cinco amarelos e dois vermelhos em outros, como num clássico contra o Real Madrid, em novembro de 2011, quando os colchoneros tiveram dois expulsos e cinco “amarelados” na derrota por 4 a 1 no Santiago Bernabéu -, a equipe ficou longe dos primeiros colocados. Para piorar, caiu ainda na fase de 16-avos da Copa do Rei diante do modesto Albacete. Era preciso uma chacoalhada naquele elenco. Manzano foi demitido e a diretoria apostou em um velho conhecido: Diego “Cholo” Simeone, ídolo da torcida nos anos 90 que ainda engatinhava em sua carreira como treinador. O argentino conhecia muito bem a estrutura colchonera e percebeu que faltava “ganas para gañar” naquele time. O elenco era ótimo, ainda melhor do que o de 2009-2010, por isso, eram detalhes que separavam o Atlético de uma rápida glória. E a mais palpável àquela altura era, sem dúvida, a Liga Europa. O novo treinador foi categórico em suas palavras:

 

“É um momento muito lindo. Sempre tive como objetivo voltar ao Atlético como treinador. Vou implementar o trabalho que sempre preguei. A responsabilidade é enorme, mas não me assusta, me entusiasma. Queremos terminar no melhor lugar possível e recuperar um pouco do tudo que sempre tivemos. Quero uma equipe agressiva, forte, aguerrida e veloz. Isso sempre atraiu os atléticos. Vamos em busca do que foi nossa história”.Diego Simeone, em entrevista publicada no AS (ESP), 27 de dezembro de 2011.

 

Começaria, naquele dia, uma nova era em Madrid. A era del Cholismo.

 

As palavras viram realidade

Simeone (à esq.), junto com Enrique Cerezo e Caminero.

 

Tudo o que Simeone disse em sua apresentação começou a virar realidade em 2012. O Atlético ficou sete jogos sem perder nos meses de janeiro e fevereiro no Campeonato Espanhol e superou a Lazio-ITA com duas vitórias, 3 a 1 (dois gols de Falcao e um de Adrián), na Itália, e 1 a 0 (gol de Godín), na Espanha, pela fase de 16-avos de final da Liga Europa. Antes, a equipe havia terminado na primeira colocação do Grupo I na fase inicial, com quatro vitórias, um empate e uma derrota, a frente de Udinese-ITA, Celtic-ESC e Rennes-FRA. Entre março e abril, o time se concentrou na Liga Europa e, com a 5ª colocação praticamente garantida no Campeonato Espanhol, não se preocupou com as quatro derrotas no período. O esquema montado por Simeone começava a mostrar grandes resultados pelo fato de o técnico apostar no talento de seu grupo e mudando acertadamente de posição determinados jogadores. Juanfran virou lateral e passou a apoiar muito bem o ataque. No meio, sempre jogava um volante técnico (Gabi, Tiago ou mesmo Koke, que ainda não era titular absoluto) e outro mais combativo, marcador (Mario Suárez). No ataque, as ações ficavam nos pés de Arda Turan e Diego, que criavam as oportunidades para Adrián, que fazia os seus, mas também abria espaços e deixava o companheiro Falcao, o matador-nato, sempre com boas chances de finalizar. Enfim, o time já era melhor do que o de 2010. E os jogos seguintes na competição continental iriam provar isso.

Nas oitavas de final, o time de Simeone encarou o Besiktas-TUR. No primeiro duelo, na Espanha, o Atlético venceu os turcos por 3 a 1 (dois gols de Salvio e um de Adrián). Na volta, em Istambul, de nada adiantou a pressão da torcida adversária, pois o ataque colchonero estava infernal. Com amplo volume de jogo e 17 chutes a gol contra apenas nove do Besiktas, o time espanhol venceu por 3 a 0, com gols de Falcao, Salvio e Adrián. Nas quartas, duelo contra o Hannover-ALE. Na ida, em Madrid, Falcao e Salvio fizeram os gols da vitória por 2 a 1. Na volta, novo triunfo por 2 a 1 (gols de Falcao e Adrián) e vaga na semifinal. Nela, duelo doméstico contra o Valencia-ESP. Mais uma vez o primeiro jogo foi em Madrid. E, mais uma vez, o ataque deu show. Falcao, duas vezes, Adrián e Miranda marcaram na vitória por 4 a 2 sobre os morcegos. Na volta, Adrián, também infernal naquele mata-mata de Liga Europa, marcou o gol da vitória por 1 a 0 que colocou o Atlético na decisão de Bucareste, na Romênia, contra o Athletic Bilbao-ESP, que havia superado o Manchester United-ING em seu caminho até a final. Era hora de ser bicampeão.

Sob a batuta do Mr. Europa

Falcao mostra suas “garras” na final: devastador e campeão!

 

A decisão entre Athletic e Atlético foi, acima de tudo, histórica. Foi o encontro entre “pai” e “filho”, afinal, o Atlético foi fundado lá em 1903 por estudantes bascos que viviam em Madrid e se inspiraram no clube de Bilbao para montar uma “filial” da equipe na capital espanhola. Era um tira-teima simbólico para ver quem levaria a melhor na maior decisão entre ambos em todos os tempos.

Mas, se alguém esperava algum equilíbrio, o que se viu foi um baile colchonero. Logo aos sete minutos, Falcao recebeu, pedalou pra cima de Amorebieta e encheu o pé para fazer um golaço em Bucareste: 1 a 0. O time basco tentou reagir, mas o excesso de passes errados e a falta de apoio ao centroavante Llorente minavam qualquer chance de empate. Aos 34’, Falcao recebeu de Arda Turan dentro da área, deixou Aurtenetxe no chão e fuzilou: 2 a 0. Era impressionante o rendimento do colombiano no torneio. Ele chegava aos 12 gols naquela edição e se consagrava como artilheiro pelo segundo ano seguido! No segundo tempo, o Atlético jogou mais precavido, o Athletic arriscou mais, mas quem fez outro gol foi o time de Simeone. Diego, aos 40’, avançou, passou por dois marcadores e chutou. Outro belo gol na noite colchonera. E goleada do bicampeonato sacramentada!

Ao apito do árbitro, os jogadores fizeram a festa e celebraram a segunda taça do torneio em apenas três anos. Era a mais rápida resposta possível de Simeone sobre seu trabalho. A campanha do time foi inquestionável: 17 vitórias, um empate e apenas uma derrota em 19 jogos, com 43 gols marcados e 11 gols sofridos (somando os quatro jogos nas fases preliminares). Foi um estrondo! E 12 vitórias seguidas, somando as três do returno da fase de grupos e todas (sim, TODAS) da fase de mata-mata.

O time campeão continental de 2012, com Falcao no auge e força em todos os setores do campo. Uma pena que não durou até 2014…

 

O Atlético campeão era rápido, forte, combativo e cheio de opções de jogo. Era objetivo, letal. E Falcao, no ataque, era simplesmente o atacante que vivia a melhor fase no continente na época. Além da artilharia na Liga Europa, o atacante foi o artilheiro do time no Campeonato Espanhol, com 24 gols, e no geral, com 36 gols. Outro que se destacou na campanha europeia foi Diego, grande assistente da competição com sete passes para gols. Mas será que aquele era o auge do time? Que nada. Eles estavam só começando…

 

Quem é o campeão europeu mesmo? Parte 2

Para a temporada 2012-2013, o Atlético manteve os jogadores da base campeã continental e se desfez de outros que foram importantes nos anos anteriores, casos de Perea, Álvaro Domínguez, Paulo Assunção e Salvio. Diego, emprestado, acabou voltando ao Wolfsburg, mas outro Diego, o Costa, voltou ao clube para reforçar o ataque. E o time começou a temporada tinindo. Logo na segunda rodada do Campeonato Espanhol, a equipe reencontrou o Athletic Bilbao e goleou o rival por 4 a 0, com hat-trick de Falcao. Quatro dias depois, a equipe viajou até Mônaco e encarou o Chelsea-ING, na final da Supercopa da UEFA. E, em apenas 45 minutos, Falcao anotou mais um hat-trick e fez 3 a 0 para o Atlético! No segundo tempo, Miranda fez 4 a 0, Cahill descontou e o jogo terminou 4 a 1 para os espanhóis. Foi mais um show do time de Simeone contra um rival de peso. E a confirmação plena da fase primorosa do colombiano Falcao.

Gabi ergue a Supercopa.

 

Hora de focar em casa

Após a taça da Supercopa da UEFA, o Atlético manteve o ímpeto no Campeonato Espanhol e ficou nove jogos sem perder, com oito vitórias seguidas, até tropeçar diante do Valencia, no Mestalla, por 2 a 0. Sempre no topo da tabela, a equipe queria sonhar pelo menos com uma vaga na Liga dos Campeões da UEFA. Na Liga Europa, a equipe se classificou em segundo lugar no Grupo B, mas foi eliminada já na fase seguinte para o Rubin Kazan-RUS, com uma surpreendente derrota por 2 a 0 em casa e triunfo de apenas 1 a 0, fora. Mesmo com o inesperado tropeço, o time de Madrid não se abateu e manteve sua competitividade dentro de casa. No Espanhol, a equipe foi constante, empatou pouco e não perdeu muitos jogos como nos anos anteriores. Em dezembro, destaque para a goleada de 6 a 0 sobe o Deportivo La Coruña, em Madrid, com um gol de Diego Costa e cinco (!) de Falcao. Aliás, a dupla de ataque colchonera se mostrava prolífica com a volta de Diego Costa, livre de contusões e tão brigador quanto Falcao na frente. Era tudo o que Simeone queria para manter o espírito guerreiro daquele time.

Falcao e Diego Costa: dupla mostrou entrosamento na temporada 2012-2013.

 

Na Copa do Rei, o time não deu sopa para o azar e, entre outubro de 2012 e fevereiro de 2013, tratou de trilhar seu caminho até a final. Após eliminar o Real Jaén com 4 a 0 no agregado, a equipe despachou o Getafe, nas oitavas, com 3 a 0 na ida (dois gols de Costa e um de Filipe Luís) e empate sem gols na volta, eliminou o Real Betis nas quartas com 2 a 0 na ida (gols de Falcao e Filipe Luís) e empate em 1 a 1 na volta, e se vingou do Sevilla, carrasco de 2010, com vitória por 2 a 1 na ida (dois gols de Costa) e empate em 2 a 2 na volta, em Sevilha (gols de Costa e Falcao).

Já em 2013, a equipe seguiu sua boa campanha no espanhol e começou a lidar com o assédio de clubes por Falcao. Avesso a tudo aquilo, o colombiano seguia jogando o fino e era o principal artilheiro da equipe. Com a vaga na Liga dos Campeões praticamente assegurada, em abril, após três vitórias e dois empates, a equipe queria terminar o mês com uma vitória em cima do rival, o Real Madrid, na 33ª rodada. Falcao abriu o placar logo aos quatro minutos, mas o Real virou o jogo e venceu mais um clássico. Desde 1999 (ou 14 anos e 25 jogos) que a equipe não derrotava o maior rival. A torcida não aguentava mais aquilo e vaiou sem dó o time no final do jogo. Era muita inferioridade. Faltava garra, faltava coragem para vencer o Real. Por que raios aquele time dava baile contra Internazionale, Chelsea, Lazio, Liverpool e sempre perdia para o rival doméstico? Por que? A torcida não aguentava mais! Para piorar, a final da Copa do Rei estava chegando e seria em pleno Santiago Bernabéu, após consenso entre as equipes de que o estádio era o mais adequado por comportar mais gente. Mas não deixaria de ser a casa do Real. Como acabar com o jejum e a freguesia justo em uma decisão?

 

A taça do simbolismo

Imagine três torcedores do Atlético, um de seis, um de nove e outro de dez anos. O ano é 1999. Eles vibraram bastante com seus pais a vitória colchonera contra o Real, em pleno Santiago Bernabéu, pela 10ª rodada do Campeonato Espanhol. Curiosamente, naquela mesma temporada, o Atlético foi rebaixado. De lá para cá, eles cresceram, passaram grande parte da infância e toda a adolescência acompanhando o time, festejaram sua ressurreição, mas nunca mais viram um triunfo sobre o Real. Já imaginou? Eram 14 anos e 25 jogos. O garoto de seis anos tinha 20, o de nove, 23, e o de dez, 24 anos. Eles poderiam ter mudado de time. Mas foram fiéis ao colchonero. E, naquele dia 17 de maio de 2013, o Atlético de Madrid jogou por eles. E por seus milhares e milhares de torcedores. Toda a bravura que faltou nos 25 jogos anteriores, sobrou. Toda a garra foi revelada. E todo o futebol foi apresentado. Aos 14’ do primeiro tempo, quando Cristiano Ronaldo subiu sozinho para fazer 1 a 0 Real, os merengues já contavam o tempo para celebrar o título. Mas, 21 minutos depois, Falcao mostrou suas garras. No meio de campo, ele entortou um, dois, deu mais um drible, arrancou e tocou na medida para Diego Costa. O atacante fuzilou e marcou um golaço: 1 a 1.

Miranda testa para acabar com os dramas em dérbis do Atlético.

 

O Real tentou responder, mas a trave parou um chute de Özil. No segundo tempo, o dono da casa continuou a pressionar, mas Courtois estava impossível. O goleiro fazia grandes defesas e não deixava o time merengue voltar a frente do placar. Aos 16’, Benzema chutou na trave e Juanfran tirou em cima da linha. Cristiano Ronaldo, em cobrança de falta, também carimbou o poste. Time campeão precisa de sorte. E aquele Atlético tinha de sobra. Mas ele também tinha sangue frio para esfriar o jogo e manter a posse de bola nos minutos finais até chegar a prorrogação. Nela, aos 8’, Miranda aproveitou um cruzamento de Koke e virou o jogo: 2 a 1. Êxtase da metade colchonera no Bernabéu! Courtois fez novas defesas e evitou qualquer investida merengue. Esquentado, Cristiano Ronaldo tentou agredir Gabi e foi expulso, desencadeando uma confusão. O jogo seguiu até os 125’ até o árbitro Carlos Clos Gómez apitar o fim do jogo. Fim das decepções quase petrificadas em dérbis. Fim do estigma. Fim do jejum de 17 anos sem grandes títulos nacionais. O Atlético de Madrid era campeão da Copa do Rei em cima do maior rival e em pleno Santiago Bernabéu. Não havia momento melhor para estraçalhar tantos jejuns. E os três garotos que simbolizaram o começo dessa história nunca vibraram tanto após um jogo de futebol.

O time campeão da Copa do Rei: com dois atacantes formidáveis e um time ainda mais entrosado, o Atlético comprovou a boa fase com um título histórico.

 

Veja os gols do jogo:

 

 

Sai a estrela e a base fica

Após duas temporadas fantásticas, Radamel Falcao deixou o Atlético para jogar no Monaco-FRA por 60 milhões de euros. O craque deu adeus aos prantos e, dizem, a contragosto muito por causa de seu “estafe”, pois vivia uma fase esplendorosa. Na despedida, não conteve as lágrimas em seu discurso:

 

“Estes anos no Atlético foram os melhores da minha carreira. Vivi coisas que jamais vou esquecer. Estou muito contente de ter alcançado com esse plantel os objetivos que traçamos e de ter defendido essa camisa em cada partida”.Radamel Falcao, em entrevista publicada no jornal Marca (ESP), 1º de junho de 2013.

 

Aquela foi, sem dúvida, uma das maiores perdas do esquadrão de Simeone. Embora tenha contratado David Villa para aquela temporada, Falcao era melhor. O atacante espanhol já não vivia a fase de anos atrás. Já Falcao estava no auge. Em 91 jogos, o colombiano marcou 70 gols, uma enormidade. E foi o artilheiro do time na temporada 2012-2013 com 24 gols em La Liga e 34 gols no total. Simeone teve que adaptar seu esquema de jogo mais uma vez, encaixar Villa no ataque e concentrar as ações ofensivas em Diego Costa, que, felizmente, também vivia ótima fase. No começo da temporada, o time perdeu a Supercopa da Espanha para o Barcelona “sem perder”. Motivo? O time só ficou sem a taça porque os catalães empataram em 1 a 1, em Madrid, e sem gols no Camp Nou, sendo campeões por causa do critério de gols marcados fora. O revés em nada abateu o time de Simeone. A temporada estava apenas começando.

 

La Liga: menina dos olhos

A fera comemora: Diego Costa assumiu o protagonismo no ataque atleticano em 2013-2014 com atuações inesquecíveis.

 

O técnico Simeone jamais escondeu da mídia espanhola que o Campeonato Espanhol era muito mais importante do que qualquer outra competição, até mais do que a Liga dos Campeões. Afinal, longos 38 jogos premiam o trabalho árduo de toda uma temporada, o planejamento e o elenco. E, após vários anos apenas buscando uma boa colocação ou uma vaga em competições continentais, Simeone tratou o torneio nacional muito a sério. Mesmo com um elenco relativamente enxuto (26 jogadores), o argentino tinha certeza de que poderia brigar pela taça mesmo com os extraterrestres Barcelona e Real Madrid no páreo. E a caminhada colchonera não poderia começar melhor: oito vitórias seguidas nas primeiras oito rodadas do campeonato, com direito a triunfos sobre Sevilla (3 a 1, fora), Rayo Vallecano (5 a 0, em casa), e uma vitória por 1 a 0 sobre o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu, gol de Diego Costa, que já tinha média de um gol por jogo. Na nona rodada, tropeço fora de casa diante do Espanyol por 1 a 0, mas retomada do pique com mais três vitórias: 5 a 0 no Real Betis, em casa, 2 a 1 no Granada, fora, e 2 a 0 no Athletic Bilbao, em casa – todos esses jogos com gols de Diego Costa.

Se o time pensava em relaxar, Simeone sacudia seus guerreiros com pulso firme.

 

Na 13ª rodada, empate em 1 a 1 com o Villarreal, fora, e nova chacoalhada de Simeone que já surtiu resultado na rodada seguinte, quando o Atlético aplicou 7 a 0 no Getafe, em casa. Na sequência, a equipe venceu mais quatro jogos seguidos e empatou em casa sem gols com o Barcelona na última rodada do primeiro turno. Àquela altura, os colchoneros eram vice-líderes, atrás do Barcelona e seguidos de perto pelo Real Madrid. Não havia brechas para errar. Já eram dez jogos de invencibilidade e muito entrosamento coletivo, além de uma fase marcante de Diego Costa, muito semelhantem inclusive, a de Falcao no ano anterior. Nas três rodadas seguintes, o empate com o Sevilla (1 a 1) e as vitórias sobre Rayo Vallecano (4 a 2) e Real Sociedad (4 a 0) deram ao clube a liderança da competição. Porém, já na rodada posterior, a equipe perdeu para o Almería por 2 a 0, fora, e caiu para a terceira posição. Era fevereiro, mesmo mês em que o time foi eliminado pelo Real Madrid da Copa do Rei nas quartas de final com duas derrotas (3 a 0, fora, e 2 a 0, em casa), reacendendo velhos fantasmas no dérbi.

Na 24ª rodada, vitória sobre o Real Valladolid (3 a 0). Em seguida, derrota para o Osasuna (3 a 0, fora) e empate em 2 a 2 com o Real, em casa. Após aquele clássico, o Atlético iria mudar completamente o seu destino na competição. Os colchoneros emendaram nove vitórias seguidas, recorde naquela temporada, e agarraram de vez a liderança na 29ª rodada. Tanto em casa quanto fora, a equipe era objetiva, cirúrgica e parecia vencer quando mais lhe era plausível. As atuações individuais eram sempre elogiadas e o ataque correspondia com as partidas de classe de Diego Costa, que fazia o torcedor não ter saudade alguma de Radamel Falcao. Mas, em abril, o jogador começaria a passar por um inferno astral tremendo. Sofreu uma lesão muscular que o tirou de algumas partidas, um corte enorme no joelho ao marcar um gol na partida contra o Getafe, vencida pelo Atlético por 2 a 0, perdeu um pênalti no mesmo jogo e passou a sentir incômodos musculares – que viriam a ser dores nos isquiossurais, os três músculos localizados na parte posterior da coxa. Mesmo assim, o atacante ainda marcou um gol na vitória por 2 a 0 sobre o Elche, na 34ª rodada, e atuou na vitória por 1 a 0 sobre o Valencia em pleno Mestalla.

Nas rodadas seguintes, o time perdeu para o Levante por 2 a 0, fora, e empatou em 1 a 1 com o Málaga. Com isso, o campeonato ganhou uma final na última rodada: Barcelona e Atlético de Madrid, dia 17 de maio de 2014, no Camp Nou. Desde 1951 (!) que um confronto direto na última rodada não decidia o campeão (curiosamente, o Atlético também era protagonista e saiu campeão). Três pontos separavam as equipes. Um empate dava o título ao Atlético. Ao Barça, só restava a vitória – como as equipes ficariam empatadas em pontos e vitórias em caso de triunfo do Barça, o confronto direto iria definir o título. E, como no primeiro turno houve empate, o time catalão precisava vencer.

Gigante!

Godín celebra: após um título dentro do Bernabéu, o time vencia mais um em outro estádio rival: o Camp Nou.

 

Quase 100 mil pessoas lotaram o Camp Nou. Teve mosaico. Teve festa. Tinha Messi. Tinha a camisa. Enfim, era o Barcelona, em sua casa, precisando de uma vitória para ser campeão espanhol. Mas, do outro lado, tinha o Atlético de Madrid de Simeone no torneio que mais o técnico gostava e queria conquistar. Tinha um time entrosado, já cansado, mas ainda com energia e brio para agarrar com unhas e dentes um título que não vinha desde 1996.

Quando o jogo começou, Diego Costa, logo aos 16’, sentiu a tal lesão na coxa e teve que sair. No banco, chorou. Eram as dores, física e emocional, de não poder ajudar seu time naquele momento. Aos 23’, foi Arda Turan quem teve que sair. Justo ele, o guerreiro tão querido pela torcida. E o time sentiu o baque. Dez minutos depois, o Barcelona abriu o placar com Alexis. Veio o intervalo. E, a volta, outro Atlético. Começou um bombardeio à área catalã. E, com apenas quatro minutos, a jogada tão executada e tão comemorada: escanteio cobrado, subida e cabeçada precisa de Godín: 1 a 1. Era o bastante. O Atlético não precisava de mais nada. Só se defender. Conter as investidas blaugranas. Hora da defesa tão sólida trabalhar. E trabalhou. Messi nada fez. Neymar saiu do banco apenas para fazer número. E, ao apito final, o Atlético de Madrid tirou da garganta o grito de campeão espanhol depois de 18 anos. Foi simplesmente épico. Um jogo de entrega, com uma dose enorme de emoção. Aquela temporada merecia aquele título. Eles mereciam aquele título. Foram 38 jogos, 28 vitórias, seis empates e apenas quatro derrotas, com 77 gols marcados, 26 sofridos (melhor defesa) e 90 pontos conquistados. Diego Costa foi o artilheiro da equipe com 27 gols em 35 jogos disputados, Koke foi o segundo na lista dos assistentes, com 13 passes, e Courtois ganhou o prêmio Zamora de goleiro menos vazado da competição.

A celebração foi histórica. Simeone, que mexeu com os brios de seus guerreiros no intervalo, foi erguido para os céus. Ele merecia demais aquela conquista. Assim como seus jogadores, que se entregaram de uma maneira épica, emblemática. Porém, uma semana depois, eles teriam outro jogo enorme. Adivinhe qual? Uma final de Liga dos Campeões da UEFA contra o Real Madrid. Mas, antes, é preciso saber como eles chegaram até ela.

O time campeão espanhol: as vitórias foram mais econômicas e a defesa virou o grande ponto forte do time.

 

A epopeia continental

Não bastasse o sofrimento que foi o Campeonato Espanhol, o Atlético ainda teve pernas, suor e sangue para encarar uma Liga dos Campeões naquela temporada. Na fase de grupos, o time madrileno não teve dificuldades e passou bem em primeiro lugar, com 16 pontos, cinco vitórias e um empate. Zenit-RUS, Porto-POR e Austria Viena-AUT nada puderam fazer contra os comandados de Simeone, que marcaram 15 gols em seis jogos.

No mata-mata, um gigante logo de cara: o Milan-ITA, que, mesmo sem um bom time, se amparava na força de sua camisa. No duelo de ida, no San Siro, o Atlético conseguiu a vitória por 1 a 0, gol de Diego Costa. Na volta, em Madrid, Diego Costa abriu o placar logo aos três minutos, mas Kaká empatou. Aos 40’, Arda Turan deixou o time espanhol na frente mais uma vez, e, na segunda etapa, a equipe colchonera engoliu o rossonero, fez mais dois, com Raúl García e Diego Costa e sacramentou a goleada de 4 a 1 e a vaga nas quartas de final. Foi um triunfo de gigante! E, poxa, em cima do heptacampeão Milan! Não era pouca coisa.

Em abril, nas quartas de final, outro páreo duríssimo: o Barcelona. Na ida, no Camp Nou, Diego abriu o placar no começo do segundo tempo. Neymar, tempo depois, empatou, mas foi só. O empate foi importantíssimo. Na volta, mesmo sem Diego Costa, o Atlético foi mortal, pressionou desde o início e marcou com Koke, logo aos cinco minutos do primeiro tempo. O magro 1 a 0 permaneceu até o fim, mas não refletiu o que foi o jogo, com várias chances de gol e bolas na trave. Na semifinal, a equipe teve pela frente o Chelsea-ING. Na ida, em Madrid, o zero não saiu do placar e a decisão acabou transferida para Stamford Bridge. Lá, Torres, cria do Atlético, abriu o placar, aos 36’ do primeiro tempo, sem comemorar, em respeito ao seu ex-clube. Naquele instante, o time espanhol teria que vencer o jogo de qualquer jeito. E mostrou o mesmo ímpeto e gana de sempre. Com enorme força ofensiva, a equipe empatou oito minutos depois, com Adrián. Forte e brigador, Diego Costa deixava Cahill e Ashley Cole em pânico com suas investidas. E, no segundo tempo, Eto’o saiu lá do ataque e derrubou Costa na área. Pênalti! Na cobrança, o mesmo Costa bateu e fez o gol da virada: 2 a 1. O Atlético continuou pressionando. E fez mais um, com Arda Turan, 12 minutos depois: 3 a 1. Pronto. A história estava escrita. O time madrileno estava de volta a uma final de Liga dos Campeões da UEFA depois de 40 anos. Era a chance de conquistar a taça que faltava. Mas seria preciso vencer o maior rival, na primeira final da Liga entre equipes da mesma cidade em todos os tempos.

 

Não deu…

A festa de Godín no primeiro tempo: alegria durou muito pouco.

 

A grande final foi simplesmente épica. Foi o maior clássico madrileno de todos os tempos. O Real queria encerrar o jejum e conquistar a almejada “La Décima”. Já o Atlético queria o troféu que lhe faltava em sua galeria e coroar de vez uma era sem precendentes na história do clube. Porém, o time colchonero foi cheio de problemas para o jogo no estádio da Luz, em Lisboa (POR). Arda Turan não jogou, contundido após a batalha contra o Barcelona pelo título espanhol. Diego Costa, também lesionado, era dúvida até momentos antes do jogo e chegou a ser submetido a um polêmico tratamento com placenta de cavalo para tentar se recuperar das dores na coxa. No fim, ele foi relacionado, mas não aguentou nem dez minutos e teve que ser substituído. Ao invés de sentir o golpe, o Atlético manteve a concentração e abriu o placar com Godín, aos 36’ do primeiro tempo. No segundo, porém, as pernas dos colchoneros começaram a falhar. A garra e a vontade estavam lá, mas o corpo não ajudava. Mais inteiro, o Real atacava sem parar. O Atlético, se fechava como podia. O tempo passava, o título ficava mais perto, mas o Real também se aproximava do gol de empate. Até que, aos 48’, Sergio Ramos subiu mais alto do que todos na área após uma cobrança de escanteio e marcou o gol de empate merengue. Foi a gota d’água.

O jogo acabou e foi para a prorrogação. Mais meia hora? Depois de ganhar um campeonato espanhol suado com decisão na última rodada, eliminar Milan, Barcelona e Chelsea na Liga dos Campeões, sem Turan e Diego Costa? Sem chance. Era o limite para aquele Atlético. Era nítido o cansaço em todos eles. Nem se Simeone usasse um microfone com uma imensa caixa de som ele poderia animar seus bravos guerreiros. Com isso, o Real fez um. Dois. Três gols. E venceu por 4 a 1. Era o fim do sonho. Foi doído, foi triste, mas o que aquele time fez naquela temporada foi impressionante.  Cativante. Quem não torcia por eles, acabou torcendo. Milhares de novos simpatizantes surgiram. A torcida colchonera cresceu como nunca antes havia crescido naquele ano. E um detalhe: o time chegou à final invicto. Perdeu quando não podia perder, mas sua fanática torcida entendeu que eles fizeram o possível. Aquele jogo mereceu uma história especial. Leia ela clicando aqui.

 

O melhor Atlético da história

Após anos intensos, o time madrileno se desfez de vários jogadores, contratou outros, mas não teve capítulos dourados nas temporadas seguintes. Na de 2014-2015, venceu apenas a Supercopa da Espanha, terminou em terceiro o Espanhol, caiu nas quartas de final na Copa do Rei e também nas quartas da Liga dos Campeões – de novo para o Real Madrid. Na temporada 2015-2016, nada de títulos nacionais e nova grande campanha na Liga dos Campeões, com triunfos marcantes sobre Barcelona (virou freguês…) e Bayern München-ALE até o caminho da final, em Milão, contra… O Real Madrid. E, acredite, os colchoneros perderam de novo, dessa vez nos pênaltis após empate em 1 a 1 no tempo normal.

 

O fato é que a era de ouro daquele esquadrão foi mesmo entre 2009 e 2014, período que simbolizou o ressurgimento do Atlético de Madrid como o grande clube que sempre foi e até a um patamar que nem o mais fanático torcedor poderia imaginar: de uma potência europeia, com estádio novinho em folha (inaugurado em 2017) e batendo de frente com todos os titãs do continente. Mesmo sem a fatídica Liga dos Campeões, os colchoneros colecionaram taças com estrelas de todos os quilates, atacantes ávidos e talentosos em suas melhores fases nas carreiras e jogos eletrizantes. Se teve um time na década de 2010 que brilhou, ganhou e fez história, esse time foi o Club Atlético de Madrid, de Quique Sánchez e, acima de tudo, de Simeone, ídolo que foi a encarnação do espírito do clube em campo e soube como ninguém inflar todos os seus comandados naqueles anos maravilhosos. Com todo respeito aos esquadrões colchoneros do passado, mas esse foi o mais imortal dos Atléticos. E que venham outros mais.

 

Os personagens:

Courtois: com quase dois metros de altura, envergadura impressionante e ótimo senso de colocação, o belga se consagrou como um dos melhores goleiros do mundo na década graças às suas atuações com a camisa do Atlético. Bem amparado pela dupla Godin / Miranda, o goleirão fez partidas marcantes, defesas impressionantes e ganhou a idolatria da torcida. Jogou de 2011 até 2014 na equipe madrilena, emprestado pelo Chelsea, que tratou de buscá-lo de volta logo após a Liga dos Campeões de 2014. Virou titular absoluto da Seleção Belga e ainda tem uma grande carreira pela frente.

De Gea: cria das bases do Atlético, o goleiro ganhou a titularidade absoluta com a chegada do técnico Quique e foi fundamental nas conquistas de 2010 do time madrileno. Frio, rápido e muito seguro, ganhou a confiança da torcida instantaneamente e logo chamou a atenção do Manchester United, que o contratou em 2011 por 19 milhões de libras.

Juanfran: o jogador começou a carreira como ponta, mas virou um dos melhores laterais da Europa pelas mãos de Simeone, que soube explorar seu talento ao extremo. Bem tanto na marcação quanto no apoio ao ataque, o espanhol virou titular absoluto e peça fundamental em todos os times montados pelo treinador a partir de 2012. Já tem mais de 250 jogos com a camisa do clube.

Ujfalusi: o checo era um dos polivalentes do time de Quique, podendo jogar tanto na zaga quanto na lateral-direita. Forte e bom na marcação, às vezes exagerava um pouco nas chegadas aos oponentes, mas foi um dos destaques da campanha do título da Liga Europa de 2009-2010. Jogou de 2008 até 2011 em Madrid, até se transferir para o Galatasaray. Pela seleção checa, disputou 78 jogos e marcou dois gols.

Godín: o zagueiro uruguaio chegou em 2010 ao Atlético e se consagrou como um dos mais importantes defensores da história do clube. Sério, comprometido, com ótima impulsão, extremamente regular e ainda presença constante nas jogadas aéreas de ataque, Godín virou ídolo da torcida e marcou gols inesquecíveis, como o do empate que deu o título espanhol ao clube, em 2014, bem como o tento na final da Liga dos Campeões do mesmo ano. Possui mais de 300 jogos com a camisa colchonera. Pela Seleção Uruguaia, já são mais de 110 jogos.

Perea: o defensor colombiano chegou ao Atlético em 2004 e ficou quase dez anos em Madrid, até 2012. No período, jogou como lateral-direito e foi mais zagueiro após a chegada do técnico Quique. Perea fez bons jogos e sempre mostrou regularidade. Foi titular na campanha do título continental de 2010, mas, com as chegadas de Godín e Miranda, perdeu espaço entre os titulares. Jogou no Cruz Azul-MEX entre 2012 e 2014 até se aposentar.

Miranda: o zagueiro brasileiro vinha de um período de ouro no São Paulo, pelo qual venceu três campeonatos nacionais seguidos, em 2006, 2007 e 2008. Ótimo na marcação, no jogo aéreo e na saída de bola, era um dos principais defensores brasileiros quando chegou ao Atlético, em 2011. E, na Europa, aumentou ainda mais a fama com partidas impecáveis e um entrosamento notável com Godín. Em 2014, foi eleito um dos melhores zagueiros de La Liga. Em 2015, acabou indo para a Internazionale-ITA. É convocado constantemente para a Seleção Brasileira, pela qual já tem mais de 35 partidas.

Álvaro Domínguez: zagueiro e lateral-esquerdo, o espanhol jogou de 2009 até 2012 no time principal colchonero e foi titular sob o comando de Quique. Fez boas partidas, marcou até alguns gols e faturou duas Ligas Europa e uma Supercopa da UEFA. Foi jogar na Alemanha em 2012.

Filipe Luís: lateral-esquerdo muito bom na parte tática e no apoio ao ataque, além de ter grande fôlego, o brasileiro conquistou a posição de titular aos poucos e virou intocável com a chegada de Simeone. Fez grandes partidas, ganhou vaga na seleção brasileira e, claro, venceu títulos. Em 2014, deixou o clube para jogar no Chelsea, mas voltou no ano seguinte.

Antonio López: o lateral-esquerdo, que também atuava como zagueiro, se destacava na marcação e nos passes. Era líder do time e virou capitão em 2009, tendo a honra de erguer a histórica taça continental na final contra o Fulham. Jogou de 2000 até 2012, com um breve período emprestado ao Osasuna, entre 2002 e 2004, e disputou mais de 300 jogos com a camisa colchonera.

Alderweireld: o defensor belga chegou em 2013, mas teve pouquíssimas chances no time titular. Na campanha do título espanhol, disputou 12 jogos e chegou a atuar alguns minutos na final da Liga dos Campeões de 2014. Sem espaço, foi jogar no futebol inglês.

Raúl García: o meio-campista foi um dos grandes símbolos daquela geração de ouro atleticana e um dos titulares mais queridos pela torcida. Técnico, com ótima visão de jogo, ímpeto ofensivo notável e passador nato, foi um dos pilares do time no período. Disputou mais de 300 jogos com a camisa colchonera e marcou 45 gols entre 2007 e 2015.

Mario Suárez: cria colchonera, o volante debutou no time profissional em 2005, foi emprestado e retornou em 2010 para ajudar a compor o ótimo meio de campo do time no período. Bom no jogo aéreo, na marcação e nos passes, viveu seu melhor período entre 2011 e 2013, ganhando a vaga de Paulo Assunção e cravando seu espaço com um bom futebol. Deixou a equipe em 2015.

Gabi: outra cria do clube, o meio-campista despontou no time profissional em 2003, foi emprestado ao Getafe, em 2004, jogou no Zaragoza entre 2007 e 2011 e retornou ao clube em 2011 para viver a melhor fase da carreira. Ótimo no desarme, com notável controle de bola, boa visão de jogo e impecável no passe, ele virou capitão do time de Simeone e um dos principais símbolos daquele esquadrão. Um ídolo colchonero.

Paulo Assunção: o volante brasileiro chegou em 2008 à capital espanhola e rapidamente virou titular, com bons jogos e grande poder de marcação. Foi peça chave no esquema do técnico Quique na conquista da Liga Europa de 2010. Com a chegada de Mario Suárez, perdeu espaço e deixou o Atlético em 2012.

Arda Turan: controle de bola, presença constante no ataque, faro artilheiro, visão de jogo e garra, muita garra. Com esses atributos, o meio-campista, contratado em 2011 por 12 milhões de euros – que o tornou o jogador turco mais caro da história – cravou seu espaço no coração da torcida e do time de Simeone com partidas maravilhosas. Uma pena que tenha sofrido uma contusão que o tirou da final da Liga dos Campeões de 2014. Com ele em campo, a história com certeza seria diferente. Turan jogou de 2011 a 2015, disputou 178 jogos e marcou 22 gols com a camisa colchonera.

Reyes: como ponta, meia ou até atacante, o espanhol fez boas partidas pelo Atlético a partir de 2009 sob o comando de Quique e foi um dos mais utilizados pelo treinador. Até 2011, disputou dezenas de jogos e marcou gols. Deixou a equipe em 2012 para jogar no Sevilla.

Tiago: o volante português nunca foi titular absoluto, mas ainda sim conseguiu disputar vários jogos no time principal. Muito regular, marcava bem, desarmava com precisão e ajudava a proteger a defesa quando os companheiros investiam no ataque. Em sua passagem por Madrid, disputou 228 jogos e marcou 20 gols. Muito identificado com o clube, encerrou a carreira no próprio Atlético, em 2017.

Koke: cria das bases e no clube desde 2009, Koke é tido como o “novo Xavi” do futebol espanhol. Tem visão de jogo, é impecável nos passes, constrói jogadas, aparece como elemento surpresa no ataque e pode jogar em todos os lados do campo. Foi extraordinário na campanha do título espanhol em 2013-2014. Já tem mais de 330 jogos com a camisa colchonera.

Simão: ponta-esquerda de muita habilidade, vinha de uma boa passagem pelo Benfica quando chegou ao Atlético, em 2007. Ficou até 2010 e ajudou o clube a conquistar a Liga Europa, com boas partidas, sempre como titular. Deixou a equipe em 2010 para jogar no futebol turco.

Diego: chegou por empréstimo para a temporada 2011-2012 e, em 43 jogos, contribuiu muito para o setor ofensivo do time. Com passes precisos para Falcao, foi o maior “garçom” da Liga Europa e fundamental para a conquista do título. De quebra, ainda deixou sua marca na decisão contra o Athletic. Voltou ao futebol alemão na temporada seguinte e veio para o Atlético mais uma vez, na temporada 2013-2014, mas não brilhou tanto por falta de espaço no time titular de Simeone. Após 2014, foi jogar na Turquia e retornou ao Brasil.

Salvio: o argentino jogou de 2009 até 2012 no clube espanhol e disputou 69 jogos, marcando dez gols, a maioria deles na campanha do título da Liga Europa de 2011-2012. Rápido, Salvio jogava como ponta e costumava entrar no decorrer dos jogos quando o time precisava atacar de maneira mais incisiva seus adversários. Deixou o clube em 2012.

Diego Costa: o atacante brasileiro naturalizado espanhol viveu anos intensos em Madrid. Chegou em 2007, foi emprestado três vezes, jogou no Valladolid, voltou ao Atlético, foi emprestado ao Rayo Vallecano e só se firmou quando voltou, em 2012. Ao lado de Falcao, fez grandes partidas e se entendeu muito bem com a estrela colombiana. Mas o seu apogeu foi mesmo em 2013-2014. Sem Falcao, Costa assumiu o protagonismo do ataque e virou um dos mais temidos atacantes do continente. Brigador, forte, habilidoso, para ele, não havia bola perdida. Ao contrário do que aparentava, tinha técnica e controlava bem a bola. Uma pena que, após tanta garra, seu corpo tenha sentido o baque e ele não jogou nem dez minutos da final europeia de 2014. Mesmo assim, seu papel na conquista nacional foi inquestionável: 27 gols em 35 jogos, além de ter sido o artilheiro do time naquela temporada com 36 gols em 52 partidas. Na temporada seguinte, foi jogar no Chelsea.

Diego Forlán: devastador com a bola nos pés, prolífico ao extremo e no lugar certo e na hora certa, sempre. Foi assim o resumo da passagem do atacante uruguaio pelo Atlético. Entre 2007 e 2011, Forlán foi a referência no ataque do time e fundamental para as campanhas do time em 2009 e 2010, quando foi decisivo na conquista da Liga Europa. Mais do que isso, seus 32 gols em 33 jogos no Campeonato Espanhol de 2008-2009 foram uma enormidade. Tanto talento foi sacramentado na Copa do Mundo de 2010, quando ele ajudou o Uruguai a alcançar a semifinal. De quebra, ainda foi um dos artilheiros do Mundial com cinco gols e ganhou a Bola de Ouro de melhor jogador da competição. Após o auge, não conseguiu brilhar mais. Disputou cerca de 203 jogos e marcou 97 gols pelo Atlético. Pela seleção, foram 112 jogos e 36 gols.

Adrián López: conseguiu se firmar no time titular logo em sua primeira temporada, deixando Reyes no banco. Fez grandes jogos e uma parceria notável com Falcao García na campanha do título da Liga Europa de 2011-2012. Contando os jogos da fase preliminar da competição, Adrián anotou 11 gols na competição, três na fase preliminar e oito na fase principal, sendo um dos artilheiros do torneio. O habilidoso atacante foi titular em boa parte da temporada 2012-2013, mas perdeu um pouco de espaço na temporada 2013-2014. Deixou o clube em 2014.

David Villa: o atacante espanhol já tinha passado sua boa fase no Valencia e no Barcelona quando chegou ao Atlético, em 2013. Embora tenha marcado 13 gols em 36 jogos, ele foi ofuscado pelo desempenho formidável de Diego Costa. Sem ser decisivo com antes, ficou muito abaixo do esperado pela diretoria e pela torcida. Deixou o clube já na temporada seguinte.

Sergio Agüero: o atacante argentino foi trazido pelo Atlético em 2006 e, desde sua chegada, foi titular absoluto. Marcou gols, deu assistências e, sob o comando de Quique, rendeu ainda mais e fez uma dupla notável com Forlán no ataque do time campeão continental em 2010. Depois de 101 gols em pouco mais de 230 jogos, despertou o interesse do Manchester City-ING, que contratou o atacante em 2011, onde também fez história.

Radamel Falcao: habilidoso, inteligente, com instinto predatório aguçado, driblador, e, acima de tudo, goleador. El Tigre foi tudo isso e mais um pouco nas duas temporadas em que esteve pelas bandas de Madrid. Vivendo a melhor fase da carreira, o colombiano só não fez chover com a camisa do Atlético e “ganhou” a Liga Europa de 2011-2012 com seus 12 gols e atuações fantásticas. Em 2012-2013, continuou prolífico, destroçou o Chelsea na Supercopa da UEFA e entortou o meio de campo do Real Madrid na final da Copa do Rei de 2013. Uma pena que tenha saído tão cedo. Com ele na temporada 2013-2014, o Atlético teria tido um êxito ainda maior, principalmente na sonhada Liga dos Campeões da UEFA. Foram 70 gols em 91 jogos pelo clube e a idolatria eterna da torcida colchonera.

Quique Sánchez Flores, Gregorio Manzano e Diego Simeone (Técnicos): Quique foi o responsável por reacender a chama vencedora do Atlético na temporada 2009-2010, quando soube extrair o máximo do elenco para as conquistas da Liga Europa e da Supercopa da UEFA. Depois dele, Manzano não conseguiu montar um time até a chegada de Simeone, que simplesmente mudou a história do clube para sempre. Com títulos e a construção de uma equipe vibrante e altamente competitiva, ele já é um dos maiores nomes colchoneros em todos os tempos, quiçá o maior treinador da história do Atlético. Afinal, seu time ficou conhecido não por ser o Atlético de Falcao, ou o Atlético de Gabi, Koke ou Diego Costa. Ele virou o Atlético de Simeone. Um Atlético imortal.

 

Extras:

Veja os gols da final da Liga Europa de 2010.

 

Veja os gols da final da Liga Europa de 2012.

 

Veja os gols da goleada de 4 a 1 sobre o Milan, na Liga de 2013-2014,

 

Veja os gols da vitória por 3 a 1 sobre o Chelsea na Liga dos Campeões de 2013-2014.

 

Veja os lances da “final” contra o Barcelona, em 2014.

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10 thoughts on “Esquadrão Imortal – Atlético de Madrid 2009-2014

  1. Grande Atletico de Madrid 2009-2014, a equipe que derrubou gigantes , e se tornou um gigante no contexto do futebol mundial. Quantas conquistas marcantes do Atletico, principalmente após a chegada do ídolo Diego Simeone, e quantos craques também: Courtois, Miranda, Godin, Koke, Gabi, A.Turan, Aguero, Forlan, D.Costa e cia). Mas se fosse para definir o grande craque do time naquele período de conquistas, este seria Radamel Falcao Garcia, o que aquele colombiano jogou com a camisa do Atletico foi um absurdo, 91 jogos e 70 gols. Se Falcão Garcia juntamente com Diego Costa 100 % e A.Turam estivessem em campo na grande final da UEFA Champions League 2013/2014 o título sem sombras de dúvidas iria para as mãos do Atlético e não para o Real Madrid que teria que esperar mais um pouco por La Decima. E seria o Real Madrid, seu arquirrival, o único time que fizera os colchoneros viver um pouco de amarguras naquele período ( derrota na final da Champions em 2014 além do incômodo jejum de 14 anos: 25 jogos sem vitórias sobre os merengues), mas o Real não era invencível, e na final da Copa do Rei 2012/2013 o Atletico enfim bateu o Real Madrid e os colchoneros puderam enfim comemorar uma grande conquista pra cima do seu arquirival.

  2. Cativante ao extremo esse Atlético de Madrid, era bonito vê-los jogar principalmente em 2014 em minha humilde opinião.
    Caso ache pertinente o São Paulo de 1943-1949 creio eu merecer uma homenagem, porque foi o esquadrão que colocou o São Paulo definitivamente entre os grandes de São Paulo e do Brasil fazendo a moeda cair de pé.
    Que Deus abençoe seu trabalho.

  3. Que matéria espetacular, alias mais uma das matérias espetaculares deste site. Esse time do Atlético definitivamente recolocou o time na condição de 3 força da Espanha, num país com os gigantescos Barcelona e Real Madrid, isso é muita coisa.

  4. Estava esperando um texto como esse. A derrota para o Real foi dolorosa, mas o trabalho de Simeone ficou na história. Tristeza por ter assistido àquela final e ver o Real ganhar no último minuto.

    Ótima matéria

    Abs

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