História da Camisa da França

Eles são os Les Bleus (Os Azuis). Mas também são multiétnicos. Multitradicionais. Multicampeões. Com uma Copa do Mundo, duas Eurocopas, duas Copas das Confederações e uma Medalha de Ouro Olímpico no currículo, a Seleção Francesa de futebol possui uma rica, vitoriosa e centenária história repleta de craques fabulosos, jogos inesquecíveis e características únicas, como seu inconfundível uniforme que remete à bandeira do país, conhecida como drapeau tricoleur: camisa azul, calção branco e meias vermelhas. Mas nem sempre os azuis de Paris jogaram dessa maneira.

A história da Seleção Francesa começou no começo do século XX, em 1904, quando a equipe fez seu primeiro jogo contra a Bélgica, no dia 1º de maio daquele ano. A partida foi disputada em Uccle, na Bélgica, e terminou empatada em 3 a 3, com o primeiro gol francês na história marcado por Louis Mesnier. Naquela partida, a França adotou uma camisa branca com o logotipo da Union des Sociétés Françaises de Sports Athlétiques (antiga federação que organizava diversos esportes no país à época, tais como rúgbi, ciclismo, atletismo, hóquei, natação e, claro, o futebol), calção azul e meias vermelhas.

A camisa de 1906.

 

Em 1906, a equipe mudou a cor da camisa para o vermelho, manteve o calção azul e deixou as meias também em vermelho. Só em 1908 que a camisa azul, calção branco e as meias vermelhas ganharam a “titularidade” no kit da francês. Até o final da Primeira Guerra Mundial, os Bleus ainda mudaram mais uma vez seu uniforme e vestiram camisas listradas em azul e branco, calção branco e meias vermelhas, até as três opções tradicionais voltarem em definitivo no ano de 1919, que marcou a fundação da Federação Francesa de Futebol. Em 1930, na primeira Copa do Mundo, a França foi a protagonista do primeiro gol da história dos Mundiais, na goleada por 4 a 1 sobre o México. Os Bleus jogaram com sua tradicional vestimenta e começaram com o pé direito sua trajetória no torneio.

Kopa e Fontaine, a dupla de ouro da grande França de 1958.

 

Nas décadas seguintes, a equipe manteve seu uniforme intacto, disputou quatro Copas do Mundo (com destaque para o terceiro lugar no Mundial de 1958, na Suécia) e só voltou a mexer em suas vestimentas na década de 60, quando o azul mais escuro deu lugar a um tom mais claro, que foi utilizado na Copa do Mundo de 1966, na qual os franceses caíram ainda na primeira fase. Naquele torneio, a equipe enfrentou o Uruguai com camisas e calções brancos e apenas as meias na cor vermelha. A combinação não trouxe lá muita sorte e os uruguaios venceram por 2 a 1. Na Copa do Mundo de 1978, a equipe viveu uma situação inusitada no duelo contra a Hungria, na primeira fase. As duas seleções levaram apenas uniformes brancos para o jogo e, com isso, houve um sorteio que definiu que o perdedor teria que utilizar um jogo de uniformes improvisado. A França se deu mal e teve que jogar com uma camisa listrada em verde e branco, cores do pequenino C.A. Kimberley, de Mar del Plata. Curiosamente, o uniforme deu sorte e a França venceu por 3 a 1. Leia mais sobre esse episódio clicando aqui.

Nos anos 80, o futebol francês se agigantou e a seleção azul fez campanhas excepcionais em todos os torneios que disputou. Na Copa do Mundo de 1982, a brilhante geração de Platini e companhia chegou até as semifinais e só caiu nos pênaltis depois de uma partida eletrizante contra a Alemanha. Em 1984, duas glórias: Medalha de Ouro nas Olimpíadas de Los Angeles e título na Eurocopa, disputada na própria França.

Michel Platini: expoente máximo da magnífica seleção francesa dos anos 80.

 

Em 1986, a equipe voltou a disputar uma semifinal de Copa do Mundo, mas caiu (de novo) diante da Alemanha. Naquela época, os franceses encantaram a todos com seu futebol vistoso e uniformes inconfundíveis. A camisa azul ganhou uma faixa horizontal em vermelho no peito e listras brancas, itens que deram um tom bem único e inesquecível ao manto dos Bleus. Nos anos 90, após um começo ruim e ausência nas Copas de 1990 e 1994, os franceses reinaram absoluto entre 1998 e 2000 e conquistaram a Copa do Mundo e a Eurocopa, com uma geração de craques marcante como Barthez, Desailly, Thuram, Vieira, Zidane, Henry e outros. Nessa época, a equipe voltou às origens de brilho dos anos 80 e vestiu um uniforme bem parecido com o da turma comandada por Platini.

 

Nos anos 2000, o branco ganhou mais força e passou a ser utilizado com mais frequência, principalmente na reta final da Copa de 2006, quando os Bleus viraram Blancs e disputaram os quatro jogos do mata-mata de branco, da camisa às meias. A cor pura deu sorte até a decisão, mas o intenso azul da Itália foi mais forte e deu aos franceses um amargo vice-campeonato. Em 2008, a equipe voltou a usar camisas vermelhas, mas por pouco tempo.

A “maillot rouge” da equipe nos anos 2000.

 

A camisa em tom mais claro de 2013.

 

As camisas da Copa de 2014.

 

 

Atualmente, a França deixou de lado as camisas detalhistas de antes e aposta em combinações mais sóbrias e sem invenções. Salvo alguns lançamentos pontuais (como a camisa branca com listras finas em azul, de 2011, e a camisa azul-celeste, de 2013), os Bleus deverão apostar no tradicional uniforme tricoleur para fazer bonito na Copa do Mundo de 2018 e conquistar o bicampeonato na Rússia.

Este texto foi uma parceria do Imortais com o Mantos do Futebol, mais completo site brasileiro de notícias sobre camisas de futebol. Acesse este link e confira as novidades e lançamentos de todos os clubes do mundo!

 

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