Esquadrão Imortal – Borussia Dortmund 2010-2013

Grandes feitos: Bicampeão do Campeonato Alemão (2010-2011 e 2011-2012), Campeão da Copa da Alemanha (2011-2012), Campeão da Supercopa da Alemanha (2013) e Vice-Campeão da Liga dos Campeões da UEFA (2012-2013). Conquistou o primeiro Double (Bundesliga e Copa da Alemanha vencidos em uma mesma temporada) da história do clube.

Time-base: Weidenfeller (Langerak); Piszczek, Subotic (Felipe Santana), Hummels e Schmelzer; Sven Bender (Sebastian Kehl) e Gündogan (Nuri Sahin); Błaszczykowski (Antônio da Silva), Mario Götze (Kevin Grosskreutz / Perisic) e Marco Reus (Shinji Kagawa); Robert Lewandowski (Lucas Barrios). Técnico: Jürgen Klopp.

 

“O retorno dos infernais de Dortmund”

 

Nos anos 60, o Borussia Dortmund fez história ao vencer títulos nacionais e se tornar o primeiro clube alemão (leia mais clicando aqui) campeão de um torneio continental: a Recopa da UEFA de 1965-1966, vencida sobre o Liverpool-ING do lendário técnico Bill Shankly. Muitas décadas se passaram até a chegada do ano de 1994, quando o time aurinegro começou a dominar o cenário nacional e internacional, culminando com a conquista de sua primeira Liga dos Campeões da UEFA, em 1997, além do Mundial Interclubes do mesmo ano (leia mais clicando aqui). Porém, o clube começou o século XXI com sérios problemas financeiros, quase decretou falência, tomou dois milhões de euros emprestados do rival Bayern e foi obrigado a vender os naming rights de seu estádio para conseguir cumprir seus compromissos fiscais. Foi então que, ao final da primeira década do novo milênio, os ventos prósperos voltaram à North Rhine-Westphalia. Com jovens talentosos, um técnico inteligente e vibrante e uma torcida impressionante, o Borussia conseguiu, num curtíssimo espaço de tempo, conquistar títulos, quebrar jejuns e brigar de igual para igual com o gigante rival de Munique. Intenso, veloz, prolífico e letal jogando em casa com sua intimidadora muralha amarela no Westfalenstadion, o Borussia venceu quase tudo o que disputou. Foi bicampeão alemão com números absolutos. Venceu uma Copa da Alemanha depois de 23 anos com direito a goleada sobre o Bayern. Destroçou times clássicos do continente como Ajax e Real Madrid. E encantou os adeptos do futebol com as atuações marcantes de jogadores como Hummels, Reus, Götze, Lewandowski e companhia. É hora de relembrar.

 

Período de reconstrução

Em pé: Lars Ricken, Jan Koller, Jens Lehmann, Jürgen Kohler, Christian Woerns e Stefan Reuter. Agachados: Evanílson, Rosicky, Amoroso, Dedê e Éwerthon: esse foi o time base do Borussia campeão alemão de 2002, finalista da Copa da UEFA do mesmo ano e que encheu a torcida de esperança no começo do século. Porém, a alegria durou muito pouco…

 

O Borussia iniciou o século XXI trazendo a esperança de novos e bons tempos ao seu torcedor quando conquistou a Bundesliga de 2001-2002 com um timaço que tinha como destaques o goleiro Lehmann, os defensores Metzelder, Reuter, Kohler, Dedê, os meio-campistas Rosicky, Kehl e Ricken e os atacantes Amoroso, Éwerthon e Koller, todos comandados pelo técnico e ídolo Matthias Sammer. Naquela mesma temporada, a equipe ainda flertou com o título da Copa da UEFA, mas acabou derrotada pelo Feyenoord do trio Van Persie, Tomasson e Van Hooijdonk. A partir dali, o clube aurinegro mergulhou em uma profunda crise financeira mesmo depois de se tornar o primeiro na Alemanha a ter ações no mercado financeiro. Com salários altos e má gestão, o time teve que se desfazer de seus craques, quase decretou falência e teve que contar com uma providencial ajuda do Bayern München, que emprestou, em 2003, cerca de dois milhões de euros para que o time de Dortmund pudesse honrar com seus compromissos salariais e sua folha de pagamento, algo confirmado por Uli Hoeness, presidente do Bayern, anos depois:

 

“Quando eles nem sequer sabiam se poderiam pagar os salários, nós demos a eles o valor de dois milhões por alguns meses”.Uli Hoeness, presidente do Bayern München, em entrevista ao jornal Hamburger Abendblatt (ALE), 06 de fevereiro de 2012.

 

Fevereiro de 2005: matéria da BBC alerta para o risco de falência do Borussia. Clube registrava perdas superiores a 68 milhões de euros na época e tinha uma estimativa de o montante chegar aos € 134,7 milhões na metade de 2006 se um plano de reestruturação não fosse feito.

 

Em 2006, o clube começou a amenizar seus problemas ao vender os naming rights de seu estádio, que passou a se chamar Signal Iduna Park. Com a realização da Copa do Mundo na Alemanha naquele mesmo ano, o estádio passou por melhorias e deu ainda mais visibilidade ao Borussia, que só precisava voltar aos trilhos dentro de campo. Afinal, Hans-Joachim Watzke, presidente do clube, juntamente com Reinhard Rauball, conseguiram salvar a instituição da falência e começaram a traçar metas para colher frutos o mais rápido possível. Focando em jogadores promissores, mas baratos, o time logo começou a montar um esquadrão que pudesse acabar com as péssimas campanhas na Bundesliga – na temporada 2007-2008 o time aurinegro terminou na 13ª colocação e flertou com a zona de rebaixamento. A grande virada começou já em 2008, quando chegou ao clube o técnico Jürgen Klopp, ex-Mainz 05. Logo de cara, o treinador conduziu o time ao título da Supercopa da Alemanha e deixou o Borussia na sexta posição na Bundesliga, garantindo uma vaga na Copa da UEFA. Novos jogadores começaram a ganhar força no escrete aurinegro como o meia “Kuba” Błaszczykowski, os zagueiros Subotic e Mats Hummels (que primeiro veio por empréstimo de um ano e, em 2009, foi contratado em definitivo), o lateral e meia Grosskreutz, o volante Sven Bender e o atacante Lucas Barrios, além dos debutes das crias da base Mario Götze e Marcel Schmelzer.

Jürgen Klopp em sua primeira coletiva no Borussia: a história do clube mudaria completamente a partir de 2008.

 

Com foco no futebol ofensivo e no entrosamento, Klopp conseguiu rapidamente dar sua cara ao time e viu o rendimento aumentar de maneira progressiva. Na temporada 2009-2010, a equipe subiu uma posição em relação à anterior e terminou a Bundesliga em quinto lugar. Para a temporada seguinte, Klopp ganhou mais reforços com as contratações do meia japonês Shinji Kagawa (ex-Cerezo Osaka, por uma pechincha incrível de 350 mil euros!), do lateral polonês Piszczek (ex-Hertha) e do atacante polonês Robert Lewandowski (ex-Lech Posnan). Com ótimos nomes em todas as posições e um grupo entrosado e unido, o Borussia estava pronto para brigar por títulos. E provar que os tempos difíceis já haviam passado, também, dentro de campo.

 

Olhos para a Alemanha

Sem uma taça nacional desde 2002, o Borussia tratou como prioridade máxima a Bundesliga na temporada 2010-2011. Prova disso foram as fracas campanhas na Copa da Alemanha – eliminação na segunda fase, diante do Kickers Offenbach -, e na Liga Europa – queda na fase de grupos, atrás de PSG-FRA e Sevilla-ESP. No primeiro turno, a equipe superou o revés em casa logo na estreia diante do Bayer Leverkusen (2 a 0) e venceu sete jogos seguidos, com destaque para as vitórias fora de casa contra Stuttgart (3 a 1, gols de Boulahrouz, contra, Barrios e Götze), Schalke 04 (3 a 1, dois gols de Kagawa e um de Lewandowski), e a vitória por 2 a 0 sobre o Bayern, em casa, com gols de Barrios e Nuri Sahin. Na nona rodada, o time empatou em 1 a 1 com o 1899 Hoffenheim, mas emendou mais sete vitórias seguidas até perder para o Eintracht Frankfurt por 1 a 0 no fim do turno. Ou seja, foram 15 jogos de invencibilidade, com 14 vitórias e um empate. A equipe era líder com folga, dez pontos à frente do vice-líder Mainz 05, dona do melhor ataque, com 39 gols, e a melhor defesa, com apenas dez sofridos. Tanto em casa quanto fora, o Borussia era absoluto, envolvia os adversários com um futebol rápido, ofensivo e contava com o entrosamento notável de seus atletas, em especial Götze, Grosskreutz e Barrios. Outro que brilhava muito pelo time na época era o japonês Kagawa, com oito gols e ótimas atuações. Porém, o meia sofreria uma lesão no pé direito pela seleção do Japão, em partida pela Copa da Ásia, e acabaria fora de praticamente todo o returno do campeonato.

A base do time de 2011: velocidade e criatividade no ataque foram as máximas daquele esquadrão. Lá atrás, defesa deu conta do recado com atuações fantásticas de Subotic e Hummels.

 

Kagawa jogou muito na primeira metade da Bundesliga de 2010-2011, mas uma contusão o tirou de combate do returno.

 

Mesmo sem Kagawa, Jürgen Klopp conseguiu administrar a ausência do japonês e manteve seu time invencível por mais oito jogos. Nessa nova leva, os aurinegros tiveram uma vitória soberba de 3 a 1 sobre o Bayern em plena Allianz Arena, com gols de Barrios, Nuri Sahin e Hummels. Foi a primeira vitória do Borussia em Munique depois de 20 anos. Outros fatos emblemáticos daquele duelo para o Borussia foi ter sepultado de vez as chances de título do Bayern e mandado a campo um time com média de idade de apenas 23 anos, algo inédito na história do clube. Naquele dia, o time foi com a seguinte escalação: Langerak (23 anos – Weidenfeller estava machucado); Piszczek (26), Subotic (23), Hummels (23) e Schmelzer (23); Götze (19), Bender (22), Nuri Sahin (23) e Grosskreutz (23); Lewandowski (23) e Lucas Barrios (27). A taça era apenas uma questão de tempo…

 

Campeões!

 

Após o triunfo sobre o Bayern, o Borussia venceu o Köln, em casa, por 1 a 0, e perdeu para o 1899 Hoffenheim, fora, por 1 a 0. Nas quatro rodadas seguintes, o time empatou duas, venceu outras duas e só perdeu para o Borussia Mönchengladbach na 31ª rodada, fora, por 1 a 0. Porém, a glória veio na 32ª rodada, quando o Borussia derrotou o Nuremberg por 2 a 0, em casa, com gols de Lewandowski e Barrios, e faturou o título alemão por antecipação. A euforia tomou conta da torcida, que entrou em uma verdadeira odisseia para conseguir um ingresso para o duelo final, da volta olímpica, contra o Eintracht Frankfurt, em casa. Mais de 361 mil pessoas (!) queriam um lugar entre os poucos mais de 80 mil assentos disponíveis no caldeirão do time aurinegro. O clube teve que realizar um pré-registro e um sorteio para conseguir lidar com a situação, já que mais de 50 mil sócios tinham seus lugares garantidos e outros 8 mil assentos eram destinados aos torcedores do Eintracht. Era um fanatismo enorme que foi recompensado no dia 14 de maio, quando o Borussia levantou a “saladeira” com uma vitória por 3 a 1 sobre os rubronegros, com dois gols de Barrios e um de Russ, contra. A festa foi tão grande que o clube acabou levando uma multa de cinco mil euros da Federação Alemã por causa das bombas de fumaça lançadas pela torcida que atrasaram o início do duelo. Falando em bomba, naquela temporada, o estádio do clube foi alvo de um atentado de um jovem de 25 anos, que tinha explosivos e armamento a cem metros da arena e planejava executar a ação em um jogo do time contra o Hannover, pela 28ª rodada. A polícia interceptou o malfeitor e o Borussia venceu por 4 a 1.

Kevin Grosskreutz e Robert Lewandowski celebram: Borussia foi absoluto naquela temporada. Foto: REUTERS/ Ina Fassbender.

 

O título foi a confirmação de um time que fez muito por merecer: foram 75 pontos, 23 vitórias, seis empates e apenas cinco derrotas em 34 jogos, com 67 gols marcados e 22 sofridos (melhor defesa). Lucas Barrios, com 16 gols, foi o artilheiro do time no campeonato e na temporada, com 21. Kagawa, com 12 gols, foi o vice-artilheiro da temporada. Götze, com 11 assistências, foi o maior garçom da equipe na Bundesliga, seguido de Nuri Sahin, com sete.

 

Onde estão os campeões?

Para a temporada 2011-2012, o Borussia teve uma baixa no elenco com a saída de Nuri Sahin, que foi jogar no Real Madrid. Em compensação, o time trouxe para o meio de campo o promissor Gündogan, que havia feito uma ótima temporada pelo Nuremberg. A equipe era favorita em todas as competições, com exceção da Liga dos Campeões, competição que o Borussia ainda não figurava entre os bicho-papões. Porém, muitos começaram a duvidar da força daquele time quando surgiram os primeiros resultados da nova temporada. Na Supercopa da Alemanha, o time perdeu o título nos pênaltis para o rival Schalke 04. Na Bundesliga, três derrotas, um empate e apenas duas vitórias nas seis primeiras rodadas e uma pífia 13ª colocação com uma distância de oito pontos para o líder Bayern. E, na Liga dos Campeões, uma campanha simplesmente ridícula, para dizer o mínimo, com quatro derrotas, um empate e apenas uma vitória em seis jogos e última colocação em um grupo com Arsenal-ING, Olympique de Marselha-FRA e Olympiacos-GRE, adversários apenas medianos.

Gündogan, reforço para o meio de campo, começou devagar no time, mas depois virou peça fundamental no esquema tático de Klopp.

 

Muitos diziam que a falta de Sahin e a demora na adaptação de Gündogan ao esquema do meio de campo eram alguns dos motivos, mas nada explicava um desempenho tão ruim. Lewandowski, no lugar do lesionado Barrios, estava irreconhecível e perdia gols incríveis. Kagawa não era o habilidoso artista do início da campanha vencedora de 2010. Enfim, o time não era nem sombra do campeão da temporada passada. Götze e Grosskreutz eram os que se sobressaiam diante daquele baixo rendimento. Mas Klopp, com seu jeito vibrante, estava pronto para mexer com aquela turma e dar a volta por cima.

 

Estamos aqui!

Götze vibra: jovem foi uma das maiores estrelas daquele esquadrão.

 

No dia 24 de setembro de 2011, o Borussia começou uma reviravolta sem precedentes na Bundesliga. A equipe venceu o Mainz 05 por 2 a 1, fora de casa, e simplesmente não perdeu mais naquela competição. Da 7ª rodada até a 34ª, os aurinegros não iriam mais sofrer um revés sequer. Depois do Mainz, o time goleou Augsburg (4 a 0, em casa), venceu o Werder Bremen (2 a 0, fora) e atropelou o Köln (5 a 0, em casa). Na 11ª rodada, empate em 1 a 1 com o Stuttgart, fora, e mais três vitórias na sequência, entre elas uma de 1 a 0 sobre o Bayern em plena Allianz Arena (gol de Götze) e um triunfo de 2 a 0 sobre o rival Schalke 04, em casa. Após dois empates nas 15ª e 16ª rodadas, o time emendou oito vitórias seguidas (recorde na história do clube), viu o título começar a tomar forma quando a liderança foi alcançada na 20ª rodada, após vitória por 2 a 0 sobre o Nuremberg, e abriu sete pontos de vantagem sobre o Bayern na 24ª rodada.

Nas rodadas seguintes, mais triunfos e dois empates, com destaque para um eletrizante 4 a 4 com o Stuttgart, em casa, num jogo com seis gols nos vinte minutos finais, três bolas na trave e duas viradas no placar. Kagawa, Kuba, Hummels e Perisic fizeram os tentos do Borussia no jogo. Após vencer o Wolfsburg por 3 a 1, fora, a equipe tinha um compromisso crucial na 30ª rodada: encarar, em casa, o Bayern, vice-líder e com apenas três pontos atrás dos aurinegros. Era uma verdadeira final que deixaria o vencedor com o moral elevado e muito perto da taça.

 

Freguesia e bicampeonato!

Robben se desespera e é provocado por Subotic: holandês perdeu um pênalti e o Borussia venceu por 1 a 0.

 

No dia 11 de abril de 2012, o Borussia colocou mais de 80 mil pessoas em seu caldeirão para manter a sequência de vitórias sobre o Bayern. Após um primeiro tempo sem gols, o time da casa mostrou força e fez 1 a 0 com Lewandowski, que aproveitou uma sobra na área e deu um toque cheio de estilo para o gol. Para tornar o jogo ainda melhor, Robben perdeu pênalti e sepultou de vez as chances de título dos bávaros. A vitória deixou o Borussia seis pontos à frente do rival, significou a quarta vitória seguida sobre os Bávaros em duelos pela Bundesliga e começou a colorir de amarelo e preto a salva de prata. Nas quatro rodadas seguintes, o time venceu todos os jogos e levantou o título com duas rodadas de antecedência. Mais uma vez a “festa da salva” foi diante da torcida, com uma goleada de 4 a 0 sobre o Freiburg na última rodada, com dois gols de Kuba e dois de Lewandowski. Êxtase em Dortmund! E um título simplesmente incontestável e épico: 25 vitórias, seis empates, três derrotas, 80 gols marcados (melhor ataque), 25 sofridos e 81 pontos. Lewandowski foi o artilheiro do time com 22 gols, seguido de Kagawa, com 13. Na tabela de assistentes, Kagawa, com nove passes, e Kuba, com oito, foram os recordistas do escrete aurinegro. As 28 partidas de invencibilidade foram impressionantes e cruciais para uma reviravolta que poucos acreditavam lá no comecinho da competição. De quebra, a Bundesliga viu um bicampeão diferente pela primeira vez desde 1996 – somente o Bayern havia conseguido títulos em sequência desde então. Mas aquele Borussia ainda estava com apetite. Sete dias depois haveria outra decisão: a Copa da Alemanha.

 

Goleada no jejum

Lewandowski mostra a conta: três gols foram dele na goleada sobre o Bayern na final! Foto: (AP Photo/Michael Sohn).

 

Durante sua caminhada na Copa da Alemanha, o Borussia não encontrou grandes dificuldades. A equipe superou pelo caminho Sandhausen (3 a 0), Dynamo Dresden (2 a 0), Fortuna Düsseldorf (0 a 0 e 5 a 4 nos pênaltis), Holstein Kiel (4 a 0) e Greuther Fürth (1 a 0) até chegar à final. Sem sofrer gols e jogando quatro dos cinco jogos fora de casa, Klopp soube mesclar bem seus jogadores e conseguiu montar equipes fortes para as duas competições simultaneamente sem ter grandes problemas com a parte física dos jogadores. O único que sentiu mais a reta final da temporada foi Götze, que sofreu uma lesão na cartilagem do joelho que o tirou de boa parte do segundo semestre da temporada.

O time que destroçou o Bayern na Copa da Alemanha de 2012: com Grosskreutz, Kagawa e Kuba na frente, era impossível parar aquele time nos contra-ataques em velocidade. Na frente, Lewandowski provava ser um dos mais letais centroavantes do planeta na época.

 

Em Berlim, sete dias após levantar a taça da Bundesliga, o Borussia teve pela frente o já freguês Bayern, que tinha a última chance de levantar uma taça nacional na temporada – e usar o título como embalo para a final da Liga dos Campeões da UEFA, que seria disputada no dia 19 de maio, em Munique. Porém, quem esperava algum equilíbrio viu um atropelamento aurinegro. Kagawa, aos 3’, fez 1 a 0. Robben empatou, mas Hummels e Lewandowski fizeram 3 a 1 ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, Lewandowski fez 4 a 2, aos 13’, Ribéry diminuiu, aos 30’, mas Lewandowski, aos 36’, decretou a goleada de 5 a 2 e o fim do jejum de 23 longos anos sem títulos na Copa da Alemanha. Melhor ainda, deu ao clube o primeiro Double de sua história e selou a quina de vitórias seguidas sobre o Bayern, algo raríssimo no futebol levando em conta o poder daquele time dirigido por Jupp Heynches (que acabaria perdendo a Liga dos Campeões para o insosso Chelsea, nos pênaltis, dias depois). De fato, não tinha para ninguém: o time do ano na Alemanha era mesmo o Borussia Dortmund. E o país já estava pequeno demais para aquele esquadrão. Era hora de mostrar suas virtudes para toda a Europa.

 

Mudança no radar

Na nova temporada europeia, o Borussia perdeu uma de suas grandes peças: Kagawa, que foi jogar no Manchester United por cerca de 15 milhões de euros. Além dele, Lucas Barrios se transferiu para o futebol chinês e Antônio da Silva migrou para o Duisburg. O clube manteve sua política de gastar pouco em contratações e trouxe apenas um reforço mais caro, mas por um motivo nobre: suprir a ausência de Kagawa. Por 17,5 milhões de euros, Marco Reus, ex-Borussia Mönchengladbach e um dos melhores jogadores do país na época, desembarcou em Dortmund. Habilidoso, rápido e inteligente, ele cairia como uma luva no esquema de Jürgen Klopp, dando mais mobilidade para as jogadas de ataque e criando oportunidades para Lewandowski, em grande fase, manter seu faro artilheiro.

Reus e Götze: dupla que transformou o Borussia em uma máquina de dar shows.

 

Com um time mais experiente e forte, o Borussia não negou que o foco naquela temporada seria a classificação para a fase de mata-mata da Liga dos Campeões. E esse foco custaria a manutenção da coroa em casa. Em agosto, o time perdeu a Supercopa da Alemanha para o Bayern, após derrota por 2 a 1 em Munique. O mesmo Bayern eliminaria os aurinegros nas quartas de final da Copa da Alemanha, com triunfo por 1 a 0 (gol de Robben) também em Munique. Na Bundesliga, a equipe chegou aos 31 jogos de invencibilidade com as duas vitórias e um empate nas primeiras rodadas até perder para o Hamburgo, na 4ª, por 3 a 2, fora de casa. A partir dali, o time consistente e equilibrado da temporada anterior deu lugar a um que não conseguiu manter uma boa sequência de vitórias e perdeu partidas incríveis em casa – 2 a 1 para o rival Schalke, 3 a 2 para o Wolfsburg e sonoros 4 a 1 para o Hamburgo -, resultados que mantiveram a equipe estacionada na segunda posição quase todo o torneio. O campeão foi o Bayern, com uma campanha notável e apenas uma derrota em 34 jogos. Ainda sim, o Borussia fez grandes jogos – 5 a 0 no Borussia Mönchengladbach, 3 a 0 no Leverkusen, 5 a 0 no Werder Bremen (fora de casa) e 5 a 1 no Freiburg -, teve o vice-artilheiro do torneio – Lewandowski, com 24 gols -, e viu Reus fazer valer o investimento em seu futebol ao anotar 14 gols. Na tabela de assistências, Kuba, com 12 passes, foi o segundo maior garçom, atrás apenas de Ribéry, do Bayern, com 15. Nos confrontos diretos contra o rival de Munique, ambas as partidas terminaram em empates de 1 a 1. Foram 19 vitórias, nove empates e seis derrotas em 34 jogos, com 81 gols marcados e 42 sofridos. Mas, se as coisas não fluíram tão bem em casa, a caminhada continental seria bem diferente.

 

Bons prenúncios

Na Liga dos Campeões passada, o Borussia protagonizou um verdadeiro vexame ao cair ainda na fase de grupos. Com o aprendizado nos erros cometidos, a equipe foi totalmente outra naquela edição de 2012-2013. Na estreia, o esquadrão aurinegro enfrentou o Ajax-HOL, em casa, e venceu por 1 a 0, gol de Lewandowski. Na partida seguinte, empate em 1 a 1 com o Manchester City-ING, na Inglaterra. No último jogo do turno, os alemães encararam outro clube poderoso: o Real Madrid-ESP. E, com força ofensiva e muita garra, a equipe bateu os espanhóis por 2 a 1, gols de Lewandowski e Schmelzer. No returno, em Madrid, o Borussia segurou o empate em 2 a 2 com os merengues e encaminhou sua classificação ao viajar até Amsterdã e fazer 4 a 1 no Ajax, com gols de Reus, Götze e dois de Lewandowski, em uma atuação de gala sobre o tetracampeão europeu e algoz nas quartas de final da Liga dos Campeões de 1996. A atuação surpreendeu até o mito Franz Beckenbauer, que comentou à época sobre a dupla Reus-Götze:

 

“No Barcelona, Messi, Xavi e Iniesta constroem um triângulo, mas como um clássico duo, não há ninguém melhor que o prolífico Reus-Götze. A maneira como eles bateram o Ajax me impressionou. Eu espero que eles não tenham sucesso em Munique!”. – Franz Beckenbauer, em entrevista ao site Goal.com, 1° de dezembro de 2012.

 

No último jogo do grupo, os alemães fizeram 1 a 0 sobre o Manchester City e se garantiram em primeiro lugar, três pontos à frente do Real Madrid.

Reus e Götze.

 

Nas oitavas de final, a equipe alemã encarou o Shakhtar Donetsk-UCR e sua legião de brasileiros. No primeiro jogo, na Ucrânia, o time da casa abriu o placar com Srna, aos 31’, mas Lewandowski, dez minutos depois, empatou. No segundo tempo, Douglas Costa fez 2 a 1 e Hummels, a três minutos do fim, decretou o ótimo empate em 2 a 2 para o Borussia. Na volta, em Dortmund, a velocidade e talento do ataque aurinegro prevaleceu e o time carimbou sua vaga ainda no primeiro tempo, quando Felipe Santana e Götze fizeram 2 a 0. No começo da segunda etapa, Kuba fez 3 a 0 e colocou o time alemão nas quartas de final.

O mosaico da torcida na partida contra o Málaga: eles viam a taça da Liga cada vez mais perto!

 

O adversário seguinte foi o Málaga-ESP, de Demichelis, Joaquín, Isco, Saviola, Júlio Baptista e Toulalan, um rival bem complicado que havia eliminado o Porto-POR, nas oitavas, e ficado à frente do Milan-ITA na fase de grupos. Na ida, em Málaga, empate sem gols. Na volta, em Dortmund, um jogo dramático encheu de emoção os torcedores em Westfalenstadion, que fizeram um lindo mosaico antes da partida. Aos 25’ do primeiro tempo, Joaquín recebeu de Isco e abriu o placar para o Málaga. Aos 40’, contra-ataque fulminante do Dortmund, passe de letra de Reus e finalização de Lewandowski: golaço! No segundo tempo, Eliseu colocou o Málaga em vantagem, aos 37’. O medo tomou conta da torcida, que temia pela eliminação. Seria preciso mais dois gols em pouco mais de 13 minutos. Até que, aos 46’, Reus aproveitou uma sobra na área e fez 2 a 2. Dois minutos depois, outra sobra na área e Felipe Santana colocou a bola, chorada, dentro do gol. Virada épica nos acréscimos! E classificação para a semifinal. A equipe mantinha a invencibilidade na Liga e os 100% em casa, com cinco vitórias em cinco jogos.

Felipe Santana corre pro abraço: classificação épica para a semifinal!

 

O Borussia na Liga: sem dúvidas, o melhor onze titular da equipe em todos aqueles anos: segurança na defesa, consistência no meio de campo, velocidade no ataque, precisão cirúrgica de Lewandowski, Reus planando com suas arrancadas e dribles… Um timaço.

 

Porém, todos aqueles números seriam colocados à prova no duelo contra o Real Madrid-ESP, sempre perigoso na competição europeia e louco para levantar a décima taça. Para piorar, uma notícia externa caiu como uma bomba nos bastidores do clube aurinegro: é que o Bayern pagou a multa de 37 milhões de euros e anunciou a contratação de Mario Götze já para a temporada 2013-2014. O fato gerou imensa ira da torcida, que começou a chamar a promessa de “judas”. Outro que já tinha quase destino certo era o atacante Lewandowski, também cobiçado pelo clube bávaro. Irada, a torcida temia que tais notícias influenciassem negativamente o elenco, ainda mais faltando dias para o primeiro duelo contra o Real, em Dortmund. Será que o time alemão conseguiria se blindar e derrotar os espanhóis?

 

Lewandowski 4×1 Real Madrid

O Wesfalenstadion estava diferente naquela noite do dia 24 de abril de 2013. Mais de 65 mil pessoas transformaram o caldeirão de Dortmund num inferno amarelo. Fumaça. Gritos. Intimidação. Era um verdadeiro alçapão pronto para devorar o Real Madrid. E, desde o início, os onze jogadores que vestiam o amarelo e preto dentro de campo fizeram jus àquela força descomunal da torcida na arquibancada. E, em especial, um jogador: Lewandowski. Aos oito minutos, o polonês completou de carrinho um cruzamento de Götze pela esquerda e fez 1 a 0. Dali em diante, velocidade, tabelinhas e o estilo de jogo inconfundível daquele time deixaram o Real atordoado. No final do primeiro tempo, os merengues ainda empataram com Cristiano Ronaldo, mas, na segunda etapa, o Borussia voou. Logo aos cinco minutos, Lewandowski fez 2 a 1. Cinco minutos depois, o grandalhão superou dois defensores e chutou alto, sem chance para o goleiro: 3 a 1. E, aos 21’, o mesmo camisa 9 cobrou o pênalti sofrido por Reus e fez 4 a 1. Goleada alucinante em Dortmund. E uma atuação impressionante de Lewandowski – ou seria Le4andowski? -, que se tornava o primeiro a marcar quatro gols em uma semifinal de Liga dos Campeões na história. O Real nada pôde fazer. Não teve força para marcar mais um. Não teve futebol para tentar reverter. Ficou atônito com o volume de jogo do rival, que deu uma aula de futebol ofensivo e chocou os jornais espanhóis.

Na volta, em Madrid, muitos diziam que um “furacão” devastaria o Borussia, que a camisa do Real iria pesar e tudo mais. Porém, os merengues pararam na ótima marcação germânica e só conseguiram fazer alguma coisa nos minutos finais do jogo, quando Benzema e Sergio Ramos anotaram os gols da vitória por 2 a 0 que não foi capaz de dar a vaga ao Real. Depois de 16 anos, o Borussia estava em uma final da Liga dos Campeões. Era hora de lutar pelo bicampeonato e coroar de vez aquele time tão forte, tão entrosado e tão ofensivo. Mas o adversário na decisão seria ainda mais difícil: o Bayern, sempre ele, e com o moral lá em cima após eliminar o Barcelona-ESP de maneira categórica na semifinal com um 7 a 0 no agregado.

 

A dolorosa queda

Depois de conquistar tudo em casa, o Borussia estava no lugar que mais almejava e merecia naquele dia 25 de maio de 2013: em Wembley (ING), diante de pouco mais de 86 mil pessoas, na final da Liga dos Campeões da UEFA. Mesmo sem Götze, contundido após o segundo duelo contra o Real Madrid (e já vendido ao próprio Bayern), o técnico Klopp mandou a campo o que tinha de melhor. A temporada havia sido desgastante, mas seus jogadores tinham plena convicção de que poderiam derrotar um rival poderosíssimo, mas que havia caído para o próprio Borussia tantas vezes nos últimos anos. Era um duelo sem favoritos, com equilíbrio e cotações bem parecidas nas casas de apostas da época (falando em apostas, saiba mais sobre elas e como escolher bem um site de apostas desportivas clicando aqui). Quando a bola rolou, Manuel Neuer, do Bayern, teve que trabalhar bastante para evitar gols aurinegros. Reus, aos 15’, viu seu chute ser defendido pelos pés do camisa 1, na melhor chance do time de Dortmund, que dominou os primeiros 25 minutos de jogo. Lewandowski, duas vezes, também quase balançou as redes. Quando conseguiu sair de seu campo, o Bayern também parava no goleiro rival, Weidenfeller.

Na segunda etapa, o jogo continuou tenso, forte, cheio de oportunidades na invasão alemã em Londres. Foi então que, aos 15’, Mandzukic abriu o placar para o Bayern após boa jogada entre Robben e Ribéry. Porém, o Borussia ganhou o fôlego extra que precisava para seguir vivo na decisão quando Dante cometeu um pênalti bobo em Reus. Gündogan bateu e fez o empate: 1 a 1. A chama do bi estava acesa! O jogo seguiu com chances para ambos os lados, mas o Bayern era quem atacava mais. Quando a torcida já se preparava para meia hora de prorrogação, eis que Robben mostrou estrela ao receber de Ribéry, superar a zaga com sua velocidade habitual e tocar no canto oposto do goleiro aurinegro, decretando a vitória por 2 a 1 e o título europeu do Bayern.

A desolação aurinegra. Foto: (AP Photo/Kirsty Wigglesworth).

 

Foi uma ducha de água fria, bem fria, nos jogadores do Borussia. O sonho do bicampeonato terminava no gramado de Wembley. Foi uma judiação. Sabe aquela final onde os dois times deveriam ficar com o caneco, por tudo o que fizeram ao longo da competição e também na partida? Pois é. Tanto Bayern quanto Borussia mereciam demais aquela Velhinha Orelhuda. Mas apenas um a levantou. Ao fim do jogo, os jogadores aurinegros ficaram desolados, mas a torcida reconheceu o trabalho de seus heróis e exibiu, com orgulho, as cores do time em cachecóis e camisas. Klopp, o bravo comandante, foi até ela mostrar sua reverência, seu respeito pelo empenho dos fanáticos aurinegros em um momento tão dolorido. No entanto, o equilíbrio daquela decisão pôde ser visto nos números finais da partida: 14 chutes a gol do Bayern, 12 do Borussia, sete defesas do goleiro Weidenfeller e seis do goleiro Neuer, oito escanteios do Bayern e seis do Borussia, apenas 18 faltas cometidas e 58% de posse do Bayern contra 42% do Borussia. Os comandados de Jürgen Klopp terminaram a Liga dos Campeões com sete vitórias, quatro empates, duas derrotas, 24 gols marcados e 14 gols sofridos em 13 jogos. Lewandowski, com dez gols, foi o vice-artilheiro do torneio, atrás apenas de Cristiano Ronaldo, do Real, com 12. Mario Götze, com cinco assistências, foi o mais bem colocado do time na tabela de “garçons”, que teve como líder Ibrahimovic, do PSG-FRA, com sete.

Mesmo com o vice, o Borussia tinha muito do que se orgulhar. O clube havia conseguido superar gigantes europeus com elencos milionários e muito mais grana do que eles, que tinham um plantel barato, mas tecnicamente superior a Real Madrid, Manchester City e outros tantos clubes do continente com contas estratosféricas. Com boas e certeiras contratações garimpadas de clubes de vários cantos, principalmente envolvendo jogadores jovens, o time de Dortmund ensinou que era possível, sim, montar um elenco – veja bem, elenco, não apenas um só time – de qualidade e boas peças de reposição. O vice-campeonato europeu doeu, mas foi de dar orgulho pela maneira como aquele esquadrão conseguiu alcançá-lo e como brigou contra um rival tão ótimo como o Bayern.

 

A última taça e o fim

Em julho de 2013, o Borussia deu à sua torcida mais uma taça, que serviu para amenizar brevemente a perda do título europeu. Na decisão da Supercopa da Alemanha, de novo contra o Bayern, agora comandado por Pep Guardiola, o time aurinegro mostrou as mesmas qualidades que tanto exibia desde 2010 e goleou os bávaros por 4 a 2, com dois gols de Reus, um lindo gol de Gündogan e outro de Van Buyten, contra. Foi a primeira vitória do Borussia sobre o rival desde os 5 a 2 na Copa da Alemanha de 2012. E ele foi o primeiro time a marcar três gols ou mais nos Bávaros desde aquela mesma partida. Foi mais um grande momento dos comandados de Klopp e a prova de que, entre 2010 e 2013, apenas um time no mundo gelava a espinha do Bayern e causava apreensão em Munique: o Borussia Dortmund. O troféu marcou, também, o capítulo final da maior era de ouro do clube desde os laureados anos 90. Lewandowski acabou mesmo deixando Dortmund, em 2014, outras peças-chave saíram e a força vinda de Westfalenstadion esmaeceu aos poucos. Na temporada 2013-2014, a equipe foi vice na Copa da Alemanha e na Bundesliga e caiu nas quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA diante do Real Madrid, que seguiu firme rumo ao título. Em 2015, foi a vez do ídolo Jürgen Klopp ir comandar o Liverpool-ING e a torcida ficar órfã de um time competitivo.

Em pé: Subotic, Piszczek, Lewandowski, Hummels, Bender e Weidenfeller. Agachados: Grosskreutz, Reus, Götze, Schmelzer e Gündogan. Esse foi o time que enfiou 4 a 1 no Ajax em plena Amsterdam Arena. (Foto: Friedemann Vogel/Bongarts/Getty Images).

 

O fato é que o Borussia 2010-2013 foi um dos maiores exemplos de planejamento que o futebol europeu já viu. De quase falido, em 2008, o clube chegou à uma final europeia em menos de seis anos (!). É algo notável e impressionante. A gestão coesa iniciada naqueles tempos difíceis provou que é possível brigar por qualquer título com bons e engajados jogadores sem gastar muito com isso, apenas observando e contratando corretamente. O resultado foi um esquadrão inesquecível, ofensivo, capaz de jogar um futebol da mais alta estirpe e encher de orgulho uma torcida que retribuía com paixão, média de 80 mil torcedores nos jogos da Bundesliga e muita vibração. Aqueles jovens mereceram tudo o que conquistaram e só não chegaram ao topo da Europa por detalhes e por terem encarado outro time igualmente brilhante. Mas conseguiram entrar num rol de ídolos do naipe de Preissler, Tilkowski, Wolfgang Paul, Libuda, Sturm, Schütz, Held, Konietzka, Schmidt, Emmerich, Heinrich, Zorc, Sammer, Kohler, Reuter, Möller, Ricken, Chapuisat, Riedle, Lehmann, Rosicky e Amoroso, isso só para citar alguns. Weidenfeller, Hummels, Kehl, Bender, Gündogan, Kuba, Reus, Kagawa, Götze e Lewandowski estiveram presentes no cotidiano de Dortmund, nos pedidos de nomes gravados em camisas da garotada e nos pôsteres emoldurados em quartos, salas e bares. E, acima de tudo, na história daquele Borussia. Um esquadrão imortal.

 

Os personagens:

Weidenfeller: extremamente identificado com o Borussia, o goleirão de 1,90m foi um dos principais jogadores do time, capitão em várias oportunidades e um dos melhores do continente na época. Ele chegou ao clube em 2002 e conquistou a posição após a saída de Lehmann para o Arsenal, em 2003. Com mais de 400 jogos pelo clube, virou ídolo e fez partidas inesquecíveis durante as campanhas vitoriosas na Bundesliga e na caminhada continental em 2012-2013 graças à sua boa colocação e reflexos apurados. Foi convocado para a Copa do Mundo de 2014 como reserva de Neuer e faturou o título mundial com o grupo alemão.

Langerak: o novato goleiro australiano teve poucas chances naquela época, mas não decepcionou quando exigido, além de ter estreado justamente num clássico contra o Bayern, vencido pelo Borussia por 3 a 1. Com poucas chances, acabou deixando a equipe em 2015.

Piszczek: o lateral-direito foi titular absoluto naquela era de ouro. Com velocidade, eficiência na marcação e regularidade, foi um dos grandes nomes do setor defensivo e ganhou a confiança do técnico Klopp. Chegou ao Borussia em 2010 e já vestiu a camisa da Polônia mais de 50 vezes.

Subotic: o zagueiro sérvio fez uma dupla notável com Hummels naquela época, com boas partidas, ótimos desarmes e eficiência na marcação e no posicionamento. Participou de toda a era Klopp ao chegar no mesmo ano que o técnico, 2008. Após oito anos no clube, acabou emprestado ao Köln até retornar à Dortmund, em 2017.

Felipe Santana: com quase dois metros de altura, o zagueiro brasileiro era um tanto desengonçado, mas se adaptou bem ao futebol alemão e foi um coringa muito utilizado pelo técnico Klopp. Ótimo no jogo aéreo e arma para algumas jogadas de ataque, o defensor marcou gols importantes, como um no triunfo sobre o Shakhtar, por 3 a 0, e o gol da vitória dramática sobre o Málaga, ambos os jogos pela Liga dos Campeões de 2012-2013. Jogou de 2008 até 2013 em Dortmund.

Hummels: dotado de grande técnica para sair jogando, com ótima visão de jogo e muita eficiência na zaga, se transformou em um dos principais jogadores da Alemanha na época e virou titular absoluto tanto do Borussia quanto da própria seleção germânica. Com atuações de gala e muita segurança, Hummels foi o principal nome do setor defensivo do time e requisitado pelos grandes clubes da Europa. Jogou no Borussia de 2008 até 2016, pelo qual disputou mais de 300 jogos e marcou 25 gols.

Schmelzer: foi o titular da lateral-esquerda e um dos que mais atuaram ao longo daquelas temporadas – na 2010-2011, por exemplo, esteve em campo nos 34 jogos da equipe na Bundesliga. Bom nos passes e cruzamentos, só pecava um pouco na marcação. Cria das bases, Schmelzer começou a vestir a camisa da equipe principal em 2008. Muito identificado com o clube, segue no Borussia desde aquela época – já são mais de 320 jogos com a camisa aurinegra.

Sven Bender: era a referência no meio de campo no quesito marcação. Muito seguro, Bender dava o combate e evitava que atacantes e meias perigosos chegassem à zaga aurinegra. Por isso, dificilmente frequentava a linha de frente do time. Muito bom nos passes, o volante foi um dos principais jogadores do esquadrão de Dortmund no período. Jogou de 2009 até 2017 na equipe.

Sebastian Kehl: jogou de 2002 até 2015 no Borussia e foi um dos principais jogadores da equipe no período, com muita qualidade na marcação e ótimas atuações no meio de campo. Além disso, era perigoso nos chutes de fora da área e podia jogar, também, como zagueiro, sua posição no início da carreira. Foi capitão do Borussia em vários jogos daquela era de ouro, embora tenha perdido a posição de titular em várias oportunidades por causa de contusão ou por concorrência com outros jogadores do elenco. Disputou mais de 350 jogos com a camisa aurinegra. Pela seleção alemã, disputou 31 jogos e esteve nos grupos das Copas de 2002 e 2006.

Gündogan: filho de pais turcos, o alemão nascido em Gelsenkirchen cravou seu espaço no time com muita habilidade e atuando mais no ataque, como um volante com características ofensivas para surpreender os rivais. Teve atuações de gala nas Bundesligas de 2011-2012 e 2012-2013 e na Liga dos Campeões de 2012-2013. Suas performances o levaram à seleção alemã já em 2011. Ficou em Dortmund até 2016, quando foi jogar no Manchester City-ING.

Nuri Sahin: cria do Borussia, foi fundamental para o título alemão de 2010-2011 com ótimas atuações no meio de campo e sendo um importante jogador no elo entre o meio de campo e ataque. Com boa visão de jogo e habilidade, foi titular absoluto e despertou a atenção do Real Madrid, para onde foi em 2011. Acabou voltando ao Borussia em 2013, mas não como titular absoluto. Pela seleção turca, jogou 51 jogos e marcou dois gols.

Błaszczykowski: veloz, com faro artilheiro, garçom de primeira e arma nas investidas pela diagonal do ataque, Kuba foi um dos principais meias do Borussia naquela era fantástica. Habilidoso, virou referência no time e peça chave no esquema do técnico Klopp. O polonês jogou de 2007 até 2015 em Dortmund, disputou 252 jogos e marcou 32 gols.

Antônio da Silva: o meia brasileiro não foi titular, mas contribuiu em algumas partidas das campanhas dos títulos nacionais de 2011 e 2012. Tinha bom controle de bola e ajudava nas jogadas de ataque, embora não tivesse faro artilheiro.

Mario Götze: a cria do Borussia foi uma das maiores revelações do futebol alemão na segunda década do novo milênio e provou tal fama com grandes partidas, habilidade e muita inteligência nas tabelas e jogadas de ataque. Com Reus, fez uma parceria memorável e encheu de brilho os olhos do torcedor. O problema foi ter assinado com o Bayern antes mesmo de acabar a Liga dos Campeões de 2012-2013… Isso pegou muito mal com a torcida. Outro problema foram as contusões que teimaram em atrapalhar sua guinada na época. Mesmo assim, foi ídolo e arrancou elogios de todos com sua capacidade em atuar tanto pela esquerda como pela direita do ataque, levitando como um falso 9 e criando alternativas incríveis de gols. Além, claro, de fazer os dele. Foi o talismã da Alemanha na Copa de 2014, quando fez o gol do título sobre a Argentina na decisão do Maracanã.

Kevin Grosskreutz: polivalente, podia jogar nas duas laterais e nos dois lados do meio de campo com a mesma eficiência, embora não fosse muito criativo. Rápido e com passes precisos, foi titular na campanha do bicampeonato alemão. Jogou de 2009 até 2015 no Borussia e disputou mais de 230 jogos com a camisa aurinegra. Esteve no grupo alemão campeão da Copa do Mundo de 2014.

Perisic: o croata podia jogar como meia, ponta ou segundo atacante no esquema do técnico Klopp. Fez boas partidas na campanha do título alemão de 2012 e na Copa da Alemanha, sempre com bom domínio de bola, visão de jogo e boas tabelas com os companheiros. Jogou apenas de 2011 até 2013 no Borussia, disputando 64 jogos e marcando 12 gols. Pela seleção croata, disputou 63 jogos e marcou 17 gols entre 2011 e 2017.

Marco Reus: rápido, letal nas chegadas ao ataque, inteligente, oportunista, perigoso nos chutes de média e longa distância, dificílimo de marcar… Se Götze foi a revelação do Borussia na época, Reus foi a engrenagem que transformou aquele time em protagonista de grandes jogos. E espetáculos. Com um futebol primoroso e decisivo, Reus foi a referência no ataque aurinegro e ídolo da torcida. Marcou vários gols, deu muitos passes para Lewandowski e virou um dos principais jogadores do futebol mundial. Seu grande problema, infelizmente, é a fragilidade física que o leva a sofrer contusões frequentemente. Naquela era de ouro, o Borussia teve Reus em sua plenitude, mas, nas temporadas seguintes, lesões tiraram o jogador de vários compromissos do clube, inclusive da seleção alemã, que não pôde contar com o futebol do jovem na Copa de 2014. Por isso, desde aquele ano que ele não consegue uma boa sequência de partidas. Uma pena, pois quem perde é o futebol.

Shinji Kagawa: habilidoso, com ótima visão de jogo e impecável nos passes, o japonês foi um dos mais queridos pela torcida nas campanhas vitoriosas de 2011 e 2012. Com gols, passes e presença constante no ataque, Kagawa foi fundamental no turno do título de 2010-2011 – ele perdeu o returno por causa de contusão – e ainda mais decisivo ao participar de 31 jogos da campanha do ano seguinte. Disputou 71 jogos e marcou 29 gols no período. Acabou indo para o futebol inglês e voltou ao Borussia em 2014.

Robert Lewandowski: o polonês começou sob a sombra de Lucas Barrios, mas logo assumiu o protagonismo como único centroavante do time e virou um verdadeiro terror para os adversários – o Real Madrid que o diga! Sempre bem colocado, oportunista e inteligente, o atacante estava no lugar certo e na hora certa quando o time mais precisava dele. Além de marcar seus gols e ter uma média de quase um gol por jogo na temporada 2012-2013 – foram 36 gols em 49 jogos, ele só cresceu de produção desde seu debute no time, em 2010, e virou um dos mais famosos e prolíficos atacantes do mundo. Deixou o Borussia em 2014 para jogar no Bayern. Disputou 187 jogos e marcou 103 gols com a camisa aurinegra. Por sua seleção, marcou 51 gols em 91 jogos entre 2008 e 2017.

Lucas Barrios: o atacante chegou em 2009 para ser campeão nacional já na temporada 2010-2011, sua melhor com a camisa do Borussia. Com o faro artilheiro apurado e muito oportunista, Barrios foi o principal condutor do ataque do time naquela temporada e um dos principais nomes do título ao marcar em duelos decisivos da campanha. Na temporada seguinte, não foi tão bem, sofreu com contusões e acabou deixando a equipe em 2012 para jogar no futebol chinês. Argentino de nascimento, Barrios optou por atuar pela seleção paraguaia, pela qual é convocado desde 2010.

Jürgen Klopp (Técnico): energético, inteligente, motivador e sincero. Klopp foi um dos mais carismáticos treinadores que o futebol alemão já teve e virou um ídolo instantâneo da torcida aurinegra. Sem invencionices nem esquemas mirabolantes, montou o time certo no momento certo e soube extrair o que de melhor aqueles jogadores tinham a oferecer. O resultado foram títulos, atuações de gala e o respeito de todo o mundo. Comandou o Borussia de 2008 até 2015, uma enormidade diante dos padrões modernos no futebol. Foram 318 jogos, 179 vitórias, 69 empates e 70 derrotas, além de duas Bundesligas, uma Copa da Alemanha e duas Supercopas (2013 e 2014).

Impossível não falar desse Borussia sem lembrar de dois times diretamente ligados a ele na época: a Alemanha e o Bayern. Leia mais clicando nos links abaixo!

Alemanha 2010-2014

Bayern München 2011-2013

 

Extras:

Veja a festa sobre o Eintracht no título de 2011.

 

Veja a goleada de 5 a 2 sobre o Bayern pela Copa da Alemanha de 2012.

 

Veja a vitória sobre o Málaga pela Liga dos Campeões.

 

Veja o show sobre o Real.

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5 thoughts on “Esquadrão Imortal – Borussia Dortmund 2010-2013

  1. Excelente seu blog! Por favor peço uma matéria sobre o time do Leicester City campeão inglês 2015-2016…surpreendeu e encantou a todos esse esquadrão….

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