La Bombonera – O Estádio que Pulsa

 

Nome: Estádio Alberto Jacinto Armando

Localização: Buenos Aires, Argentina

Inauguração: 25 de maio de 1940

Partida Inaugural: Boca Juniors 2×0 San Lorenzo

Primeiro gol: Ricardo Alarcón (Boca Juniors)

Proprietário: Club Atlético Boca Juniors

Capacidade: 49 mil pessoas

Recorde de Público pagante: 57.395 pessoas, na partida inaugural do estádio

 

Alguns estádios geram medo. Pavor. Pânico. Seja por sua capacidade máxima, seja pela proximidade entre o gramado e as arquibancadas, ou pela vibração causada pela torcida. Porém, existe um estádio que tem a alcunha de “o mais temido”. Tudo bem que alguns times já conseguiram sair de lá vivos, mas é algo raríssimo de se ver. Principalmente se o adversário for de um país estrangeiro. Esse tal estádio é o único que não balança. É o único que não treme. Esse estádio pulsa. Como o batimento cardíaco de quem ama o azul e ouro do Club Atlético Boca Juniors. É um estádio que possui acústica. Que ensurdece. Que joga junto. Lá, são precisos nervos de aço. Sangue frio. E futebol de primeira, claro. La Bombonera é, sem dúvida, um patrimônio do futebol mundial e um dos estádios mais conhecidos e místicos do planeta. As arquibancadas íngremes, a avalanche de gente que desce para perto do gol quando as redes balançam, as luzes e a chuva de papéis picados são apenas alguns dos ingredientes que tornam esse estádio localizado em território acanhado e hostil uma obra única e impressionante. Palco de partidas eletrizantes e residência de uma torcida simplesmente apaixonada, a casa do Boca tem quase oito décadas de história e várias curiosidades. É hora de conhecer melhor esse imponente templo del fútbol.

 

Do nomadismo à construção

O estádio Brandsen, com arquibancadas de madeira, em 1929.

 

Desde sua fundação que o Boca Juniors buscava uma residência fixa, mas nunca a encontrava. Nômade, o clube já havia jogado no campo do Independencia Sud, de 1905 até 1907, e na Isla Demarchi, ao sul de Puerto Madero. Em 1912, outra vez teve que procurar um novo campo e encontrou em Wilde, na região da Grande Buenos Aires. Só em 1916 que o clube conseguiu, ainda que momentaneamente, se estabelecer no estádio Ministro Brin y Senguel, já em La Boca. A antiga casa chegou a abrigar algumas partidas da Copa América de 1925 até ser fechada em 1926. Nesse período, o clube conseguiu alugar terras nas ruas Brandsen, Del Crucero, Aristóbulo del Valle e as vias do Ferrocarril, em 1922. Ali, foi construído o estádio Brandsen y Del Crucero, cuja inauguração ocorreu em 1924, com arquibancadas de madeira e capacidade para 25 mil pessoas. Em 1931, a diretoria xeneize decidiu comprar o terreno por cerca de 2,2 milhões de pesos e começou a pensar na construção de um novo estádio o quanto antes. Até que, em 1938, Camilo Cichero assumiu a presidência do Boca e imediatamente entrou em contato com o engenheiro José Luis Delpini, especialista em construções de concreto armado, para compor a equipe que iria construir o novo estádio. Delpini, ao lado do arquiteto esloveno Viktor Sulcic e do também arquiteto Raúl Bes, formaram a equipe Delpini-Sulcic-Bas, que seria a responsável pelo desenho do estádio – e que também fizeram o famoso mercado de Abasto de Buenos Aires. Eles queriam construir um imponente caldeirão para 100 mil pessoas, mas, depois de muito estudo, os planos tiveram que ser revistos.

Vista aérea do estádio quase pronto. Note que ainda não havia o terceiro andar de arquibancadas.

 

O trio analisou bem o local e encontrou um problema: o terreno no qual seria erguida a futura casa do Boca era acanhado, impossibilitando um estádio com arcos largos. Mas ele encontraram uma maneira de fazer um estádio grande e ao mesmo tempo compacto. Seriam erguidos três lances de arquibancadas mais íngremes do que o usual, projetadas para “tremer” e aguentar todo e qualquer movimento do público e uma área menor, para cadeiras e tribunas, que iriam preencher o quadrilátero irregular de 114 metros de largura por 187 metros de comprimento – com isso, o gramado teria a menor medida permitida pela FIFA: 105mx68m. Tal formato seria lapidado principalmente depois de um fato curioso. Certa vez, o arquiteto Sulcic recebeu de presente de aniversário de uma amiga uma caixa de bombons. Ele ficou espantado quando percebeu que o formato da caixa era extremamente semelhante ao desenho do estádio que ele estava fazendo. A partir daquele dia, Sulcic começou a levar a tal caixa para as reuniões com Delpini e os outros envolvidos até o lançamento da pedra fundamental, em 1938, e se referia ao estádio como “caixa de bombons”. Ou seja, La Bombonera. O apelido ficou tão em evidência que até mesmo a diretoria já chamava o futuro estádio de La Bombonera. E o nome “artístico” pegou para sempre.

 

A inauguração de uma “evolução”

A primeira multidão da história de La Bombonera, sem grades nem proteções, algo surreal nos dias de hoje! Foto: Arquivo El Gráfico.

 

Em apenas dois anos, La Bombonera saiu do chão, ganhou forma, imponência, estrutura e preencheu a lacuna que faltava no bairro de La Boca: um estádio de futebol autêntico, de “cemento”, como diziam na época. E, no dia 25 de maio de 1940, o estádio foi inaugurado. Muito antes da cerimônia de abertura e da primeira partida, sócios do Boca fizeram uma caravana composta por 150 carros decorados com bandeiras em azul e amarelo até o estádio, fato que despertou os vizinhos da zona sul e do centro da cidade. Ao meio dia, as pizzarias e restaurantes de La Boca não conseguiam dar conta de tanta gente que esperava a abertura do estádio. Às 14h, caminhões, ônibus e mais pessoas fecharam, literalmente, as acanhadas ruas do bairro e todo aquele povo pôde, enfim, começar a entrar no mais novo templo futebolístico argentino. Com as arquibancadas tomadas rapidamente, aquela gente começou a perceber que, ao pular e gritar, o estádio se transformava. Ele pulsava a cada movimento. Era uma sincronia impressionante entre aficionados e concreto. Acostumados com as antigas arquibancadas de madeira, os torcedores tinham uma nova sensação. Eles podiam pular. Pisar com força. Aquela obra incrível aguentava tudo. Nenhum sentimento poderia ser reprimido. Ali, se viveria o futebol. Em sua mais pura essência.

Antes de a bola rolar para Boca Juniors e San Lorenzo, as mais de 57 mil pessoas (um número impressionante, afinal, faltava mais um lance de arquibancada ser construído) presentes viram a apresentação do hino nacional argentino pela banda da polícia federal, discursos, desfiles e até benção do arcebispo de Buenos Aires na época, Santiago Copello. Como não poderia deixar de ser, o Boca venceu por 2 a 0, com o primeiro gol da história do estádio anotado por Ricardo Alarcón. Como ainda não tinha sistema de iluminação, o estádio só pôde abrigar aquela partida por 70 minutos, com dois tempos de 35, por causa do atraso causado pelas solenidades. As luzes só seriam instaladas nove anos depois.

Placa comemorativa doada pelo San Lorenzo ao Boca em homenagem à inauguração do estádio.

 

A nova casa xeneize trouxe enorme alegria a todos, incluindo a imprensa, que ressaltou que aquele estádio era uma extraordinária evolução do futebol no país. A tradicional revista El Gráfico fez uma brilhante matéria na época e destacou o que todos iriam perceber a partir dali: a acústica do estádio.

 

“Explêndido o conjunto, cômodas as instalações, oferece ao espectador uma vantagem importante: a visibilidade é perfeita de qualquer ângulo. Temos as jogadas ali e acolá e o grito do público chega em toda sua intensidade até os jogadores. Na festa do sábado, quando terminou a marcha juvenil do clube, o grito ´Boca!, Boca!´ adquiriu tanta intensidade que também parecia de cimento”. El Gráfico (ARG), 25 de maio de 1940.

 

O Boca campeão nacional de 1940, no debute de La Bombonera. Em pé: Segundo Ibáñez, Ernesto Lazzatti, Juan Estrada, Victor Valussi, Arcadio López e Pedro Suárez. Agachados: Aníbal Tenorio, Ricardo Alarcón, Jaime Sarlanga, Bernardo Gandulla e Raúl Emeal.

 

Naquele mesmo ano, o Boca foi campeão nacional depois de cinco anos de jejum e venceu absolutamente todos os 13 jogos que disputou em sua nova casa, incluindo um 3 a 1 sobre o River Plate – no primeiro “Superclássico” da história em La Bombonera – e um 5 a 2 no Independiente. Eram os sinais de que uma nova era começava no clube a partir dali.

 

Ajustes e consagração

Já com as arquibancadas completas, La Bombonera virava definitivamente um caldeirão.

 

No ano seguinte, a Bombonera ganhou uma segunda parte em suas tribunas que hoje tem o nome de Natalio Pescia, craque do clube nos anos 40 e 50. No começo dos anos 50 foi a vez de o estádio ganhar um terceiro lance de arquibancadas e sistema de iluminação para jogos noturnos, com a finalização total dos ajustes em 1953, celebrado em um amistoso contra o time croata do HNK Hajduk Split, em fevereiro, com empate em 1 a 1. Apta para receber mais de 50 mil pessoas, a Bombonera virou uma verdadeira atração na cidade e um reforço considerável para o Boca em seus jogos. Lá, a equipe perdia muito pouco. E o estádio se transformou em um palco para o desfile de grandes jogadores naqueles anos 50 e 60 como Sanfilippo, Paulo Valentim, Antonio Rattín, Norberto Menéndez e Ángel Clemente Rojas, isso só para citar alguns. Em 1963, o estádio abrigou pela primeira vez uma partida final de Copa Libertadores, entre o Boca e o Santos de Pelé. Porém, nem a pulsação do estádio e as mais de 50 mil pessoas presentes impediram o título do esquadrão brasileiro, que venceu por 2 a 1 (gols de Coutinho e Pelé) e venceu o bicampeonato continental.

 

O Boca só iria celebrar uma Libertadores em sua própria casa lá nos anos 70, quando goleou o Deportivo Cali-COL por 4 a 0 na finalíssima e levantou o bicampeonato da América (a equipe havia vencido em 1977). Naquele jogo, inclusive, algumas fontes dizem que o estádio xeneize recebeu 80 mil pessoas, mas é pouco provável e surreal. No ano seguinte, o estádio voltou a receber a decisão, mas o Boca caiu diante do Olimpia-PAR (leia mais clicando aqui). Naquela década, o Boca venceu seis títulos, entre eles duas Libertadores e um Mundial Interclubes sobre o forte Borussia Mönchengladbach-ALE (leia mais clicando aqui), e levou seu nome – e de seu estádio – para além da Argentina.

Embora já tivesse a fama consolidada no país, La Bombonera acabou ficando de fora da Copa do Mundo de 1978, disputada na Argentina, por causa da FIFA, pois as obras necessárias na época para adequar o estádio aos “padrões” da entidade seriam muito elevadas e a organização achou melhor deixar o caldeirão de lado. Com isso, aquele Mundial teve apenas seis estádios: Monumental, José Amalfitani, José María Minella, Gigante de Arroyito e Ciudad de Mendoza.

 

Tempos difíceis, brutalidades e o primeiro nome oficial

Nos anos 80, La Bombonera viu seu dono ser campeão apenas uma vez, no Metropolitano de 1981, graças aos talentos de Maradona e Brindisi. Dali em diante, o Boca não venceria mais nada e o estádio passaria por um episódio terrível no dia 03 de agosto de 1983. Era dia de Boca e Racing pelo Metropolitano, e, antes do jogo começar, um sinalizador foi lançado pela torcida xeneize La Doce – tida como uma das mais terríveis e agressivas do mundo. O artefato cruzou todo o campo e atingiu a garganta de Roberto Basile, torcedor do Racing de 25 anos. Ele morreu na hora. O jogo aconteceu mesmo assim – pois poderia desencadear tumultos “maiores e incontroláveis” segundo a organização da partida – e terminou empatado em 2 a 2. Foi revelado tempo depois pelo jornalista Gustavo Grabia, no livro “La Doce”, que o lançamento do sinalizador contra a torcida do Racing foi uma represália programada pelo ex-líder da organizada xeneize, José Barrita, como resposta a uma emboscada feita pela torcida do Racing no confronto anterior entre os dois clubes. Roberto Caamaño e Miguel Eliseo Herrera foram apontados como culpados, presos e condenados a três anos de prisão.

O pior é que aquele não foi o único caso grave e triste da história do estádio. Aconteceu outro fatal, em 1990, mas causado por rivais, quando torcedores do San Lorenzo arrancaram um tubo de ferro do banheiro e arremessaram do segundo andar das arquibancadas de visitantes até atingir a cabeça do torcedor xeneize Saturnino Cabrera, de 37 anos, que também morreu na hora. Para se ter uma ideia da fatalidade, a primeira enfermeira que chegou para prestar socorro ao torcedor ficou tão chocada com a cena que desmaiou – Cabrera ficou desfigurado por causa do peso do tubo de ferro, de cerca de três metros de largura, contra sua cabeça. A partida foi encerrada logo depois do ocorrido e 34 pessoas foram detidas, entre barra bravas do Boca e do San Lorenzo, que brigaram antes, durante e depois do jogo. Surgiriam outros incidentes anos depois, principalmente em jogos da Libertadores (objetos arremessados, bombas de gases, fogos, spray de pimenta…), mas nenhum tão severo como os de Basile e Cabrera. Infelizmente, La Bombonera também faz parte das imensas estatísticas de violência que sempre assombraram o futebol argentino.

Em 1985, o Boca seguiu num inferno astral e passou por uma grave crise financeira – chegando a receber semanalmente ações judiciais – e La Bombonera fechou por causa de falhas estruturais decorrentes da falta de manutenção, tendo que passar por reparos emergenciais. Em 1986, pela primeira vez, o estádio ganhou um nome oficial. O presidente do clube na época, Antonio Alegre, decidiu batizar o caldeirão com o nome “Estádio Camilo Cichero”, em homenagem ao presidente do Boca na época da construção do estádio. A alcunha seria mantida até 2000, quando Mauricio Macri renomeou La Bombonera como “Estádio Alberto Jacinto Armando”, em alusão a outro notável presidente xeneize nos anos 50 e no glorioso período de 1960 até 1980.

 

A volta das glórias, desfiles de lendas e a relação com a Albiceleste

Nos anos 90, La Bombonera voltou a ser palco de grandes esquadrões do Boca e começou a presenciar, a partir de 1996, mudanças consideráveis. As arquibancadas que davam na rua Del Valle Iberlucea deram lugar a uma pequena tribuna; novas acomodações no setor VIP foram erguidas com estruturas metálicas; a pintura do estádio foi refeita nas cores azul e amarelo; foi instalada uma nova iluminação; o fosso que separava o gramado das tribunas foi tapado; as arquibancadas ganharam novos assentos; os elevadores para as cabines de imprensa e áreas VIPs foram modernizados e a capacidade do estádio ficou definida em pouco mais de 57 mil pessoas.

Riquelme, ídolo xeneize, com a Libertadores de 2001.

 

Como se fosse uma nova era, o Boca iniciou uma trajetória espetacular (leia mais clicando aqui) com títulos, grandes jogos, vitórias inesquecíveis contra o rival River Plate e apresentações marcantes de craques como Riquelme, Palermo e companhia, que não se cansaram de desfilar suas virtudes por lá. Falando em Riquelme, o craque foi o que mais jogou no estádio até hoje (206 jogos). Já Palermo é o maior artilheiro do estádio com 126 gols marcados.

Um Boca e River em La Bombonera: espetáculo único do futebol.

 

Na virada do século, o estádio aumentou ainda mais sua fama com a quantidade de títulos que o Boca venceu (Libertadores, Mundiais, torneios nacionais…) e recebeu um museu, em 2001, que passaria a receber centenas de milhares de visitantes por ano. Lá, é possível conhecer toda a história do clube, ver troféus, camisas históricas, estátuas de grandes nomes do Boca, e visitar, claro, o estádio. Foi naquela época que o Boca estampou no interior do estádio a frase “La Bombonera no tiembla, late”, uma referência de que o estádio não tremia, mas sim pulsava nos jogos.

Na Libertadores, o clube passou a ser um verdadeiro terror para os rivais e tem até hoje um aproveitamento superior a 76% na competição. Dos anos 60 até os dias atuais, apenas os seguintes clubes venceram o Boca em La Bombonera pela principal competição das Américas: Santos-BRA, Alianza Lima-PER, Independiente-ARG, Cruzeiro-BRA, Vélez-ARG, Cruz Azul-MEX, Paysandu-BRA (o Papão da Bombonera! Leia mais clicando aqui!), Defensor-URU, Fluminense-BRA, Toluca-MEX, Nacional-URU e Independiente del Valle-EQU. Um retrospecto simplesmente impressionante.

Em 2017, a Argentina tentou usar a Bombonera a seu favor contra o Peru, mas não deu certo…

 

Um fato que merece destaque é a relação do estádio com a seleção argentina. A equipe nacional sempre deu preferência para o estádio do rival River Plate, pela localização, tamanho e estrutura, mas La Bombonera já abrigou dezenas de partidas da equipe Albiceleste. E, no geral, sempre foi pé quente. De 1956, ano do primeiro jogo, até 2017, foram 24 jogos, 15 vitórias, sete empates e apenas duas derrotas (para a França, em 1971, por 4 a 3; e para a Alemanha, em 1977, por 3 a 1). O mais recente foi em 2017, pelas Eliminatórias para a Copa de 2018, quando a Argentina mandou um jogo decisivo contra o Peru no estádio a fim de buscar mais força e intimidação para derrotar o rival. Porém, o placar foi mesmo 0 a 0 e adiou a ida da albiceleste à Rússia. Na história, La Bombonera sempre jogou ao lado, mesmo, do Boca Juniors…

 

À espera do futuro

 

Em 2008, o estádio ganhou um placar eletrônico, sendo apenas o terceiro na Argentina a ter tal tecnologia. No começo dos anos 2010, teve sua capacidade reduzida por medidas de segurança para 49 mil pessoas e muitos projetos de modernização começaram a aparecer, desde um que consiste em comprar casas e terrenos em volta do estádio para continuar os lances de arquibancadas e aumentar a capacidade para mais de 70 mil pessoas até um outro e audacioso que pretende construir mais um lance de arquibancada acima das atuais, além de aumentar as tribunas e tornar o estádio o maior do país com mais de 77 mil assentos. Porém, é preciso muita cautela por se tratar de uma edificação já antiga. O consenso geral é que a demolição do estádio é totalmente descartada.

Em 2017, o Boca inaugurou um relógio que conta o tempo que o clube está na primeira divisão, com anos, dias, horas, minutos e segundos, numa clara provocação ao River Plate. Porém, o relógio deveria contar a partir da estreia do clube na primeira divisão nacional, em 1913, e não desde 1905, ano de fundação do clube…

 

 

Em um dos projetos de modernização do estádio, seria criado mais um bloco de arquibancadas, “fechando” o D. Essência seria perdida.

 

 

Embora seja antiga, defasada com suas dimensões acanhadas e cruel por seu histórico de problemas, La Bombonera é um patrimônio do futebol, da cidade e da Argentina. Ela é ponto turístico, mobiliza muitas pessoas a conhecer Buenos Aires por causa dela e movimenta de maneira considerável a economia da cidade e do próprio Boca. Em 2015, a prestigiada revista inglesa Four Four Two elegeu o estádio o “melhor do mundo” em uma lista com 100 nomes, por ser “uma maravilha arquitetônica, uma peregrinação no futebol que todos os torcedores devem conhecer pelo menos uma vez na vida e que ocorreu graças à falta de espaço” –  leia mais, em inglês, clicando aqui.

La Bombonera merece, sim, uma repaginada e uma profunda reforma que aumente sua segurança. Mas sua essência e sua arquitetura devem permanecer. E que ela siga pulsando…

 

Extras:

Veja a Bombonera pulsando num dia de jogo do Boca.

 

Veja um recebimento incrível da torcida antes de um jogo contra o River.

 

Veja esse vídeo sobre a fama do “latido” do estádio. Dá medo…

 

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1 thought on “La Bombonera – O Estádio que Pulsa

  1. EXCELENTE MATÉRIA MAIS UMA VEZ, O ESTÁDIO DE LA BOMBONERA É UM ESTÁDIO QUE ENVOLVE UMA MÍSTICA UNICA. UM AMIGO VISITOU ESSE ESTÁDIO E FICOU ENCABULADO. PEPE DO SANTOS DA DECADA DE 60 DISSE NUM LIVRO QUE CONTA A HISTÓRIA DA LIBERTADORES DA AMÉRICA QUE FOI O JOGO MAIS DIFICIL DE SUA VIDA A VITÓRIA SOBRE O BOCA POR 2 X 1 EM 1963 NA FINAL. FAÇAM TAMBÉM UMA MATÉRIA SOBRE O MINEIRÃO E O INDEPENDENCIA EM BELO HORIZONTE – MG.

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