Esquadrão Imortal – Monterrey 2009-2013

Grandes feitos: Tricampeão da Liga dos Campeões da CONCACAF (2010-2011 – invicto, 2011-2012 e 2012-2013 – invicto), 3º colocado no Mundial de Clubes da FIFA (2012), Bicampeão Mexicano (2009 – Apertura e 2010 – Apertura) e Campeão da InterLiga (2010). Foi o primeiro clube depois de 42 anos a conquistar por três vezes consecutivas a Liga dos Campeões da CONCACAF.

Time-base: Jonathan Orozco; Severo Meza (Ricardo Osorio), Hiram Mier (Duilio Davino), José María Basanta e Sergio Pérez (William Paredes / Dárvin Chávez); Jesús Zavala (Walter Ayoví / Geraldo Galindo), Luis Ernesto Pérez (Héctor Miguel Morales / Edgar Solís), Osvaldo Martínez (Ángel Reyna) e Neri Cardoso (Jesús Corona); Humberto Suazo (César Delgado) e Aldo de Nigris (Sergio Santana / Abraham Carreño). Técnico: Víctor Manuel Vucetich.

 

“A Dinastia dos Rayados”

 

Cidade do México, 19 de abril de 1972. Com uma goleada de 5 a 1 sobre o Alajuelense, da Costa Rica, o Cruz Azul-MEX conquistava sua terceira Copa dos Campeões da CONCACAF de maneira consecutiva. Era o primeiro clube a alcançar tal feito na história da competição. Mais de quatro décadas depois, chegou o ano de 2013. A agora chamada Liga dos Campeões da CONCACAF, ou Concachampions, viu surgir uma nova dinastia. Uma dinastia rayada em azul e branco, também mexicana. O Club de Fútbol Monterrey, outrora tímido em competições internacionais se comparado com os rivais domésticos, construiu uma história de glórias simplesmente incontestável. Entre 2010 e 2013, a equipe dominou o cenário norte-americano, centro-americano e caribenho com atuações irrepreensíveis que fizeram do clube tricampeão consecutivo da Concachampions. Títulos de um time entrosado, consistente e comandado com maestria por Víctor Manuel Vucetich. Foi uma trajetória de grandes jogos, com dois dos três títulos conquistados de maneira invicta, e, sobretudo, dois deles levantados sobre o vizinho Santos Laguna, derrotado nas finais de 2011-2012 e em 2012-2013, esta última recheada de emoção no estádio Tecnológico, casa do Monterrey e onde mais ele se sentiu bem diante de sua fanática torcida, que enchia o estádio até em dias de treinos. Eram tempos de Suazo em grande forma e de seu parceiro de área De Nigris. Dos defensores Osorio, Mier e Basanta. E das várias engrenagens do meio de campo – Zavala, Pérez, Ayoví, Martínez, Neri Cardoso e companhia. É hora de relembrar a façanha do tricampeonato rayado. E de conhecer mais uma prova de que existe, sim, boas histórias futebolísticas fora do eixo América do Sul – Europa.

 

A mudança da história

Arellano ergue a taça do Clausura de 2003: depois dessa taça, o time demoraria seis anos para uma nova glória.

 

Após um breve momento de glórias no começo dos anos 90, quando conquistou uma Copa México e uma Recopa da CONCACAF, o Monterrey passou por maus bocados até o final da primeira década do século XX. Cheio de dívidas, problemas de fraude envolvendo o ex-presidente Jorge Lankenau e brigando para não cair na liga nacional, o clube começou a mudar aquele cenário tenebroso na virada do século, quando a gigante do comércio de bebidas FEMSA assumiu o comando do clube. Aos poucos, o time foi se estruturando e conseguiu acabar com um jejum de 17 anos sem títulos ao vencer o Clausura de 2003, sob comando do técnico Daniel Passarella e com atletas como Erviti e o ídolo Arellano. Nas temporadas seguintes, o time não conseguiu títulos até 2009, quando chegou ao clube o técnico Víctor Manuel Vucetich, treinador desde o final da década de 80 e com vários trabalhos vitoriosos em clubes mexicanos, entre eles León, Cruz Azul, Tecos, Puebla e Pachuca, pelo qual ele venceu um Torneio Apertura em 2003. O objetivo do treinador era construir um time unido, solidário e que soubesse trabalhar em equipe, sem individualidades nem intrigas.

Vucetich em sua chegada ao Monterrey, em 2009. Foto: MEXSPORT/EDGAR QUINTANA.

 

Vucetich assumiu a vaga deixada por Ricardo La Volpe e encontrou um bom elenco, que tinha Orozco no gol, uma sólida zaga composta por Mier, Basanta, Davino e Paredes, além de Meza e Pérez, bons jogadores de meio de campo como o equatoriano Ayoví (contratado em 2009, juntamente com Osvaldo Martínez) e os mexicanos Gerardo Galindo e Luis Ernesto Pérez, e um ataque eficiente comandado pelo chileno Humberto Suazo e por Aldo de Nigris, irmão de Antonio de Nigris, que também havia jogado pelo clube rayado. Vucetich fez algumas mudanças, passou a aproveitar mais os jogadores da base, transformou um atacante (Zavala) em meio-campista e teve tempo de classificar o Monterrey à fase final do Clausura de 2009, com o time caindo diante do Puebla nas quartas de final. Mesmo com o revés, o Monterrey teve apenas seis derrotas em 19 jogos e mostrou bom poder ofensivo, algo que animou a torcida para o ano seguinte. Com um pouco mais de tempo, aquele time poderia engrenar. E ser campeão.

 

Fim da seca

Em julho de 2009, o Monterrey iniciou sua caminhada no Torneio Apertura do campeonato nacional. A equipe conseguiu resultados expressivos contra Atlas (3 a 0, em casa), Pachuca (3 a 1, fora de casa), Atlante (3 a 0, em casa), Tigres (2 a 1, fora de casa), Santos Laguna (2 a 1, em casa) e conseguiu a classificação para a fase final. Nela, o time eliminou o América nas quartas com vitória por 1 a 0 em casa (gol de De Nigris) e empate em 1 a 1 no Azteca, e bateu o Toluca nas semis com triunfo por 2 a 0 na ida, em casa, com mais dois gols de De Nigris, e empate em 1 a 1 na volta. Na grande final, o time rayado teve pela frente o Cruz Azul, que havia se classificado na segunda posição para a fase de mata-mata com o melhor ataque do torneio – 35 gols em 17 jogos.

No primeiro jogo, em Monterrey,  a torcida presente no estádio Tecnológico viu um duelo disputadíssimo do início ao fim. O time da casa abriu o placar aos 3’, mas Riveros empatou. O mesmo Riveros virou e Emanuel Villa ampliou para 3 a 1. Porém, o Monterrey começou a recuperação logo no comecinho da segunda etapa, com Suazo. Minutos depois, Sergio Santana empatou e Suazo virou para 4 a 3 faltando dois minutos para o fim. Foi uma virada épica, característica que seria uma das marcas daquele time dali para frente. No duelo seguinte, no Estádio Azul, o Monterrey não se importou com a torcida toda contra e venceu por 2 a 1, com mais um gol decisivo de Suazo. Pela terceira vez em sua história, o Monterrey era campeão mexicano. Foi o primeiro título sob o comando do técnico Vucetich, que carimbou a vaga do time para a Concachampions de 2010-2011. Vale lembrar que o título não foi em cima de qualquer um. O Cruz Azul foi por duas temporadas seguidas finalista da Concachampions – em 2008-2009 e 2009-2010.

Suazo, o artilheiro do Monterrey.

 

No primeiro semestre de 2010, o Monterrey ganhou o reforço do argentino Neri Cardoso e disputou a Interliga, competição que definia dois representantes do México na Copa Libertadores (na época, eles ainda participavam do torneio sul-americano). Os rayados passaram pela fase de grupos e bateram o América na final com um triunfo por 3 a 1 nos pênaltis, após empate em 0 a 0 no tempo regulamentar. No entanto, a equipe não foi bem na Liberta, não contou com o artilheiro Suazo – emprestado ao Real Zaragoza-ESP – e terminou na 3ª posição do Grupo 2, longe de uma vaga para a segunda fase. O foco do time, na verdade, era o Torneio Bicentenário do Campeonato Mexicano, disputado entre janeiro e maio de 2010 (ele ganhou esse nome em alusão às festividades do bicentenário da independência do país). Na primeira fase, o time mostrou um futebol de alto rendimento e se classificou na liderança com uma campanha incontestável: 17 jogos, 10 vitórias, seis empates e apenas uma derrota, com 30 gols marcados (melhor ataque) e 15 sofridos. Porém, já nas quartas de final, a equipe foi surpreendentemente derrotada pelo Pachuca nos dois jogos eliminatórios: 1 a 0 fora de casa e 2 a 1 em casa.

O time no começo do trabalho de Vucetich: meio de campo presente no ataque e com Cardoso recuando para ajudar na marcação.

 

Após a Copa do Mundo, a torcida ficou feliz da vida quando Suazo voltou ao time e com a contratação do defensor Ricardo Osorio, mas ficou preocupada com o assédio ao técnico Vucetich para comandar a seleção mexicana. Felizmente para os rayados, ele declinou e seguiu no comando da equipe para a disputa do Apertura de 2010, que começou em julho. Entrosados e com um time que melhorava a cada dia, o Monterrey ficou da 1ª até a 13ª rodada invicto, com oito vitórias e cinco empates. Nesse período, o grande destaque do time foi o artilheiro Suazo. Em grande forma, o chileno marcou gols em nove dos 13 jogos. Só na 14ª rodada que a equipe conheceu a primeira derrota – para o Cruz Azul, em casa. Nos três jogos seguintes, o time perdeu duas e venceu uma, garantindo o segundo lugar na classificação e a vaga para as quartas de final.

No mata-mata, os rayados tiveram um enorme desafio: enfrentar o Pachuca, então campeão continental. No primeiro jogo, na casa do rival, o Monterrey conseguiu um empate em 1 a 1. No duelo seguinte, em casa, outro jogo cheio de emoção que terminou 3 a 3, resultado que classificou os rayados por causa da melhor campanha na primeira fase. Na semifinal, o empate sem gols com o UNAM fora de casa e a vitória por 2 a 0 em casa colocou o Monterrey na decisão. Nela, a equipe teve pela frente um adversário que seria bastante comum naqueles anos: o Santos Laguna. Na ida, em Torreón, o time da casa venceu por 3 a 2. Na volta, dois gols de Suazo e um de Basanta deram a vitória por 3 a 0 e o título nacional aos rayados, a segunda taça em dois anos. Suazo, com 10 gols, foi o artilheiro da equipe e vice-artilheiro geral do torneio. De quebra, o caneco garantiu o clube na Concachampions de 2011-2012. Mas, antes, eles tinham pela frente a Concachampions de 2010-2011…

 

A saga continental

Em paralelo à disputa do Apertura, o Monterrey jogou a Liga dos Campeões da CONCACAF em 2010. A principal competição de clubes da América do Norte, Central e Caribe reuniu 24 clubes de dez países: México, EUA, Canadá, Honduras, Panamá, Costa Rica, Guatemala, El Salvador, Porto Rico e Trinidad e Tobago. Como acontece em outros torneios, o campeão da edição anterior não tem vaga garantida na Concachampions, por isso, o Pachuca, campeão de 2009-2010, não participou daquela edição de 2010-2011. O sistema de disputa era clássico: após uma fase preliminar envolvendo alguns clubes, os 24 classificados são divididos em grupos com quatro equipes. Os dois melhores colocados avançam às fases eliminatórias. A decisão, ao contrário da Liga dos Campeões da UEFA, é em dois jogos, como na Libertadores.

O Monterrey se classificou diretamente para a fase de grupos, na qual esteve no Grupo C, ao lado do Deportivo Saprissa-CRC, Marathón-HON e Seattle Sounders-EUA. No turno, os mexicanos não tomaram conhecimento dos rivais e venceram os três jogos sem levar gols: 1 a 0 sobre o Saprissa, em casa, 2 a 0 sobre o Seattle, fora, e 2 a 0 sobre os hondurenhos, em casa. No returno, vitórias sobre Seattle (3 a 2, em casa) e Marathón (1 a 0, fora) e empate em 2 a 2 com o Saprissa, fora, resultados que classificaram o Monterrey em primeiro lugar no grupo.

Neri Cardoso, um dos grandes nomes daquele esquadrão.

 

Em fevereiro de 2011, o time mexicano iniciou a jornada no mata-mata contra um rival doméstico: o Toluca. No primeiro jogo, em Toluca, Martínez fez o único gol da vitória por 1 a 0 que deixou o Monterrey com a vantagem do empate no duelo de volta, em casa. Diante de sua torcida, os rayados venceram por 1 a 0, gol de Neri Cardoso, e garantiram vaga na semifinal para, de novo, enfrentar um rival mexicano: o Cruz Azul, copeiro e em busca de mais uma taça continental para sua coleção. Seria uma prova de fogo enorme para o Monterrey, que buscava sua primeira classificação para uma final de Concachampions. No primeiro jogo, em casa, o time rayado fez valer o fator campo e venceu por 2 a 1, gols de Cardozo e Santana. Na volta, o Cruz Azul abriu o placar e segurou o 1 a 0 até os 36’ do segundo tempo, quando Suazo, de pênalti, decretou o empate e a classificação do Monterrey para uma inédita e histórica final. A equipe tinha a chance de ser campeã do maior torneio da América do Norte, Central e Caribe pela primeira vez. Mas seria preciso muita frieza para encarar os estadunidenses do Real Salt Lake, principalmente com o segundo jogo em território inimigo.

 

A primeira taça (invicta!) a gente nunca esquece

A festa do carequinha Suazo com a primeira taça da Concachampions da história do Monterrey!

 

Em finais com dois jogos, a tática para quem faz o primeiro jogo em casa é clara: vencer com a maior quantidade de gols possível. De Nigris começou a enfatizar tal regra logo aos 18’ do primeiro tempo do duelo contra o Real Salt Lake, mas o time da terra do Tio Sam empatou ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, Suazo, de pênalti, fez 2 a 1. O placar era magro, perigoso, e deixava completamente aberta a decisão para sete dias depois, em Utah. Mas, faltando um minuto para o fim do jogo, o argentino Javier Morales decretou o empate em 2 a 2. Foi uma ducha de água fria imensa para a torcida no estádio Tecnológico. Não restava outra opção ao Monterrey: ele teria que derrotar o rival fora de casa. Pior: um adversário sedento para fazer história e se tornar o terceiro clube dos EUA a vencer a Concachampions – na época, apenas DC United, em 1998, e LA Galaxy, em 2000, tinham o privilégio da glória continental em suas galerias.

No dia 27 de abril de 2011, o estádio Rio Tinto estava lotado para a decisão entre estadunidenses e mexicanos. Nervosa, a zaga do Monterrey fez um primeiro tempo sofrível e quase deu dois gols para o rival. A sorte é que o atacante Espíndola estava tão ruim quanto os defensores mexicanos e perdeu gols inacreditáveis. Foi então que, aos 45’, Suazo aproveitou um passe de Santana dentro da área e mandou pro fundo do gol para fazer 1 a 0. No segundo tempo, o Monterrey ficou mais no campo de defesa e viu Orozco fazer grandes defesas e sua zaga não cometer mais os erros infantis da primeira etapa. Com raça e sorte, os mexicanos seguraram a vantagem e celebraram o primeiro título da Concachampions de sua história. Mais: o time conquistou a taça de maneira invicta: 12 jogos, nove vitórias e três empates, 19 gols marcados e oito sofridos. Os mexicanos fizeram gols em todos os jogos, com Aldo de Nigris e Suazo como artilheiros com quatro gols cada. O título deu ao clube uma vaga no Mundial de Clubes da FIFA. E acabou de uma vez por todas com o ar de intocável que a Concachampions tinha para o Monterrey. Ela era possível. Foi. E seria muito mais…

 

Veja os lances da final:

 

Tropeço no Japão e nova caminhada continental

Ayoví (à esquerda) no Japão: tropeço inesperado.

 

Disputar o título da Concachampions de 2010-2011 diminuiu o rendimento do Monterrey nas competições nacionais. No Clausura de 2011, o time até se classificou para a fase de mata-mata, mas foi logo eliminado nas quartas de final para o UNAM. Para o Apertura, a equipe teve baixas no elenco com as saídas de William Paredes, Arellano (se aposentou), Davino e Martínez, e nem sequer se classificou para a segunda fase. Em dezembro, a equipe viajou ao Japão para a disputa do Mundial de Clubes da FIFA, mas tropeçou nas quartas de final diante do anfitrião Kashiwa Reysol-JAP ao empatar em 1 a 1 no tempo normal e perder nos pênaltis por 4 a 3. O time só venceu a insossa disputa do 5º lugar contra o Espérance Tunis, da Tunísia, por 3 a 2. Foi um desempenho bem abaixo do esperado naquela edição. Tudo bem que o time não teria força suficiente para encarar o Santos-BRA da época, muito menos o Barcelona de Guardiola, mas o time mexicano poderia ter alcançado pelo menos as semifinais. O técnico Vucetich creditou o rendimento ruim à queda precoce no campeonato nacional.

 

“Nós não disputamos a fase final do Apertura de 2011 e ficamos mais de um mês sem disputar uma partida oficial. Isso nos afetou. Tudo o que tivemos foram os treinamentos e o nosso estilo de jogo sofreu bastante pela falta de competitividade.” Víctor Manuel Vucetich, técnico do Monterrey, em entrevista ao site da FIFA, 07 de dezembro de 2012.

Mas o Monterrey teve uma nova chance de disputar a competição da FIFA ao iniciar a Concachampions em 2011. Classificado diretamente no Grupo D por ter sido campeão do Apertura de 2010, o time mexicano encarou Seattle Sounders-EUA (de novo), Comunicaciones-GUA e os costarriquenhos do Herediano. A estreia foi a melhor possível: goleada de 5 a 0 sobre o Herediano, fora de casa, com três gols de Carreño, um de Corona e um de De Nigris. No duelo seguinte, o time perdeu a invencibilidade na competição diante do Sounders por 1 a 0, em casa, e foi derrotado pelo Comunicaciones também por 1 a 0, fora, no terceiro duelo do grupo. Com a classificação ameaçada, o técnico Vucetich mexeu com os ânimos do time e a classificação veio com três vitórias no returno: 3 a 1 nos guatemaltecos, em casa, 1 a 0 no Herediano, em casa, e 2 a 1 nos estadunidenses, fora. Em primeiro lugar no grupo, o Monterrey carimbou sua vaga para as quartas de final e teve pela frente o rival doméstico Morelia. No primeiro duelo, fora de casa, o Monterrey deu show e venceu por 3 a 1, com dois de Suazo e um de Carreño. Na volta, com mais de 33 mil pessoas no estádio Tecnológico, o time rayado goleou por 4 a 1 – com mais dois de Suazo – e mostrou que queria o bicampeonato.

Em maio de 2012, mais de 25 mil pessoas foram ao treino apoiar o time. A torcida estava de bem com a vida com o elenco rayado! Foto: Info7.

 

Na semifinal, outro rival mexicano: o UNAM. No primeiro jogo, em casa, Morales e De Nigris, duas vezes, construíram o placar de 3 a 0 que deixou o Monterrey com os dois pés na final. Na volta, o empate em 1 a 1 foi suficiente para a vaga. Mas era hora de enfrentar um adversário complicadíssimo: o Santos Laguna, líder do Clausura de 2012 e devastador jogando em casa, onde havia aplicado 6 a 1 no Seattle Sounders, nas quartas, e 6 a 2 no Toronto FC-CAN, nas semis.

 

Bicampeões!

Foto: Notimex.

 

Enfrentar o Laguna seria um teste e tanto para o Monterrey. Além de ser um rival doméstico e em ótima fase, o time rayado teria que encontrar maneiras de neutralizar o ótimo ataque do adversário, que tinha no colombiano Quintero e no mexicano Peralta – que seria carrasco do Brasil nas Olimpíadas de Londres daquele ano – suas grandes armas. Por isso, um bom resultado em casa, no primeiro jogo, era fundamental para as pretensões rayadas. E, no dia 18 de abril, Suazo foi mais uma vez decisivo e marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre o Laguna, um deles antológico: ele recebeu na entrada da área, passou por um, dois, três, quatro e chutou. Na comemoração, o chileno saiu gritando “golaço, golaço”, tamanha beleza de sua arte.

 

Veja abaixo:

O triunfo deixou a torcida esperançosa para a volta, em Torreón. O problema é que Suazo recebeu um cartão amarelo e, como já tinha outro acumulado naquela fase eliminatória, foi suspenso do duelo decisivo. Será que o Monterrey conseguiria vencer o Santos Laguna sem seu principal artilheiro? A dúvida surgiu ao final do primeiro tempo da volta, sete dias depois, quando Ludueña fez 1 a 0 para o Laguna nos acréscimos. No comecinho do segundo tempo, Peralta ampliou e o resultado levava o duelo para a prorrogação. Foi então que Neri Cardoso, aos 37’, tabelou com Ayoví na entrada da área e chutou sem chances para o goleiro Sánchez: 2 a 1. Era o gol do título. Do bicampeonato. Em plena casa rival, como em 2011. Suazo, com sete gols, foi o artilheiro da competição ao lado de Peralta. Carreño, com cinco, e De Nigris, com quatro, foram os outros goleadores do time.

 

A vingança do rival

Ao contrário da temporada anterior, o Monterrey fez uma ótima campanha no Clausura de 2012 e quis levantar a taça nacional. Na fase de classificação, o time ficou em segundo lugar, atrás apenas do Santos Laguna, com nove vitórias, cinco empates e três derrotas em 17 jogos. Com 32 gols marcados – segundo melhor ataque – e 15 sofridos, o time de Vucetich se destacou não só pela campanha, mas também pelo fair play: o Monterrey não levou nenhum cartão vermelho e nenhum jogador levou dois cartões amarelos em um único jogo. No mata-mata, os rayados eliminaram o Tijuana nas quartas de final e o América nas semis. Na grande decisão, disputada dias depois da final da Liga dos Campeões da CONCACAF, o adversário foi o velho conhecido Santos Laguna. Querendo a revanche, os alviverdes seguraram um empate em 1 a 1 no duelo de ida, em Monterrey, e venceram por 2 a 1 a volta. O título ficou com o Laguna e significou uma rara derrota para o técnico Vucetich, que acumulava seguidos triunfos em finais tanto pelo Monterrey quanto pelos clubes que comandou antes dos rayados. O único ponto positivo daquela derrota foi a vaga confirmada na Concachampions de 2012-2013.

 

O inédito bronze

Basanta e Torres no Mundial: melhor para os ingleses.

 

No segundo semestre de 2012, o Monterrey disputou o Apertura do Campeonato Mexicano – foi eliminado nas quartas de final – e viajou para o Japão em busca de uma melhor posição no Mundial de Clubes da FIFA. O técnico Vucetich estava esperançoso com sua equipe e disse em entrevista à FIFA na época que o Monterrey tinha “condições de avançar à segunda etapa e sonhar com algo mais”. Além disso, ele acreditava que seus jogadores poderiam decidir a qualquer momento e “sinceramente, pensamos e sonhamos com o título”. Mas a grande esperança de gols da equipe, Suazo, sofreu uma lesão muscular na parte posterior da coxa direita e acabou desfalcando o time na estreia, contra os sul-coreanos do Ulsan Hyundai. Mesmo sem o chileno, a equipe mexicana venceu por 3 a 1, com dois gols de Delgado e um de Corona. O time garantiu uma inédita vaga na semifinal e teve pela frente o Chelsea. No entanto, Suazo não conseguiu se recuperar, foi cortado e o time mexicano teve que se virar sem seu astro contra os ingleses. Sem dificuldades, o Chelsea venceu por 3 a 1 e se garantiu na decisão, onde foi derrotado pelo Corinthians.

 

O time de 2012, mais rápido e ofensivo.

 

Na disputa pelo terceiro lugar, os mexicanos encararam o Al-Ahly-EGI e venceram por 2 a 0, gols de Delgado e Corona. O resultado fez do Monterrey o primeiro clube mexicano desde o Necaxa, em 2000, a conseguir o bronze em um Mundial de Clubes da FIFA na história. Além disso, o atacante Delgado foi o artilheiro da competição com três gols, ficando à frente dos vários craques da competição. Enfim, os rayados apagavam de vez a má impressão deixada em 2011. Era o fim de uma era? Não. Ainda tinha mais…

 

Uma “nova” Concachampions e um perigoso favorito

O técnico Vucetich com seu elenco. Foto: AFP.

 

A edição 2012-2013 da Liga dos Campeões da CONCACAF teve um sistema de disputa um pouco diferente das anteriores. Os times foram divididos em oito grupos de três clubes e não poderia haver em um mesmo grupo duas equipes do mesmo país nem times de México e dos EUA em uma mesma chave. Além do Monterrey e do Santos Laguna, a competição tinha entre os favoritos os estadunidenses do LA Galaxy, que na época ainda tinha em seu plantel David Beckham (ele sairia do time no final de 2012) e nomes como Landon Donavan, Robbie Keane, Jack McBean e Carlo Cudicini. Com a mudança no regulamento, o caminho do Monterrey ficou mais fácil e caíram no grupo dos mexicanos o Municipal-GUA e o Chorillo-PAN. Nos quatro jogos contra os frágeis rivais, os rayados venceram os guatemaltecos por 1 a 0 (fora) e 3 a 0 (em casa) e os panamenhos por 5 a 0 (em casa) e 6 a 0 (fora) – este último com um público de 130 pessoas (!) no estádio Rommel Fernández, na Cidade do Panamá. Foram 15 gols marcados e nenhum sofrido nos quatro jogos. Estava claro que o time mexicano precisava de rivais mais fortes. Nas quartas, a equipe ainda não encontrou um desafio à altura e bateu facilmente o Xejalú-GUA por 3 a 1 (fora) e empatou em 1 a 1 em casa.

De Nigris fuzila contra o Galaxy: fundamental no ataque rayado.

 

Até que chegaram, enfim, as semifinais. E a primeira grande pedreira topou com os rayados: o LA Galaxy. Mesmo sem Beckham, o time dos EUA era um fortíssimo candidato ao título e vinha de uma campanha invicta com três vitórias e um empate na fase de grupos (12 gols em quatro jogos) e um triunfo por 4 a 1 sobre os costarriquenhos do Herediano nas quartas. No primeiro jogo, em Carson, o Monterrey levou 1 a 0 no primeiro tempo e saiu em busca de pelo menos um empate. Mais presente no ataque, a equipe tentava um resultado mais cômodo para o duelo de volta, mas o adversário era complicado e dificultava as ações para o time de Vucetich. Até que, aos 37’, Suazo, o talismã, começou uma jogada perto do meio de campo, se mandou para a área e aproveitou um rebote do goleiro para empatar: 1 a 1. Tanta insistência pelo placar foi premiada aos 45’, quando De Nigris virou o jogo e mostrou aos estadunidenses quem era o campeão. Com Suazo um pouco mais recuado, buscando o jogo, o Monterrey mostrava que ainda conseguia se reinventar. E o técnico Vucetich provava ter mesmo o time nas mãos.

Na volta, em casa, os mexicanos venceram por 1 a 0, gol de De Nigris, eliminaram o badalado e endinheirado rival e conquistaram a vaga para mais uma final continental. Era hora de tentar algo incrível: a terceira taça seguida da Liga dos Campeões da CONCACAF. Há 42 anos que isso não acontecia na competição. E desde 1976 que um clube no mundo não conseguia três títulos seguidos de um torneio continental – o último havia sido o Bayern München-ALE, na Liga dos Campeões da UEFA!

 

A imortalidade

Determinados esquadrões vitoriosos costumam encerrar seus ciclos de duas maneiras: ou com um título que simboliza cada capítulo e cada façanha conquistada ou com uma queda brusca de rendimento. No caso do Monterrey, ele optou pela primeira. Na decisão da Concachampions de 2013, a equipe rayada reencontrou o Santos Laguna. Derrotado na final de 2012. Vitorioso na finalíssima do Clausura do mesmo ano. Era preciso desempatar aquele embate. Experiente, sem desfalques importantes e conhecedor pleno do script de uma final continental, o Monterrey foi a campo no dia 24 de abril contra o rival, fora de casa, para jogar por pelo menos um empate. Dito e feito. O placar foi 0 a 0 e a decisão ficou para a partida de volta, no estádio Tecnológico tomado por mais de 33 mil pessoas, quase a capacidade máxima. Porém, Quintero e Baloy abriram 2 a 0 para o Laguna e gelaram o torcedor acostumado a vitórias tão tranquilas e imponentes dentro de casa. Será que o encanto daquele time iria esmaecer justo naquela final? Será que Suazo, autor de gols nas finais de 2011 e 2012, não iria deixar sua marca? A situação era difícil. O tempo corria sem tropeços. Até que tudo começou a mudar aos 15’ do segundo tempo.

Aldo de Nigris, aproveitando um passe de Corona, fez o primeiro gol do Monterrey. A torcida se inflamou. Eles precisavam de mais dois gols. Energéticos, os aficionados da casa enviavam todo o combustível para o bicampeão acordar. Para despertar a frieza e precisão de outrora. A gana pelo futebol ofensivo. O entrosamento de Cardoso, Suazo e De Nigris era visto novamente. E foi Cardoso quem fez o gol de empate, aos 39’. Três minutos depois, De Nigris fez de cabeça após receber um passe de seu melhor companheiro, “Chupete” Suazo. Era a virada. O clima no Tecnológico era impressionante. Mas ainda faltava o gol do ídolo. Do talismã. Do artilheiro. Nos acréscimos, em um contra-ataque fulminante, Suazo apareceu e fez o quarto: 4 a 2. Ele se tornava o primeiro jogador desde Alfredo Di Stéfano (!) a fazer gols em três finais continentais consecutivas. “Só” isso.

O time de 2013: Meza no meio de campo, time mais protegido na zaga e experiente. Resultado? Tricampeonato!

 

Basanta ergue a taça do tri. Foto: AFP.

 

Foi o estopim para a festa. O Monterrey era tricampeão da Concachampions. O primeiro desde o longínquo ano de 1972. O primeiro clube no planeta desde 1976 a vencer um torneio continental por três vezes seguidas. Era uma façanha histórica. Homérica. Com todas as características possíveis para um filme, um conto de entreter gerações e gerações de torcedores rayados. A propósito: o título foi conquistado mais uma vez de maneira invicta, com seis vitórias e dois empates em oito jogos, 23 gols marcados e quatro sofridos. Aldo de Nigris foi eleito o melhor jogador e foi vice-artilheiro da competição com cinco gols, mesmo número de Suazo.

 

Uma façanha para a eternidade

O tricampeonato foi o último capítulo do time de Vucetich. O técnico deixou o comando do clube após a conquista para comandar brevemente a seleção mexicana. Em casa, os rayados não conseguiram levantar taças e só tiveram alegrias ao eliminar o rival Tigres nas quartas de final do Clausura de 2013. No segundo semestre, sob o comando de José Guadalupe Cruz, o time perdeu a intensidade de antes, não disputou a Concachampions de 2013-2014 por não ter ido bem nas competições nacionais e caiu mais uma vez de maneira precoce no Mundial de Clubes da FIFA de 2013 ao perder para o Raja Casablanca-MAR por 2 a 1 nas quartas de final. Na disputa do quinto lugar, os mexicanos golearam o Al-Ahly-EGI por 5 a 1. De fato, o ciclo já havia terminado lá no dia 1º de maio de 2013, no título da Concachampions. Um ciclo fantástico que fez do clube um dos maiores times da história do futebol mexicano e da própria competição continental. A dinastia dos rayados será bem difícil de ser repetida. O América até passou perto com o bicampeonato de 2014/2015, mas tri, só o Monterrey. Muita gente pode falar “ah, eles jogaram contra times fracos, a Concachampions é fácil e blá blá blá”. Mas alguém tinha que ganhar, certo? E eles ganharam. Com organização, foco, sequência de trabalho e um grupo unido e entrosado. Um esquadrão imortal.

 

Os personagens:

 

Jonathan Orozco: titular absoluto do Monterrey, o goleiro fez história com grandes atuações e mais de 20 anos de clube. Começou na filial do time nos anos 90, o Cobras de Ciudad Juárez, até conseguir uma vaga em definitivo no time titular a partir de 2005. Mesmo com as taças e a presença maciça no escrete rayado, nunca teve o devido espaço na seleção mexicana. É o quarto na lista de jogadores que mais vestiram a camisa do Monterrey na história com 318 jogos.

Severo Meza: quinto jogador que mais vestiu a camisa rayada com 296 jogos, o lateral-direito foi outro criado no clube e que ficou marcado pela fidelidade ao time mexicano. Muito regular e com boa velocidade, foi titular em grande parte daquela era de ouro. Disputou alguns jogos, também, pela seleção mexicana. Podia jogar, também, como volante.

Ricardo Osorio: foi um dos principais jogadores mexicanos de seu tempo, ótimo na marcação mano a mano, polivalente na lateral, técnico nos passes e apto a atuar, também, como volante e zagueiro. Jogou de 2010 até 2014 no Monterrey e encerrou a carreira no clube dois anos depois, em 2016. Disputou duas Copas do Mundo com o México, em 2006 e 2010, sendo titular em todos os jogos da seleção.

Hiram Mier: mais uma cria do Monterrey, Mier iniciou sua carreira em 2010 e se destacou principalmente pelas seleções de base do México. Em 2012, foi medalhista de ouro nos Jogos de Londres. Se destacou pela velocidade e bom posicionamento.  

Duilio Davino: defensor muito bom na antecipação, jogou de 2009 até 2011 no Monterrey após se consagrar no América, pelo qual jogou durante dez anos. Disputou a Copa do Mundo de 1998 e vários torneios internacionais pela seleção. Se aposentou pelo próprio Monterrey em 2011 e virou diretor do clube.

José María Basanta: “El Sargento” foi um dos principais defensores do time rayado naquela época e titular absoluto do esquema do técnico Vucetich. Chegou ao Monterrey após uma destacada Libertadores pelo Estudiantes, em 2008, e ficou de 2008 até 2014 no clube mexicano. O argentino foi um líder nato do elenco e virou capitão após a saída de Luis Ernesto Pérez, em 2012.

William Paredes: podia atuar nas duas laterais e se destacava pela velocidade e cruzamentos. Cria do Monterrey, jogou no clube de 2007 até 2011, e foi fundamental nas conquistas nacionais de 2009 e 2010.

Dárvin Chávez: lateral-esquerdo, foi ganhando vaga no time aos poucos até virar titular, se destacando principalmente na conquista da Concachampions de 2011-2012. Muito regular, foi um dos medalhistas olímpicos do México nos Jogos de Londres em 2012. Jogou de 2011 até 2015 no Monterrey.

Sergio Pérez: outro lateral que podia jogar tanto na esquerda quanto na direita. Após uma boa passagem pelo Puebla, foi para o Monterrey em 2010 e ficou até 2012. Mesmo com a grande concorrência no setor defensivo, foi titular em vários jogos, incluindo a decisão da Concachampions de 2011. Disputou mais de 70 jogos com a camisa rayada.

Edgar Solís: podia jogar como lateral-esquerdo, meio-campista ou mesmo como zagueiro no esquema do técnico Vucetich. Ficou apenas uma temporada no clube, em 2012-2013, mas o suficiente para ser titular em vários jogos e nas decisões da Concachampions de 2013, atuando ao lado de Corona, Ayoví e Zavala no meio de campo.

Jesús Zavala: cria do clube, debutou lá em 2006 e era atacante por conta da estatura (1,90m). Mas foi no meio de campo que o mexicano se encontrou graças ao técnico Vucetich, que ousou ao escalá-lo nessa posição em sua chegada, em 2009. Foi uma sábia mudança, pois Zavala se mostrou rápido, ótimo no posicionamento e muito bom nos passes e antecipações. Tornou-se um símbolo da era de ouro do Monterrey. Virou ídolo e é um dos dez jogadores com mais jogos pelo clube com 294 partidas.

Walter Ayoví: volante e lateral-esquerdo, o equatoriano chegou ao Monterrey em 2009 e foi um dos pilares do esquema tático do técnico Vucetich no período. Fez grandes jogos, demonstrou enorme poder de decisão e aparições surpresas no ataque, além de ser muito bom em triangulações, passes e na marcação. Disputou mais de 200 jogos com a camisa rayada até 2013. Foi presença constante, também, na seleção equatoriana, pela qual disputou duas Copas do Mundo, em 2002 e 2014.

Geraldo Galindo: o meio-campista jogou quase uma década no Pumas, passou um tempo no Necaxa até chegar ao Monterrey em 2009, pelo qual se destacou na conquista nacional de 2009. Bom na marcação, jogava mais recuado, dando suporte à defesa e permitindo as investidas de Ayoví e Martínez.

Luis Ernesto Pérez: capitão do time e um ícone rayado, o volante foi um dos líderes do elenco e se identificou bastante com a torcida. Jogou de 2003 até 2012 no clube e foi titular absoluto com seu futebol de muita marcação, boa visão de jogo e bons passes, além de marcar vários gols – é um dos 15 maiores goleadores da história do clube com 56 tentos. É, também, um dos recordistas em jogos pelo Monterrey (3º na lista geral) com 345 jogos pelo time rayado. Pela seleção mexicana, disputou 69 jogos e esteve presente na Copa de 2006.

Héctor Miguel Morales: por causa da concorrência no elenco no meio de campo, não conseguiu ser titular absoluto, mas cumpriu seu papel quando exigido. Alto e forte na marcação, podia jogar, também, como zagueiro.  

Osvaldo Martínez: meia muito rápido e habilidoso, o paraguaio – que se naturalizou mexicano – chegou em 2009 e foi um dos destaques do sistema ofensivo do time até 2011, conquistando os Aperturas de 2009 e 2010 e a Concachampions de 2011.

Ángel Reyna: jogou apenas em 2012 no clube, mas conseguiu disputar mais de 30 jogos e foi titular em boa parte da campanha do título continental daquele ano, inclusive nas finais contra o Santos Laguna. Jogava como meia e também como segundo atacante.

Neri Cardoso: o argentino chegou em 2010 após ótima passagem pelo Boca Juniors e chegou ao auge da carreira com a camisa do clube mexicano. Com exímio controle de bola, boa visão de jogo, passes na medida e presença maciça no ataque, o meia foi fundamental no tricampeonato continental e no Apertura de 2010. Virou ídolo e disputou mais de 250 jogos com a camisa rayada entre 2010 e 2017.

Jesús Corona: outra cria do clube, debutou em 2010 e foi ganhando mais espaço a partir de 2012. Foi essencial no título continental de 2013 e brilhou com seu futebol rápido, suas arrancadas e ótima capacidade para furar as retrancas adversárias. Seu talento o levou à seleção mexicana, pela qual foi convocado para a Copa do Mundo de 2018.

Humberto Suazo: “El Chupete” pode ser considerado o maior ídolo da era moderna do Monterrey (seria o maior de todos os tempos?), a ponto de ter sua camisa 26 aposentada no clube. O chileno marcou gols em todas as finais da Concachampions, foi decisivo em todos os momentos que o clube mais precisou dele, foi preciso como centroavante, como atacante mais recuado e o verdadeiro terror do Monterrey naquela era de ouro. Virou o maior artilheiro da história do clube com 121 gols em 255 jogos (além de 71 assistências) e um dos maiores goleadores das Américas entre 2006 e 2012. Pela seleção chilena, marcou 21 gols em 60 jogos e disputou a Copa do Mundo de 2010.

César Delgado: jogou no Monterrey entre 2011 e 2014 como meia e atacante. Marcou gols importantes e foi um dos destaques do time nas conquistas continentais de 2012 e 2013, além de mostrar faro goleador nas participações do time nos Mundiais de Clubes dos mesmos anos.

Aldo de Nigris: se entendia quase que por telepatia com Suazo e ganhou o coração da torcida com gols históricos, presença de área e muita regularidade. Jogou de 2009 até 2013 na equipe e foi essencial nas conquistas do período, além de ter sido convocado várias vezes para a seleção mexicana. É o terceiro maior artilheiro da história do clube com 82 gols em quase 200 jogos.

Sergio Santana: jogador muito versátil no sistema ofensivo do time, podia jogar em todas as posições à frente do meio de campo. Rápido e oportunista, foi titular em várias partidas e possibilitava ao técnico Vucetich atuar com três atacantes. Jogou de 2009 até 2011 no clube rayado.

Abraham Carreño: era um coringa muito importante do time e entrava quase sempre no decorrer dos jogos. Atacante, marcou alguns gols e foi um dos destaques no título do Apertura de 2009.

Víctor Manuel Vucetich (Técnico): o Rey Midas foi, sem dúvida, o maior técnico da história do Monterrey. O trabalho que ele fez, aproveitando ao máximo as crias da base, valorizando os atletas e construindo um time versátil e extremamente copeiro, foi algo louvável e histórico. O treinador fez do Monterrey o maior esquadrão da CONCACAF e também do México no período. Por mais que o time não tenha conseguido manter a coroa nacional entre 2011 e 2013, o foco na competição continental foi uma tacada de mestre do treinador. O tricampeonato, conquistado com apenas três derrotas em 32 jogos disputados é algo impressionante. Mais do que isso, ele sempre fez seu time jogar pra frente e confiar na vitória até o último minuto nos jogos. Só faltou dar um pouco mais de valor e atenção ao Mundial de Clubes, principalmente em 2011, quando o Monterrey caiu inesperadamente nas quartas de final. Mesmo assim, entrou definitivamente para a história do clube. Uma pena que seu trabalho na seleção mexicana tenha sido tão breve.

 

A campanha do tri:

 

2010-2011

J V E D GM GS
12 9 3 0 19 8

 

2011-2012

J V E D GM GS
12 8 1 3 25 9

 

2012-2013

J V E D GM GS
8 6 2 0 23 4

 

TOTAL:

J V E D GM GS
32 23 6 3 67 21

 

Extras:

Veja os gols de LA Galaxy 1×2 Monterrey pelas semis de 2013.

 

Veja os gols da final de 2013.


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5 thoughts on “Esquadrão Imortal – Monterrey 2009-2013

  1. Você escreve muito bem, consegue transmitir a emoção ao leitor em alguns textos

    Esse Real Madrid atual tricampeão da Liga dos Campeões terá espaço aqui no futuro?

        1. Prefiro não palpitar. Essa Copa está muito parelha. Todos têm chances de vencê-la. Brasil e Bélgica será um duelo totalmente aberto, sem favoritos. São times equivalentes.

          1. Entendo. O Brasil enfrentou seleções consideradas “fracas” até agora, diria que as quartas irão comprovar a força dessa seleção atual.

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