Seleções Imortais – Croácia 2018

O time da final. Em pé: Lovren, Strinic, Mandzukic, Rebic, Subasic e Perisic. Agachados: Brozovic, Vida, Rakitic, Vrsaljko e Modric. Foto: Lars Baron / Getty Images – FIFA.

 

Grandes feitos: Vice-campeã da Copa do Mundo da FIFA de 2018. Conquistou a melhor colocação da história da seleção croata em uma Copa em todos os tempos.

Time-base: Subasic; Vrsaljko (Jedvaj), Lovren (Corluka), Vida e Strinic (Pivaric); Rakitic (Badelj) e Brozovic; Rebic (Kovacic), Modric e Perisic; Mandzukic (Kramaric). Técnico: Zlatko Dalic.

 

“Campeões da Emoção”

 

Ninguém apostou neles antes do Mundial. A grande maioria sabia que era um bom time, mas que não tinha chances contra as tradicionais seleções do futebol. Ainda mais pelo fato de aquele país novato se apegar à glória do terceiro lugar na Copa de 1998 e nunca mais ter vivido um grande momento na maior competição do planeta. Parecia uma seleção de um só verão. Bem, só parecia. Enquanto se falava da “geração isso”, “geração aquilo”, do “trabalho de muitos anos”, eles fizeram o caminho contrário. Aquela seleção aconteceu na Copa. Na primeira fase, venceu os três jogos que disputou, incluindo uma sapecada histórica de 3 a 0 sobre a Argentina. Mas foi no mata-mata que uma verdadeira epopeia foi escrita. Empate, prorrogação e pênaltis nas oitavas de final. Empate, prorrogação e pênaltis nas quartas. Empate e prorrogação nas semifinais. Mas, ao contrário de 1998, a semifinal reservou a maior das façanhas: uma vaga inédita para a final da Copa do Mundo. Eles já haviam disputado sete jogos antes mesmo da decisão. Some os 30 minutos de cada uma das prorrogações e temos um jogo inteiro. Com os acréscimos, muito mais. Foi o time que mais correu. Que mais suou. Que mais teve mais garra. Que mais jogou. Primeiro na história a disputar três prorrogações seguidas. Segundo menor país em população na história a ser finalista de um Mundial. E eles nem eram 23 jogadores como todas as outras seleções. Eram 22, pois Kalinic foi cortado do time. Na grande final do dia 15 de julho de 2018, aquela seleção reencontrou um antigo algoz: a França, mesma que a eliminou do Mundial de 1998. Era a chance da desforra. Mas deu tudo errado. Mesmo com mais posse de bola, mais controle de jogo, a Croácia sucumbiu para a eficiência de um adversário traiçoeiro. Que soube dar o bote nos momentos certos. No segundo tempo, as pernas daqueles atletas sentiram. O esforço físico de um jogo a mais pesou. E não restava outra opção, com dois gols atrás no placar, a não ser esperar o apito final para pegar a medalha prateada e descansar. O estádio inteiro estava com eles. Talvez boa parte do mundo. Quem não queria ver a Croácia campeã mundial? Só os franceses, claro. Mas os croatas deixaram o gramado de Moscou como campeões. Campeões da emoção. Campeões da garra. Campeões da força de vontade. Uma trajetória impressionante, contra todos os prognósticos, baseada em um time fortíssimo e com jogadores que fizeram a diferença. Subasic e suas enormes defesas nos jogos e nas disputas de pênaltis. O entrosamento da dupla de zaga Lovren e Vida e o esforço de Strinic pela esquerda. Vrsaljko e seu fôlego que parecia nunca acabar pela lateral-direita. O meio de campo e ataque que se reinventavam durante os jogos com Rakitic, Rebic, Perisic e Mandzukic. E, claro, o capitão que foi o grande nome da equipe e da própria Copa: Luka Modric, o maestro dos passes, lançamentos e que empurrou seu time o mais longe possível para colocar aquela Croácia na história e quebrar o paradigma de que uma final de Copa era algo restrito aos gigantes ou ex-campeões. Foi uma campanha impressionante. Surpreendente. E para a eternidade. É hora de relembrar.

 

Tempos conturbados

Após o brilho da geração de Suker e Boban (foto)…

 

 

Após a incrível campanha na Copa do Mundo de 1998, que o Imortais já contou todos os detalhes, a Croácia tentou se manter entre as grandes equipes do cenário futebolístico mundial. Mas os primeiros anos foram bem difíceis. Nas Copas de 2002 e 2006, a equipe caiu nas primeiras fases e não se classificou para a Copa de 2010. Em 2000, não disputou a Eurocopa e, nas seguintes, o mais longe que alcançou na competição foi as quartas de final de 2008, quando caiu nos pênaltis para a Turquia. Naquele ano, três jogadores já começavam a se destacar no time titular: o defensor Corluka, 22 anos, do Manchester City-ING, e os meio-campistas Rakitic, 20 anos, do Schalke 04-ALE, e Luka Modric, 22 anos, do Dinamo Zagreb-CRO (ele jogaria no Tottenham Hotspur-ING após o torneio). Por mais que tivesse bons nomes espalhados pelo futebol europeu, a Croácia não conseguia montar uma seleção competitiva. Na Copa de 2014, por exemplo, o time comandado pelo técnico Niko Kovac mesclava veteranos com jovens promissores como Vrsaljko (22 anos), Perisic (25), Lovren (24), Brozovic (21), Rebic (20), Kovacic (20) e Vida (25), além dos já citados Modric e Rakitic, mas o time foi uma enorme decepção ao cair na primeira fase do Mundial do Brasil. Juntos, todos aqueles talentos pareciam não render. Havia problemas de relacionamento, a torcida não tinha confiança no time e a camisa que tanto brilhou no final da década de 90 era uma mera caricatura do que fora um dia. Quando o ídolo Davor Suker assumiu a presidência da federação, em 2012, com foco na igualdade de gênero na parte laboral, muitos acreditavam em uma grande mudança. Mas ainda não havia luz tão cintilante no fim do túnel.

Em 2014, a Croácia tinha 13 jogadores que também estariam na Rússia em 2018. Mas caiu ainda na primeira fase. Foto: FIFA.com

 

Ante Cacic assumiu o cargo de treinador da equipe em setembro de 2015, após a demissão de Niko Kovac, e tinha como objetivo classificar a Croácia para a Euro de 2016 e para a Copa de 2018. Ele cumpriu a primeira etapa do trabalho, mas em meio a jogos conturbados por causa da torcida e pessoas mal-intencionadas. Primeiro, parte da torcida bradou cânticos racistas em um duelo contra a Noruega, em 28 de março de 2015. Depois, num jogo de portões fechados contra a Itália, em casa, justamente por causa do comportamento desses torcedores, foi visto no gramado uma suástica (!) desenhada com um agente químico que obrigou a TV que transmitiu o duelo a fazer modificações na cor das câmeras para não mostrar tal desenho – que não foi apagado a tempo pela administração do estádio no dia do jogo. Era um sinal claro de que torcida e seleção não falavam a mesma língua. E da tensão política que envolvia – e ainda envolve – um país com memórias tão tristes por causa de guerras relativamente recentes. Vale lembrar que a Croácia possui grupos de extrema direita que se identificam com a organização fascista-nacionalista Ustasha, que governou o país durante a II Guerra Mundial e matou centenas de milhares de sérvios, judeus e dissidentes políticos da Iugoslávia naquele período. A suástica rendeu uma multa de 100 mil euros à federação croata de futebol, perda de um ponto nas Eliminatórias daquela Euro e jogos com portões fechados até o final da disputa.

Suástica no gramado: vixe maria…

 

Passado o turbilhão das Eliminatórias, a equipe conseguiu a vaga na Euro e se classificou bem, com vitórias sobre Turquia (1 a 0) e Espanha (2 a 1) e empate em 2 a 2 com a República Tcheca – com mais problemas envolvendo os ultras croatas, que brigaram entre si e jogaram sinalizadores em campo. Nas oitavas de final, a equipe resistiu até o segundo tempo da prorrogação, mas caiu diante da futura campeã Portugal por 1 a 0 (gol de Quaresma) e foi eliminada. Naquele jogo, foram titulares jogadores como Subasic, Vida, Strinic, Modric, Rakitic, Perisic, Brozovic e Mandzukic. Após a eliminação, o defensor Srna anunciou sua aposentadoria da seleção e Modric assumiu a braçadeira de capitão da seleção, função que iria exercer já nas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Modric disse na época: “estou muito orgulhoso e sou muito agradecido ao técnico pela confiança. Tenho a esperança de justificar essa nova posição”. Era o que a torcida tanto desejava. E que a Croácia precisava urgentemente.

 

A vaga no sufoco

Contra a Ucrânia, a Croácia venceu por 2 a 0 (dois de Kramaric, comemorando, de joelhos) e conseguiu uma grande vitória que a manteve viva na disputa por uma vaga no Mundial. Foto: Reuters.

 

Após dois meses, a Croácia entrou em campo pelas Eliminatórias da Copa e empatou em casa em 1 a 1 no duelo contra a Turquia pelo Grupo I. O duelo foi mais uma vez com os portões fechados por causa de uma punição da FIFA após novos casos de mau comportamento da torcida em amistosos disputados no começo de 2016. Na sequência, mais três jogos e três vitórias: 6 a 0 em Kosovo, fora (com três de Mandzukic), 1 a 0 na Finlândia, fora, e 2 a 0 na Islândia, em casa e com portões fechados. Em março de 2017, a equipe venceu a Ucrânia por 1 a 0, em casa, agora com torcida em Zagreb, mas perdeu pelo mesmo placar para a Islândia, fora, três meses depois. O time se recuperou com um triunfo por 1 a 0 sobre Kosovo, em casa, mas uma nova derrota – para a Turquia, por 1 a 0, fora – e um empate (1 a 1) em casa contra a fraca Finlândia acendeu o sinal de alerta na torcida e na federação. A queda de rendimento somada a falta de simpatia de torcedores e jogadores com o técnico provocaram a demissão de Cacic, que foi substituído por Zlatko Dalic em 07 de outubro de 2017. O croata vinha de bons trabalhos no futebol dos EAU e só iria permanecer no comando da equipe se conseguisse classificar a seleção para a Copa.

O problema é que ele chegou às vésperas de um duelo decisivo diante da Ucrânia, fora de casa, no estádio Olímpico de Kiev tomado por mais de 60 mil pessoas. Quem vencesse estaria classificado para a repescagem. Seria um desafio enorme e um batismo de fogo para o técnico Dalic, que mandou à campo o time que vinha jogando naquelas Eliminatórias, com todas as estrelas do meio de campo (Rakitic e Modric) e do ataque (Perisic, Mandzukic e Kramaric). Com muita maturidade, o time venceu por 2 a 0 e conseguiu se manter vivo por uma vaga. E ela veio um mês depois com certa facilidade: goleada por 4 a 1 sobre a Grécia, em casa, e empate sem gols fora. Com um sufoco desnecessário, a Croácia estava na Copa. Dalic teria pouco mais de cinco meses para arrumar o time, melhorar alguns pontos e fazer com que aquela leva de bons jogadores pudesse dar liga no Mundial. Após o sorteio dos grupos e o conhecimento dos adversários – Argentina, Nigéria e Islândia, os croatas viram que era possível conseguir uma vaga. Talvez em segundo lugar, atrás da sempre favorita Argentina. Mas havia uma dúvida: qual Croácia seria vista na Copa? Um time com craques em sua plenitude ou apenas mais um jogando por nada?

 

O trabalho por um ideal

Zlatko Dalic em treinamento da Croácia. Foto: AFP PHOTO / GABRIEL BOUYS.

 

Quando assumiu a federação croata, Suker tratou de dar mais força e presença às mulheres no cotidiano da seleção. E essa presença feminina começou a ser fundamental para criar um ambiente melhor e sem intrigas, principalmente após a chegada de Dalic no comando do time. Outro fator que começou a pesar foi o trabalho de Iva Olivari, coordenadora da delegação da Croácia que chegou à Federação justamente no nascimento da mesma, lá no começo dos anos 90. Olivari teve que abandonar a carreira de tenista após uma séria lesão no punho e ocupou diversos cargos administrativos até assumir um cargo mais elevado em 2012, mesmo ano da posse de Suker. Na Copa de 2014, Iva já estava à frente da delegação, mas trabalhando internamente. Só depois do Mundial que ela ganhou autonomia para participar dos trabalhos in loco, no campo, junto com o treinador e jogadores. Mesmo recebendo comentários sexistas, ela teve todo o apoio da Federação para cumprir seu trabalho e ir à Rússia como a primeira mulher em um cargo de chefia a estar no banco de reservas em uma Copa do Mundo. Sobre sua função na equipe, ela comentou:

 

“Eu não fui discriminada, embora, claro, ouvi coisas do tipo, ‘ela não deveria estar ali, seria melhor se fosse um homem, não sabe nada de futebol’… Mas, para mim, tanto faz estes comentários. […] Os mais jovens, quando chegam à equipe, estão muito assustados, não sabem de onde vêm e me chamam de ‘tia Iva’. Mas isso se esquece em seguida e passo a ser só Iva.  Como supervisora da equipe, sou a rainha dos papéis. Sou encarregada de toda a administração, a comunicação com os adversários, os clubes, as viagens… Tudo o que se precisa para participar de um torneio”. Iva Olivari, em entrevista à AFP, julho de 2018.

 

Iva Olivari, a “chefe” da Croácia.

 

Com simpatia e conhecimento, Iva se transformou em um porto seguro dos atletas da Croácia. Como trabalhou nas categorias de base, ela conhecia a maioria dos jogadores de longa data, ainda adolescentes, e isso ajudou bastante no relacionamento e na criação de um ambiente harmônico para a disputa do Mundial, com participação e apoio das famílias dos atletas.

 

“Todos eles são grandes estrelas do futebol, mas eles me respeitam. Nosso relacionamento é muito aberto e direto. Dizemos um ao outro o que temos que fazer e continuamos. Estou aqui para eles, tento ser discreta o máximo possível e eles sabem que podem confiar em mim. É um relacionamento que foi construído há muitos anos”.Iva Olivari, em entrevista à Tatiana Furtado, do site do jornal O Globo, 11 de julho de 2018.

 

Iva Olivari entre os craques Rakitic e Mandzukic.

 

Todo esse trabalho teve um objetivo: fazer com que os atletas, tidos como os melhores já produzidos no país desde a grande equipe de 1998, dessem liga. A grande maioria jogava em clubes do alto escalão do futebol europeu. O lateral Vrsaljko era do Atlético de Madrid-ESP. Perisic, da Internazionale-ITA e com boa passagem pelo Borussia Dortmund-ALE. O zagueiro Lovren, titular do Liverpool-ING, vice-campeão europeu em 2017-2018. Rakitic, uma estrela incontestável do Barcelona-ESP campeão espanhol. O capitão Modric era simplesmente fundamental no Real Madrid-ESP multicampeão europeu. Brozovic, meio-campista da Internazionale-ITA. Mandzukic, titular no ataque da supercampeã italiana Juventus-ITA. E o goleiro Subasic titular do Monaco-FRA. Todos eram jogadores de renome, mas que ainda não tinham provado seus valores na seleção. A grande oportunidade era na Rússia. Talvez a última, levando em consideração a idade de alguns deles (Strinic já tinha 30 anos, Corluka, 32, Rakitic, 30, Modric, 32, Mandzukic, 32, e Subasic, 33).

O capitão Modric em ação contra Senegal. Foto: AFP.

 

Nos quatro amistosos antes da Rússia, duas vitórias (1 a 0 no México e 2 a 1 no Senegal) e duas derrotas (2 a 0 para o Peru e 2 a 0 para o Brasil) não deixaram a imprensa e a torcida lá muito empolgados. Mas o time ainda poderia render mais. Dalic tinha bons jogadores em todos os setores, a possibilidade de escalar o ataque com dois homens de frente (Mandzukic e Kramaric), além da aposta no veloz e incansável Rebic pela direita, a opção do defensor Vida em atuar tanto na zaga quanto na lateral e, claro, o talento da dupla Rakitic e Modric, responsáveis pela criação de jogadas, passes precisos e elementos surpresa no ataque. No papel, a Croácia era um timaço e poderia chegar até entre os oito melhores pelo menos. Era só esperar a Copa começar.

 

Vitória e corte

Foto: Jamie Squire – FIFA/FIFA via Getty Images.

 

A estreia da Croácia na Rússia foi contra a Nigéria, em Kaliningrado. Com uma escalação mais ofensiva do que de costume, com Rebic e Perisic pelos cantos, Kramaric e Mandzukic no ataque e Modric e Rakitic no meio, a Croácia dominou as ações e fez um gol no primeiro tempo em jogada de Mandzukic, que se jogou para marcar após cobrança de escanteio e viu a bola bater no nigeriano Etebo, que fez contra. No segundo tempo, Modric fez o segundo em cobrança de pênalti e garantiu a vitória croata por 2 a 0, um jogo sem grandes sustos, mas que poderia ter sido mais confortável se Modric e Rakitic tivessem mais liberdade para criar. Brozovic, o volante que poderia dar essa proteção para a dupla, começou o jogo na reserva e só entrou na segunda etapa.

Após a partida, uma notícia pegou de surpresa os torcedores: o atacante Kalinic, por se recusar a entrar nos minutos finais alegando dores nas costas, foi cortado pelo técnico Dalic. Acontece que ele já era, digamos, reincidente.

 

“Durante o jogo contra a Nigéria, Kalinic estava aquecendo e deveria entrar no segundo tempo. No entanto, ele afirmou que não estava pronto para entrar por causa de uma dor nas costas. A mesma coisa aconteceu no amistoso contra o Brasil e em um treinamento no domingo (dias antes do jogo contra os africanos). Eu calmamente aceitei o que ele disse e, como eu preciso dos meus jogadores em forma e preparados para jogar, eu tomei essa decisão”.Zlatko Dalic, técnico da Croácia, em entrevista ao site da Federação Croata de Futebol, 18 de junho de 2018.

 

Kalinic foi cortado por suposto “corpo mole”.

 

Dalic deixou claro que o jogador não estava bem fisicamente e por isso dispensou o atacante. No entanto, nos bastidores, o motivo foi que Kalinic se negou a entrar e mostrou corpo mole, o que irritou o treinador. O fato é que ele não faria falta, pois a Croácia tinha bons nomes para o ataque e ele vinha de uma péssima temporada no Milan-ITA. Os jogadores deixaram claro logo em seguida que o corte não iria abater o clima da seleção. Para evitar prolongar o tema, Kalinic foi excluído de toda comunicação com o grupo. Mas não havia tempo para lamentos. Com 22 atletas, a Croácia tinha o mais difícil desafio pela frente: a Argentina.

 

Demolidora de titãs

Assim como em 1998 (uma boa coincidência para a torcida), a Croácia enfrentou a Argentina na fase de grupos da Copa de 2018. Mas, diferente de 20 anos atrás, a equipe portenha era bem mais fraca e desorganizada. Mesmo com Messi, Agüero e Mascherano, todos nomes consagrados no futebol, a Croácia era muito mais time. Isso todo especialista em futebol sabia. Mas, para o público geral, o duelo seria equilibrado, com uma bicampeã do mundo diante de uma novata seleção que tentava encontrar seu espaço entre os gigantes. Mas aquele jogo serviu para apresentar ao mundo em definitivo do que a aquela Croácia era capaz. Com a escalação ideal pela primeira vez na Copa, Dalic mandou o time que iria fazer história na Rússia: Subasic; Vrsaljko, Lovren, Vida e Strinic; Rakitic e Brozovic; Rebic, Modric e Perisic; Mandzukic.

O time que estraçalhou a Argentina: Modric mais no ataque, Rakitic no combate e pontas avançando a todo momento. Resultado: goleada!

 

Com eles em campo, a Argentina foi esmagada. Rakitic anulou Messi. O croata passou, armou, enxergou o jogo como poucos e como só ele conseguia, um jogador fantástico. Modric foi a referência no ataque, o camisa 10 que todo time gostaria de ter, que acelerava, lançava, passava. Rebic, pela direita, e Perisic, pela esquerda, ocupavam os espaços deixados pela bagunçada Argentina e era apenas questão de tempo até algum deles abrir o placar. E ele foi aberto aos oito minutos da segunda etapa, quando Mercado recuou para Caballero, escalado pelo técnico Sampaoli por “saber jogar com os pés”. Pois é. Ele tentou devolver a bola para o companheiro, mas Rebic apareceu para encobrir o argentino e marcar um lindo gol em Nizhny Novgorod: 1 a 0. Imagine se soubesse…

Caballero lamenta e Rebic comemora ao fundo.

 

A Argentina se mandou para o ataque desesperada. E abriu espaços para a Croácia. Faltando dez minutos, Modric recebeu no meio, puxou pro lado, pro outro, esperou e mandou um petardo de fora da área: golaço! Minutos depois, num contra-ataque puxado por Rakitic, o camisa 7 foi avançando e chutou. Caballero defendeu. No rebote, Kovacic dominou, tocou de volta para Rakitic (a liberdade que ele tinha na entrada da pequena área era algo impressionante e um retrato da “zona” que era aquele time argentino) como se fosse um treino e o camisa 7 mandou para o gol: 3 a 0. Foi um chocolate que fez lembrar em muito a vitória por 3 a 0 da Croácia em cima de outro titã: a Alemanha, na Copa de 1998. Era o presente repetindo o passado. E só não foi mais porque uma falta cobrada por Rakitic bateu na trave, no segundo tempo, e Mandzukic e Perisic perderam boas chances no primeiro. O resultado carimbou a vaga croata para a segunda fase e encheu de entusiasmo o time de Dalic. Foi um dos grandes jogos da equipe na Copa e a apresentação definitiva do poder de fogo daquele esquadrão, que, mesmo diante de um adversário frágil, teve muita qualidade no controle de bola, na criação e nos contra-ataques, além da velocidade de seus pontas.

Gol de Rakitic pareceu treino!

 

No último jogo do grupo, contra a velha conhecida Islândia, a Croácia mandou a campo um time recheado de reservas e venceu por 2 a 1, com gols de Badelj e Perisic. Com 100% de aproveitamento e líder, a Croácia foi para a segunda fase do lado relativamente mais tranquilo do mata-mata, sem os campeões Brasil, Argentina (que se classificou com muito sufoco), França e Uruguai. Mas não seria nem um pouco fácil para os croatas aquela caminhada russa. Nem um pouco mesmo…

 

A primeira emoção e o recorde de Subasic

Modric e Subasic vibram após triunfo sobre a Dinamarca.

 

Nas oitavas, a Croácia teve pela frente a Dinamarca, do ótimo goleiro Kasper Schmeichel e de Christian Eriksen. Logo no primeiro minuto, uma bola alçada na área ficou viva no meio de tanta gente e sobrou para Jorgensen abrir o placar para os dinamarqueses: 1 a 0. A Croácia não se abateu e apenas três minutos depois chegou ao empate. Rebic fez jogada pela direita, tocou para Vrsaljko, que cruzou. A zaga não tirou e a bola sobrou para Mandzukic fazer 1 a 1. Parecia que teríamos um caminhão de gols naquela noite, mas o jogo foi fraco dali pra frente, com a Croácia mais incisiva nos ataques – principalmente nas chegadas de Rakitic, pelo meio, e Perisic pela esquerda -, mas sem a qualidade demonstrada na primeira fase. Na segunda etapa, Rebic era quem oferecia mais perigo e oportunidades, com dribles, chutes e cruzamentos rasteiros. No entanto, a bola teimou em não entrar e o jogo foi para a prorrogação. Nela, outra vez a Croácia criou mais, só que a bola continuava teimosa. Até que, no segundo tempo, faltando cinco minutos para o fim, um lance poderia definir de vez o jogo. Modric, no meio de campo, deu um passe estrondoso para Rebic. Ele deu um toque que cruzou todos os dinamarqueses e fez a bola passar como se fosse invisível. Ninguém viu. Só Rebic, que saiu em disparada, driblou Schmeichel e foi derrubado por Jorgensen. Pênalti. Na cobrança, o capitão Modric. Ele bateu, mas Schmeichel defendeu sem dar rebote. Ducha de água fria na Croácia. E um pesadelo para Modric, que àquela altura via o filme do fracasso em mais uma Copa passar pela sua cabeça. Ser eliminado tão precocemente? E com um erro? Seria terrível para ele. Mais alguns minutos se passaram e a decisão da vaga foi para os pênaltis. Schmeichel, embalado, tinha certeza de que iria fazer história. Mas do outro lado tinha Subasic, que também queria provar seu valor e salvar o capitão.

Eriksen bateu o primeiro da Dinamarca e Subasic defendeu no canto. Badelj bateu o seguinte e Schmeichel defendeu com os pés. Kjaer chutou e fez o primeiro gol da Dinamarca. Kramaric empatou. Krohn-Dehli deixou a Dinamarca em vantagem e Modric, em sua segunda chance no jogo, marcou o gol de empate para a Croácia e aliviou momentaneamente sua situação. Schöne chutou o quarto pênalti da Dinamarca e Subasic voou no canto direito para defender mais um. Mas Pivaric também foi vítima da noite incrível dos goleiros e viu Schmeichel defender. Na última cobrança dinamarquesa, Nicolai Jorgensen foi para a bola, ameaçou uma paradinha, Subasic balançou e defendeu com os pés o chute do camisa 9. Impressionante! Com três defesas, o croata igualava o recorde do português Ricardo, em 2006, ao defender três pênaltis em uma disputa na marca da cal. Mas ainda restava o último da Croácia. Na bola, Rakitic. E o craque não deixou Schmeichel aprontar de novo: gol. Croácia 3×2 Dinamarca. Como muitos previam, a Croácia estava entre os oito melhores da Copa. Com sufoco e emoção, mesmos ingredientes apresentados pelo rival do time de Dalic na etapa seguinte: a Rússia, anfitriã e que havia eliminado a favorita Espanha também nas penalidades.

 

Virada. E mais emoção.

Domagoj Vida (à direita) comemora a virada croata pra cima dos anfitriões. Foto: AP Photo/Manu Fernandez.

 

Nunca é bom enfrentar o anfitrião de uma Copa do Mundo. Muito menos em mata-mata (a não ser que você seja uma Alemanha-2014…). E a Croácia teve esse desprazer nas quartas de final, em Sochi, contra uma Rússia embalada pela torcida e acreditando na vaga entre os quatro melhores. O técnico Dalic promoveu uma mudança no time ao escalar Kramaric na linha de frente, recuando Modric para o meio ao lado de Rakitic e abrindo Rebic e Perisic pelas pontas, com Mandzukic centralizado e alternando as investidas com Kramaric. Com mais posse de bola e as tradicionais investidas ofensivas, a Croácia foi mais perigosa do que a Rússia, mas faltava precisão no chute. Algo que não faltou para Cheryshev, que fez um belo gol aos 31’ do primeiro tempo ao abrir o placar para os anfitriões. Apenas oito minutos depois, a resposta croata: Perisic deixou na esquerda para Mandzukic, fora da área como sempre fazia e como queria Dalic. O camisa 17 avançou pela esquerda e cruzou para Kramaric, de centroavante, empatar: 1 a 1.  No segundo tempo, a Croácia perdeu muitos gols, o principal deles quando Strinic cruzou, aos 15’, Kramaric chutou alto, a zaga rebateu mal e Perisic pegou a sobra chutando na trave ao invés de mandar a bola forte e alta pro gol, com o goleiro Akinfeev já batido. Com mais de 60% de posse, a Croácia não conseguia reverter tal condição em gols. Aos 43’, o goleiro Subasic assustou a todos quando sentiu uma fisgada na coxa. Por alguns instantes, o goleiro reserva começou o aquecimento, mas o camisa 23 decidiu permanecer em campo. Com uma prorrogação no caminho, ele não queria deixar sua seleção. E não deixou.

No tempo extra – o segundo para ambas as equipes -, a Croácia não ficou de toques para o lado e se mandou para o ataque. Até que, aos 11’ do primeiro tempo, Vida subiu mais do que todo mundo após cobrança de escanteio e virou o jogo: 2 a 1. Mas a alegria croata durou pouco. No segundo tempo, faltando cinco minutos, Mário Fernandes apareceu na área após cobrança de falta e testou firme sem chance alguma para o goleiro Subasic: 2 a 2. Adivinhe: pênaltis de novo. Mesmo com dores, Subasic mostrou sua estrela logo no primeiro chute, de Smolov, e defendeu com uma só mão. Era o quarto pênalti defendido pelo croata na Copa. Mais uma vez ele entrava para a história dos Mundiais como maior pegador de pênaltis em disputas de penalidades com quatro defesas, se igualando ao argentino Goycochea – que também defendeu quatro na Copa de 1990, e ao alemão Schumacher, com dois defendidos na Copa de 1982 e outros dois na Copa de 1986.

Os chutes continuaram até Kovacic perder o seu para a defesa de Akinfeev. No terceiro chute russo, Mário Fernandes viveu o filme inverso de Modric nas oitavas. Após fazer o gol da salvação na prorrogação, o lateral chutou para fora sua cobrança. Dali em diante, ninguém mais errou e a Croácia venceu por 4 a 3, garantindo mais uma vez uma vaga na semifinal, como em 1998. Mas, diferente de 1998, eles queriam ir além. Queriam “queimar a língua” do técnico Miroslav Blazevic, comandante da Croácia de 1998, que dizia: “as pessoas me perguntam sempre qual seleção é melhor. Eu sempre respondo: quando eles terminarem em terceiro lugar de uma Copa, eu lhes direi que são melhores”.

Na comemoração pela vitória sobre os anfitriões, a equipe viveu uma saia justa quando o zagueiro Vida e Ognjen Vukojevic, da comissão técnica, fizeram um vídeo com os dizeres “Essa vitória é para o Dynamo e para a Ucrânia. Glória à Ucrânia!”, em tom político que não pegou bem em solo russo – Rússia e Ucrânia têm sérios problemas políticos entre si desde a destituição de Viktor Yanukovych, em 2013, ex-presidente ucraniano que não quis assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia só para estreitar relações com a Rússia. A revolução pró-europeia gerou uma crise com a Rússia, que respondeu ocupando a região da Crimeia. E o grande problema nisso tudo é que a revolução que destituiu Yanukovych tinha como slogan “Glória à Ucrânia”. Entendeu a complexidade de uma simples comemoração? O membro da comissão foi banido. Vida, que se desculpou na sequência, apenas advertido por supostamente “homenagear” seu ex-clube, o Dynamo de Kyev. Foi mais um exemplo do quão delicada é a situação política por aquelas bandas. Passado o rebuliço, eles tinham poucos dias para se recompor. Afinal, era hora de enfrentar mais um adversário complicado: a Inglaterra.

 

A façanha para a eternidade

Perisic comemora seu gol contra a Inglaterra. Foto: AP.

 

Antes do duelo contra os ingleses no estádio Luzhniki, em Moscou, a Croácia tinha alguns problemas. Subasic era dúvida após o sacrifício no duelo das quartas de final. O lateral-direito Vrsaljko, com dores no joelho direito, também não era garantido. E Rakitic, essencial para o meio de campo, teve 39℃ de febre e deixou os médicos em alerta. Mas, no dia do jogo, eis que todos eles entraram em campo para o jogo mais importante da história da seleção desde a semifinal contra a França lá na Copa de 1998. Subasic foi pro gol. Vrsaljko assumiu a lateral-direita. E Rakitic superou a adversidade febril para tomar conta do meio de campo. Como não poderia deixar de ser, a Inglaterra era favorita pelo fato de a Croácia ter disputado duas prorrogações seguidas. Mais descansados, os ingleses vinham embalados e tinham certeza de que iriam disputar uma final de Copa após 52 anos. E, nos primeiros minutos, os prognósticos pareciam verdadeiros, com a Inglaterra mais presente no ataque e a Croácia sem a correria dos outros jogos. Até que, aos 5’, Trippier cobrou uma falta com precisão e abriu o placar para a Inglaterra: 1 a 0. De novo, pela terceira vez, a Croácia saia atrás no placar. Mas por que raios isso acontecia? Como gostavam de thrillers aqueles croatas! O que confortava o torcedor era que em todas as outras vezes eles empataram. E viraram, como nas quartas.

O English Team bobeou ao não aproveitar a falta de ímpeto do rival para liquidar o jogo ainda no primeiro tempo – principalmente em grande chance de Harry Kane, aos 30’, que parou em duas defesas de Subasic. Na segunda etapa, muitos esperavam o cansaço bater no time de Dalic. Mas o que se viu em Moscou foi totalmente o oposto. A Inglaterra se acomodou com cinco homens atrás. E a Croácia foi pra cima. Ao seu estilo, com velocidade, toques curtos, lançamentos e a presença sempre marcante de Modric e, até mais do que ele, Perisic, que fazia uma grande partida. Vida, o zagueiro que polemizou dias antes, era vaiado a cada toque na bola, mas apenas ele, não o time. Sempre firme, ele não se importava com as vaias e jogava bem, como em toda Copa. Até que, aos 23’, a Croácia iniciou sua reação. Vrsaljko, pela direita, fez um cruzamento de muito longe. A bola viajou até a grande área e Perisic levantou o pé para empatar: 1 a 1. O gol incendiou a Croácia. Perisic, endiabrado, invadiu a área quatro minutos depois, pedalou, fintou, e chutou cruzado, mas a bola caprichosamente bateu no pé da trave esquerda de Pickford. Nem parecia que a Croácia havia disputado duas prorrogações. Ela era toda ataque. A Inglaterra, toda defesa. O time xadrez merecia demais a virada. No banco, Dalic pensava em mudar o time, mostrava preocupação com o vigor físico de seus atletas, mas eles não queriam sair! Até que o árbitro apitou o final do jogo. E, sim, teríamos mais uma prorrogação. Será que a Croácia iria aguentar mais meia hora de jogo?

Será que eles iriam aguentar mais uma prorrogação? Foto: Reuters.

 

Incrivelmente, a Croácia seguiu no ataque. Só aos cinco minutos que Dalic fez sua primeira alteração, com Pivaric no lugar do lateral Strinic. E, aos 11’, colocou Kramaric no lugar de Rebic. Ele não queria mais pênaltis. Queria a vitória. Um susto veio aos nove minutos, quando Stones cabeceou após cobrança de escanteio uma bola que tinha destino certo com Subasic batido: o gol. Mas, no lugar do goleiro croata estava Vrsaljko, que tirou de cabeça de maneira impressionante! Nos acréscimos da primeira etapa da prorrogação, Mandzukic recebeu um cruzamento da esquerda e só não marcou porque Pickford saiu muito bem do gol.

Veio o segundo tempo. Mais suor. As pernas no limite. Na área, Mandzukic queria o seu momento, a sua bola. Ele só precisava de uma chance. Aos quatro minutos, a Croácia marcava presença no campo de ataque, pela esquerda. Após um cruzamento de Pivaric para Mandzukic, a zaga inglesa cortou antes da bola chegar ao atacante. Ele abaixou a cabeça, como quem dizia “poxa, essa bola não vem…”. Mas a redonda ainda estava por ali. Perisic cabeceou para a área. Mandzukic, antes de cabeça baixa, parece ter sentido a presença da bola novamente. Ele arregalou os olhos, saiu em disparada e, num só toque, mandou a bola pro fundo do gol: 2 a 1. Era a virada croata. Virada da justiça. Da classificação. Se em 1998 o time xadrez foi eliminado após estar vencendo por 1 a 0, daquela vez eles eram protagonistas do filme inverso.

 

Veja os gols:

Pela primeira vez na história, a Croácia estava na final da Copa do Mundo. Viva após três prorrogações seguidas. Pela primeira vez na história um time chegava à final já com sete jogos disputados, somando os 90 minutos de cada um dos seis jogos mais os 30 minutos de cada uma das três prorrogações. Foi o jogo da entrega. Da raça. Da técnica. Que encheu de orgulho os mais de quatro milhões de croatas por todo país. Ao final do jogo, era visível o cansaço de todos. Rakitic, aquele que teve febre antes da semifinal, perdeu 4kg tamanho esforço físico após percorrer mais de 14 km. Modric, nos minutos finais, mal conseguia fazer passes simples tamanho esgotamento. Foi intenso, energético, alucinante. Os croatas finalizaram duas vezes mais que os ingleses (22 a 11), tiveram sete finalizações certas contra apenas uma da Inglaterra, oito escanteios contra apenas quatro do rival, 626 passes contra 481 dos ingleses e 16 desarmes contra quatro do English Team. Vale ressaltar, também, a lealdade croata, que jamais foi advertida com cartão vermelho nem fez uso do jogo sujo. Jogou apenas futebol. O técnico Dalic, visivelmente emocionado e feliz após a partida, comentou sobre o desempenho de seus atletas naquela histórica semifinal.

 

“Queria trocar os jogadores, mas ninguém queria sair! Eles diziam que estavam prontos. Ninguém quis desistir, isso sim que é caráter. […] Ganhamos a partida porque fomos melhores. Anulamos as melhores jogadas da Inglaterra. Modric e Rakitic fizeram um bom jogo. No intervalo, pedi para terem o controle do jogo sem abaixar a cabeça. Esse foi o nosso melhor jogo junto com o da Argentina”.Zlatko Dalic, técnico da Croácia, em entrevista coletiva após o jogo, 11 de julho de 2018.

 

É preciso descansar

Zlatko Dalic e seus jogadores um dia antes da final. Foto: Matthias Hangst/Getty Images.

 

Após a semifinal, os jogadores da Croácia ganharam um dia de folga para curtirem a família e tentar uma recomposição física para a grande final, contra a França. Com um dia a menos de descanso (e lembre-se: um jogo a mais!) do que a rival, a Croácia precisava retomar o fôlego para o jogo mais importante de sua história. Perisic, essencial naquela reta final, sentiu uma lesão no músculo posterior da coxa esquerda e ficou dois dias sem treinar. Àquela altura, o técnico Dalic não podia forçar ninguém. Não havia mais nada para praticar. Era preciso descansar e aguardar o duelo final em Moscou, no mesmo estádio Luzhniki. A França seria um adversário fortíssimo, eficiente, que deixava o rival jogar, mas aproveitava com plenitude as chances que lhe apareciam. Mais do que isso, era uma equipe descansada, que não havia disputado nenhuma prorrogação e com um elenco jovem. Dalic sabia que teria o grande desafio da Copa pela frente. Além de enfrentar um time com camisa e talento, ele enfrentaria o algoz de 1998, a seleção que nunca fora derrotada pelos croatas na história – três vitórias francesas e dois empates em cinco jogos. O meio-campista Rakitic falou sobre a expectativa do jogo:

 

“Eles (franceses) são uma equipe muito forte, é verdade. Eles merecem estar na final porque jogaram e resolveram os jogos com naturalidade, pelo modo como estão jogando. Será uma final muito complicada, difícil. Mas quero dizer que é um jogo histórico para nós, jogamos a Copa do Mundo e vamos com tudo. É um jogo para aproveitar, não vou me cansar de repetir, é o fim do que você sempre sonhou. Observe que a Croácia é um país com apenas 4,5 milhões de habitantes e estamos na final. Há muitas pessoas atrás de nós, a França deve saber que não será fácil…”.Ivan Rakitic, meio-campista da Croácia, em entrevista publicada no UOL Esporte, 13 de julho de 2018.

 

Após quatro dias, a Croácia confirmou o time titular sem desfalques. Seriam os onze atletas tão conhecidos da torcida. Os onze que levaram aquela seleção o mais longe possível. Um lugar que nem a tão badalada e falada geração de Suker conseguiu chegar. Se eles não tinham fôlego, eles iriam encontrar. Se eles não eram favoritos, eles iam ousar. Era a hora do grande momento. De buscar um inédito título mundial de futebol.

 

A dominação e os acasos

O fatídico gol de Mandzukic. Foto: Petr David Josek – AP.

 

No dia 15 de julho de 2018, o Luzhniki recebeu quase 80 mil pessoas. Era a tão esperada final de uma grande Copa do Mundo. Copa que estraçalhou favoritos. Posses intermináveis de bola. Craques extraterrestres. Quem tinha mais eficiência, levava. Quem tinha mais ousadia, vencia. E quem tinha mais fibra, superava. A Croácia entrou em campo com sua tradicional camisa xadrez em vermelho e branco, ausente desde a estreia contra a Nigéria. A França, foi de azul. O técnico Dalic colocou seu time à frente para buscar um gol de inauguração inédito para o time naquela fase de mata-mata. E, claro, um conforto para o cansaço não bater tão cedo. A imensa maioria do estádio era toda a favor da Croácia. Mesmo com os casos de política envolvendo Vida e outros jogadores, não havia como não ser simpático ao time croata. Naquele dia, com exceção dos franceses e alguns amantes dos Bleus, quase todo o mundo torcia para a Croácia e sua incrível campanha.

Nos primeiros minutos, o time croata sufocou a França em seu próprio campo de defesa e não deixou os franceses jogarem. O problema é que a equipe francesa deixava claro sua tática: destruir as jogadas dos rivais e esperar o momento para dar o bote, sem se desgastar e desgastando o time croata. Até que, aos 18’, Griezmann literalmente se jogou em um lance com Brozovic e o árbitro Pitana caiu no conto da carochinha: falta. Na cobrança, o mesmo Griezmann mandou na área, Mandzukic resvalou de cabeça na bola e ela entrou no gol: 1 a 0. Foi o primeiro gol contra em uma final de Copa na história. De novo, a Croácia estava atrás do placar. Pernas pra que te quero…

Mas, exatos dez minutos depois, o time croata chegou ao empate. Em cobrança de falta ensaiada, Modric mandou na área, Lovren tocou de cabeça, Vida ajeitou a bola para Perisic, este driblou Kanté com um corte seco com a perna direita e chutou de perna esquerda: golaço! Croácia 1×1 França. Eles estavam vivos de novo! No entanto, seis minutos depois, o mesmo Perisic viu a bola tocar sua mão em lance que o árbitro teve que consultar o VAR. Sem o recurso, o argentino nem teria apitado nada. Era um lance de total interpretação. Depois de alguns minutos, ele decidiu marcar pênalti. Griezmann bateu e fez 2 a 1. Foi um duro golpe para a Croácia. Com 2 a 1 no placar, já era a final de Copa com mais gols no primeiro tempo desde a decisão de 1974 entre Holanda e Alemanha! Mas, por tudo o que já tinha feito – mais de 61% de posse de bola e sete chutes a gol contra apenas um da França -, a Croácia merecia ao menos o empate. Mas, como sabemos, o futebol nunca ligou para números. Só bola na rede.

Mas depois veio o VAR e a França fez 2 a 1. Foto: Carl Recine.

 

No segundo tempo, a tática croata seguiu em voga, mas a França foi ainda mais traiçoeira e eficiente. Num contra-ataque, Pogba lançou Mbappé na direita. O jovem driblou, esperou e a bola sobrou para Griezmann. O camisa 7 deixou com o mesmo Pogba, que chutou uma vez, mas prensado. Na segunda tentativa, a bola foi parar no fundo do gol, com grande contribuição de Subasic, que não foi na bola como deveria: 3 a 1. Aquele gol praticamente matou as esperanças croatas. Seis minutos depois, Mbappé chutou no mesmo canto do terceiro gol e fez 4 a 1. A Croácia não tinha mais forças. Todo o cansaço que eles não demonstraram nas outras partidas parecia surgir ali, de uma vez, no gramado do Luzhniki. Quatro minutos depois, Lloris até tentou ajudar ao cometer uma falha bisonha após receber um recuo na pequena área e, ao tentar driblar Mandzukic, perder a disputa com o atacante, que chutou pro gol e diminuiu para 4 a 2. O gol animou momentaneamente a equipe do técnico Dalic, mas a eficiente e muito bem armada França não deixou o brilho de Modric, Rakitic e companhia aparecer. Ao apito final, a taça ficou com os Bleus.

A Croácia da final: Modric e Rakitic mais uma vez juntos no meio de campo e Brozovic recuado. Se tivessem pernas (e mais sorte), os croatas poderiam ter tido uma história diferente na decisão…

 

Uma chuva torrencial começou a cair exatamente após a partida, que foi a primeira final de Copa com mais gols desde a decisão de 1966. Será que os deuses do futebol estavam tristes com o revés croata? Eram as lágrimas após uma campanha tão incrível? Quem sabe… Foi um duro revés para a Croácia. Invicta, a equipe tinha se esquecido como era amarga a derrota. Depois de tanto brilho, tantos triunfos emocionantes e sofridos, eles não sabiam como agir na adversidade. O fato é que eles enfrentaram vários ocasos naquela decisão. Um gol contra originado após uma falta que não existiu. Um pênalti que só aconteceu por causa do VAR. E a dureza de enfrentar um time muito bem armado, descansado e com enormes talentos, eficiente e especialista em aproveitar as chances criadas e surgidas. Some, claro, a fadiga de todos, o jogo a mais e o dia a menos de descanso. Enfim, foram detalhes que fizeram a diferença. Mas que em nada reduziram o trabalho croata naquela Copa. Em sete jogos, foram quatro vitórias, dois empates, uma derrota, 14 gols marcados (segundo melhor ataque, atrás apenas da Bélgica) e nove sofridos.

A tristeza… Foto: Laurence Griffiths / Getty Images.

 

… Modric com a Bola de Ouro da Copa. Foto: Shaun Botterill / Getty Images.

 

… E o time no pós-jogo, com a presença da presidente croata (à esquerda) e até do presidente russo (no centro, de gravata vermelha)! Foto: Assessoria de Imprensa da Presidência Russa.

 

Na hora da premiação, os jogadores da França, em respeito a grande campanha dos croatas, fizeram um corredor e aplaudiram os vice-campeões quando eles foram receber as medalhas de prata. O meio-campista Luka Modric foi eleito o melhor jogador da Copa e segurou o troféu de ouro com o semblante triste. Não era aquilo que ele queria. Era o fim de uma brilhante trajetória da seleção xadrez. Que superou todas as expectativas e conseguiu a maior colocação da história da Croácia em uma Copa do Mundo.

 

Um feito para a eternidade

Ruas tomadas em Zagreb: jogadores da Croácia foram recebidos como heróis na volta para casa. Foto: Reuters.

 

Na volta para casa, os croatas foram recebidos por centenas de milhares de pessoas nas ruas de Zagreb. A comoção que aquele time causou na torcida foi algo impressionante. O país inteiro abraçou a seleção, que se tornou a válvula de escape em tempos difíceis, com muito desemprego e política hostil. Mesmo com o vice, os croatas saudaram os atletas, que provaram ao técnico Miroslav Blazevic (lembra dele?) qual era a melhor Croácia de todos os tempos. A Agência EFE trouxe algumas manchetes dos jornais do país após o vice-campeonato:

 

“Fiquem orgulhosos: são os nossos campeões”, “Para nós, a Croácia é a campeã”, “Vocês perderam a partida, mas conquistaram o mundo”, “Estes são os 22 heróis de todos os tempos”, “A Croácia ganhou a prata, mas para nós é ouro” e “Vocês serão nossos heróis para sempre”.

 

Foto: Reuters.

 

Dificilmente os grandes nomes do time como Modric, Rakitic, Subasic e Mandzukic estarão em uma nova Copa. É preciso renovar a seleção e buscar jovens talentos nas sempre promissoras categorias de base do país, que em 20 anos conseguiu brilhar mais do que muita nação com mais história em Copas. Ainda é cedo para medir o tamanho do feito croata na Copa de 2018. Talvez daqui alguns anos ou décadas, as pessoas vão se lembrar do dia em que a Croácia disputou uma final de Mundial. De um time que não desistiu nunca. Que mesclou técnica com raça. Que provou o talento de uma geração de grandes craques que, juntos, conseguiram formar uma seleção aguerrida, competitiva e com o maior fôlego de toda a história dos Mundiais. Vai ser difícil encontrar uma outra Croácia como a de 2018. E muito mais difícil se esquecer de um esquadrão que escreveu seu nome na história da maior competição do planeta com recordes, bom futebol e muita vontade. Uma seleção imortal.

Os personagens:

Subasic: o goleiro do Monaco fez uma grande Copa e foi o amuleto do time nas disputas de pênaltis contra Dinamarca e Rússia. Com velocidade e força, conseguiu evitar quatro gols e entrou para a história dos Mundiais. Durante a Copa, fez boas partidas, mas viu seu desempenho cair justamente na final ao não ir de maneira adequada nos gols de Pogba e Mbappé. Mas, no geral, fez um bom Mundial. Tem pouco mais de 40 jogos com a camisa da Croácia.

Vrsaljko: o lateral-direito foi um dos grandes destaques do time com muita vitalidade, velocidade e presença constante no ataque. Fez um cruzamento impecável para o gol de Perisic na eletrizante semifinal contra a Inglaterra e salvou um gol certo dos ingleses em cima da linha naquela mesma partida – isso porque ele jogou no sacrifício! Saiu da Rússia muito valorizado e deve seguir na titularidade da seleção por um bom tempo.

Jedvaj: o defensor foi reserva na Copa e só entrou como titular na última partida da fase de grupos, contra a Islândia. Jovem, deve fazer parte do processo de renovação da seleção nos próximos anos.

Lovren: o já consagrado zagueiro fez uma ótima Copa. Bom nas antecipações, no jogo aéreo e nos passes, além de desarmar muito bem, Lovren fez uma dupla perfeita com Vida no Mundial e provou a boa fase já demonstrada no Liverpool-ING. Tem mais de 40 jogos pela seleção e pode jogar mais alguns anos em alto nível.

Corluka: o veterano zagueiro com mais de 100 jogos pela seleção acabou perdendo espaço com a boa fase de Lovren e Vida, por isso, acabou como opção para o decorrer dos jogos na Rússia. Jogou no segundo tempo na vitória sobre a Argentina e foi titular contra a Islândia. No mata-mata, entrou contra a Rússia e contra a Inglaterra. Disputou provavelmente sua última Copa – ele esteve no Mundial de 2014.

Vida: foi, sem dúvida, um dos melhores zagueiros do Mundial. Incansável, preciso nos desarmes, ótimo no posicionamento e nas jogadas aéreas, demonstrou muita regularidade ao longo da competição. Mais do que isso, era um dos poucos do elenco a poder atuar em qualquer posição do sistema defensivo, na zaga ou em qualquer lateral. Polêmicas à parte com seu vídeo sobre política, Vida foi uma das grandes surpresas da Copa e saiu da Rússia muito valorizado. Deve seguir no time por mais alguns anos.

Strinic: o lateral-esquerdo não apoiava tanto como Vrsaljko, e alternou bons momentos com outros mais fracos – sua pior partida foi contra a Inglaterra. Aliás, foi pelo seu lado que a maioria dos times atacou a Croácia na Copa. Era o mais frágil do quarteto defensivo do time – e foi substituído em todos os jogos do mata-mata por Pivaric (exceto na final). No entanto, cumpriu seu papel e foi titular em seis dos sete jogos da seleção.

Pivaric: o lateral-esquerdo foi a segunda opção do técnico Dalic para a posição e só jogou como titular a partida contra a Islândia. No mata-mata, entrou em todos os jogos (com exceção da final). Na disputa de pênaltis contra a Dinamarca, teve seu chute defendido por Schmeichel. Contra a Rússia, não bateu. Com 29 anos, não deve fazer parte da renovação do time para os próximos anos.

Rakitic: o meio-campista só confirmou na Rússia o que todo mundo já sabia: que ele é um dos maiores craques deste século. Cerebral, eficiente, preciso nos passes, na marcação, com presença constante em jogadas de ataque e letal em bolas paradas, Rakitic vem há anos jogando em alto nível por seus clubes – Sevilla e Barcelona que o digam – e também pela seleção. Foi fundamental para a campanha da Croácia na Copa, marcou um gol na vitória sobre a Argentina, meteu bola na trave em cobrança de falta, anulou Messi, foi o dono do meio de campo no mata-mata e marcou seus gols nas duas cobranças de pênaltis contra Dinamarca e Rússia. Até na final ele brilhou, nos bons momentos do time e dono da região do campo pela qual jogou. O craque deixou o Mundial como um gigante, um dos maiores nomes da história do futebol croata.

Badelj: meio-campista eficiente na marcação e também no ataque, atuou os 90 minutos do jogo contra a Islândia e marcou um lindo gol na vitória por 2 a 1. No mata-mata, entrou na prorrogação contra a Dinamarca e acabou desperdiçando seu pênalti. Contra a Inglaterra, entrou no último minuto da prorrogação com o jogo já resolvido. É outro que não deve disputar outra Copa por causa da idade – 29 anos.

Brozovic: foi o legítimo “cão de guarda” do meio de campo croata. Com ele na contenção, Rakitic e Modric podiam se mandar para o ataque que ele aguentava as “broncas”. Ele já havia sido essencial nas Eliminatórias, com boas partidas e dois golaços na vitória sobre a Islândia, e só confirmou na Copa a boa fase na carreira. Com apenas 25 anos e duas Copas no currículo, deve seguir bastante tempo entre os titulares da seleção.

Rebic: foi o mais incansável atacante do time. Correu, driblou, pressionou as saídas de bolas dos rivais e ainda marcou o golaço que abriu o caminho para a goleada sobre a Argentina na fase de grupos – justamente por sempre estar lá, perto da área, pronto para dar o bote. Contra a Dinamarca, esteve perto de fazer o gol da classificação e da virada, mas sofreu uma falta justo quando ia mandar a bola paras as redes. Outro jovem (24 anos) que deve disputar mais jogos pela seleção e que saiu da Rússia bastante valorizado.

Kovacic: meio-campista muito versátil, não teve chances no time titular (só contra a Islândia) e entrou no decorrer dos jogos da primeira fase e dos duelos contra Dinamarca e Rússia, no mata-mata. Com 24 anos, é outro que deve fazer parte do time titular da Croácia nos próximos anos.

Modric: dois gols, uma assistência, eleito “Homem do Jogo” contra a Nigéria, Argentina e Rússia, 694 minutos jogados em sete jogos, 72,3 km percorridos, 523 passes efetuados, 11 desarmes, 31 bolas recuperadas, nenhum cartão recebido e Bola de Ouro de melhor jogador da Copa do Mundo de 2018. Luka Modric foi, sem dúvida, o retrato da Croácia no Mundial. Foi o capitão que fez o time antes desacreditado jogar bola. Brigar. Driblar. Marcar. Deu a volta por cima após o pênalti perdido na prorrogação contra a Dinamarca ao deixar o seu na disputa por pênaltis – e respirou aliviado com o desempenho de Subasic. Foi a referência no ataque, na construção de jogadas. Quando a bola passava pelo seus pés, tudo fluía, tudo ficava mais fácil. Tudo bem que o cansaço bateu na decisão e ele não rendeu como o esperado, mas Modric mereceu cada glória na Rússia. Apagou os dramas dos Mundiais de 2006 e 2014 e se consagrou de vez como um dos grandes camisas 10 do futebol, estrategista, cerebral, preciso e impecável. Com 113 jogos e 14 gols pela seleção, o meia é o terceiro na lista dos jogadores com mais partidas pela seleção na história. E virou para sempre o nome da geração de futebolistas croatas que levou o país a uma inédita final de Copa.

Perisic: enquanto Rebic causava transtornos para os rivais pela direita, Perisic era o perigo croata pela esquerda. O talentoso atacante foi outro com importância fundamental na caminhada da seleção até a final. Foi o artilheiro do time com três gols – perdeu alguns, claro – deu uma assistência e marcou o tento que incendiou a Croácia para buscar a virada contra a Inglaterra na semifinal. Na decisão, fez um golaço contra a França, mas o tal do VAR e a força francesa na segunda etapa minaram as esperanças de uma virada.

Mandzukic: outro craque já consagrado no futebol, o atacante foi uma das estrelas do time na Rússia. Foi um dos artilheiros do time com três gols, deu uma assistência e é o autor do gol mais importante da história do futebol de seu país: o da classificação para a final. Teve a infelicidade de estar no momento errado na hora errada quando fez o gol contra na decisão, mas deixou sua marca com oportunismo depois. Já era tarde, mas tudo o que ele fez na Rússia e o futebol apresentado superaram essa adversidade. Provavelmente disputou sua última Copa. É o segundo maior artilheiro da história da seleção com 33 gols em 89 jogos, atrás apenas de Suker.

Kramaric: começou como titular do time, mas o técnico Dalic percebeu que não podia deixar Modric recuado no meio de campo, pois iria perder muita força ofensiva. Com isso, o atacante acabou indo para o banco, mas jogou todos os jogos do time – dois como titular e cinco entrando no decorrer dos jogos – e marcou um gol no empate em 2 a 2 com a Rússia, nas quartas de final.

Zlatko Dalic (Técnico): após classificar o time para a Copa, Dalic soube criar uma seleção competitiva, aguerrida e muito forte exatamente no pontapé inicial do Mundial. Em poucos meses, conseguiu estabelecer um padrão de jogo e extrair o melhor de seus jogadores. Tranquilo e muito inteligente, fez da Croácia um dos times que apresentou o melhor futebol na Rússia – para muitos, atrás apenas do praticado pela Bélgica. Com velocidade, intensidade e garra, a Croácia superou todos os desafios até a final. O revés para a França não diminuiu em nada o grande trabalho de Dalic, que colocou seu nome na história do esporte do país.

A dupla dinâmica nas comemorações dos pós-jogos da Croácia no mata-mata: Vida e Vidinha! 😀 Foto: Reuters.

 

Extra:

Veja os gols da vitória croata sobre a Argentina.

 

Veja os lances e gols do jogo contra a Dinamarca.

 

Veja os lances e gols do jogo contra a Rússia.

 

 

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8 thoughts on “Seleções Imortais – Croácia 2018

  1. Execelente texto imortais !!! Croacia sempre sera lembrada por esse grande feito na copa do mundo , não sera como a hollanda 74 e hungria 54 que foram grandes esquadrões , mas sempre vamos lembrar da garra e raça desse time que nao desistiu até o final..

  2. Já estava na espera da inclusão dessa Croácia eterna no site. Acho que Bélgica e Russia 2018 tbm merecem.

    E na minha opinião, essa copa apesar de não ter sido grande coisa tecnicamente, teve pele menos uns 5 jogos dignos de aparece no “jogos imortais” (Espanha 3 x 3 Portugal, Belgica 3 x 2 Japão, Russia 1 X 1 Espanha, França 4 x 3 Argentina) e talvez a final

    1. Se a Alemanha tivesse ido mais longe na copa aquele jogo em que ela ganhou da Suécia de virada poderia ser considerado como jogos eternos

    2. Os três jogos da Alemanha na fase de grupos, por motivos diferentes, também foram eternos. Brasil e Bélgica também foi bom. A final também é memorável. Toda Copa sempre nos entrega mais alguns jogos eternos, eu amo a Copa.

  3. Grande Croácia ! esse site é muito bom ! Mas ainda acho que falta como esquadrões imortais o Bangu 1985 vice campeão brasileiro e carioca no mesmo ano e a Inter de Limeira campeã paulista de 1986 sendo este o primeiro título paulista de um time do interior de São Paulo, nos imortais do futebol

  4. Reli o texto hoje. Deixo aqui meus parabéns ao trabalho da Iva na seleção croata, entrou para a história. É bom deixarmos de lado essa história de que “mulher não entende nada de futebol”.

    Guilherme, o senhor vai ter trabalho com a copa de 2018. A copa foi excelente e os jogos, sensacionais.

    Abraços

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