Morumbi – Templo de Emoções

Nome: Estádio Cícero Pompeu de Toledo

Localização: São Paulo (SP), Brasil

Inauguração: 02 de outubro de 1960

Partida Inaugural: São Paulo 1×0 Sporting-POR, 02 de outubro de 1960

Primeiro gol: Peixinho, do São Paulo, no jogo São Paulo 1×0 Sporting-POR

Proprietário: São Paulo Futebol Clube

Capacidade: 66.795 pessoas

Recorde de público: 146.072 pessoas (sendo 138.032 pagantes) no jogo Corinthians 1×2 Ponte Preta, no dia 09 de outubro de 1977.

 

“Fazer o possível agora e o impossível depois”. A frase de Cícero Pompeu de Toledo é a mais pura síntese do que foi a construção de um dos estádios mais icônicos e famosos do Brasil. O sonho daquele começo dos anos 50 se tornou realidade depois de quase 20 anos. Foi o típico trabalho formiguinha, um pouco ali, acolá, bloco por bloco. A ideia era construir um estádio imenso, para 120 mil pessoas. Fazer daquele colosso o maior estádio particular do país. E também do mundo. Mas eram necessários sacrifícios. Cada centavo gasto nele era um centavo a menos na contratação de reforços. Os títulos do São Paulo Futebol Clube minguaram. Tudo em prol de um ideal. A torcida entendeu pacientemente. E foi recompensada. Em 1960, parte daquela obra foi inaugurada. Uma década depois, enfim, totalmente acabado. E apto para seus públicos de seis dígitos. Vieram os títulos. Os reforços. E o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, nomeado justamente em homenagem ao presidente que tanto impulsionou a concretização do sonho, iniciou sua história e enriqueceu de maneira sublime a de todo futebol brasileiro. Nele, partidas inesquecíveis foram realizadas. Decisões épicas tomaram contornos de filmes. Jogadores e torcedores criaram uma simbiose perfeita com o estádio. Não importava se ele era distante do centro da cidade ou se chegar até lá demorava demais. Valia (muito) a pena. Estar diante daquela imponência toda era certeza de jogaço. De algo enorme. Era mais que um jogo. Virou sinônimo de decisão. De clássicos. De Dérbis. De Majestosos. De voltas olímpicas. De fim da fila para alvinegros e alviverdes. De zebras. De confusões. De golaços. De Careca. De Menudos, da bola e também da música. De Telê. De Raí. De Rogério. De Libertadores em três cores. O Morumbi é, sem dúvida, um marco do esporte nacional, um exemplo de persistência e um dos últimos românticos em tempos de “futebol de Arenas”. Mesmo tão retrô, continua bonito, simbólico e o maior estádio particular do Brasil. É hora de conhecer a história dessa lenda de concreto.

 

Prazo final da obra: indeterminado

Bandeiras do SPFC, do Brasil e do Estado de SP cravadas: ali, no meio do nada, nasceria um novo templo do futebol. Foto: Arquivo SPFC.

 

Após se consolidar como uma força futebolística nos anos 40 com vários títulos e ver sua torcida crescer cada vez mais, o São Paulo percebeu que já era hora de pensar em um estádio próprio que pudesse refletir a grandeza daquele período próspero. A equipe jogava normalmente no clássico Pacaembu e, em 1944, adquiriu o Canindé, mas o estádio acabou sendo utilizado mais como centro de treinamento e sede social. Tudo começou a mudar quando Cícero Pompeu de Toledo, então presidente do tricolor, deixou bem claro que o clube precisava de um novo estádio. Ele começou a flertar com um terreno pantanoso na região do Ibirapuera, mas este foi vetado pela prefeitura, que construiria no local já nos anos 50 o Parque do Ibirapuera. A busca por uma grande área próxima do grande centro da cidade se tornava cada vez mais difícil até que, em 1951, o clube descobriu um gigantesco lote de terras na região do Morumbi que estava em processo de loteamento imobiliário. A diretoria do tricolor conseguiu um empréstimo de cerca de cinco milhões de cruzeiros na Caixa Econômica Estadual e adquiriu junto à Imobiliária Aricanduva um terreno de 99.873 m² em agosto de 1952. A partir dali, o clube lançou a pedra fundamental e iniciou a concorrência para aprovar o projeto arquitetônico. Após análises de três escritórios, venceu o projeto de Vilanova Artigas, que tinha como ponto forte a enorme capacidade prevista de público: 120 mil pessoas, com arquibancadas em concreto bruto e exposto, que daria menor custo de manutenção em contraponto aos outros projetos, mais futuristas e complexos.

Cícero Pompeu de Toledo na apresentação da maquete do estádio. Foto: Arquivo do Estado de SP.

 

No dia 10 de março de 1953, o São Paulo apresentou a maquete do futuro estádio com um ginásio poliesportivo, pista de atletismo e parque aquático com três piscinas, sendo uma delas olímpica, além de quadras e uma sede social. Vale lembrar que o projeto do Morumbi ajudou bastante a Imobiliária Aricanduva a promover seu loteamento e trazer interessados à região. As obras começaram em julho de 1953, com a árdua terraplenagem do terreno que demorou cinco meses para ser concluída. Em seguida, foram feitas as obras de galerias pluviais para canalizar o córrego Antonico. Até aquele momento, o clube utilizava exclusivamente o dinheiro do empréstimo de cinco milhões de cruzeiros que havia conseguido junto à Caixa. O problema é que só nesse processo foram consumidos mais de três milhões… Ou seja: o clube precisava fazer dinheiro. O Canindé foi vendido para Wadih Sadi, em 1955 (ele venderia o estádio para a Portuguesa, em 1956), a diretoria começou a comercializar cadeiras cativas e souveniers, propagandas foram feitas nos canteiros das obras e quase todos os recursos do clube começaram a ser destinados à construção do estádio. Tal sacrifício minguaria drasticamente o dinheiro para as contratações de jogadores. Com isso, após o título paulista de 1957, o tricolor ficaria longos 13 anos sem conquistar títulos oficiais.

O Morumbi crescia a cada dia, mas perceba o isolamento do estádio na região naquele final de anos 50 e início de anos 60. Fotos: Arquivo SPFC.

 

Em 1954, o clube alterou o projeto original de Artigas para ter um ganho extra de público, aumentando a capacidade para mais de 140 mil pessoas, o que iria transformar o Morumbi no maior estádio particular do planeta quando finalizado. Para facilitar a exploração de publicidade e venda de cadeiras cativas, o estádio foi erguido por seções, com os três lances de arquibancadas. Quando uma seção era finalizada, a diretoria podia capitalizar ações de publicidade e entregar as cativas aos seus donos. Em 1956, o estádio ganhou oficialmente um nome: Estádio Cícero Pompeu de Toledo, em homenagem ao seu presidente, que na época já passava por problemas de saúde – ele iria falecer em 1959, antes de ver seu sonho realizado. No mesmo ano, o estádio começou de fato a sair do chão, com os grandes vãos erguidos até março de 1960. Após alguns ajustes, o estádio já tinha data para sua inauguração parcial: 02 de outubro de 1960.

 

Dos ajustes à finalização

A estreia do Morumbi, ainda que inacabado, aconteceu com uma vitória por 1 a 0 sobre o Sporting-POR, com um gol marcado por Peixinho, que mergulhou para completar para o gol um cruzamento e fez nascer a partir daquele dia a expressão “gol de peixinho”. Diante de pouco mais de 64 mil pessoas, o tricolor começou com o pé direito sua história em casa. Os festejos da inauguração duraram uma semana, com vários amistosos e partidas festivas. Em 1961, o estádio passou a ser conectado com a cidade graças à inauguração da linha de ônibus Largo de Pinheiros-Morumbi. As obras continuaram ao longo da década, mas avançaram pouco entre 1961 e 1968. Foram erguidas mais duas torres de concreto e construídas cabines, instalações elétricas e um sistema de iluminação provisório. Só em 1968 que o clube angariou capital graças ao Carnê Paulistão, que sorteava prêmios para aqueles que estavam em dia com suas mensalidades, semelhante ao famoso Carnê do Baú, de Silvio Santos. O carnê foi um sucesso e o clube vendeu mais de 700 mil unidades. O termo Paulistão era a tentativa de batizar o estádio com tal nome a fim de representar “todo o estado”. Mas a alcunha jamais pegou e o nome Morumbi ficou mesmo na cabeça do torcedor. O sucesso foi tão grande que outros clubes adotaram a ideia e pressionaram o São Paulo a romper com a patente. Sobrou tanto dinheiro que o clube conseguiu fazer em dois anos o que não fez em oito e ainda contratar nomes como Gérson, Pablo Forlán, Toninho Guerreiro, Pedro Rocha entre outros.

Gol de Peixinho, primeiro na história do Morumbi.

 

Em dezembro de 1969, enfim, o Morumbi estava pronto. E foi inaugurado mais uma vez em janeiro de 1970, com presença do presidente da república e muitas festividades. O jogo foi entre São Paulo e Porto-POR, que terminou empatado em 1 a 1 e visto por pouco mais de 107 mil pessoas. Enfim, a “obra de igreja”, como dizia Laudo Natel, presidente do clube na época, estava concluída. O estado de São Paulo ganhava seu maior estádio de futebol. E o país um novo palco de momentos marcantes.

 

Sinônimo de decisão e jogaços

Laudo Natel dizia que era necessário “primeiro construir a casa para depois mobiliá-la”. E foi isso mesmo que o São Paulo fez. Justamente após o término das obras, o clube destroçou o jejum de títulos e faturou o Campeonato Paulista de 1970, repetindo o feito em 1971. A partir dali, o estádio e o clube começaram a crescer de maneira exponencial e o gigante de concreto virou o grande palco de decisões estaduais e momentos marcantes não só do clube, mas também do futebol. Foi no Morumbi, em 1971, que Pelé marcou seu último gol em um jogo oficial pela Seleção Brasileira, no empate em 1 a 1 com a Áustria. Foi no Morumbi, em 1972, que o Palmeiras venceu seu primeiro Campeonato Brasileiro com a chamada Segunda Academia (leia mais clicando aqui!). Foi nele, também, que o Verdão faturou o bicampeonato em 1973, em jogo disputado em 1974. Em 1977, o Morumbi recebeu seu maior público da história em um jogo de futebol. Na decisão do Paulistão entre Ponte Preta e Corinthians, 146.072 pessoas – a maioria corintiana – lotaram o colosso de concreto na esperança de ver o fim do jejum de mais de duas décadas sem títulos oficiais do Timão. No entanto, a equipe perdeu para a Ponte Preta por 2 a 1 e viu o sonho ser adiado em alguns dias. Só no dia 13 de outubro que o gol de Basílio sepultou de vez o hiato alvinegro, este visto por pouco mais de 80 mil torcedores.

Naquele final de década, o Morumbi já era o maior palco do futebol paulista e recebia, também, diversos jogos da seleção brasileira. Lotado, o estádio era simplesmente incrível e causava enorme impacto com suas imensas arquibancadas cheias de gente, um espetáculo só superado em termos visuais no país pelo Maracanã. Em 1980, mais de 122 mil pessoas lotaram o estádio na primeira final do Paulista daquele ano entre São Paulo e Santos, no maior público do tricolor em sua casa na história. Foi tanta gente que muitas pessoas pularam as catracas e o público total estimado superou a casa dos 130 mil.

Nos anos 80, o estádio abrigou jogos marcantes do Campeonato Brasileiro, entre eles a conquista do Grêmio no Nacional de 1981 (leia mais clicando aqui), o show do Fluminense do Casal 20 sobre o Corinthians, na semifinal de 1984 (leia mais clicando aqui), o segundo título brasileiro do Vasco, em 1989 (leia mais clicando aqui) e o primeiro caneco nacional do Corinthians, em 1990 (leia mais clicando aqui). Naquela mesma década, o estádio recebeu seu primeiro grande show musical, da banda britânica Queen, em 1981, que levou mais de 190 mil pessoas em dois dias de muito rock. O Kiss levou 125 mil pessoas ao estádio dois anos depois, e, em 1985, 162.941 pessoas quebraram o recorde de público do Morumbi no Congresso Internacional das Testemunhas de Jeová. No mesmo ano, quase que os Menudos superaram o recorde religioso com seus 150 mil fãs no segundo de seus shows na capital paulista.

Voltando ao futebol, em 1986, a Inter de Limeira fez história e levantou o título do Campeonato Paulista daquele ano sobre o Palmeiras, numa das maiores zebras da história da competição.

 

Casa da América

Nos anos 90, o Morumbi estava em dívida com o São Paulo. Motivo? O clube já havia conquistado vários títulos, mas os principais sempre foram celebrados longe do gigante. As três taças do Campeonato Brasileiro do tricolor (1977, 1986 e 1991) foram levantadas bem longe dali, em Belo Horizonte, Campinas e Bragança Paulista, respectivamente. A torcida sentia muita falta de gritar “é campeão” naquele estádio tão acostumado com decisões, democrático e que já havia feito a alegria de tantas torcidas. Mas a espera, enfim, acabou em 1992. Naquele ano, o Morumbi foi palco de um dos acontecimentos mais marcantes do futebol sul-americano. No dia 17 de junho de 1992, 105.185 pessoas transformaram o estádio em um caldeirão para inflar o São Paulo de Telê, Raí e Cafu na decisão da Copa Libertadores da América contra o fortíssimo Newell’s Old Boys-ARG de Marcelo Bielsa. Foi o maior público pagante em uma final do torneio em toda a história. Extraoficialmente, cerca de 120 mil pessoas estavam naquelas arquibancadas que tremeram tanto, mas tanto, que o São Paulo teve que reforçar as estruturas tempo depois.

Em campo, o tricolor venceu por 1 a 0 e bateu os argentinos nos pênaltis por 3 a 2. A euforia levou os tricolores ao gramado, que se transformou em um mar de gente. Foi uma das celebrações mais épicas da história da competição e os torcedores levaram pedaços das redes, bandeirinhas de escanteio, tufos de grama e até um dos bancos de reservas (!). A entrega da primeira taça continental ao São Paulo atrasou, Raí teve que erguê-la num pequeno palco improvisado e nem volta olímpica foi possível. Ali, começava a lua de mel do clube com a competição, que ele venceu mais uma vez em 1993 e passou perto do tri em 1994.

Veja abaixo a invasão. Simplesmente impressionante

 

Olha quem também jogou no Morumbi, em 1993, num amistoso entre Sevilla e São Paulo, para a entrega das faixas do título mundial de 1992 ao tricolor: Maradona!

 

Serginho Chulapa, com 135 gols em 187 jogos, é o maior artilheiro do Morumbi com a camisa do São Paulo na história e também o maior artilheiro absoluto do estádio com 166 gols.

 

As noites de Libertadores no Morumbi, aliás, inspiraram os clubes brasileiros, que passaram a valorizar mais a competição. Entre 1995 e 1999, foram quatro taças para os times do país: Grêmio (1995), Cruzeiro (1997), Vasco (1998) e Palmeiras (1999). Em 1993, o Morumbi foi a casa de outra decisão nacional entre Palmeiras e Vitória, com triunfo do time alviverde. Em 2000, o estádio voltou a abrigar uma final continental e viu o Boca de Bianchi e Riquelme ser campeão em cima do Palmeiras. Naquele mesmo ano, o estádio foi palco do primeiro Mundial de Clubes da FIFA e viu o eletrizante duelo entre Real Madrid e Corinthians, com a famosa caneta de Edílson em Karembeu. Naquele final de anos 90, o estádio abrigou duas finais de Campeonato Brasileiro (1998 e 1999) e tensos duelos entre Corinthians e Palmeiras pela Libertadores e pelo Paulistão.

 

Reformas e encolhimento

A partir de 1994, o Morumbi passou por reformas de melhorias e segurança que reduziram drasticamente sua capacidade. Ano a ano, o estádio deixou de comportar mais de 100 mil pessoas e sua capacidade chegou aos 85 mil lugares no final dos anos 90 até os pouco mais de 74 mil no começo dos anos 2000. No período, o clube gastou mais de R$ 10 milhões com as reformas que modernizaram o sistema de iluminação, sanou os problemas de trepidação e rachaduras constatados em 1994 e trouxe melhorias nas salas de imprensa e vestiários. Anos depois, o clube instalou assentos em todas as arquibancadas para atender às exigências da FIFA e a capacidade baixou para pouco mais de 66 mil torcedores. O clube queria fazer, também, uma cobertura nas arquibancadas, mas a falta de parceiros e o alto custo do projeto sempre minaram as possibilidades. Nem a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil ajudou e a comissão do evento cometeu o sacrilégio de deixar o tradicional estádio de fora. Azar da própria Copa, que perdeu a chance de ter um dos mais emblemáticos e decisivos palcos do futebol brasileiro e sul-americano em sua laureada história.

Mesmo com as reformas, o Morumbi segue como o maior estádio particular do Brasil, segundo maior do país (atrás apenas do Maracanã), com números marcantes e uma imponente estrutura. Eis alguns detalhes:

  • Área total (incluso Complexo Social “Manoel Raymundo Paes de Almeida”): 154.520 m²;
  • Área construída: 112.904 m²;
  • Área reservada ao público: 62.450m²;
  • Área de deficientes: 470m² e mais 108 lugares;
  • Campo oficial de 105m x 68m – padrão FIFA;
  • Sistema de iluminação: 256 refletores HPI 1500W, 1500lux/ponto;
  • 2 bancos de reservas com 22 assentos com estofamento Recaro e cobertura de vidro blindado;
  • 1 banco com 8 assentos com estofamento Recaro e cobertura de vidro blindado;
  • 2 placares eletrônicos;
  • Sistema de drenagem e irrigação computadorizado;
  • Pista de atletismo de 450m com quatro raias contínuas e oito na reta principal;
  • 81 bares e lanchonetes;
  • 51 banheiros;
  • 105 guichês de vendas de ingresso;
  • Tribuna Presidencial “Deocleciano Dantas de Freitas”;
  • Salão Administrativo “Marcel Klaczko”;
  • Salão Nobre “Luiz Campos Aranha”;
  • Auditório “Monsenhor Francisco Bastos” para 240 pessoas;
  • Memorial “Luiz Cássio dos Santos Werneck”;
  • Morumbi Concept Hall;
  • Sala de Imprensa “Geraldo José de Almeida”;
  • Tribuna de Imprensa;
  • Posto policial;
  • Posto médico emergencial;
  • JECRIM “Waldemar Mariz de Oliveira Jr”;
  • Vestiário “José César Dias”, de uso do São Paulo FC;
  • 1 outro vestiário profissionai;
  • 2 vestiários amadores;
  • 1 vestiário p/árbitros;

Fonte: SPFC.net

 

Alegrias, tristeza e renovações

O Morumbi na final da Libertadores de 2005: mais de 72 mil pessoas.

 

Na virada do milênio, o Morumbi seguiu firme como palco de grandes acontecimentos. Em 2002, viu a molecada do Santos vencer o Corinthians e faturar o Brasileiro em uma final de arrepiar (leia mais clicando aqui!). Em 2003, o Boca papou mais uma Libertadores no estádio ao derrotar o mesmo Santos na decisão por 3 a 1. No mesmo ano, São Paulo e River protagonizaram cenas lamentáveis em um duelo pela Copa Sul-Americana, com pancadaria e a famosa voadora de Luís Fabiano em um dos rivais. O São Paulo venceu por 2 a 0, mas perdeu nos pênaltis por 4 a 2 e foi eliminado. Em outubro de 2004, o momento mais triste da história do estádio aconteceu em um duelo entre São Caetano e São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano. No segundo tempo do jogo, o zagueiro Serginho, do time do ABC Paulista, sofreu uma parada cardiorrespiratória e caiu em campo. Pouco mais de meia hora depois do ocorrido, ele veio a falecer no hospital com apenas 30 anos de idade. Foi a primeira grande tragédia no estádio em décadas. Só existia um relato de algo parecido no Morumbi lá em 1969, quando um raio caiu próximo ao estádio e, no tumulto e susto entre os aficionados de Santos e Corinthians que saíam do local, um muro desabou com a pressão dos torcedores e vários caíram. Um deles morreu.

Rogério Ceni com a Libertadores de 2005. Foto: Gazeta Press.

 

Em 2005, porém, o estádio se encheu de alegrias com a boa fase do São Paulo, que venceu ali sua terceira Libertadores. Em 2006, o tricolor levantou, enfim, uma taça do Campeonato Brasileiro em casa, feito que se repetiria em 2007 – em 2008, o troféu foi levantado longe de casa mais uma vez. Na segunda década do século XXI, o São Paulo levantou outro título inédito – a Copa Sul-Americana – em uma tumultuada final contra o Tigre-ARG, que perdia o primeiro tempo por 2 a 0 e se recusou a voltar ao campo para o segundo. Em 2016, outro episódio triste aconteceu no estádio, quando 25 torcedores caíram no fosso de cerca de 2,5 mts de altura que separa as arquibancadas do gramado em um duelo do time pela Libertadores contra o Atlético-MG. Foram 16 feridos e felizmente nenhuma fatalidade aconteceu.

 

Além de futebol, o Morumbi seguiu nas manchetes de entretenimento com a realização de shows memoráveis de bandas e artistas como Michael Jackson (em 1993), U2, Madonna, Rolling Stones, Aerosmith, Paul McCartney, Coldplay, Linkin Park, Rush, Bon Jovi, Iron Maiden, Shakira, Metallica, Beyoncé, Pearl Jam, Roger Waters, Foo Fighters entre outros.

 

Romântico e imortal

Após o “raio arenatizador” que caiu no Brasil em 2014 e atingiu os mais clássicos estádios do país como Maracanã, Mineirão, Beira Rio, Fonte Nova e Mané Garrincha, o Morumbi é um dos últimos remanescentes dos colossos de concreto do futebol. Clássico, mas com toques modernos, o estádio ainda respira os tempos do chamado “futebol raíz”, com o jogo sentido em sua plenitude. O clube estuda novas melhorias no estádio, principalmente nos vestiários e banheiros, e também aos torcedores, com novos telões, refletores de LED e o esticamento dos anéis inferiores de arquibancadas para mais perto do gramado – um desejo antigo de todos. O clube recentemente fez melhorias no gramado, no sistema de drenagem, nos amortecedores estruturais, em 68 camarotes e repintou as cadeiras vermelhas de todo o estádio. Além disso, a vida do torcedor ficará muito mais fácil quando a estação São Paulo-Morumbi da linha 4-Amarela do metrô estiver pronta, pelo fato de ela estar situada há pouco mais de 1km do estádio. Poderia ser mais perto, claro, mas vai melhorar bastante a ida das pessoas até lá e encorajar quem nunca visitou o Morumbi.

 

Em 2018, o clube inaugurou na rampa do portão 17 uma calçada da fama com estrelas dos 99 principais jogadores de sua história. Haverá, também, um espaço para os treinadores em breve. Foto: Leandro Canônico.

 

O fato é que, mesmo com as melhorias, o Morumbi seguirá com sua identidade intacta, imponente e a aura que há mais de 50 anos inspira os amantes do futebol. Foram 56 decisões de campeonatos disputadas naquele gramado. A seleção brasileira disputou 31 jogos ali. E alguns dos mais dramáticos e emocionantes momentos do futebol aconteceram no Estádio Cícero Pompeu de Toledo. Estar ali é respirar futebol. Respirar decisão. Respirar a história escrita e prestes a acontecer. Que ele continue assim por mais 50 anos. Vida longa ao Morumbi. Verdadeiro templo de emoções.

 


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2 thoughts on “Morumbi – Templo de Emoções

  1. Meu Templo Sagrado, alegria de todos os Tricolores! Orgulho de ter por volta de 50 jogos assistidos nele, e por sempre fazer o Morumbi Tour para estar em contato eterno com o estádio. Obrigado por este texto maravilhoso!

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