Monumental – El Más Grande

 

Nome: Estádio Antonio Vespucio Liberti

Localização: Buenos Aires, Argentina

Inauguração: 26 de Maio de 1938

Partida Inaugural: River Plate 3×1 Peñarol, no dia 26 de Maio de 1938

Primeiro gol: Carlos Peucelle, do River, no jogo River Plate 3×1 Peñarol, 26 de Maio de 1938.

Propietário: Club Atlético River Plate

Capacidade: 61.688 pessoas

Recorde de público: cerca de 100 mil pessoas acompanharam o jogo River Plate 2×0 Racing, em 17 de agosto de 1975, na última rodada do Campeonato Argentino daquele ano, vencido pelo River após 18 anos de jejum.

Não existe nada parecido em Buenos Aires, uma verdadeira capital do futebol e com mais de três dezenas de estádios espalhados por suas esquinas e bairros. Nem mesmo em toda Argentina. Alguns clubes possuem alçapões de dar medo, verdadeiras panelas de pressão, com a torcida quase na linha lateral do gramado. As capacidades são variadas também. Dez mil. 20 mil. 30 mil. 40 mil. Até 50 mil. Mas só existe um para mais de 60 mil. Um único gigante. Enorme. Tão portentoso e tão belo que seu nome é simplesmente perfeito para decifrá-lo: El Monumental. Na Avenida Presidente Figueroa Alcorta, próximo ao Aeroparque e ao Rio da Prata, reside o maior estádio argentino. O único palco capaz de receber com pompa e prosa os mais diversos eventos. O estádio que foi sede da mais bela festa em uma final de Copa do Mundo em todos os tempos. O coliseu para shows, seja de bandas e os mais variados artistas, seja para o Club Atlético River Plate levantar suas taças. Foi palco de momentos tristes, mas as alegrias sempre superaram as adversidades. O Monumental de Núñez é um dos mais icônicos estádios do mundo e verdadeiro patrimônio do esporte argentino. Símbolo de diferentes épocas do futebol portenho, é a essência que o seu proprietário, o River Plate, sempre quis mostrar: ser o maior, a exemplificação da grandeza de um time tão adorado e que nunca se contenta com o segundo lugar. É hora de conhecer os detalhes e as principais histórias desse ícone octogenário.  

 

Em busca da grandeza

O Alvear y Tagle, antiga casa do River: estádio não dava mais conta da imensa torcida millonaria naqueles anos 30.

 

Naquele começo de década de 1930, o River Plate estava cansado de ser nômade. Desde sua fundação, em La Boca (leia mais clicando aqui!), o clube já havia perambulado pela Dársena Sud, Sarandí, alugado o campo do Ferrocarril Oeste, e construído o famoso estádio Alvear y Tagle, na Recoleta. Em 1933, o então presidente Antonio Vespucio Liberti deixou bem clara a intenção de mudar novamente a sede do clube, dessa vez em definitivo. Crescendo a cada ano e com boa saúde financeira, o River precisava de um estádio que refletisse sua popularidade e também abrigasse sua fanática torcida, que sempre se espremia no Alvear y Tagle e clamava por mais espaço. Liberti queria construir o maior estádio da Argentina em algum lugar muito bem localizado e perto da elite portenha, ao norte da cidade. A ideia seria um estádio com foco em esportes olímpicos (mais populares do que a Copa do Mundo na época), por isso, ele deveria abrigar uma pista de atletismo, ser feito de concreto armado, ter espaços desportivos anexos e havia até a ideia de uma super capacidade de 120 mil pessoas, algo revisto posteriormente para cerca de 80 mil.

 

Após algumas sondagens, o presidente encontrou ótimos terrenos exatamente na área norte de Buenos Aires e adquiriu, em outubro de 1934, áreas com 83.950 m2 na região de Belgrano com Núñez, a apenas 9km de distância do Alvear y Tagle, ao custo de 569.403 pesos. Acontece que o local onde os terrenos estavam era muito inóspito e quase deserto naquela época. Muitos duvidavam do sucesso do estádio e se ele iria atrair torcedores ou afugentá-los, em uma situação muito semelhante à construção do Morumbi, que também nasceu em um bairro sem praticamente nenhuma estrutura quando foi iniciado. Mesmo com esses empecilhos, Liberti acreditou desde sempre no sucesso e foi o grande entusiasta do Monumental. Em maio de 1935, foi colocada a pedra fundamental do futuro estádio e, em 27 de setembro de 1936, as obras começaram com base no projeto arquitetônico de José Aslan e Héctor Ezcurra.

As arquibancadas San Martín e Belgrano quase prontas, em 1937.

 

Durante as obras, o trabalho de nivelação do solo foi feito com muito cuidado pelo fato de o local ser próximo ao Rio da Prata e galerias de água subterrâneas percorrerem toda a extensão dos terrenos, que inundavam facilmente. Por isso, as escavações foram minuciosas e bombas movidas manualmente tiveram que ser utilizadas para evitar os encharcamentos. Aliás, durante dois anos, as obras do Monumental foram sem uso de tecnologia, de maneira bastante arcaica, com burros levando em seus lombos a terra retirada e centenas de trabalhadores realizando as mais diversas tarefas de maneira bastante primitiva – as bases das colunas do estádio foram feitas com pás, pois não haviam escavadeiras. Mês a mês, o projeto de Aslan e Ezcurra começou a tomar forma, com a construção das grandes arquibancadas – Oficial (atual San Martín, destinada a autoridades, convidados e sócios), Río de la Plata (atual Belgrano) e Centenário (em alusão à avenida homônima da época, hoje conhecida como Figueroa Alcorta) -, e o campo envolto a uma pista de atletismo.

Por causa do alto custo da obra – 4.479.545,80 de pesos – o River não conseguiu finalizar o arco previsto no projeto do estádio e fez apenas três lances de arquibancadas, divididas em “alta” e “baixa”, deixando a parte norte inacabada e o Monumental com o formato de uma ferradura. Muitos acreditaram que o estilo era proposital para se ter uma vista do Rio da Prata, conhecida como “la ventana al Río de la Plata”, mas o clube queria, sim, concluir a obra. A altura das arquibancadas era de 32 metros e, em volta do campo, foi construída a pista de atletismo de 400 metros. Dentro do estádio e em seus arredores foram construídos amplos vestiários, ginásios, salões desportivos e para atividades sociais. E tudo em apenas dois anos de trabalho! Vale lembrar que na época da construção, o presidente do River era outro: José Degrosi.

 

A inauguração e o “aporte Sívori”

A cerimônia de inauguração, com diversas autoridades e militares.

 

Multidão pronta para entrar no estádio, em 1938.

 

No dia 26 de maio de 1938, 70 mil pessoas lotaram o Monumental para sua inauguração oficial, em partida amistosa realizada contra o Peñarol-URU. Com a presença de diversas autoridades, a estreia do River em sua nova e definitiva casa não poderia ser melhor: vitória por 3 a 1, com o primeiro gol anotado pelo ídolo Carlos Peucelle, justamente o jogador que inspirou o apelido de Millonario do clube portenho, após sua contratação junto ao Sportivo Buenos Aires, em 1931, ter sido a então mais cara da história do futebol argentino (10 mil pesos). Em setembro de 1938, o novo estádio abrigou o primeiro Superclásico da história, que terminou empatado em 2 a 2. Em 1941, o clube levantou sua primeira taça nacional em casa e, na década de 40, catapultou sua história com La Máquina, um dos maiores esquadrões do século XX, que moldou o gigantismo do River com títulos, apresentações fantásticas e atuações magistrais de Labruna, Loustau, Muñoz, Moreno, Pedernera, Di Stéfano e companhia. Foi nos anos 40, também, que o estádio abrigou pela primeira vez um título da seleção argentina: a Copa América de 1946, conquistada após cinco vitórias em cinco jogos e nos embalos do grande time da albiceleste na época.

Festa no Monumental em 1959, no empate que decretou o título da Copa América da Argentina sobre o Brasil de Pelé.

 

Nos anos 50, o Monumental passou por momentos importantes. Em 1951, abrigou as provas de atletismo e a cerimônia de encerramento dos Jogos Pan-Americanos. E, em 1958, o River Plate ganhou o estímulo financeiro que precisava após a venda de sua estrela, Omar Sívori, à Juventus-ITA por incríveis 10 milhões de pesos, valor astronômico na época, para iniciar as obras do “fechamento da ferradura”, que começaram em 1958 e só terminariam por completo 20 anos depois. Em 1959, outra Copa América foi realizada na Argentina e o Monumental foi palco único de todos os jogos da competição, vencida mais uma vez pela Argentina, que superou o favorito Brasil, então campeão do mundo e com Pelé, Didi e companhia no elenco. O estádio recebeu públicos marcantes que superaram as 80 mil pessoas. Graças a essas conquistas continentais, a Argentina definiu o estádio como sua casa para jogos oficiais e amistosos e moldou uma notável identidade com o coliseu millonario.

A “ferradura” do Monumental.

 

E ela já sendo fechada nos anos 70.

 

A maior tragédia

 

No dia 23 de junho de 1968, após um empate sem gols no clássico entre Boca e River, o Monumental foi palco da maior tragédia da história do futebol argentino. Os torcedores, que sofreram não só por causa do placar insosso, mas também pelo frio, queriam deixar o estádio abarrotado de gente o quanto antes. Mas, quando os torcedores do Boca se dirigiram ao portão 12, que ficava num túnel escuro e hostil abaixo das enormes escadas que compunham a arquibancada dos visitantes, deram de cara com ele fechado. Com isso, o grande fluxo de pessoas e o empurra-empurra de cima para baixo provocou uma verdadeira avalanche que matou 71 pessoas, por asfixia e pelos golpes das quedas, na chamada “Tragédia de la puerta 12”. Houve ainda mais de 60 feridos. Dizem que a própria polícia (do governo ditatorial de Juan Carlos Onganía) fechou o portão em represália aos torcedores, que jogaram copos com urina e excrementos nos oficiais que estavam nas ruas do lado de fora do estádio. Foi a maior catástrofe da história do futebol argentino. E nunca os culpados foram encontrados nem acusados. Inacreditavelmente, os clubes pouco se importaram com o ocorrido e a fatalidade caiu no esquecimento.

 

Monumental de la Copa

O Monumental foi o principal estádio da Copa de 1978. Foto: Getty Images.

 

Após fazer seu debute na Copa Libertadores, em 1962, quando foi sede da partida desempate da final entre o Santos de Pelé e o Peñarol de Spencer, o Monumental passou por reformas pontuais para ser o principal estádio da Copa do Mundo de 1978. Durante esse processo, um fato pitoresco antes do Mundial entrou para a história. A cidade de Buenos Aires passava por sérios problemas no fornecimento de água e, para tentar sanar o problema na hora de irrigar o gramado, os portenhos tiveram a “brilhante” ideia de regar a grama com água do mar. Resultado: todo o gramado ficou queimado e teve que ser replantado…

 

Após a gafe, o Monumental ficou pronto a tempo para o grande evento do futebol. Foram disputadas nove partidas, incluindo a abertura – Alemanha 0x0 Polônia -, a disputa do terceiro lugar – Brasil 2×1 Itália -, e a finalíssima entre Argentina e Holanda. A decisão foi inesquecível e entrou para a história como a mais bela festa protagonizada pela torcida em todas as finais de Copa. Com muito papel picado e bandeiras, a final daquele Mundial mais pareceu um jogo de Libertadores ou um clássico do Campeonato Argentino. Diante de 71.483 pessoas (o estádio comportava mais, só que o número foi reduzido por medidas de segurança e por causa das normas da FIFA), a Argentina empatou em 1 a 1 com os europeus, contou com a sorte na bola na trave dos laranjas no finalzinho do jogo e conseguiu a vitória por 3 a 1 na prorrogação, resultado que deu o primeiro título mundial à albiceleste de Fillol, Passarella, Tarantini, Bertoni, Kempes e companhia. Após o apito final e a festa do título, o Monumental já estava consagrado na história do futebol mundial.

Na decisão, o Monumental estava simplesmente magnífico…

 

… Parecia Libertadores!

 

Foto: ANP.

 

Palco de decisões

Nos anos 80, o Monumental foi palco de mais duas decisões de Libertadores. Em 1985, foi talismã para o Argentinos Juniors iniciar sua trajetória rumo ao título continental diante do América de Cali. O Bicho venceu no alçapão do River por 1 a 0 diante de 50 mil pessoas, perdeu fora pelo mesmo placar e acabou campeão no duelo de desempate no Paraguai, nos pênaltis. No ano seguinte, foi a vez do River Plate, enfim, celebrar sua primeira Libertadores contra o mesmo América, com vitória por 1 a 0 na finalíssima e diante de 80 mil torcedores. Em 1987, o Monumental voltou a sediar jogos da Copa América, mas daquela vez não conseguiu levar bons fluídos à Argentina, que ficou de fora da final e viu o Uruguai levantar a taça após vencer o Chile por 1 a 0 na decisão, com destaque para Alzamendi e Francescoli, justamente ídolos do River Plate naqueles anos 80. Em 1986, o estádio foi rebatizado com o nome oficial de seu maior entusiasta: Antonio Vespucio Liberti.

Em 1975, quando encerrou o jejum de 18 anos sem títulos no Campeonato Argentino, o River bateu o recorde de público em sua casa: 100 mil pessoas no duelo contra o Racing, vencido por 2 a 0.

 

Como não houve uma contagem precisa na época, muitos dizem que 120 mil pessoas estavam no Monumental naquela tarde, além de outras 20 mil nos arredores! A festa foi tão grande que o jogo teve apenas um tempo por causa da invasão da torcida para celebrar o título!

 

Nos anos 90, o Monumental presenciou novas eras de ouro do River e também de intrusos, como a Colômbia, que aplicou sonoros 5 a 0 na Argentina pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, na maior derrota da albiceleste em casa em toda sua história. Nos anos 2000, o estádio viu seu dono passar por maus momentos e, em 2011, justamente no aniversário da conquista da Copa Libertadores de 1996, viu o River ser rebaixado pela primeira vez à segunda divisão argentina, um fato que comoveu o país (menos os torcedores do Boca, claro) e gerou confrontos entre torcedores e policiais, invasão de campo, objetos atirados no gramado e muita bagunça. No entanto, o clube deu a volta por cima e começou a reconstrução dos caminhos de glórias em 2014, com o título nacional e da Copa Sul-Americana. No ano seguinte, veio a Recopa e a Copa Libertadores, levantada mais uma vez em casa e com direito a triunfos sobre o maior rival, Boca, pelo caminho de ambos os torneios (nas semis da Sul-Americana e nas oitavas da Liberta).

Após o rebaixamento, torcida arrancou assentos das cadeiras das arquibancadas e deu muito prejuízo ao clube. Foto: Acervo River Plate.

 

O estádio lotado é um show imperdível para os amantes do futebol.

 

O estádio e seus arredores vistos de cima: complexo esportivo icônico de Buenos Aires.

 

Em busca da modernização

Com 80 anos de existência, o Monumental levanta vários debates sobre sua modernização. Sem grandes reformas há 40 anos – a única grande benfeitoria de destaque nesse período foi o moderno telão de LED inaugurado em 2014, com 19m de largura -, o estádio é tido como ultrapassado na Argentina e muitos defendem a demolição de sua estrutura para a construção de uma arena moderna, tão em voga no futebol atual, ou mesmo a mudança de endereço do estádio para outro local (sim, outra ação nômade…). Mas os saudosistas são contra, incluindo dirigentes do próprio River, que dizem que seria como a mudança do Coliseu para outro lugar ou a demolição do Partenon de Atenas, simplesmente fora de cogitação.

 

Enquanto o consenso não chega, o Monumental segue como maior e principal palco futebolístico e esportivo da Argentina mesmo com a redução de sua capacidade para pouco mais de 60 mil pessoas. O estádio possui teatro, estacionamento, complexo com quadras de basquete, vôlei e tênis, museu e fica perto de uma estação ferroviária, a Ciudad Universitaria. O gramado do Monumental já recebeu, também, partidas de rúgbi e é reduto das principais atrações artísticas do país e local perfeito para dezenas de shows internacionais, que servem como vertiginosa fonte de renda ao River Plate. Eis alguns que já aconteceram no gigante: David Bowie, Sting, Tina Turner, Peter Gabriel, Rod Stewart, INXS, Bryan Adams, The Cult, Eric Clapton, Prince, Billy Idol, Guns N’ Roses, Elton John, Paul McCartney, Madonna, Michael Jackson, Kiss, The Rolling Stones, Bon Jovi, Phil Collins, AC/DC, The Police (com direito a gravação do ótimo DVD Certifiable), Enrique Iglesias, U2, Metallica, Sepultura, Aerosmith, Backstreet Boys, Red Hot Chilli Peppers, Soda Stereo, Robbie Williams, Ozzy Osbourne, Oasis, Iron Maiden, Shakira e muitos outros.

A fachada do estádio.

 

Museu do River é repleto de fotos, troféus e muitas curiosidades sobre a história do clube e do próprio futebol argentino.

 

AC/DC fez um show tão marcante no estádio, em 2009, que lançou um DVD especial em 2011.

 

Assim como o The Police, que lançou um DVD em 2008.

 

A famosa banda portenha Soda Stereo levou centenas de milhares de pessoas ao Monumental em 2007.

 

Chuva de papéis picados tempera o gramado do estádio em dias de grandes jogos.

 

Uma das ideias para a modernização do estádio é a retirada da pista de atletismo e acréscimo de mais arquibancadas, como na imagem acima. Foto: Divulgação River Plate.

 

O caminho mais viável para a modernização do estádio é a ampliação das arquibancadas para a área onde fica atualmente a pista de atletismo, e do setor mais popular do estádio, o Sívori, que iria ampliar a capacidade para quase 85 mil pessoas, superando o atual maior estádio da América do Sul –  o irmão homônimo, Monumental de Lima, no Peru, de 80 mil. Enquanto isso não acontece, o Monumental de Núñez segue no ritmo clássico que tanto lhe caracteriza e escrevendo histórias e mais histórias. De fato, o Monumental nasceu para ser grande. E para os grandes.

 


O trabalho Imortais do Futebol – textos do blog de Imortais do Futebol foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em imortaisdofutebol.com.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença.

4 thoughts on “Monumental – El Más Grande

  1. Como vascaíno tenho boas lembranças desse estádio primeiro contra o river na libertadores de 98 o golaço de falta do Juninho que classificou o Vasco para a final da libertadores depois a goleada de 4×1 sobre o river na semifinal da Mercosul de 2000

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *