Esquadrão Imortal – Vasco 2000

 

Grandes feitos: Campeão da Copa João Havelange (2000), Campeão da Copa Mercosul (2000) e Vice-campeão do Mundial de Clubes da FIFA (2000).

Time-base: Hélton; Clébson (Paulo Miranda), Odvan, Júnior Baiano (Mauro Galvão) e Jorginho Paulista (Gilberto); Jorginho (Amaral), Nasa (Felipe), Juninho Pernambucano e Juninho Paulista (Ramon / Pedrinho); Euller (Edmundo / Viola) e Romário. Técnicos: Antônio Lopes (de janeiro até março), Abel Braga (de março até junho), Oswaldo de Oliveira (de julho até dezembro) e Joel Santana (dezembro).

 

“De virada a gente entende, parceiro!”

 

Imagine o seu time começar o ano perdendo a final do Mundial de Clubes da FIFA em casa, nos pênaltis. Que balde de água gelada, não é mesmo? Pior: era a segunda derrota em uma competição desse porte em menos de dois anos. Como se recuperar? Bem, mantendo os bons jogadores do time e contratando um novo treinador. Até aí tudo bem. Mas e se no meio da temporada o técnico deixa o comando e o time perde a final do estadual para o arquirrival? Bem, hora de chamar outro técnico e tentar o recomeço no campeonato nacional e em uma competição continental. Mas e se o técnico é demitido dias (eu disse DIAS) antes das semifinais do campeonato nacional e também de uma final continental? Aí, meu amigo, melhor deixar tudo na mão dos jogadores… Ou melhor: nos pés. Deixar com Juninho Pernambucano. Com Euller. Com Juninho Paulista. E com Romário, parceiro! O ano de 2000 foi, sem dúvida, um dos mais conturbados, malucos, alucinantes e inesquecíveis para o clube cruzmaltino em toda sua história. Começou de maneira trágica. Teve contornos inesperados e um final, quem diria, mais do que feliz. Falando em final, foram cinco decisões em seis torneios disputados! Enquanto os cartolas batiam cabeça tanto no clube quanto na CBF, o Vasco montou um novo esquadrão que levantou a Copa João Havelange – nome do famigerado Campeonato Brasileiro daquele ano – e uma Copa Mercosul que acabou tendo um peso muito maior do que a própria competição nacional. Não foi por ser um torneio internacional, longe disso. Foi pela maneira como o clube carioca a conquistou. Afinal, não é todo dia que um time perde por 3 a 0 o primeiro tempo jogando fora de casa e vira para 4 a 3 no segundo, com jogadores ligados no 220v e um Romário simplesmente imparável. Naquele ano, era bola pro Baixinho e caixa. Bola pros Juninhos e festa. E se algo desse errado, o goleirão Hélton garantia o placar com defesas mais do que incríveis. Foi o legítimo ano da virada. Ou das viradas? É hora de relembrar o último suspiro da última era de ouro do Vasco da Gama.

 

Ainda há fôlego? Sim!

Edmundo nos braços da galera, em 1997…

 

… E a festa após o título da Libertadores de 1998: o Vasco era um dos principais times do Brasil e da América naquele final de século XX.

 

Desde 1997 que todos sabiam do potencial daquele esquadrão carioca. Comandado por Antônio Lopes, o Vasco da Gama deu uma reviravolta inesquecível em sua história exatamente naquele ano quando conquistou o Campeonato Brasileiro com shows, goleadas (como não lembrar o 4 a 1 no Flamengo na segunda fase?) e um elenco que mesclava a juventude de Juninho, Felipe, Pedrinho e Ramon com a experiência de Mauro Galvão, Válber, Evair e ainda um Edmundo em fase esplendorosa. Tantos gols – foram 29 tentos, um recorde na época – levaram o Animal ao futebol europeu, mas nem por isso o Vasco deixou de ser forte. Chegaram Luizão e Donizete e o clube faturou em pleno ano do centenário o Campeonato Carioca e a Copa Libertadores de 1998, após despachar o Barcelona-EQU na decisão. No final do ano, lá estava o Vasco disputando o Mundial de Clubes contra o Real Madrid de Raúl, mas o título acabou com os merengues, num dos maiores jogos da história da competição. Após aquele doloroso revés, muitos pensaram que o cruzmaltino não iria conseguir manter a sina vencedora em 1999, mas o time levantou a Taça Rio e também o Torneio Rio-SP, com duas vitórias sobre o Santos na decisão – 3 a 1 e 2 a 1. Ainda em 1999, Edmundo retornou ao Vasco, e, no final do ano, recebeu a companhia de Romário, desafeto declarado na época. No entanto, após muita conversa, a dupla jogaria junta e de maneira harmoniosa no mês de janeiro de 2000 para a disputa do Mundial de Clubes, organizado pela primeira vez pela FIFA e realizado no Brasil, com jogos em São Paulo e Rio de Janeiro.

Antônio Lopes e Juninho (na época ainda sem o ‘Pernambucano’). Foto: Raimundo Valentim / AE.

 

Em um confuso critério de classificação (leia mais clicando aqui), o Vasco, campeão da Libertadores de 1998, foi um dos times escolhidos pela entidade máxima do futebol para representar o continente sul-americano. Mas o correto seria o Palmeiras, campeão da Libertadores de 1999. Enfim… Avesso a tudo aquilo, o clube carioca era um dos favoritos não só pela dupla Edmundo / Romário, mas por manter a base competitiva dos anos anteriores e contar com um elenco entrosado e muito talentoso. No Grupo B do torneio – eram dois grupos com quatro clubes cada um, com os primeiros colocados de cada um classificados para a final -,  ao lado de Necaxa-MEX, South Melbourne-AUS e Manchester United-ING, os cariocas queriam uma vaga na decisão. E sabiam que tinham time e bola para tal.

 

Dos espetáculos ao drama

Edmundo e Romário, unidos. Pena que foi por pouco tempo…

 

Para tentar amenizar o clima entre as duas feras do elenco, o presidente do Vasco na época, Eurico Miranda, disse a Edmundo naquele final de 1999 que Romário só ficaria no Vasco até o término do Mundial. Com isso, a liderança do time continuaria com o Animal e a situação entre a dupla ficou um pouco mais amistosa dentro de campo. E quem ganhou com isso foi o próprio Vasco. A equipe venceu os três adversários de seu grupo no Mundial, entre eles o badalado Manchester United campeão de praticamente tudo no ano anterior e ainda campeão mundial em 1999 – por 3 a 1, com um verdadeiro show da dupla Edmundo e Romário em um Maracanã tomado por mais de 70 mil pessoas. Romário fez dois gols em dois minutos (um aos 24’ e outro aos 26’ do primeiro tempo) e Edmundo anotou uma pintura aos 43’, quando deu um drible de calcanhar no defensor antes de completar para as redes.

 

Veja o golaço:

 

 

A equipe cruzmaltina ainda venceu o South Melbourne por 2 a 0 (gols de Felipe, atuando como meia, e Edmundo) e o Necaxa por 2 a 1 (de virada, com gols de Odvan e Romário) e foi para a final com a melhor campanha da competição e única a atingir 100% de aproveitamento. O adversário na decisão foi o também embalado Corinthians, bicampeão brasileiro em 1998 e 1999 e recheado de grandes jogadores. Com dois times tão bons e equilibrados, o placar não saiu do zero nem no tempo normal nem na prorrogação e a final foi para os pênaltis. Os vascaínos temiam o goleiro Dida, que vivia grande fase e já possuía uma lendária fama de exímio pegador de pênaltis. Como não poderia deixar de ser, ele defendeu uma cobrança – de Gilberto – e viu Edmundo, justo ele, bater o seu para fora. O Corinthians venceu por 4 a 3 e ficou com o título.

Romário e o corintiano Kléber durante a final. Foto: Getty Images.

 

Dida e Edmundo: mesmo campeão mundial, o camisa 1 permaneceu com o semblante sério. Foto: Delfim Vieira / AE.

 

O revés foi uma ducha de água fria na campanha vascaína e um duro golpe no torcedor, que viu seu time perder duas finais de Mundial em um curto espaço de tempo. Para piorar o clima, Eurico não cumpriu a promessa que havia feito com Edmundo e Romário permaneceu no clube, criando um racha muito grande no elenco, principalmente nos treinamentos, quando um evitava o outro e nem sequer se olhavam. Pouco tempo depois, Edmundo deixaria o Vasco de vez muito por causa do episódio em que se recusou a entrar em campo contra o Palmeiras, pelo Torneio Rio SP, só porque Romário seria o capitão. Ele comentou na época que era “como se ele fosse um jornalista importante que, depois de três dias parado por causa de uma doença, voltasse à empresa como office boy”. O Animal deixou o Vasco para ir jogar no Santos por empréstimo. No final de fevereiro, o time cruzmaltino ainda chegou à final do Rio-SP, mas acabou perdendo para o Palmeiras por 4 a 0 na finalíssima. Àquela altura, o torcedor não via com bons olhos o horizonte do time na temporada.

 

Goleadas, novo vice e mudanças

Após dois meses turbulentos, o Vasco encontrou um pouco de paz a partir de março. Com a chegada de Abel Braga no comando técnico em substituição a Antônio Lopes, o cruzmaltino fez um primeiro turno estupendo no Campeonato Carioca. Foram 10 vitórias e um empate em 11 jogos, com 35 gols marcados e apenas cinco sofridos, uma média de 3,18 gols por jogo! Os destaques foram as goleadas sobre Americano (6 a 0), Olaria (4 a 1), Cabo Frio (5 a 0), a vitória de 3 a 2 sobre o Fluminense e a inesquecível goleada de 5 a 1 sobre o Flamengo, com três gols de Romário, no triunfo que ficou conhecido como “Chocolate de Páscoa”, em alusão ao período do ano. Aquela foi a maior goleada do Clássico dos Milhões dos últimos 50 anos do confronto na época – e, desde então, só foi igualada uma vez pelo próprio Vasco em 2001, no Campeonato Brasileiro.

Título da Taça Guanabara veio após goleada de 5 a 1 sobre o maior rival.

 

No returno, o Vasco emendou mais cinco vitórias, mas caiu de produção nas últimas partidas e viu o Flamengo assumir a liderança. Com isso, o clássico entre a dupla decidiu pelo segundo ano seguido o Estadual. E, de novo, deu Flamengo: vitórias por 3 a 0 e 2 a 1. O único alento foi a artilharia de Romário na competição, com 19 gols, e a celebrada goleada lá do primeiro turno sobre o rival. Sim, era o terceiro vice-campeonato do Vasco em três competições disputadas – isso sem contar a eliminação na Copa do Brasil, em maio, após dois empates contra o Fluminense, que avançou pelo critério de gols marcados fora de casa. O time era bom, tinha poder de chegada, mas não levava. O que será que faltava para um esquadrão que levantou taças tão importantes nos últimos anos voltar a brilhar?

 

Hora da virada

Oswaldo de Oliveira conversa com seus jogadores: Vasco foi totalmente outro no segundo semestre.

 

Embora cheia de competições e frenética, a temporada ainda estava na metade para o Vasco. Faltava muita coisa pela frente. Muita mesmo. A começar pelo Campeonato Brasileiro, ou melhor, a famigerada Copa João Havelange, fruto de uma das maiores zonas ocorridas no futebol brasileiro em todos os tempos. Depois de ser rebaixado no Campeonato Brasileiro de 1999 por causa do “caso Sandro Hiroshi” (leia mais aqui), o Gama-DF obteve na justiça comum o direito de disputar qualquer competição nacional em 2000, vencendo a queda de braço com a CBF – que se viu impedida de organizar o Campeonato Brasileiro. Com isso, coube ao Clube dos 13 a realização de um torneio nacional (sem o apoio da CBF) batizado de Copa João Havelange, com absurdos 114 times (seriam 116, mas Interporto e Rio Branco desistiram da disputa) divididos em módulos. Essa tal Copa permitiu a clubes grandes que estavam na segunda divisão (como Bahia e Fluminense) a subir para a primeira, o que acabou gerando polêmicas, discussões e brincadeiras como “paguem a série B!” que perduram até hoje. Além disso, os campeões dos módulos inferiores iriam se juntar aos melhores colocados da primeira divisão e teriam a chance de se sagrarem campeões. Isso mesmo. Um time do módulo verde e branco, que equivalia à terceira divisão, poderia disputar a fase final e ser campeão da primeira! É ou não é “maravilhosa” a organização (?) do futebol brasileiro?

Euller, Juninho Paulista e Romário: trio devastou os adversários em 2000.

 

Bem, com bagunça ou sem bagunça, o Vasco tratou de reforçar seu elenco para acabar com o estigma de vices. Como a competição teria 24 jogos na primeira fase e mais oito na fase de mata-mata caso a equipe chegasse até a final, o elenco precisava de novos nomes para aguentar a enorme sequência de jogos, que seriam acrescidos de duelos complicados pela Copa Mercosul, na qual o Vasco estava classificado no Grupo 5, ao lado de Atlético Mineiro, San Lorenzo-ARG – que tinha um time bem complicado de se enfrentar na época – e Peñarol-URU. Para começar a reviravolta, a diretoria trouxe o técnico Oswaldo de Oliveira, que vinha de um surpreendente trabalho no Corinthians entre 1999 e aquele primeiro semestre de 2000. Além dele, a diretoria cruzmaltina contratou o lateral-direito Clébson, o lateral-esquerdo Jorginho Paulista e dois nomes consagrados que dariam muito mais qualidade ao setor ofensivo do time: Juninho Paulista (por empréstimo) e Euller (ex-Palmeiras). E uma curiosidade: como o Vasco já contava com um Juninho no elenco, foi a partir daquele ano que a dupla seria conhecida como Juninho Pernambucano e Juninho Paulista.

Os reforços deram ao Vasco ainda mais força ofensiva, com uma intensa movimentação entre os Juninhos no meio de campo e uma sintonia notável entre Euller e Romário. Com a velocidade do Filho do Vento, o Baixinho guardaria gols e mais gols naquele segundo semestre. Enfim, o Vasco estava pronto para reverter os momentos ruins da primeira metade do ano. O zagueiro Mauro Galvão, experiente e um dos líderes do time, comentou sobre aquele time.

 

“O time do Vasco de 2000 tinha uma base muito consistente, montada dois anos antes. O Carlos Germano tinha dado lugar ao Hélton, que estava em grande forma. Eu, Odvan e Júnior Baiano nos revezávamos, em uma zaga bastante regular. O Nasa, no meio de campo, fazia uma marcação muito forte e os dois Juninhos armavam muito bem a equipe. No ataque, tínhamos Euller e Romário e ainda o Pedrinho. Acho que o título da Libertadores de 1998, ganhando a taça em Guayaquil, no Equador, foi marcante e deu toda a confiança e segurança que o time precisou para buscar todos os outros títulos. Fizemos uma partida magnífica contra o Manchester United no Mundial de Clubes. Mas, como perdemos a final contra o Corinthians, nos pênaltis, poucos se lembram daquela vitória”.Mauro Galvão, em entrevista à revista Placar, junho de 2005.

 

Galvão ainda lembrou de Felipe, na lateral-esquerda, que era “um dos grandes jogadores do momento”, mas o arisco jogador acabou sofrendo uma lesão no tornozelo que o tirou de campo por três meses. Ele perdeu o posto para Jorginho Paulista, que conseguiu uma boa regularidade ao longo das competições disputadas pelo time cruzmaltino. Enfim, era hora de jogar para ser campeão.

 

Começando a engrenar

Romário, a máquina de gols de 2000. Foto: Eduardo Monteiro.

 

Após uma derrota (2 a 0 para o Sport, em casa) e um empate (3 a 3 com o Cruzeiro, também em  casa), o Vasco venceu duas seguidas na Copa João Havelange – 1 a 0 no Corinthians e 1 a 0 no Guarani, empatou com o Santa Cruz (1 a 1), venceu a Ponte Preta (2 a 1) e empatou com a Portuguesa (2 a 2) e o Atlético Paranaense – na época ainda sem o “h” – (2 a 2). A derrota para o Bahia por 3 a 1, na 9ª rodada, ligou o sinal de alerta mais uma vez no clube, mas a equipe ficaria oito jogos sem perder dali em diante: 4 a 3 no Fluminense – com show dos Juninhos e de Romário -, 4 a 0 no América-MG, 2 a 1 no Juventude, 4 a 0 no Atlético Mineiro, empates com Vitória (2 a 2) e Santos (1 a 1), e vitórias sobre o Gama (1 a 0) e Goiás (2 a 1).

Com a classificação entre os oito melhores praticamente garantida, o time relaxou nas rodadas finais, poupou vários jogadores e venceu apenas dois dos sete jogos restantes – 1 a 0 no Coritiba e 1 a 0 no Grêmio, ambos fora de casa. Mesmo assim, o Vasco garantiu a vaga na etapa seguinte do campeonato na 5ª colocação, com 11 vitórias, seis empates e sete derrotas em 24 jogos. O ponto fraco do time àquela altura era o setor defensivo, que havia levado 37 gols e deixou o cruzmaltino com saldo negativo de um gol. Mas havia uma explicação para aquele “desleixo”: os jogos duríssimos na Copa Mercosul.

A equipe começou sua trajetória no torneio continental com derrota por 4 a 3 para o Peñarol, num jogo elétrico e cheio de oportunidades – Romário e Viola, duas vezes, marcaram para o clube carioca. Em seguida, a equipe fez 3 a 0 no San Lorenzo em casa (dois gols de Romário e um de Fabiano Eller), perdeu para o Galo, fora (2 a 0), e empatou com o Peñarol em casa (1 a 1), resultado que obrigava o time a vencer seus dois próximos jogos e torcer contra adversários até de outros grupos se quisesse a classificação para as quartas de final – sim, caro leitor (a), eram apenas cinco grupos com quatro times, por isso, não dava para classificar os dois primeiros de cada grupo e formar oitavas nem quartas de final. Só iriam se classificar os primeiros de cada grupo mais os três melhores segundos colocados para, aí sim, formar as quartas de final…

Mas o Vasco conseguiu a reviravolta e venceu o San Lorenzo em Buenos Aires por 2 a 0 (gols de Juninho Pernambucano e Romário, que marcou um golaço) e o Atlético-MG por 2 a 0 em casa (gols de Romário e Juninho Paulista). A equipe atingiu 10 pontos e conseguiu a classificação para a fase seguinte. Vale lembrar que entre os dois jogos que classificaram o Vasco, Romário foi convocado para a seleção brasileira e marcou quatro gols na goleada de 6 a 0 sobre a Venezuela, pelas Eliminatórias. Além dele, foram convocados os dois Juninhos e Euller, numa prova real de que o Vasco era um dos principais times do país. De fato, o Baixinho vivia sua mais prolífica temporada na carreira – já eram 62 gols até o dia 17 de outubro e uma média de 1,2 gols por jogo! Ele estava jogando muito, marcando golaços e provando ser um jogador mais do que especial. E um detalhe: ele tinha 34 anos na época…

Vascaínos com a amarelinha…

 

… E a festa de Romário: imparável, também, pelo Brasil. Foto: Fernando Maia / Agência O Globo.

 

No final de outubro e início de novembro, a equipe de Oswaldo de Oliveira enfrentou mais uma pedreira na Mercosul: o Rosário Central-ARG. No primeiro jogo, fora de casa, Juninho Paulista fez o gol da vitória vascaína por 1 a 0. Jogando por um empate na volta, a equipe foi surpreendida e perdeu por 1 a 0, resultado que levou a decisão da vaga para os pênaltis. E, para exorcizar o temor de um novo revés assim como havia acontecido lá em janeiro, o Vasco venceu por 5 a 4 e se garantiu na semifinal para enfrentar um velho conhecido: o River Plate-ARG, de Yepes, Aimar, Ortega, Angel e Saviola, que queria a revanche da eliminação nas semis da Liberta de 1998. O primeiro jogo aconteceu no Monumental, em Buenos Aires, mas parecia São Januário. Romário abriu o placar. Júnior Baiano ampliou. No segundo tempo, Juninho Paulista fez mais um e Pedrinho transformou um jogo tido com difícil, cabuloso, terrível, em goleada. O River ainda descontou, mas o estrago já estava feito: 4 a 1. O Vasco foi, com todo o perdão do trocadilho, Monumental! Toques rápidos, invertidas de jogo, dribles desconcertantes, jogadores entrosados, finalizações precisas, defesaças de Hélton – que fase vivia o goleirão! – e maturidade plena. Era visível a melhora no jogo do time. A confiança transbordava. O futebol, enchia os olhos. E ver Romário com aquela média absurda de um gol por jogo e os Juninhos deitando e rolando no meio de campo, um privilégio para todos os amantes do futebol.

 

Veja os gols:

No duelo de volta, o Vasco voltou a se impor sobre os argentinos e venceu por 1 a 0 (gol de Juninho Paulista) e carimbou a vaga em mais uma final na temporada. E o time queria mais. Era hora de focar no mata-mata da Copa João Havelange.

 

Da paz à desordem

Oswaldo de Oliveira, Júnior Baiano e Jorginho.

 

Três dias após a goleada sobre o River, o time de Oswaldo de Oliveira enfrentou o Bahia no primeiro jogo das oitavas de final do torneio nacional. Jogando em Salvador, a equipe saiu perdendo por 2 a 0, mas virou para 3 a 2 ainda na primeira etapa. No segundo tempo, um gol contra de Odvan acabou decretando o empate em 3 a 3. Na volta, o cruzmaltino venceu por 3 a 2 e se classificou para as quartas, na qual eliminou o Paraná Clube após vitória por 3 a 1 e derrota por 1 a 0. Nas semifinais, o adversário seria o perigoso Cruzeiro, líder da primeira fase, com jogadores como Cris, Sorín, Ricardinho, Fábio Júnior e Oséas, comandado por Luiz Felipe Scolari e campeão da Copa do Brasil daquele ano. Era um teste duríssimo. Antes, o time enfrentou o Palmeiras no primeiro duelo da final da Copa Mercosul, em casa, no dia 06 de dezembro, e venceu por 2 a 0, gols de Juninho Pernambucano e Romário. Seis dias depois, o time perdeu para o Palmeiras a volta por 1 a 0, e, graças ao regulamento maluco da Conmebol (que novidade…), aconteceria uma terceira partida pelo fato de os dois times estarem empatados em número de pontos – o critério de gols marcados não valia nada. E o terceiro jogo também seria em São Paulo, pelo fato de o Verdão ter melhor campanha.

O time-base de 2000: a defesa sofria quando era agredida pelos rivais, mas o ataque lá na frente resolvia muito. Era muita qualidade com os Juninhos e a dupla Euller / Romário.

 

Bem, estava tudo aberto para o Vasco na Mercosul. Voltando à Copa João Havelange, o time enfrentou o Cruzeiro no dia 16 de dezembro, em casa, no primeiro jogo da semifinal. E nada saiu como planejado. O Vasco apenas empatou em 2 a 2 e se viu obrigado a vencer em pleno Mineirão o duelo da volta se quisesse a vaga na final. Se fosse o único problema estava tudo bom… Pois naquele mesmo dia uma bomba caiu em São Januário. E ela foi armada e ativada pelo senhor Eurico Miranda. Ainda nos vestiários, o mandatário vascaíno demitiu Oswaldo de Oliveira. Assim, de sopetão. Por que causa, motivo, razão e circunstância? Vamos aos fatos. Eurico ficou irado com o empate, principalmente pelo fato de o time estar vencendo por 2 a 0 até os 34’ do segundo tempo. Primeiro ponto. Ele também não gostou de ver Oswaldo abraçar e cumprimentar Felipão antes do jogo só porque o técnico cruzeirense era desafeto do presidente cruzmaltino. Segundo ponto. E ficou uma fera quando descobriu que o técnico deu folga para os jogadores no domingo sendo que, para Eurico, não era momento para descanso, pois na quarta-feira o time iria enfrentar o Palmeiras na decisão da Copa Mercosul. Terceiro e último ponto.

Um simples abraço de Oswaldo em Felipão virou um dos motivos para a demissão do técnico por Eurico Miranda.

 

Eurico mudou a programação, Oswaldo não aceitou e o mandatário demitiu o treinador ali no vestiário mesmo. Alguns jogadores foram até Eurico pedir que mudasse de ideia, pois a folga não iria atrapalhar em nada, mas sim revigorar a parte física do elenco, mas ele deu de ombros. Além disso, Oswaldo não gostou da interferência do presidente, e comentou:

 

“O dirigente tem poder sobre o cargo do treinador, mas não tem poderes nas funções de técnico. Ele não poderia ter alterado o trabalho sem antes falar comigo. Não foi o placar que determinou minha demissão. Ele tentou mudar uma determinação minha e isso eu não admito”.

 

No mesmo sábado, Eurico ligou para Joel Santana e no dia seguinte lá estava o treinador com sua prancheta para comandar o primeiro coletivo sob o comando do Vasco às vésperas de uma final continental – isso mesmo, o primeiro jogo dele seria a FINAL da Copa Mercosul – e precisando reverter um placar adverso fora de casa contra o favorito da Copa João Havelange. Olha o tamanho da bucha! Mas não havia motivo para alardes. Mesmo com aquela trapalhada, o elenco estava unido. Sabia tudo o que havia passado na temporada. Sabia do seu potencial. Sabia que faltava muito pouco para levantar dois troféus. E sabia que o Vasco era o time da virada…

 

A maior virada do século

Romário nos céus: Baixinho fez 3 gols na virada inacreditável do Vasco em cima do Palmeiras. Foto: Alexandre Battibugli.

 

No dia 20 de dezembro de 2000, o Vasco foi até o Palestra Itália cercado de desconfiança. Aquela balbúrdia do fim de semana ainda ecoava. “Um time com técnico novo vai perder, isso não se faz”. “Cê acha, ganhar uma final com técnico tampão? Isso abala, não ganha, não!”. “Até parece… Vai tomar de uns 4 de novo, igual lá no Rio Sp”. Essas frases utópicas certamente passaram pela cabeça dos alviverdes, da imprensa, dos “entendedores” do futebol. Jogando em casa e com seu recente retrospecto copeiro, o Palmeiras era o favorito absoluto naquela final da Copa Mercosul. E as expectativas se confirmaram após o time da casa fazer um, dois, três gols. No primeiro tempo. A zaga vascaína era um desastre só. As jogadas não saiam. Romário não era o matador de outrora. Os Juninhos pareciam presos. E a prancheta do Joel, coitada, não tinha nenhuma tática mirabolante para reverter aquilo. Quando o árbitro apitou o final do primeiro tempo, a torcida alviverde gritava “é campeãããão! É campeããããao!”, enquanto os vascaínos iam em direção aos vestiários zonzos. Como reverter tudo aquilo? Poxa, mais um vice? De jeito nenhum.

Eurico Miranda apareceu e cruzou o campo para atrair a atenção para si. Queria mostrar que, acontecesse o que acontecesse, a responsabilidade era dele. Joel Santana sacou o volante Nasa e colocou Viola para o tudo ou nada. Seria ele, Romário, Euller e os Juninhos lá na frente. Tinha que dar certo. Era uma tática talvez suicida, mas em prol da ofensividade. E do imponderável. Essa ousadia deu certo. Romário, de pênalti, fez o primeiro do Vasco, aos 14’. Aos 23’, de novo de pênalti, fez o segundo. Aos 37’, Júnior Baiano, que fez uma partida terrível, foi expulso e deixou a missão do empate ainda mais difícil. Mas, aos 40’, Juninho Paulista fez 3 a 3. E, aos 48’, Romário deixou mais um para decretar a vitória por 4 a 3.

Romário ordena o silêncio: a virada estava decretada!

 

Foto: Vidal Cavalcante / Agência Estado.

 

Foi a maior virada da história do Vasco. A chamada “virada do século”. A reviravolta improvável. Talvez a vitória mais gritada pelo cruzmaltino em todos os tempos. Uma vitória que ecoa até hoje. Que não sai da lembrança. Que é motivo para festas, comemorações. Que virou jogo eterno óbvio aqui no Imortais (o link está no final deste texto!). Enfim, foi a vitória que deu ao Vasco o título da Mercosul, o primeiro do ano, conquistado após 13 jogos, oito vitórias, um empate, quatro derrotas, 23 gols marcados e 13 sofridos. E o combustível para embalar de vez na dura missão seguinte: vencer o Cruzeiro no Mineirão.

 

Ninguém segura!

No dia 23 de dezembro, o Mineirão recebeu casa cheia e até um Papai Noel azul que aterrissou de paraquedas no gramado. Porém, toda aquela festa e confiança dos mineiros foi neutralizada pelo Vasco. Juninho Pernambucano, aos 32’ do primeiro tempo, cobrou uma falta ao seu estilo e fez 1 a 0. O Cruzeiro chegou ao empate com Sorín, aos 41’, e quase virou, mas Júnior Baiano salvou em cima da linha. Na segunda etapa, o mesmo Júnior Baiano fez um lançamento incrível para Euller, na direita, entortar Cléber e chutar cruzado sem chances para o goleiro: 2 a 1. Faltava o de Romário. Aliás, o Baixinho nunca havia marcado no Mineirão! Na primeira tentativa, chutou na trave. Na segunda… Hehe, ele não erra duas não, parceiro! O craque recebeu, driblou o goleiro e só não entrou com bola e tudo porque o zagueirão estava atrapalhando: 3 a 1. Vasco na final. A quinta em seis competições disputadas. O que dizer daquele time? Simplesmente nada! Era só aplaudir. E esperar o desfecho daquela história.

 

Um temido Azulão, uma nova bagunça e o título da coroação

No dia 27 de dezembro, o Vasco começou a decidir a Copa João Havelange contra um adversário surpreendente: o São Caetano, que conseguiu uma vaga na fase de mata-mata após chegar à final do Módulo Amarelo (segunda divisão). Quando chegou às oitavas de final, despachou o Fluminense com uma vitória por 1 a 0 em pleno Maracanã. Depois, eliminou o Palmeiras nas quartas (com vitória por 4 a 3 em pleno Palestra Itália) e passou por cima do Grêmio de Ronaldinho Gaúcho na semifinal com duas vitórias, tanto em casa quanto no saudoso Olímpico. A equipe de Jair Picerni estava embalada e impossível. Com uma zaga forte (Serginho e Daniel), laterais rápidos (César e Japinha), um meio de campo criativo e marcador (Claudecir, Adãozinho, Wágner e Esquerdinha) e um ataque perigosíssimo (Adhemar e Aílton), o São Caetano já era um dos times de ascensão mais meteórica da história do futebol brasileiro.

Sabendo de tudo isso, o Vasco foi precavido e conseguiu um valioso empate em 1 a 1 com mais um gol de Romário. A partida de volta, no dia 30 de dezembro, aconteceria em São Januário. Mais de 30 mil ingressos foram vendidos, mas muita gente entrou sem pagar. A superlotação gerou muita apreensão. E mais apreensivo ainda ficou o torcedor vascaíno, que viu nos primeiros minutos uma sufocante pressão do São Caetano, que estava muito, mas muito perto de abrir o placar – aquele Azulão não temia estádio adverso e saíra vitorioso no Maracanã, Palestra Itália e Olímpico. São Januário seria só mais um para a conta. Foi então que, aos 23’ do primeiro tempo, parte do alambrado de uma das arquibancadas cedeu e centenas de pessoas caíram. Uma enorme confusão tomou conta do estádio, o presidente vascaíno Eurico Miranda pedia para os torcedores se levantarem para o jogo prosseguir (sim, ele fez isso, acredite…), mas as autoridades proibiram o reinício do jogo diante daquela situação que resultou em 210 feridos. Com isso, a finalíssima foi adiada pelo STJD para janeiro de 2001, no Maracanã.

A impressionante imagem da queda do alambrado em São Januário. Foto: Otávio Magalhães / Agência Estado.

 

O fato é que a decisão acabou esfriada após aquele acidente. Os jogadores de ambos os times admitiram isso. O zagueiro Serginho, do Azulão, comentou à época à Folha de S. Paulo. “Já perdeu o encanto, entre nós e para o Vasco também. Não tem mais aquele tchan de decisão, aquela coisa apimentada. Até a comparação que se fazia entre Adhemar e Romário não é mais a mesma coisa.” O técnico Jair Picerni também comentou que “poderia até acontecer um espetáculo a nível de técnica e tática, mas que não acreditava nisso, pois nas condições que os dois times estavam no dia 30, tinha tudo para ser um grande jogo. Naquele momento, tudo era diferente.”

No dia 18 de janeiro, lá estavam Vasco e São Caetano para a final, mas dessa vez no Maracanã, com atletas longe de suas melhores condições físicas, alguns já negociados com outros clubes e com as férias interrompidas. O jogo foi bem morno e terminou com vitória do Vasco por 3 a 1, gols de Juninho Pernambucano, Jorginho Paulista e, claro, Romário. Embora mais opaco do que deveria, o título selou o fim de uma temporada inesquecível do Vasco. A campanha do campeão foi: 32 jogos, 15 vitórias, nove empates, oito derrotas, 54 gols marcados (segundo melhor ataque, atrás apenas do Cruzeiro, que fez 57) e 49 gols sofridos. Romário foi o artilheiro do time com 20 gols (ele é considerado por muitos o artilheiro da Copa João Havelange, pois Adhemar, do São Caetano, marcou 22, mas a maioria no Módulo Amarelo, que equivalia à segunda divisão e não tinha o nível de dificuldade da primeira), assim como ele já havia sido no Mundial (3 gols), no Carioca (19 gols), no Torneio Rio SP (12 gols) e na Copa Mercosul (11 gols). Sim, o Baixinho foi artilheiro de TODOS os torneios nos quais o Vasco foi finalista. Ele marcou 67 gols com a camisa do Vasco, o que significou 38% dos 176 anotados pelo cruzmaltino na temporada. Simplesmente incontestável.

 

Na lembrança do xodó

Romário, o nome incontestável do Brasil em 2000. Foto: Getty Images.

 

Após a conquista nacional, o elenco do Vasco escancarou a desunião existente entre jogadores e diretoria, as trapalhadas de Eurico Miranda ficaram cada vez maiores e vários atletas que brilharam na temporada anterior deixaram o time. Nos anos seguintes, a equipe passou longe de celebrar grandes títulos e chegou ao fundo do poço com o rebaixamento no Brasileiro de 2008. Veio um alento com a conquista da Copa do Brasil de 2011, mas o clube voltou a ser rebaixado em 2013 e 2015 e não tem conseguido grandes campanhas desde então. Enquanto uma nova era de ouro não chega, a torcida ainda recorda com carinho e nostalgia os tempos em que enfrentar o Vasco da Gama era um perigo para os adversários. Ainda mais com tanto talento em campo e um Romário na temporada mais prolífica da carreira. Um esquadrão imortal.

 

Os personagens:

 

Hélton: com reflexos apurados, bom posicionamento e grandes defesas, o goleiro vascaíno foi uma das gratas revelações do futebol brasileiro naquela virada do milênio. Jogou de 1998 até 2002 no clube e virou ídolo instantâneo da torcida com seus milagres e muita regularidade. A boa fase o levou à seleção brasileira e ao futebol europeu, onde brilhou no Porto por mais de dez anos até encerrar a carreira em 2016.

Clébson: revelado pelo Bahia, chegou ao Vasco em 2000 e assumiu a lateral-direita com a ida do veterano Jorginho ao meio de campo. Ficou no clube até 2001 até falecer de forma trágica em um acidente de carro naquele ano.

Paulo Miranda: chegou em 1999 ao Vasco após boas passagens no futebol paranaense. Atuava como meio-campista e também como lateral em algumas ocasiões. Tinha muito vigor físico e bom poder de marcação. Fez grandes jogos na campanha do título da Mercosul de 2000. Deixou o clube em 2001.

Odvan: o zagueirão já estava no clube desde 1997 e participou de maneira mais assídua nos primeiros anos de ouro daquele esquadrão, chegando até a seleção brasileira entre 1998 e 1999, comandada por Luxemburgo. Fez vários jogos em 2000 e foi um dos defensores titulares ao longo do ano. Alternava grandes jogos com outros nem tanto assim… Mas escreveu seu nome na história do clube com 11 títulos.

Júnior Baiano: após ser campeão da América pelo Palmeiras em 1999, o zagueiro chegou ao Vasco para reforçar o setor defensivo e se alternou no time titular com Mauro Galvão e Odvan. Fez alguns bons jogos, mas não manteve a regularidade dos anos anteriores que o levaram à Copa do Mundo de 1998, na qual ele não foi bem. Júnior Baiano conseguia ser técnico com a bola nos pés, efetuar grandes lançamentos, marcar gols e cometer faltas duras e até desnecessárias nas mesmas proporções. Essa irregularidade acabou minando sua presença na seleção após 1998. Deixou o Vasco em 2001.

Mauro Galvão: foi um dos maiores zagueiros do futebol brasileiro e era um veterano quando assumiu a zaga vascaína em 1997, iniciando um novo período de glórias em sua carreira. Com a experiência de décadas vestindo grandes camisas e até com passagens pela seleção brasileira, o zagueiro e capitão do time – até a braçadeira ficar com Romário, em 2000 -, foi fundamental para as grandes glórias do Vasco entre 1997 e 2000. Ídolo incontestável no cruzmaltino, Mauro Galvão foi outro que deixou o clube em 2001. Encerrou a carreira no Grêmio.

Jorginho Paulista: a lesão de Felipe abriu as portas para o lateral-esquerdo assumir a posição de titular do time no segundo semestre e não sair mais. Rápido e muito eficiente no ataque, foi muito importante para as jogadas ofensivas do time. O problema era que suas idas sobrecarregavam o sistema defensivo, que levava muitos gols. Ficou no Vasco até 2001.

Gilberto: começou o ano como titular absoluto do time e um dos destaques na lateral-esquerda com sua categoria, cruzamentos e domínio de bola. No entanto, sofreu uma contusão que o tirou de praticamente toda a temporada. Acabou deixando o clube em 2001.

Jorginho: outro veterano que ajudou demais o Vasco em 2000 atuando como lateral-direito, sua posição de origem, mas em várias ocasiões como volante. Com seus passes precisos e a experiência de tetracampeão do mundo com a seleção em 1994, o craque fez grandes jogos e foi um dos destaques do título brasileiro e da Mercosul.

Amaral: o volante que se consagrou no Palmeiras chegou ao Vasco em 1999 e foi titular em vários jogos ao longo da temporada de 2000. Não chegou a ser absoluto na posição, mas quando entrou, cumpriu seu papel. Deixou a equipe ainda em 2000 para jogar no futebol italiano.

Nasa: volante que não brincava em serviço, foi um dos mais regulares daquela era de ouro até a fatídica final do Mundial de 1998, quando marcou um gol contra. Apesar disso, seguiu no clube e deu a volta por cima com as conquistas de 2000. Deixou o Vasco em 2001 para jogar no futebol japonês.

Felipe: habilidoso ao extremo e capaz de dribles desconcertantes, Felipe era o xodó da torcida por suas atuações como lateral-esquerdo nos anos de ouro entre 1997 e 1998. Em 2000, atuou algumas vezes como meia e fez grandes jogos até se contundir e perder praticamente todo o segundo semestre. Acabou emprestado a outros clubes na sequência.

Juninho Pernambucano: o Reizinho da Colina já havia provado seu potencial entre 1997 e 1998. E, em 2000, só reafirmou sua condição de ídolo e um dos maiores jogadores da história do clube. Com passes, movimentação, golaços e cobranças de falta simplesmente sensacionais, Juninho foi fundamental para o sucesso cruzmaltino naquela temporada. Ficou no Vasco até 2001, foi para o Lyon e transformou o clube francês em heptacampeão nacional (leia mais clicando aqui). Depois, retornou ao Vasco em 2011, teve uma breve saída, e se aposentou no clube em 2013.

Juninho Paulista: chegou naquele ano de 2000 ao Vasco e deu muito mais qualidade ao setor de meio de campo e ataque do time. O entrosamento com Juninho Pernambucano foi rápido e o Vasco foi totalmente outro naquele segundo semestre. Os títulos vieram e o baixinho arrasou na conquista da Copa Mercosul, principalmente na final contra o Palmeiras.

Ramon: entre 1996 e 2000, foi um dos principais meias do clube e um grande elo entre o meio de campo e ataque. Construía jogadas, marcava gols e dava passes precisos para os atacantes. Foi titular no Mundial de Clubes de 2000, mas acabou deixando a equipe tempo depois para jogar no Atlético-MG. Muito querido até hoje pelos torcedores, Ramon ainda teve duas passagens pelo Vasco posteriormente, em 2002 e 2006.

Pedrinho: outro muito querido pela torcida, foi um dos talismãs do time na temporada de 2000 após superar sérios problemas físicos por causa de contusões. Voltou em fevereiro daquele ano, foi um dos goleadores na vitória por 5 a 1 sobre o Flamengo e entrou em vários jogos durante as campanhas dos títulos do Brasileiro e da Mercosul. Deixou o Vasco em 2001 para jogar no Palmeiras.

Euller: o Filho do Vento formou uma memorável dupla de ataque com Romário naquele ano de 2000. Com sua velocidade, o atacante contribuiu em muito para a média absurda de gols do Baixinho e foi um dos principais nomes na arrancada vitoriosa do segundo semestre. Além disso, marcou seus gols e foi decisivo para o time. Foi jogar no futebol japonês em 2002.

Edmundo: ídolo do vascaíno, o Animal fez grandes jogos no Mundial de Clubes, mas a perda do pênalti decisivo na final, somada às desavenças com Romário e a diretoria acabaram minando sua permanência no clube em 2000. Mas sua contribuição lá em 1997 jamais será esquecida.

Viola: foi um coringa muito importante naquela reta final de temporada para o ataque vascaíno. Entrava no decorrer dos jogos e também começava como titular em outros. Marcou gols importantes – foram mais de 30 com a camisa cruzmaltina – e fez uma grande Copa Mercosul.

Romário: dos 176 gols do Vasco em 2000, 67 foram dele. Foi artilheiro do time e do Mundial de Clubes com três gols. Foi artilheiro do time e do Campeonato Carioca com 19 gols. Foi artilheiro do time e do Torneio Rio-SP com 12 gols. Foi artilheiro do time e da Copa João Havelange com 20 gols. Foi artilheiro do time e da Copa Mercosul com 11 gols. Foi Bola de Ouro pela revista Placar. Marcou 73 gols em 75 jogos no total. Preciso falar mais alguma coisa sobre Romário vestindo a camisa do Vasco em 2000? Acho que não. Leia mais sobre essa lenda clicando aqui.

Antônio Lopes, Abel Braga, Oswaldo de Oliveira e Joel Santana (Técnicos): após o Mundial, Antônio Lopes viu sua relação com o Vasco ficar desgastada e deu lugar à Abel Braga. O treinador conseguiu fazer o time se recuperar no primeiro turno do Estadual, mas os dois vices na sequência e alguns atritos levaram o treinador ao futebol francês. Quando Oswaldo de Oliveira chegou e o clube contratou peças importantes para o elenco, aí sim o time engrenou. Tranquilo e com ótimos jogadores à sua disposição, o técnico soube extrair ao máximo as qualidades do elenco e levou o Vasco à decisão da Mercosul e às semis da Copa João Havelange. No entanto, o desentendimento com Eurico Miranda fez com que ele deixasse o time antes de levantar as duas taças. Tal tarefa ficou com Joel Santana e sua “prancheta mágica”. Ele ficou no Vasco até 2001 e retornou outras vezes nos anos seguintes.

 

Leia mais sobre a final da Mercosul clicando aqui!

 

Extras:

 

Veja o golaço de Romário contra o San Lorenzo, na Argentina.

 

Veja os gols da vitória sobre o Cruzeiro.

 

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4 thoughts on “Esquadrão Imortal – Vasco 2000

  1. Eu estava aguardando a muito tempo o Vasco de 2000 como esquadrão imortal.pelos números foi o melhor Vasco que já vi até hoje pois não qualquer time que disputa seis competições e chega a cinco finais com dois títulos importantes ganhos sendo que disputava essas competições ao mesmo tempo. Parabéns pela lembrança!

  2. olá,Imortais do Futebol,gostaria muito,mesmo sendo cruzeirense,que você imortalizasse o Estudiantes campeão da Libertadores de 2009 em cima do meu Cruzeiro.abraços e espero que você me responda

  3. Lembrando que naquela época o Eurico Miranda mandava muito mais no Vasco no que agora, já que, além de ser presidente do Vasco, ele também era deputado federal. Ou seja, ele estava se achando

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