Copa do Mundo Feminina – História, Recordes e Campeãs

 

Os primeiros toques na bola aconteceram lá no final do século XIX, na Grã-Bretanha, e atingiram o apogeu durante a Primeira Guerra Mundial, quando elas levaram multidões aos estádios e quebraram a hegemonia masculina no futebol. Eram tempos de pluralidade, época em que as diferenças de gênero foram deixadas de lado em prol dos interesses da coroa britânica. Em 1920, por exemplo, mais de 50 mil pessoas viram uma partida do grande time da época, o Dick, Kerr’s Ladies. Mas, por culpa do preconceito e da “concorrência” com o futebol masculino, elas foram proibidas de continuar jogando já em 1921 pela Football Association. Na época, a desculpa foi: “o jogo de futebol é totalmente inadequado para o sexo feminino e não deveria ser encorajado”. Um absurdo. Tal insensatez durou cinco décadas. Nesse meio tempo, associações independentes foram criadas, inclusive na própria Inglaterra, mas nunca com o reconhecimento e fama que mereciam. Foi então que, em 1971, o banimento foi interrompido pela FA no mesmo ano em que a UEFA recomendou que seus países criassem ligas de futebol feminino, com a Itália sendo a primeira a ter sua própria liga de futebol profissional.

Dali em diante, o esporte cresceu, apareceu e, nos anos 1990, se consolidou e ganhou uma Copa do Mundo própria. Enfim, elas poderiam mostrar e provar do que eram capazes. A vitória sobre os ‘babacas’ do passado. O futebol era, sim, um esporte totalmente adequado para o sexo feminino. E, tanto no torneio mundial quanto nas Olimpíadas, vimos o surgimento de jogadoras simplesmente sensacionais, daquelas que deixam inclusive muito marmanjo no chinelo. Craques sublimes. Esquadrões impressionantes. E artilheiras devastadoras, sem dó nem piedade, cujas façanhas transformaram países sem tradição no futebol masculino em titãs do futebol feminino. Se os EUA nunca tiveram uma seleção de peso entre os homens, eles são os maiores campeões de todos os tempos entre as mulheres. Lembra de alguma façanha da Noruega no futebol – além de nunca ter perdido para o Brasil? Pois ela é campeã do mundo entre as mulheres. E, se a Ásia jamais venceu uma Copa entre os homens, o Japão possui em sua galeria de troféus um Mundial histórico conquistado em 2011. Isso sem falar na Alemanha, tão forte entre os homens, e igualmente poderosa entre as mulheres, com duas taças no currículo.

Com grandes histórias e recordes, a Copa do Mundo Feminina da FIFA chega em 2019 à sua 8ª edição, na França, cercada de expectativas e com o objetivo de ser o principal acontecimento esportivo do ano. E definitivamente é. Com 24 seleções, uso do VAR e tudo mais, o torneio terá tudo o que a Copa de 2018 teve. Inclusive grandes craques e seleções que buscam escrever capítulos ainda mais nobres no esporte. Por causa disso, o Imortais conta agora as histórias de todas as Copas, com as campeãs, as principais lendas, artilheiras, recordes, goleadas e muito mais! Boa leitura! 😀

 

Os primórdios

Mulheres levaram mais de 100 mil pessoas ao Azteca, em 1971.

 

Os esboços para um campeonato mundial feminino surgiram logo após o fim do banimento imposto pela FA, em 1971, quando a federação italiana criou um “campeonato mundial” patrocinado pela Martini e Rossi e sem qualquer suporte da FIFA ou outras federações, disputado por clubes. No mesmo ano, o México sediou uma competição de seleções também sem apoio da FIFA e com a participação de apenas seis equipes – México, Argentina, Inglaterra, Dinamarca, França e Itália. A Dinamarca foi a campeã ao vencer as anfitriãs por 3 a 0 com mais de 100 mil pessoas no Estádio Azteca, sede da final. Em 1978, o Taiwan passou a sediar a Chunghua Cup, disputada majoritariamente por clubes de futebol feminino. A competição teve quatro edições, com duas vitórias alemãs (Bergisch Gladbach), uma de chinesas (Chinese Taipei) e uma de francesas (Reims FF). Nos anos 1980, além da criação da Eurocopa Feminina (em 1984), o chamado Mundialito começou a ser organizado de maneira independente e se tornou o mais prestigiado torneio de futebol feminino na época. A primeira edição aconteceu em 1981, com triunfo da Itália sobre o Japão por 9 a 0. Aconteceram outras quatro edições, com duas vitórias para a Itália (1984 e 1986) e duas para a Inglaterra (1985 e 1988).

Percebendo uma crescente evolução no esporte, a FIFA, enfim, virou suas atenções para as mulheres e, em 1988, decidiu organizar um “Torneio Internacional de Futebol Feminino”, o Invitation Tournament, na China, como uma espécie de laboratório para ver qual caminho seguir. Participaram 12 seleções, entre elas o Brasil, que terminou na terceira colocação ao derrotar a China na disputa pelo bronze. A competição foi vencida pela favorita Noruega, campeã europeia em 1987, que bateu a Suécia por 1 a 0 em decisão apitada pelo brasileiro Romualdo Arppi Filho, presente, também, na final da Copa do Mundo masculina de 1986, quando a Argentina de Maradona venceu a Alemanha por 3 a 2.

O torneio de 1988 foi um sucesso e fez com que a entidade máxima do futebol organizasse, em 1991, a primeira edição oficial da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que iria obedecer a mesma periodicidade do torneio masculino – de quatro em quatro anos. A sede foi mais uma vez a China e participaram 12 seleções de seis confederações após Eliminatórias semelhantes às do futebol masculino. Uma curiosidade é que as partidas ainda tinham duração de 80 minutos (dois tempos de 40 minutos), e não 90, pelo fato de a FIFA acreditar que as jogadoras pudessem se desgastar muito. Outro fato curioso é que os uniformes ainda não eram tratados com o devido cuidado pelas fornecedoras de material esportivo. Não havia equipagens próprias para as mulheres e elas tinham que utilizar as mesmas camisas dos homens. Com isso, era comum ver as jogadoras com camisas enormes, às vezes quase cobrindo o braço. Enfim, eram detalhes que só seriam corrigidos nos anos seguintes. Mas será que a competição daria certo? Pode apostar que sim.

 

Copa do Mundo de 1991

País-sede: China

Campeã: EUA

Vice: Noruega

3º colocada: Suécia

4º colocada: Alemanha

Artilheira e Chuteira de Ouro: Michelle Akers (EUA) – 10 gols

Bola de Ouro: Carin Jennings (EUA)

Prêmio FIFA Fair Play: Alemanha

Maior goleada: Suécia 8×0 Japão

 

As 12 seleções participantes foram divididas em três grupos. As primeiras e segundas colocadas tinham vaga garantida nas quartas de final, bem como as duas melhores terceiras colocadas. E, se havia alguma dúvida do sucesso da primeira Copa do Mundo Feminina, ela foi colocada por terra logo nos primeiros jogos. Na estreia, a dona da casa levou 65 mil pessoas ao Tianhe Stadium, em Guangzhou, e goleou a poderosa Noruega por 4 a 0, um debute inesquecível para provar que a Copa havia chegado para ficar – a chinesa Ma Li foi a autora do primeiro gol da história dos Mundiais. No Grupo A, a China se garantiu com a primeira colocação após duas vitórias e um empate. Depois dela, vieram Noruega (duas vitórias e uma derrota) e Dinamarca, classificada como uma das terceiras melhores colocadas. No Grupo B, passaram EUA e Suécia, e, no Grupo C, Alemanha, Itália e Taiwan avançaram. Mesmo com a terceira posição no Grupo B (uma vitória e duas derrotas), o Brasil acabou eliminado por ter marcado um gol a menos que a seleção de Taiwan.

A seleção brasileira de 1991. Note o tamanho do uniforme!

 

No mata-mata, as seleções favoritas massacraram suas rivais, com destaque para os EUA, que fizeram 7 a 0 em Taiwan com o recorde de cinco gols marcados pela artilheira Michelle Akers. Nas semis, as estadunidenses despacharam a Alemanha com um categórico 5 a 2, e, na final, venceram a Noruega por 2 a 1 (com dois gols de Akers, sendo o segundo um golaço, após driblar a goleira), resultado que deu às Stars o primeiro título Mundial da história. A campanha da campeã foi impecável, com 100% de aproveitamento e a maior média de gols por jogo da história do torneio (4,16, igualada apenas pela Alemanha de 2003), além de revelar para o mundo craques de extremo talento como Mia Hamm, Kristine Lilly, Michelle Akers, Carin Jennings e April Heinrichs (capitã do time), estas três últimas as integrantes do ataque conhecido como “espada de três gumes”, com Akers centralizada e Jennings e Heinrichs como pontas. Akers foi a artilheira da Copa com 10 gols, seguida da alemã Heidi Mohr, com sete, e Linda Medelen (NOR) e Carin Jennings (EUA), com seis cada.

Festa das estadunidenses com o título da Copa de 1991.

 

O sucesso técnico e de público do primeiro Mundial foi tão grande que o futebol feminino foi incluído como esporte olímpico já nos Jogos de Atlanta, em 1996. E as primeiras medalhistas de ouro foram as estadunidenses.

As campeãs de 1991. Em pé: Joy Fawcett, Carla Overbeck, Debbie Belkin, Michelle Akers, Mary Harvey e April Heinrichs. Agachadas: Julie Foudy, Mia Hamm, Kristine Lilly, Shannon Higgins e Carin Jennings.

 

A campanha da campeã:

Primeira fase

EUA 3×2 Suécia

EUA 5×0 Brasil

EUA 3×0 Japão

Quartas de final: EUA 7×0 Taiwan

Semifinal: EUA 5×2 Alemanha

Final: EUA 2×1 Noruega

 

J

V E D GM GS SG
6 6 0 0 25 5

20

 

Copa do Mundo de 1995

País-sede: Suécia

Campeã: Noruega

Vice: Alemanha

3º colocada: EUA

4º colocada: China

Artilheira e Chuteira de Ouro: Ann Kristin Aarønes (NOR) – 6 gols

Bola de Ouro: Hege Riise (NOR)

Prêmio FIFA Fair Play: Suécia

Maior goleada: Noruega 8×0 Nigéria

 

Na primeira Copa com o tempo dos jogos estabelecido em 90 minutos de duração, as mulheres derrubaram a crença de que elas não aguentavam o mesmo tempo que os homens. A competição, realizada pela primeira vez na Europa, teve a Suécia como país-sede, que se tornou o primeiro a sediar tanto um Mundial masculino – em 1958, vencido pelo Brasil -, quanto o feminino. A dona da casa estreou justamente contra as canarinhas, e deu Brasil: 1 a 0, gol de Roseli. No entanto, a equipe sul-americana deu azar de cair em um grupo muito complicado e perdeu seus dois jogos seguintes – 2 a 1 para o Japão e 6 a 1 para a Alemanha. As classificadas daquele grupo foram as germânicas e as suecas. No Grupo B, a Noruega deu show e se classificou com três vitórias, incluindo uma goleada de 8 a 0 sobre a Nigéria, e outra sobre o Canadá (7 a 0). A mais magra vitória das norueguesas foi um 2 a 0 sobre a Inglaterra, que avançou na segunda posição. No Grupo C, as campeãs estadunidenses garantiram a primeira colocação com duas vitórias e um empate. China e Dinamarca também avançaram. No mata-mata, a anfitriã Suécia foi eliminada pela China nos pênaltis, enquanto Alemanha, EUA e Noruega não tiveram problemas para se garantir nas semis, que mostrou muito equilíbrio nos duelos e viu Alemanha e Noruega avançarem pelos placares mínimos. As germânicas venceram a China por 1 a 0 e a Noruega bateu as campeãs dos EUA pelo mesmo placar.

Linda Medalen, camisa 10 da Noruega e uma das destaques da equipe nórdica naquele Mundial.

 

Na decisão, disputada no histórico estádio Råsunda e debaixo de chuva, a Noruega venceu a Alemanha por 2 a 0, gols de Riise e Pettersen, que deram o primeiro título mundial ao país nórdico. Riise foi a grande craque do torneio e venceu a Bola de Ouro de melhor jogadora. E ela de fato mereceu pela incrível visão de jogo e capacidade de entender as partidas, dar passes e marcar gols – foram cinco ao longo da competição, um a menos que a artilheira e compatriota Aarønes. O título coroou a melhor geração da história da Noruega, que vinha de um título europeu em 1993 e venceria ainda a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1996.

Quem se destacou, também, foi uma prodígio de 17 anos que ainda iria brilhar intensamente nos anos seguintes: a alemã Birgit Prinz, atacante de extremo talento, decisiva, habilidosa e muito goleadora. Uma curiosidade é que aquela Copa teve o exato número de gols da edição anterior: 99, média superior a três gols por jogo.

A capitã Espeseth ergue a taça da Copa.

 

As campeãs de 1995. O Imortais não encontrou uma foto do time posado… 🙁

 

A campanha da campeã:

Primeira fase

Noruega 8×0 Nigéria

Noruega 2×0 Inglaterra

Noruega 7×0 Canadá

Quartas de final: Noruega 3×1 Dinamarca

Semifinal: Noruega 1×0 EUA

Final: Noruega 2×0 Alemanha

J

V E D GM GS SG
6 6 0 0 23 1

22

 

 

Copa do Mundo de 1999

País-sede: EUA

Campeã: EUA

Vice: China

3º colocada: Brasil

4º colocada: Noruega

Artilheiras e Chuteiras de Ouro: Sissi (BRA) e Sun Wen (CHN) – 7 gols cada

Bola de Ouro: Sun Wen (CHN)

Prêmio FIFA Fair Play: China

Maior goleada: China 7×0 Gana

 

Na primeira Copa realizada nas Américas, não havia lugar melhor para aquela festa: os EUA, terra de uma das melhores seleções do planeta e ainda sob os louros do sucesso das Olimpíadas de 1996 e da Copa do Mundo masculina de 1994. Com quatro seleções a mais que nas outras Copas – foram 16 participantes – o torneio bateu recordes de audiência e lotou os estádios. Além disso, a competição ganhou um novo troféu, confeccionado em Milão e bem mais bonito que o anterior. Ele iria representar em definitivo a competição e tinha como objetivo mostrar o “dinamismo, o lado atlético e a elegância do futebol feminino”, segundo seus criadores, William Sawaya, Sawaya & Moroni.

Muito popular, o futebol feminino era uma das paixões dos estadunidenses e eles fizeram questão de prestigiar as partidas, que tiveram um nível técnico muito elevado, partidas eletrizantes e ainda a quebra do recorde de gols na época: 123 em 32 jogos, média de 3,84 por partida. No Grupo A, as donas da casa estrearam com vitória por 3 a 0 sobre a Dinamarca e garantiram a primeira colocação com mais dois triunfos: 7 a 1 sobre a Nigéria e 3 a 0 sobre a Coreia do Norte. A surpresa foi a seleção nigeriana, que se tornou a primeira africana a se classificar para o mata-mata ao derrotar a Coreia do Norte (2 a 1) e a Dinamarca (2 a 0).

EUA e Brasil fizeram o jogo mais esperado daquela Copa.

 

No Grupo B, o Brasil, enfim, conseguiu a classificação com sua melhor seleção já formada até então, com nomes como Sissi, Kátia Cilene, Formiga e Pretinha. Logo na estreia, as canarinhas golearam o México por 7 a 1 – diante de 78 mil pessoas no Giants Stadium! Em seguida, bateram a Itália por 2 a 0 e empataram em 3 a 3 com a Alemanha, num dos maiores jogos daquele Mundial. A equipe brasileira se classificou em primeiro lugar com sete pontos, seguida da Alemanha, em segundo, com cinco.

No Grupo C, a então campeã Noruega passou em primeiro lugar com três vitórias em três jogos, com mais sete gols pra cima do Canadá – 7 a 1 (em 1995, elas venceram por 7 a 0) -, um 5 a 0 sobre o Japão e 2 a 1 sobre a Rússia, que se classificou em segundo lugar. No Grupo D, a favorita China avançou com 100% após vencer Suécia (2 a 1), Gana (7 a 0) e Austrália (3 a 1).

No mata-mata, os duelos foram recheados de gols e grandes emoções. As estadunidenses venceram as alemãs nas quartas por 3 a 2, de virada. A China passou pela Rússia (2 a 0), a Noruega despachou a Suécia (3 a 1) e o Brasil venceu a Nigéria em um angustiante 4 a 3, com direito a Gol de Ouro marcado pela artilheira Sissi. Na semifinal, aconteceu o aguardado duelo entre EUA e Brasil, duas das equipes que jogavam o melhor futebol do torneio. Mas a experiência das anfitriãs, além do maciço apoio da torcida em Stanford, falaram mais alto. Elas venceram por 2 a 0 e carimbaram a vaga na final. As canarinhas não se abateram e venceram a Noruega – derrotada por 5 a 0 pela China na semifinal – na disputa do 3º lugar por 5 a 4 nos pênaltis, após empate sem gols no tempo regulamentar. Foi a melhor colocação da história da equipe na época e que inspirou muitas garotas a praticar futebol no país, embora o incentivo por parte da CBF e dos clubes fosse simplesmente esdrúxulo – o que ainda é, infelizmente.

A grande final colocou frente a frente as melhores seleções do planeta, finalistas inclusive das Olimpíadas de 1996. Como não poderia deixar de ser, a decisão foi um verdadeiro acontecimento nos EUA, com shows pirotécnicos, de aviões-caça no céu e intensa cobertura midiática. Mas o principal destaque estava ali, nas arquibancadas: 90.185 pessoas abarrotaram o lendário Rose Bowl, protagonizando o maior público em um evento esportivo feminino em todos os tempos! Insuperável! Único! Com aquele sol impressionante e uma atmosfera contagiante, não havia uma pessoa que não deixava a emoção aflorar. Quando a bola rolou, a partida demonstrou o equilíbrio absurdo entre as equipes. Era um verdadeiro thriller, e a bola teimava em não entrar nas poucas chances criadas. Sem gols também na prorrogação, a Copa foi decidida nos pênaltis, curiosamente da mesma maneira que o torneio masculino de 1994, também nos EUA e no mesmo estádio, entre Brasil e Itália.

Na marca da cal, todas foram convertendo suas cobranças até a chinesa Liu Ying ver a goleira Briana Scurry defender seu chute, o terceiro da China. O aproveitamento seguiu 100% até chegar a vez de Brandi Chastain. Se ela fizesse, a seleção dos EUA seria a primeira bicampeã da história. A lateral bateu, fez, e, num gesto “voluntariamente insano”, segundo a própria, tirou a camisa para comemorar e ganhou as manchetes de todo o mundo pelo ato surpreendente. Mas ela não estava nem aí. Afinal, ela era campeã do mundo. “Nada mais, nada menos. Eu não estava pensando em nada! Perdi totalmente o controle!”, disse a jogadora em entrevista ao Daily News (EUA), em 11 de julho de 1999.

Brandi Chastain e a imagem que entrou para a história. Foto: Robert Beck/Sports Illustrated.

 

Foto: Lacy Atkins / AP.

 

Foi a coroação de uma equipe que mesclava a experiência do time campeão em 1991 e medalhista olímpico em 1996 com a juventude de craques que surgiam naquela virada de milênio. E foi, também, a consagração definitiva de Mia Hamm como uma imortal do futebol, craque fenomenal, inspiração de inúmeras atletas e que ajudou a impulsionar ainda mais o esporte não só nos EUA, mas em vários países como um símbolo daquela geração vitoriosa e do futebol feminino em geral. Campeã em 1991 como lateral-direita, a craque foi jogar mais avançada, no ataque, e passou a marcar gols e usar sua técnica e visão de jogo na construção das mais variadas jogadas. Além de Hamm, outras cinco remanescentes do time campeão em 1991 estavam na conquista de 1999: Akers, Lilly, Fawcett, Overbeck e Foudy.

Mia Hamm, craque dos EUA, beija a taça da FIFA de 1999.

 

Mesmo com tantas jogadoras de talento, quem abocanhou os principais títulos individuais foram craques de outras equipes. Sun Wen, maior jogadora chinesa de todos os tempos e eleita pela FIFA Melhor Jogadora do Século XX (juntamente com a estadunidense Michelle Akers), venceu a Bola de Ouro de melhor jogadora e foi uma das artilheiras do torneio com sete gols, ao lado da brasileira Sissi, vencedora da Chuteira de Ouro. Mas, naqueles anos 1990, ninguém podia com as estadunidenses. No entanto, o novo milênio iria promover o surgimento de uma nova força…

As campeãs de 1999. Em pé: Joy Fawcett, Kate Sobrero, Cindy Parlow, Michelle Akers, Brandi Chastain e Briana Scurry. Agachadas: Tiffeny Milbrett, Kristine Lilly, Mia Hamm, Julie Foudy e Carla Overbeck.

 

A campanha da campeã:

 

Primeira fase

EUA 3×0 Dinamarca

EUA 7×1 Nigéria

EUA 3×0 Coreia do Norte

Quartas de final: EUA 3×2 Alemanha

Semifinal: EUA 2×0 Brasil

Final: EUA 0x0 China (5 a 4 nos pênaltis)

J

V E D GM GS SG
6 5 1 0 18 3

15

 

Copa do Mundo de 2003

País-sede: EUA

Campeã: Alemanha

Vice: Suécia

3º colocada: EUA

4º colocada: Canadá

Artilheira e Chuteira de Ouro: Birgit Prinz (ALE) – 7 gols

Bola de Ouro: Birgit Prinz (ALE)

Prêmio FIFA Fair Play: China

Maiores goleadas: Noruega 7×1 Coreia do Sul e Alemanha 7×1 Rússia

 

Na primeira Copa do novo milênio, o futebol feminino já era muito mais reconhecido do que no começo dos anos 1990. A FIFA passou a conceder o prêmio de Melhor Jogadora do Mundo do Ano a partir de 2001 – Mia Hamm era a atual bicampeã – e as emissoras de TV passavam cada vez mais jogos, além do esporte se consolidar de vez nos Jogos Olímpicos. O torneio de 2003 foi realizado mais uma vez nos EUA, mas por causa de um imprevisto: a China, país-sede daquele ano, teve que abdicar da realização do torneio por causa da epidemia de SARS (síndrome respiratória aguda grave, da sigla em inglês) que acometeu o país na época. Por isso, a FIFA teve que mudar o local da Copa emergencialmente e aproveitou a ótima estrutura estadunidense para realizar o torneio mais uma vez na América do Norte. Como compensação, a competição de 2007 seria realizada na China.

Por causa do pouco tempo de planejamento, a organização teve que escolher estádios mais enxutos para a Copa daquele ano. Isso fez com que gigantes como o Rose Bowl acabassem de fora. O maior estádio da competição seria o Lincoln Financial Field, na Filadélfia, com capacidade para 68 mil pessoas. No entanto, a final estava marcada para o acanhado Home Depot Center, na Califórnia, com capacidade para pouco mais de 26 mil espectadores. O torneio teve mais uma vez 16 equipes participantes divididas em quatro grupos. As donas da casa, claro, eram as favoritas, mas havia uma equipe bem cotada que merecia destaque: a Alemanha, campeã europeia em 1997 e 2001 e com jogadoras que há muito tempo se destacavam no cenário futebolístico mundial, principalmente a atacante Birgit Prinz, uma virtuose com a bola nos pés e goleadora voraz.

Birgit Prinz, talento maior da Alemanha de 2003.

 

No Grupo A, a seleção dos EUA, comandada pela técnica April Heinrichs e já sem Akers e outras craques, ainda tinha muita força com Mia Hamm e Lilly, além da atacante Wambach crescendo de produção e firme no time titular. As Stars mantiveram o favoritismo e se classificaram em primeiro lugar após vitórias sobre Suécia (3 a 1), Nigéria (5 a 0) e Coreia do Norte (3 a 0). As suecas avançaram na segunda colocação. No Grupo B, o Brasil foi líder após derrotar a Coreia do Sul (3 a 0), a Noruega (que avançou em segundo lugar) com um categórico 4 a 1 e empatar em 1 a 1 com a França. A equipe canarinha via despontar naquele ano uma tal de Marta…

Mas foi no Grupo C que o Mundial começou a ver uma devastação. A Alemanha simplesmente não tomou conhecimento de suas rivais e só goleou: fez 4 a 1 no Canadá, 3 a 0 no Japão e 6 a 1 na Argentina, com Prinz marcando gols nos três jogos. O Canadá se classificou em segundo lugar, mas a força das germânicas era notável. No Grupo D, a China se classificou em primeiro lugar com um futebol bem mais burocrático que quatro anos atrás, marcando apenas três gols nos três jogos que disputou e vencendo dois deles pela contagem mínima. A Rússia avançou em segundo.

Maren Meinert (à dir.), craque alemã.

 

Nas quartas de final, Wambach fez o gol da classificação das anfitriãs sobre a Noruega por 1 a 0. Já a equipe do Brasil acabou eliminada pela Suécia após derrota por 2 a 1. A China mostrou que a grande equipe dos anos 1990 não era mais a mesma e foi eliminada pela surpreendente seleção canadense, que venceu por 1 a 0. Para completar as classificadas, a Alemanha fez outra vítima: 7 a 1 na Rússia, com dois gols de Prinz, dois de Garefrekes, um de Martina Müller, um de Minnert e outro de Wunderlich. Elena Danilova fez o gol de honra de sua seleção e também conseguiu alcançar um recorde: ela se tornou naquele (fatídico!) jogo a jogadora mais jovem a marcar um gol na história dos Mundiais, com apenas 16 anos e 96 dias.

Nas semis, a Suécia venceu o Canadá por 2 a 1 e alcançou sua primeira final. Mas ninguém tinha dúvidas que a futura campeã iria sair do duelo entre Alemanha e EUA, em Portland. As europeias abriram o placar aos 15’, com Garefrekes, de cabeça. O jogo seguiu muito tenso, com as donas da casa indo para o tudo ou nada e as germânicas muito bem postadas atrás. Até que, nos acréscimos da segunda etapa, Meinert recebeu da esquerda e, livre, chutou no canto da goleira para decretar a classificação alemã para a final. Mas ainda teve tempo para Prinz, em contra-ataque iniciado após as Stars perderem um gol sem goleira, fazer o terceiro e fechar a conta: 3 a 0. Foi a então pior derrota dos EUA na história das Copas. E justamente em casa. O revés decretou o fim das últimas remanescentes da geração bicampeã dos anos 1990. E simbolizou uma nova era no futebol feminino mundial.

Na decisão, a Alemanha venceu a Suécia por 2 a 1, com um Gol de Ouro marcado por Künzer, aos 98’, na primeira e única Copa decidida dessa maneira – a FIFA extinguiu o Gol de Ouro tempo depois. Foi o primeiro título da Alemanha na história das Copas e que coroou uma campanha irretocável com 100% de aproveitamento e um ataque devastador que atingiu a mesma marca dos 4,16 gols por jogo dos EUA de 1991: foram 25 gols em seis jogos. Birgit Prinz foi a primeira jogadora a vencer os prêmios de Melhor Jogador e também de Artilheira da Copa (sem compartilhar com ninguém). Fim de uma era? Que nada. As alemãs estavam só começando…

As campeãs de 2003. Em pé: Steffi Jones, Birgit Prinz, Kerstin Stegemann, Stefanie Gottschlish, Sandra Minnert e Kerstin Garefrekes. Agachadas: Maren Meinert, Renate Lingor, Silke Rottenberg, Ariane Hingst e Bettina Wiegmann. (Photo by Elsa/Getty Images).

 

A campanha da campeã:

Primeira fase

Alemanha 4×1 Canadá

Alemanha 3×0 Japão

Alemanha 6×1 Argentina

Quartas de final: Alemanha 7×1 Rússia

Semifinal: Alemanha 3×0 EUA

Final: Alemanha 2×1 Suécia (com Gol de Ouro)

J

V E D GM GS SG
6 6 0 0 25 4

21

 

 

Copa do Mundo de 2007

País-sede: China

Campeã: Alemanha

Vice: Brasil

3º colocada: EUA

4º colocada: Noruega

Artilheira e Chuteira de Ouro: Marta (BRA) – 7 gols

Bola de Ouro: Marta (BRA)

Prêmio FIFA Fair Play: Noruega

Maior goleada: Alemanha 11×0 Argentina

 

Após o fim da epidemia de SARS, enfim a China pôde organizar a Copa do Mundo Feminina pela segunda vez, assim como fez lá na primeira edição, em 1991. A anfitriã não era mais uma força como antes, por isso, estava longe das favoritas. Detentora do título, a Alemanha fez uma estreia simplesmente inesquecível e destruidora, daquelas que não vemos todos os dias. No Grupo A, as germânicas golearam a Argentina por impressionantes 11 a 0, com cinco gols no primeiro tempo e outros seis na segunda etapa. Prinz e Smisek marcaram três gols cada uma, Behringer e Lingor fizeram dois cada e Garefrekes anotou um. Foi a maior goleada da história das Copas, e também de todas das Copas se juntarmos a masculina. No duelo seguinte, as européias empataram sem gols com a Inglaterra (que se classificou em 2º lugar), mas garantiram o primeiro lugar com a vitória por 2 a 0 sobre o Japão. Tetracampeã consecutiva da Eurocopa, a Alemanha simplesmente não tinha rivais em seu continente e tratava a Copa do Mundo e as Olimpíadas como principais desafios, nos quais ela realmente poderia encarar algum adversário mais poderoso. Com uma base multi vencedora, as alemãs jogavam muita bola, principalmente as estrelas Prinz (três vezes Melhor do Mundo pela FIFA, em 2003, 2004 e 2005), Lingor, Garefrekes e a goleira Nadine Angerer.

A brasileira Marta foi uma das principais jogadoras da Copa de 2007.

 

Mas, quando se trata de Copa do Mundo, a seleção dos EUA sempre é uma oponente fortíssima. A equipe americana passava por uma reformulação naquela época e tinha uma equipe um pouco diferente do time de 2003. No gol, se destacava a estonteante Hope Solo. No meio, Carli Lloyd era uma das principais revelações do futebol do país. E, no ataque, Heather O’Reilly e Lindsay Tarpley figuravam entre as opções para formar dupla com Abby Wambach, perigosíssima no ataque e goleadora nata. O time, que era comandado por Greg Ryan, ainda estava se entrosando e isso foi visível na campanha da primeira fase. Na estreia, um empate em 2 a 2 com a Coreia do Norte surpreendeu a todos. Era raro ver aquela equipe não vencer. Será que o revés para a Alemanha lá em 2003 ainda ecoava? Na partida seguinte, Wambach garantiu a vitória por 2 a 0 sobre a Suécia, e Chalupny fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Nigéria, no terceiro duelo, que classificou as Stars em primeiro lugar. A Coreia terminou na segunda posição e conseguiu uma inédita vaga nas quartas de final.

No Grupo C, Noruega e Austrália conquistaram as vagas para a segunda fase, com destaque para as nórdicas, que golearam Gana por 7 a 2. E, no Grupo D, o show ficou por conta da equipe do Brasil, prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, e uma das favoritas. Marta, Cristiane e Daniela eram algumas das estrelas canarinhas. E, na estreia, a equipe fez 5 a 0 na Nova Zelândia. No duelo seguinte, outra goleada: 4 a 0 na China, com dois gols de Marta e dois de Cristiane. No último jogo, a veterana Pretinha fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Dinamarca que garantiu a primeira posição e os 100% ao time brasileiro. As anfitriãs chinesas se garantiram nas quartas com a segunda colocação.

Nas quartas de final, a Alemanha despachou a Coreia do Norte por 3 a 0, mesmo placar da vitória dos EUA sobre a Inglaterra. A Noruega venceu a China por 1 a 0 e conseguiu uma vaga na semifinal, e o Brasil carimbou sua vaga com a vitória por 3 a 2 em um difícil duelo contra a Austrália. Nas semis, a reedição da final de 1995 foi vista entre Alemanha e Noruega. E, diferente do duelo de 12 anos atrás, as germânicas golearam por 3 a 0 e se garantiram em mais uma decisão. Do outro lado, o jogo mais esperado: Brasil x EUA. Era a reedição da final olímpica de 2004. As brasileiras estavam engasgadas com as estadunidenses. E deram o troco com um show histórico. Lembra que citei que a derrota por 3 a 0 das Stars para a Alemanha, em 2003, havia sido a pior da equipe em Copas? Pois ela caiu por terra no dia 27 de setembro de 2007. O Brasil venceu por inapeláveis 4 a 0, com dois gols de Marta, um de Cristiane e um contra de Osbourne. Foi uma vitória impressionante e que serviu para colocar as canarinhas até como favoritas ao título. E sacramentou a maior derrota da história da seleção de futebol feminino dos EUA em todos os tempos. Era também a primeira vez que uma seleção da América do Sul chegava a uma final de Copa.

A decisão, disputada no Hongkou Stadium, era uma “reedição, mas feminina” da final da Copa de 2002: Brasil e Alemanha. E, num daqueles dias em que tudo dá errado, as canarinhas perderam um pênalti e sucumbiram diante da eficiência alemã, que venceu por 2 a 0, gols de Prinz e Laudehr, resultado que fez da equipe europeia a primeira bicampeã consecutiva da história, além de Prinz se tornar a primeira jogadora a disputar três finais de Copas. Mas a grande façanha daquela seleção foi no gol. A camisa 1 Nadine Angerer passou o Mundial inteiro sem levar um tento sequer. Isso mesmo. Foi a primeira e única vez que uma seleção não foi buscar a bola dentro de sua meta. Algo incrível jamais repetido desde então. A brasileira Marta, mesmo com a decepção do vice e de ter perdido um pênalti na final, foi eleita a Melhor Jogadora do torneio e também faturou o prêmio de Chuteira de Ouro, repetindo a dobradinha de prêmios da alemã Birgit Prinz, em 2003. A brasileira ainda faturou o prêmio de Melhor Jogadora do Mundo da FIFA pela segunda vez naquele ano de 2007, algo que seria repetido nos três anos seguintes.

 

As campeãs de 2007. Em pé: Sandra Minnert, Nadine Angerer, Birgit Prinz, Linda Bresonik e Kerstin Garefrekes. Agachadas: Kerstin Stegemann, Ariane Hingst, Renate Lingor, Melanie Behringer, Sandra Smisek e Simone Laudehr. (Foto: Getty Images).

 

A campanha da campeã:

Primeira fase

Alemanha 11×0 Argentina

Alemanha 0x0 Inglaterra

Alemanha 2×0 Japão

Quartas de final: Alemanha 3×0 Coreia do Norte

Semifinal: Alemanha 3×0 Noruega

Final: Alemanha 2×0 Brasil

J

V E D GM GS SG
6 5 1 0 21 0

21

 

 

Copa do Mundo de 2011

País-sede: Alemanha

Campeã: Japão

Vice: EUA

3º colocada: Suécia

4º colocada: França

Artilheira e Chuteira de Ouro: Homare Sawa (JAP) – 5 gols

Bola de Ouro: Homare Sawa (JAP)

Prêmio FIFA Fair Play: Japão

Maiores goleadas: Japão 4×0 México e França 4×0 Canadá

 

A Copa voltou à Europa depois de 16 anos e teve como sede a Alemanha, terra da então bicampeã mundial. Foi um torneio com plena infraestrutura e a maior quantidade de estádios à disposição da história: nove, espalhados por nove cidades diferentes. Mas, ao contrário de outras edições, a competição não teve nenhuma goleada arrebatadora. Foi talvez o Mundial mais equilibrado da história, com jogos muito parelhos, o que refletiu um progresso do esporte como um todo e seleções mais preparadas. Prova disso é que a Copa de 2011 foi a com menor quantidade de gols marcados (86) e a menor média de gols por jogo (2,69). No Grupo A, a dona da casa cumpriu as expectativas e se classificou em primeiro lugar com três vitórias, bem mais econômicas que as dos títulos de 2003 e 2007: 2 a 1 no Canadá, 1 a 0 na Nigéria e 4 a 2 na França, que garantiu pela primeira vez uma vaga no mata-mata com a segunda posição. No Grupo B, a Inglaterra surpreendeu e se classificou em primeiro lugar, com duas vitórias e um empate. Quem também se garantiu nas quartas de final foi o Japão, que mostrou uma boa evolução se comparado com as últimas participações nipônicas ao vencer a Nova Zelândia por 2 a 1, golear o México por 4 a 0 e só perder para a líder Inglaterra por 2 a 0.

Japão surpreendeu e venceu a Alemanha no mata-mata.

 

No Grupo C, a Suécia se garantiu na primeira posição com três vitórias em três jogos e deixou na segunda colocação ninguém mais ninguém menos que a seleção dos EUA, que mantinha a base da equipe campeã olímpica em 2008 e bronze na Copa de 2007, além de novas jogadoras entre as titulares como Alex Morgan e Rapinoe. As Stars venceram a Coreia do Norte (2 a 0) e a Colômbia (3 a 0), mas perderam para as suecas por 2 a 1. Por fim, no Grupo D, o Brasil fez a melhor campanha entre as seleções da primeira fase com três vitórias e nenhum gol sofrido ao bater Austrália (1 a 0), Noruega (3 a 0) e Guiné Equatorial (3 a 0).

Nas quartas de final, o equilíbrio continuou e apenas um dos quatro jogos não foi para a prorrogação: o embate entre Suécia e Austrália, vencido pelas europeias por 3 a 1. Em Wolfsburg, o Japão conseguiu uma surpreendente vitória por 1 a 0 sobre a anfitriã Alemanha e encerrou a hegemonia das germânicas na competição. O gol foi marcado por Maruyama, na prorrogação, em um belo tento que começou a ser construído lá no campo de defesa. Na outra partida daquela fase, Inglaterra e França empataram em 1 a 1 no tempo normal e as francesas venceram nos pênaltis por 4 a 3, conquistando uma histórica classificação para a semifinal.

Por fim, mais um duelo entre EUA e Brasil marcou a história dos Mundiais. Com uma rivalidade enorme por causa dos assíduos encontros naqueles anos – incluindo a final olímpica de 2008 – o jogo terminou 1 a 1 no tempo normal e foi para a prorrogação. Nela, Marta colocou o Brasil na frente logo no comecinho do primeiro tempo e o placar de 2 a 1 parecia consolidado até os acréscimos da segunda etapa. Bem, só parecia, pois quando se tem uma atacante como Abby Wambach, você nunca fica na mão. Foi dela o gol aos 120’ + 2’, de cabeça, após cruzamento perfeito de Rapinoe, que empatou o jogo para os EUA e levou a partida para os pênaltis. Mais equilibradas, as estadunidenses venceram por 5 a 3 e despacharam o Brasil mais uma vez…

Wambach sobe e marca o gol dos EUA no último minuto da prorrogação. Foto: Hannibal Hanschke/European Pressphoto Agency.

 

 

Nos pênaltis, brilhou a estrela de Hope Solo, que defendeu o chute de Daiane (foto). Robert Michael/Agence France-Presse — Getty Images.

 

Na semifinal, a França bem que tentou, mas não conseguiu superar as Stars, que venceram por 3 a 1, com mais um gol da artilheira Wambach. Do outro lado, as meninas japonesas outra vez provaram que estavam dispostas a fazer história e venceram a Suécia por 3 a 1, com dois gols de Kawasumi e um da brilhante meio-campista Sawa, capitã e líder daquele time. Era a primeira vez que a seleção nipônica chegava a uma final. E, como não poderia deixar de ser, as japonesas monopolizaram a torcida alemã na grande decisão, disputada em Frankfurt.

Wambach e Solo foram fundamentais para a classificação dos EUA à final. Foto: Thomas Lohnes/dapd.

 

No primeiro tempo, as Stars tentaram de todas as formas abrir o placar, mas a falta de pontaria e o travessão – em um chute de Wambach – não deixaram. No segundo tempo, a pressão estadunidense continuou até que Rapinoe – como estava jogando a meia dos EUA! – engatilhou um contra-ataque e fez um lançamento perfeito para Morgan, que dominou, invadiu a grande área e chutou de perna esquerda para marcar um golaço: 1 a 0. Mas o Japão deu o troco. Após erro na saída de bola pela esquerda, as asiáticas engatilharam um ataque e, após novo erro da defesa estadunidense, Miyama não perdoou e empatou: 1 a 1. O duelo foi para a prorrogação e Wambach, de cabeça, fez 2 a 1 para os EUA. Mas a equipe do Japão estava iluminada. Faltando três minutos para o fim, Sawa apareceu como um foguete após cobrança de escanteio e empatou: 2 a 2.

A capitã japonesa Sawa (à esq.) liderou sua seleção rumo ao título de 2011. Foto: Christof Stache/AFP/Getty Images.

 

Com isso, a final foi para as penalidades, assim como a cardíaca decisão de 1999 – curiosamente também com as estadunidenses. No entanto, quem ficou com a vitória foi a equipe japonesa, que viu a goleira Kaihori defender os chutes de Boxx e Heath e ainda Lloyd mandar para fora. Só Wambach converteu seu chute. Miyama, Sakaguchi e Kumagai fizeram seus gols e o Japão venceu por 3 a 1, conquistando pela primeira vez o título da Copa do Mundo da FIFA, a primeira do futebol asiático a vencer um torneio desse porte. A festa foi enorme em Frankfurt e a equipe nipônica conquistou todos os torcedores com a alegria e emoção demonstradas naquela final. Foi simplesmente histórico!

Homare Sawa, capitã japonesa, foi eleita a melhor jogadora e também levou a Chuteira de Ouro de artilheira da Copa com cinco gols. Foi a primeira derrota em uma final de Copa na história das estadunidenses, que já passavam por um longo jejum de mais de uma década sem títulos mundiais, algo inédito para elas. De quebra, mostrava que o futebol feminino podia, sim, ter outras protagonistas, de diferentes estilos de jogo e diferentes partes do mundo. Enfim, o esporte estava globalizado!

 

As campeãs de 2011. Em pé: Homare Sawa, Kozue Ando, Azusa Iwashimizu, Saki Kumagai, Mizuho Sakaguchi e Ayumi Kaihori. Agachadas: Aya Sameshima, Yukari Kinga, Aya Miyama, Shinobu Ohno e Nahomi Kawasumi.

 

A campanha da campeã:

Primeira fase

Japão 2×1 Nova Zelândia

Japão 4×0 México

Japão 0x2 Inglaterra

Quartas de final: Japão 1×0 Alemanha (na prorrogação)

Semifinal: Japão 3×1 Suécia

Final: Japão 2×2 EUA (3 a 1 nos pênaltis)

J

V E D GM GS SG
6 4 1 1 12 6

6

 

 

Copa do Mundo de 2015

País-sede: Canadá

Campeã: EUA

Vice: Japão

3º colocada: Inglaterra

4º colocada: Alemanha

Artilheira e Chuteira de Ouro: Célia Sasic (ALE) – 6 gols (OBS.: Carli Lloyd, dos EUA, também marcou seis gols, mas jogou mais tempo que a alemã. Por isso, a europeia ficou com o troféu)

Bola de Ouro: Carli Lloyd (EUA)

Prêmio FIFA Fair Play: França

Maior goleada: Alemanha 10×0 Costa do Marfim

 

Pela primeira vez desde 1999, a Copa do Mundo teve um aumento no número de seleções participantes. De 16 equipes em 2011, o torneio passou a receber 24 seleções naquele ano de 2015, dando à competição pela primeira vez uma fase eliminatória extra: as oitavas de final. Divididas em seis grupos com quatro, as primeiras e segundas colocadas teriam vaga garantida. As quatro melhores terceiras colocadas iriam completar as 16 seleções classificadas para as oitavas de final. Com mais times e mais jogos, os gols voltaram a sair e a Copa de 2015 bateu o recorde de tentos marcados na história: foram 146, embora a média de gols tenha ficado abaixo de outras médias históricas: 2,81 gols por jogo, um pouco a mais do que a de 2011.

O pôster da Copa de 2015 ficou simplesmente sensacional! 😀

 

Foi a Copa com mais jogadoras marcando gols – 90 atletas diferentes! – e também a primeira Copa a utilizar a “Goal Line Technology”, que detectava se a bola realmente cruzou a linha do gol ou não. Além disso, o torneio foi o primeiro a ter jogos disputados em gramados artificiais, mas tal fato gerou muitas críticas por causa do risco de lesões e a alta temperatura do “gramado” registrada em alguns jogos – cerca de 49º C! As críticas foram tão grandes que a craque Abby Wambach, dos EUA, liderou um movimento de jogadoras contrárias à grama sintética na Copa que motivou o envio de uma carta à FIFA por direitos iguais aos dos homens, que sempre jogaram em gramados tradicionais – elas se basearam em uma lei canadense que proíbe qualquer discriminação de gênero.

No entanto, mesmo com o apoio de celebridades como o ator Tom Hanks e o astro do basquete Kobe Bryant, a entidade máxima do futebol não acatou o processo e usou suas artimanhas jurídicas para embargar as reclamações. Felizmente, pelo menos duas coisas elas conseguiram: a grama sintética do estádio da final seria trocada por uma melhor e a Copa de 2019 seria em grama normal.

Hope Solo, dos EUA, buscava em 2015 o título que escapou em 2011.

 

A sede do torneio começou a ser definida em 2010, e o Canadá acabou ficando com a Copa pelo fato de seu concorrente, o Zimbábue, não oferecer condições econômicas e organizacionais adequadas, além da instabilidade política do país.

Em campo, as favoritas não tiveram dificuldades e garantiram suas vagas no mata-mata. No Grupo A, Canadá, China e Holanda ficaram com as vagas. No Grupo B, as ex-campeãs Alemanha e Noruega passaram sem sustos sobre Tailândia e Costa do Marfim, com destaque para a goleada de 10 a 0 das germânicas sobre as africanas logo na primeira rodada. No Grupo C, o então campeão Japão avançou com três vitórias. Camarões e Suíça também avançaram. O Equador, estreante no Mundial, acabou na última posição e com o recorde negativo de gols sofridos: 17, sendo 10 da Suíça, seis de Camarões e um do Japão. No Grupo D, as estadunidenses ficaram em primeiro lugar com duas vitórias (3 a 1 na Austrália e 1 a 0 na Nigéria) e um empate (0 a 0 com a Suécia). Além delas, avançaram também Austrália e Suécia. No Grupo E, Brasil e Coreia do Sul ficaram com as vagas, e, no Grupo F, França, Inglaterra e Colômbia garantiram seus lugares entre as 16 melhores.

Na segunda fase, a Alemanha confirmou o favoritismo e despachou a Suécia por 4 a 1. A China eliminou Camarões (1 a 0), mesmo placar da vitória da Austrália sobre o Brasil, que provou não ter mais a força dos torneios anteriores – nem a lenda e capitã Marta ajudou… A França, em ascensão desde a Copa de 2011, venceu a Coreia do Sul por 3 a 0 e se classificou. A anfitriã Canadá bateu a Suíça (1 a 0), a Inglaterra venceu a Noruega por 2 a 1, a equipe dos EUA eliminou a Colômbia com uma vitória por 2 a 0 e o Japão venceu a Holanda por 2 a 1.

Nas quartas de final, Alemanha e França reeditaram um confronto histórico nas Copas masculinas também na edição feminina. As equipes empataram em 1 a 1 e levaram a decisão para os pênaltis. E, assim como no torneio masculino, de novo a Alemanha venceu: 5 a 4, com a goleira Angerer defendendo a última cobrança da francesa Lavogez. Em outra reedição de final de Copa, a equipe dos EUA encarou a China e venceu por 1 a 0, gol de Carli Lloyd, em grande fase naquele Mundial. Também pela contagem mínima, o Japão venceu a Austrália e a Inglaterra eliminou a anfitriã Canadá por 2 a 1.

As Stars, de Carli Lloyd (capitã, ao centro), chegaram na final de 2015 jogando o ótimo futebol de sempre.

 

Na semifinal, um jogaço entre EUA e Alemanha, duelo de duas bicampeãs e seleções fortíssimas que sempre brigam pela taça em qualquer Copa. E, como forma de vingar a eliminação de 2003, as Stars venceram por 2 a 0, gols de Lloyd e O’Hara, e carimbaram a vaga em mais uma final, a segunda seguida. De quebra, a goleira Hope Solo alcançaria o recorde de 540 minutos sem levar gols da alemã Angerer, de 2007, ao completar o quinto jogo seguido sem buscar a bola em seu gol e permanecer assim por mais alguns minutos na decisão. Do outro lado da chave, o Japão venceu a Inglaterra por 2 a 1 e fez com que a Copa tivesse pela primeira vez na história uma final repetida. E seguida!

No dia 05 de julho de 2015, o estádio BC Place, em Vancouver, viu a maior e mais empolgante final da história dos Mundiais. Em um lindo dia de sol, as atletas de EUA e Japão protagonizaram um jogo de sete gols, com recordes, uma atuação de gala de uma jogadora e a consagração do país que mais valoriza e investe no futebol feminino em todo o planeta. Em apenas cinco minutos, a capitã Carli Lloyd fez dois gols e colocou as Stars na frente, mostrando que sua equipe queria a revanche de 2011 – embora parte dela havia sido conquistada com o Ouro Olímpico nos Jogos de 2012, quando as Stars venceram o Japão por 2 a 1.

Alex Morgan (à esq.) em ação na final de 2015.

 

Holiday, aos 14’, fez o terceiro gol das estadunidenses, irresistíveis e com ampla torcida no estádio – muito pelo fato de a Copa ser no vizinho Canadá. Um minuto depois, Carli Lloyd fez talvez um dos gols mais bonitos da história das Copas. Ela roubou a bola no meio de campo, percebeu a goleira japonesa adiantada e chutou dali mesmo. A bola percorreu toda aquela extensão do campo e foi parar no fundo do gol. E que golaço! Com 4 a 0 no placar em apenas 15 minutos, ninguém duvidava que o título era das estadunidenses. Ögimi ainda descontou na primeira etapa, e Johnston, aos 7’ do segundo tempo, fez contra o segundo gol das japonesas. Mas Heath, aos 9’, deu números finais ao jogo: 5 a 2.

Foi a final com maior número de gols da história das Copas femininas, a que teve a jogadora mais velha a atuar (Rampone, com mais de 40 anos), e a primeira na qual uma só jogadora marcou três gols: Carli Lloyd, que já havia sido a carrasca das japonesas na final olímpica de 2012, com dois gols. Ela ainda venceu o prêmio de Melhor Jogadora da Copa e foi uma das artilheiras com seis gols marcados. O título coroou, também, a carreira de Abby Wambach, maior artilheira da história da seleção e que tanto perseguiu a conquista nas edições anteriores.

 

Veja os gols da final:

A conquista da Copa de 2015 fez da seleção dos EUA a primeira tricampeã do mundo, além de as Stars possuírem os principais títulos do futebol feminino na mesma época (Ouro Olímpico e Copa do Mundo), a exemplo da equipe campeã olímpica em 1996 e do mundo em 1999. Com a liga mais forte do planeta e investimento pesado no esporte, os EUA provaram a capacidade impressionante de revelar jogadoras. E, com veteranas no banco e jovens em campo, a equipe se reinventou mais uma vez para levantar a taça.

 

As campeãs de 2015. Em pé: Alex Morgan, Ali Krieger, Becky Sauerbrunn, Hope Solo, Lauren Holiday e Megan Rapinoe. Agachadas: Meghan Klingenberg, Carli Lloyd, Abby Wambach, Julie Johnston e Tobin Heath. (Photo by Todd Korol/Getty Images)

 

A campanha da campeã:

Primeira fase

EUA 3×1 Austrália

EUA 0x0 Suécia

EUA 1×0 Nigéria

Oitavas de final: EUA 2×0 Colômbia

Quartas de final: EUA 1×0 China

Semifinal: EUA 2×0 Alemanha

Final: EUA 5×2 Japão

J

V E D GM GS SG
7 6 1 0 14 3

11

 

Com histórias incríveis e recordes notáveis, a Copa do Mundo Feminina já se consolidou como um evento gigante, capaz de superar até mesmo números da NBA e outros esportes em audiência na TV. E, na edição de 2019, na França (que terá, a exemplo da Copa Masculina de 2018, o uso do árbitro de vídeo), a expectativa é que a competição siga revelando jogadoras de alto nível, seleções exuberantes e contabilize mais recordes para a enciclopédia de um torneio emocionante e imperdível para quem ama o futebol. Que elas deem show mais uma vez. Viva as mulheres! 😀

Pôster da Copa de 2019.

 

Recordes das seleções:

 

  • Maior goleada: Alemanha 11×0 Argentina, 2007;
  • Melhores ataques em uma só edição: EUA (25 gols em 1991) e Alemanha (25 gols em 2003);
  • Maior campeã: EUA, 3 títulos: 1991, 1999 e 2015;
  • Líder na classificação geral: EUA, com 105 pontos, 43 jogos, 33 vitórias, seis empates, quatro derrotas, 112 gols marcados, 35 sofridos e saldo positivo de 77 gols;
  • Única bicampeã consecutiva: Alemanha (2003 e 2007);
  • Os EUA é a única seleção a participar de todas as sete semifinais da história das Copas. Elas foram para a final em quatro oportunidades e terminaram em terceiro lugar nas outras três. Impressionante!
  • A Alemanha de 2007 é a única seleção a passar uma Copa inteira sem levar gols. Foram seis jogos e zero gols sofridos.

 

Maiores artilheiras das Copas

 

Marta (BRA) 15 gols

Birgit Prinz (ALE) 14 gols

Abby Wambach (EUA) 14 gols

Michelle Akers (EUA) 12 gols

Sun Wen (CHN) 11 gols

Bettina Wiegmann (ALE) 11 gols

Ann Kristin Aarønes (NOR) 10 gols

Heidi Mohr (ALE) 10 gols

 

Recordes de jogadoras:

 

  • A russa Elena Danilova foi a jogadora mais jovem a marcar um gol na história das Copas: 16 anos e 96 dias, na derrota de 7 a 1 de sua seleção para a Alemanha, em 2003;

 

  • A italiana Carolina Morace foi a primeira a anotar um hat-trick na história dos Mundiais, nos 5 a 0 da Azzurra sobre Taiwan, em 1991;

 

  • Lena Videkull, da Suécia, marcou o gol mais rápido da história das Copas: 30 segundos, no triunfo sueco sobre o Japão por 8 a 0, em 1991;

 

  • As estadunidenses Kristine Lilly e Christie Rampone são as únicas presentes com suas seleções entre as três melhores equipes da competição em cinco Copas diferentes;

 

  • Kristine Lilly possui outros recordes. Ela é a recordista em jogos (30 partidas), em jogos eliminatórios (15 partidas), em minutos jogados (2537) e em jogos vencidos (incríveis 24 partidas);

 

  • Rampone também não fica atrás. A lenda foi a jogadora mais velha a entrar em campo e a mais velha a disputar uma final: ela tinha 40 anos e 11 dias quando ajudou os EUA a conquistar o tricampeonato mundial na decisão de 2015;

 

  • Birgit Prinz, da Alemanha, é a única jogadora presente em três finais de Copa. Ela tinha apenas 17 anos quando foi vice-campeã em 1995, mas conseguiu a volta por cima com os títulos de 2003 e 2007;

 

  • A brasileira Formiga e a japonesa Homare Sawa são as recordistas em participações na Copa do Mundo: seis edições, entre 1995 e 2015;

 

  • Formiga é, também, a mais velha a marcar um gol em Copa: 37 anos e 98 dias, em 2015;

 

  • A chinesa Sun Wen é a jogadora que mais vezes vestiu a braçadeira de capitão de uma seleção na história das Copas: 16 jogos em três torneios;

 

  • A nigeriana Ifeanyi Chiejine foi a jogadora mais jovem a entrar em campo em uma partida de Copa: ela tinha apenas 16 anos e 34 dias quando enfrentou a Coreia do Norte, em 1999;

 

  • Michelle Akers é a maior artilheira em uma só edição de Copa na história: foram 10 gols em 1991, além de ser a recordista de gols em um só jogo: cinco, também em 1991;

 

  • Carli Lloyd, dos EUA, é a única a marcar três gols em uma final de Copa na história, em 2015, na vitória por 5 a 2 sobre o Japão;

 

  • A goleira alemã Nadine Angerer permaneceu seis jogos inteiros sem levar gols na Copa de 2007 e mais alguns minutos no primeiro jogo da Copa de 2011, totalizando um recorde de 622 minutos. Ela também tem o recorde de não levar gols na Copa de 2007 e o recorde de ficar 540 minutos sem levar gols em um só Mundial. A estadunidense Hope Solo, em 2015, também ficou 540 minutos sem levar gols naquele ano.

Extras:

Veja 100 grandes gols das Copas de 1991 até 2011.

 

Veja os 10 gols mais bonitos da Copa de 2015.

 

 

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