As 10 Maiores Finais da História da Liga dos Campeões da UEFA

 

Quem ama futebol adora listas dos melhores, dos maiores, dos grandes, dos campeões, etc. Mas fazê-las é sempre muito trabalhoso. Sempre gera polêmicas. Mesmo assim, adoramos. Agora, imagine fazer uma lista com as dez maiores finais da maior competição de clubes do mundo, a Liga dos Campeões da UEFA? Absurdo, não é mesmo? Porém, após uma intensa viagem no tempo, o Imortais ousou em descrever as maiores decisões que a competição já teve nesses mais de 60 anos de história. Algumas não estão presentes, claro, mas vamos explicar os motivos a seguir.

 

Critérios: para selecionar o “top 10”, analisamos o peso histórico, a partida em si, a quantidade de craques, o ineditismo, o legado do jogo e a importância do duelo não só para a competição, mas também para o futebol e carreiras dos envolvidos. Por exemplo: a primeira final italiana da UCL, entre Milan e Juventus, certamente estaria entre as 10 finais pela quantidade de craques na época, pelo peso dos clubes. No entanto, o jogo em si foi modorrento, sem gols, e só decidido nos pênaltis. Bayern 1×1 Atlético de Madrid, em 1974, também poderia estar aqui, mas outros jogos do próprio Bayern superaram esse jogo (que teve o único replay na história do torneio, vencido pelos alemães por 4 a 0). E, como a UCL não para de nos brindar com grandes duelos, essa lista sempre sofrerá mudanças.

 

10º Real Madrid 4×3 Stade de Reims – 1956

Por que está aqui? Foi a primeira final da história da Liga dos Campeões, o início de tudo! Além disso, reuniu craques do mais alto calibre como Di Stéfano, Gento, Kopa, Jonquet…

 

Ficha do jogo

Data: 13 de junho de 1956

Local: Parc des Princes, Paris, França

Juiz: Arthur Edward Ellis (ING)

Público: 38.239 pessoas

 

Real Madrid-ESP: Alonso; Marquitos, Atienza e Lesmes; Muñoz e Zárraga; Joseíto, Marsal, Di Stéfano, Rial e Gento. Técnico: José Villalonga Llorente.

 

Stade de Reims-FRA: Jacquet; Zimmy, Jonquet e Giraudo; Leblond e Siatka; Hidalgo, Glowacki, Kopa, Bliard e Templin. Técnico: Albert Batteux.

 

Gols: Leblond-STR, aos 6’, Templin-STR, aos 10’, Di Stéfano-RMD, aos 14’ e Rial-RMD, aos 30’ do 1º T; Hidalgo-STR, aos 17’, Marquitos-RMD, aos 22’ e Rial-RMD, aos 34’ do 2º T.

 

Após muitas discussões e diversos torneios, enfim a Europa ganhou uma competição de clubes à altura de sua importância após a iniciativa de Gabriel Hanot, editor do jornal francês L’Équipe – leia mais clicando aqui. A primeira “Copa dos Campeões Europeus” foi realizada na temporada 1955-1956, com a participação de 16 equipes. E a primeira final colocou frente a frente o Real Madrid de Di Stéfano e o Stade de Reims de Raymond Kopa. E, logo de cara, o torneio foi brindado com uma decisão eletrizante. O franceses abriram 2 a 0, mas o Real conseguiu o empate ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, o Reims voltou a ficar na frente do placar, mas Marquitos e Rial viraram o placar para 4 a 3 e deram ao time merengue a primeira Copa da história. Começava ali, em Paris, uma dinastia de cinco títulos seguidos dos espanhóis, que iria perdurar até 1960.

 

9º Bayern München 2×1 Borussia Dortmund – 2013

Por que está aqui? Foi a primeira final alemã da história da Liga dos Campeões, em pleno estádio de Wembley, com dois times em seus auges, repletos de fãs e que haviam destroçado pelo caminho potências como Real Madrid e Barcelona com goleadas históricas. Ambos eram a base da Seleção Alemã que faria história na Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Foi, também, a volta por cima do Bayern, que superou já naquele ano de 2013 a dolorida derrota em casa na edição de 2012.

 

Ficha do jogo

Data: 25 de maio de 2013

Local: Estádio de Wembley, Londres, Inglaterra

Juiz: Nicola Rizzoli (ITA)

Público: 86.298 pessoas

 

Bayern München-ALE: Neuer; Lahm, Boateng, Dante e Alaba; Martínez e Schweinsteiger; Robben, Müller e Ribéry (Luiz Gustavo); Mandzukic (Mario Gómez). Técnico: Jupp Heynches.

 

Borussia Dortmund-ALE: Weidenfeller; Piszczek, Subotic, Hummels e Schmelzer; Bender (Nuri Sahin) e Gündogan; Błaszczykowski (Schieber), Reus e Großkreutz; Lewandowski. Técnico: Jürgen Klopp.

 

Gols: Mandzukic-BMN, aos 15’, Gündogan-DOR (pênalti), aos 23’, e Robben-BMN, aos 44’ do 2º T.

 

Mais de 86 mil pessoas lotaram o estádio de Wembley para uma “nova invasão alemã” em Londres naquele dia 25 de maio de 2013. Daquela vez, no entanto, os germânicos não estavam munidos de armas nem bombas, mas sim de camisas, calções, chuteiras e muito talento para brigar pelo título mais importante do continente. De um lado, o Bayern, que buscava a taça que escapara de suas mãos na temporada anterior com requintes de crueldade, em casa, nos pênaltis, após muito sofrimento. Pelo caminho, eles superaram grandes adversários, entre eles o badalado Barcelona, que levou de 7 a 0 no placar agregado com exibições de gala de craques como Thomas Müller, Arjen Robben, Schweinsteiger e o capitão Lahm. Do outro, o Borussia Dortmund, campeão europeu em 1997 que buscava o bi com um futebol empolgante, ofensivo e “irresponsável” promovido pelo técnico Jürgen Klopp, à época ainda pouco conhecido no continente. Pelo caminho, os amarelos golearam o Real Madrid de Cristiano Ronaldo por 4 a 1 e provaram que o duelo não tinha favorito.

Depois de grandes decepções em finais europeias, o Bayern conseguiu dar a volta por cima com o título de 2013.

 

No primeiro tempo, o Borussia foi mais incisivo, mas parou no ótimo goleiro Neuer, em grande fase. O Bayern só foi responder no segundo tempo, quando assumiu o controle do jogo e abriu o placar com Mandzukic, após boa jogada entre Ribéry e Robben. Oito minutos depois, o Borussia empatou, de pênalti. Quando todos pensavam que o jogo iria para a prorrogação – e os torcedores do Bayern já mostravam desespero por tal cenário – o holandês Robben, que tinha a fama de “zicado” na época por perder gols em momentos decisivos tanto pelo Bayern quanto pela seleção holandesa, marcou o gol do título bávaro e enterrou de vez a “zica” e os recentes dramas europeus do clube de Munique.

 

8º Milan 4×0 Barcelona – 1994

Por que está aqui? De um lado, o Dream Team do Barcelona de Johan Cruyff, com Romário, Stoichkov, Guardiola, Koeman… Amplo favorito e colecionador de títulos. Do outro, o Milan, vice-campeão europeu em 1993, mas que perdera Rijkaard, Gullit e vinha cheio de desfalques: Baresi e Costacurta não poderiam jogar por excesso de cartões, Van Basten seguia lesionado e teria que encerrar a carreira precocemente, e, com as restrições da UEFA para com jogadores estrangeiros, Fabio Capello não poderia escalar jogadores como Raducioiu, Papin e Brian Laudrup. Nunca uma final europeia tinha uma equipe tão favorita como o Barça diante do Milan. E, quando a bola rolou, Atenas viu um vareio histórico, claro… Só que do Milan! 4 a 0. Uma surra. Fora o baile e com direito a golaço épico de Savicevic.

 

Ficha do jogo

Data: 18 de maio de 1994

Local: Estádio Olímpico, Atenas, Grécia

Juiz: Phillip Don (ING)

Público: 70 mil pessoas

 

Milan-ITA: Rossi; Tassotti, Galli, Maldini (Nava) e Panucci; Albertini, Desailly, Boban e Donadoni; Savicevic e Massaro. Técnico: Fabio Capello.

 

Barcelona-ESP: Zubizarreta; Ferrer, Koeman, Nadal e Sergi (Estebaranz); Guardiola; Amor e Bakero; Stoichkov, Romário e Begiristain (Eusebio). Técnico: Johan Cruyff.

 

Gols: Massaro-MIL, aos 22’ e aos 47’ do 1º T; Savicevic-MIL, aos 2’, e Desailly-MIL, aos 13’ do 2º T.

 

No futebol, o dito “camisa ganha jogo” tem fundamento, peso e veracidade. E esse chavão do esporte, associado ao instinto predatório visto nos jogadores do Milan naquele dia 18 de maio de 1994, foi visto em plenitude máxima na final europeia de Atenas, local perfeito para uma partida mitológica entre dois gigantes do futebol. Antes de a bola rolar, ninguém duvidava do título do Barcelona, tetracampeão espanhol, campeão europeu em 1992, completo e invicto naquela Liga dos Campeões. Só que se esqueceram que do outro lado tinha o Milan, dominante na Itália, que passava por uma entressafra, mas ainda tinha grandes jogadores, a maioria experiente e acostumada a vencer e superar os mais variados desafios. Soma-se a isso o talento do técnico Fabio Capello, estrategista nato e que colocou seu time para frente sem medo do Barcelona.

Marcel Desailly vibra: craque jogou muito naquele jogo.

 

Zubizarreta, desolado: Barça foi simplesmente atropelado.

 

E, quando a bola rolou, deu no que deu. Massaro fez 1 a 0 logo aos 22’ e ampliou no finalzinho da primeira etapa, após linda jogada de Donadoni. Na segunda etapa, Savicevic aproveitou uma bobeada de Nadal, percebeu o goleiro Zubizarreta adiantado e chutou da lateral, por cobertura. Golaço, um dos mais bonitos da história das finais da UCL em todos os tempos. Desnorteado e sem ação, o Barcelona só queria o fim do jogo para sumir dali no primeiro voo até a Espanha. Mas ainda tinha mais. Desailly, após outra falha da zaga catalã, fez 4 a 0 e sacramentou o 5º título do Milan na Liga, o terceiro conquistado pelo clube rossonero após uma goleada de quatro gols (ele venceu o Ajax por 4 a 1, em 1969, e o Steaua Bucareste-ROM por 4 a 0, em 1989). De fato, em final europeia, camisa pesa. Ainda mais de um clube como o AC Milan…

 

7º Barcelona 3×1 Manchester United  – 2011

Por que está aqui? Todo grande esquadrão da história do futebol possui em seu rol de proezas partidas que marcam, que fazem com que um garoto passe a torcer pelo time, que move um adulto a ir correndo para o shopping comprar a camisa do clube que acabou de ser campeão, e por aí vai. O que aconteceu na primeira final continental da história do novo estádio de Wembley, em 28 de maio de 2011, foi exatamente isso: uma partida marcante, histórica e absolutista de um dos maiores esquadrões de todos os tempos: o Barcelona de Guardiola.

 

Ficha do jogo

Data: 28 de maio de 2011

Local: Estádio de Wembley, Londres, Inglaterra

Juiz: Viktor Kassai (HUN)

Público: 87.695 pessoas

 

Barcelona-ESP: Valdés; Daniel Alves (Puyol), Mascherano, Piqué e Abidal; Busquets, Xavi e Iniesta; Villa (Keita), Messi e Pedro (Afellay). Técnico: Josep “Pep” Guardiola.

 

Manchester United-ING: Edwin van der Sar; Fábio (Nani), Ferdinand, Vidic e Evra; Carrick (Scholes), Giggs, Valencia e Park; Rooney e Chicharito Hernández. Técnico: Sir Alex Ferguson.

 

Gols: Pedro-BAR, aos 27’, e Rooney-MU, aos 34’ do 1º T; Messi-BAR, aos 9’, e Villa-BAR, aos 24’ do 2º T.

 

Em 2009, Barcelona e Manchester United decidiram a Liga dos Campeões da UEFA. Na época, os Red Devils eram os atuais campeões e buscavam o bicampeonato consecutivo. No entanto, eles pararam em Messi, Henry, Eto’o e companhia, que venceram por 2 a 0 e deram aos blaugranas a 3ª UCL de sua história. Dois anos depois, lá estavam Barça e United mais uma vez decidindo a Liga. Mas, se em 2009 havia um certo equilíbrio, em 2011 o favorito era o time catalão. Jogando junto desde aquela época e sob o mantra da filosofia de Pep Guardiola, era inegável que aquele time era o melhor do mundo. Prova disso eram os bailes aplicados nos rivais na Espanha e também no continente. Antes de chegar à decisão, passeios contra Arsenal e Shakhtar Donetsk, e um triunfo emblemático sobre o rival Real Madrid na semifinal em pleno Santiago Bernabéu por 2 a 0. Já o United vinha de triunfos sobre Olympique de Marselha, Chelsea e Schalke 04.

Messi (à dir.) deixou sua marca na decisão.

 

Na decisão, no remodelado Wembley, o Barça abriu o placar em jogadaça de Xavi concluída pelo talismã Pedro. O Manchester empatou com um belo gol de Rooney, mas a soberania do time culé falou mais alto no segundo tempo. Logo aos 9’, Messi fez um golaço. Tempo depois, Villa também marcou um lindo gol. E, com 63% de posse de bola, 19 chutes no total (sendo 12 no gol) contra apenas 4 do rival, seis escanteios contra nenhum dos ingleses, apenas cinco faltas cometidas contra 16 dos Red Devils, e um futebol estonteante e envolvente, o Barcelona levantou sua quarta UCL. Uma vitória maiúscula, incontestável e inesquecível do maior time deste século XXI. E que fez muita gente ir comprar camisa azul e grená no shopping após o apito do árbitro…

 

6º Bayern München 1×1 Chelsea – 2012

Por que está aqui? Poucos clubes tiveram o privilégio de decidir uma Liga dos Campeões em casa (em casa mesmo, não apenas no país de origem). Aliás, pouquíssimos: Real Madrid, em 1957, Internazionale, em 1965, Roma, em 1984 E Bayern München, em 2012. Tudo estava a favor dos alemães: time embalado, torcida fervorosa e plena na Allianz Arena e 1 a 0 no placar com um gol perto dos minutos finais. A festa bávara era questão de tempo. Só que esqueceram de avisar o Chelsea… E Drogba. Ele empatou aos 43’. O jogo foi para a prorrogação. E Drogba cometeu pênalti. Herói no jogo, vilão no tempo extra? Não. Robben chutou e Cech defendeu. O jogo foi para os pênaltis. E os ingleses venceram, transformando Munique num mar de choro e drama. Se a derrota na final de 1999 era a “mãe de todas as derrotas” para os Bávaros, naquela noite eles conheceram o “pai”…

 

Ficha do jogo

Data: 19 de maio de 2012

Local: Allianz Arena, Munique, Alemanha

Juiz: Pedro Proença (POR)

Público: 62.500 pessoas

 

Bayern München-ALE: Neuer; Lahm, Boateng, Tymoshchuk e Contento; Schweinsteiger e Toni Kroos; Robben, Thomas Müller (Van Buyten) e Ribéry (Olic); Mario Gómez. Técnico: Jupp Heynches.

 

Chelsea-ING: Peter Cech; Bosingwa, David Luiz, Cahill e Ashley Cole; Obi Mikel, Frank Lampard, Kalou (Torres) e Bertrand (Malouda); Juan Mata; Didier Drogba. Técnico: Roberto Di Matteo.

 

Gols: Thomas Müller-BMN, aos 38’, e Drogba-CHE, aos 43’ do 2º T. Nos pênaltis, Chelsea 4×3 Bayern.

 

Após a derrota na final da Liga dos Campeões de 2010 para a Internazionale, o Bayern voltava a uma decisão continental certo de que a história seria bem diferente. Com um técnico vitorioso, um elenco jovem e de extremo talento e jogando um futebol bastante competitivo, os Bávaros ainda tinham a vantagem de jogar em casa, na Allianz Arena, em Munique. Uma chance de ouro para levantar a 5ª Velhinha Orelhuda de sua história. Do outro lado, um pouco badalado Chelsea, já sem a força dos tempos de Mourinho e do time vice-campeão em 2008, mas ainda sim bem cascudo. Comandado pelo técnico e ídolo Di Matteo e com remanescentes de outrora, em especial Didier Drogba, os Blues superaram desafios imensos, como o forte Napoli da época, nas oitavas, e o favorito Barcelona, nas semis, após vitória por 1 a 0 em casa e empate em 2 a 2 no Camp Nou.

Drogba celebra o gol de empate.

 

Na final, a tática dos ingleses era jogar no contra-ataque, no erro do adversário e na ansiedade do rival. A obrigação era toda deles. Eles que jogavam em casa. O Chelsea era a “zebra”. Mas foi muito astuto. Passou o jogo inteiro à espera de uma bola. O Bayern atacava e atacava, mas a pontaria de seus jogadores era uma desgraça só (para se ter uma ideia, ao final do jogo e do tempo extra, eles deram 35 chutes a gol e apenas sete foram no alvo!). Até que, já perto do final da partida, o Bayern abriu o placar. E forçou o Chelsea a ir pra cima. E, aos 43’, Juan Mata cobrou escanteio na cabeça do ídolo Drogba, que se emocionou na hora do gol. Tinha que ser dele o empate. Mas ainda tinha a prorrogação.

Nela, o Chelsea voltou à tática da bola única. E, enquanto os atacantes estavam lá atrás ajudando na marcação, Drogba, o herói do empate e que ainda mantinha viva a chama do título, cometeu pênalti em Ribéry. Na bola, Robben, que buscava a redenção após perder um gol feito na final da Copa do Mundo de 2010 com a Holanda. Ele bateu, mas Cech, outro ídolo dos Blues, defendeu. A zica ainda pairava sobre o holandês. E os astros realmente estavam com os ingleses.

Festa azul…

 

… E tristeza alemã.

 

Nos pênaltis, Mata perdeu a primeira cobrança dos Blues e reacendeu a esperança Bávara. Mas Olic desperdiçou o quarto chute. Schweinsteiger também errou o seguinte. E, no último chute do Chelsea, Drogba – tinha que ser ele – marcou o gol da vitória e do inédito título da equipe londrina. De partida marcada para o futebol chinês na época, o marfinense podia ir com o dever cumprido. Ele já estava na história do Chelsea. E da Liga dos Campeões. Por outro lado, o Bayern encarava sua segunda grande decepção em uma final europeia. A ferida só seria cicatrizada na temporada seguinte, no jogo contra o Borussia.

 

5º Ajax 2×0 Internazionale – 1972

Por que está aqui? O Futebol Total já era uma realidade na Europa. Rinus Michels havia plantado a semente no ano anterior ao conquistar o título europeu com aquele mesmo Ajax, em Wembley. Mas aquela decisão de 1972 foi o auge. A prova máxima do talento, da intensidade, do virtuosismo e da qualidade de um dos maiores esquadrões de todos os tempos sobre um time que só se defendeu, usando e abusando do catenaccio. No fim, vitória do futebol ofensivo, total e imortal. E matriz para a Holanda encantar o planeta na Copa do Mundo de 1974.

 

Ficha do jogo

Data: 31 de maio de 1972

Local: Feijenoord Stadion, Roterdã, Holanda

Juiz: Robert Helies (FRA)

Público: 61.354 pessoas

Ajax-HOL: Stuy; Suurbier, Hulshoff, Blankenburg e Ruud Krol; Arie Haan, Neeskens e Mühren; Swart, Johan Cruyff e Keizer. Técnico: Stefan Kovács.

 

Internazionale-ITA: Bordon; Bellugi, Burgnich, Giubertoni (Bertini) e Facchetti; Bedin, Oriali, Sandro Mazzola e Frustaluppi; Jair da Costa e Boninsegna. Técnico: Giovanni Invernizzi.

 

Gols: Cruyff-AJX, aos 2’ e aos 33’ do 2º T.

 

O ambiente era o melhor possível. O time era o melhor possível. A ocasião era a melhor possível. E a taça em disputa era a mais cobiçada possível. No entanto, a tarefa daqueles jogadores vestidos em branco e vermelho era ingrata: furar a retranca absoluta da Internazionale, bicampeã continental e mundial anos antes com um sistema chamado catenaccio e ainda com vários remanescentes daquela era de ouro. Mas a época era outra. A década era outra. E o futebol também. No começo dos anos 70, quem mandava na Europa era a Holanda. E quem queria assumir de vez a condição de rei era o Ajax. E que Ajax… Atletas disciplinados e entrosados quase que por telepatia. Futebol ofensivo sempre. Jogadores capazes de decidir partidas em questão de segundos. E uma ideologia composta na totalidade das funções e nos ensinamentos de um mestre: Rinus Michels. No dia 31 de maio de 1972, o AFC Ajax realizou uma de suas mais brilhantes e emblemáticas partidas. Não teve goleada nem gols plásticos. Mas teve dominância e um absolutismo poucas vezes visto em uma decisão continental.

Mauro Bellugi e Piet Keizer, na final.

 

Durante 90 minutos, os holandeses atacaram sem parar os italianos e deram um show que não foi refletido no magro placar de 2 a 0. Poderia ter sido 5, 6, 7 a 0. A Inter foi simplesmente nula no ataque. Chutou apenas uma vez ao gol no primeiro tempo. E apareceu umas três ou quatro vezes na segunda etapa. O Ajax foi todo ofensivo, mandou bolas na trave, construiu belas jogadas e deu aulas de controle de bola, desarmes precisos e perseverança. O gol ia sair. E saiu. Com Cruyff mordido, o time abriu o placar com menos de três minutos na segunda etapa e ficou tranquilo para o decorrer da partida. A Inter foi obrigada a sair mais e levou mais um gol tempo depois com o mesmo Cruyff, que fez explodir um estádio praticamente todo alvirrubro mesmo se tratando da casa do rival Feyenoord. Era bonito de se ver aquele Ajax, que não só conquistou seu bicampeonato continental como deu ao Futebol Total uma condecorada e inesquecível vitória.

Neeskens e Cruyff erguem a Liga dos Campeões.

 

O triunfo holandês foi celebrado não só por sua torcida, mas também pela imprensa esportiva da época, que dedicou páginas e páginas de seus jornais ao clube alvirrubro. No The Times (ING), o time de Amsterdã “provou que o ataque e a criatividade são a alma do esporte, dando à noite um contorno mais nítido e às sombras mais brilho”. No De Telegraaf (HOL), nove páginas destacaram o triunfo dos comandados de Kovács, com destaque para a manchete: “Sistema da Inter minado. O futebol defensivo está destruído”. Pelo menos naquela época, a retranca foi abolida graças à totalidade do melhor Ajax de todos os tempos. Pena que aquela abolição não durou para sempre… Leia mais sobre esse jogo clicando aqui.

 

4º Celtic 2×1 Internazionale – 1967

Por que está aqui? De lado, um time formado totalmente por jogadores das categorias de base, que viviam num raio de 30 milhas de Glasgow (ESC) e faziam seu debute em uma final continental. Do outro, um esquadrão temido, vitorioso e multicampeão, comandado por um técnico experiente e vencedor: Helenio Herrera. Mas, do lado escocês, o não menos lendário Jock Stein proferiu a frase que não foi um simples devaneio, mas a previsão do que iria acontecer naquela final: “O Celtic será primeiro clube britânico a trazer a Copa Europeia para o Reino Unido. E nós vamos atacar a Inter como nunca atacamos antes”. A Inter até abriu o placar. Mas os garotos de Glasgow viraram para 2 a 1 jogando um futebol envolvente, virtuoso, apaixonante. E a Grã-Bretanha conseguiu sua primeira Liga dos Campeões da UEFA da história.

 

Ficha do jogo

Data: 25 de maio de 1967

Local: Estádio Nacional (Jamor), Oeiras, Lisboa, Portugal

Juiz: Kurt Tschenscher (ALE)

Público: 45 mil pessoas

 

Celtic-ESC: Simpson; Craig, McNeill, Clark e Gemmell; Murdoch e Auld; Johnstone, Chalmers, Wallace e Lennox. Técnico: Jock Stein.

 

Internazionale-ITA: Sarti; Picchi; Burgnich, Guarneri e Facchetti; Bedin, Sandro Mazzola e Bicicli; Domenghini, Cappellini e Corso. Técnico: Helenio Herrera.

 

Gols: Sandro Mazzola-INT (pênalti), aos 7’ do 1º T; Gemmell-CEL, aos 18’, e Chalmers-CEL, aos 39’ do 2º T.

 

Celtic e Internazionale fariam um duelo de opostos na final da Liga dos Campeões da UEFA de 1966-1967. O futebol ofensivo e talentoso do Celtic contra a absurda retranca da Internazionale, que praticava há anos o catenaccio e conseguia grandes feitos e títulos graças a ele. Mas aquele “anti-futebol” praticado pelos italianos estava com os dias contados. O jogo começou truncado, com a Inter já querendo abrir o placar e fechar totalmente sua defesa. E foi o que os italianos conseguiram. Logo aos sete minutos, Sandro Mazzola, de pênalti, abriu o placar para a Inter. Se a tarefa do Celtic já era difícil, de virada seria quase impossível. Mas os indomáveis jogadores escoceses, que ganhariam o apelido de “Leões de Lisboa”, provaram com muito futebol e ofensividade que defender demais é chato.

O lendário capitão Billy McNeill com a taça da UCL.

 

No segundo tempo, Gemmell empatou. E, faltando seis minutos para o fim do jogo, Murdoch chutou, Chalmers resvalou a bola e virou para o Celtic, levando ao delírio a torcida escocesa (e o futebol): Celtic 2×1 Internazionale. Pela primeira vez na história da Liga, um time do Reino Unido conquistava a Europa. E de maneira mais do que justa, afinal, o Celtic sufocou a Inter durante todo o jogo após o gol inaugural dos italianos, dando dois chutes na trave e 39 (isso mesmo, TRINTA E NOVE CHUTES!!) ao gol, com 13 defendidos pelo goleiro, sete afastados pela zaga e 19 para fora. Foi um bombardeio, que resultou nos dois gols da virada escocesa. O continente celebrou como nunca a “vitória do futebol” e o triunfo de um time todo formado nas bases do Celtic, no mais claro e explícito exemplo de sucesso de pratas da casa. Após a taça, Stein foi direto quando mencionou o feito de seu time: “Nós fizemos isto jogando futebol. Um futebol puro, bonito, criativo”. Leia mais clicando aqui.

 

3º Real Madrid 7×3 Eintracht Frankfurt – 1960

Por que está aqui? Uma final com 10 gols já teria lugar óbvio nesta lista. Com sete gols de um só time, mais ainda. Com o recorde de público em uma final europeia, idem. Com quatro gols de Puskás, não é preciso falar. E três de Di Stéfano? Também. Vários recordes num só jogo e a consagração de um time impressionante, que levantou naquele dia sua quinta taça seguida da Liga dos Campeões. Nunca uma dinastia foi encerrada de maneira tão emblemática. E nunca mais a UCL viu uma pirotecnia de gols como aquela.

 

Ficha do jogo

Data: 18 de maio de 1960

Local: Estádio Hampden Park, Glasgow, Escócia

Juiz: John Mowatt (ESC)

Público: 127.621 (recorde em uma final de competição europeia)

 

Real Madrid-ESP: Rogelio Domínguez; Marquitos, Santamaría e Pachín; Zárraga e Vidal; Canário, Del Sol, Di Stéfano, Puskás e Gento. Técnico: Miguel Muñoz.

 

Eintracht Frankfurt-ALE: Egon Loy; Friedel Lutz, Hermann Höfer e Eigenbrodt; Weilbächer e Stinka; Kress, Lindner, Erwin Stein, Alfred Pfaff e Erich Meier. Técnico: Paul Osswald.

 

Gols: Kress-EIN aos 18´, Di Stéfano-RMD aos 27´ e aos 30´, e Puskás-RMD aos 46´ do 1º T´; Puskás-RMD aos 11´, 15´e 26´, Stein-EIN aos 27´e 30´, e Di Stéfano-RMD, aos 28’ do 2º T.

 

Nem italianos nem franceses foram capazes de parar aquela máquina vestida de branco. Stade de Reims, duas vezes, Milan e Fiorentina já haviam sucumbido diante dos majestosos de Madri. Naquele dia 18 de maio de 1960, porém, o estádio Hampden Park, em Glasgow-ESC, tinha a certeza de ver um novo campeão europeu. Os espanhóis teriam pela frente os alemães do Eintracht Frankfurt, que tinha enfiado 12 gols no placar agregado sobre o Rangers-ESC na semifinal. Pfaff e companhia não seriam adversários fáceis para os merengues. Mas foram. Mais do que isso, eles foram os mais fáceis de todos os já enfrentados pelo Real Madrid em finais continentais.

A volta olímpica dos pentacampeões.

 

As mais de 127 mil pessoas que formaram o maior público de uma final europeia na história viram um dos maiores espetáculos futebolísticos de todos os tempos. Foram 10 gols. Sete do Real. Três do Eintracht. Puskás fez quatro. Di Stéfano, três. Não havia jeito melhor de se completar um pentacampeonato e de encerrar uma década estrondosa. Cinco Copas europeias realizadas. Cinco vencidas pelo esquadrão de Santiago Bernabéu e do Santiago Bernabéu, então presidente merengue. Jamais houve uma final como aquela. E dificilmente haverá. Os jogadores trajados de branco trataram a bola como um bem precioso, com sutileza, classe, técnica e amplitude. Aquilo tudo parecia um filme de ficção, algo surreal. Mas não foi. Puskás, Di Stéfano, Gento, Canário e Santamaría eram de carne e osso. Leia mais clicando aqui.

 

2º Benfica 5×3 Real Madrid – 1962

Por que está aqui? O maior campeão da Europa estava de volta a uma final. Com cinco títulos em cinco finais, a sexta taça parecia fato consumado. Principalmente após o genial Puskás marcar dois gols em 23 minutos. Só que do outro lado estava o Benfica de Béla Guttmann, campeão europeu no ano anterior. Com Coluna, soberano do meio de campo, e o oportunista José Águas, o Benfica empatou. Mas Puskás fez mais um e o primeiro tempo terminou com os merengues campeões. Era um jogo frenético, histórico, com um nível técnico absurdo. Veio a segunda etapa. E apareceu o Pantera de nome Eusébio. Ali, ele se apresentou de vez ao mundo. Marcou dois gols. Transformou um jogo perdido em goleada de 5 a 3. E deu o bicampeonato europeu aos encarnados.

 

Ficha do jogo

Data: 02 de maio de 1962

Local: Estádio Olímpico, Amsterdã, Holanda

Juiz: Leo Horn (HOL)

Público: 61.257 pessoas

 

Benfica-POR: Costa Pereira; Mário João, Germano Figueiredo e Ângelo Martins; Fernando Cruz e Domiciano Cavém; Mário Coluna, José Augusto, Eusébio, José Águas e Antonio Simões. Técnico: Béla Guttmann.

 

Real Madrid-ESP: José Araquistáin; Pedro Casado, José Santamaría e Vicente Miera; Bautista Felo e Pachín; Justo Tejada, Luis Del Sol, Di Stéfano, Puskás e Gento. Técnico: Miguel Muñoz.

 

Gols: Puskás-RMD aos 17´, 23´ e 38´, José Águas-BEN aos 25´ e Cavém-BEN aos 34´do 1º T; Coluna-BEN aos 6´, e Eusébio-BEN (pênalti) aos 18´e aos 23´do 2º T).

 

Amsterdã ainda não era o berço do Futebol Total naquela noite de 02 de maio de 1962. O estádio Olímpico não imaginava presenciar uma totalidade exuberante de gols e feitos marcantes na final da Liga dos Campeões da UEFA entre Benfica e Real Madrid. Mas os holandeses assistiram a um espetáculo digno de Oscar e se entorpeceram com tantos gols, jogadas de arte e a revelação de um gênio do futebol mundial: Eusébio Da Silva Ferreira, o Pantera Negra que ocultou o hat trick do húngaro Ferenc Puskás, os passes e genialidade de Alfredo Di Stéfano, a soberba e imponência do pentacampeão europeu Real Madrid e ajudou os encarnados de Lisboa a virarem um jogo perdido no primeiro tempo para um apoteótico 5 a 3.

Eusébio manda a bomba: craque mudou o jogo e deu o título para o Benfica.

 

Eusébio, Guttmann, Coluna e a taça: tempos lendários do Benfica.

 

Foram oito gols antológicos. Chutes poderosos de fora da área. Uma noite terrível para os goleiros, que engoliram frangos e sofreram com a precisão de Puskás, Coluna, Cavém e Eusébio. Foi também a consagração de um time que marcou época no futebol europeu ao jogar um futebol prático, exuberante e inesquecível sob a batuta de um genial técnico Béla Guttmann. Enfim, alguém conseguia derrotar o Real em uma decisão. Leia mais clicando aqui.

 

1º Manchester United 2×1 Bayern München – 1999

Por que está aqui? O cronômetro marcava 45’ do 2ºT. Com 1 a 0 no placar, o Bayern vencia o título europeu pela primeira vez desde o caneco de 1976. Mas o árbitro sinalizou três minutos de acréscimos… O United ganhou um escanteio. Bola na área, gol de Sheringham, aos 46’. Bola em jogo novamente, o ponteiro do relógio dá uma volta e outro escanteio para os ingleses. Bola na área, gol de Solskjaer. Fim de jogo. United campeão. Lembra do “pai de todas as derrotas” mencionado lá em cima, no Chelsea x Bayern? Pois bem. Essa aqui é a “mãe”…

 

Ficha do jogo

Data: 26 de maio de 1999

Local: Estádio Camp Nou, Barcelona, Espanha.

Juiz: Pierluigi Collina (ITA)

Público: 90.245 pessoas

 

Manchester United-ING: Schmeichel; Gary Neville, Johnsen, Stam e Irwin; Ryan Giggs, Beckham, Butt e Blomqvist (Sheringham); Yorke e Cole (Solskjaer). Técnico: Sir Alex Ferguson.

 

Bayern München-ALE: Kahn; Linke, Matthäus (Fink) e Kuffour; Babbel, Jeremies, Effenberg e Tarnat; Basler (Salihamidzic), Jancker e Zickler (Scholl). Técnico: Ottmar Hitzfeld.

 

Gols: Basler-BAY aos 6´do 1ºT; Sheringham-MAN aos 46´e Solskjaer-MAN aos 48´do 2º T.

 

Apenas os alemães festejavam àquela altura da final da Liga dos Campeões da UEFA de 1999. Eram 45 minutos do segundo tempo e o placar no Camp Nou marcava 1 a 0 para o Bayern München, que conquistava a Europa pela quarta vez e acabava com o sonho do Manchester United de celebrar o bi. O árbitro carequinha Pierluigi Collina, neutro diante daquele clima de festa alemã na Espanha, apontava três minutos de acréscimo, como de praxe em uma final de campeonato. Ninguém deu bola para o gesto do italiano. Mas os jogadores do United parecem ter levado um estalo, ouvido uma voz do além que dizia “joguem como nunca e acreditem na vitória”. Os segundos foram passando, o United chegando perto da área alemã e um zagueiro cortou para escanteio. Eram 46´. O goleiro Peter Schmeichel, com mais de 1,90m de altura, foi até a área de Kahn para tentar a sorte no provável último lance de perigo do jogo. Beckham cobrou, a bola foi pessimamente afastada pelo Bayern e sobrou meio sem querer para Sheringham (que tinha entrado no segundo tempo) empatar: 1 a 1.

Teddy Sheringham empata o jogo. Ainda tinha mais… Foto: Ben Radford /Allsport.

 

A torcida inglesa entrou em delírio puro. Haveria prorrogação! Quem disse? Mais alguns segundos se passaram, a zaga alemã, totalmente em pânico, evita outro ataque inglês jogando a bola para escanteio. A massa do United vê o filme do primeiro gol prestes a se repetir. Beckham outra vez na bola. Ela viaja, viaja e encontra o pé de Solskjaer (que também tinha entrado no segundo tempo…), que a coloca no fundo do gol alemão: 2 a 1. Em apenas três minutos, os exatos três minutos de acréscimo, o Manchester United conseguia o imponderável, o improvável, e vencia um jogo nitidamente perdido para celebrar um incrível bicampeonato continental. Foi, como o próprio Bayern destaca em seu site, a “Mother of all defeats” (a mãe de todas as derrotas) de sua história. O brasileiro Élber, em entrevista ao UOL Esporte em 2016, relatou de maneira precisa o sentimento que foi aquele revés.

 

“O presidente da UEFA na época olhou para mim e para o Lizarazu e disse: ‘vamos descer porque vocês são os campeões’. E quando a gente estava descendo, saindo da tribuna para chegar ao campo, aconteceram os dois gols do Manchester. Eu nem vi os gols, fui ver muito tempo depois. A gente estava ganhando a Liga dos Campeões até o minuto 90 do segundo tempo, estava 1 a 0 para gente. Aí, quando levantou a placa, o juiz careca, aquele italiano (Pierluigi Collina), deu mais três minutos de acréscimos, o Manchester United fez dois gols, e eles acabaram conquistando a taça em cima da gente. Foi uma sensação horrível. Desci da tribuna campeão e cheguei no campo vice, foi exatamente isso”.

O gol de Solskjaer…

 

… A incredulidade alemã…

 

… E o placar inimaginável.

 

A vitória dos Diabos Vermelhos era a mais pura prova de que jamais uma partida pode ser considerada ganha antes do apito final do árbitro, além de mostrar o quanto é necessário ter força de vontade e concentração nos 90 minutos. E nos acréscimos também. Leia mais clicando aqui.

 

O jogo acima foi, durante anos, a final mais emocionante da história da UCL. Só que aí chegou 2005, e toda e qualquer lista possui um jogo que não concorre com nenhum outro. Ele está acima de tudo. De toda a lógica. Adivinhe qual é?

 

Hors concours / Especial / Apelação / Insuperável / Não pergunte por quê

 

Milan 3×3 Liverpool – 2005

Por que está aqui? Hahaha preciso explicar!!!???

 

Ficha do jogo

Data: 25 de maio de 2005

Local: Estádio Atatürk, Istambul, Turquia

Juiz: Mejuto González (ESP)

Público: 70.024 pessoas

 

Milan-ITA: Dida; Cafu, Stam, Nesta e Maldini; Seedorf (Serginho), Pirlo e Gattuso (Rui Costa); Kaká; Crespo (Tomasson) e Shevchenko. Técnico: Carlo Ancelotti.

 

Liverpool-ING: Dudek; Finnan (Hamman), Hyypiä, Carragher e Traoré; Kewell (Smicer), Xabi Alonso, Gerrard e Riise; Luís Garcia e Milan Baros (Cissé). Técnico: Rafa Benítez.

 

Gols: Maldini-MIL, aos 50”, e Crespo-MIL, aos 38´e 43´do 1º T; Gerrard-LIV, aos 8´, Smicer-LIV, aos 10´, e Xabi Alonso-LIV, aos 14´do 2º T). Na decisão por pênaltis, 3 a 2 para o Liverpool (Hamann, Cissé e Smicer fizeram para o Liverpool. Riise perdeu; Tomasson e Kaká fizeram para o Milan. Serginho, Pirlo e Shevchenko perderam).

 

Dudek aprontou das suas nos pênaltis…

 

… E o Liverpool ficou com a taça!

 

Palavras são sempre insuficientes para descrever o que aconteceu em Istambul na noite do dia 25 de maio de 2005. Um time terminar o primeiro tempo vencendo por 3 a 0 e levar o empate em menos de 14 minutos do segundo tempo era algo inédito em uma final de Liga dos Campeões. Talvez no futebol. Ainda mais se tratando do Milan, uma seleção na época, que trucidou os ingleses, que tinha o histórico de grandes massacres em finais europeias e que não demonstrava nenhum sinal de que poderia fraquejar. Mas o futebol, caro leitor (a), é o futebol. É essa coisa maluca que impossibilita cravar resultados, estipular favoritos, dizer “já ganhou”. O Liverpool conseguiu um. Dois. Três gols. Com vontade. Futebol. Força de sua torcida única. E sob uma atmosfera jamais vista. O jogo não parou. Seguiu emocionante. Teve contornos dramáticos na prorrogação. E, nos pênaltis, Dudek reencarnou Bruce Grobbelaar – goleiro do time na final da Liga de 1984, vencida também nos pênaltis sobre outro adversário italiano, a Roma -, desestabilizou os rivais, viu Serginho mandar na trave, defendeu os chutes de Pirlo e Shevchenko e sacramentou o Milagre de Istambul. Inigualável. Insuperável. Imortal. Leia mais clicando aqui.

O placar que inspira sonhos até hoje no torcedor do Liverpool (e pesadelos nos rossoneros). Foto: David Rawcliffe/Propaganda.

 

Menções honrosas

Real Madrid-ESP 2×0 Fiorentina-ITA – 1957

Di Stéfano fuzila, e a Fiorentina perde a chance de ser campeã da Liga dos Campeões de 1956-1957.

 

O time madrileno decidiu em casa, num novíssimo Santiago Bernabéu com 124 mil pessoas. Os espanhóis faturaram o bi após bater o grande time italiano, que tinha craques como Julinho Botelho, Montuori, Servato e o goleiro Sarti. Leia mais clicando aqui.

 

Manchester United-ING 4×1 Benfica-POR – 1968

A grande conquista europeia do timaço de Matt Busby veio com base no talento de Denis Law, Bobby Charlton, George Best e companhia, que não tomaram conhecimento dos portugueses e golearam em um Wembley tomado por mais de 92 mil pessoas. Leia mais clicando aqui.

 

Nottingham Forest 1×0 Hamburgo – 1980

Foi a consolidação do bicampeonato continental dos ingleses, sem dúvida uma das maiores façanhas de um clube na história da UCL. E pensar que tal história começou na segunda divisão… Leia mais clicando aqui.

 

Juventus 1×0 Liverpool – 1985 

A final que ficou marcada por uma tragédia. Heysel viu 39 pessoas perderem a vida por causa da selvageria dos hooligans. Um dos capítulos mais vergonhosos e nefastos do futebol. Leia mais clicando aqui.

 

Steaua Bucareste 0x0 Barcelona (vitória do Steaua por 2 a 0 na decisão por pênaltis) – 1986

Não é todo dia que um goleiro defende QUATRO cobranças de pênalti. Nem todo dia que um clube romeno vence uma Liga dos Campeões da UEFA na Espanha contra um time da Espanha. Tudo isso aconteceu nesse jogo… Leia mais clicando aqui.

 

Milan 4×0 Steaua Bucareste – 1989

Um passeio do lendário time de Arrigo Sacchi e dos holandeses Rijkaard, Gullit e Van Basten. O primeiro tempo acabou 3 a 0. Van Basten ampliou para 4 a 0 no comecinho da segunda etapa e fechou a goleada. Leia mais clicando aqui.

 

Real Madrid 2×1 Bayer Leverkusen – 2002

O gol de Zidane… Sem mais. Leia clicando aqui.

 

Milan 2×1 Liverpool – 2007

O “jogo da vingança”. Os italianos ainda tinham o “pesadelo de Istambul” na cabeça, enquanto os ingleses esperavam por um novo “milagre”. Mas o Milan foi esperto. Fez um gol no primeiro tempo e um no segundo e faturou a taça. Nada de fazer tudo na primeira etapa. Sabe como é, vai que… Leia mais clicando aqui.

 

Real Madrid 4×1 Atlético de Madrid – 2014

Foi a primeira final com dois clubes da mesma cidade em uma UCL. O Atlético vencia até os 48’ do segundo tempo. Mas Sergio Ramos empatou. Na prorrogação, os Colchoneros cansaram. O Real dominou e um jogo antes difícil virou goleada. Leia mais clicando aqui.

 

Real Madrid 4×1 Juventus – 2017

Foto: Reuters / Carl Recine Livepic.

 

A Juventus havia levado três gols em toda a Liga dos Campeões. Levou quatro só na final. Enfrentar um Cristiano Ronaldo no auge foi demais para os italianos… Leia mais clicando aqui.

 

Será que algum outro jogo irá reivindicar espaço nesta lista no futuro? Esperamos que sim. Mas a briga é grande. Como é grande essa Liga dos Campeões da UEFA, o torneio mais apaixonante do planeta. 🙂

Extra:

Veja os gols das finais europeias de 1993 até 2018.

 

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14 thoughts on “As 10 Maiores Finais da História da Liga dos Campeões da UEFA

  1. Sensacional Imortais !! Parabens pelo trabalho !! Sob os Top 10 , sempre curto! vai ter tambem o top 10 das finais da libertadores?? tem varias

    Sobre as Finais da Champions

    As Final de 2005 é memoravel , nunca havera uma final de champions como essa !! a de 1999 vem em seguida tb , essas 2 finais estao na minha memoria !! Amo Futebol . todo dia vejo no youtube e sempre to lendo seu blog .. !!

    abraços.!!

  2. Claro que ainda tem se esperar a final.
    Mas sugiro um artigo sobre esta Champions, uma das maiores já vistas.
    Valeu e parabéns pelo magnífico trabalho!

  3. “Hors concours / Especial / Apelação / Insuperável / Não pergunte por quê”

    “Por que está aqui? Hahaha preciso explicar!!!???”

    AHAHAHAHAHAHAHAHAHA quem diz sou eu com essas duas introduções sobre a final da temporada 2004-2005.

  4. Guilherme, o seu ranking das maiores Finais de Copa dos Campeões/UCL ficou de Parabéns! A única coisa que não concordo é o fato de grande parte da nossa mídia insistir erroneamente em dizer que na decisão de UCL 2005- Liverpool 3 x 3 Milan, aconteceu a” Maior Virada da História do Futebol em Finais”. Claro que não! Erro gravíssimo, não por você competente e estudioso jornalista Guilherme e sim por meio de muitos desconhecedores da História do Futebol. A Maior Virada da História do Futebol em Finais aconteceu na final da Copa Mercosul de 2000 (Palmeiras 3 x 4 Vasco da Gama), aí sim aconteceu a virada, o Vasco perdia de 3 x 0 no 1º tempo e virou para 4 x 3 aos 48 do 2º tempo ( como já relembrado aqui no Imortais). Já, na final de UCL entre Milan x Liverpool 2005, apesar daquele timaço do Milan ter abrido 3 x 0 no primeiro tempo, o que houve ali foi que através dos embalos de “You”ll never walk Alone” e da garra do seu craque Steven Gerard, o Liverpool que estava “morto” buscou o empate de forma épica no 2º tempo, mas de forma alguma se consolidou a virada, tendo de levar o jogo para prorrogação e ser campeão nos pênaltis. Podemos até dizer que foi a maior final de Liga dos Campeões da História, pelo jogo de muitas emoções que realmente foi,mas nunca volto a dizer que podemos tratar aquele jogo como A Maior Virada da História do Futebol em Finais. O que existe de fato em nossa mídia, é um certo desmerecimento pela aquela inesquecível Virada do Vasco em cima do Palmeiras na Final da Copa Mercosul de 2000, e também o fato de que a Copa Mercosul naqueles tempos ser o 2°principal Torneio de Futebol da Conmebol sendo preterida pela Libertadores, e não ter a mesma Força que uma Liga/ Copa dos Campeões possui.

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