Seleções Imortais – EUA 1991-1999

As campeãs de 1999. Em pé: Joy Fawcett, Kate Sobrero, Cindy Parlow, Michelle Akers, Brandi Chastain e Briana Scurry. Agachadas: Tiffeny Milbrett, Kristine Lilly, Mia Hamm, Julie Foudy e Carla Overbeck.

 

Grandes feitos: Bicampeã Invicta da Copa do Mundo Feminina da FIFA (1991 e 1999), Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e Tricampeã Invicta do Campeonato Feminino da CONCACAF (1991, 1993 e 1994). Foi a primeira seleção campeã mundial feminina e a primeira campeã olímpica da história do futebol feminino.

 

Time-base: Mary Harvey (Briana Scurry); Carla Overbeck; Mia Hamm, Joy Fawcett e Linda Hamilton (Kate Sobrero); Shannon Higgins (Brandi Chastain), Julie Foudy e Kristine Lilly; April Heinrichs (Tiffeny Milbrett / Tisha Venturini), Michelle Akers e Carin Jennings (Cindy Parlow / Shannon MacMillan). Técnicos: Anson Dorrance (1991-1994) e Tony DiCicco (1994-1999).

 

“As lendárias (e imbatíveis!) Stars”

 

Certas equipes são tão marcantes e conquistam tantos títulos que se tornam uma verdadeira referência quando pensamos em determinado esporte ou competição. Se falamos de basquete, podemos enumerar o Chicago Bulls de Michael Jordan, o Boston Celtics de Larry Bird, o Lakers de Kobe Bryant. No vôlei, pensamos nas inúmeras seleções dos EUA, de Cuba, da Itália, do Brasil. E no futebol feminino a seleção que aparece prontamente na cabeça é a dos EUA. Mas isso só acontece por causa da história que ela construiu na década de 1990. Pelo pioneirismo. E pelos feitos de uma geração simplesmente sensacional, com jogadoras fantásticas que catapultaram a equipe norte-americana ao Olimpo do esporte. Em 1991, na primeira Copa do Mundo Feminina da FIFA, elas venceram o torneio de maneira invicta e com recordes. Em 1996, nas primeiras Olimpíadas com disputa de futebol feminino, lá estavam elas com a medalha de ouro no peito. E, em 1999, jogando em casa e sob o maior público já registrado em uma partida de futebol feminino na história, lá estava Brandi Chastain vibrando com suas companheiras o bicampeonato mundial. Nos três títulos, elas não foram derrotadas. E provaram que eram mesmo do país do futebol feminino. Parecia filme, mas Mia Hamm, Michelle Akers, Carin Jennings, April Heinrichs, Kristine Lilly e Julie Foudy eram reais. É hora de relembrar as façanhas da mais lendária seleção feminina de todos os tempos.

 

Um novo esporte para adorar

O time do Dallas Sting, em foto de 1975. Foto: Bill Kinder / Dallas News.

 

A década de 1990 foi fundamental para a consolidação e emancipação do futebol feminino. Após sair do ostracismo nos anos 1970 e vários torneios surgirem como “pilotos” nos anos 1980, foi apenas os últimos anos do século XX que o esporte conseguiu seu lugar de direito. E, com a criação da Copa do Mundo Feminina da FIFA, o mundo pôde acompanhar mais de perto essa evolução. Com o novo torneio, os EUA viram a oportunidade de buscar um lugar de destaque em um cenário que ele já flertava há muito tempo. Os primeiros registros de futebol feminino no país datam de 1950, quando quatro times de St. Louis, no Missouri, disputaram 15 jogos entre si. A seleção teve seu primeiro “protótipo” em 1983 e um momento de destaque em 1984, quando a equipe do Dallas Sting foi escolhida para representar os EUA em um torneio de seleções na China.

No ano seguinte, foi formada a primeira seleção feminina da história dos EUA, treinada pelo irlandês Mike Rogers e que disputou algumas partidas no Mundialito da Itália de 1985, com três derrotas e um empate. Não foi a estreia esperada, mas havia muito o que se lapidar naquele time. Principalmente uma atacante alta, habilidosa e que iria fazer história no futebol do país: Michelle Akers, autora do primeiro gol da história da seleção e com apenas 19 anos na época. Com presença física marcante, ela levava bastante vantagem perante as rivais e era questão de tempo até alcançar o estrelato. Entre 1985 e 1990, Akers marcou 15 gols em 24 jogos pela seleção.

 

Calibrando as chuteiras

Anson Dorrance e Michelle Akers, os grandes expoentes daquela seleção no começo dos anos 1990.

 

A partir de 1986, a seleção norte-americana passou a ser comandada por Anson Dorrance, treinador com participação fundamental no processo de evolução do futebol feminino nos EUA. Ele consolidou seus trabalhos na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e virou uma figura emblemática no país comandando o time masculino da entidade, que colecionou diversos títulos da NCAA (Associação Atlética Universitária Nacional, em tradução livre da sigla em inglês). Com a fama nas alturas, Dorrance ajudou a criar o time de futebol feminino da Universidade em 1979 – que ficaria conhecido como Tar Heels – e não tardou a conquistar títulos (foram sete torneios da NCAA nos anos 1980 e 12 títulos conquistados em 13 disputados até 1994). Com olhar clínico para buscar talentos, Dorrance melhorava a cada dia o time da universidade e inspirava suas atletas a serem competitivas ao extremo, além de priorizar o bom relacionamento do grupo, sem picuinhas, estrelismos ou privilégios. Mas ele não deixava de ser exigente, principalmente com o preparo físico, a ponto de entregar uma carta às atletas quando assumiu a seleção dizendo: “se você não estiver em forma, corto você do time!”.

Dorrance construiu um legado histórico na Carolina do Norte e o emancipou à seleção.

 

Como em praticamente todos os esportes no país e fruto do sucesso dos EUA em Olimpíadas, o futebol feminino também passou a ser praticado nas universidades e colégios e novas jogadoras de talento surgiram. Mas foi exatamente a Carolina do Norte o grande celeiro de craques. Mia Hamm, April Heinrichs, Tisha Venturini, Kristine Lilly, Shannon Higgins e Carla Overbeck foram só algumas das mais notáveis atletas reveladas pelo Tar Heels, que simplesmente não tomava conhecimento de suas adversárias e acumulava recordes e mais recordes. Para se ter uma ideia, o aproveitamento médio de Dorrance no comando da equipe era de 93%, além do Tar Heels acumular mais de 100 jogos consecutivos sem perder entre 1979 e 1983.

Todo esse material humano foi levado naturalmente para a seleção nacional por Dorrance. E o primeiro grande teste seria em 1991, no Campeonato da CONCACAF de seleções, que daria ao país campeão uma vaga na primeira Copa do Mundo Feminina da FIFA. Era hora de mostrar que o trabalho na Carolina do Norte era digno do mais alto grau de condecoração.

 

Taça fácil e vaga assegurada

Carin Jennings, uma das craques do time de 1991.

 

A equipe norte-americana estreou no Grupo A do campeonato continental com uma goleada de 12 a 0 sobre o México, com cinco gols de Brandi Chastain, a grande artilheira do jogo. Foi apenas um prenúncio do que viria pela frente. E a mostra de que a diferença técnica da equipe de Dorrance perante as rivais era abissal. Na partida seguinte, contra a Martinica, um novo 12 a 0. E, na última rodada, 10 a 0 sobre Trinidad e Tobago. Na semifinal, 10 a 0 sobre o Haiti e “apenas” 5 a 0 sobre o Canadá na final. As mulheres dos EUA terminaram com a taça de campeãs (a primeira delas na história do torneio), a vaga na Copa do Mundo e uma campanha assustadora: cinco jogos, cinco vitórias, 49 gols marcados e nenhum sofrido. Você se lembra de algum time na face da Terra com média de 9,8 gols por jogo!!?? Michelle Akers, com 11 gols, e April Heinrichs, com oito, foram as artilheiras da competição.

Mia Hamm, com a camisa da Tar Heels: lenda do futebol feminino.

 

Após o torneio, o técnico Dorrance já tinha o time perfeito para a disputa do Mundial. Com jogadoras de extremo talento em todas as posições, a equipe norte-americana seria uma das favoritas ao título. Ainda mais com o ataque formado por Michelle Akers, Carin Jennings e April Heinrichs (capitã do time), integrantes da linha de frente que ficaria conhecida como “espada de três gumes”, com Akers centralizada e Jennings e Heinrichs como pontas. A equipe norte-americana era talvez uma das raras equipes no futebol feminino que atuava daquela maneira, com três jogadoras no ataque. Além delas, Mia Hamm, inteligentíssima e que jogava mais recuada pela direita, também aparecia no ataque como elemento surpresa e marcava vários gols. Após alguns amistosos, a equipe embarcou para a China em busca do título mundial. Seriam 12 seleções participantes divididas em três grupos. As primeiras e segundas colocadas tinham vaga garantida nas quartas de final, bem como as duas melhores terceiras colocadas. Além dos EUA, a anfitriã China, a Noruega e a Suécia eram as outras favoritas ao título.

 

Shows até a decisão

As campeãs de 1991. Em pé: Joy Fawcett, Carla Overbeck, Debbie Belkin, Michelle Akers, Mary Harvey e April Heinrichs. Agachadas: Julie Foudy, Mia Hamm, Kristine Lilly, Shannon Higgins e Carin Jennings.

 

No Grupo B da Copa, a equipe dos EUA estreou contra a Suécia, a rival mais complicada daquela fase. Após abrir 3 a 0 com dois gols de Carin Jennings e um de Mia Hamm, as Stars levaram um susto quando as suecas diminuíram para 3 a 2, mas o placar permaneceu favorável às norte-americanas, que estrearam com vitória no Mundial. No duelo seguinte, vitória fácil sobre o Brasil por 5 a 0, com dois gols de April Heinrichs, um de Akers, um de Jennings e um de Hamm. Para encerrar a fase de grupos, a vitória por 3 a 0 sobre o Japão (dois gols de Akers e um de Gebauer) garantiu a classificação da equipe dos EUA à fase eliminatória com três vitórias.

O time de 1991: ataque era a principal arma de uma seleção histórica.

 

Nas quartas, a adversária foi Taiwan, que levou de 7 a 0 das Stars, com o recorde de gols marcados em uma só partida por Michelle Akers: foram cinco, façanha até hoje jamais igualada na competição. Na semifinal, esperava-se um confronto parelho entre EUA e Alemanha (então campeã europeia), mas Carin Jennings não entendeu assim. Ela marcou três gols em 33 minutos, Heinrichs marcou outros dois e a equipe dos EUA venceu as alemãs por 5 a 2, resultado que garantiu a seleção norte-americana na primeira final de Copa Feminina. O último desafio seria a seleção da Noruega, campeã europeia de 1987, vice-campeã em 1989 e 1991 e com jogadoras habilidosas como Linda Medalen e Hege Riise.

 

Rainhas do mundo!

A grande final da primeira Copa do Mundo Feminina foi disputada no Tianhe Stadium, em Guangzhou, para um público de 63 mil pessoas. E, desde o início, as Stars and Stripes mostraram bastante controle do jogo e abriram o placar aos 20’, com a artilheira Akers. A Noruega empatou nove minutos depois com Medalen, mas Akers fez o gol do título no segundo tempo após jogada individual em que driblou a goleira e tocou para o gol. A vitória por 2 a 1 deu às Stars o primeiro título Mundial da história com uma campanha impecável: seis jogos, seis vitórias, 25 gols marcados (a maior média de gols por jogo da história do torneio – 4,16 -, igualada apenas pela Alemanha de 2003) e cinco sofridos.

Festa das estadunidenses com o título da Copa de 1991.

 

As campeãs e o técnico Anson Dorrance com o presidente George H. Bush (à esq.) após o título. Foto: AP Photo/Barry Thumma.

 

As norte-americanas revelaram craques históricas e tiveram não só a melhor jogadora (Carin Jennings), como também a artilheira: Akers, com 10 gols. E uma curiosidade é que Akers foi “transformada” em centroavante naquela Copa pelo técnico Dorrance, que percebeu o talento da jogadora em criar jogadas no meio de campo e quis testá-la um pouco mais à frente. No início, Akers não gostou da mudança, pois teve que aprender a atuar em uma posição que ela não estava familiarizada, mas a tática deu certo e ela foi brilhante na Copa se inspirando em grandes jogadores da época. “Rudi Völler, Marco van Basten, Jürgen Klinsmann, Gary Lineker… Eu tentava fazer o que esses caras faziam, segurar a bola, jogando de costas para o gol e girando com a bola em direção à grande área”, disse Akers em entrevista ao site da FIFA em dezembro de 2016. Aquele ano de 1991 foi realmente histórico para a jogadora. Ela marcou 39 gols em apenas 26 partidas, uma média de 1,5 gols por jogo.

 

Mudança de comando, tropeço na Copa e preparação olímpica

Tony DiCicco manteve a base vencedora e comandaria as Stars em novas conquistas históricas.

 

Rainhas do mundo, as norte-americanas venceram mais dois títulos continentais em 1993 e 1994 sem qualquer susto. O primeiro foi conquistado com três vitórias em três jogos sobre Nova Zelândia – país convidado – (3 a 0), Trinidad e Tobago (9 a 0) e Canadá (1 a 0). O título de 1994, que valeu como classificatório para a Copa do Mundo de 1995, veio após quatro vitórias em quatro jogos sobre México (9 a 0), Trinidad e Tobago (11 a 1), Jamaica (10 a 0) e Canadá (6 a 0).

Tricampeãs continentais, campeãs mundiais e com quase a mesma base jogando junta há algum tempo, a equipe dos EUA era a favorita ao título do Mundial de 1995, na Suécia. A única grande mudança aconteceu no comando técnico, quando Anson Dorrance preferiu se concentrar nos trabalhos na Universidade da Carolina do Norte e deu lugar a Tony DiCicco, que assumiu a seleção já em 1994. Ex-goleiro e com passagem pelo próprio time feminino da seleção como treinador de goleiras, ele sabia que igualar ou superar seu antecessor – que teve 65 vitórias, 22 empates e apenas 5 derrotas no comando da seleção – seria difícil, ainda mais com às constantes ausências de Michelle Akers, que sofria com problemas nos joelhos e havia descoberto naquela época que possuía o vírus de Epstein-Barr, conhecido por provocar fadiga crônica e outros sintomas de incapacidade física – no intervalo de alguns jogos, ela tinha inclusive que utilizar respirador artificial.

Mia Hamm em ação. Foto: Franck Seguin / Getty Images.

 

Mas DiCicco soube utilizar cada vez mais o talento de Mia Hamm nas jogadas ofensivas da equipe, colocando a craque mais à frente, sem grandes preocupações defensivas como na campanha do título de 1991. Ele mesmo reforçava sua escolha dizendo que “quando Mia está em campo, não há ninguém melhor do que ela no mundo”. Hamm foi inclusive a artilheira da equipe em 1995 com 19 gols e também a maior assistente com 18 passes para gols. Mas, curiosamente, a jogadora teria que defender os EUA “literalmente” em uma das partidas das Stars na primeira fase do Mundial. Após empate em 3 a 3 com a China de Sun Wen, as norte-americanas venceram a Dinamarca por 2 a 0, mas passaram por uma situação inusitada no finalzinho do jogo. Aos 43’ do segundo tempo, a goleira Scurry foi expulsa e o técnico DiCicco não podia mais fazer nenhuma substituição. Com isso, Mia Hamm vestiu o uniforme de goleira e foi para o gol! No entanto, a arbitragem deu mais oito minutos de jogo e muitos temeram pelo empate das dinamarquesas – o que causaria sérios riscos à classificação das Stars. Só que Hamm era boa até mesmo sem os pés. A camisa 9 conseguiu fazer duas boas defesas que asseguraram o placar para os EUA.

Hamm teve que ir para o gol em 1995…

 

… Mas garantiu a meta intacta e a vitória das Stars!

 

No último jogo da primeira fase, a vitória por 4 a 1 sobre a Austrália garantiu a seleção norte-americana em primeiro lugar do Grupo C. Nas quartas de final, goleada de 4 a 0 sobre o Japão. Mas, nas semis, elas não foram páreas para a Noruega de Aarønes, autora do gol da vitória das europeias por 1 a 0 – elas seriam campeãs. Na disputa do terceiro lugar, Venturini e Hamm marcaram os gols da vitória por 2 a 0 sobre a China que garantiu o bronze, mas ninguém duvidava que aquela equipe poderia ter sido bicampeã.

Sem tempo para lamentações, as Stars teriam pela frente a disputa dos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. Jogando em casa, elas tinham a chance de conquistar o Ouro na primeira disputa de futebol feminino na história do torneio. Sem precisar disputar torneios eliminatórios para garantir a vaga, elas realizaram vários amistosos e trataram a competição como fundamental para apagar o tropeço no Mundial. E, com a torcida ao seu lado, não era permitido decepcionar.

 

O Ouro no embalo da torcida

Julie Foudy (à dir.), contra a Suécia em 1996. Foto: Stephen Dunn / Allsport.

 

O grupo das anfitriãs nas Olimpíadas não era nada agradável. Elas teriam pela frente a China – mais forte equipe asiática da época -, a Suécia – sempre com boas equipes – e a Dinamarca. Na estreia, as Stars fizeram o dever de casa e derrotaram as dinamarquesas por 3 a 0 (gols de Hamm, Venturini e Milbrett). Na sequência, duelo complicado contra a Suécia, mas vitória por 2 a 1 – gols de Venturini e MacMillan. No último jogo do grupo, o empate sem gols contra a China acabou sendo ruim para as norte-americanas, pois elas terminaram na segunda colocação e tiveram que enfrentar as primeiras colocadas do Grupo F, que eram ninguém mais ninguém menos que as norueguesas, campeãs do mundo no ano anterior e carrascas das norte-americanas na semifinal do Mundial de 1995.

Só que as Stars queriam a revanche. E, diante de 64 mil pessoas no Sanford Stadium, na Geórgia, a equipe venceu de virada a Noruega por 2 a 1, após empate em 1 a 1 no tempo normal. O gol da vitória e da classificação foi de MacMillan, um Gol de Ouro que fez explodir a torcida e provou que a equipe norte-americana estava pronta para escrever mais uma história de ineditismo. Uma das destaques do time, Julie Foudy comentou sobre aquele duelo.

 

“Na semifinal, contra a Noruega, nós queríamos mostrar aos EUA o quão bom nosso time era. A torcida era enorme e nesse período nós ainda estávamos em busca de reconhecimento e apoio, então era a chance do nosso grupo se fazer conhecido. Nós perdemos para a Noruega na Copa do Mundo anterior e a comemoração delas, estilo centopeia, uma atrás da outra, debochando de nós, ainda estava na nossa cabeça. Como elas se atreveram a fazer aquilo? E, naquele novo encontro, sabíamos que não íamos cair diante delas. Após o primeiro tempo, estávamos perdendo por 1 a 0 e eu me lembro de entrar no vestiário e dizer: ‘nós estamos bem’. Era uma atmosfera totalmente diferente do ano anterior. E, no final, conseguimos acabar com elas!”Julie Foudy, em entrevista à ESPN Internacional, 19 de julho de 2016.

As campeãs olímpicas.

 

Akers exibe a medalha de ouro de 1996.

 

A grande vitória sobre as imponentes norueguesas elevou o moral das norte-americanas. E, na final, a equipe superou a forte China e venceu por 2 a 1, gols de MacMillan e Milbrett. Com mais de 76 mil pessoas no Sanford Stadium, a seleção dos EUA conquistou o inédito Ouro Olímpico e confirmou sua hegemonia no futebol feminino. Mais do que isso, elas provaram que o esporte era uma nova realidade para o país, algo que cativou um público que ainda não dava muita bola para o women’s soccer.

 

A inspiração para uma grande Copa

O sucesso de público nos Jogos Olímpicos fez com que a FIFA repensasse seus planos para a Copa do Mundo de 1999, que teria como sede os EUA. Antes do torneio olímpico, a entidade máxima do futebol pensava em mandar as partidas apenas em estádios pequenos, sem explorar os gigantes de concreto presentes pelo país. Mas a própria federação de futebol norte-americana disse que a Copa deveria, sim, ser jogada em estádios grandes, incluindo o lendário Rose Bowl (com capacidade para mais de 95 mil pessoas!), palco da final da Copa masculina de 1994, e em outros grandes palcos como Stanford Stadium (capacidade para 85 mil pessoas), Jack Kent Cooke Stadium (80 mil), Giants Stadium (77 mil), Soldier Field (65 mil) e Foxboro Stadium (58 mil). E a FIFA também aumentou o número de seleções participantes para 16, quatro a mais do que as duas edições anteriores.

O Rose Bowl lotado: uma maravilha!

 

Como era anfitriã da Copa e tinha sua vaga garantida na competição, a equipe norte-americana abdicou da disputa do Campeonato da CONCACAF de 1998. Com mais tempo para preparar a equipe, o técnico DiCicco trabalhou bastante a parte física para que suas jogadoras aguentassem o forte calor durante o torneio de 1999 – que seria disputado entre junho e julho, auge do verão. Ele manteve a base vencedora de 1996 e mesclou jogadoras novas com outras experientes. Estavam no grupo a goleira Scurry (27 anos), a capitã Overbeck (31 anos), a defensora Brandi Chastain (30 anos), a meia MacMillan (24 anos), a fora de série Mia Hamm (27 anos), a veterana Michelle Akers (33 anos, a mais velha do grupo), a meia Julie Foudy (28 anos), a atacante Cindy Parlow (21 anos), a meia Kristine Lilly (27 anos), a defensora Joy Fawcett (31 anos), a meia Tisha Venturini (26 anos) e a artilheira Tiffeny Milbrett (26 anos). A maioria do time – oito das 20 jogadoras – vinha da Universidade da Carolina do Norte. Com a experiência de uma grande Copa do Mundo masculina organizada em 1994, a expectativa dos EUA era de mais um torneio marcante. O que, de fato, seria mesmo.

 

Rumo à final

No Grupo A, as donas da casa estrearam com vitória por 3 a 0 sobre a Dinamarca (gols de Hamm, Foudy e Lilly) diante de mais de 78 mil pessoas no Giants Stadium. A primeira colocação no grupo foi garantida com mais dois triunfos: 7 a 1 sobre a Nigéria (com dois gols de Milbrett, um de Hamm, um de Lilly, um de Akers, um de Parlow e um contra de Chiejine) e 3 a 0 sobre a Coreia do Norte (dois gols de Venturini e um de MacMillan). Nas quartas de final, as estadunidenses encararam as alemãs, e, logo aos 5’, Chastain marcou contra o primeiro gol das alemãs, após uma falha de comunicação com a goleira Scurry. Milbrett empatou, mas as alemãs voltaram a ficar na frente do placar no finalzinho do primeiro tempo. Na segunda etapa, as Stars superaram o nervosismo e viraram o jogo com Chastain (agora a favor!) e Fawcett. A vitória dramática por 3 a 2 colocou as anfitriãs na semifinal diante do Brasil da artilheira Sissi. Seria o duelo entre as duas equipes que jogavam o melhor futebol do torneio.

Michelle Akers: craque foi essencial, também, para o título de 1999.

 

Em duelo realizado no dia 04 de julho, independência dos EUA, as Stars deram um novo motivo para a torcida festejar: vitória suada por 2 a 0 em Stanford, gols de Parlow e Akers, que fez uma partida épica atuando no meio de campo, sua posição preferida, articulando as jogadas e chamando a responsabilidade. “Ela foi uma presença marcante para nós em campo hoje. Ninguém conseguia tirar a bola dela. Ela esteve por todo o campo”, comentou Cindy Parlow sobre a companheira, em entrevista ao Los Angeles Times em 05 de julho de 1999.

Mais experiente, o time de 1999 não deixava tantos espaços e era mais organizado taticamente.

 

Akers e o técnico DiCicco. Foto: Rich Lipski / The Washington Post.

 

E tal atuação ganhou ainda mais peso devido ao já citado problema de saúde da craque, que inspirava suas companheiras com bravura, força de vontade e espírito vencedor. Para se ter uma ideia da intensidade daquele jogo, ela teve um corte no joelho direito, marcas avermelhadas na testa e teve que receber duas doses de fluído por via intravenosa, segundo reportagem de Amy Shipley, do jornal Washington Post na época. Ela era uma inspiração e a força que fez aquela seleção chegar à final. “Ela é uma heroína para mim. Nós estávamos no campo e eu dizia ‘é um orgulho ter você jogando pelos EUA’. É uma honra jogar ao lado dela. Ela é uma guerreira”, comentou Mia Hamm na época. Mas ainda faltava um desafio: enfrentar a China, que queria a desforra pelo revés na final olímpica de 1996 e queria o título mundial para coroar uma geração que tanto brilhou no futebol feminino daqueles anos 1990.

 

Sol, nervos à flor da pele e pênaltis: o histórico bicampeonato

Akers sofreu ainda mais durante a Copa por causa do forte calor e teve que receber intensos cuidados durante os jogos. Foto: David Madison / Getty Images.

 

A grande final colocou frente a frente as melhores seleções do planeta. Como não poderia deixar de ser, a decisão foi um verdadeiro acontecimento nos EUA, com shows pirotécnicos, de aviões-caça no céu e intensa cobertura midiática, com audiência que bateu na casa dos 40 milhões de pessoas. Mas o principal destaque estava ali, nas arquibancadas: 90.185 pessoas abarrotaram o lendário Rose Bowl, protagonizando o maior público em um evento esportivo feminino em todos os tempos! Insuperável! Único! Com aquele sol impressionante e uma atmosfera contagiante, não havia uma pessoa que não deixava a emoção aflorar. Quando a bola rolou, a partida demonstrou o equilíbrio absurdo entre as equipes. Era um verdadeiro thriller, e a bola teimava em não entrar nas chances criadas. A China causou pânico em dois lances capitais nos quais a bola ficou em cima da linha, mas Kristine Lilly e a goleira Scurry evitaram o gol das asiáticas, que tinham o melhor ataque do torneio, mas pararam no sistema defensivo das norte-americanas, mais organizado e seguro do que nas partidas anteriores.

Sem gols também na prorrogação, a Copa foi decidida nos pênaltis, curiosamente da mesma maneira que o torneio masculino de 1994, também nos EUA e no mesmo estádio, entre Brasil e Itália. Na marca da cal, todas foram convertendo suas cobranças até a chinesa Liu Ying ver a goleira Briana Scurry defender seu chute, o terceiro da China. O aproveitamento seguiu 100% até chegar a vez de Brandi Chastain. Se ela fizesse, a seleção dos EUA seria a primeira bicampeã da história. A lateral bateu, fez, e, num gesto “voluntariamente insano”, segundo a própria, tirou a camisa para comemorar e ganhou as manchetes de todo o mundo pelo ato surpreendente. Mas ela não estava nem aí. Afinal, ela era campeã do mundo. “Nada mais, nada menos. Eu não estava pensando em nada! Perdi totalmente o controle!”, disse a jogadora em entrevista ao Daily News (EUA), em 11 de julho de 1999.

Brandi Chastain e a imagem que embalou gerações. Foto: Robert Beck/Sports Illustrated.

 

Foto: Lacy Atkins / AP.

 

Foi a coroação de uma equipe que mesclava a experiência do time campeão em 1991 e medalhista olímpico em 1996 com a juventude de craques que surgiam naquela virada de milênio. E foi, também, a consagração definitiva de Michelle Akers e Mia Hamm como imortais do futebol, craques fenomenais, inspirações de inúmeras atletas e que ajudaram a impulsionar ainda mais o esporte não só nos EUA, mas em vários países como símbolos daquela geração vitoriosa e do futebol feminino em geral.

Mia Hamm, craque dos EUA, beija a taça da FIFA de 1999.

 

Mesmo com tantas jogadoras de talento, quem abocanhou os principais títulos individuais daquela Copa foram craques de outras equipes. A chinesa Sun Wen venceu a Bola de Ouro de melhor jogadora e foi uma das artilheiras do torneio com sete gols, ao lado da brasileira Sissi, vencedora da Chuteira de Ouro. Mas, naqueles anos 1990, ninguém podia com as estadunidenses. “É um final de livro para um time que tem seu lugar na história. Esse é um time de coragem. Elas lutaram, lutaram, lutaram e lutaram. Elas se recusaram a ser derrotadas”, disse Tony DiCicco, em entrevista ao Washington Post. Em seis jogos, as Stars venceram cinco, empataram um, marcaram 18 gols e sofreram apenas três.

O título de 1999 foi uma revolução para o futebol feminino nos EUA. Em 2000, foi criada a WUSA, associação oficial de futebol feminino nos EUA, que foi a primeira em todo o mundo a pagar as atletas como profissionais.

Veja lances da final:

 

Emolduradas para sempre

Hamm e Foudy. Foto: Jed Jacobsohn / Getty Images.

 

Após alcançar o topo do mundo e encerrar o século como a melhor seleção feminina da história, as Stars iriam passar por um inédito período sem títulos na principal competição do esporte. Com a aposentadoria das craques no novo milênio, a equipe presenciou a ascensão da fortíssima Alemanha, bicampeã mundial em 2003 e 2007, e ainda amargar um vice-campeonato em 2011, ao perder para o Japão. Só em 2015 que as estadunidenses reconquistariam o mundo com uma nova geração de craques, que tiveram como inspiração máxima o time dos anos 1990, que teve oito das onze jogadoras eleitas para a Melhor seleção dos EUA de todos os tempos, em pesquisa feita pela própria Federação de Futebol dos EUA, em 2013 – Scurry, Chastain, Fawcett, Overbeck, Akers, Foudy, Lilly e Hamm.

Foi a seleção que abriu portas, que fez história e ajudou a popularizar o soccer entre as mulheres em todo o país. Quantas garotas não queriam ser como elas? Quantas não marcavam gols e gritavam pelos nomes de Akers, Hamm, Jennings, MacMillan ou Milbrett? Quantas não queriam ser a capitã do time da escola tal como Carla Overbeck? E quantas não choraram de alegria com aquele título histórico de 1999? Muitas, tenha certeza disso. E por isso e muito mais que a seleção dos EUA de 1991-1999 é a melhor de todos os tempos. E seguirá assim por tempo indeterminado, emoldurada na parede e cravada na memória de qualquer amante do esporte.

 

As personagens:

 

Mary Harvey: com quase 1,80m de altura, Harvey foi a primeira grande goleira da seleção dos EUA e fundamental para o título mundial de 1991. Começou a carreira no time da Universidade da Califórnia em 1983 até se transferir para o futebol europeu, onde teve passagens pelo Frankfurt-ALE, Hammarby-SUE e Tyresö-SUE. Jogou pela seleção entre 1989 e 1996 e esteve também no time campeão olímpico de 1996.

Briana Scurry: goleira emblemática, com muita força física, ótima no posicionamento e titular absoluta nos títulos de 1996 e 1999. Scurry jogou de 1994 até 2008 pela seleção e faturou também o Ouro Olímpico em 2004. Disputou 159 jogos e acumulou um retrospecto considerável: 133 vitórias, 12 empates e apenas 14 derrotas. Na final da Copa de 1999, se adiantou bastante em todas as cobranças das chinesas, mas contou com a parcimônia da árbitra do jogo e ainda defendeu o chute de Liu Ying. Foi uma das grandes de sua geração.

Carla Overbeck: capitã da seleção nas Copas de 1995, 1999 e nas Olimpíadas de 1996, Overbeck não era de aparecer nos holofotes, mas estava lá, firme, quando o time mais precisava dela. Líder e com uma contagiante mentalidade vencedora, Overbeck começou no Tar Heels da Carolina do Norte e jogou de 1988 até 2000 pela seleção. Foram 167 jogos pelas Stars and Stripes, além da titularidade absoluta e sem ser substituída em todos os jogos das campanhas das Copas de 1995, 1999 e Olimpíadas de 1996. Overbeck ganhou espaço no Hall da Fama do Futebol nos EUA e é presença certa em diversas listas com as melhores da história do futebol nos EUA.

Mia Hamm: se no basquete dos EUA nos anos 1990 a referência máxima era Michael Jordan, no futebol feminino ela atendia pelo nome de Mia Hamm, uma das maiores e mais fantásticas jogadoras de todos os tempos, craque fenomenal, inspiração de inúmeras atletas e que ajudou a impulsionar ainda mais o esporte não só nos EUA, mas em vários países como um símbolo daquela geração vitoriosa e do futebol feminino em geral. Campeã em 1991 como lateral-direita, a craque foi jogar mais avançada, no ataque, e passou a marcar gols e usar sua técnica e visão de jogo na construção das mais variadas jogadas. Assim, marcou 158 gols em 276 jogos pela seleção entre 1987 e 2004 e se tornou a recordista em assistências para gols (145), além de ter sido artilheira da equipe em quatro temporadas (1993, 1995, 1997 e 1998), e maior assistente do time em sete oportunidades. Campeã do mundo em 1991 e 1999 e medalhista de ouro em 1996 e 2004, Hamm foi duas vezes eleita pela FIFA a Melhor Jogadora do Mundo (2001 e 2002), foi uma das duas mulheres (a outra foi Michelle Akers) eleitas por Pelé para o FIFA 100 em 2004, foi cinco vezes eleita a atleta do ano no futebol feminino dos EUA, entrou para o Hall da Fama do esporte no país e ganhou outros inúmeros prêmios. Uma craque imortal.

Joy Fawcett: assim como Carla Overbeck, Joy Fawcett foi a outra jogadora a disputar todos os jogos sem ser substituída nas campanhas das Copas de 1995, 1999 e das Olimpíadas de 1996. Defensora implacável, ela ainda mostrava sua intensidade no ataque, aparecendo como elemento surpresa que a transformou na zagueira que mais marcou gols na história do futebol dos EUA – foram 27 gols em 241 jogos. Jogou de 1987 até 2004 pelas Stars and Stripes.

Linda Hamilton: atuava pelo lado esquerdo, recuada, e foi titular na campanha do título mundial de 1991. Outra presente no time da Tar Heels, Hamilton jogou de 1987 até 1995 na seleção. Teve que encerrar a carreira precocemente, aos 26 anos, por problemas nos joelhos.

Kate Sobrero: a zagueira disputou 201 jogos pela seleção e integrou o time campeão do mundo em 1999 (era uma das mais novas do elenco, com 23 anos a completar) e medalhista olímpico em 2004 e 2008. Após pendurar as chuteiras, virou uma renomada profissional da área de cinesiologia.

Shannon Higgins: atuava no meio de campo e foi presença fundamental no título mundial de 1991. Cria do time da Carolina do Norte, Shannon Higgins disputou 51 jogos pela seleção entre 1987 e 1991. Muito boa tanto na marcação quanto no apoio ao ataque, ela deu os dois passes para os gols de Michelle Akers na final do Mundial de 1991. Após a Copa, foi trabalhar no time feminino da Universidade George Washington.

Brandi Chastain: outra icônica jogadora dos EUA, Chastain podia jogar na zaga, na lateral, no meio de campo e até no ataque. Entrou para a história com sua inusitada comemoração após o gol do título mundial de 1999, mas marcou época como uma das mais talentosas e regulares jogadoras de seu tempo. Chegou a jogar no futebol japonês no início dos anos 1990 e ganhou espaço no time principalmente após o Mundial de 1991 por causa da sua polivalência, fôlego e avidez. Foram 192 jogos, 30 gols e 32 assistências pelas Stars and Stripes na carreira.

Julie Foudy: meia-campista de exímio talento e segunda em sua posição com mais gols na história da seleção – foram 45 em 274 jogos -, Julie Foudy foi uma das mais lendárias jogadoras de seu tempo, bicampeã mundial em 1991 e 1999 e campeã olímpica em 1996. Em 1997, ganhou um notável prêmio Fair Play da FIFA por seu trabalho fora dos gramados contra o trabalho infantil, sendo a primeira mulher e a primeira de todo os EUA a receber tal honraria.

Kristine Lilly: recordista em jogos com a camisa da seleção e a jogadora com mais jogos por um país tanto no futebol feminino quanto no masculino – foram incríveis 354 (!) – e 3ª maior artilheira da história da equipe com 130 gols, Lilly foi outra lenda norte-americana e exemplo de longevidade – ela jogou durante 23 anos pela seleção. Além de ser exímia goleadora, Lilly também dava passes precisos para as companheiras. Foram 106 assistências na carreira, a 2ª na lista das maiores assistentes da história das Stars and Stripes.

April Heinrichs: foi a capitã do time na Copa de 1991 e teve a honra de erguer o primeiro caneco da história da seleção. Atacante, April Heinrichs teve uma breve carreira devido a problemas no joelho e jogou apenas de 1986 até 1991 pela seleção. Ela marcou 35 gols em 46 jogos (média de quase um gol por partida). Após pendurar as chuteiras, April iniciou uma prolífica carreira de treinadora, chegando a comandar inclusive a seleção norte-americana entre 2000 e 2005 e faturando o Ouro Olímpico em 2004.

Tiffeny Milbrett: atacante pequenina (1,57m), mas perigosíssima dentro da área, Milbrett foi uma das principais craques do time campeão olímpico em 1996 e mundial em 1999. Foi dela o gol do Ouro Olímpico em Atlanta. Milbrett marcou 100 gols em 206 jogos pela seleção e é a 7ª maior artilheira das Stars em todos os tempos.

Tisha Venturini: cria do Tar Heels, a meia-campista foi medalhista olímpica em 1996 e teve participação fundamental na conquista com boas atuações e dois gols marcados. Ela integrou também o time campeão do mundo em 1999. Foram 132 jogos e 44 gols.

Michelle Akers: eleita pela FIFA a jogadora do século XX. Maior artilheira em uma só edição de Copa com 10 gols. Maior artilheira em um só jogo de Copa com cinco gols. Uma das duas mulheres a ser eleita para o FIFA 100. A 5ª maior artilheira da história da seleção com 107 gols em 155 jogos. Exemplo de atleta. Insuperável em superação. Insuperável nas jogadas aéreas. Insuperável em bravura. Insuperável em estímulo às companheiras e símbolo de uma geração de ouro. Michelle Akers foi tudo isso e muito mais. Uma lenda. Uma jogadora incontestável e que demonstrou todas as formas de amor aos EUA e ao futebol. Sem ela, jamais a seleção norte-americana seria bicampeã mundial. Uma craque imortal.

Carin Jennings: atacante de muito talento, Jennings completava a “espada de três gumes” da equipe campeã do mundo em 1991. Foi a vencedora da Bola de Ouro de melhor jogadora daquela Copa e marcou 56 gols em 119 jogos entre 1987 e 1996. Se aposentou da seleção com o Ouro Olímpico.

Cindy Parlow: jogava mais centralizada no sistema ofensivo do time campeão olímpico de 1996 e mundial em 1999, quase como uma centroavante, mas também voltava para ajudar no meio de campo. É uma das maiores artilheiras da história da seleção com 75 gols em 158 jogos, e jogou de 1996 até 2006 pela seleção.

Shannon MacMillan: podia atuar como meia e também no ataque com a mesma qualidade e notável faro de gol. Deixou sua marca em vários jogos decisivos dos EUA, principalmente nos Jogos Olímpicos de 1996, quando marcou o Gol de Ouro na semifinal contra a Noruega e o primeiro gol na final contra a China. MacMillan marcou 60 gols em 176 jogos e é a 9ª maior artilheira da história da seleção.

Anson Dorrance e Tony DiCicco (Técnicos):  com carreiras marcadas pelo desenvolvimento do esporte em todo os EUA, Dorrance e DiCicco são os mais famosos e notáveis treinadores da história da seleção dos EUA. Dorrance foi o responsável pela emancipação da equipe e do futebol feminino em si, por plantar a semente vencedora e “energizar” as jogadoras em não admitir nada que não fosse a vitória. Já Tony DiCicco continuou o ciclo e fez da seleção uma máquina de vencer, acumulando um retrospecto surreal de 90% de aproveitamento com 105 vitórias, oito empates e apenas oito derrotas.

 

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Extra:

Veja os gols da final de 1991.

 

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