Esquadrão Imortal – Flamengo 1990-1992

O time da finalíssima de 1992. Em pé: Gélson, Gilmar, Gottardo, Charles, Piá e Júnior. Agachados: Júlio César, Gaúcho, Zinho, Fabinho e Uidemar.

 

Grandes feitos: Campeão do Campeonato Brasileiro (1992), Campeão Invicto da Copa do Brasil (1990) e Campeão Carioca (1991).

Time-base: Gilmar (Zé Carlos); Charles Guerreiro (Aílton), Wilson Gottardo (Fernando / Rogério), Júnior Baiano (Gélson / Vítor Hugo) e Piá; Uidemar (Marcelinho Carioca), Júnior, Fabinho (Nélio / Marquinhos) e Zinho (Djalminha); Paulo Nunes (Bobô / Renato / Júlio César) e Gaúcho. Técnicos: Jair Pereira (1990), Vanderlei Luxemburgo (1991) e Carlinhos (1991-1992).

 

“O Grand Finale dos Anos Incríveis”

 

Desde 1979 que era o maior prazer vê-lo brilhar. Quando o Flamengo entrava em campo, começava uma ode ao futebol arte. Esquadrões escalados de cor e salteado por torcedores e até rivais davam show e empilhavam taças. Tais times colocavam mais de 100 mil pessoas no Maracanã. Entre 1980 e 1983, o apogeu, a era dos títulos inesquecíveis, da Libertadores, do Mundial, dos três Brasileiros. As saídas de Zico e Júnior deixaram a torcida carente. Mas a alegria voltou em 1985, quando o Galinho retornou e, ao lado de jovens talentos, fez o Flamengo novamente campeão em 1986 e 1987. Ele se aposentou, mas outra lenda retornou ao rubro-negro já em 1989: Júnior, que soube se reinventar atuando no meio de campo para comandar uma nova era naquele começo de anos 1990. Só que ele não estava sozinho. Uma garotada boa de bola despontava na Gávea e ajudou a construir um novo time competitivo e campeão. Júnior Baiano, Piá, Fabinho, Marcelinho Carioca, Paulo Nunes, Djalminha… Todos formados no clube e com presença nas conquistas rubro-negras, principalmente no Campeonato Brasileiro de 1992. Além deles, teve também os goleiros Zé Carlos e Gilmar, o meia Zinho – desde 1986 no time titular – os atacantes Gaúcho e Renato, entre outros. Com o técnico Jair Pereira, veio o título inédito (e invicto!) da Copa do Brasil. E com o talismã Carlinhos, mais um Carioca para a coleção e o Brasileirão. Isso sem contar os grandes jogos protagonizados tanto em casa quanto fora sobre os mais diversos rivais, incluindo titãs da época, como o São Paulo de Telê. É hora de relembrar o capítulo final da fase mais gloriosa da história do Flamengo.

 

Nova base de ouro

O Fla da Copinha: base subiu praticamente inteira para o time profissional. Foto: Placar.

 

Embora tenha vencido o Módulo Verde da famigerada e até hoje polêmica Copa União de 1987 com um esquadrão formidável – e que tinha futuros tetracampeões do mundo pela seleção – o Flamengo buscava um norte naquele final de anos 1980 e início de anos 1990. É que seu principal jogador e referência máxima estava se despedindo: Zico, que pendurou as chuteiras em 1989 e só retornaria em 1991 lá no futebol japonês. Passando por uma entressafra, o clube da Gávea não tinha mais Jorginho, Leonardo, Bebeto e Leandro, mas ainda contava com o goleiro Zé Carlos, o atacante Renato, o polivalente Aílton e o ídolo Júnior, que iria atuar no meio de campo (ele havia sido lateral em sua primeira passagem pelo clube) graças à sua técnica refinada e visão de jogo plena. 

Em pé: Leandro, Zé Carlos, Andrade, Edinho, Leonardo e Jorginho. Agachados: Bebeto, Aílton, Renato Gaúcho, Zico e Zinho. Esse era o Fla de 1987…

 

Felizmente, a torcida não precisou esperar muito para receber boas notícias. Já em 1990, o Flamengo conquistou pela primeira vez a tradicional Copa SP de Futebol Júnior com jogadores de muito talento e que ganhariam espaço instantâneo no time profissional. O zagueiro Júnior Baiano, o lateral-esquerdo Piá, o meio-campista e lateral Fabinho, o volante Fábio Augusto, o meio-campista Marquinhos, os meias Djalminha e Marcelinho Carioca, e os atacantes Nélio e Paulo Nunes foram alguns dos titulares do time que atropelou seus adversários pelo caminho – incluindo o Corinthians, que levou de 7 a 1 na semifinal, com cinco gols de Djalminha -, e venceu o Juventus-SP na final por 1 a 0 mesmo sem vários titulares, que estavam na seleção brasileira sub-20.

 

 

Aquela safra impressionante de jogadores não deixava dúvidas de que o Flamengo poderia retomar o caminho das glórias e iniciar uma década levantando títulos assim como havia acontecido nos anos 1980. Claro que ainda era cedo para comparações, mas muitos acreditavam que aquela garotada, ao lado de Júnior, Renato, Zé Carlos e Zinho, poderia levar o Mengo a Tóquio novamente. Eram jogadores talentosos, rápidos, habilidosos e com muita vontade para mostrar seu futebol e cravar espaço em um clube badalado e acostumado às vitórias na época. Já com um desconfortável jejum de três anos sem grandes títulos, o ano de 1990 era essencial para as pretensões rubro-negras. E o momento ideal para aquela molecada provar seu valor.

 

Foco na Copa e passeios internacionais

Embora tenha começado bem a disputa do Campeonato Carioca de 1990, o Flamengo não conseguiu perseguir Vasco (campeão da Taça Guanabara), Fluminense (campeão da Taça Rio) e Botafogo (dono da melhor campanha nos dois turnos acumulados) e ficou de fora das finais do torneio. Mesmo assim, o atacante Gaúcho foi artilheiro da competição com 14 gols e provou sua grande fase com muita regularidade e os habituais gols de cabeça, quase sempre originados após cruzamentos precisos do lateral Piá ou passes de Zinho e Júnior. Com a mescla entre atletas experientes e os jovens da base, o Flamengo era uma equipe bastante competitiva, que jogava um futebol rápido e eficiente nos contra-golpes. Em junho, a equipe iniciou a disputa da Copa do Brasil com uma goleada de 5 a 1 sobre a Capelense-AL, que levou de 4 a 0 na volta, em Alagoas. Na fase seguinte, o rubro-negro despachou o Taguatinga-DF com vitória por 2 a 0 em casa e empate em 1 a 1 fora. No final de julho, foi a vez de eliminar o Bahia com empate em 1 a 1 na ida, em Salvador, e vitória por 1 a 0 no Rio. Depois desse jogo, o Flamengo foi até o Japão disputar um torneio amistoso chamado Copa Sharp, contra a Real Sociedad-ESP. E o time brasileiro deu show: vitória por 7 a 0, com show da dupla Renato (anotou dois gols) e Gaúcho (fez três). Bobô, estreante do dia, também fez o seu, e Bujica fechou a conta.

 

Veja:

Quatro dias depois, o time carioca viajou até os EUA para mais jogos amistosos e venceu a Seleção dos EUA por 1 a 0 e o Alianza Lima-PER pelo mesmo placar. De lá, o time foi para a Itália e venceu o Savona-ITA por 5 a 0 e perdeu para o Palermo-ITA por 1 a 0. Na volta ao Brasil, o Mengo passou a dividir suas atenções entre a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. No entanto, o foco principal era a Copa, pois apenas quatro jogos separavam o clube de um título inédito e ainda de uma vaga na Copa Libertadores. Após quatro jogos sem vitórias no Brasileirão, o rubro-negro encarou o Náutico, em casa, na partida de ida das semifinais da Copa do Brasil e venceu por 3 a 0, resultado que deixou o Mengo com um pé na decisão. Na volta, o empate em 2 a 2 classificou o time de Jair Pereira para a decisão contra o Goiás de Túlio Maravilha.

 

A taça inédita (e invicta!)

 

Jogando em Juiz de Fora (MG) numa quinta-feira à tarde e com míseros dois mil torcedores (belo horário para uma decisão… Coisas da sempre exemplar CBF…), o Flamengo encarou o Goiás por um bom resultado para poder jogar pelo empate a partida de volta, em Goiânia. Em um jogo bastante equilibrado e disputado, o gol rubro-negro saiu após um lance de bola parada aos 16’ do segundo tempo, quando Djalminha cruzou e o zagueiro Fernando apareceu dentro da área para fazer 1 a 0. Seis dias depois, em 07 de novembro de 1990, mais de 45 mil pessoas viram o Flamengo jogar pelo resultado, a zaga segurar as investidas de Túlio e o placar de 0 a 0 garantir o primeiro título da história dos cariocas na Copa do Brasil, taça que veio invicta, com seis vitórias e quatro empates em 10 jogos, além de 20 gols marcados e seis sofridos. Gaúcho, sempre ele, foi o artilheiro do time com cinco gols. 

 

Festa no Serra Dourada. Foto: Arquivo / O Globo.

 

O Fla de 1990: meio de campo marcava e criava bastante, e a dupla Renato e Gaúcho cuidava dos gols lá na frente.

 

O título garantiu o Flamengo na Libertadores de 1991 e salvou o semestre do clube, que fez uma péssima campanha no Brasileirão e terminou apenas na 11ª posição. O título ficou com o Corinthians, que enfrentou o Flamengo em janeiro de 1991 pela Supercopa do Brasil e venceu por 1 a 0. Aquela foi a segunda e última edição do torneio, que jamais foi organizado pela CBF novamente. Rumores dizem que ela volta em 2020. Mas é preciso ver para crer…

 

Mudança de comando e manutenção da base

Luxemburgo e Júnior, em 1991.

 

Em 1991, o técnico Jair Pereira deixou o Flamengo e um novato Vanderlei Luxemburgo, após brilhante campanha pelo Bragantino campeão Paulista de 1990, assumiu o rubro-negro. Ele manteve a base do ano anterior (dentre os grandes nomes, deixaram a equipe o atacante Renato, para jogar no Botafogo, e o meia Bobô, que ficou pouco tempo, por empréstimo) e teve pelo caminho o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores. No torneio nacional, o time outra vez começou mal e fez jogos terríveis – como o revés de 5 a 1 para o Goiás, fora de casa, e as derrotas para Athletico-PR (3 a 0) e Bahia (2 a 1). Já na Libertadores, o clube da Gávea foi bem, venceu três e empatou três dos seis jogos da fase de grupos, deixando para trás Corinthians, Bella Vista-URU e Nacional-URU. Nas oitavas, a equipe eliminou o Deportivo Táchira-VEN facilmente – vitórias por 3 a 2 e 5 a 0 -, mas sucumbiu diante do Boca Juniors-ARG nas quartas após vencer por 2 a 1 em casa e perder por 3 a 0 na Argentina. 

Gaúcho, ídolo da torcida rubro-negra.

 

Em junho, a equipe começou a disputar a Copa Rio, que definia (na teoria) um dos clubes do Rio de Janeiro na Copa do Brasil do ano seguinte. O rubro-negro venceu a fase de grupos, despachou o América de Três Rios na semifinal e derrotou o Americano na decisão por 1 a 0 na ida (gol de Júnior) e 3 a 0 na volta (gols de Gaúcho, Zinho e Júnior). No entanto, mesmo com o título, o Flamengo não se classificou para a Copa do Brasil de 1992. Disputaram a competição o Vasco (4º colocado no Estadual de 1991) e o Fluminense (vice-campeão estadual de 1991).

Djalminha…

 

Paulo Nunes…

 

E Marcelinho: puros talentos daquele Fla.

 

Após a Copa Rio, Luxemburgo deixou o clube depois do segundo jogo da Taça Guanabara do Campeonato Carioca, criticando a falta de estrutura do rubro-negro. Carlinhos assumiu mais uma vez o comando técnico e a torcida viu com bons olhos tal mudança, afinal, o treinador era pé-quente e conhecia como ninguém os jogadores e o clube. Com o Campeonato Carioca já em andamento, era a ocasião perfeita para o time tentar uma grande taça na temporada.

 

Rumo à final

Após vencer o América (5 a 3) e empatar com Itaperuna (1 a 1) e América de Três Rios (2 a 2), o Flamengo derrotou o Bangu na 4ª rodada por 1 a 0, perdeu para o Fluminense (2 a 1), venceu o Americano (2 a 0), a Portuguesa (2 a 1), o Volta Redonda (1 a 0) e o Vasco, de virada, por 2 a 1 (gols de Gaúcho e Nélio). Em outubro, o time ainda disputou a Supercopa da Libertadores e eliminou o Estudiantes-ARG após empate em 1 a 1 em casa e vitória por 2 a 0 em plena La Plata (gols de Gaúcho e Zinho). No entanto, o Mengo acabou eliminado pelo River Plate-ARG nas quartas de final após derrota por 1 a 0 fora de casa, triunfo por 2 a 1 em casa e derrota nos pênaltis por 4 a 3. Ainda no primeiro turno do Campeonato Carioca, o Flamengo empatou em 1 a 1 com o Campo Grande e bateu o rival Botafogo por 2 a 1, resultados que deixaram a equipe do técnico Carlinhos na segunda posição da Taça Guanabara com apenas um ponto a menos que o Flu.

Mas o time manteve o bom retrospecto e permaneceu invicto no segundo turno. Os rubro-negros derrotaram Bangu (2 a 1), Goytacaz (2 a 1), América (1 a 0), Itaperuna (3 a 0), América de Três Rios (2 a 0), São Cristóvão (2 a 0), Vasco (2 a 0) e Campo Grande (1 a 0), perdendo pontos apenas nos empates contra Americano (1 a 1), Fluminense (0 a 0) e Botafogo (2 a 2). Ao término da Taça Rio, o Flamengo somou 19 pontos, mesma pontuação do Botafogo, Como não havia critério de desempate, os times se enfrentaram na decisão do turno e deu Flamengo: 1 a 0, gol de Gaúcho. O resultado colocou o Mengo na final. E o adversário seria o Fluminense, justamente o único dos grandes que o rubro-negro ainda não havia vencido naquele Carioca.

 

No embalo do artilheiro

 

O primeiro Fla-Flu que decidiu o Carioca de 1991 terminou empatado em 1 a 1, com Ézio anotando o gol tricolor e Paulo Nunes o rubro-negro. Na segunda partida, o Flu abriu o placar com Ézio, mas o Flamengo não deixou barato e partiu pra cima do rival. O empate veio após um cruzamento de Piá encontrar Uidemar, que fez 1 a 1. Minutos depois, outra bola recebida por Piá pela esquerda, que fez um cruzamento perfeito para Gaúcho testar e fazer o gol da virada: 2 a 1. A torcida, em uníssono, gritou “Gaúúúchooo, Gaúúúchooo, Gaúúúchooo!”, reverenciando o artilheiro máximo do time e daquele Campeonato com 17 gols marcados. Sete minutos depois, Uidemar, um leão no meio de campo, iniciou a jogada do terceiro gol pelo meio, tocou na direita para Paulo Nunes, este inverteu o jogo na esquerda para Nélio, que só escorou para Zinho aparecer e chutar de perna esquerda na entrada da área, fazendo um belo gol: 3 a 1. 

A torcida já gritava “é campeão” aos 32’ do segundo tempo! O Flu ainda descontou, mas Júnior tabelou com Zinho, aos 38’, e fez o quarto em um gol típico de treino. O placar de 4 a 2 sacramentou o título estadual e o grande segundo semestre do time, além das ótimas fases vividas por Gaúcho, Uidemar, Zinho, Piá (absolutamente impecável na lateral-esquerda) e, claro, o “Vovô-Garoto” Júnior, esbanjando técnica, vitalidade, precisão e pura arte com a bola nos pés. O que ele jogava com 37 anos era algo incrível. E um exemplo para qualquer novato. Muitos cogitaram até que o maestro iria se aposentar após aquele título. Mas Júnior queria mais. E decidiu prolongar sua carreira por mais um ano. Sábia decisão…

No ano de 1991, o Flamengo disputou 80 jogos, venceu 43, empatou 21, perdeu 16, marcou 122 gols e sofreu 77. Na campanha do título estadual foram 25 jogos, 17 vitórias, sete empates e apenas uma derrota, com 44 gols marcados e 20 gols sofridos.

 

Concentrar é preciso

A icônica foto de Júnior e seus garotos.

 

O calendário de 1992 ajudou bastante o Flamengo. O primeiro compromisso do time seria justamente o Campeonato Brasileiro, que seria disputado do final de janeiro até julho, sem concorrência alguma com outros torneios. Com apenas um foco, o Fla poderia utilizar o embalo do título estadual recém-conquistado como combustível no Brasileirão. No entanto, os favoritos para a conquista do troféu nacional eram São Paulo (campeão brasileiro em 1991), Vasco (com Bebeto e Edmundo) e Botafogo (com Márcio Santos, Válber e Renato). Outro fator que poderia tirar o rubro-negro do páreo era a situação financeira do clube. Problemas de salários atrasados pressionavam os bastidores, mas Carlinhos e Júnior iriam contornar essa situação. O papel de Júnior no diálogo com os jogadores e o lado amigo do técnico Carlinhos foram fundamentais para que os jovens ficassem tranquilos e pudessem desempenhar seu melhor futebol. Paulo Nunes, em entrevista ao Seleção SporTV, comentou sobre a presença do “Vovô Garoto” no elenco.

 

“A identidade nossa, como ser humano, foi muito criada em razão disso. Aquele grupo era muito bom, mas dava muito trabalho. Até hoje a gente conversa, e o tanto que a gente é agradecido não só pelo que o Júnior fez dentro de campo, mas fora também, o aprendizado que a gente teve”. Paulo Nunes, no Seleção SporTV, 16 de julho de 2019.

 

No mesmo programa, Júnior também reconheceu que a juventude daquele Flamengo o ajudou muito para fazer o clube ser campeão. “Esses moleques me deram, no final de carreira, uma possibilidade de revitalização. Eu era o irmão mais velho desses caras, e minha importância foi dizer o que iria acontecer com a carreira deles.”

Com muita conversa e amizade, o ambiente interno teria paz em prol do resultado. Mas o caminho até a final não seria nada fácil.

 

Do quase adeus à ressurreição

Fla passou por maus bocados no começo do campeonato.

 

Após empatar em 1 a 1 com o Bahia, fora de casa, e vencer o Guarani em Campinas por 3 a 1, o Flamengo encarou o Botafogo já na terceira rodada e empatou em 2 a 2 (gols de Júnior e Piá). Na 4ª rodada, outra boa vitória fora de casa, dessa vez contra o Palmeiras em um Palestra Itália lotado, com gols de César Sampaio (contra) e Wilson Gottardo. No dia 19 de fevereiro, um jogaço no Maracanã contra o São Paulo de Telê, em partida que teve entrega de faixas – ambos os times eram campeões estaduais – e respeito mútuo. Gaúcho abriu o placar com um golaço, Palhinha empatou, Rogério fez 2 a 1 e Júnior, em jogadaça pela direita, cruzou para Gaúcho marcar de cabeça o terceiro gol. O São Paulo ainda descontou, mas o placar de 3 a 2 permaneceu e garantiu mais dois pontos ao rubro-negro (a vitória ainda valia dois pontos na época). Porém, a boa campanha do ínicio começou a ruir com a derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro, em casa, para o Santos (2 a 0), na Vila, e para o Bragantino (1 a 0), no Maracanã, além do empate em 1 a 1 com o Atlético-MG, no Mineirão. O Flamengo ainda empatou em 0 a 0 com o Náutico, no Recife, perdeu por 4 a 2 para o Vasco (com show da dupla Edmundo e Bebeto), e só conseguiu respirar após vencer o Athletico-PR por 2 a 0, em casa, e derrotar o Corinthians por 3 a 1 em pleno Pacaembu, com gols de Júnior (golaço cobrando falta), Marquinhos e Fabinho, além de uma atuação coletiva memorável que praticamente colocou o alvinegro na roda.

O problema é que o time voltou a tropeçar nas duas rodadas seguintes ao empatar em 1 a 1 com o Fluminense e perder em casa para o Sport por 2 a 1, resultados que deixaram o Fla na 12ª posição. Quase ninguém acreditava em uma reviravolta da equipe faltando quatro rodadas para o fim da primeira fase. Só que tudo conspirou a favor. Na rodada seguinte, goleada de 4 a 1 sobre o Paysandu. Depois, empate em 1 a 1 com a Portuguesa no Canindé. O Mengo ainda venceu o Goiás por 3 a 1 e bateu o Internacional por 2 a 0 (com outro gol de falta de Júnior), resultados que, somados aos tropeços de rivais diretos e às vitórias que valiam dois pontos, classificaram o Flamengo, que terminou na 4ª posição com 22 pontos, oito vitórias, seis empates e cinco derrotas, com 32 gols marcados (terceiro melhor ataque) e 24 gols sofridos em 19 jogos.

O time da final de 1992: Piá foi jogar na ponta-esquerda e Fabinho virou lateral. Na frente, Júnior foi outra vez perfeito.

 

Na segunda fase, os oito classificados foram divididos em dois grupos com quatro equipes cada. O Flamengo teve pela frente Vasco, Santos e São Paulo. No primeiro jogo, contra o tricolor, o Mengo venceu por 1 a 0, aproveitando o fato de o rival jogar com um time cheio de reservas por conta da final da Libertadores que ele teria pela frente. Na segunda rodada, derrota por 1 a 0 para o Santos, fora de casa, seguida de empate em 1 a 1 com o Vasco, em uma Maracanã com 101 mil pessoas (!). Três dias depois, novo duelo com o rival cruzmaltino e vitória por 2 a 0 (gols de Júnior e Nélio). No dia 04 de julho, a derrota por 2 a 0 para o São Paulo no Morumbi assustou, mas o time rubro-negro venceu o Santos por 3 a 1 na última rodada e se garantiu na decisão, com mais um gol decisivo de Gaúcho. No outro jogo do grupo, o Vasco ainda deu uma ajudinha ao vencer o São Paulo por 3 a 0, resultado que beneficiou o Flamengo pelo fato de o tricolor não alcançar os 7 pontos e perder a chance de chegar à final, já que ele levava vantagem no confronto direto. Com muito suor e superação, o Flamengo estava na decisão. E o rival era um velho conhecido: o Botafogo de Renato Gaúcho.

 

Goleada e churrasco

Contra o Botafogo, Júnior humilhou Renato Gaúcho com dois cortes sensacionais.

 

No dia 12 de julho de 1992, 102.547 pessoas foram ao Maracanã para o primeiro jogo da final entre Flamengo e Botafogo. O rubro-negro apostava no entrosamento e no embalo adquirido naquela reta final para superar o Botafogo, dono da melhor campanha naquela segunda fase e com Renato Gaúcho inspirado, além do zagueiro Márcio Santos, do lateral Válber e do volante Pingo. Mas o que se viu no Maraca foi um passeio do Flamengo, que liquidou o jogo já no primeiro tempo. Gaúcho recebeu e deixou para Júnior fazer 1 a 0, aos 15’. Aos 34’, Fabinho tocou na esquerda para Nélio, que recebeu livre e tocou na saída de Ricardo Cruz: 2 a 0. O terceiro gol saiu quatro minutos depois, quando Piá cruzou e Gaúcho, de cabeça, marcou o seu. Além disso, o maestro Júnior fez Renato sentar duas vezes com dribles desconcertantes que levaram a torcida à loucura. 

 

Veja:

No segundo tempo, foi só gastar a bola e esperar a partida de volta. Dias depois, uma polêmica beneficiou ainda mais o Flamengo. O atacante Renato convidou amigos para um churrasco em sua casa como se nada tivesse acontecido. Lá, estava Gaúcho, atacante do Flamengo e amigo de Renato. A confraternização foi flagrada pelas TVs da época e aquilo deixou a diretoria alvinegra (e a torcida) furiosa. Renato acabou afastado da equipe pelo presidente, deixou o clube e virou inimigo eterno dos botafoguenses.

Renato (à dir.) e Gaúcho: “churrasco da discórdia” deixou a torcida botafoguense louca da vida.

 

A taça em um dia triste

Um dia que era para ser de festa no Maracanã acabou com uma mancha de tristeza naquele 19 de julho de 1992. Vinte minutos antes da partida entre Flamengo e Botafogo começar, grades de alumínio com parafusos corroídos e porcas faltando provocaram o rompimento de 13 metros de grade no primeiro degrau da arquibancada do estádio. Torcedores do Flamengo caíram de uma altura de oito metros em cima das cadeiras. Com apenas seis médicos e oito enfermeiros para mais de 120 mil espectadores (dá pra acreditar?), o atendimento foi precário, causou pânico e consequências terríveis: três mortos e 82 feridos. O acidente deflagrou o estado precário no qual se encontrava o Maracanã na época. Segundo reportagem feita pelo Globo Esporte, em julho de 2017, “a execução do projeto feita em 1979 teve falhas como ausência de colocação de contraporcas (uma segunda porca que se coloca sobre a primeira) e deficiência de drenagem na área de apoio das sapatas. As grades de alumínio haviam sido instaladas 13 anos antes, substituindo as de ferro ainda da época da construção do estádio, em 1950”. 

Mesmo com a tragédia, a partida aconteceu. Júnior, do Flamengo, comentou que os atletas não viram a tragédia, mas se tivessem visto, não teriam condições alguma de jogar. Após o fatídico episódio, o jogo começou e o Flamengo conseguiu cumprir à risca a tática de não levar gols nos primeiros 20 minutos de jogo e evitar uma reação botafoguense. Até que, aos 42’, o Flamengo teve uma falta na entrada da área. Parecia que Zinho iria rolar a bola para Júnior bater. Mas o maestro preferiu chutar direto. A bola foi colocada, à meia altura, sem chance alguma para o goleiro: 1 a 0. Na comemoração, o camisa 5 saiu correndo e pulando como um garoto, feliz, frenético, certo de que estava muito perto de escrever outra história marcante pelo clube. No começo do segundo tempo, Piá cruzou na medida para Júlio César fazer 2 a 0 e ampliar para 5 a 0 a vantagem rubro-negra na soma dos resultados. A torcida começou a gritar “é campeão!”. O Botafogo ainda empatou com gols de Pichetti e Valdeir, mas de nada adiantou. O Flamengo era campeão brasileiro de 1992 com 32 pontos, 27 jogos, 12 vitórias, oito empates, sete derrotas, 44 gols marcados (segundo melhor ataque) e 31 gols sofridos. 

Zinho, Júnior e Gottardo: festa do Fla campeão! Foto: Arquivo / O Globo.

 

Um título que coroou a brilhante carreira de Júnior, com 38 anos, jogando como um garoto e artilheiro do time com nove gols, aumentou ainda mais a já recheada galeria de Zinho, fundamental naquela era de ouro, e dos vários jovens que contribuíram para a campanha rubro-negra. Nunca a frase “se deixar chegar” foi tão verdadeira naquela época. Outros foram os favoritos. Mas deixaram o Flamengo chegar… Deu no que deu.

 

O fim de uma era inesquecível

  

No segundo semestre, o Flamengo não conseguiu superar o Vasco e foi vice do Campeonato Carioca. Em 1993, o time tentou o título da Libertadores, mas caiu diante do futuro bicampeão São Paulo nas quartas de final. Depois disso, Júnior se aposentou e a base que subiu praticamente inteira para o time profissional foi desfeita. Com muitos problemas financeiros, a diretoria teve que negociar todos os jogadores. E todos, por terem tanto talento, tiveram sucesso. Paulo Nunes virou o “diabo loiro”, ídolo do Grêmio e do Palmeiras. Djalminha virou um virtuose no Palmeiras de 1996 e no Deportivo La Coruña. Júnior Baiano colecionou taças no Palmeiras e no Vasco. Zinho foi ser campeão do mundo em 1994 e continuou a jogar muita bola no Palmeiras, no Grêmio e no Cruzeiro. Marcelinho Carioca virou um ser divino no Corinthians, principalmente no timaço do final dos anos 1990. Percebe a dimensão e importância daqueles jogadores para o futebol brasileiro? Justamente na penúltima década de ouro do nosso esporte, quando a seleção brasileira dava espetáculo e tinha uma quantidade tão absurda de craques que muitos acabavam de fora por causa do excesso!

Após as vendas de seus talentos, a diretoria preferiu investir em nomes badalados, principalmente no ano do centenário, em 1995 (que virou sem ter nada), e não conseguiu mais repetir a filosofia do “craque se faz em casa” tão em voga no clube durante décadas. O clube conquistou títulos, claro, mas nunca mais formou praticamente um time inteiro como formava décadas atrás e, principalmente, nos anos 1980 e naquele início de anos 1990, tempos que forjaram o Flamengo ao topo da popularidade no Brasil, temido de norte a sul e que fez jus ao hino. Vencer, vencer e vencer era com ele mesmo. Um esquadrão imortal.

 

Os personagens:

Gilmar: chegou já experiente ao Flamengo, com 31 anos, e conseguiu a titularidade ao longo de 1991. Com a regularidade de sempre e grandes defesas, faturou o Carioca e o Brasileiro de 1992, seu terceiro troféu nacional (ele já havia vencido com o Inter de 1979 e o São Paulo de 1986). Foi convocado para a Copa de 1994 e esteve no elenco campeão do mundo. Jogou no Fla até 1994 e disputou 239 jogos.

Zé Carlos: chegou em 1984 ao Flamengo, após a primeira era de ouro, e permaneceu até 1991, assumindo a titularidade em praticamente todos os jogos. Foi um dos principais goleiros brasileiros dos anos 1980 e conquistou mais de dez títulos com o Flamengo. Foi um dos goleiros da Seleção Brasileira na conquista da Copa América de 1989. Foram 354 jogos com a camisa rubro-negra.

Charles Guerreiro: começou no futebol paraense e jogou no Paysandu, onde virou um dos mais queridos da torcida. Foi para o Guarani, e, em 1991, em troca envolvendo outros jogadores, chegou ao Flamengo para atuar na lateral-direita. Fez grandes jogos e foi um dos principais nomes nos títulos do Carioca de 1991 e do Brasileiro de 1992. Chegou a ser convocado inclusive para a Seleção Brasileira de Carlos Alberto Parreira na época. De 1991 até 1995, disputou 254 jogos pelo clube.

Aílton: polivalente, foi um dos jogadores mais pé-quentes da história do futebol brasileiro. E, no Flamengo, onde começou a carreira, não foi diferente. Jogou de 1985 até 1991 no clube, atuando como meia no time campeão carioca em 1986 e do Módulo Verde da Copa União de 1987. Em 1990, atuou também na campanha do título da Copa do Brasil. Rápido e oportunista, era uma grande arma ofensiva e podia jogar, também, como ponta e lateral. Foi campeão também pelo Fluminense, pelo Grêmio, pelo Botafogo e pelo Remo.

Wilson Gottardo: foi um dos principais zagueiros brasileiros do final dos anos 1980 e dos anos 1990, vencedor e multicampeão por onde passou. Chegou ao Flamengo em 1991 e assumiu a titularidade da zaga com muita regularidade e bons jogos, além de aparecer vez ou outra como elemento surpresa no ataque – marcou sete gols em 133 jogos pelo clube. Após sua passagem pelo Mengo, foi jogar no futebol português e retornou ao Brasil para faturar mais um título brasileiro em 1995, pelo Botafogo, além de uma Libertadores pelo Cruzeiro, em 1997.

Fernando: zagueiro que sempre aparecia dentro da área em lances de bola parada, foi o talismã na conquista do título da Copa do Brasil de 1990, quando marcou o único gol da vitória por 1 a 0 sobre o Goiás que sacramentou a taça inédita. Deixou o Flamengo já em 1990 após 80 disputados entre 1989 e 1990. Marcou 13 gols, um número considerável para um zagueiro.

Rogério: cria do Flamengo, jogou de 1988 até 1994 no Flamengo, atuando em vários jogos como titular. Também costumava aparecer na área em jogadas de ataque e era uma alternativa ofensiva do time de Jair Pereira e também de Carlinhos. Disputou 285 jogos (dois deles já nos anos 2000, quando retornou para uma brevíssima passagem) e marcou 23 gols pelo Fla.

Júnior Baiano: um dos mais célebres zagueiros dos anos 1990, Júnior Baiano despontou no time campeão da Copinha, mas ganhou espaço no time profissional já em 1988. Alternava grandes jogos com outros esquecíveis, uma constante em sua carreira. Mas, naquela época, foi mais vigoroso e regular, além de aparecer no ataque tanto em jogadas aéreas quanto em investidas pontuais. É um dos maiores zagueiros-artilheiros da história do Flamengo com 33 gols em 337 jogos nas três passagens que teve pelo clube. Foi zagueiro, também, da seleção brasileira, vestindo a amarelinha em 25 oportunidades, incluindo a Copa de 1998.

Gélson: outra cria do Flamengo, começou no clube exatamente em 1992 e não sentiu o peso da camisa ao ser escalado como titular em três jogos da campanha do título brasileiro, incluindo o segundo jogo da decisão contra o Botafogo, no lugar de Júnior Baiano. Com muita seriedade, fez bons jogos, mas deixou o clube precocemente já em 1995 para brilhar no Cruzeiro entre 1995 e 1997.

Vítor Hugo: zagueiro, jogou apenas em 1990 no Flamengo, mas participou da campanha do título da Copa do Brasil daquele ano. Foi titular em praticamente toda a temporada, disputando 47 jogos e marcando um gol. 

Piá: lateral-esquerdo e também ponta-esquerda, foi outra cria das bases que voou no time profissional naquele começo de anos 1990. Foi fundamental nos títulos do Carioca de 1991 e do Brasileiro de 1992, dando cruzamentos perfeitos para gols e fazendo a alegria do artilheiro Gaúcho. Basta ver os vídeos dos gols do Flamengo naquela época para perceber a importância do lateral nas jogadas de ataque e suas assistências. Jogou de 1989 até 1993 no Flamengo e disputou 221 jogos, marcando seis gols. Curiosamente, após deixar o clube para jogar no futebol português, nunca mais repetiu o futebol eficiente e perambulou por vários times até se aposentar em 2006.

Uidemar: após uma boa passagem pelo Goiás, chegou ao Flamengo em 1989 e virou uma das referências do meio de campo, atuando como primeiro volante que dava combate e ainda aparecia no ataque quando preciso. Fez grandes temporadas, as principais em 1990 e 1991, quando era o protetor para Júnior e Zinho terem mais liberdade para criar jogadas e partirem para o ataque. Incansável, foi um dos mais queridos da torcida naquela época. Foram 164 jogos e oito gols pelo Flamengo, um deles na final do Carioca de 1991.

Marcelinho Carioca: o “pé de anjo” fez seu primeiro jogo nos profissionais em 1988, mas foi a partir de 1990 que ele apareceu para o futebol brasileiro. Técnico, letal em bolas paradas e com grande visão de jogo, demonstrava enorme potencial naquele começo de carreira quando atuava no time titular. Durante as conquistas entre 1990 e 1992, não foi titular absoluto por causa da concorrência no meio de campo e só virou titular mesmo a partir do segundo semestre de 1992 e principalmente em 1993. Só que aí o Flamengo precisava de dinheiro e teve que negociar o meia com o Corinthians… O resto é história. Marcelinho colecionou taças no alvinegro e virou um dos maiores nomes do clube em todos os tempos. Ainda sim, Marcelinho deixou um número notável em sua passagem pelo Flamengo: 242 jogos e 49 gols entre 1988 e 1993.

Júnior: o que dizer de um jogador campeão da Copa do Brasil com 36 anos, Carioca com 37 e Brasileiro com 38 anos, jogando e driblando como se tivesse 22, marcando gols como se tivesse 25 e dando shows como se tivesse 30? O que dizer de um jogador Bola de Ouro do Brasileiro de 1992? O que dizer de um jogador com mais de 800 jogos com a camisa do Flamengo? Bem, não tem muito o que dizer. Só bater palmas e saudar um craque imortal, um dos maiores da história do futebol brasileiro, único remanescente da geração de 1981 naquele time de 1992. Uma lenda. Leia mais sobre Júnior clicando aqui.

Fabinho: ganhou espaço nos profissionais em 1990 e não saiu mais do elenco. Podia atuar como volante e também como lateral-esquerdo. Era eficiente nos desarmes, nos passes e no senso de colocação. Foram 254 jogos pelo Flamengo entre 1990 e 1995. Deixou o clube para também ser campeão pelo Cruzeiro, entre 1996 e 1997 e pelo Grêmio, em 1999.

Nélio: outra cria das bases que começou já em 1988, Nélio atuava como atacante e também como meia e fez grandes jogos naquele Flamengo multicampeão. Ao lado de Júnior, Zinho e Gaúcho, formou um ataque muito eficiente e com várias alternativas. Foram 346 jogos e 79 gols pelo Flamengo em 10 anos de clube. Em 1992, marcou cinco gols na campanha do título brasileiro.

Marquinhos: meia de muita técnica, também despontou no time profissional já em 1988 e foi titular em várias partidas naquele começo de anos 1990. Foi inclusive lembrado para a seleção que disputou a Copa América de 1993. Foi uma das alternativas no meio de campo, ao lado de Uidemar, Zinho e Júnior. Disputou 337 jogos e marcou 28 gols pelo Flamengo entre 1988 e 1995.

Zinho: entre 1986 e 1992, Zinho jogou um futebol técnico e com uma aplicação tática notável que fizeram dele um dos principais meias do futebol brasileiro do final dos anos 1980 e em toda a década de 1990. Foi multicampeão pelo Flamengo e fundamental nas conquistas de 1986, 1987, 1990, 1991 e 1992 do rubro-negro. Deixou a equipe para brilhar no super Palmeiras da Era Parmalat, além de retornar ao alviverde após alguns anos no futebol japonês e levantar mais títulos. Foi campeão do mundo em 1994 com a seleção e, já no final da carreira, voltou a esbanjar talento pelo Grêmio campeão da Copa do Brasil de 2001 e pelo Cruzeiro campeão da Tríplice Coroa de 2003. Foram 470 jogos e 66 gols pelo Flamengo entre 1986 e 1992 e 2004 e 2005.

Djalminha: outro endiabrado das categorias de base, Djalminha fazia o que queria com a bola e foi um dos jogadores mais técnicos da história do futebol brasileiro. Aplicava dribles incríveis nos rivais, era perigoso nas bolas paradas, aparecia constantemente no ataque e tinha uma visão de jogo privilegiada. Ficou de 1989 até 1993 no Flamengo até ser negociado com o Guarani. A torcida ficou com aquele gosto de quero mais quando o meia deixou o rubro-negro. Ele só não foi mais vezes titular por causa da concorrência com Júnior e Zinho no meio de campo. Foram 133 jogos e 28 gols pelo Fla. Anos depois, gastou a bola no Palmeiras de 1996 e no grande Deportivo La Coruña dos anos 2000. Só não teve mais espaço na seleção brasileira por causa do temperamento.

Paulo Nunes: atacante rápido, oportunista e com grande senso de colocação, despontou em 1990 no Flamengo e ganhou rapidamente espaço no time titular. Fez grandes jogos ao lado de Gaúcho e disputou 21 jogos na campanha do título brasileiro de 1992, anotando dois gols. Foi importante, também, na conquista do Carioca de 1991. Outro que deixou precocemente o clube, já no final de 1994, para fazer história no Grêmio e no Palmeiras, pelos quais ele faturou a Libertadores e vários outros títulos.

Bobô: chegou emprestado e com o nome consagrado após o título brasileiro pelo Bahia em 1988, mas não repetiu o bom futebol de antes. Participou de dois jogos da campanha do título da Copa do Brasil de 1990 e de outros 23 ao longo da temporada, a maioria no Brasileirão daquele ano e em amistosos. Sem espaço, deixou a equipe já em 1991.

Renato: era um dos remanescentes do time campeão carioca de 1986 e do Módulo Verde da Copa União de 1987 e atuou na campanha do título da Copa do Brasil de 1990 e em boa parte daquela temporada. Deixou a equipe em 1991 e retornou em 1993, após a polêmica do churrasco na decisão do Brasileiro de 1992. Entre as várias passagens que teve pelo Flamengo, disputou 211 jogos e marcou 68 gols.

Júlio César: começou no Atlético-GO e chegou ao Flamengo em 1992 para ser campeão brasileiro, atuando em 13 jogos e marcando três gols, um deles na finalíssima contra o Botafogo. Atuava como meia e também no ataque, jogando a maioria das vezes ao lado de Gaúcho.

Gaúcho: venerado pela torcida, o artilheiro foi o principal nome no ataque do time naquela última era de ouro. Foi artilheiro dos Cariocas de 1990 e 1991 e anotou oito gols na campanha do título brasileiro de 1992. Cabeceador nato, dificilmente desperdiçava uma chance quando recebia passes precisos de Júnior, Zinho e Piá. Cria do clube, começou em 1984 no rubro-negro e passou por vários clubes até retornar em 1990. Ficou no Fla até 1993, disputou 199 jogos e marcou 98 gols. Faleceu em 2016, vítima de câncer de próstata. 

Jair Pereira, Vanderlei Luxemburgo e Carlinhos (Técnicos): Jair Pereira comandou o Flamengo em 1990 e 1993 e teve estrela ao manter os jovens no elenco e saber mesclar experiência dos remanescentes de 1987. Conquistou a Copa do Brasil e fez bons jogos em 1993. Luxemburgo poderia ter continuado o trabalho, mas saiu precocemente e deixou caminho livre para Carlinhos retomar o caminho das glórias e faturar o Carioca e o Brasileiro utilizando ao máximo o elenco e alternando as peças em todos os setores do campo.

 

Extras:

Veja os gols da final do Carioca de 1991.

 

Veja os melhores momentos da final do Brasileiro de 1992.

Primeiro jogo

Segundo jogo

 

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5 thoughts on “Esquadrão Imortal – Flamengo 1990-1992

  1. Imagine se essa base continuasse jogando por mais tempo, a década de 90 seria uma segunda década de ouro da história do clube. Eu, como um flamenguista apaixonado, sinto-me contemplado em ler uma história tão bela e rica como a do Mais Querido do Brasil. Parabéns Imortais pela pesquisa, que eu sei que não é fácil fazê-la, e compartilhar os resultados com a gente. PS: O Flamengo de Jorge Jesus tá pedindo passagem para entrar nessa galeria.

    1. Realmente aquela base deveria ter ficado muito mais tempo. Eles teriam dado ainda mais glórias ao clube! Obrigado pelos elogios e comentário! E vamos ver se o time atual consegue a imortalidade também!

    1. Possivelmente. O time desde o goleiro ao atacante é de muita qualidade.
      Nós, embora não flamenguistas, torcemos para que esse time do Flamengo de Jorge Jesus faça história.

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