Esquadrão Imortal – Flamengo 2019

Em pé: Diego Alves, Pablo Marí, Filipe Luís, Willian Arão e Rodrigo Caio. Agachados: Gabriel Barbosa, Rafinha, Everton Ribeiro, De Arrascaeta, Gerson e Bruno Henrique. Foto: Luka Gonzales / AFP.

 

Grandes feitos: Campeão da Copa Libertadores da América (2019), Campeão do Campeonato Brasileiro (2019), Campeão Carioca (2019) e Vice-campeão do Mundial de Clubes da FIFA (2019). Reconquistou a América após 38 anos de jejum, atingiu o maior aproveitamento de pontos da história do Brasileirão de pontos corridos e foi o primeiro clube brasileiro desde 1963 a levantar em uma só temporada a Libertadores e o principal torneio do futebol nacional.

Time-base: Diego Alves; Rafinha (Pará / Rodinei), Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís (Renê); Willian Arão e Gerson (Cuéllar / Diego); De Arrascaeta (Reinier / Piris Da Motta), Everton Ribeiro e Bruno Henrique (Vitinho); Gabriel Barbosa (Lincoln). Técnicos: Abel Braga (de janeiro até junho) e Jorge Jesus (a partir de junho).

 

“Reconsagração Rubro-Negra”

Por Guilherme Diniz

Há mais de três décadas que a maior torcida do Brasil vivia sob as lembranças de um esquadrão histórico. Eram boas recordações, mas elas geravam certo temor. Será que nunca mais o Flamengo teria um time capaz de vencer o que aquele timaço de 1980-1983 venceu? Será que nunca mais o rubro-negro iria conseguir ser o rei da América? Bem, a paciência é uma virtude. E o torcedor foi recompensado em 2019. Após um intenso trabalho de reorganização, principalmente financeira, o clube carioca renasceu. Construiu um time faminto. Por gols. Por recordes. Por escrever seu nome na história dos maiores esquadrões do futebol brasileiro. E (por que não?) sul-americano. Que não baixou a guarda em nenhum momento. Que foi com time titular em jogos que outros iriam com time B, time C. Que, mesmo longe do Maracanã, não tomou conhecimento dos rivais e foi um ingrato visitante. Tudo como manda a cartilha dos pontos corridos. É preciso pontuar em casa e fora. E o Flamengo fez isso. Não perdeu um jogo sequer em casa. E ganhou o máximo que pôde fora. Um ataque devastador. Entrosado. Com dotes para encantar e trucidar defesas e goleiros. Um time veloz. Imparável. Com uma letalidade absurda em contra-ataques. Toque de bola envolvente, pra frente, nada de lenga lenga, morosidade, covardia, defensivismo. Futebol em estado puro. Como nos bons tempos do próprio futebol brasileiro. Um Flamengo bem brasileiro. Que permaneceu 29 jogos invicto. Essa dominância rendeu um Carioca. Um Brasileirão. E a sonhada Libertadores. Desde o Santos de Pelé que o Brasil não via um time conquistar título nacional e continental no mesmo ano. Algo que nem o esquadrão de Zico conseguiu. Só faltou mesmo o Mundial, que escapou em um nostálgico duelo contra o Liverpool. Mesmo assim, foi o maior prazer vê-lo brilhar… É hora de relembrar.

 

Plantar agora, colher no futuro

Eduardo Bandeira de Mello, o presidente que começou a mudar a história do Flamengo.

 

Não foi do nada que começou a ascensão do Flamengo. O clube plantou as sementes para a farta colheita de 2019 lá em dezembro de 2012, quando Eduardo Bandeira de Mello foi eleito presidente do rubro-negro com larga margem de votos sobre a 2ª colocada, Patrícia Amorim. A missão principal do mandatário era acabar de uma vez com as dívidas milionárias que sugavam os recursos do clube há décadas e prejudicavam diretamente as pretensões da equipe em brigar por títulos. Por exemplo: no começo dos anos 1990, quando o Flamengo revelou uma safra de excelentes jogadores como Paulo Nunes, Djalminha, Marcelinho Carioca entre outros, que conduziram o time aos títulos da Copa do Brasil de 1990 e do Brasileiro de 1992, todos foram vendidos rapidamente para sanar dívidas. E esse ciclo vicioso continuou ao longo dos anos, com contratações irresponsáveis, várias que não vingaram e muitas que geraram dívidas trabalhistas e até processos. Nenhum presidente conseguia colocar o clube nos eixos. Pelo contrário, eles arruinavam a imagem do Flamengo, que era mais conhecido pelos salários atrasados, estrutura precária e amadorismo administrativo do que pelos títulos – entre 1993 e 2012, os únicos grandes troféus foram a Copa do Brasil de 2006 e o Brasileiro de 2009, muito pouco para um clube tão grande, que colecionou fracassos em disputas nacionais e, principalmente, na Libertadores.

Pois Bandeira de Mello conseguiu, aos poucos, acabar com esse estigma. Ele pegou o clube com uma dívida aproximada de R$ 750 milhões (!) e a reduziu para R$ 360 milhões em apenas cinco anos. Isso foi fruto da chamada “recuperação de credibilidade”, projeto inicial da diretoria que começou após a contratação de uma empresa que estabeleceu ciclos a cumprir, com elevação de receitas, pagamento de dívidas e profissionalização da gestão. Para se ter uma ideia, em 2014, o clube atingiu o maior faturamento da história do futebol brasileiro ao alcançar R$ 64,3 milhões, superando o recorde do Santos de 2005 (que conseguiu R$ 63,1 milhões graças às vendas de Robinho, para o Real Madrid, e Léo, para o Benfica). E isso sem nenhuma venda significativa de jogadores! 

Em seguida, o clube iniciou a construção de um novo CT, o Centro de Treinamento George Helal, popularmente conhecido como Ninho do Urubu, que teve o primeiro módulo construído entre 2014 e 2016 e o segundo finalizado entre 2016 e 2018. O CT se tornou o mais moderno da América Latina e também um dos maiores do mundo, com cinco campos de futebol, parque aquático, academia, salas de reuniões, refeitórios, biblioteca, restaurante, sauna entre outros. A entrega do CT foi uma das principais promessas da gestão de Bandeira de Mello e fundamental para sua reeleição, em 2015, em mandato que durou até 2018.

CT do Flamengo virou referência na América Latina.

 

Outro ponto de imenso destaque foi o aperfeiçoamento do departamento médico do clube, que passou a reduzir o tempo de recuperação dos jogadores lesionados e consequentemente o número de atletas machucados. Nas categorias de base, o clube passou a investir mais e contratou uma empresa especializada no trabalho de aprimoramento de jovens jogadores, retomando uma característica comum do clube nas décadas passadas. Com foco em todas as faixas etárias, do sub-13 ao sub-20, o Fla começou a brigar por títulos em todas elas. E foi campeão das Copas São Paulo de 2016 e 2018 e da Copa do Brasil Sub-17 de 2018. Durante o ciclo do presidente, o Fla alcançou 37 finais nas categorias de base e venceu 24 títulos, um número bastante expressivo. O clube foi também um dos que mais cederam jogadores para a seleção brasileira de base.

Garotada da base começou a fazer bonito nas competições pelo Brasil e exterior.

 

Durante esse período, o Flamengo voltou a conquistar um título nacional: a Copa do Brasil de 2013, vencendo o Athletico-PR na final, faturou os Cariocas de 2014 e 2017 e ainda ficou com o vice-campeonato da Copa do Brasil de 2017 (perdeu para o Cruzeiro), da Copa Sul-Americana de 2017 (perdeu para o Independiente-ARG) e do Brasileiro de 2018 (a taça ficou com o Palmeiras). No entanto, por mais que brigasse pelos troféus, o Flamengo ainda não tinha a confiança da torcida, que reclamava e protestava por causa dos maus resultados e tropeços em campo. E, mais do que isso, o torcedor não aguentava mais as piadas dos rivais (o famoso “cheirinho”) e a angústia vivida na Libertadores, competição que não era conquistada pelo clube desde 1981 e na qual ele passava apuros com eliminações precoces e dentro do Maracanã.

Título de 2013 na Copa do Brasil…

 

… E o contraste com a eliminação diante do León em pleno Maracanã, na fase de grupos da Libertadores de 2014.

 

Acontece que o Flamengo vivia um período de austeridade que muitos torcedores não entendiam. Não dava para fazer contratações mirabolantes e não pagar depois. As dívidas eram mais importantes. E, para saná-las, os sacrifícios deveriam ser feitos, como vender, em 2018, Lucas Paquetá ao Milan-ITA (por 35 milhões de euros) e Vinícius Júnior ao Real Madrid (por 45 milhões de euros), ambos crias das bases, para aumentar o caixa e reduzir mais e mais as dívidas e construir uma base sólida. Depois de tudo isso, o clube tinha uma perspectiva extremamente positiva para 2019. Algo que o rubro-negro ansiava há muitas décadas…

 

A formação do time. E alguns percalços

Fla começou 2019 com o título da Florida Cup.

 

O Flamengo terminou 2018 com o amargo vice do Brasileiro. No entanto, o clube manteve em sua base jogadores como o goleiro Diego Alves, o lateral Rodinei, os meias Diego e Everton Ribeiro, o atacante Vitinho e o volante Willian Arão, e partiu em busca de grandes reforços para a temporada 2019 para a disputa da Copa Libertadores, a obsessão rubro-negra. Mas não bastava comprar jogadores apenas por comprar. Era preciso acertar no alvo, trazer atletas realmente tarimbados, que viviam grande fase e pudessem agregar ao elenco. E a diretoria foi brilhante, para dizer o mínimo.

Do Santos, vieram Bruno Henrique e Gabriel Barbosa – este o artilheiro do Brasileirão de 2018. Bruno veio por R$ 23 milhões e Gabriel sem custo, por empréstimo, apenas com o pagamento dos salários, já que ele era jogador da Internazionale. Em seguida, o clube carioca contratou o zagueiro Rodrigo Caio, que não era reconhecido no São Paulo e amargava a antipatia da exigente torcida tricolor. Para fechar o “pacote de janeiro”, o Mengo anunciou o uruguaio De Arrascaeta por quase R$ 64 milhões, a transferência mais cara da história do futebol brasileiro, superando a do argentino Carlos Tevez, do Boca para o Corinthians, em 2005, de R$ 60 milhões. Arrasca vinha de uma temporada brilhante pelo Cruzeiro, com golaços e título da Copa do Brasil com gol dele na finalíssima.

De Arrascaeta, um dos reforços do time para a temporada.

 

Com grandes reforços e a sacada de contratar dois jogadores de ataque extremamente entrosados como Bruno Henrique e Gabriel Barbosa, o Flamengo já tinha uma espinha dorsal de respeito. Mas o problema do time ainda era na parte técnica. O treinador do clube naquele começo de ano era Abel Braga – contratado ainda em 2018 pelo presidente eleito Rodolfo Landim -, que não tinha o feitio ousado que aquele elenco exigia. Por mais que tivesse uma história de sucesso e louvável principalmente pelo esquadrão do Internacional que ele comandou em 2006, Abel era da leva de técnicos retrógrados, que abdicavam do jogo ofensivo em prol do resultado. De início, o time começou vencendo a Florida Cup, torneio amistoso de pré-temporada, após empate em 2 a 2 com o Ajax-HOL e vitória nos pênaltis por 4 a 3, e triunfo por 1 a 0 sobre o Eintracht Frankfurt-ALE. Mas, no Carioca, tropeçou na Taça Guanabara – foi eliminado nas semis para o Fluminense – e só deu a volta por cima no segundo turno, quando venceu o Vasco na final da Taça Rio nos pênaltis e bateu o rival outra vez, mas na decisão do torneio, com duas vitórias por 2 a 0, resultados que garantiram o título estadual ao rubro-negro, com Bruno Henrique artilheiro com oito gols, seguido de Gabriel Barbosa, com sete.

Arão vibra após marcar na final do Carioca.

 

O título foi celebrado, claro, mas não era o que o torcedor queria. E foi só mais um ao invés de ser “o” um. A torcida queria a Libertadores. E (por que não?) o Brasileiro. Mas o time ainda não demonstrava um futebol que pudesse convencer e indicar que tais taças viriam. E, para piorar, o clube viveu enorme drama em fevereiro após um incêndio – causado por um curto-circuito de um ar condicionado no alojamento de jovens das categorias de base no Ninho do Urubu – matar dez garotos e deixar outros três feridos. O acidente repercutiu mundialmente e foi um baque para a imagem do clube, que adotou um símbolo de luto em sua camisa e iniciou uma intensa batalha na justiça para resolver as indenizações das famílias das vítimas – algo que segue até hoje sem desfecho.

Fla perdeu para o Peñarol em pleno Maracanã e deixou a torcida ressabiada.

 

Voltando ao futebol, um exemplo de que o time ainda não jogava tudo o que sabia aconteceu na própria Libertadores. Após estrear com vitória na altitude da Bolívia sobre o San José por 1 a 0, e vencer a LDU-EQU em casa por 3 a 1, o Flamengo perdeu para o Peñarol-URU em pleno Maracanã por 1 a 0, uma equipe de camisa pesadíssima, mas apenas mediana e que poderia ser vencida facilmente. A classificação para as oitavas de final da Libertadores veio sem complicações, após vitória por 6 a 1 sobre o San José, em casa, derrota por 2 a 1 para a LDU (fora) e empate sem gols com o Peñarol no Uruguai, mas o futebol não era de um time que queria ser campeão. Para piorar, no Brasileiro, o Flamengo havia disputado seis jogos, com três vitórias – 3 a 1 no Cruzeiro, 2 a 1 na Chapecoense e 3 a 2 no Athletico-PR -, um empate – 1 a 1 com o São Paulo – e duas derrotas – 2 a 1 para o Internacional e 2 a 1 para o Atlético-MG -, resultados que deixaram o Mengo em 6º lugar. Ninguém entendia como um time com tantos bons jogadores não jogava bem. E como De Arrascaeta ficava no banco! O que era preciso para fazer aquele time deslanchar? Ora pois, um técnico!

 

Mais reforços e a chegada de Jesus

Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, e Jorge Jesus. Foto: Raphael de Angeli.

 

Antes mesmo da classificação na Libertadores, em meados de abril, circulava nos bastidores que o técnico Jorge Jesus havia sido oferecido ao Flamengo em sua passagem pelo Brasil naquele mês, quando o português, ao lado de dirigentes do Atlético-MG, viu uma derrota do rubro-negro para o time mineiro no Independência. O treinador havia demonstrado interesse em trabalhar no país, e, além do Galo, o Vasco também sondava o treinador. No entanto, o projeto do Flamengo foi o que mais seduziu Jesus, que gostou da proposta do clube. A diretoria rubro-negra tomou conhecimento da história e também gostou da ideia de contar com um técnico europeu e novos pensamentos. Mas o treinador rubro-negro Abel Braga ficou sabendo da sondagem, e, no final de maio, pediu demissão do Flamengo alegando “traição”. O fato é que a sua saída já era cogitada mesmo com o bom aproveitamento no ano de 70%, pois ele não fazia o time engrenar e já estava cinco pontos atrás do Palmeiras no Brasileirão após a 8ª rodada – e tal diferença aumentaria para oito pontos até a 10ª rodada.

Pablo Marí e Gerson, reforços para o segundo semestre do clube.

 

No dia 1º de junho, enfim, o Flamengo encerrou o mistério e anunciou Jorge Jesus como novo treinador, cujo trabalho iria começar na pausa do Campeonato Brasileiro por causa da da Copa América. O português encheu a bola do clube em seu encontro com o presidente Rodolfo Landim, em Madri (ESP):

 

“O que me convenceu principalmente foi a grandeza do Flamengo. São quatro os clubes mais famosos do mundo: Flamengo, Boca Juniors, Barcelona e Real Madrid. Portanto, foi um dos motivos para eu aceitar, além de ganhar títulos. O Flamengo me dará uma possibilidade de ganhar a Libertadores, de ganhar o Mundial. Fiquei muitos anos no Benfica e ganhei tudo. E esse é o objetivo maior que fez com que eu aceitasse o desafio do Flamengo”. 

 

Jesus chegou no dia 08 de junho ao Rio e foi apresentado ao elenco no dia 20. Além do técnico, o Flamengo também contratou naquela metade de temporada o zagueiro espanhol Pablo Marí (que estava no La Coruña-ESP), o meia Gerson (ex-Roma-ITA) e as duas contratações mais bombásticas daquela janela de transferências: os laterais Filipe Luís e Rafinha, ambos com ampla experiência no futebol europeu e repletos de títulos em suas carreiras. De novo, o clube acertava em cheio nas contratações. Reforçou a zaga com um bom jogador, peça que o time tanto precisava. Trouxe Gerson, que torcia na infância para o Flamengo e até citou em sua apresentação a lembrança da eliminação na Libertadores de 2008 para o América-MEX, os gols de Cabañas, e a chance de conseguir acabar com aquele trauma. E, com Rafinha e Filipe Luís, o clube supria uma antiga carência nas laterais e atingia um patamar de respeito no futebol brasileiro. Com ousadia e pensando alto, o clube trazia jogadores até então inimagináveis para os padrões nacionais. E ganhava imensa força para o restante da temporada. A partir dali, o Flamengo seria outro. Era hora da transformação.

 

A montagem

Jorge Jesus comanda o time no CT. Foto: Alexandre Vidal.

 

A pausa na temporada por causa da Copa América foi fundamental para o Mister (apelido que ele ganharia do elenco) Jorge Jesus ver as características de seu elenco e começar a traçar um estilo de jogo. Com os novos laterais, a entrada de Gerson no meio de campo e Marí para a zaga, ele pôde moldar o time que queria para os próximos compromissos do time na Libertadores, no Brasileiro e na Copa do Brasil – o Fla teria o Athletico-PR pela frente nas quartas de final, após passar pelo Corinthians nas oitavas.

Jorge Jesus e Filipe Luís. Foto: Alexandre Vidal.

 

A ideia era explorar ainda mais o talento de Gabriel Barbosa e Bruno Henrique, a velocidade dos laterais, a criatividade de Gerson e a habilidade do uruguaio De Arrascaeta, que passaria a ter muito mais chances no time, com Diego entrando mais nas etapas complementares dos jogos. Atuando mais perto do gol, Gabriel Barbosa iria se transformar no mais letal atacante do Brasil, desempenho bem diferente do que ele apresentou na Europa, onde tinha que sair correndo atrás de lateral e jogar longe do gol, totalmente fora de seu estilo de jogo. Na Itália, quando atuava pela Inter, ele era obrigado a marcar, ir para o campo de defesa, ir para o ataque… Aí não tinha como render mesmo! Jesus iria estabelecer um 11 titular e escalá-lo sempre que possível, principalmente em jogos decisivos, para extrair o máximo dos jogadores.

Gabriel Barbosa, Everton Ribeiro e De Arrascaeta: show contra o Goiás foi prenúncio do que viria pela frente.

 

A estreia do técnico português foi contra o Athletico, em Curitiba, pela ida das quartas da Copa do Brasil, que terminou com empate em 1 a 1, placar satisfatório e totalmente reversível na volta, no Maracanã. E, justamente no místico estádio, Jesus estreou pelo Brasileirão, no dia 14 de julho, contra o Goiás. E não foi uma estreia qualquer. Foi um espetáculo rubro-negro visto por mais de 65 mil torcedores: 6 a 1, com três gols de De Arrascaeta, dois de Gabriel Barbosa e um de Bruno Henrique. E o placar poderia ser ainda maior se não fosse o goleiro Tadeu, que fez várias defesas. O jogo marcou a estreia de Rafinha – que em seu primeiro lance no jogo deu dois chapéus e levou a torcida ao delírio – e teve Diego e De Arrascaeta juntos, já que Gerson ainda não podia jogar. O nível técnico apresentado despertou muita expectativa na torcida. Mas o início teria alguns percalços.

 

Será que vai pra frente?

Jorge Jesus durante a partida de ida contra o Emelec: dia para esquecer.

 

No dia 17 de julho, exatos três dias após o show contra o Goiás, o Flamengo recebeu o Athletico no Maracanã com mais de 69 mil pessoas e a torcida já vislumbrava uma vaga fácil para a semifinal. Só que o time paranaense era muito bom. Por mais que Gabriel Barbosa tenha aberto o placar no segundo tempo, Rony empatou e levou o jogo para os pênaltis. Na marca da cal, Diego, Vitinho e Everton Ribeiro perderam suas cobranças e o Athletico venceu por 3 a 1, eliminando os cariocas da competição. Na sequência, o Flamengo empatou em 1 a 1 com o Corinthians, em São Paulo, pelo Brasileiro, e viajou para encarar o Emelec-EQU, pela ida das oitavas da Libertadores. E, como se estivesse vivendo um pesadelo sem precedentes, o rubro-negro perdeu por 2 a 0 e ainda por cima viu Diego se machucar gravemente após entrada desleal de um rival. Foi uma noite para esquecer do clube carioca e também do técnico Jorge Jesus, que escalou Rafinha como ponta, colocou dois laterais direitos e Bruno Henrique de armador (?).

De Arrascaeta e Filipe Luís. Foto: Pedro Martins.

 

O temor de outra eliminação precoce já pairava sobre os rubro-negros. Seria preciso uma virada no Maracanã de pelo menos três gols de diferença no tempo normal ou um placar de 2 a 0 para tentar os pênaltis. Antes, a equipe encarou o Botafogo, pela 12ª rodada do Brasileiro, e venceu de virada por 3 a 2, com gols de Gerson, Gabriel Barbosa e Bruno Henrique, em jogo que manteve o time carioca na terceira posição na tabela, posição que os cariocas ocupavam desde a 9ª rodada, após vitória por 2 a 0 sobre o CSA.

 

É claro que sim!

No dia 31 de julho, o Maracanã recebeu o duelo de volta entre Flamengo e Emelec pela Libertadores. Precisando do resultado, o time da casa impôs uma pressão alucinante sobre os equatorianos. E foi recompensado. Gabriel Barbosa marcou duas vezes em menos de 19 minutos e abriu 2 a 0 para o Mengo, que já poderia decidir nos pênaltis se o placar se mantivesse assim até o final. Com velocidade e jogando no campo do adversário, o Flamengo queria mais, só que o Emelec se fechou com um “ônibus estacionado” na pequena área e dificultou bastante o jogo ofensivo dos brasileiros. Sem alterações, a decisão foi para os pênaltis e o goleiro Diego Alves se redimiu das cobranças que sofria da torcida defendendo o chute de Arroyo para garantir a vitória por 4 a 2 e a classificação carioca às quartas de final, algo que não acontecia desde 2010. Enfim, o primeiro fantasma estava destroçado. Mas havia outro desafio: tentar a ponta do Brasileirão.

 

Motores esquentando…

Bruno Henrique (à dir.) feliz da vida: ele jogou muita bola em 2019! Foto: André Durão.

 

Logo após a classificação, o Flamengo voltou a tropeçar: perdeu por 3 a 0 para o Bahia, em Salvador. Jorge Jesus ressaltou após a partida que os oito jogos em 25 dias prejudicaram a questão física dos jogadores. Mas aquele jogo foi a gota d’água para que o treinador mexesse com o brio dos atletas. A partir dali, o Flamengo não iria mais tropeçar. Chega de derrotas, de empates, de sustos. Era hora de mostrar a força do elenco, jogar tudo o que aqueles jogadores sabiam. E, com a normalização de Pablo Marí, Filipe Luís e Gerson no time, o Flamengo começou a engrenar. 

Na 14ª rodada, vitória categórica por 3 a 1 sobre o Grêmio, no Maracanã, gols de Willian Arão, De Arrascaeta e Everton Ribeiro. Uma semana depois, goleada de 4 a 1 no rival Vasco, em jogo disputado no estádio Mané Garrincha, com dois gols de Gabriel Barbosa, um de Bruno Henrique e outro de De Arrascaeta, além de duas defesas de pênalti de Diego Alves, num “Clássico dos Milhões” eletrizante e histórico. Foi ainda o primeiro jogo no campeonato em que Gabriel usou a plaquinha “Hoje tem gol do Gabigol”, comemoração que viraria uma marca registrada do atacante ao longo do ano – ele estreou tal celebração ainda no Carioca. Essa vitória colocou o Flamengo na vice-liderança pela primeira vez no Campeonato.

No dia 21 de agosto, as atenções se voltaram para a Libertadores, quando o Flamengo teve pela frente o Internacional, em duelo doméstico pelas quartas de final. Muitos taxavam o Inter como favorito pela camisa mais pesada na competição e o fato de o time gaúcho decidir em casa. Mas o Flamengo construiu um resultado perfeito na ida, no Maraca: 2 a 0, com dois gols de Bruno Henrique, que vivia fase esplendorosa. Foi uma dominância plena do time carioca, que teve 70% de posse de bola e controlou totalmente o jogo. Quatro dias depois, o Fla viajou até Fortaleza e goleou o Ceará em pleno Castelão por 3 a 0, com direito a um golaço espetacular de bicicleta do uruguaio De Arrascaeta, outro que jogava muito naquele time rubro-negro. O gol seria eleito meses depois o mais bonito do Campeonato Brasileiro.

 

Veja o golaço:

No dia 28 de agosto, o Fla foi até Porto Alegre, arrancou um empate em 1 a 1 com o Inter (gol de Gabriel Barbosa) e carimbou a vaga na semifinal da Libertadores, sonhada há mais de três décadas pelo torcedor rubro-negro. A Liberta só voltaria em outubro. Com isso, o mês de setembro seria crucial para a consolidação do time carioca na liderança do Brasileiro, posição conquistada após a vitória sobre o Ceará.

 

Os imbatíveis

Fla deu show contra o Palmeiras.

 

O duelo da 17ª rodada era uma das “finais antecipadas” daquele Brasileirão. Afinal, o Flamengo tinha pela frente o Palmeiras, líder por várias rodadas, mas em declínio. Felipão armou seu time para tentar arrancar pontos do rival no Maracanã, mas quem arrancou alguma coisa naquela tarde foi o Flamengo. Arrancou gritos de gol de sua torcida. Arrancou várias e várias vezes em direção ao ataque. Arrancou em busca da liderança isolada. E arrancou Felipão do cargo alviverde após o jogo! Foi 3 a 0 Mengo, fora o baile. Gabriel Barbosa, duas vezes, e De Arrascaeta fizeram os gols da vitória inapelável rubro-negra, que impôs ao Palmeiras sua primeira derrota por três gols de diferença desde a volta de Felipão ao comando do alviverde. Foi um jogaço do chamado “11 ideal” daquele time, que seria soletrado por todos os flamenguistas nos meses seguintes: Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luís; Willian Arão e Gerson; De Arrascaeta, Everton Ribeiro e Bruno Henrique; Gabriel Barbosa.

No jogo seguinte, novo 3 a 0, mas sobre o frágil Avaí, com gols de Pablo Marí, Gabriel Barbosa e Reinier, jovem que ganhava cada vez mais espaço com Jorge Jesus. No último jogo do turno, o Flamengo venceu o Santos – outro que vinha em ascensão no torneio –  por 1 a 0, com um golaço de Gabriel Barbosa, e fechou as primeiras 19 rodadas com 42 pontos e na liderança ao fim de um primeiro turno pela primeira vez na história dos pontos corridos.

Gabigol marcou um golaço contra o Santos. Foto: André Durão.

 

Nos dois primeiros jogos do returno, mais duas vitórias: 2 a 1 no Cruzeiro, em Minas, e 3 a 1 no Inter, no Maraca, sacramentando oito vitórias seguidas do time na competição. A série só foi interrompida – mas a invencibilidade mantida – com o empate em 0 a 0 com o São Paulo, no Maracanã, único adversário que não seria derrotado pelo Flamengo em toda a competição. 

Àquela altura, o entrosamento do time era contagiante. O Flamengo espremia seus adversários com intensidade e ataque constante. Mas o que mais chamava atenção era a velocidade. Quando Everton Ribeiro e Bruno Henrique saíam em disparada era o verdadeiro “ai Jesus!”, fazendo jus à famosa estrofe do hino rubro-negro! E não precisava ser Fla-Flu, não! Qualquer adversário sofria um bocado com a qualidade daquele time, que não usava as características do marasmo que perpetuava no futebol brasileiro há tempos. Era ataque puro. Nada de defensivismo e retranca após o 1 a 0. Com Bruno Henrique e Gabriel Barbosa, Jorge Jesus havia resgatado a dupla de ataque, algo quase em extinção por aqui! 

Adversários no chão e bola na rede: Flamengo começava a sobrar no campeonato.

 

Os fundamentos do time também eram um primor. Pontaria plena, aproveitamento impressionante de gols, nada de passar em branco. O Flamengo fazia gol em todo jogo! O time atacava em bloco, com vários jogadores para atacar e marcar. Se um não conseguia fazer o gol, apareciam três, quatro em condições! Lateral, zagueiro, volante… E, mais do que tudo isso, o Flamengo jogava bonito. Jorge Jesus provava que De Arrascaeta tinha, sim, lugar no time. De que adiantava ter 70% de aproveitamento como no primeiro semestre e não jogar nada? Ser só mais um time? Tinha que jogar futebol, escrever o nome na história. Números são uma coisa. Futebol bem jogado somado a bons números é outra completamente diferente e muito melhor! 

Jesus cobrava os jogadores sem medir palavras. Dava bronca. Se precisava tirar ainda no primeiro tempo, tirava. Não era fácil lidar com o energético português, mas o time entendeu que ele tinha razão. Ele sabia que o elenco tinha qualidade. Por isso, exigia muito e cada vez mais. E foi assim que o Flamengo chegou ao mês de outubro: líder do Brasileiro, invicto há oito rodadas e pronto para a semifinal da Libertadores, contra o Grêmio do técnico Renato Gaúcho, que dizia que o tricolor era o “melhor time do Brasil”. O duelo era tratado como o “jogo do ano” no futebol brasileiro e cercado de expectativas pelo futebol apresentado pelos dois times, pelo peso das camisas, pelo histórico de decisões marcantes entre a dupla – que começou lá na final do Brasileirão de 1982 – e, claro, por valer vaga na primeira final única da história da Libertadores. Não havia favorito. Bem, isso é o que todo mundo pensou…

 

O espetáculo

Gabriel e Bruno Henrique: dupla deu um trabalho danado à zaga gremista na Arena. Foto: REUTERS/Sergio Moraes.

 

A definição de Flamengo e Grêmio como um dos duelos das semifinais da Libertadores ratificou a condição dos times mais competitivos do Brasil em 2019. E o tira-teima começou no primeiro duelo entre cariocas e gaúchos, na Arena gremista. Por mais que jogasse fora de casa, o time rubro-negro “amassou” o rival. Trucidou os gaúchos com uma velocidade impressionante, toques envolventes e várias alternativas no ataque. Foram quatro gols. Mas apenas um valeu, de Bruno Henrique, no segundo tempo. Os outros três foram anulados pelo VAR. O Grêmio só conseguiu seu gol faltando três minutos para o fim do jogo, com Pepê.

Foi nítida a supremacia do Flamengo, o volume de jogo e as alternativas que contrastavam com a falta de ímpeto e o frágil sistema defensivo gremista, que tinha no goleiro Paulo Victor sua grande debilidade. Ele não inspirava confiança alguma e fazia o torcedor tricolor clamar por Marcelo Grohe, Danrlei, Dida, Mazarópi, Lara e tantos outros craques que já vestiram o manto do Imortal. O empate dava a falsa sensação de que tudo estava aberto. Por mais que o Grêmio tivesse mais camisa na Libertadores que o Flamengo, a vantagem era carioca não só por poder jogar pelo empate sem gols, mas pela diferença técnica que tinha. O Flamengo “deitava” até jogando com time misto no Brasileiro, seja em casa, seja fora. O Grêmio, perdia.

Reinier foi um dos talismãs do time na reta final do Brasileirão.

 

Nos cinco jogos seguintes do Brasileirão após o empate com o Grêmio, o Fla – mesmo sem De Arrascaeta, que ficaria um mês fora por lesão no joelho – venceu a Chapecoense (1 a 0, fora, gol de Bruno Henrique), fez 3 a 1 no Galo, em casa, com gols de Vitinho, Reinier e Willian Arão, derrotou o Athletico-PR em plena Arena da Baixada por 2 a 0, com dois gols de Bruno Henrique (o Mengo não vencia o Furacão em Curitiba há 45 anos!!), bateu o Fortaleza fora de casa por 2 a 1 (gols de Gabriel Barbosa e Reinier, que permaneceu no time após uma queda de braço com a CBF, que queria o jogador no Mundial Sub-17), e derrotou o Fluminense por 2 a 0, com um gol de Bruno Henrique logo aos 3’ de jogo e outro de Gerson já no segundo tempo, em clássico totalmente dominado pelo Fla, que não deixou o rival ver a cor da bola no Maracanã.

Sobrando no Brasileirão, o Flamengo mudou a chave para a Libertadores no dia 23 de outubro. O Maracanã estava efervescente e recebeu quase 70 mil pessoas, que formaram um grande mosaico com os dizeres “Até o fim” e a taça Libertadores em seguida. A Nação acreditava na vitória, mas sabia que o adversário era hostil. Os primeiros minutos seriam fundamentais para a manutenção da vantagem. O Flamengo vinha completo, com sua escalação ideal. Já o Grêmio apostava em André sozinho no ataque e nas investidas de Everton e Alisson pelas pontas, além da marcação de Maicon pelo meio e no entrosamento da dupla Geromel e Kannemann na defesa. O ambiente era maravilhoso. E a expectativa de um grande jogo, o mais esperado da temporada no futebol brasileiro.

Festa rubro-negra após o terceiro gol contra o Grêmio. Foto: André Durão / GE.

 

E, quando a bola rolou, o Maracanã presenciou um espetáculo. Uma apresentação colossal. Um estrangulamento. Depois de abrir o placar no final do primeiro tempo em um ataque mortal, o Flamengo matou o Grêmio. Fez quatro gols em apenas 25 minutos. Primeiro, com Gabriel, num chute explosivo. Depois, de pênalti, com o mesmo camisa 9. Em seguida, saiu o quarto, em jogada aérea, repetida minutos depois no quinto gol. O Fla ainda fez outro, mas este acabou anulado por impedimento. Placar? 5 a 0. 

Os jogadores do Grêmio ficaram atordoados. Tiveram que se segurar. A Libertadores ganhava uma de suas maiores goleadas em uma fase semifinal na história. Só o Atlético Nacional-COL, nos 6 a 0 sobre o Danubio-URU, em 1989, e o San Lorenzo-ARG, nos 5 a 0 sobre o Bolívar-BOL, em 2014, conseguiram tanto. Estava consolidado o show, a vaga ao rubro-negro na decisão após 38 anos e o veredicto: o Flamengo era o verdadeiro dono do melhor futebol do Brasil. O Imortais teve que fazer um capítulo especial sobre esse jogo. Leia mais clicando aqui!

O Grêmio foi com um esquema muito defensivo e que acabou desgastando Alisson e Everton, que tinham que recuar. Com André sozinho e nulo no ataque, o Flamengo deitou. E goleou.

 

Bruno Henrique disse após a partida, em entrevista ao UOL Esporte, que o técnico Jorge Jesus “sempre pede para jogar e desfrutar em campo. Fala sempre isso. Que temos que ter alegria, prazer de jogar futebol diante de uma torcida dessa e um clube tão grande. É isso que sempre fala para gente”. E foi isso que o Flamengo fez naquela noite e fazia desde agosto.

BH trucidou o Corinthians no Maracanã.

 

Nos cinco jogos seguintes pelo Brasileirão, a equipe venceu o CSA (1 a 0, em casa), empatou em 2 a 2 com o Goiás, fora, goleou o Corinthians no Maracanã por 4 a 1 em uma partidaça de Bruno Henrique (autor de três gols), em jogo que contrapôs o retranqueiro Fábio Carille (demitido após o jogo) e o ofensivo Jorge Jesus, venceu o Botafogo por 1 a 0 (gol de Lincoln, no finalzinho), e venceu o Bahia por 3 a 1, de virada, no Maracanã, com gols de Reinier, Gabriel Barbosa e Bruno Henrique. Era questão de tempo para o Flamengo ser campeão brasileiro. Mas, como não poderia deixar de ser, o sucesso rubro-negro começou a despertar um outro sentimento nos rivais e em treinadores de outros clubes: a inveja.

 

Choque de realidade

O sucesso do Flamengo tanto em campo quanto fora dele levantou intensos debates sobre o trabalho de Jorge Jesus no rubro-negro. Jogar para frente, de maneira intensa, era totalmente o oposto ao que vários treinadores faziam em seus clubes. E, quando esses treinadores começaram a ser questionados sobre a chacoalhada que Jesus estava causando no futebol nacional, esse técnicos ficaram bravos! Oras, mas por quê? Pelo fato de Jesus fazer o que sempre o futebol brasileiro fez, que é atacar de maneira plena e jogar bonito? Por não ser covarde e mandar seu time ao ataque sempre? Por parar com teorias idiotas de ficar poupando jogadores durante várias partidas e minar seus ritmos de jogo? Por acreditar que é possível, sim, vencer Brasileiro e Libertadores na mesma temporada? O português falou exatamente sobre isso em novembro, em entrevista publicada no UOL Esporte, e se mostrou bastante magoado com as mentes fechadas dos retranqueiros.

 

“Sobre os meus colegas… Vim para o Brasil, sou um treinador como eles. Não vim tirar lugar de ninguém, não vim ensinar a ninguém. Não sou melhor e nem pior do que nenhum. Queria lembrar aos meus colegas que em Portugal já trabalhou um brasileiro: o Scolari. Scolari é acarinhado pelos portugueses. Autuori, Renê Simões, Abel… E muitos outros. Quando estiveram lá, tentamos aprender. Não havia essa agressividade verbal que há comigo. Não entendo essas mentes fechadas. Não me incomoda. Quero que meus colegas cresçam. Não sabem o que é globalização. Que de uma vez por todas tirem os fantasmas da cabeça, porque o Brasil tem grandes treinadores”. Jorge Jesus, em entrevista ao UOL Esporte, 17 de novembro de 2019.

 

E um detalhe: essa fala do português veio logo após uma outra vitória sobre o Grêmio, pela 33ª rodada do Brasileirão, em plena Arena gremista e com o Flamengo repleto de reservas, já na preparação para a final da Libertadores. Antes desse jogo, o time protagonizou outro jogaço na temporada: o 4 a 4 com o Vasco, num Clássico dos Milhões inesquecível. O Fla fez 1 a 0 com menos de um minuto, o Vasco virou para 2 a 1, o Flamengo empatou, o Vasco fez mais um no segundo tempo, o Flamengo virou para 4 a 3 e o cruzmaltino empatou nos acréscimos.

O empate de 4 a 4 entrou para a história do clássico.

 

Já eram 22 jogos de invencibilidade no Brasileirão. Somando a Libertadores, o número saltava para 26 jogos sem perder. Não havia melhor resposta aos treinadores e rivais. Walter Casagrande, comentarista da TV Globo, também defendeu o português dizendo que os treinadores brasileiros tinham inveja de Jesus.

 

“Têm muito ciúmes, desde quando ele chegou. Com o Sampaoli (técnico do Santos em 2019), foi a mesma coisa. Primeiro, todos eles (técnicos brasileiros) falaram que não são maus treinadores. Realmente, não pode diminuir os trabalhos que os treinadores brasileiros fazem. O Argel (técnico do CSA em 2019) falou que quem trouxe o futebol para cá foi Charles Miller… A seleção de 70 já jogava assim, não é novidade. Então, por que esses times não jogam igual ao do Flamengo? Por que o Argel não põe o time dele para jogar igual ao do Flamengo? O time do Flamengo joga muito melhor do que todos os outros times brasileiros. Ele está resgatando o futebol brasileiro. Então, é isso que tem que pegar. Para de reclamar, trabalha e põe o time para atacar que ninguém vai falar nada”, disse o comentarista no Globo Esporte do dia 19 de novembro de 2019 (leia mais clicando aqui).

 

De fato, a inveja imperava. E o Flamengo sobrava. Azar dos rivais… Mas faltava o grande desafio para aquele time: a final da Libertadores.

 

A glória continental, 38 anos depois

Tirando o contratempo da sede (seria em Santiago, no Chile, mas acabou indo para Lima, no Peru, por causa das manifestações populares ocorridas na capital chilena), a primeira final em jogo único da história da Libertadores não poderia ser mais perfeita. Os dois finalistas eram, de fato, os melhores do continente. De um lado, o Flamengo, que jogaria completo, com De Arrascaeta escalado entre os titulares. Do outro, o River Plate, campeão de 2018, talvez o time mais aplicado taticamente das Américas, comandado com maestria por Marcelo Gallardo e com praticamente o mesmo elenco da conquista sobre o maior rival no ano anterior. Sabe quando um troféu pode ser vencido por qualquer time que ficará em boas mãos? Era isso. O equilíbrio tornava a decisão uma das mais abertas em anos. Mas, claro, as torcidas sabiam da força de seus clubes e confiavam no trabalho apresentado ao longo da temporada para a confirmação final.

Após a definição de Lima como sede do jogo, os torcedores foram chegando à cidade e, no dia da partida, o maravilhoso estádio Monumental “U” – um dos 20 maiores do mundo – ficou tomado por argentinos, brasileiros, peruanos e vários amantes do futebol. Era um momento diferente, uma final única, aos moldes da Liga dos Campeões da UEFA. Perdia-se aquela coisa do calor das torcidas locais, do torcedor clássico, mas ganhava-se mais tensão e emoção que um só jogo causa. Não havia margem para erro. Era ali ou nunca mais. E o tamanho das façanhas que cada clube poderia alcançar dava ao jogo ares épicos e uma expectativa enorme.

O Flamengo não vencia a Libertadores desde 1981, há 38 anos. Era muito, mas muito tempo. Quase quatro décadas! Gerações de torcedores jamais haviam visto seu time tão perto de algo tão grande. Aquela torcida não aguentava mais o estigma da geração de 1981, de viver órfãos de Zico, Adílio, Andrade, Júnior, Leandro, Nunes, Tita, Lico, Mozer, Raul e todos os craques que compuseram aquele Flamengo sensacional. Era o mesmo pelo qual a torcida do Santos, por exemplo, viveu durante décadas até a epopeia do título continental de 2011, que não vinha desde 1963 com a geração de Pelé, Coutinho e companhia. Percebe o tamanho da “glória eterna” que o Fla poderia alcançar naquela tarde? E mais: o dia 23 de novembro era a exata data do aniversário de 38 anos da conquista de 1981 sobre o Cobreloa! Percebe?

Marcação do River foi implacável com Everton Ribeiro (à esq.) e todas as estrelas do time brasileiro. Foto: REUTERS / Henry Romero.

 

Mas, quando a bola rolou, o equilíbrio que todos esperavam deu lugar a uma dominância do River. O rubro-negro foi amarrado, empacotado e entrelaçado pelos millonarios. Era chocante. O que o River jogava não estava escrito. Disciplina tática. Marcação sob pressão. Espaços reduzidos. Toques rápidos. Jogadores intempestivos criando mais e mais oportunidades de gols. Aos 14’, Borré deixou o seu. Os minutos se passaram e o River poderia ter feito mais. Acabou o primeiro tempo. E só os argentinos haviam jogado. Onde estava o Flamengo que havia goleado o Grêmio por 5 a 0 nas semis? E Gabriel Barbosa? E Bruno Henrique? E o meio de campo? Eles estavam mesmo ali? Veio a segunda etapa e com ela a esperança de alguma mudança. Zero. 

Os times em campo: River foi dono do jogo no ataque e na defesa. Mas isso até os 88 minutos…

 

O Flamengo até passou a flertar mais com jogadas ofensivas, mas o River seguia impecável, sem errar passes, ao contrário do Flamengo, que errava de uma maneira jamais vista desde a chegada do Mister Jorge Jesus. Será que todo o trabalho iria ruir justamente naquela primeira final única da história da Libertadores? Mas, a partir dos 25’, o River foi afrouxando o nó que dava no rival. Substituindo jogadores. Diminuindo a pressão. Parecia que eles estavam em contagem regressiva pelo título.

Gabigol marca…

 

… E o artilheiro faz o gesto característico: o Fla ainda tinha força! Foto: Ernesto Benavides / AFP.

 

O relógio estava prestes a chegar aos 45’. A euforia era millonaria. Mas a raça era rubro-negra. Em uma roubada de bola no campo defensivo, o Flamengo encontrou uma avenida pela frente. O espaço que tanto buscou o jogo inteiro. Foi o suficiente. Bruno Henrique deixou com De Arrascaeta, que cruzou. E Gabriel Barbosa marcou com o gol escancarado à sua frente. 1 a 1. Aos 43’. Haveria prorrogação! Flamengo vivo! Caraca, que coisa que é o futebol, não é mesmo? Quem disse? Três minutos depois, bola na área argentina. O zagueiro Pinola, que fungou no cangote de Gabriel o jogo inteiro, testa pra baixo. E deixa a redonda para o brasileiro. Ele enche o pé. E vira. 2 a 1. Aos 46’. Passam poucos minutos. E fim de jogo.

Gabriel sai para comemorar um dos gols mais épicos da história do Flamengo. (Foto: REUTERS / Henry Romero).

 

Foto: REUTERS / Pilar Olivares.

 

A festa de Jorge Jesus e de todos no banco de reservas. Foto: Marcos Brindicci /Jam Media / Getty Images.

 

Enfim, campeões! Fotos: REUTERS / Guadalupe Pardo.

 

Flamengo campeão da América. Exatos 38 anos depois. Mesma data. Fim do suplício. Fim do estigma. Uma partida épica, histórica e com um roteiro que nem o mais fanático torcedor poderia imaginar. Mas que certamente merecia desfrutar. Era a coroação de um time enorme, que mereceu imensamente o troféu por tudo o que fez naquela competição. Em 13 jogos, foram sete vitórias, três empates e três derrotas, com 24 gols marcados e dez sofridos. Gabriel Barbosa, com nove gols, foi o artilheiro do time e da competição. E Bruno Henrique foi eleito o melhor jogador do torneio, além de ser o maior “garçom” com seis assistências para gols. A propósito: a final contra o River também ganhou um capítulo especial. Leia mais clicando aqui.

 

Duas taças em menos de 24 horas!

A festa no Rio. Foto: Sergio Moraes / REUTERS.

 

Foto: Marcos Serra Lima / G1.

 

A volta para casa do Fla foi um verdadeiro evento que parou a cidade do Rio de Janeiro. O centro da cidade foi tomado por torcedores, e os jogadores e comissão técnica desfilaram pelas ruas do centro do Rio no domingo, dia 24. Foi uma comemoração histórica para os milhões de rubro-negros que não presenciaram o título de 1981 e puderam vivenciar uma conquista inesquecível. No mesmo dia, a festa ganhou ainda mais tempero: o Palmeiras perdeu para o Grêmio na rodada do Campeonato Brasileiro e o Flamengo conquistou por antecipação o título nacional, 10 anos após o caneco de 2009. Duas taças em menos de 24 horas! E, naquele fim de temporada, o clube ainda venceu os campeonatos brasileiros sub-17 e sub-20 de 2019, fechando uma “tríplice coroa” junto com o título dos profissionais! O torcedor mais feliz no mundo naquele domingo era flamenguista.

 

O título dos recordes

No dia 27 de novembro, o Flamengo foi recebido com festa por sua torcida (mais de 67 mil torcedores) no Maracanã para o jogo contra o Ceará, pela 35ª rodada. Foi o jogo da entrega da taça e Jorge Jesus mandou a campo um time misto, que levou um susto com o gol do Ceará no primeiro tempo. Mas quem tem Bruno Henrique nunca fica na mão. O atacante marcou três gols no segundo tempo, Vitinho fez outro e o Flamengo goleou por 4 a 1. Quem disse que existe ressaca em pós-título? 

Foto: Thiago Ribeiro / AGIF.

 

O duelo seguinte foi contra o Palmeiras, no Allianz Parque, em jogo cercado de tensão por causa da rivalidade crescente entre os times e até torcida única para “evitar problemas”. Pura bobagem. Em campo, o Flamengo não deixou a pilha de nervos lhe abater e deu mais um show. Logo aos 4’, De Arrascaeta abriu o placar em um gol simplesmente magnífico. Antes do uruguaio completar para as redes após receber passe de Gabriel Barbosa, o Flamengo trocou 32 passes durante 1m50s. Isso mesmo. O time ficou quase dois minutos com a bola no pé só esperando o momento exato para dar o bote.

 

Veja:

Ainda no primeiro tempo, Gabriel Barbosa marcou dois gols e sacramentou a vitória rubro-negra por 3 a 1 (o Palmeiras descontou na segunda etapa), na primeira derrota com tantos gols sofridos pelo time alviverde em sua nova casa. De novo, quem disse que campeão tem que tirar o pé? Poupar jogador? Me poupe de pensamentos retrógrados, isso sim! O Flamengo queria enriquecer ainda mais sua campanha demolidora, quebrar ainda mais recordes. A propósito: Mano Menezes, o retranqueiro técnico alviverde, foi demitido do Palmeiras após a derrota para os cariocas… Foi o segundo técnico demitido pelo clube após derrota para o Flamengo naquela temporada (o primeiro foi Felipão) e o 4º treinador no ano “demitido” pelos cariocas (Fábio Carille, do Corinthians, e Adílson Batista, do Ceará, foram os outros dois).

Jogadores comemoram gol do uruguaio De Arrascaeta contra o Avaí. Foto: Thiago Ribeiro / AGIF.

 

Na penúltima rodada, no último jogo do time no Maracanã e também o último diante de sua torcida antes da viagem ao Qatar, o Flamengo atropelou o Avaí: 6 a 1, em nova noite de festa no Rio. Com quase 70 mil pessoas, o Flamengo terminou o campeonato com uma média de público de 56.025 torcedores, maior que a do próprio torneio e simplesmente marcante.

Só na última rodada que o Flamengo relaxou. Foi jogar fora de casa contra o Santos, na Vila. Mas não foi um bom momento para isso. O Peixe, que terminou como vice-campeão, venceu por 4 a 0 e pôs fim à invencibilidade de 29 jogos dos cariocas, sendo 24 jogos no Brasileiro e cinco na Libertadores. Os gols dos alvinegros surgiram da fragilidade do lado direito do Mengo, que teve Rodinei no lugar de Rafinha, e também na tarde infeliz de Filipe Luís, que deu um gol de bandeja para Carlos Sánchez. Enfim, foi um jogo que Jorge Jesus poderia ter colocado só reservas, mas preferiu escalar quase força máxima. Com os jogadores já sem o apetite de antes e um Santos sublime, deu no que deu.

Mas isso em nada reduziu a campanha do Flamengo em 2019. O time terminou com os seguintes números:

 

38 jogos

28 vitórias

06 empates

04 derrotas

86 gols marcados

37 gols sofridos

49 gols de saldo

 

Os recordes do time foram: 

 

  • Mais vitórias: 28;

  • Maior artilheiro: Gabriel Barbosa, 25 gols em 29 jogos;

  • Melhor ataque: 86 gols; 

  • Melhor mandante: 53 pontos:

  • Maior série invicta: 24 jogos;

  • Menos derrotas: 04;

  • Maior saldo de gols: 49 gols;

  • Maior diferença de pontos para o segundo: 16 pontos.

 

O Flamengo de 2019 ainda quebrou recordes históricos de outros campeões dos pontos corridos na era de 20 clubes:

 

  • Superou em pontos o Corinthians-2015 (81 pontos). O Flamengo fez 90 pontos;

  • Teve mais vitórias que o Cruzeiro-2014, Corinthians-2015 e Palmeiras-2016 (24 vitórias). O Flamengo teve 28 vitórias;

  • Igualou as 04 derrotas sofridas pelo São Paulo-2006 e Palmeiras-2018;

  • Superou os 40 gols de saldo do Cruzeiro-2013 e do Corinthians-2015. O Flamengo teve 49 gols de saldo;

  • Superou os 77 gols marcados pelo Cruzeiro-2013. O Flamengo fez 86 gols;

  • Teve o maior artilheiro desde Jonas (Grêmio-2010) e Borges (Santos-2011), que marcaram 23 gols. Gabriel Barbosa fez 25 gols. O atacante ainda entrou no seleto grupo de maiores artilheiros em uma só edição de Campeonato Brasileiro, igualando Careca, que marcou 25 gols em 30 jogos pelo São Paulo-1986, com ligeira vantagem para o flamenguista, que chegou aos 25 em um jogo a menos (29 partidas).

 

O Flamengo só não conseguiu a melhor defesa, que ainda pertence ao impressionante São Paulo-2007, que levou apenas 19 gols em 38 jogos e se tornou a melhor defesa da história dos pontos corridos e uma das mais notáveis de toda a história do próprio Brasileirão. O Flamengo levou 37, quase o dobro…

Foto: Perfil Oficial do Flamengo no Facebook.

 

Outro destaque foi a comissão de frente do rubro-negro. De Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabriel Barbosa ostentaram números incríveis e melhores do que muito time do torneio. Juntos, eles marcaram 59 gols, mais gols do que 16 times do campeonato inteiro! Isso mesmo: 16 TIMES! Apenas Santos, Palmeiras e Grêmio fizeram mais gols do que o trio! Foi surreal! 

Veja os números:

 

De Arrascaeta: 13 gols e 13 assistências

Bruno Henrique: 21 gols e 04 assistências

Gabriel Barbosa: 25 gols e 08 assistências

 

Foto: Wagner Meier / Getty Images.

 

De fato, o Flamengo sobrou demais no Campeonato. Perdeu apenas um jogo em todo returno. Nadou de braçada. E viu ainda o Santos ser o melhor vice-campeão da história com 74 pontos, pontuação de time campeão, em outro ponto que destaca a grandeza da campanha dos cariocas no torneio nacional. E um detalhe: na seleção do campeonato, nada mais nada menos do que nove jogadores do Flamengo (Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí, Filipe Luís, Gerson, De Arrascaeta, Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabriel Barbosa) mais o técnico Jorge Jesus foram eleitos! Apenas o goleiro Santos e o meio-campista Bruno Guimarães, ambos do Athletico, impediram que o time inteiro do Mengo fosse escolhido pela CBF! 

Jogadores do Flamengo posam com a taça de campeão brasileiro. Foto: Thiago Ribeiro / AGIF.

 

Com três taças no ano, o Flamengo treinou mais dois dias no Brasil e viajou no dia 13 de dezembro para o Qatar, em uma longa viagem de mais de 15 horas. Era hora de iniciar a preparação para o último desafio do ano: o Mundial de Clubes da FIFA.

 

Orgulho rubro-negro

Bruno Henrique disputa a bola com Mohammed Al Burayk, do Al Hilal. Foto: Corinna Kern / Reuters.

 

Sem problemas de contusões, o Flamengo chegou ao Qatar para a disputa do Mundial com muita esperança. Era um consenso de que havia um certo equilíbrio entre o time brasileiro e o Liverpool, campeão europeu, os favoritos para a disputa da final. Nos últimos Mundiais, sempre o time do Velho Continente dava show em cima dos sul-americanos, isso quando acontecia o embate, pois em 2010, 2013, 2016 e 2018 nem isso teve, pois os times da América caíram para adversários de outros continentes. Mas, em 2019, a história era diferente. Pelo futebol que apresentava, o Flamengo podia bater de frente com os ingleses. E nunca uma partida foi cercada de tanta expectativa. A torcida rubro-negra até criou música para embalar seus jogadores, fazendo referência à célebre decisão de 1981:

 

“Em dezembro de 81

Botou os ingleses na roda

3 a 0 no Liverpool

Ficou marcado na história

E no Rio não tem outro igual

Só o Flamengo é campeão mundial

E agora seu povo

Pede o mundo de novo

 

Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe, Mengo

Pra cima deles, Flamengo!

Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe, Mengo

Pra cima deles, Flamengo!”

 

Mas havia a semifinal. E, como manda a cartilha, teve sofrimento. O adversário do Flamengo, o Al Hilal, da Arábia Saudita, fez um bom primeiro tempo e abriu o placar com Aldawsari. Só no segundo tempo que o Flamengo voltou melhor e empatou logo aos três minutos, com De Arrascaeta, após passe de Bruno Henrique. Minutos depois, Bruno Henrique cabeceou precisamente após cruzamento de Rafinha e virou. BH também participou do terceiro gol, quando tentou servir Gabriel Barbosa na pequena área, mas Albulayhi mandou contra a própria meta e fechou o placar em 3 a 1 para o time brasileiro, em jogo que teve Diego fundamental assim como na Libertadores, com o meia participando do lance do segundo gol e também do terceiro.

O Liverpool, de Keita (foto), foi com time misto, mas passou sufoco para vencer o Monterrey. Foto: Karim Jaafar / AFP.

 

No dia seguinte, o Liverpool também suou, mas venceu o Monterrey-MEX por 2 a 1 e garantiu a final dos sonhos e sem zebras. Assim como em 1981, os ingleses iriam de vermelho, e o Flamengo, de branco. Era muito simbolismo, muita coincidência. Mas, quando a bola rolou, o torcedor levou susto atrás de susto com o ímpeto dos europeus, que quase abriram o placar com menos de um minuto de jogo, quando o brasileiro Firmino perdeu um gol feito cara a cara com Diego Alves. As chances continuaram a favor dos Reds, com Keita e Alexander-Arnold, mas o Flamengo encontrou o equilíbrio que precisava e domou a fera. Teve a posse de bola. E viu do lado direito da defesa inglesa o mapa da mina para atacar. Bruno Henrique fez grandes jogadas, criou chances, mas o defensor Gomez salvou o Liverpool em mais de uma vez. Van Dijk, soberano da defesa, não deixava Gabriel Barbosa aparecer. Mas o Flamengo conseguia manter o controle do jogo como há muitos anos um sul-americano não ousava tê-lo em uma final de Mundial. Era um jogo aberto. Só que o Flamengo não conseguiu transformar essa dominância em gol. Faltou criar uma chance clara, mais palpável.

No segundo tempo, o Liverpool seguiu o roteiro da primeira etapa e tentou abrir o placar logo de cara, de novo com Firmino, que chapelou Rodrigo Caio, chutou seco, a bola quicou no chão e bateu na trave de Diego Alves. Na sequência, Salah aproveitou um cruzamento de Arnold e quase fez, em sua primeira grande aparição após um primeiro tempo bem abaixo das expectativas. O Flamengo se recompôs mais uma vez e manteve a marcação pressão, o abafa nas saídas de bola do Liverpool, algo que se mostrou muito eficiente e que quase resultou em gol de Gabriel Barbosa, mas o chute foi defendido por Alisson. O famoso trio Mané, Salah e Firmino realmente não brilhava como muitos esperavam. A eficiência do Flamengo na marcação dava gosto de se ver. Mas o gol não saía.

Jorge Jesus colocou Diego no lugar de Everton Ribeiro, mas deixou o camisa 10 encaixado na marcação, mais aberto, em posição que ele não rendia muito. Isso minou ainda mais as ações ofensivas do time carioca. Vitinho também entrou, arriscou dribles, mas o gol teimava em não sair. Do outro lado, Henderson obrigou Diego Alves a fazer grande defesa, aos 40’. Até que, aos 47’, Mané recebeu na entrada da área, Rafinha chegou para atrapalhar o chute do senegalês, e o árbitro viu pênalti, além de dar cartão amarelo para o lateral brasileiro. O torcedor rubro-negro emudeceu. Mas o VAR entrou em ação. Após checagem do lance, ficou comprovado que Rafinha foi na bola, sem falta. O árbitro cancelou o pênalti e também o cartão! Será que era sorte de campeão?

O lance fatal…

 

… E a comemoração de Firmino: Liverpool campeão do mundo.

 

A igualdade seguiu e o jogo foi para a prorrogação. Aos 5’, Vitinho fez grande jogada pra cima de Alexander-Arnold e cruzou, mas Van Dijk tirou da pequena área. O Flamengo tentava um gol logo de cara, mas o cansaço já era visível nos brasileiros. Uma decisão por pênaltis seria bom negócio àquela altura. Seria… Aos 8’, Mané recebeu, olhou e tocou para Firmino. O camisa 9 tirou Rodrigo Caio e Diego Alves da jogada com um corte seco e marcou um belo gol, o primeiro do Liverpool em sua quarta final de Mundial: 1 a 0. Foi o começo do fim do sonho. Já sem o vigor físico, o Flamengo não manteve a intensidade. O garoto Lincoln ainda teve a última oportunidade de gol, aos 14’ do segundo tempo, quando recebeu de Vitinho e chutou por cima. Mas não deu. Ao apito do árbitro, o Liverpool conquistou seu primeiro título mundial, a taça que faltava a um clube tão vencedor, tão glorioso.

O vice foi dolorido, mas não havia motivo para alarde. O Flamengo perdeu jogando ao seu estilo e provou que era possível enfrentar de igual para igual um poderoso oponente europeu sem jogar “por uma bola”. Os números ao fim do jogo foram um claro exemplo: 18 chutes a gol do Liverpool, 14 do Flamengo. A posse de bola do Flamengo foi de 52%, contra 48% do Liverpool. O rubro-negro deu mais passes – 669 contra 601 – e fez menos faltas – 16 contra 22 dos Reds. Claro que muita gente criticou as substituições de Jesus, a falta de chances claras de gols, mas o Flamengo enfrentou o melhor time do mundo. Jogou o que podia e sabia. E foi até onde as pernas de seus jogadores permitiram no 76º jogo do ano (74º oficial), com o detalhe de que o time não era poupado há muito tempo. Qual outra equipe da América do Sul poderia fazer melhor? Talvez o River, vice-campeão da Liberta. E olhe lá! Mesmo triste, o torcedor flamenguista teve muito orgulho de seu time naquela tarde / noite de sábado.

 

Para sempre na história

Em pé: Diego Alves, Pablo Marí, Filipe Luís, Willian Arão, Rodrigo Caio e Bruno Henrique. Agachados: Gabriel Barbosa, Rafinha, Éverton Ribeiro, De Arrascaeta e Gerson.

 

O Flamengo ainda pode emendar muitos títulos em 2020 e nos próximos anos, mas os feitos do time de 2019 merecem um lugar único na galeria do clube e também aqui no Imortais. Ganhar tudo o que ganhou com um time que jogou junto em apenas seis meses foi uma enormidade. Foi um esquadrão que quebrou paradigmas, recordes e rivais. Que fez o torcedor reaprender a torcer. Que despertou admiração até nos oponentes. Que resgatou a mística de uma camisa tão icônica. Que alcançou o maior aproveitamento da história do Brasileiro de pontos corridos com 78,9%, superando os 72,5% do Cruzeiro de 2003. Que provou ser possível vencer Libertadores e Brasileiro em uma só temporada. E que deu shows inesquecíveis. O que esse Flamengo fez está marcado para sempre na história. É um esquadrão atemporal. E imortal.

Os personagens:

Diego Alves: após um começo de temporada irregular, ganhou confiança e foi um dos destaques do time na campanha da Libertadores e em vários jogos do Brasileirão. Sempre bem colocado, dificilmente fazia alguma defesa mais acrobática justamente pelo grande senso de posicionamento. Mas, quando precisou, foi impecável. No clube desde 2017, é titular absoluto do rubro-negro.

Rafinha: com a experiência dos anos de Bayern, caiu muito bem no esquema tático de Jorge Jesus e fez grandes jogos na Libertadores e no Brasileiro. Rápido, preciso nos passes e cruzamentos, se entrosou muito bem com a linha de frente e foi um dos principais jogadores do time. É um dos poucos jogadores a ter no currículo a Liga dos Campeões da UEFA e a Copa Libertadores.

Pará: chegou ao Flamengo em 2015 e foi titular em vários jogos, mas perdeu espaço no time em 2019 por não ser tão regular na posição. Acabou negociado com o Santos.

Rodinei: desde 2016 no Flamengo, fez várias partidas como titular no Brasileirão de 2019 até a chegada de Rafinha, que o colocou na reserva. Apoia bem o ataque e pode atuar até como ponta-direita, mas não tem muita eficiência na marcação.

Rodrigo Caio: foi uma das grandes surpresas do time na temporada com grandes jogos e muita regularidade. Passou a ter mais segurança com o técnico Jorge Jesus, e, ao lado de Pablo Marí, acabou com os problemas defensivos que tanto assolaram o time nos últimos anos. Marcou, inclusive, cinco gols em suas investidas ao ataque. Se destacou, também, pelos desarmes e neutralização de jogadas dos rivais, embora tenha sofrido com atacantes mais habilidosos em determinados jogos.

Pablo Marí: outra grande revelação do ano, o espanhol chegou como um desconhecido do grande público, mas fez ótimas partidas e demonstrou bastante segurança no jogo aéreo, desarmes e senso de colocação, além de efetuar bons passes.

Filipe Luís: embora tenha alternado grandes partidas com outras nem tanto – por oferecer muitos espaços do lado esquerdo do campo de defesa rubro-negro – Filipe Luís foi titular do time e um dos principais jogadores nas campanhas dos títulos do Brasileiro e da Libertadores. Com muita técnica e grande visão de jogo, disputou 23 jogos, sendo 16 no Brasileirão.

Renê: chegou em 2017, e, após um grande ano em 2018, quando foi eleito o melhor lateral-esquerdo do Brasileirão, seguiu no time titular no primeiro semestre e acabou eleito o melhor lateral-esquerdo do Carioca. Só perdeu a posição com a chegada de Filipe Luís. Disputou 51 jogos na temporada.

Willian Arão: volante que ajudava o ataque e também podia atuar como terceiro zagueiro, foi um dos principais nomes do Flamengo no ano e peça importante no esquema tático de Jorge Jesus, atuando como primeiro volante e ajudando mais na marcação. Além disso, foi uma alternativa para as bolas paradas e também nas jogadas aéreas após cobranças de escanteio. Disputou 66 partidas em 2019 (um dos jogadores que mais atuaram no time no ano) e marcou cinco gols, além de dar oito assistências.

Gerson: foi o grande coringa do time no meio de campo por marcar, atacar, dar passes e construir diversas oportunidades de gol. Com muita versatilidade, virou peça imprescindível no esquema do técnico Jorge Jesus e foi fundamental para a arrancada do time a partir do segundo semestre. Disputou 32 jogos e marcou dois gols.

Cuéllar: meio-campista colombiano, jogou de 2016 até metade de 2019 no Flamengo, atuando como primeiro volante e com funções mais focadas na marcação. Acabou negociado com o Al Hilal, curiosamente adversário do Flamengo na semifinal do Mundial.

Diego: muito querido pela torcida, teve uma temporada marcante mesmo após a lesão sofrida no duelo contra o Emelec, nas oitavas da Libertadores. Experiente, técnico e com plena visão de jogo, foi decisivo nas partidas em que atuou – com exceção da Copa do Brasil, quando desperdiçou um pênalti contra o Athletico. Foi titular na maioria dos jogos do primeiro semestre e virou reserva de luxo com a chegada de Jorge Jesus. Foi dele o passe para o gol do título da Libertadores. Diego teve participação direta, também, em dois dos três gols do Flamengo na semifinal do Mundial. Foram 41 jogos e cinco gols na temporada. 

De Arrascaeta: altamente técnico e decisivo, o uruguaio foi outro que brilhou intensamente no time rubro-negro em 2019. Disputou 52 jogos, marcou 18 gols e deu 19 assistências na temporada, números que comprovam sua importância no time para os títulos do Brasileiro e da Libertadores – isso mesmo após sofrer uma lesão após o primeiro jogo contra o Grêmio, nas semis da Liberta, que o tirou dos gramados por um mês. No Mundial, foi bem na semifinal, mas parece ter sentido a parte física na decisão contra o Liverpool e não rendeu como de costume.

Reinier: cria das bases do clube, o atacante foi um dos jovens mais utilizados por Jorge Jesus e talismã em vários jogos do Brasileirão, competição que ele disputou 14 jogos e marcou seis gols, além de dar duas assistências. Rápido, habilidoso e oportunista, mostrou bastante entrosamento com os titulares. Deve jogar ainda mais pelo clube nos próximos anos.

Piris Da Motta: o volante paraguaio entrou no decorrer de vários jogos ao longo da temporada para garantir o placar favorável ou quando algum titular estava cansado ou lesionado. Com características mais defensivas, ajudava na marcação e na posse de bola.

Everton Ribeiro: capitão do time, fez muito bem o elo entre meio de campo e ataque, com passes para gols (foram 14 assistências na temporada), dribles e grandes atuações, principalmente na Libertadores, competição que ele disputou 12 partidas, marcou três gols e deu três passes para gols. Muito querido pela torcida, já tem seu nome na história do clube.

Bruno Henrique: sem dúvida alguma, foi o maior craque do Flamengo em 2019, mais até do que Gabriel Barbosa. Suas atuações, arrancadas, dribles, gols e assistências foram a síntese do Flamengo no ano. Incansável, BH marcou 35 gols em 62 jogos, deu 16 assistências, foi eleito o melhor jogador do Carioca, o melhor do Brasileiro e o melhor da Libertadores. E ainda ganhou a Bola de Prata no Mundial de Clubes. Sem dúvida, um ano mágico para o atacante, a alegria rubro-negra de 2019 e terror dos adversários.

Vitinho: ponta-esquerda habilidoso, chegou na metade de 2018 como alternativa para o ataque rubro-negro e fez grandes jogos, marcando nove gols em 52 partidas em 2019 – ele foi o 4º artilheiro do time no ano.

Gabriel Barbosa: com 43 gols em 59 jogos na temporada e as artilharias do Campeonato Brasileiro (25 gols) e da Libertadores (9 gols), Gabriel Barbosa nunca fez tão jus ao apelido de Gabigol. A simbiose entre ele e a camisa do Flamengo foi algo impressionante na temporada. E, com o entrosamento construído com Bruno Henrique nos tempos de Santos, mais a entrada do uruguaio De Arrascaeta e o estilo de jogo ofensivo proposto por Jorge Jesus, o atacante virou o maior matador das Américas. Gabigol virou ídolo da torcida, da criançada e um estandarte do esquadrão rubro-negro em 2019. Seus gols na final da Libertadores serão relembrados por gerações e já estão entre os mais gritados da mais que centenária história do clube. A única decepção ficou por conta do Mundial, onde ele não conseguiu brilhar e não apresentou o futebol que a torcida esperava. Mesmo assim, ele tinha crédito de sobra.

Lincoln: outra cria das bases, o atacante disputou 15 jogos, marcou três gols – um deles em um clássico decisivo contra o Botafogo, pelo Brasileirão – e foi uma boa alternativa para o ataque na ausência de algum titular. Com apenas 19 anos, deve crescer muito ainda como jogador profissional.

Abel Braga e Jorge Jesus (Técnicos): Abel teve seus méritos pelo título carioca, mas é inegável que a formação e consolidação desse Flamengo se deve a Jorge Jesus. O que o time passou a jogar sob o comando do português foi algo impressionante e inegável se compararmos com o rendimento do time no primeiro semestre e desempenho individual dos jogadores, principalmente os de ataque. E mais: o português fez o que fez em apenas seis meses, algo que muitos demorariam talvez mais de um ano para fazer! Foram 28 vitórias, oito empates e apenas quatro derrotas em 40 jogos, dois títulos e um “chega pra lá” no defensivismo que tanto perpetua no futebol brasileiro. Jorge Jesus não revolucionou nada, apenas fez o que fazíamos anos atrás: jogou bonito, pra frente, com ofensividade e sem medo. E isso fez dele campeão brasileiro e da Libertadores. Já está entre os maiores técnicos da história do Flamengo.

 

Números do Flamengo na temporada:

74 jogos oficiais

49 vitórias

16 empates

09 derrotas

150 gols marcados

64 gols sofridos

86 gols de saldo

Aproveitamento: 73%

 

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18 thoughts on “Esquadrão Imortal – Flamengo 2019

  1. Texto maravilhoso, impossível de não se emocionar. Gostaria de parabenizá-lo pelo conteúdo, sempre enfatizando a paixão pelos clubes citados nos artigos, tenho certeza que não só eu como flamenguista, mas todos os outros torcedores sentem-se arrepiados pela escrita e histórias aqui contadas. Um abraço e continuem.

  2. Chegamos em 2020 e as conquistas continuam! Aguardo ansiosamente as atualizações com a Supercopa e a Recopa Sul-Americana! Estão fazendo história, e parece estarmos numa nova era de ouro do Clube. Que venham mais Taças!

  3. Sou flamenguista e cada palavra escrita nesse post me deixou arrepiado. Sou fã do site de vocês desde o seu início e estava esperando pelo meu Mengão de 2019 que tem tudo para continuar a história em 2020.

    Um bom ano pra vocês e sucesso!

  4. Fica até um pouco triste saber que não vamos ter mais tardes de domingo se divertindo assistindo esse time ganhar dos adversários, zoar os amigos na Universidade antecipadamente, pela confiança que esse time imprimia. Vai deixar saudades! Que 2020 seja novas histórias bonitas e conquistas, queremos mais!
    Parabéns pelo texto, ficou show, que consiga escrever mais sobre grandes times do Flamengo e também dos adversários, isso é futebol.

    Saudações Rubro Negras
    Saudações Baianas

  5. Merecido esse Flamengo ser imortalizado , jogou muito em 2019, foi um dos melhores times que eu vi nessa decada , e sou são paulino , foi uma pena o flamengo não ter conquistado o mundial , seria muito importante para o futebol sul americano , e mudaria o estilo de jogo , mentalidade retrogada dos tecnicos daqui, dos clubes sul americano enfrentar um clube europeu jogando na retranca e por 1 bola , uma pena mesmo . espero que em 2020 mude essa mentalidade de jogar com 1 clube pequeno . eu assisto o SP de 92 e 93 , mas o de 2005 , nao curto muito , graças a deus fomos campeões , como seria perder e tendo uma atuação dessa . graças a deus tivemos um grande goleiro.

  6. Em que pese a grande fase do Flamengo em 2019 vc não acha que está exagerando em só colocar posts relacionados ao flamengo neste site? O site deve mudar de nome e se chamar os imortais do flamengo. Me desculpe se vc e flamenguista como deve estar parecendo ser!

    1. O Imortais serve para documentar quem faz história no futebol. E o Flamengo fez muita história em 2019, por isso teve tanto espaço este ano por aqui. Mas parece que você não entende isso ou não se interessa nem respeita a história escrita por outros times, apenas pelo seu. A propósito, não torço para ninguém, torço pelo futebol bem jogado e zelo por sua história.

      1. Vai continuar essa postagem né? Pode acrescentar a Supercopa do Brasil e a Recopa. Pensando bem, melhor esperar o ano acabar rsrs.
        Quanto ao rapaz que comentou aí reclamando que vc tá dando muito espaço ao Flamengo, acho que ele devia parar de reclamar e reconhecer o ótimo momento que o Flamengo está vivendo, pois tenho certeza que o time que ele torce, também teve seus bons momentos e quem sabe, poderá ter mais… E apreciar o belo trabalho que vc faz aqui.
        Sou Flamenguista, apaixonado por futebol, gosto de ler, me interesso pela história não do do time que torço, mas de outros clubes, inclusive antes desse comentário, tinha lido a postagem do grande São Paulo de 92/93.

  7. olá,Imortais.gostaria muito q vc imortalizasse o Botafogo campeão da Taça Brasil de 1968.abraços e espero q vc me responda.
    PS:não sou botafoguense,sou cruzeirense

  8. Que texto primoroso. Um final um pouco “melancólico” pela perda do Mundial? Talvez, mas o que esse time fez pelo futebol brasileiro em apenas 6 meses é de bater no peito e se orgulhar.

    Parabéns pelo trabalho, Imortais. Vocês estão anos-luz quando o assunto é crônicas nas Quatro Linhas!

  9. Terei o maior prazer de contar para as próximas gerações de rubro-negros sobre as façanhas do Flamengo de 2019 que, arrisco-me dizer, é o MAIOR esquadrão da história do clube no séc. XXI. Belo trabalho, Imortais!

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