Craque Imortal – Rui Costa

 

Nascimento: 29 de março de 1972, em Amadora, Portugal

Posição: Meia

Clubes: AD Fafe-POR (1990–1991), Benfica-POR (1990–1994 e 2006-2008), Fiorentina-ITA (1994-2001) e Milan-ITA (2001-2006).

Principais títulos por clubes: 1 Taça de Portugal (1992-1993) e 1 Campeonato Português (1993–1994) pelo Benfica.

2 Copas da Itália (1995-1996 e 2000-2001) e 1 Supercopa da Itália (1996) pela Fiorentina.

1 Campeonato Italiano (2003-2004), 1 Copa da Itália (2002–2003), 1 Supercopa da Itália (2004), 1 Liga dos Campeões da UEFA (2002-2003) e 1 Supercopa da UEFA (2003) pelo Milan.

Principal título por seleção: 1 Copa do Mundo Sub-20 (1991) por Portugal.

Principais títulos individuais: 

Eleito para a Seleção da Eurocopa: 1996 e 2000

FIFA 100: 2004

Melhor Jogador do Ano do Benfica: 2008

Ordem do Infante Dom Henrique: 2004

 

“O Maestro Luso”

 

Quando Eusébio, um dos maiores jogadores de todos os tempos, viu aquele garoto jogar, ele não tinha dúvidas de que Portugal havia acabado de ganhar um verdadeiro tesouro. Os anos se passaram e o Pantera Negra realmente tinha razão. Aquele garoto cresceu e esbanjou classe e técnica no meio de campo. Foi assim nos seletíssimos quatro clubes nos quais ele jogou. Poucos, mas suficientes para consagrar Rui Manoel César Costa, mais conhecido como Rui Costa, como um dos maiores jogadores portugueses de todos os tempos, um exemplo clássico de camisa 10, que, não por acaso, lhe rendeu o apelido de “Maestro”. Revelado pelo Benfica e craque nas seleções de base de seu país, Rui Costa despontou de vez como um grande nome do futebol europeu na Itália, quando defendeu as cores da Fiorentina e do Milan, pelos quais foi campeão e virou ídolo. Só faltou mesmo um grande título pela Seleção principal, que escapou em 2004 na final da Eurocopa. Mesmo assim, Rui Costa teve tempo suficiente para brilhar e escrever seu nome na história de Portugal e do futebol. É hora de relembrar.

Com o aval do Pantera

Em 1981, com apenas 9 anos de idade, Rui Costa chegou ao Benfica, seu clube de coração, para fazer um teste, quatro anos após iniciar seus primeiros toques na bola pelo Damaia Ginásio Clube. E o jeito de jogar do português, sempre com a bola colada no pé e cabeça levantada para achar os colegas em campo, impressionou a lenda Eusébio, que supervisionava uma peneira com mais de 500 garotos no clube encarnado.

“Estavam 500 meninos naquele dia, todos queriam jogar, mas pouco depois de ter tocado algumas vezes na bola, o Eusébio me tirou da equipe e disse ‘tu, menino, já chega’. Comecei a chorar, pois pensei que não ficaria, mas, no dia seguinte, soube que iria treinar com a equipe infantil e do choro passei para a alegria num ápice”, disse Rui Costa à Benfica TV, em 2014.

Em 1990, após avançar em todas categorias de base do Clube da Luz, Rui Costa foi emprestado pelo Benfica ao AD Fafe, para ganhar experiência. Em 38 partidas pelo Fafe, Rui Costa anotou seis gols e chamou a atenção do técnico Sven-Göran Eriksson, que na época comandava o Benfica. E ele não hesitou em trazer de volta o jovem meia.

 

Nasce o craque

Rui Costa no início dos anos 1990. Foto: alcheron.com

 

O encanto de Eriksson com o futebol do português se deu após a Copa do Mundo Sub-20 de 1991, vencida por Portugal no Estádio da Luz muito graças ao talento do jogador e outras feras como Luís Figo, Jorge Costa e companhia. Rui Costa marcou o gol que classificou Portugal à final, na vitória por 1 a 0 sobre a Austrália, e converteu seu pênalti na decisão contra o Brasil, vencida pelos lusos por 4 a 2 após empate sem gols no tempo regulamentar. Eriksson promoveu a entrada de Rui Costa no time principal do Benfica já na temporada 1991-1992 e, em seu debute, o meia disputou 32 partidas mesmo saindo do banco de reservas em grande parte delas. O jovem fez quatro gols e provou que tinha condições de vestir a camisa do Clube da Luz.

Pela seleção, no começo dos anos 1990.

 

Nas temporadas seguintes, Rui Costa decolou e foi um dos melhores jogadores do Benfica nas conquistas da Taça de Portugal de 1992-1993 e do Campeonato Português  de 1993-1994, o último antes do clube ter de conviver com a ascensão do rival Porto, que passaria a dominar o cenário nacional naquela segunda metade de anos 1990.

Mas Rui Costa nem teria tempo de ajudar seu time, que, passando por sérios problemas financeiros, teve que vender o jogador já em 1994 para a Fiorentina.

 

A dupla infalível com Batistuta

Nos anos 1990, o futebol italiano era considerado por muitos como o melhor da Europa e vários craques se transferiram para a Velha Bota no período. Um deles foi Rui Costa, que chegou à Fiorentina por cerca de seis milhões de euros em 1994.

Em sete anos de Fiorentina, Rui Costa fez uma dupla memorável com o atacante argentino Gabriel Batistuta e ajudou o time de Florença a vencer três títulos: Copa da Itália (1995-1996 e 2000-2001) e Supercopa da Itália (1996).

Batistuta e Rui Costa.

 

“A nossa história dentro do campo de jogo é suficiente para demonstrar a nossa amizade. Ali, nos entendíamos muito bem”, disse Batistuta sobre Rui Costa, em entrevista ao jornal português Mais Futebol, em 2008.

O “Maestro”, como até hoje Rui Costa é chamado pelos italianos, protagonizou lances inesquecíveis pela Fiorentina e marcou 50 gols em 276 partidas oficiais pela Viola. Foram marcantes as tabelas e jogadas entre Batigol e o português, que dava passes precisos para o argentino marcar gols e mais gols. Com classe e muita técnica, Rui Costa conseguia se destacar mesmo em um campeonato repleto de craques como Nedved, Zidane, Del Piero e companhia. Após a saída de Batistuta do time para jogar na Roma, em 2000, Rui Costa seguiu como líder e capitão da Fiorentina, passando a marcar mais gols atuando próximo à grande área junto com Nuno Gomes e Chiesa. Até que, em 2001, em filme parecido com o passado no Benfica, o jogador teria que ser negociado pela Fiorentina, que passava por uma grave crise financeira.

 

A era dos títulos

Rui Costa nos tempos de Milan. Créditos: record.pt.

 

Vendido ao Milan por mais de 40 milhões de euros em 2001, Rui Costa mudou um pouco seu estilo de jogo no clube de Milão. Sem a explosão do início de carreira e sofrendo com lesões, o meia passou a atuar mais centralizado, municiando os atacantes do time rossonero. E tal função fez com que ele desse 65 assistências para gols entre 2001 e 2004, um número invejável que só realçaram o talento e a visão de jogo do português. Pelo Milan, Rui Costa faturou já na temporada 2002-2003 a Liga dos Campeões da UEFA. Ele foi o maior “garçom” da Liga dos Campeões com cinco assistências – QUATRO delas em um só jogo, na vitória do Milan sobre o Deportivo La Coruña em plena Espanha por 4 a 0…

… E deslumbrou os torcedores com seus passes precisos e sensacionais – como um de 60 metros que deixou Shevchenko na cara do gol, em partida contra o Real Madrid.

Veja abaixo:

Naquela época, o Milan era muito respeitado pelos adversários e contava, além de Rui Costa, com jogadores renomados como Dida, Paolo Maldini, Andrea Pirlo, Clarence Seedorf, Andriy Shevchenko entre outros. Na temporada 2003-2004, Rui Costa começou a perder a posição de titular para o recém-chegado Kaká. No entanto, o português foi muito importante para a rápida adaptação do brasileiro no futebol italiano.

Como resultado, o Milan foi o campeão da Série A daquela temporada jogando um futebol dominante e Kaká foi um dos melhores jogadores do time. “Ele é um jogador fantástico, e sei que quando fico de fora é porque o futuro ganhador da Bola de Ouro está jogando”, disse Rui Costa na época. E o português estava certo, pois quatro anos mais tarde Kaká viria a ser o melhor jogador do mundo — o último brasileiro a conquistar o prêmio.

Até pelo fator idade, Rui Costa pode não ter tido o mesmo desempenho no Milan que protagonizou nos tempos de Fiorentina. Mas é inegável a importância do “Maestro” na história do rossonero. Em 192 jogos pelo clube de Milão, Rui Costa marcou 11 gols e ganhou cinco títulos, todos de alto nível: Campeonato Italiano (2003-2004), Copa da Itália (2002–2003), Supercopa da Itália (2004), Liga dos Campeões da UEFA (2002-2003) e Supercopa da UEFA (2003).

 

A única Copa e a prata de 2004

Photo by Andreas Rentz/Bongarts/Getty Images.

 

Pela seleção, Rui Costa só conseguiu disputar uma Copa do Mundo, em 2002, após quase 70 jogos pela equipe encarnada. No entanto, o meia não conseguiu levar sua equipe às oitavas de final. Portugal terminou na terceira posição o Grupo D, atrás da anfitriã Coreia do Sul e dos EUA. A única vitória dos lusos foi o 4 a 0 sobre a Polônia, com um gol de Rui Costa. O time encarnado perdeu por 3 a 2 para os EUA e por 1 a 0 para a Coreia.

Dois anos depois, Rui Costa e vários craques portugueses tiveram a chance de ouro de conquistar um grande título pela seleção de Portugal em 2004, na Eurocopa realizada exatamente em solo lusitano. Comandada por Luiz Felipe Scolari, a seleção portuguesa era uma das favoritas ao título e tinha, além de Rui Costa, jogadores como Maniche, Costinha, Cristiano Ronaldo, Figo entre outros. Na fase de grupos, Rui Costa marcou um gol na vitória por 2 a 0 sobre a Rússia e outro no empate em 2 a 2 com a Inglaterra, nas quartas de final, vencida por Portugal nos pênaltis por 6 a 5. Após superar a Holanda nas semis, Portugal alcançou a final, mas perdeu para a sensação Grécia por 1 a 0 e deu adeus ao sonho do troféu inédito. A Euro só seria conquistada em 2016, com uma nova geração de jogadores capitaneada por um já experiente Cristiano Ronaldo.

A derrota para a Grécia foi a última partida de Rui Costa com a camisa da seleção. Ele disputou 94 jogos e marcou 26 gols pelos encarnados na carreira.

 

Retorno ao Benfica e aposentadoria

Depois da experiência na Itália, o “Maestro”, aos 34 anos, regressou à sua casa para terminar uma grandiosa carreira como sempre desejou: vestindo a camisa do Benfica. Mesmo veterano, Rui Costa foi útil ao Clube da Luz e se despediu do futebol atuando em bom nível. Em 2007, quando reencontrou o Milan atuando pelo Benfica em jogo válido pela Liga dos Campeões, Rui Costa foi ovacionado pela torcida rossonera e ficou emocionado com o carinho e respeito dos italianos. Não havia agradecimento maior.

Ele queria jogar muito mais pelo Benfica, mas as lesões teimavam em atrapalhar seu rendimento. Com isso, no dia 11 de maio de 2008, o meia se despediu em definitivo do futebol em partida contra o Vitória de Setúbal, no Estádio da Luz. Ele deixou o gramado aos 41’ do segundo tempo e foi aplaudido efusivamente pela torcida. O Benfica venceu por 3 a 0. Somando a duas passagens pelo clube, Rui Costa disputou 178 partidas e marcou 30 gols pelos águias.

Pós-futebol: carreira como dirigente no Benfica

Desde 2008, Rui Costa (foto) é diretor de futebol do Benfica. Créditos: sitesdeapostas.bet

 

Assim que encerrou a carreira, Rui Costa assumiu o cargo de diretor de esportes do Benfica — e permanece na mesma função até os dias de hoje. Além disso, é importante destacar que o “Maestro” conseguiu ser ídolo em todos lugares que passou, algo muito difícil de acontecer no futebol. “Eu representei profissionalmente quatro clubes: o Fafe por empréstimo, o Benfica, a Fiorentina, o Milan e voltei ao Benfica. E, se há coisa de que me orgulho mesmo muito, é de hoje ir a Fafe e ser visto como um dos meninos que passou por lá e talvez ter o título maior de todos os jogadores que por lá passaram que é o de campeão do mundo de Sub-20. Representei o Benfica e a ligação que tenho ao clube é esta, representei a Fiorentina e, se for hoje a Florença, tenho a certeza de que serei bem recebido, e da mesma forma em Milão”, disse Rui Costa em 2017, em entrevista ao Jornal de Negócios.

De fato, Rui Costa sempre foi querido por todos, se transformou em um ícone do futebol e de uma era de ouro do futebol português. Inteligentíssimo e capaz de brilhar em tempos de inúmeros craques de meio de campo espalhados por todo mundo, o Maestro sempre teve repertório para bis. Um craque imortal.

 

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