Jogos Eternos – Manchester City 3×2 Queens Park Rangers 2012

 

Data: 13 de maio de 2012

O que estava em jogo: o título do Campeonato Inglês de 2011-2012, para o City, e a fuga do rebaixamento, para o QPR.

Local: Etihad Stadium, Manchester, Inglaterra

Juiz: Mike Dean

Público: 47.435 pessoas

Os Times:

Manchester City Football Club: Joe Hart; Zabaleta, Kompany, Lescott e Clichy; Yaya Touré (De Jong) e Barry (Dzeko); David Silva, Agüero e Nasri; Carlos Tevez (Balotelli). Técnico: Roberto Mancini.

Queens Park Rangers Football Club: Kenny; Onuoha, Anton Ferdinand, Clint Hill e Taiwo; Barton, Derry, Mackie e Wright-Phillips; Cissé (Armand Traoré) e Zamora (Jay Bothroyd). Técnico: Mark Hughes.

Placar: Manchester City 3×2 Queens Park Rangers. Gols: (Zabaleta-MAC, aos 39’ do 1º T; Cissé-QPR, aos 3’, Mackie-QPR, aos 21’, Dzeko-MAC, aos 45’+2’ e Agüero-MAC, aos 45’+4’ do 2º T).

Cartão Vermelho: Barton-QPR, aos 11’ do 2º T

 

O Fim dos 44 aos 49 do segundo tempo

Por Guilherme Diniz

Muitos nem se lembravam mais do último grito. Na verdade, centenas de milhares. A última vez que o Manchester City havia vencido o Campeonato Inglês de futebol datava de 1968. Tempos de Neil Young, Colin Bell, Mike Summerbee, Francis Lee… Ano em que os Citizens conseguiram a taça deixando para trás justamente o maior rival, o Manchester United, que naquela temporada havia conquistado a Liga dos Campeões da UEFA pela primeira vez. Mais de quatro décadas se passaram. O United se agigantou ainda mais. Outros clubes, idem. Mas o City parou. Até que a temporada de 2011-2012 colocou os rivais outra vez na briga pelo título da Premier League, a versão moderna do Campeonato Inglês, tão vencida pelo United, jamais pelo City. Ponto a ponto, os rivais brigaram pela taça até a última rodada. Ao City, bastava vencer o Queens Park Rangers em casa que o fim da angústia de 44 anos teria fim. Ao United, era preciso vencer e torcer por um tropeço do vizinho. Os Red Devils venceram o Sunderland por 1 a 0, fora de casa, sem grandes sustos. Mas os Citizens sofreram. Os chutes iam longe do gol. As tabelas não funcionavam. Nem a ensandecida torcida conseguia ajudar. Só quando o primeiro gol saiu, chorado, no primeiro tempo, que suspiros de “ufa” garantiram um intervalo de paz. Mas, no segundo tempo, um erro defensivo custou o empate. O QPR lutava para fugir do rebaixamento. Ele não estava ali de brincadeira. E causava muitos problemas para os donos da casa. Aos 21’, veio a virada do QPR. E consternação nas arquibancadas. Por um momento, somente os gritos dos torcedores visitantes eram ouvidos, abafando os “f*&%”, “Dammit!” e outros xingamentos dos torcedores dos Citizens. Roberto Mancini colocou dois atacantes, Dzeko e Balotelli. Era tudo ou nada. Nunca um título tão próximo começava a ficar tão longe. O número 44 logo viraria 45. Quase meio século! Alguns torcedores choravam. Outros roíam as unhas. Colocavam as mãos na cabeça. Aos 45’, o árbitro sinalizou cinco minutos de acréscimos. E, aos 45’ + 2’, Dzeko subiu mais alto do que todos na área e empatou. Faltava apenas um gol. Mas restavam apenas três minutos. O QPR tentou fazer cera. Ganhou um lateral aos 45’+ 3’, faturou mais alguns segundos e a cobrança caiu na cabeça de um defensor do City. Contra-ataque. De Jong tocou na entrada da área para Balotelli, que momentos antes havia recebido a instrução de Agüero para tentar uma jogada de “um-dois” com ele. O italiano recebeu, girou, mas se desequilibrou. Porém, ele encontrou tempo para esticar a perna e tocar para quem vinha com tudo: Agüero. O “um-dois” funcionou. Agüero invadiu, escapou da marcação e chutou. Gol. Aos 45’ + 4’. Ou 93’20” como os Citizens relembram até hoje como um número cabalístico, mitológico. A vitória por 3 a 2 estava sacramentada. O título, idem. Em Sunderland, os jogadores do United tiveram que engolir a seco o grito de campeão bradado nos minutos anteriores, enquanto aguardavam o fim do jogo do rival. O gol de Agüero foi o último da temporada. A partir dali, começaria uma das maiores festas da história do futebol. E a mudança em definitivo da própria história do Manchester City. É hora de relembrar um dos jogos mais emocionantes do futebol inglês em todos os tempos.

 

Pré-jogo

City aplicou 6 a 1 no rival em pleno Old Trafford naquela temporada.

 

Recheada de gols e goleadas, a Premier League de 2011-2012 foi uma das mais frenéticas e disputadas em muitos anos. Desde o início, Manchester City e Manchester United provaram suas qualidades e monopolizaram a briga pelo título com mais de 15 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Dentre os maiores placares do torneio, seis foram da dupla, sendo quatro do United – 8 a 2 no Arsenal, 5 a 0 no Bolton, 5 a 0 no Fulham e 5 a 0 no Wolves – e dois do City – 6 a 1 no Norwich e 6 a 1 no rival United em pleno Old Trafford! Embora tenha aberto oito pontos de vantagem durante a competição, o United perdeu fôlego e viu o City ultrapassá-lo, mas sem abrir uma grande dianteira. Com isso, os rivais chegaram à última rodada na seguinte condição: 86 pontos para cada um, mas vantagem de oito gols de saldo para o City, o primeiro critério de desempate “disponível”, pois eles também estavam empatados em vitórias (27), empates (5) e derrotas (5). O United só seria campeão se vencesse seu duelo contra o Sunderland, fora de casa, e o City não vencesse o Queens Park Rangers, em casa. Já o City seria campeão com qualquer vitória ou mesmo derrota, desde que o United perdesse seu jogo. O City também poderia ser campeão com empate, mas o United teria que empatar ou perder.

A missão mais fácil, na teoria, era do United. E isso mesmo jogando fora de casa. É que o rival dos Red Devils, o Sunderland, não brigava por nada na tabela e não corria risco algum de rebaixamento. Já o Queens Park Rangers, adversário do City, via a degola bem de perto e uma derrota combinada com outros resultados poderia rebaixar o time de White City London. Ou seja, era tudo ou nada tanto para o City quanto para o QPR. Com isso, o clima no Etihad Stadium no dia do jogo era o melhor possível. Quase 50 mil pessoas, céu azul, um raro dia de sol na (quase) sempre cinzenta Manchester e cânticos e mais cânticos bradados pelos torcedores, que já exibiam com orgulho faixas de campeão e camisetas personalizadas, além de fazerem uma festa exuberante com papéis picados e tudo mais. A ânsia pelo título era justificável, afinal, desde 1968 (!) que o City não sabia o que era ser campeão inglês. Mais de quatro décadas se passaram desde aquele ano histórico. E, após a venda do clube para o Abu Dhabi United Group, em 2008, por 210 milhões de libras, os Citizens nunca estiveram tão perto da glória como naquela temporada 2011-2012.

Agüero, principal homem-gol do City em 2012.

 

Claro que os jogadores não deixaram o clima de euforia prejudicá-los e entraram em campo concentrados, ainda mais com o técnico Roberto Mancini no encalço de seus comandados. Ele mandou o que tinha de melhor, com a zaga composta por Lescott e Kompany – que já se destacava como um dos melhores zagueiros do mundo -, o meio de campo com Yaya Touré e Barry e a linha de frente rápida e cheia de alternativas com Nasri, David Silva, Agüero e Tevez, além das alternativas no banco Dzeko e Balotelli. Do lado do QPR, a grande arma ofensiva era Djibril Cissé, sempre oportunista.

Todos os jogos daquela última rodada aconteceriam no mesmo horário, ou seja, os olhos estariam ali e ouvidos acolá, no duelo do United. E vice-versa. Seriam 90 minutos angustiantes e que iriam definir um dos campeonatos mais disputados de todos os tempos na Inglaterra.

 

Primeiro tempo – Os 44 anos estão indo embora!

Zabaleta vibra: City abriu o placar no primeiro tempo. Foto: Dave Thompson-PA.

 

O jogo começou com o City “mordendo” o rival, adiantando a marcação e querendo a bola como se ela fosse o último “fish and chips” (afff…) do planeta. Aos 3’, Agüero e Tevez apareceram com perigo na grande área, mas a zaga afastou. Aos 5’, Yaya Touré chutou da entrada da área, mas a bola foi à esquerda do goleiro. Aos 10’, Nasri também chutou de longe, sem perigo. Só aos 15’ que David Silva invadiu a grande área pela esquerda, chutou forte e o goleiro Kenny fez bela defesa, no primeiro grande lance do City no jogo. Enquanto isso, lá em Sunderland, o Manchester United abria o placar aos 20’, com Wayne Rooney. A vitória parcial dos Red Devils somada ao empate sem gols do City dava o título ao time de Alex Ferguson. A tensão aumentou ainda mais no torcedor azul, que viu Cissé, aos 23’, cobrar falta rasteira da entrada da área e dar trabalho ao goleiro Hart, que defendeu no meio do gol.

Rooney fez para o United no outro jogo decisivo da tarde. Foto: AP.

 

Nos sete minutos seguintes, o time da casa voltou a sufocar o rival, mas a pontaria dos jogadores não estava afiada. Aos 34’, Yaya Touré sentiu dor na coxa e caiu no gramado, gerando preocupação no banco de reservas dos Citizens. Mesmo mancando, o volante quis permanecer em campo. Será que ele estava pressentindo algo? Pode apostar que sim! Aos 38’, o marfinense tabelou com Zabaleta pela direita e tocou para o argentino, que invadiu a área e chutou alto. A bola ainda desviou na zaga, o goleiro espalmou, ela bateu na trave e entrou. Que gol chorado! 1 a 0. O City voltava a ser campeão! E que assistência de Touré, mesmo lesionado, jogando no sacrifício! Só aos 44’ que o volante saiu, sob aplausos, para a entrada do holandês De Jong.

Os times em campo: City explorou bastante as laterais e os cruzamentos, mas sofreu bastante no segundo tempo com os espaços deixados atrás.

 

Um minuto depois, longe dali, o Bolton virou pra cima do Stoke City por 2 a 1 e tal resultado rebaixava o QPR. Ao apito do árbitro, a torcida do City respirava aliviada, mas a do QPR temia pelo pior. O time visitante precisaria buscar a vitória se não quisesse depender dos outros para permanecer na elite do futebol inglês. Era um cenário hostil ao City. Mesmo tendo um time melhor e jogando em casa, enfrentar um rival lutando para não cair pode ser pior do que um que briga pelo título. Todo cuidado seria pouco na etapa complementar…

 

Segundo tempo – Da angústia, desespero e raiva… Ao sentimento louco!!!

Logo aos 36 segundos, Clichy cruzou da esquerda para Agüero, que chutou de primeira e o goleiro espalmou no susto, mandando a bola para escanteio. Parecia que o City iria liquidar de vez o jogo e faturar o título! Bem, só parecia… Aos 3’, o zagueiro Lescott cabeceou para trás uma bola fácil e não percebeu que logo perto dele estava Cissé. O francês não perdoou, saiu em disparada e só esperou o momento certo para mandar um petardo de primeira indefensável para o goleiro Hart. Belo gol! 1 a 1. A partir dali, o City foi um bombardeio só, mas com chutes a esmo, esbarrando na zaga e nos próprios jogadores, como um que Zabaleta chutou de fora da área e a bola explodiu no pé de Agüero, indo para fora, aos 7’. Até que, aos 9’, Barton acertou uma cotovelada em Tevez perto da área, que o árbitro não viu, mas o auxiliar, sim. A torcida pediu a expulsão e, após uma conversa de dois minutos entre juiz e bandeira, o jogador do QPR foi para o chuveiro mais cedo. Muito nervoso e descontrolado, ele ainda acertou um pontapé em Agüero e uma briga mais séria só não começou porque o City precisava jogar bola para ser campeão. Balotelli, no banco de reservas, quase foi pra cima de Barton, mas a turma do deixa disso barrou o atacante de acertar o rival.

Expulso, Barton causou confusão no segundo tempo.

 

Embora Tevez tenha caído dentro da área, o árbitro assinalou a falta fora. Na cobrança, o argentino chutou forte, a bola bateu na barreira, e, no rebote, Nasri chutou para boa defesa do goleiro Kenny. Dois minutos depois, novo bombardeio do City, e, depois de chuta daqui, chuta dali, o goleiro fez uma defesa impressionante em cima da linha após um chute de Agüero que teria quebrado o VAR! Por muito, mas muito pouco o gol não saiu! Precisando de alternativas, o técnico do QPR tirou Cissé e colocou Traoré, aos 14’, para explorar o lado esquerdo da defesa dos Citizens. E foi uma tacada de mestre.

Aos 21’, o QPR atacou pela esquerda exatamente com Traoré, que cruzou para a área e a bola encontrou Mackie, sem marcação alguma, que virou o jogo: 2 a 1. Drama no Etihad. Festa total da pequena, porém barulhenta, torcida do QPR. Muitos torcedores dos Citizens são flagrados aos prantos. O City precisava de dois gols para ser campeão. Enquanto isso, o United vencia o Sunderland por 1 a 0 e conquistando mais um título para sua interminável coleção. No momento do gol, Roberto Mancini não poupou xingamentos pela desatenção da zaga e a total falta de marcação que possibilitou Mackie aparecer sozinho na área. O italiano ficou furioso! E, aos 23’, ele tirou Barry para a entrada do atacante Dzeko. Seriam cinco homens de frente no time da casa a partir dali.

Sozinho, Mackie vira o jogo para o QPR. Drama! Foto: Dave Thompson/PA Wire/AP.

 

O jogo virou praticamente ataque do City contra defesa do QPR. Em alguns momentos, o time visitante ficava com até nove jogadores dentro da área, tornando ainda mais difícil a missão dos azuis. Com isso, os Citizens passaram a abusar do chuveirinho e dos chutes de longe, mas a pontaria dos meias e atacantes estava simplesmente deplorável! Era um chute mais torto do que o outro. Mancini se desesperava no banco e queria ele estar lá para mostrar como se faz, afinal, ele foi um atacante dos bons, principalmente se Vialli estivesse por ali como nos tempos da imortal Sampdoria do final dos anos 1980 e início dos anos 1990…

Aos 30’, Tevez deixou o gramado para a entrada de Balotelli, que poderia explorar melhor os chuveirinhos de Nasri e David Silva. Aos 32’, Dzeko recebeu na pequena área e chutou de primeira, mas a bola raspou a trave do goleiro, em uma chance claríssima de gol. O tempo foi passando e nada de gol. Aos 45’, o árbitro sinalizou cinco minutos de acréscimos. E, já no tempo extra, Balotelli cabeceou para o gol após cobrança de escanteio e o goleiro do QPR fez outra defesaça. Ele fazia uma partida incrível, se redimindo da falha no primeiro tempo. Além disso, ele já era um “ídolo instantâneo” dos torcedores do United! Um minuto depois, mais um escanteio para David Silva cobrar. Dessa vez, o espanhol mandou na cabeça de Dzeko, que diminuiu o sofrimento: 2 a 2.

Torcedores irados após o não-lateral do City no finalzinho.

 

A torcida vibrou, mas ainda faltava um gol. E pouco menos de três minutos. O chuveirinho não dava resultado. Era preciso jogar no chão, tentar algo diferente. Agüero chegou para Balotelli e disse que iria recuperar a bola para fazer uma tabelinha um-dois com ele. Pediu para o italiano fazer o papel de 9, de pivô. Mensagem transmitida, era preciso esperar a bola do jogo.

Mas, aos 45’ + 3’, quando Nasri pensou que iria ganhar lateral após dividida com um adversário, o árbitro deu bola a favor do QPR. A câmera até flagrou um torcedor descontrolado batendo contra o assento da arquibancada, vermelho de raiva. Muitos torcedores pensaram que ali o jogo já não tinha mais jeito. Mas tinha. Na cobrança da lateral, Onuoha lançou e a bola sobrou para o City, com Lescott, que cabeceou para De Jong e este engatilhou um contra-ataque. Ele pensou, pensou e tocou para quem mais queria um gol: Agüero. O argentino procurou Balotelli. Encontrou, tocou para o italiano e partiu. Na disputa de bola, Balotelli se desequilibrou, mas conseguiu tocar na bola antes de cair. Ela foi ao encontro de… Agüero! O argentino recebeu e um adversário já apareceu em seu encalço, tocando-o no pé de apoio. Cavar um pênalti? Cair? Jamais. Era um risco enorme. A chance era única. Agüero manteve-se firme, dominou e bateu pro gol. Chute seco, forte, com destino escrito nos olhos e no imaginário dos torcedores: o gol. O GOL! Esperado há 44 anos. O Etihad Stadium se transformou no estopim da emoção. Poderia muito bem mudar de nome a partir daquele minuto 93’20” para “Emotion Stadium”.

Agüero chuta…

 

… Vê a bola entrar…

 

… Extravasa…

 

 

… E inicia o estopim: City campeão!

 

Agüero saiu correndo, tirou a camisa e desabou no gramado, emocionado. Foi seguido por seus companheiros. Nas arquibancadas, todos pulavam, gritavam e criavam um barulho que muito decibelímetro não poderia medir. Quem chorava de tristeza, mudava o tempero da lágrima para alegria. Quem batia no assento de raiva, pulava nele mesmo de emoção. Quem xingava pelo lateral não marcado, agradecia por tudo ter começado exatamente por ele. E quem crucificou Lescott no erro do gol de Cissé, venerava o zagueiro pela cabeçada que caiu nos pés de De Jong e iniciou tudo aquilo! Balotelli deu sua primeira assistência com a camisa do City exatamente naquele jogo. Em Sunderland, a consternação tomou conta dos jogadores do United, que viam a partida pelo telão e só aguardavam o fim para gritar “é campeão”. Bem, tiveram que engolir a seco e deixar para depois…

No momento do gol do City, jogadores do United deixaram o gramado em Sunderland. Contraste total!

 

Nas transmissões pela TV, as expressões dos torcedores eram inenarráveis. Só vendo para entender a emoção que o gol de Agüero havia causado. Falando em gol, o grito de gol dos narradores era um mais eufórico do que o outro. Não tinha essa de clubismo nem estar torcendo para um ou outro. Era emoção mesmo! A euforia do esporte! O futebol! Não havia outra maneira de gritar gol. Veja abaixo os minutos finais:

 

 

Na verdade, poucos sabiam como lidar ou o que dizer. Era um “sentimento louco”, como disse Dzeko, atacante do City, tempo depois. Era a “maior emoção da carreira”, para Agüero. Na reposição de bola, o QPR mandou a redonda para lateral, em profundo respeito ao que o City havia feito. Eles mereciam o título. E o QPR já não tinha mais risco de rebaixamento, pois o Stoke City empatou em 2 a 2 com o Bolton.

Quando o árbitro apitou o final do jogo, uma multidão ensandecida invadiu o gramado para celebrar um título histórico, único, sem precedentes. Centenas e centenas de pessoas vibrando, tentando um contato com algum jogador, se ajoelhando no gramado e agradecendo. O Manchester City era campeão inglês depois de 44 anos. No telão do estádio, apareceu o número 44 e este foi caindo em contagem decrescente até ficar zerado. Quando o zero apareceu, a torcida simplesmente explodiu ainda mais em alegria. Era o fim da agonia. O City se transformava ainda no primeiro campeão inglês definido pelo saldo de gols desde o Arsenal de 1989 e o primeiro na era moderna. E o United, com 89 pontos, foi o vice-campeão com maior número de pontos desde o início da Premier League com 38 rodadas (isso até o Liverpool 2018-2019, vice com absurdos 97 pontos, com o City campeão com 98 pontos).

A invasão após o apito do árbitro.

 

 

 

 

O placar do estádio durante a contagem decrescente, dos 44 anos…

 

… Até zero!

 

Quando o capitão Kompany levantou a taça, ele levantou uma glória que mudaria para sempre a história do próprio City, que iniciaria em pouco tempo uma dinastia inédita para o clube. Levantou uma conquista que seria comentada e falada durante anos, décadas, nos mais variados pubs e rodas de amigos. O próprio Kompany comentou sobre aquela glória:

 

“Esse jogo foi uma loucura. Não existem palavras para explicar o que aconteceu hoje. Eu só me lembro que foram dois chutes e foi um estrondo, gol! Eu fui ao encontro do Agüero e ele estava chorando no gramado. E outros jogadores estavam com lágrimas nos olhos. Você não vê personalidades fortes como aquelas demonstrarem emoções tão frequentemente. Para mim, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida, junto com meu casamento e o nascimento da minha filha. Milagres acontecem em Manchester. Dessa vez foi desse lado da estrada!” Vincent Kompany, zagueiro do Manchester City, em entrevista ao Mirror (UK), 13 de maio de 2012.

De fato, a estrada do lado azul de Manchester foi devidamente pavimentada em 2012. Com emoção, euforia e tudo o que manda a cartilha de um jogo decisivo. Para a eternidade do esporte.

 

Pós-jogo: O que aconteceu depois?

 

Manchester City: a façanha daquela tarde colocou o esquadrão de Roberto Mancini na história do City e do futebol inglês. Até um documentário foi criado com o nome “93:20” (tem no Youtube!), em alusão ao minuto cravado do gol de Agüero. Na temporada seguinte, os azuis tentaram o bi, mas a taça ficou com o rival United, que terminou com 11 pontos de vantagem sobre os Citizens. Só na temporada 2013-2014 que a coroa foi reconquistada, algo que se repetiu também em 2017-2018 (quando o City terminou com 100 pontos) e 2018-2019. No entanto, se você perguntar para qualquer torcedor qual título foi mais gritado e festejado, a resposta será uma só: 2012. Ou “Agüerooooooo!!!”.

Queens Park Rangers: se o QPR escapou do descenso naquela temporada, o mesmo não aconteceu em 2012-2013. Com apenas quatro vitórias em 38 jogos e 21 derrotas, o time terminou na última posição e foi rebaixado. A equipe conseguiu vaga na elite já na temporada seguinte, mas caiu de novo em 2014-2015, de novo na última colocação. Desde então, o time luta para voltar à Premier League.

 

Extra:

 

Veja abaixo depoimentos de alguns torcedores flagrados pelas câmeras durante a partida sobre aquele jogo histórico.

 

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2 thoughts on “Jogos Eternos – Manchester City 3×2 Queens Park Rangers 2012

  1. Um dos jogos mais espetaculares da história, talvez a última rodada mais emocionante da história da Premier League, ficará marcado para a eternidade.

    Manchester City é o time que eu mais simpatizo na Europa antes mesmo da Era-Sheik, lembro bem de figuras como Corradi, Samaras, Sun Jihai…

    E mais uma vez parabéns pela excelente matéria, vocês poderiam lançar livros com tais assuntos. como por exemplo desses jogos eternos.

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