Brasil x Argentina – Superclássico das Américas

A rixa: suas terras foram separadas em 1494, no Tratado de Tordesilhas entre espanhóis e portugueses, na primeira prova de que eles não poderiam ficar juntos. Séculos se passaram, muita coisa aconteceu e o futebol começou a despertar a paixão dos sul-americanos, principalmente de argentinos e brasileiros. Um sempre disse ser melhor do que o outro. Ambos ousaram em revelar alguns dos maiores jogadores de todos os tempos. E ainda os dois maiores craques do século XX. Abocanharam títulos em profusão, entre eles sete Copas do Mundo. Disputaram inúmeras finais. Emanciparam seus domínios com seus clubes. E, quando não ia na bola, usaram da malandragem para vencer jogos. Às vezes, vencer o rival é melhor do que conquistar um título. Maior do que um continente, maior do que tudo. Brasil e Argentina é, sem dúvida, o maior clássico entre seleções do planeta.

Quando começou: oficialmente, foi no dia 20 de setembro de 1914, na vitória da Argentina sobre o Brasil por 3 a 0, em Buenos Aires. No entanto, os países já haviam se enfrentado em 1908 (Argentina 3×2 Brasil) e em 1912 (Argentina 6×3 Brasil), ambas partidas disputadas no Brasil, mas sem cunho oficial e com o time brasileiro formado por combinados do Rio e de SP, pois a seleção ainda não havia sido criada.

Maiores artilheiros:

Pelé (Brasil): 8 gols

Leônidas da Silva (Brasil): 7 gols

Hermínio Masantonio (Argentina): 7 gols

Emílio Baldonedo (Argentina): 6 gols

Norberto Méndez (Argentina): 5 gols

Ronaldo (Brasil): 5 gols

Messi (Argentina): 5 gols

 

Quem mais venceu: Brasil – 42 vitórias (até novembro / 2019). A Argentina venceu 39. Foram 26 empates.

Maiores goleadas: Argentina 6×1 Brasil, 05 de março de 1940

Argentina 5×1 Brasil, 17 de março de 1940

Brasil 1×5 Argentina, 15 de janeiro de 1939

Brasil 6×2 Argentina, 20 de dezembro de 1945

Brasil 5×1 Argentina, 12 de julho de 1960

Brasil 5×2 Argentina, 16 de abril de 1963

 

É impossível pensar em futebol sem citar Argentina e Brasil, países que ajudaram a moldar a história do esporte. A quantidade de craques revelados por ambos ao longo das décadas beira ao absurdo. Simplesmente inigualável. E, quando as duas seleções desses países se enfrentam, não há gramado que resista. A beleza cênica também é notável, única. Manto alviceleste e calções negros de um lado. Camisa amarela com frisos verdes e calção azul com detalhes brancos do outro. É bater o olho e identificar o choque extremo. Brasil x Argentina é um clássico atemporal, a essência do futebol, a raça, a técnica, o drible, a tática, a fibra, o gol. É recordar esquadrões memoráveis. Goleiros inesquecíveis. Zagueiros lendários. Laterais imparáveis. Meio-campistas cerebrais. E atacantes vorazes. Uma rivalidade centenária que nasceu no momento da divisão das terras por espanhóis e portugueses e que foi ganhando corpo ano após ano, rixa após rixa, do cenário político até o esportivo. Nunca há o consenso de quem é o melhor. E nunca haverá, afinal, até hoje eles debatem sobre quem foi melhor, Pelé ou Maradona. Mas uma coisa é certa: sempre houve a admiração pelo talento de um e de outro em todos os sentidos. Os brasileiros reconhecem a força argentina, sua tradição, sua competitividade. E os argentinos sabem da técnica, da ginga e da arte do brasileiro com a bola no pé, o “jogo bonito”. Quem ganha é o futebol, privilegiado que é por ter essas duas camisas em sua história. É hora de conhecer mais sobre esse duelo eletrizante.

 

Nascimento e predomínio alviceleste

Capitães de Brasil e Argentina em 1923.

 

Após o já citado Tratado de Tordesilhas, que dividiu as terras do recém-descoberto continente sul-americano, o Brasil ficou de um lado e a Argentina, do outro. Após alguns séculos, em 1825, o Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata – nome da Argentina antes de sua primeira constituição – travaram um duelo por onde hoje é o Uruguai que ficou conhecido como a Guerra da Cisplatina. O embate não foi bom nem para um, nem para outro, pois a região acabou conquistando sua independência e se tornou o Uruguai. Isso alimentou ainda mais o clima hostil vivido pelos países na época e que seria refletido no esporte no começo do século XX. Em 1908, os países disputaram o primeiro duelo não-oficial na história, no Rio de Janeiro, com vitória da Argentina por 3 a 2. Na verdade, foi um jogo da Argentina contra um combinado brasileiro, pois a seleção ainda não havia sido criada. Na época, era comum as seleções de outros países como Chile, Uruguai, Itália, Portugal e Inglaterra disputarem jogos contra combinados paulistas e cariocas, os principais centros futebolísticos do Brasil.

Só em 1914 que, enfim, a seleção brasileira nasceu e começou a escrever sua história. Após o primeiro jogo, contra o time inglês do Exeter City, nas Laranjeiras, o Brasil disputou seu primeiro jogo internacional justamente contra a Argentina, em 20 de setembro de 1914, na cidade de Buenos Aires, no estádio GEBA, do Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires. A Argentina venceu por 3 a 0 e saiu na frente na história do duelo. Mas a desforra brasileira veio uma semana depois, na mesma Buenos Aires, quando o Brasil venceu por 1 a 0 (gol de Rubens Salles) a partida válida pela Copa Roca, disputada entre 1914 e 1976 pelos países. Os duelos seguintes foram pelo Campeonato Sul-Americano (atual Copa América) de 1916 (empate em 1 a 1) e 1917 (vitória argentina por 4 a 2). Só em 1919 que o Brasil voltou a vencer os hermanos, por 3 a 1, ano do primeiro título continental brasileiro, jogando em casa.

Naquelas primeiras décadas, a rivalidade entre os países ainda não era tão grande. A Argentina considerava o Uruguai seu principal oponente, afinal, a celeste era a melhor seleção do continente e venceria um Ouro Olímpico, em 1928, e a primeira Copa do Mundo, em 1930, exatamente sobre a Argentina. Tanto é que, entre junho de 1919 e março de 1940, a Argentina venceu 11 jogos, empatou três e perdeu apenas três contra o Brasil. Mais do que isso, a equipe alviceleste goleou o Brasil por 6 a 1 em março de 1940, na maior goleada da história do confronto, com show de Peucelle (3 gols), Masantonio (2 gols) e Baldonedo (1 gol).

Clássico de 1925 terminou em confusão.

 

Antes, em pleno dia 25 de dezembro de 1925, na Argentina, aconteceu o primeiro episódio polêmico do clássico. Foi no empate em 2 a 2 válido pelo Sul-Americano daquele ano, quando Friedenreich, um dos maiores craques da história do Brasil, levou um pontapé do argentino Muttis por trás. O brasileiro revidou, Muttis o agrediu novamente e uma confusão generalizada tomou conta do estádio do Club Sportivo Barracas, com arremesso de pedras e sacos d’água da torcida contra a delegação brasileira. O episódio ficou conhecido como “Guerra das Barracas” e motivou a CBD a não participar de jogos internacionais durante 12 anos, abrindo exceção apenas às Copas do Mundo de 1930 e 1934. O clássico só voltou em 1937, mais uma vez pelo Sul-Americano, e mais uma vez com polêmicas, com os argentinos chamando os brasileiros de “macaquitos” e enervando demais os vizinhos antes e durante o jogo desempate que definiria o campeão no estádio El Gasómetro. A Argentina acabou vencendo o jogo por 2 a 0 na prorrogação, com um gol bastante contestado pelos brasileiros e um clima bastante hostil. Na tentativa de sair do estádio, a delegação brasileira encontrou os vestiários fechados e teve que ir embora de qualquer jeito. A imprensa classificou aquela partida como “o jogo da vergonha”. Mas os argentinos estavam prestes a ver aquela hegemonia começar a balançar…

 

O jogo começa a virar

Revelando cada vez mais craques, o Brasil começou a engrossar o jogo pra cima da Argentina a partir da segunda metade dos anos 1940.

 

A primeira metade da década de 1940 foi a última de grande hegemonia da Argentina na história do clássico. Comandada por craques da estirpe de Norberto Méndez, Pedernera, Labruna, Masantonio, Martino e Moreno, a equipe alviceleste venceu quatro clássicos seguidos entre 1940 e 1945, incluindo um 5 a 1 pela Copa Roca, um 3 a 1 pelo Sul-Americano de 1945 e um 4 a 3 pela Copa Roca em pleno Pacaembu. Foram anos mágicos dos hermanos, que fizeram da alviceleste a primeira e até hoje única seleção tricampeã continental consecutiva. Até que, em dezembro de 1945, o Brasil conseguiu uma vitória de lavar a alma: 6 a 2, pela Copa Roca, com show de Ademir de Menezes, que anotou dois gols e ainda causou a ira dos argentinos por ter fraturado a perna de Battagliero em uma dividida, o que motivou um duelo bastante violento e cheio de faltas duras. Os outros gols da goleada brasileira foram de Heleno, Zizinho, Chico e Leônidas, que alcançou os sete gols na história do clássico e se transformou no maior artilheiro do Superclássico na época.

Pedernera e Moreno, lendas do futebol argentino.

 

Um ano depois, outro jogo cheio de rivalidade, com vitória argentina por 2 a 0 pelo Sul-Americano e muita confusão após Jair da Rosa Pinto contundir José Salomón em um choque após disputa de bola. O argentino fraturou a tíbia e a fíbula e nunca mais jogou futebol. Durante a partida, os jogadores brasileiros foram agredidos sem qualquer intervenção do árbitro e os atletas canarinhos acabaram tirando o pé com medo de vencer o jogo na cancha argentina, com risco de represálias ainda maiores. Houve também confronto com a polícia no estádio Monumental, que recebia pela primeira vez o clássico. Leia mais clicando aqui.

Pelé fez sua estreia pela seleção justamente contra a Argentina, em 1957, mas os hermanos venceram por 2 a 1.

 

Mais uma vez a relação entre os vizinhos ficou abalada, e a Argentina não veio ao Brasil para a disputa do Sul-Americano de 1949 nem para a Copa do Mundo de 1950. Só em fevereiro de 1956, dez anos após o fatídico duelo de 1946, que o clássico voltou na vitória por 1 a 0 do Brasil válida pelo Sul-Americano disputado no Uruguai. Em julho de 1957, no triunfo por 2 a 1 da Argentina pela Copa Roca, no Maracanã, um jovem marcou seu primeiro gol na história do clássico: Pelé. O Rei ainda fez mais um no jogo seguinte, no Pacaembu, na vitória por 2 a 0 que deu o título ao Brasil e simbolizou o início de uma era de ouro do futebol nacional, com o título mundial na Copa de 1958, algo que fez o Brasil sair na frente do rival na maior competição do planeta, pois a Argentina só tinha o vice de 1930 no currículo. Pelé completou a trinca de gols em clássicos em 1959, no empate em 1 a 1 no Monumental, resultado que acabou dando mais um título sul-americano aos hermanos.

Em 1960, o Brasil goleou duas vezes a Argentina, uma pela Copa Roca (4 a 1, em pleno Monumental) e outra pela Copa do Atlântico (5 a 1, no Maracanã), e começou a equilibrar as coisas de vez. As grandes goleadas já não eram mais exclusividades dos alvicelestes e o Brasil mostrava enorme força, sem a intimidação de antes. Em abril de 1963, em mais uma Copa Roca, Pelé marcou três na goleada de 5 a 2 sobre a Argentina no Maraca e voltou a marcar na vitória por 2 a 1 em amistoso disputado no Rio, em março de 1970, no último clássico com gol de Pelé na história. O Rei alcançou oito tentos, passou Leônidas e é até hoje o maior artilheiro do Superclássico. Curiosamente, foi a partir dessa vitória que o Brasil iniciaria a maior série invicta da história do confronto: 13 jogos, entre março de 1970 e julho de 1982, com oito vitórias e cinco empates, sendo cinco vitórias seguidas entre junho de 1974 e maio de 1976.

 

O clássico ganha o mundo

Jairzinho e Rivellino comandaram a vitória brasileira por 2 a 1 no primeiro Superclássico da história em uma Copa do Mundo.

 

Foi nesse período de invencibilidade que o Brasil enfrentou a Argentina pela primeira vez em uma Copa do Mundo: na Alemanha, em 1974, com vitória verde-amarela por 2 a 1 (gols de Rivellino e Jairzinho). Em 1978, no Mundial da Argentina, um confronto tenso entre a dupla na segunda fase ficou conhecido como a “Batalha de Rosário”. Antes do duelo, a polícia local permitiu que torcedores argentinos buzinassem e fizessem barulho em frente ao hotel Libertador, onde o Brasil estava hospedado. Tal artimanha aumentou ainda mais a fúria brasileira para a partida. Com dez segundos, a Argentina já fez a primeira falta. Com três minutos, já eram seis faltas marcadas. E, com 12 minutos, 14 faltas. O clima hostil seguiu até o fim, mas o Brasil não se intimidou e segurou o 0 a 0. Na última rodada, a equipe brasileira venceu a Polônia, mas ficou fora da final por causa do saldo de gols, pois a Argentina goleou o Peru por 6 a 0 – ela precisava vencer por quatro gols de diferença -, em uma história até hoje bastante polêmica pela “vontade” dos peruanos na partida… A Argentina acabou campeã do mundo naquele ano, enquanto os brasileiros se proclamaram os “campeões morais” do torneio. Leia mais clicando aqui.

Em 1978, o Brasil de Chicão (com a bola) empatou com a Argentina na “Batalha de Rosário”.

 

Festa canarinho em 1982…

 

… E expulsão de Maradona. Jogo perfeito para o Brasil!

 

A desforra brasileira aconteceu na Copa de 1982, quando o Brasil venceu de maneira categórica a Argentina por 3 a 1, gols de Zico, Serginho e Júnior, que sambou e fez a festa da torcida na Espanha. O duelo ficou marcado pela expulsão de Diego Maradona, que acertou um chute em Batista e levou cartão vermelho direto. Um ano antes, Dieguito havia marcado seu gol no empate em 1 a 1 contra o Brasil durante o Mundialito de 1981, no Uruguai, e já era um craque em ascensão naquele Mundial de 1982. No entanto, o meia nada fez e foi eclipsado pela inesquecível seleção canarinho. Uma curiosidade é que Maradona só conseguiu marcar aquele solitário gol em toda sua trajetória pela alviceleste nos duelos contra o Brasil. No entanto, o camisa 10 iria reservar uma surpresinha para os rivais anos depois…

 

Decime que se siente…

Bebeto marca de voleio no duelo contra a Argentina, em 1989. Foto: Arquivo / O Globo.

 

Em 1989, o Brasil venceu a Argentina no quadrangular final da Copa América por 2 a 0 (gols de Bebeto e Romário), e seguiu caminho rumo ao título continental. Mas, um ano depois, na Copa do Mundo da Itália, o time canarinho enfrentou a alviceleste nas oitavas de final. Jogando um futebol burocrático na fase de grupos e com foco na defesa, a equipe do técnico Lazaroni acabou fazendo naquele dia seu melhor jogo no Mundial, com direito a três bolas nas traves do goleiro Goycochea. A Argentina não era nem sombra do time campeão do mundo em 1986, mas tinha uma carta na manga: Maradona. El Diez recebeu uma bola no meio de campo, passou por Alemão, por Dunga, trouxe a marcação de outros três defensores brasileiros para si até dar um passe magistral para Caniggia, sozinho, que driblou Taffarel e tocou para o gol vazio: 1 a 0, aos 35’ do segundo tempo. Foi o suficiente. Argentina classificada. Brasil, fora da Copa.

Veja abaixo:

 

Maradona prepara o passe…

 

… E Caniggia marca: Argentina classificada.

 

Além da vitória, a Argentina ainda usou de um truque conhecido como a “água batizada”, quando, no primeiro tempo, o lateral-esquerdo brasileiro Branco aceitou uma garrafa d’água do massagista argentino Miguel di Lorenzo. A tal da água continha tranquilizante e o brasileiro ficou grogue em campo. Ele só foi se recuperar no segundo tempo. Não foi feita uma análise para averiguar se a água tinha alguma coisa ou não, mas vários jogadores da época confirmaram o caso, inclusive o próprio Branco, em entrevista de 2016 ao UOL.

A vitória argentina rendeu até uma música cantada pelos hermanos em 2014, durante a Copa do Mundo realizada no Brasil:

Brasil, decime que se siente

Tener en casa a tu papá

Te juro que aunque pasen los años

Nunca nos vamos a olvidar

Que el Diego te gambeteó

Que Cani te vacunó

Que estás llorando desde Italia hasta hoy

A Messi lo vas a ver

La copa nos va a traer

Maradona es más grande que Pelé

 

Mas as artimanhas e paródias não tiveram finais felizes para a Argentina, pois ela terminou vice-campeã tanto na Copa de 1990 quanto na de 2014. E em ambas para a Alemanha…

 

Dianteira brasileira

Brasil de 1999. Em pé: Cafu, Dida, Rivaldo, João Carlos, Antônio Carlos e Flávio Conceição.
Agachados: Amoroso, Roberto Carlos, Emerson, Zé Roberto e Ronaldo.

 

Nos anos 1990, o Brasil recuperou a Copa do Mundo, em 1994, e viu a derrocada de Maradona em seu fim melancólico de carreira, com problemas de doping e longe do futebol que o consagrou nos anos 1980. Em 1995, o Brasil ainda tirou onda ao eliminar os rivais da Copa América com um polêmico gol de Túlio, que ajeitou a bola com o braço esquerdo antes de concluir já no final da partida o empate em 2 a 2. Em 1999, quase 30 mil pessoas viram em Ciudad del Este um clássico eletrizante válido pelas quartas de final da Copa América. Com vários craques em campo, o jogo teve todos os ingredientes de uma grande partida de futebol. Havia também a expectativa em torno de Ronaldo, que enfrentava pela seleção seu primeiro adversário de peso desde o Mundial de 1998. E ele não decepcionou.

A Argentina começou melhor e abriu o placar em chute de Sorín que resvalou em João Carlos e enganou Dida. Mas Rivaldo, aos 32’, cobrou uma falta que deixou estático o goleiro Burgos e eufórica a torcida brasileira para empatar: 1 a 1. Na segunda etapa, Zé Roberto ajeitou na entrada da área e Ronaldo encheu o pé para virar o jogo: 2 a 1. O jogo pegou fogo e a Argentina se mandou para o ataque, mas o Brasil se segurava com as defesas de Dida e a boa atuação de seu setor defensivo. Mas, aos 32’, a Argentina teve um pênalti a seu favor. Ayala foi para a bola, chutou rasteiro no canto direito e Dida defendeu! O placar ficou mesmo 2 a 1 e a seleção garantiu a classificação para a semifinal – mais tarde, o time canarinho foi campeão continental.

Rivaldo arrasou com a Argentina em 1999.

 

Entre 1999 e 2008, Brasil e Argentina fizeram novos jogaços que renderam histórias marcantes. Em setembro de 1999, uma vitória para cada lado em amistosos de tirar o fôlego, com 2 a 0 para a Argentina no Monumental e 4 a 2 para o Brasil no Beira-Rio, este com três gols de Rivaldo!

Nas Eliminatórias para a Copa de 2002, uma vitória para cada lado. E, já pelas Eliminatórias para a Copa de 2006, Ronaldo marcou três gols de pênalti na vitória brasileira por 3 a 1 em Belo Horizonte, em junho de 2004. Um mês depois, os rivais voltaram a se enfrentar na decisão da Copa América. A Argentina, desesperada por um título, mandou ao torneio sua força máxima, enquanto o Brasil foi com um time alternativo, sem seus principais titulares. O time alviceleste vencia o rival por 2 a 1 até os 48’ do segundo tempo e fazia firulas para gastar o tempo quando Adriano, num petardo, empatou o jogo e levou a decisão para os pênaltis de maneira dramática. Houve confusão, mas o Brasil venceu por 4 a 2 e faturou um título histórico, marcante, inesquecível. Leia mais sobre esse jogo clicando aqui.

Ronaldo 3×1 Argentina.

 

Adriano prepara a bomba: esse foi um dos gols mais gritados da história do futebol (pelos brasileiros, claro!).

 

Em junho de 2005, a Argentina venceu o Brasil no returno das Eliminatórias por 3 a 1, no Monumental, com show de Riquelme. No final do mesmo mês, os rivais se enfrentaram em outra final, na Copa das Confederações. E, de novo, o Brasil venceu, mas com show: 4 a 1, em grande atuação coletiva de um time que tinha Ronaldinho, Kaká, Adriano entre outros. A seleção canarinho ainda emendou mais duas vitórias seguidas em 2006 (3 a 0, em amistoso disputado em Londres, com um golaço de Kaká) e também na final da Copa América de 2007, em outro 3 a 0, na terceira vitória seguida do Brasil em uma final contra a Argentina. A desforra alviceleste veio em 2008, na vitória por 3 a 0 sobre o Brasil na semifinal dos Jogos Olímpicos de Pequim – os hermanos venceram a medalha de Ouro naquele ano.

Adriano voltou a ser carrasco da Argentina em 2005. Foto: Ben Radford/Getty Images.

 

Agüero, Riquelme e Messi: eles foram ouro em 2008.

 

Em setembro de 2009, pelas Eliminatórias para a Copa de 2010, a vitória brasileira por 3 a 1 em plena cidade de Rosário sacramentou uma invencibilidade de cinco jogos do Brasil sobre o rival somando apenas os jogos das equipes principais. Só em 2010 que a Argentina voltou a vencer o Brasil, em amistoso disputado no Catar, por 1 a 0, no primeiro gol de Messi na história do Superclássico. O craque ainda marcaria três gols na vitória por 4 a 3 da alviceleste em amistoso disputado em 2012, nos EUA, e mais um na vitória por 1 a 0 no Superclássico das Américas de 2019. Vale lembrar que o torneio retornou ao calendário em 2011 (com hiatos em 2013, 2015 e 2016), e o Brasil possui vantagem desde então com quatro vitórias (2011, 2012, 2014 e 2018) contra duas da Argentina (2017 e 2019).

 

Titãs para sempre

Em 2012, Messi fez três gols na vitória por 4 a 3 da Argentina. Foto: Rich Schultz/Getty-Images.

 

Com mais de 100 anos de história, o clássico Brasil e Argentina ainda reserva muitos capítulos de grandes jogos e momentos marcantes. O torcedor espera por um novo duelo entre a dupla em uma Copa do Mundo e, quem sabe, uma final no maior torneio do futebol mundial. Embora os argentinos nutram mais rivalidade com Inglaterra, Uruguai e Chile, é inegável que as particularidades que envolvem o duelo contra o Brasil sejam únicas. E, com tantos títulos e comparações, esse embate é, sem dúvida, o clássico dos clássicos no futebol de seleções.

Maradona e Pelé, em foto clássica do El Gráfico (ARG) de 1979: melhores do século XX.

 

Números de destaque:

  • Em confrontos eliminatórios, o Brasil possui vantagem sobre a Argentina: 6 a 3, além de vencer a Argentina em 3 a 1 quando pensamos apenas em finais diretas. Veja abaixo:

Vitórias do Brasil:

 

Copa América 1995 (Quartas de final): Brasil 2×2 Argentina. Nos pênaltis, Brasil 4×2 Argentina.

Copa América 1999 (Quartas de final): Brasil 2×1 Argentina.

Copa América 2004 (Final): Brasil 2×2 Argentina. Nos pênaltis, Brasil 4×2 Argentina.

Copa das Confederações 2005 (Final): Brasil 4×1 Argentina.

Copa América 2007 (Final): Brasil 3×0 Argentina.

Copa América 2019 (Semifinal): Brasil 2×0 Argentina.

 

Vitórias da Argentina:

 

Copa América 1937 (Final): Argentina 2×0 Brasil.

Copa do Mundo 1990 (Oitavas de final): Argentina 1×0 Brasil.

Copa América 1993 (Quartas de final): Argentina 1×1 Brasil. Nos pênaltis, Argentina 6×5 Brasil.

 

  • O Brasil possui 8 títulos da Copa Roca (1914, 1922, 1945, 1957, 1960, 1963, 1971 – título dividido – e 1976) contra 4 da Argentina (1923, 1939, 1940 e 1971 – título dividido). A competição, que foi a predecessora do atual Superclássico das Américas, foi disputada entre 1914 e 1976;

 

  • O argentino Javier Zanetti é o jogador com maior número de jogos disputados na história do clássico: 16 partidas;

 

  • Os rivais possuem particularidades quando pensamos em grandes conquistas. Em Copas do Mundo, o Brasil vence por 5 a 2, e vence também em títulos da Copa das Confederações por 4 a 1. Quando o assunto é Copa América, a vitória é da Argentina por 14 a 9, bem como em Ouros Olímpicos: 2 a 1;

 

  • Levando a disputa para o futebol de clubes, a rivalidade ganha ainda mais tempero. Veja abaixo:

 

Competição Títulos do Brasil Títulos da Argentina
Mundial de Clubes

10

9

Copa Libertadores

19

25

Copa Sul-Americana

4

8

Copa Suruga

2

3

Recopa Sul-Americana

11

9

Copa Conmebol

5

3

Copa Mercosul

3

1

Supercopa da Libertadores

3

6

Copa Interamericana

0

7

Copa Ouro

2

1

Copa Master

1

1

Copa Master da Conmebol

1

0

Campeonato Sul-Americano de Clubes

1

0

TOTAL

62

73

 

  • Ao longo da história, clubes de Brasil e Argentina se enfrentaram em 40 finais continentais diferentes, englobando nessa conta torneios como Libertadores, Copa Sul-Americana, Recopa, Copa Conmebol, Copa Mercosul, Supercopa da Libertadores, Copa Ouro entre outros. A vantagem é argentina: 23 vitórias contra 17 dos brasileiros.

 

Confira o Especial do Imortais com os 10 Maiores Clássicos do Mundo clicando aqui!

 

Extras:

Veja o dia do Ronaldo 3×1 Argentina, em 2004.

 

Veja os 4 a 1 do Brasil sobre a Argentina na final da copa das Confederações de 2005.

 

Veja os 3 a 1 da Argentina pra cima do Brasil em 2005.

 

Veja os 4 a 3 da Argentina sobre o Brasil em 2012, com três gols de Messi.

 

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2 thoughts on “Brasil x Argentina – Superclássico das Américas

  1. Brasil VS Argentina nunca é um jogo qualquer. É um confronto épico, memorável, inesquecível, grande, histórico, eterno e imortal! É um duelo de titãs que agita o futebol da América do Sul é do mundo. Se vai dar samba ou vai dar tango, o fato é que um não vive sem o outro. Os dois países também são movidos pelas citações a respeito de Pelé e Maradona, afinal, sempre discutem qual dos dois foi o melhor jogador de todos. É por isso que não se trata de um clássico. Trata-se de um Superclássico!

    Imortais, se não estou enganado, esse é a primeira vez que você cita um clássico entre seleções e eu digo que gosto muito de pesquisar sobre futebol por aqui. Que venha novos Grandes Clássicos!

    Parabéns, Imortais. E continue fazendo a alegria de fãs do futebol!

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