Todos os Elencos Campeões das Copas

Pôsteres das Copas e todos os capitães campeões (à dir.), de 1930 até 2018.

 

Por Gabriel Cardoso Pereira Gama

Edição e Pesquisa das Fotos: Guilherme Diniz

 

O Imortais já contou a história de todas as seleções campeãs das Copas do Mundo, suas curiosidades, detalhes e esquemas táticos. Mas faltava um algo a mais: todos os jogadores que estiveram presentes nos elencos campeões. Por isso, em uma grande viagem no tempo, detalhamos a seguir quais foram os atletas de cada seleção campeã mundial, de 1930 até 2018, em um trabalho semelhante ao que já fizemos por aqui no texto Todos os Convocados do Brasil nas Copas.

No entanto, ao invés de listar apenas os nomes, trazemos absolutamente TODAS as fotos dos jogadores campeões. É praticamente um gigantesco álbum de figurinhas virtual, um trabalho (e que trabalho! Foi bem complicado achar todas!) único e especial para vocês, leitores, leitoras e amantes da história do esporte!

É o tipo de matéria para ver, rever e consultar a todo momento, quando quiser e quando precisar. Boa leitura! 🙂

PS: recomendamos a leitura desta matéria em um computador ou tablet com tela grande, para melhor visualização das fotos. Mas, se você estiver vendo pelo celular, faça o movimento de pinça com os dedos para dar zoom e ver melhor as imagens! 😉

 

Copa do Mundo de 1930 – Uruguai

 

 

Curiosidades: os jogadores escolhidos formaram a base do time bicampeão olímpico em 1924 e 1928. René Borjas, atacante fundamental no título de 1928 e também da Copa América de 1926, acabou de fora da lista final e foi uma das ausências mais marcantes. Ele sofria de um problema cardíaco e começou a sentir dores no peito em algumas partidas entre 1929 e 1930, motivo pelo qual o técnico Suppici optou por não levá-lo. Como na época não existiam exames precisos, ninguém desconfiou que pudesse ser algo muito grave. Mas era. Em 19 de dezembro de 1931, Borjas deveria permanecer em casa por recomendação médica, mas não aguentou ficar longe do seu time, o Montevideo Wanderers, e foi ao estádio ver uma partida decisiva da equipe contra o Defensor, que poderia ser campeã naquela tarde.

No primeiro tempo, após um lance claro de gol que um jogador do Wanderers acabou desperdiçando, Borjas sofreu um ataque cardíaco nas arquibancadas, foi socorrido, mas faleceu aos 33 anos. Sabendo do ocorrido, os jogadores do Wanderers foram atrás da vitória e fizeram o 1 a 0, garantindo o título uruguaio daquele ano e dedicado ao jogador. Tempo depois, o atacante ganhou uma placa no Estádio Centenário em sua homenagem.

Outro fato curioso dos convocados é que Héctor Castro levava o apelido de “Manco” por não ter o antebraço direito, amputado quando ele tinha 13 anos após um acidente com uma serra elétrica. Castro marcou o primeiro gol da campanha da Celeste, no 1 a 0 sobre o Peru, e o gol do título uruguaio na Copa, na vitória por 4 a 2 sobre a Argentina. Leia mais sobre o Uruguai campeão de 1930 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1934 – Itália

 

 

Curiosidades: a primeira conquista da Azzurra teve três argentinos – todos titulares – e um brasileiro no elenco: Luis Monti, meio-campista que disputou a Copa de 1930 e estava na Argentina vice-campeã mundial, Enrique Guaita, ponta-esquerda de muito talento que acabou deslocado para a direita no Mundial pelo técnico Vittorio Pozzo, e o atacante Raimundo Orsi, um dos medalhistas de prata pela albiceleste nos Jogos de Amsterdã, em 1928. O brasileiro era Anfilogino Guarisi, o Filó, ponta-direita ídolo do Corinthians e que chegou à Itália em 1931 para jogar na Lazio, onde permaneceu até 1937. Como era filho de uma italiana, ele conseguiu se naturalizar e foi convocado. Filó só disputou uma partida na Copa, mas foi o primeiro jogador brasileiro campeão do mundo.

O uso de atletas naturalizados era comum na época e tinha a denominação de oriundi, por causa da origem latino-americana. Raimundo Orsi foi inclusive autor de um dos gols da vitória por 2 a 1 sobre a Tchecoslováquia na decisão.

Combi, da Juventus, foi o primeiro goleiro-capitão a erguer uma Copa na história.

Luis Monti foi o primeiro – e até hoje único – jogador a disputar duas finais de Copa do Mundo por duas seleções diferentes: Argentina, em 1930, e Itália, em 1934.

Com cinco titulares no time campeão (Combi, Monti, Orsi, Ferrari e Bertolini), a Juventus foi a principal fornecedora de jogadores para a Azzurra. Tal grupo ganhou o nome de Nazio-Juve.

 

Copa do Mundo de 1938 – França

 

Curiosidades: mais forte do que em 1934 graças ao artilheiro Silvio Piola e aos defensores Foni e Rava, a Itália venceu sem complicações sua segunda Copa com um time experiente e que tinha como principal base a Ambrosiana-Inter. O principal jogador era Giuseppe Meazza, capitão da Azzurra naquele ano. Quatro atletas medalhistas de Ouro nos Jogos de 1936 também foram campeões do mundo: os zagueiros Foni e Rava, o meio-campista Locatelli e o atacante Sergio Bertoni.

Michele Andreolo era uruguaio de nascimento e manteve a sina dos oriundi da Azzurra. Ele nasceu em Dolores e jogou no Nacional de Montevidéu antes de se transferir para o Bologna, em 1935, para se naturalizar e jogar pela Itália de 1936 até 1942.

Vale destacar entre os convocados os três jogadores do pequenino Triestina, sendo o principal deles Gino Colaussi, autor de dois gols na vitória por 4 a 2 sobre a Hungria na final e o primeiro a anotar mais de um gol em uma decisão de Mundial – Piola também fez dois naquele jogo, mas foi Colaussi quem anotou os dois gols primeiro. Um jogador que também brilhou pelo Triestina – mas acabou esquecido pelo técnico Pozzo – foi o ponta Nereo Rocco, que deixou o clube em 1937 para jogar no Napoli. Ele marcou seu nome décadas depois como técnico do Milan multicampeão dos anos 1960. Leia mais sobre a bicampeã Itália clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1950 – Brasil

 

Curiosidades: a base da Celeste que protagonizou o lendário Maracanazo foi o Peñarol da “escuadrilla de la muerte”, campeão uruguaio invicto em 1949 com 16 vitórias, dois empates, 62 gols marcados (média de 3,44 gols por jogo!) e 17 sofridos em 18 partidas. Esse time é um dos mais lendários da história do futebol uruguaio e fez jus à fama pelos craques que disponibilizou à seleção. Dos titulares no Maracanazo, Roque Máspoli, Obdulio Varela, Alcides Ghiggia, Óscar Míguez e Juan Alberto Schiaffino eram da escuadrilla carbonera – simplesmente os principais protagonistas daquele título, com destaque para o capitão Varela, o eterno caudillo, Schiaffino, autor do primeiro gol da final contra o Brasil, e Ghiggia, o “silenciador” do Maracanã.

O fantástico Peñarol de 1949. Em pé: Hugo, Gonzales, Etchegoyen, Pereyra Natero, Varela e Ortuño. Agachados: Ghiggia, Hohberg, Míguez, Schaffino e Vidal.

 

Víctor Rodríguez Andrade era sobrinho de José Leandro Andrade, campeão da Copa de 1930 pela Celeste. Foi a primeira vez na história dos Mundiais que um tio e um sobrinho conquistaram Copas distintas.

Juan Hohberg, um dos principais atacantes do Peñarol de 1949, foi cogitado para vestir a camisa da Celeste na Copa de 1950, mas ele era argentino de nascimento e o processo para sua naturalização não foi bem sucedido. No entanto, tempo depois, ele conseguiu resolver a situação e vestiu o manto uruguaio na Copa de 1954.

Rubén Morán, com apenas 19 anos, foi o primeiro jovem com menos de 20 anos a disputar uma partida final de Copa do Mundo na história. Depois dele, vieram o brasileiro Pelé (17 anos, em 1958), o italiano Giuseppe Bergomi (18 anos, em 1982) e o francês Kylian Mbappé (19 anos, em 2018). Curiosamente todos foram campeões.

Leia mais sobre o Uruguai campeão de 1950 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1954 – Suíça

 

 

Curiosidades: com cinco jogadores entre os convocados, o bicampeão alemão em 1951 e 1953 Kaiserslautern foi o clube que mais cedeu atletas à seleção no primeiro título mundial da Alemanha. E todos titulares: os defensores Kohlmeyer e Liebrich, o meio-campista Eckel e os irmãos Fritz e Ottmar Walter. Esse quinteto foi fundamental para a consumação do “milagre” alemão na final contra a favorita Hungria, derrotada por 3 a 2 na final, um dos jogos mais lendários da história das Copas e apelidado de “O Milagre de Berna”, já relembrado aqui no Imortais. Experiente, o time da Alemanha tinha uma média de idade em torno de 28 anos.

Outro fato curioso é que o Bayern teve apenas um jogador entre os convocados: o defensor Hans Bauer. Na época, o clube bávaro ainda não era a potência soberana que é hoje em seu país.

O título alemão foi marcante também como prova da reconstrução do país, assolado após a 2ª Guerra Mundial. Como o campeonato nacional continuou sendo disputado mesmo durante a Guerra (só não houve torneio em 1945), muitos jogadores foram preservados do front de batalha, e, com isso, seguiram suas carreiras rumo ao Mundial. Após o título, cada jogador recebeu 2200 marcos e diversas homenagens pelo país.

O meio-campista (que também podia jogar como lateral) Horst Eckel, mais jovem do time de 1954, com 22 anos na época, é o único ainda vivo dos primeiros alemães campeões do mundo. Ele tem 88 anos. Leia mais sobre a Alemanha de 1954 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1958 – Suécia

 

 

Curiosidades: Foram selecionados inicialmente 33 jogadores, sendo 20 do Rio de Janeiro e 13 de São Paulo. As ausências mais sentidas foram de Zizinho, Canhoteiro, ponta do São Paulo, e Luizinho, do lendário Corinthians dos anos 50 (leia mais clicando aqui). Além deles, Julinho Botelho também não foi convocado, mas por recusa própria. Ele não achava justo ser chamado por jogar no exterior (à época, ele era da grande Fiorentina-ITA). Eram realmente outros tempos…

A CBD se esqueceu de enviar à FIFA a numeração oficial dos jogadores. Diz a lenda que o uruguaio Lorenzo Vilizio, que representou seu país no congresso da entidade em Estocolmo, fez a numeração ao seu modo e acertou em cheio várias numerações. Com exceção de Gylmar (goleiro, camisa 3), Didi (camisa 6), e Zózimo (um zagueiro, camisa 9), ele deu a 7 para Zagallo, a 11 para Garrincha, e, acredite, a camisa 10 para Pelé. Um verdadeiro numerólogo por acidente…

 

Copa do Mundo de 1962 – Chile

 

Curiosidades: Para a primeira fase de treinos, o treinador Aymoré Moreira chamou 41 jogadores, mas 19 foram cortados, entre eles Valdir de Moraes (Palmeiras), De Sordi (São Paulo), Rildo (Botafogo), Djalma Dias (América-RJ), Aírton (Grêmio), Calvet (Santos), Carlinhos (Flamengo), Chinesinho (Palmeiras), Julinho Botelho (Palmeiras), Prado (São Paulo) e Quarentinha (Botafogo).

Aquela foi a Copa que o Brasil utilizou o menor número de jogadores na história durante o torneio: apenas 12 atletas entraram em campo. Amarildo foi o único reserva a frequentar o 11 titular após a lesão de Pelé. Leia mais sobre o Brasil bicampeão em 1958-1962 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1966 – Inglaterra

Curiosidades: o primeiro e até hoje único English Team campeão do mundo teve uma mescla de atletas vindos de diferentes clubes, em especial o West Ham United – fortíssimo esquadrão na época, com Bobby Moore, Martin Peters e Geoff Hurst, todos titulares, e o Manchester United, com os titulares Bobby Charlton e Nobby Stiles.

O atacante Jimmy Greaves, artilheiro do Tottenham, acabou de fora da fase final da campanha inglesa devido a uma lesão ocorrida ainda na fase de grupos, no duelo contra a França, quando Joseph Bonnel deixou as travas da chuteira na canela do inglês. Resultado: 14 pontos para fechar o “rombo” e uma grande cicatriz no atacante. Hurst entrou no lugar do camisa 8 e não saiu mais. Curiosamente, foi Hurst o autor de três dos quatro gols da Inglaterra na vitória por 4 a 2 sobre a Alemanha, na final.

O técnico inglês Alf Ramsey vestiu a camisa da Inglaterra na Copa do Mundo de 1950 como defensor do time inglês em solo brasileiro. Ele estava na derrota por 1 a 0 diante dos EUA, a maior zebra da história das Copas.

O ponta Alan Ball, graças ao título, conseguiu uma transferência para o Everton após o Mundial por uma cifra recorde na época em todo futebol britânico: 110 mil libras. Leia mais sobre a Inglaterra de 1966 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1970 – México

 

Curiosidades: A convocação de Dadá Maravilha para a Copa se deu por causa da pressão dos militares ao técnico João Saldanha. O João “Sem medo” não quis convocar o atacante e foi demitido. Em seu lugar, entrou Zagallo, que convocou o atacante do Atlético Mineiro, admirado pelo presidente Médici.

Piazza, convocado inicialmente como meio-campista, jogou a Copa como zagueiro.

Essa foi a última seleção brasileira campeã mundial apenas com jogadores atuando no Brasil. Leia mais sobre o Brasil de 1970 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1974 – Alemanha

 

 

Curiosidades: muita coisa mudou no futebol alemão em 20 anos. E a principal delas foi a ascensão do Bayern, que se transformou no principal clube do país e maior fornecedor à Nationalelf com sete jogadores, sendo cinco titulares: Sepp Maier, Franz Beckenbauer, Paul Breitner, Hans-Georg Schwarzenbeck, Uli Hoeneß e Gerd Müller. Não foi à toa que o Bayern venceu três Ligas dos Campeões da UEFA entre 1974 e 1976

Outro grande clube da década que também se destacou entre os convocados foi o Borussia Mönchengladbach, bicampeão da Copa da UEFA em 1974-1975 e 1978-1979, pentacampeão alemão e vice-campeão da Liga dos Campeões da UEFA em 1976-1977, que contribuiu com cinco jogadores: os titulares Berti Vogts e Rainer Bonhof, além de Jupp Heynckes e Herbert Wimmer, presentes entre os 11 titulares em alguns jogos da primeira fase, e o goleiro reserva Wolfgang Kleff. Isso sem contar Günter Netzer, que brilhou nos Foals, mas era jogador do Real Madrid na época da Copa.

Ainda na fase de grupos, o líder e capitão Beckenbauer pediu ao técnico Helmut Schön mais liberdade para os jogadores fora de campo, pois o longo período de concentração, privando o contato com familiares e qualquer momento de relaxamento, estava prejudicando o rendimento do time. O Kaiser propôs que os casados pudessem ver suas mulheres e os solteiros que ficassem com suas namoradas ou affairs. Schön atendeu ao pedido do capitão, que sugeriu ainda mudanças no time titular, o que aconteceu a partir da segunda fase.

Tais mudanças prejudicaram os craques Jupp Heynckes e Günter Netzer. O primeiro, grande nome do Mönchengladbach, havia sido titular na primeira fase e não voltou mais. O segundo só jogou alguns minutos contra a Alemanha Oriental e ficou marcado por entrar em uma queda de braço com Beckenbauer, que venceu. Leia mais sobre a Alemanha de 1974 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1978 – Argentina

Curiosidades: com apenas 17 anos, Diego Maradona já gastava a bola na Argentina, mas o técnico Menotti preferiu não levar Dieguito por considerá-lo “jovem demais”.

O lateral-esquerdo Alberto Tarantini, bicampeão nacional e campeão da Libertadores de 1977 pelo Boca Juniors, se transformou no primeiro campeão do mundo sem clube, com passe livre. O motivo foi uma briga contratual do jogador com os xeneizes, que impediu o lateral de assinar com outra equipe do país na época. Só depois do Mundial que Tarantini conseguiu resolver o imbróglio e atuar pelo Birmingham City-ING por 295 mil libras.

Embora tenham o mesmo sobrenome, Rubén Galván e Luis Galván não são parentes.

A Argentina adotou a numeração dos jogadores por ordem alfabética, baseada nos sobrenomes. Com isso, a seleção teve um meio-campista com a camisa 1 (Norberto Alonso), um volante com a 2 (Osvaldo Ardiles) e um goleiro com a 5 (Ubaldo Fillol), por exemplo. Leia mais sobre a Argentina de 1978 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1982 – Espanha

 

Curiosidades: com cinco jogadores cada, Juventus e Internazionale foram os clubes que mais cederam atletas à Azzurra tricampeã do mundo. A presença mais notável foi da Juve, pois todos os atletas bianconeri foram titulares: Dino Zoff, Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Antonio Cabrini e Marco Tardelli. Foi o chamado Blocco-Juve, como ficou conhecido o grupo de jogadores da Velha Senhora que marcou presença constante na seleção italiana não só na Copa de 1982, mas também na Eurocopa de 1980 e na Copa do Mundo de 1978 – nesta, em um jogo contra a França, oito dos 11 titulares eram da Juve! Com tantos talentos, a Juventus foi um dos maiores esquadrões do planeta na época e venceu todos os principais torneios internacionais existentes, ganhando inclusive uma placa da UEFA.

Oriali e Bergomi foram os titulares da Inter, enquanto Altobelli foi uma opção do técnico Bearzot que disputou alguns jogos e marcou o terceiro gol da vitória por 3 a 1 da Azzurra na decisão contra a Alemanha.

A Itália foi campeã do mundo utilizando somente jogadores que atuavam no país, algo que começava a ficar difícil com o futebol cada vez mais globalizado. Foi ainda o primeiro título da equipe sem jogadores oriundi. Leia mais sobre a Itália de 1982 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1986 – México

 

Curiosidades: assim como em 1978, a Argentina foi campeã com seus jogadores utilizando a numeração por ordem alfabética. As exceções foram Passarella, Maradona e Valdano, que puderam escolher suas camisas preferidas: 6, 10 e 11, respectivamente.

Com uma boa mescla de jogadores e misturando experiência e juventude, o técnico Carlos Bilardo conseguiu o título não só graças ao talento de Maradona no auge da forma, mas também à eficiência de jogadores como o goleiro Pumpido, o zagueiro Ruggeri e o meio-campista Enrique, todos campeões do mundo pelo River Plate naquele ano de 1986, além do defensor Brown (do Deportivo Español), o meio-campista Sergio Batista (campeão da América pelo Argentinos Juniors em 1985), o meia Giusti (do Independiente campeão da América e do mundo em 1984), e os atacantes Burruchaga (do Nantes, mas com passagem marcante pelo Independiente) e Valdano (do Real Madrid). Com atletas vencedores e competitivos, a Argentina foi campeã e consagrou uma geração inteira de futebolistas. A albiceleste foi ainda a primeira campeã do mundo jogando no 3-5-2.

Capitão em 1978, Daniel Passarella não teve chances no time titular e foi reserva durante toda a Copa. Quem também não teve espaço foi o experiente e inesquecível meia Ricardo Bochini, que só entrou em uma partida durante o Mundial. Leia mais sobre a Argentina de 1986 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1990 – Itália

Curiosidades: na última Copa como Alemanha Ocidental, o time germânico conseguiu o título após dois tropeços seguidos – em 1982 e 1986. A vingança contra a Argentina veio com um gol de pênalti anotado por Andreas Brehme, um dos três jogadores da grande Internazionale daquele final de anos 1980 e início de anos 1990. Além dele, a nerazzurri cedeu à Nationalelf o meio-campista e líbero Matthäus (capitão) e o atacante Klinsmann.

Mais uma vez o Bayern foi o clube com mais jogadores na seleção: seis atletas, seguido do Köln, com quatro, que levou vantagem sobre os bávaros por ter três jogadores no time titular (Hassler, Littbarski e Illgner), enquanto o Bayern teve apenas dois (Köhler e Augenthaler).

A base campeã do mundo ainda renderia outro fruto para o futebol alemão. Em 1996, a Alemanha venceu a Eurocopa na Inglaterra e se tornou a maior vencedora do torneio na época com três troféus – ela foi igualada pela Espanha em 2012.

O técnico Franz Beckenbauer foi o segundo homem na história a vencer uma Copa como jogador (1974) e treinador (1990), repetindo o feito de Mário Zagallo, campeão como jogador em 1958 e 1962 e como treinador em 1970. Leia mais sobre a Alemanha campeã em 1990 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1994 – EUA

Curiosidades: Para a Copa do Mundo realizada nos Estados Unidos, os jogadores Ricardo Gomes e Mozer acabaram se machucando antes da competição e não viajaram com a seleção. Em seus lugares, foram chamados Ronaldão e Aldair, este o que melhor se saiu na caminhada do tetra, pois assumiu a titularidade após a contusão já no Mundial de Ricardo Rocha.

Nessa Copa, um clube brasileiro mandou mais atletas do que qualquer outra equipe estrangeira: o São Paulo, que teve quatro jogadores entre os campeões mundiais, muito por causa da ótima fase do time na época (leia mais clicando aqui). Se lembrarmos que Raí e Ronaldão eram do Tricolor pouco tempo antes da Copa, seriam seis atletas entre os convocados. Algo surreal nos dias de hoje, com praticamente todos os atletas jogando no exterior.

Essa foi a primeira Copa com equilíbrio entre atletas convocados do Brasil e do exterior: foram 11 daqui e 11 de fora. Leia mais sobre o Brasil de 1994 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 1998 – França

Curiosidades: bem antes da Copa, nomes como Cantona, Ginola e Papin eram tarimbados no time francês, mas perderam espaço com a chegada de Aimé Jacquet, que começou a reconstruir a seleção – ausente das Copas de 1990 e 1994 – baseada em jovens de talento que surgiam na época. Com isso, Jacquet levou ao Mundial um time que contava com nomes experientes e vencedores como Barthez, Deschamps e Desailly, campeões europeus com o Olympique de Marselha em 1993 (Deschamps faturou também o caneco europeu com a Juve, em 1996, e Desailly venceu em 1994 com o Milan), o lateral Lizarazu, o zagueiro Blanc e o meia/atacante Djorkaeff (que havia brilhado pelo Paris Saint-Germain campeão da Recopa da UEFA de 1995-1996). Ao lado deles, muitos jovens ganharam espaço entre os convocados: o volante Vieira (de apenas 21 anos, que ainda não era titular absoluto), o meia Pirès (24 anos), os atacantes Henry e Trezeguet (ambos com 20 anos e caçulas entre os convocados) e o meia Zinedine Zidane, sem dúvida o talento maior daquela geração que venceu a primeira Copa do Mundo para a França.

Dos 22 convocados, 12 jogavam fora da França na época. Desses, sete atuavam na Itália: Candela (Roma), Djorkaeff (Internazionale), Deschamps (Juventus), Desailly (Milan), Zidane (Juventus), Boghossian (Sampdoria) e Thuram (Parma).

Dois anos depois, aquele grupo ainda venceu a Eurocopa de 2000 superando a Itália com um Gol de Ouro anotado por Trezeguet, mas já sob o comando do técnico Roger Lemerre. Leia mais sobre a França de 1998 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 2002 – Coreia do Sul e Japão

Curiosidades: Mesmo com o clamor popular, Felipão acabou deixando de fora o atacante Romário, que tinha problemas de relacionamento com o treinador. Outro que não foi com a seleção para o Oriente foi o meia Djalminha, por indisciplina. Motivo? Ele deu uma cabeçada no técnico do Deportivo La Coruña da Espanha durante um treinamento…

Denílson chegou a um curioso número nessa Copa: ele se tornou o jogador que mais entrou no decorrer das partidas na história das Copas com 11 aparições. Dos 12 jogos que disputou em Mundiais – em 1998 e 2002 -, somente em 1998, contra a Noruega, que o atacante começou como titular.

Essa foi a última Copa com mais atletas jogando no Brasil do que no exterior. Foram convocados 13 jogadores de times nacionais. Leia mais sobre o Brasil de 2002 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 2006 – Alemanha

Curiosidades: assim como em 1982, a Itália foi uma campeã do mundo “raiz”, utilizando somente jogadores que atuavam no país, sem nenhum “estrangeiro”. Isso nunca mais aconteceu na história das Copas. A Azzurra já havia sido a última a conseguir a façanha e repetiu a dose em 2006. Argentina-1986, Alemanha-1990, Brasil-1994, França-1998, Brasil-2002, Espanha-2010, Alemanha-2014 e França-2018 tiveram jogadores campeões do mundo “estrangeiros” entre seus convocados.

O zagueiro Nesta se contundiu durante o Mundial e deu lugar ao defensor Materazzi, que virou uma das grandes figuras da Itália na Copa ao marcar o gol de empate na final contra a França e também por levar a famigerada cabeçada de Zidane na prorrogação.

Paolo Maldini, titular da Itália em quatro Copas, pediu dispensa da seleção e não foi convocado mesmo ainda jogando em alto nível. E justo naquele ano de 2006 a Itália venceu o título…

Camoranesi repetiu os elencos de 1934 e 1938 da Itália e foi o oriundi do time campeão. Ele nasceu na Argentina.

Graças ao seu desempenho durante a Copa, o zagueiro Fabio Cannavaro venceu o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA em 2006. Foi o primeiro (e até hoje único) zagueiro a receber o troféu na história.

Depois de seguidas eliminações nos pênaltis, a Itália exorcizou o fantasma e venceu a Copa exatamente na marca da cal. A Azzurra acertou todos os seus chutes e venceu por 5 a 3. Leia mais sobre a Itália de 2006 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 2010 – África do Sul

 

Curiosidades: Após a saída de Luis Aragonés do comando técnico, Vicente Del Bosque assumiu a Espanha e manteve a base campeã da Euro de 2008 com sutis alterações. Marcos Senna, brasileiro naturalizado espanhol e titular na campanha da Fúria de 2008, acabou de fora da lista final e Sergio Busquets ganhou a vaga. Fàbregas, outro titular em 2008, foi convocado, mas perdeu espaço para Xabi Alonso, titular no meio de campo ao lado de Busquets, Xavi e Iniesta durante a Copa. Fernando Torres, titular na Euro de 2008, perdeu o posto absoluto por se recuperar de uma contusão no joelho. Ele até foi titular em dois jogos na fase de grupos, mas não conseguiu cravar seu espaço no time principal.

Del Bosque montou a seleção baseado nos principais jogadores do Barcelona campeão de tudo naquela época. Nada mais nada menos do que seis jogadores dos 11 titulares eram blaugranas: os zagueiros Puyol e Piqué, os meio-campistas Busquets, Xavi e Iniesta e o atacante Pedro.

A Espanha foi campeã do mundo com apenas três jogadores “estrangeiros” entre os convocados e quase repetiu a Itália de 2006: Fernando Torres e Pepe Reina, ambos do Liverpool, e Cesc Fàbregas, do Arsenal, foram os “intrusos”. No entanto, se contarmos apenas o time titular da Copa, todos os 11 jogavam na Espanha. Leia mais sobre a Espanha de 2010 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 2014 – Brasil

Curiosidades: o jovem time alemão que encantou na Copa do Mundo de 2010 foi mantido para o Mundial de 2014. O técnico Low usou como base os craques dos principais clubes alemães da época, o Borussia Dortmund e o Bayern München, multicampeões e finalistas da Liga dos Campeões da UEFA de 2012-2013. Dos 23 convocados, sete eram do Bayern (Neuer, Lahm, Boateng, Schweinsteiger, Thomas Müller, Kroos e Götze) e quatro do Dortmund (Weidenfeller, Hummels, Durm e Grosskreutz). O número seria maior se Marco Reus, do Dortmund, não tivesse se contundido às vésperas da Copa. Ele teve que ser cortado e deu lugar ao defensor Shkodran Mustafi, da Sampdoria.

O tetracampeonato alemão veio com autoridade e o inesquecível 7 a 1 pra cima do ridículo e patético time de chorões do Brasil na semifinal. Na decisão, a Alemanha venceu mais uma vez a Argentina (assim como em 1990) por 1 a 0, gol de Mario Götze, um dos mais jovens do elenco. Leia mais sobre a Alemanha de 2014 clicando aqui!

 

Copa do Mundo de 2018 – Rússia

 

Curiosidades: Embora vivesse grande fase no Real Madrid tricampeão consecutivo da Liga dos Campeões da UEFA, o atacante Karim Benzema acabou de fora da Copa por conta de um escândalo de chantagem envolvendo ele e o compatriota Valbuena em novembro de 2015. Além disso, o atacante foi flagrado cuspindo após o hino francês – em tributo às vítimas de um atentado terrorista em Paris – antes de um clássico entre Real e Barça naquele mesmo mês de novembro. Benzema não só perdeu a Copa como também a Eurocopa de 2016. Outros jogadores descartados pelo técnico Deschamps por conta de indisciplina foram Rabiot e Lacazette.

O time vice-campeão da Euro mudou bastante em relação ao campeão mundial de 2018. Na zaga, Koscielny perdeu espaço para Varane. Na lateral-esquerda, o veterano Evra deixou a seleção e Lucas Hernández assumiu o posto com muita regularidade. Na direita, Sagna foi substituído por Pavard, também jovem e que marcou um golaço nas oitavas de final contra a Argentina. No meio, Kanté, campeão inglês pelo Leicester City em 2016, virou titular ao lado de Matuidi e Pogba, enquanto no ataque o jovem Mbappé, de apenas 19 anos, ficou com a titularidade após a séria lesão de Payet que o tirou da Copa. Com isso, a França teve um dos elencos mais jovens da Copa com média de idade em torno de 25 anos.

O elenco campeão de 2018 teve várias semelhanças com o de 1998 muito por causa da heterogeneidade dos atletas. Se em 1998 jogadores como Zidane (com origem argelina), Thuram e Henry (origens de Guadalupe), Vieira (de Senegal) e Desailly (de Gana) tinham descendências de outros países, o time de 2018 também possuía jogadores com alguma ligação estrangeira. Umtiti era de Camarões, Mandanda da República Democrática do Congo, Mbappé filho de pai camaronês e mãe argelina, Lucas Hernández filho de mãe espanhola e Pogba filho de pais da Guiné. As coincidências deixaram o torcedor francês bastante esperançoso antes mesmo da Copa começar. E, de fato, a expectativa deu resultado.

Didier Deschamps foi o terceiro homem a conquistar uma Copa como jogador (em 1998) e treinador (2018) na história.

O goleiro Lloris foi apenas o quarto em sua posição a levantar uma Copa como capitão. Os outros foram Combi (Itália, 1934), Zoff (Itália, 1982) e Casillas (Espanha, 2010). Leia mais sobre a França de 2018 clicando aqui!

 

Ufa! Haja foto! Este especial será sempre atualizado em ano de Copa do Mundo! 🙂

 

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