Craque Imortal – José Manuel Moreno

 

Nascimento: 03 de agosto de 1916, em Buenos Aires, Argentina. Faleceu em 26 de agosto de 1978, em Buenos Aires, Argentina

Posições: Meia, Ponta-Direita, Ponta-Esquerda e Atacante.

Clubes: River Plate-ARG (1935-1944 e 1946-1949), Real Club España-MEX (1944-1946), Universidad Católica-CHI (1949 e 1951), Boca Juniors-ARG (1950), Defensor Sporting-URU (1952), Ferro Carril Oeste-ARG (1953) e Independiente Medellín-COL (1954-1957 e 1959-1961).

Principais títulos por clubes: 5 Campeonatos Argentinos (1936, 1937, 1941, 1942 e 1947), 1 Copa de Oro (1936), 4 Copas Aldao (1936, 1937, 1941 e 1947) e 3 Copas Ibarguren (1937, 1941 e 1942) pelo River Plate.

1 Campeonato Mexicano (1944-1945) pelo Real Club España.

1 Campeonato Chileno (1949) pela Universidad Católica.

2 Campeonatos Colombianos (1955 e 1957) pelo Independiente Medellín.

 

Principais títulos por seleção: 2 Copas Américas (1941 e 1947) pela Argentina.

 

Principais títulos individuais e Artilharias:

Artilheiro da Copa América: 1942 (7 gols)

Melhor Jogador da Copa América de 1947

Futebolista do Ano no Futebol Chileno: 1949

5º Melhor Jogador da América do Sul no Século XX pela IFFHS: 1999

25º Melhor Jogador do Século XX pela IFFHS: 1999

3º Melhor Jogador Argentino do Século XX pela IFFHS: 1999

31º Melhor Jogador da História pela revista Four Four Two: 2017

Maior Artilheiro em um só jogo de Copa América na história: 5 gols, nos 12 a 0 da Argentina sobre o Equador, em 1942. Vale lembrar que os jogadores Héctor Scarone (Uruguai), Juan Marvezzi (Argentina) e Evaristo de Macedo (Brasil) também anotaram cinco gols em um só jogo em outras edições.

Segundo jogador na história a vencer campeonatos nacionais em quatro países diferentes (o primeiro foi o eslovaco – na época império austro-húngaro – Alfréd Schaffer, campeão na Hungria, Alemanha, Áustria e Tchecoslováquia).

 

“El Charro”

Por Guilherme Diniz

 

Ele cresceu em La Boca, mas ficou marcado como um dos principais pilotos de La Máquina, o mais lendário esquadrão da história do River Plate. Em campo, tinha todas as virtudes do autêntico craque e se transformava em um jogador completo, que armava jogadas, dava passes, aplicava dribles e marcava muitos, muitos gols. Era perigosíssimo pelos ares, com cabeçadas certeiras em tempos de bola pesada. Valia o risco. Para ele, aliás, valia tudo para vencer. Criava contos para seus lances, suas jogadas. Inspirava seus companheiros com uma confiança plena, contagiante. Não havia tempo ruim. Corpo mole. Nada disso. Havia apetite por vencer, seja na Argentina, seja pela Argentina. Ou até fora dela. Conseguiu ser o segundo atleta a conquistar títulos nacionais em quatro países diferentes. Virou uma instituição do futebol. Uma lenda inquestionável que é colocada no mesmo patamar que Alfredo Di Stéfano e Diego Maradona entre os maiores futebolistas argentinos do século XX. José Manuel Moreno Fernández, ou simplesmente Moreno, foi um dos maiores craques que o futebol já teve e que a Copa do Mundo não pôde desfrutar. Motivo? A 2ª Guerra Mundial nos anos 1940, que impossibilitou a realização de Mundiais em 1942 e 1946, justamente o período de auge do argentino, sem dúvida o melhor jogador do mundo na época. Mesmo sem apresentações no maior palco do esporte, Moreno levou multidões ao encantamento nos estádios por onde passou, além de arrasar corações em bares e casas de tango, palcos de seu lado boêmio, de verdadeiro artista. É hora de relembrar a trajetória do El Charro de los goles.

 

Da rejeição ao estrelato

Moreno nasceu na segunda década do século XX, em agosto de 1916, e cresceu no bairro de La Boca, ainda em tempos sem La Bombonera – inaugurada apenas em maio de 1940. De origem humilde e único filho homem da família – tinha três irmãs mais velhas -, o jovem demonstrava desde cedo paixão pelo futebol muito por causa do Boca Juniors, sua paixão de infância e cujo estádio na rua Brandsen, ainda com arquibancadas de madeira, era contemplado pelo garoto e inspiração para as peladas de rua que jogava com os amigos. Sempre alegre, ganhou o apelido de “Fanfa”, diminutivo de “fanfarrão”, por suas piadas e contos. Moreno começou a trabalhar muito jovem em uma lavanderia que cuidava das vestimentas dos marinheiros do porto do bairro. Foi trabalhando lá que certa vez o garoto viu dois ídolos de seu querido Boca, Domingo Tarasconi e Roberto Cherro. Eles vinham de um jogo e estavam de banho tomado e com os cabelos ajeitados com a clássica brilhantina da época. Moreno viu aquela cena e disse: “quero ser como eles”. Não demorou muito para o garoto tentar a sorte em uma peneira do clube xeneize. No entanto, mesmo marcando dois gols na preleção, Moreno foi dispensado e gritou ao treinador que ele “iria se arrepender”.

Dias depois, Moreno deixou o emprego na lavanderia e foi trabalhar na tradicional revista El Gráfico como arquivista de material e fazendo serviços gerais de ajudante. Ali, ele conheceu Tito Sánchez, que o levou para um teste justamente no maior rival do Boca, o River Plate. Por lá, foi aprovado e levado ao time principal com o aval de Bernabé Ferreyra, lenda do River naqueles anos 1930. Naquela época, o jovem também se arriscou no boxe, modalidade que lhe ajudou a ter ainda mais fibra e vontade de vencer.

Em poucos anos, Moreno foi de ajudante no El Gráfico à capa no El Gráfico!

 

Rápido, habilidoso, com uma impulsão fora do comum para os padrões da época e dono de um físico privilegiado, Moreno rapidamente ganhou espaço entre os titulares do River, e, em 1934, aos 18 anos, começou a jogar pelos millonarios. Sempre de bem com a vida e debochado, virou uma figura ilustre do clube e ganhou a simpatia de todos os companheiros quase que instantaneamente. Seus primeiros jogos foram curiosamente no Brasil, em uma gira internacional que o River fez pelo país vizinho em 1934. Primeiro, contra o Botafogo, ajudou o River a vencer por 2 a 1. Depois, contra o Vasco, disse antes do jogo: “Fiquem tranquilos, companheiros, faremos cinco (gols). Olha o jogador que terá que me marcar. Ele é muito feio! Vou dar show!”. E o River venceu por 5 a 1, com um gol de Moreno.

Pedernera e Moreno, lendas do futebol argentino.

 

Um ano depois, em 17 de março de 1935, Moreno estreou pelo River na primeira divisão do Campeonato Argentino e marcou um gol na vitória por 2 a 1 sobre a Platense. Já em 1936, formou uma linha de frente irresistível ao lado de Adolfo Pedernera, Carlos Peucelle, Renato Cesarini e Bernabé Ferreyra, craques que fizeram do River campeão argentino naquele ano. Moreno marcou 24 gols em 34 jogos, um prenúncio do artilheiro que era e do talento do craque. Jogando pelo lado esquerdo, Moreno não só anotava gols como também participava de jogadas ofensivas e criava lances de gols para os companheiros. Mas era nas jogadas aéreas que o atacante se destacava ainda mais, sempre subindo mais do que todos e alcançando a bola de maneira inapelável.

Ainda em 1936, Moreno e seu River faturaram a Copa Aldao – torneio disputado entre os campeões argentino e uruguaio, em partida única – e o craque disputou seu primeiro jogo pela seleção argentina, na vitória por 1 a 0 sobre o Uruguai em 09 de agosto, em Avellaneda, pela Copa Juan Mignaburu. O primeiro gol de Moreno pela albiceleste veio já em 1937, nos 3 a 0 sobre o Uruguai pela Copa Newton. Em 1937, o atacante faturou o bicampeonato argentino com números impressionantes: 32 gols em 31 jogos, sendo vice-artilheiro da competição e atrás apenas de outra lenda: Arsenio Erico, autor de “singelos” 47 gols pelo Independiente – o paraguaio é até hoje o maior artilheiro da história do Campeonato Argentino. O River faturou outra Copa Aldao em 1937 e Moreno fechou a goleada de 5 a 2 sobre o Peñarol no Estádio El Gasómetro tomado por 75 mil pessoas.

 

Tangos e os shows da Máquina

La Máquina em campo: Muñoz, Moreno, Pedernera, Labruna e Loustau. Uma das fotos mais marcantes do futebol mundial.

 

“O tango é o melhor treinamento. Leva o ritmo, muda em uma corrida, manejas os perfis, faz trabalho de cintura e de pernas”. Essa era a definição de Moreno quando o questionavam sobre sua paixão pelo tango e pela noite de Buenos Aires. Naquele final de anos 1930 e início de anos 1940, já era conhecida a fama do jogador para além das quatro linhas. Boêmio, adorava prosear e dançar nas casas de tango e bares da cidade e encantava as mulheres com seu jeito galanteador, o cabelo sempre bem cuidado e a pinta de artista. Claro que essa vida começou a preocupar a diretoria do River Plate, mas se tinha uma coisa que ninguém podia questionar era o profissionalismo de Moreno. Por mais que ele adorasse a noite e as biritas, ele sempre correspondia em campo. E era um privilegiado por seu físico e técnica estarem sempre em alta e tinindo mesmo após noites em claro e uns goles a mais.

Em 1939, por exemplo, a diretoria do River tentou dar uma correção no craque proibindo-o de beber dias antes de um jogo contra o Independiente – ele costumava devorar ensopados de galinha e beber meia garrafa de vinho antes de um jogo importante! Moreno cumpriu o combinado, dormiu cedo e só bebeu leite. Resultado? O jogador não se aguentou em pé após os primeiros 15 minutos de jogo e fez a pior partida da carreira… O Independiente venceu por 1 a 0 e Moreno levou uma punição da Comissão Diretiva do River por “falta de empenho”. Os jogadores do clube se solidarizaram com o craque e fizeram greve, obrigando o River a jogar vários jogos com o time reserva até os cartolas cessarem o fogo. Moreno pôde voltar às suas noites e tudo se normalizou.

Esboço do WM do River: movimentação constante do ataque e troca de passes precisa deixava as zagas rivais totalmente malucas.

 

Naquele mesmo ano de 1939, antes de um jogo contra o Brasil pela Copa Roca, no estádio de São Januário, o argentino pegou a bola na lateral do gramado, iniciou uma série de embaixadinhas e deu um chutão para o alto. Antes de a redonda cair no gramado, a dominou com o peito do pé sem perder o controle e foi aplaudido pelos brasileiros, estupefatos com o talento do craque argentino. Quando a bola rolou, a Argentina venceu por 5 a 1 e Moreno fez dois gols em uma das mais elásticas derrotas da seleção brasileira em casa na história – isso até vir o 7 a 1…

La Máquina em 1943 – Em pé: Ricardo Vaghi, José Ramos, Luis Ferreyra, Bruno Rodolfi, Armando Díaz e Julio Barrios. Agachados: Juan Carlos Muñoz, José Manuel Moreno, Adolfo Pedernera, Ángel Labruna e Félix Loustau.

 

Mas foi em 1941 que Moreno começou a aumentar ainda mais sua fama e lenda. O River Plate iniciou naquela temporada os shows de seu esquadrão conhecido como La Máquina, para muitos o maior time da história do futebol argentino. Moreno marcou 14 gols na campanha de mais um título nacional do clube millonario e integrou um elenco fantástico, com nomes como Muñoz, Labruna, Loustau e Pedernera. Em um clássico contra o Boca Juniors, Moreno ainda marcou um gol na maior goleada do River sobre o rival na era do profissionalismo: 5 a 1 – os outros gols foram de Labruna, Deambrosi (2) e Pedernera. Pela seleção, o craque venceu sua primeira Copa América marcando três gols na campanha vitoriosa da brilhante equipe albiceleste, que teve naquela década sua melhor safra de craques em toda a história

A Argentina de 1941. Em pé: Guillermo Stábile (técnico), Salomón, Gualco, Minella, Colombo, Alberti e Sbarra. Agachados: Pedernera, Sastre, Marvezzi, José Manuel Moreno e Enrique García.

 

Em 1942, Moreno venceu o bicampeonato argentino, voltou a marcar em outra goleada sobre o Boca (4 a 0) e entrou para a história da Copa América ao anotar cinco gols (um deles foi ainda o de número 500 do torneio!) em um só jogo na goleada de 12 a 0 sobre o Equador, a maior da história da competição e façanha que ajudou o craque a se tornar o artilheiro daquela edição do torneio continental com sete gols, ao lado do compatriota Herminio Masantonio. O Uruguai acabou campeão.

Após um ano de 1943 sem títulos no Campeonato Argentino, River e Moreno começaram novos atritos por causa da vida boêmia do craque, além de surgirem problemas quanto à negociação de seu contrato. Com isso, em 1944, o craque acertou sua ida ao futebol mexicano para jogar no Real Club España e fazer dupla de ataque com Isidro Lángara, lendário e prolífico atacante espanhol. E não demoraria muito para o craque escrever novas histórias.

 

Campeão no México e volta triunfal à Argentina

Rodolfi, do Puebla, e Moreno, no Real Club España.

 

Entre 1944 e 1946, Moreno fez inúmeros fãs em terras mexicanas. Jogando mais recuado, ele não era o atacante devastador de início de carreira, mas sim um grande armador de jogadas e que conseguia burlar defesas adversárias. Foi assim que, já em 1945, o argentino venceu o Campeonato Mexicano e contribuiu para muitos dos 38 gols de Isidro Lángara, artilheiro do time no torneio. Moreno anotou 9 gols, incluindo dois em uma goleada de 5 a 2 sobre o Guadalajara, na 14ª rodada. Como não poderia deixar de ser, o craque aproveitou as noites mexicanas, e, certa vez, discutiu com um homem em um cabaré por causa de uma mulher. Detalhe: o homem era Luis Villanueva, o Kid Azteca, boxeador profissional! Felizmente a briga não teve grandes consequências, mas “Moreno não arredou o pé e manteve-se na ofensiva”, como bem disse Sergio Livingstone, jogador que atuou com Moreno no futebol chileno e que ouviu do argentino a anedota, em entrevista ao “La Tercera”. Foi por causa do temperamento e de sua vida fora dos gramados que Moreno recebeu no México o apelido que o seguiria por toda a carreira: El Charro, “o caubói”.

Em 1946, o River acertou a volta do craque para retomar a coroa na Argentina e a primeira partida do craque em seu retorno foi apoteótica. Jogando no campo do Ferro Carril Oeste um duelo contra o Atlanta, parte do alambrado do estádio desmoronou de tanta gente que estava no local! Após meia hora de interrupção, a partida pôde começar e o River venceu por 5 a 1 com três gols do atacante, uma reestreia mais do que perfeita!

Moreno e Di Stéfano.

 

Com ele de volta e um jovem prodígio chamado Alfredo Di Stéfano, o River voltou a encantar e venceu o Campeonato Argentino de 1947 com 10 gols de Moreno em 28 partidas. Aquele ano foi marcante não só por uma nova glória com a camisa do River – o 5º título nacional dele pelos millonarios -, mas por outros feitos que aumentaram ainda mais a leyenda de Moreno no futebol argentino. Em uma partida contra o Estudiantes na casa do alvirrubro de La Plata, Moreno encarou os enfurecidos torcedores rivais que invadiram o gramado para tentar agredir o árbitro do jogo e enfrentou os hinchas para proteger o homem do apito e dar-lhe tempo para escapar dali. Em outro jogo, contra o Tigre, Moreno levou uma pedrada na cabeça que lhe fez um grande corte. Essa história é melhor contada por Alfredo Di Stéfano:

 

“Ao lado de um monstro como Moreno, aprendi a importância do amor próprio. Uma vez, no campo do Tigre, lhe racharam a cabeça com uma pedrada. Quando lhe insinuei que se fizesse atender, me afastou […] ‘Cale-se’, me gritou. ‘Quando um jogador cai é porque está morto, me entendeu bem?’ E seguiu como se nada tivesse acontecido.”, disse Di Stéfano em matéria reproduzida pelo ótimo site Futebol Portenho.

 

A festa pelo título argentino de 1947 foi do jeito que Moreno mais gostava: muita música e festa no cabaré El Marabú! Na frente: Ricardo Vaghi, Luis Antonio Ferreyra, José Manuel Moreno, José Ramos e Héctor Grisetti. Fila de trás: Yácono, Di Stéfano, Labruna, Hugo Reyes e Félix Loustau.

 

Mario Boyé, “Tucho” Méndez, Alfredo Di Stéfano, José Manuel Moreno e Félix Loustau, o “pequeno” ataque argentino em 1947. Pobres rivais…

 

O ano de 1947 foi de fato marcante na carreira de Moreno. Além de todas essas façanhas pelo River e do exemplo de seu caráter, o craque foi eleito o melhor jogador da Copa América conquistada pela Argentina, a terceira seguida da albiceleste, algo jamais repetido por outra seleção desde então. Foi ainda a única oportunidade em que Di Stéfano e Moreno jogaram juntos pela Argentina. La Saeta Rubia marcou seis gols e Moreno anotou três.

 

Campeão cosmopolita e aposentadoria

Em jogada aérea pela Universidad Católica: Moreno foi um dos maiores cabeceadores da história do futebol.

 

Em 1948, com a greve de jogadores que acometeu em cheio o futebol argentino, Moreno deixou o River, a Máquina foi desfeita e o craque partiu para a Universidad Católica-CHI com status de estrela e um dos maiores jogadores do mundo. Com 33 anos, El Charro provou seu talento, marcou oito gols e ajudou a Católica a vencer seu primeiro Campeonato Chileno, em 1949. Já no ano seguinte, o craque realizou o antigo sonho de vestir a camisa do Boca Juniors e ajudou os xeneizes a se recuperarem de uma má campanha no início do campeonato para terminar na segunda colocação. Foram sete gols em 23 jogos que ajudaram o veterano atacante a disputar mais dois jogos pela seleção, que acabou não disputando a Copa do Mundo de 1950.

Sergio Livingstone e José Manuel Moreno, lendas na Universidad Católica de 1949. Foto: Coleção da Biblioteca Nacional do Chile.

 

Nos anos seguintes, Moreno retornou brevemente ao futebol chileno, jogou no Defensor-URU, no Ferro Carril Oeste-ARG e rumou ao futebol colombiano para atuar pelo Independiente Medellín. E, em 1955 e 1957, o argentino venceu mais dois campeonatos nacionais e entrou para a história como o segundo atleta a ser campeão em quatro ligas nacionais diferentes: Argentina, México, Chile e Colômbia. Nesse último título de 1957, ele foi inclusive técnico do Medellín no início da campanha e virou jogador na reta final, ajudando de maneira considerável a equipe a levantar a taça com seus passes, sua classe e experiência. Naquele ano, Moreno decidiu pendurar as chuteiras para se arriscar como técnico, mas não obteve sucesso. Foi até técnico da seleção da Argentina no final de 1959 e calçou as chuteiras mais uma vez para disputar algumas partidas no começo dos anos 1960 até se aposentar de vez em 1961, aos 44 anos.

Em 1950, Moreno realizou o sonho de infância e vestiu a camisa do Boca.

 

De cabelos grisalhos, Moreno (à esq.) em amistoso contra o Boca, no final dos anos 1950.

 

Moreno teve mais alguns trabalhos como técnico, mas sem o êxito de sua trajetória como jogador. Em 1978, vivendo em Merlo, província de Buenos Aires, e dirigindo o Deportivo Merlo, na terceira divisão, o craque faleceu aos 62 anos, vítima de uma doença no fígado, consequência da vida boêmia que levou. O craque foi velado na sede do River Plate, como pedira em vida. O Deportivo Merlo também decidiu homenagear o craque e batizou seu estádio como Estádio José Manuel Moreno, além de o clube passar a ser conhecido como “Los Charros”.

Veterano e sempre com sorriso no rosto, Moreno foi ídolo no Medellín.

 

Com números até hoje inigualáveis e grandes façanhas, além de uma longevidade impressionante, José Manuel Moreno é uma lenda absoluta da Argentina e do futebol mundial. Seus gols, lances e histórias permanecem vivos e são referências para todo e qualquer amante do futebol. Foi provavelmente um dos primeiros “jogadores totais”, capaz de atuar em todo o ataque, construindo e finalizando jogadas. Carismático, técnico, tático, foi várias facetas em um só personagem, uma só lenda. Um craque imortal.

 

Números de destaque:

 

Disputou 323 jogos e marcou 180 gols pelo River Plate. É o 4º Maior Artilheiro da história do clube.

Disputou 34 jogos e marcou 19 gols pela Seleção Argentina.

 

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