Esquadrão Imortal – Liverpool 2017-2020

O time da final da UCL de 2019. Em pé: Alisson, Firmino, Matip, Fabinho, Van Dijk e Salah. Agachados: Wijnaldum, Alexander-Arnold, Henderson, Robertson e Mané.

 

Grandes feitos: Campeão do Mundial de Clubes da FIFA (2019), Campeão da Liga dos Campeões da UEFA (2018-2019), Campeão do Campeonato Inglês (2019-2020) e Campeão da Supercopa da UEFA (2019). Conquistou o primeiro título mundial da história do clube e encerrou um jejum de 30 anos sem títulos no Campeonato Inglês.

Time-base: Alisson (Karius / Adrián); Alexander-Arnold (Nathaniel Clyne), Matip (Joe Gomez / Lovren), Van Dijk e Robertson; Fabinho (Naby Keïta / Milner), Henderson e Wijnaldum (Chamberlain / Lallana / Emre Can); Salah, Firmino (Origi / Sturridge) e Mané (Philippe Coutinho / Shaqiri). Técnico: Jürgen Klopp.

 

“Rock, Emotion and Football”

 

Por Guilherme Diniz

Os ecos do Milagre ainda ecoavam no lado vermelho de Merseyside. Quando batia a saudade, o torcedor do Liverpool buscava os vídeos da façanha de Istambul para rememorar o gol de Gerrard e seus braços para o alto. O tento de Smicer. O empate de Xabi Alonso. As defesas de Dudek. E a glória europeia de 2005. Mas a saudade maior era mesmo da coroa na Inglaterra. As imagens? Chuviscadas. Esparsas. Tempos de Kenny Dalglish no banco. John Aldridge e Ian Rush no comando dos gols. John Barnes e seus dribles. A temporada? 1989-1990. Foram seis troféus naquela mágica década de 1980. Só que os Reds pararam no tempo. Uma. duas. Três décadas sem uma só taça. O campeonato até mudou de nome, de First Division para Premier League. Para piorar, o maior rival, o Manchester United, não só alcançou o dito “inalcançável” 18 troféus do Liverpool na elite inglesa como ultrapassou o clube com 20 taças, sendo 13 naquela nova era. Chances não faltaram. A maior delas na temporada 2013-2014, que escapou após um amargo duelo contra o Chelsea e a falha do capitão Gerrard. Em 2015, exatos dez anos do Milagre, um novo técnico desembarcou em Anfield para tentar mudar aquele estigma. Na primeira temporada, um jogo épico na Liga Europa, mas derrota na final. Vem mais uma temporada e outra derrota em uma final, dessa vez na Liga dos Campeões da UEFA. Será que era penitência por causa do Sobrenatural de Istambul? Nada disso. Na temporada 2018-2019, a desforra. Novos épicos. E a conquista da Europa de maneira inesquecível. No final de 2019, veio também o primeiro título mundial, a taça que faltava no The Champions Wall. E, na temporada 2019-2020, a coroa inglesa foi reconquistada de maneira inquestionável, irrepreensível, única. Um time demolidor. Competitivo ao extremo. Puramente rock. Explícitamente emotional. Que praticou o tão conhecido football vencedor do Liverpool FC. É hora de relembrar as façanhas do já lendário time de Alisson, Alexander-Arnold, Van Dijk, Henderson, Salah, Firmino, Mané e Jürgen Klopp.

 

Hora do “Fußball”

Klopp (centro) em sua apresentação.

 

A história do Liverpool ganhou um novo capítulo em outubro de 2015, quando o clube foi buscar o novo técnico para iniciar um intenso processo de renovação. Brendan Rodgers deu lugar a Jürgen Klopp, que vinha de um trabalho fantástico no Borussia Dortmund-ALE, equipe que colecionou títulos na Alemanha e foi uma das poucas entre 2010 e 2014 que conseguiu bater de frente com o poderoso Bayern München. Os aurinegros alcançaram, inclusive, a final da Liga dos Campeões contra os próprios bávaros, mas acabaram com o vice. Klopp chegou em 08 de outubro de 2015 com o natural carisma que tanto marcou sua estadia em Dortmund e disse logo em sua primeira coletiva que queria levar o “futebol emocional ao Liverpool, pois aquilo era importante em Anfield”. A torcida rapidamente se identificou com o treinador e ele com ela, principalmente pelo jeito energético de ser dentro de campo e por propor um futebol intenso e ofensivo, características presentes em grandes times do Liverpool em sua história.

Entre os desafios, ele tinha pela frente o Campeonato Inglês, o returno da fase de grupos da Liga Europa de 2015-2016 e a missão de apagar as frustrações recentes do clube. Embora tenham vencido a Copa da Liga Inglesa de 2011-2012, os Reds estavam há um certo tempo sem vencer a Liga dos Campeões da UEFA (desde 2005) e muito mais o Campeonato Inglês (desde 1990). Para piorar, a equipe desperdiçou uma enorme chance de celebrar a Premier League na temporada 2013-2014 com um time devastador que marcou 101 gols, fez o artilheiro da competição – Luis Suárez, com 31 gols -, e ainda o vice-artilheiro – Sturridge, com 21. Mesmo assim, o amargo vice simbolizou, um ano depois, a saída do capitão Steven Gerrard. Além dele, Suárez também deixou o Liverpool para jogar no Barcelona e formar o lendário trio MSN.

Sem Gerrard, Liverpool buscava um recomeço em 2015.

 

Com um elenco jovem em mãos – incluindo na época os brasileiros Coutinho e Firmino, que curiosamente já se destacavam na Europa mesmo sem terem disputado o Brasileirão em suas carreiras (ambos jogaram apenas a Série B) -, Klopp rapidamente deu sua cara ao time, que carimbou a vaga para o mata-mata da Liga Europa e seguiu com uma boa campanha, também, na Copa da Liga Inglesa, na qual os Reds foram finalistas, mas perderam nos pênaltis para o Manchester City na decisão em Wembley.

No Campeonato Inglês, a trajetória ficou comprometida por conta do início ruim, mas nada impediu de o time protagonizar duelos emocionantes, como o empate em 3 a 3 com o Arsenal, em Anfield, no dia 13 de janeiro de 2016, ou a vitória por 5 a 4 sobre o Norwich City, fora de casa, com gol de Lallana aos 50’ do segundo tempo – e dois minutos após o rival empatar! Na Liga Europa, os Reds eliminaram o Augsburg-ALE, e, nas oitavas, tiveram o doce sabor de despachar o rival Manchester United após vitória por 2 a 0, em casa (gols de Sturridge e Firmino), e empate em 1 a 1 fora (com um belo gol de Coutinho). Embalado, o Liverpool via na competição a chance ideal para encerrar um período sem grandes títulos e voltar a celebrar um torneio importante. No entanto, o adversário das quartas de final seria bem indigesto – e conhecido de Klopp: o Borussia Dortmund.

Camiseta de união entre as torcidas de Borussia e Liverpool com a imagem de Klopp. Foto: Getty Images.

 

Logo aos 3′, Origi marcou para o Liverpool contra o Borussia.

 

No primeiro jogo, fora de casa, o empate em 1 a 1 deixou o confronto totalmente aberto para Anfield Road. E, na casa inglesa, Klopp deu mais uma mostra de que os jogos ali seriam, de fato, emotionals. Com uma virada eletrizante e um gol no finalzinho do jogo, o Liverpool venceu por 4 a 3 e carimbou a vaga na semifinal. Foi um jogo histórico, que ganhou um capítulo especial aqui no Imortais. Leia clicando aqui!

Lovren salta para marcar o gol histórico (Foto: AP).

 

Klopp vibra durante o duelo contra os alemães.

 

Após vencer o Villarreal-ESP nas semis, o Liverpool encarou o Sevilla-ESP na decisão da Liga Europa. Embora tenha saído na frente do placar no primeiro tempo, a equipe teve uma etapa complementar desastrosa e acabou sucumbindo diante dos maiores bicho-papões do torneio, que venceram por 3 a 1 e faturaram o inédito e histórico tricampeonato consecutivo da competição, algo que não acontecia em uma competição da UEFA desde 1976. O vice foi dolorido, mas mostrou que Klopp poderia fazer muito mais na próxima temporada com alguns ajustes e, claro, reforços, principalmente no setor defensivo e no ataque.

Na temporada 2016-2017, o clube se desfez de 16 jogadores e encerrou o empréstimo de outros 14 atletas, uma “faxina” geral no elenco, que ficou com 29 jogadores após a vinda de seis reforços: o defensor camaronês Joël Matip, o goleiro alemão Loris Karius, o atacante senegalês Sadio Mané, o volante holandês Georginio Wijnaldum e ainda o defensor estoniano Ragnar Klavan e o goleiro austríaco Alex Manninger. Klopp fez vários testes no time, promoveu o jovem Alexander-Arnold ao time principal e viu sua equipe fazer uma boa pré-temporada – com direito a vitórias sobre Milan (2 a 0) e Barcelona (4 a 0) pela International Champions Cup. No entanto, o Liverpool não conseguiu vencer nenhum torneio. Ausente das competições europeias, a equipe só teve compromissos nacionais para disputar. No Campeonato Inglês, o bom começo e a liderança breve na 11ª rodada acabaram ofuscados pelo Chelsea, campeão daquela temporada. O Liverpool ficou na 4ª colocação com 76 pontos, 22 vitórias, 10 empates e seis derrotas, aproveitamento de pouco mais de 66%. Em casa, foram 12 vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas. Na Copa da Inglaterra, eliminação já na 4ª rodada, e, na Copa da Liga Inglesa, queda na semifinal diante do Southampton, que tinha na zaga um tal de Virgil van Dijk, zagueiro holandês que colocou os atacantes dos Reds “no bolso” no primeiro jogo e foi fundamental para a vitória de seu time pelo placar de 1 a 0.

Van Dijk, pelo Southampton: zagueiro seria contratado pelos Reds como reforço para 2018. Foto: Getty Images.

 

Klopp prestou bastante atenção naquela semifinal e guardou o nome de Van Dijk para um futuro não tão distante. Um jogador como aquele seria fundamental para melhorar o sistema defensivo do time, ainda frágil na época e pouco eficaz. O ataque também precisava de novos nomes, bem como o meio de campo. Mas a espera iria terminar com duas tacadas certeiras para a temporada 2017-2018.

 

Construindo o esquadrão

Salah…

 

… E Van Dijk, alguns dos reforços certeiros do Liverpool para a retomada das glórias.

 

Após sua primeira temporada completa no Liverpool, Jürgen Klopp já tinha a dimensão exata do que o clube precisava e quais ajustes eram necessários para brigar por títulos. Estes só seriam plenos com (bons) reforços. E eles vieram. Para o ataque, a diretoria acertou a contratação do egípcio Mohamed Salah, ex-Roma-ITA, por quase 44 milhões de libras. Para a lateral-esquerda, o escocês Andrew Robertson, por 10 milhões. E para o meio de campo, o inglês Alex Oxlade-Chamberlain, ex-Arsenal, por 40 milhões. Mas o principal reforço foi o zagueiro Virgil van Dijk, em acordo fechado no mês de dezembro de 2017 pela bagatela de 75 milhões de libras, maior transação envolvendo um defensor na época, superando os 52 milhões de libras que o Manchester City pagou ao Monaco por Benjamin Mendy em julho de 2017 – Van Dijk só iria estrear em janeiro de 2018 pelo Liverpool.

Embora tenha gastado bastante, o Liverpool conseguiu boas transações com alguns jogadores que não iriam mais ser aproveitados por Klopp. A principal negociação foi do meia brasileiro Philippe Coutinho, insatisfeito em Anfield e vendido ao Barcelona-ESP por 142 milhões de libras. Os outros negociados que geraram boas quantias foram Mamadou Sakho (vendido ao Crystal Palace-ING por 26 milhões), Lucas Leiva (vendido à Lazio-ITA por 5 milhões), Kevin Stewart (vendido ao Hull City-ING por 8 milhões) e Andre Wisdom (vendido ao Derby County-ING por 4,5 milhões), totalizando 185,5 milhões de entrada, mais do que os 168,9 milhões gastos com contratações. A equipe ainda emprestou alguns jogadores, entre eles Divock Origi, ao Wolfsburg-ALE, por 6 milhões de libras.

De agosto até dezembro, o Liverpool teve como principais competições no radar o Campeonato Inglês e a Liga dos Campeões da UEFA – o time foi eliminado logo no primeiro compromisso da Copa da Liga Inglesa. No Inglês, o início não foi lá muito bom por conta da goleada sofrida diante do Manchester City por inapeláveis 5 a 0 no Etihad Stadium, na 4ª rodada, jogo que teve Mané expulso logo aos 37’ do primeiro tempo e o ataque dos Citizens bastante inspirado. A equipe não demonstrou muita regularidade e figurou da 4ª até a 9ª rodada bem longe do pelotão da frente. Só na 23ª rodada que a equipe alcançou a 3ª colocação na tabela, mas o título de fato era uma utopia, pois o Manchester City assumiu a ponta na 5ª rodada e não largou mais – eles foram campeões com 100 pontos, 25 a mais do que o Liverpool, que terminou na 4ª colocação.

Klopp e Guardiola, do City: dupla iria travar intensos duelos tanto na Premier League quanto na Liga dos Campeões.

 

Mesmo longe do título nacional, o Liverpool protagonizou grandes partidas no torneio, ficou 14 partidas sem perder entre a 10ª e 23ª rodadas e viu surgir um novo trio de ataque: Salah, Firmino e Mané. O técnico Klopp passou a escalar tais atacantes e viu o potencial ofensivo do time melhorar de maneira excepcional, principalmente com o talento de Salah. O egípcio virou o “faraó” da torcida e encantou a todos com um futebol primoroso, técnico, vistoso e cheio de garra, do jeito que Klopp gostava. Salah atuava mais aberto ou também pelo meio do ataque, criava jogadas, recebia passes precisos de Firmino ou Mané e marcava gols, muitos gols. Klopp fazia questão de deixar o egípcio bem próximo do gol nos treinamentos, diferente da posição do atacante na Roma. A confiança do técnico alemão no jogador também ajudou bastante naquela meteórica ascensão de Salah, que não hesitava em destacar o trabalho de Klopp no dia-a-dia.

 

“Eu sempre estou tentando ver minhas fraquezas e então trabalho nisso para marcar gols de diferentes formas. […] O técnico me ajuda muito a fazer isso e eu também trabalho duro sozinho depois dos treinamentos. […] Com o chefe aqui, eu jogo um pouco mais próximo do gol, mais do que qualquer outro clube e mais do que com qualquer outro técnico já me pediu”. Salah, em entrevista ao Liverpool Echo e reproduzida na Trivela, parceira do Imortais.

 

Mo Salah deu show na temporada 2017-2018. Foto: Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images.

 

O resultado disso foi a artilharia do camisa 11 na Premier League com 32 gols, recorde em uma só edição na era com 38 rodadas. Foram várias sequências memoráveis do egípcio, como os sete gols em quatro jogos entre as 11ª e 14ª rodadas, o gol na vitória energética por 4 a 3 sobre o Manchester City em Anfield, na 23ª rodada, mais seis gols em cinco jogos entre as 25ª e 29ª rodadas, e quatro gols nos 5 a 0 sobre o Watford, na 31ª rodada. Mas não foi apenas na Premier League que Salah e companhia brilharam. Teve muita bola na rede na Liga dos Campeões da UEFA…

 

Goals and goals!

Salah faz festa. Foto: Getty Images.

 

A trajetória europeia do Liverpool começou ainda na fase preliminar, em agosto de 2017, com duas vitórias sobre o 1899 Hoffenheim-ALE, por 2 a 1 (gols de Alexander-Arnold e Nordtveit, contra), fora de casa, e 4 a 2 em casa (dois gols de Emre Can, um de Salah e outro de Firmino). Classificado para a fase de grupos, os Reds não deram chances aos rivais e carimbaram a vaga para o mata-mata com autoridade. E muitos gols. No turno, empate em casa por 2 a 2 com o Sevilla-ESP (gols de Firmino e Salah), igualdade em 1 a 1 com o Spartak Moscou-RUS, fora (gol de Coutinho), e goleada de 7 a 0 sobre o Maribor-ESL, fora de casa, com dois gols de Firmino, dois de Salah, um de Coutinho, um de Oxlade-Chamberlain e um de Alexander-Arnold. No returno, 3 a 0 no Maribor, em casa (gols de Salah, Sturridge e Can), empate em 3 a 3 com o Sevilla fora de casa (dois gols de Firmino e um de Mané) e goleada de 7 a 0 sobre o Spartak em Anfield, com três gols de Coutinho, dois de Mané, um de Firmino e um de Salah.

Salah e Mané: dupla afiada no ataque do Liverpool.

 

O ataque do time inglês anotou impressionantes 23 gols em apenas seis jogos – média de quase quatro gols por jogo e segundo melhor ataque da fase de grupos, atrás apenas do PSG-FRA, que marcou 25 gols. O Liverpool ficou com a primeira posição do grupo com 12 pontos (três vitórias e três empates), três pontos a mais do que o Sevilla, segundo colocado. Enfim, os Reds estavam de volta a um mata-mata de Liga dos Campeões após nove anos de espera. E a oportunidade não seria desperdiçada pelos comandados de Klopp, que teriam foco total no torneio após a queda na 4ª fase da Copa da Inglaterra diante do West Bromwich Albion. Antes, porém, eles eliminaram o rival Everton na mesma Copa da Inglaterra por 2 a 1, com o gol da vitória anotado por Van Dijk, que estreou exatamente naquele jogo e já deixou sua marca – um ótimo prenúncio!

Van Dijk estreou com gol pra cima do rival Everton!

 

Nas oitavas de final da UCL, já em fevereiro de 2018, os Reds foram até o Estádio do Dragão encarar o Porto-POR e aplicaram uma goleada histórica: 5 a 0, com três gols de Mané, um de Salah (este um golaço) e um de Firmino, jogo que foi a essência do que era aquele time: intensidade ofensiva, variações de jogadas e ainda um bom desempenho defensivo com Van Dijk e Lovren no miolo de zaga e uma atuação magistral de Milner no meio de campo. Na volta, em casa, o Liverpool apenas empatou sem gols e confirmou o que todo mundo sabia: a vaga nas quartas.

O desafio seguinte seria imenso: o Manchester City-ING do técnico Guardiola, absoluto no Campeonato Inglês, mas que havia perdido sua invencibilidade no torneio nacional exatamente para o Liverpool de Klopp três meses antes, no alucinante 4 a 3 em Anfield. Com a zaga mais ajustada, o meio de campo cada vez mais “pegador” e o ataque devastador, Klopp sabia que seu time poderia encarar de igual para igual os temidos Citizens. E, no primeiro duelo, em Anfield, seria necessária uma boa margem de gols para a volta, fora de casa. Com quase 54 mil pessoas pulsando na lendária casa dos Reds, Salah, Oxlade-Chamberlain e Mané fizeram os gols da vitória por 3 a 0 do Liverpool, construída em menos de 20 minutos ainda no primeiro tempo.

 

Veja os gols:

A partida dos comandados de Klopp foi mais uma vez soberba. Intensidade, pressão na saída de bola, domínio pleno do ataque e uma atmosfera única criada pelos fãs em Anfield, cada vez mais o palco pleno de grandes noites na Liga dos Campeões da UEFA. Para a volta, o técnico Klopp ressaltou que mesmo que as “noites europeias fossem especiais ao Liverpool”, o peso da camisa não iria interferir no duelo contra o City. “Não somos mais experientes que os jogadores do City na Liga dos Campeões. Alguns dos nossos rapazes jogaram a final da Liga Europa (em 2015-2016), mas quando você perde, não é uma experiência que aproveita tanto. Tentamos fazer nossa parte para ganhar. É um grande teste para ambos os times”, disse Klopp em coletiva às vésperas da partida. Com a bola rolando em Manchester, Gabriel Jesus até abriu o placar logo aos 2’ para o City, mas Firmino e Salah viraram no segundo tempo e classificaram o Liverpool para mais uma semifinal de UCL em sua história. Faltava apenas um desafio antes da final: a Roma-ITA.

 

Classificação faraônica!

Salah deu show contra a Roma…

 

Assim como nas quartas, o Liverpool tinha que construir o placar em casa no primeiro duelo semifinal. O adversário, a Roma, era um velho conhecido dos Reds, afinal, a dupla se enfrentou na decisão da Liga dos Campeões de 1984, com vitória do Liverpool nos pênaltis em pleno estádio Olímpico. Mas quem esperava um duelo parelho viu um jogo alucinante e frenético, totalmente heavy metal, com a cara de Jürgen Klopp. No primeiro tempo, Salah anotou o primeiro, aos 35’, em chute indefensável para o então goleiro da Loba, o brasileiro Alisson. Minutos depois, Firmino e Salah construíram um contra-ataque rápido que terminou com belo gol do egípcio, que não comemorou em respeito ao seu ex-clube. Com 11 finalizações, o Liverpool só não goleava por detalhes. Mas foi por pouco tempo. Aos 11’ da segunda etapa, Salah tocou e Mané fez 3 a 0. Cinco minutos depois, outra vez Salah serviu um companheiro, dessa vez Firmino, que aumentou a contagem para 4 a 0. Mais oito minutos se passaram e Milner cobrou escanteio que Firmino aproveitou, e, de cabeça, fez o quinto: 5 a 0.

… E não comemorou seus gols em respeito ao seu ex-clube. Foto: Getty Images.

 

Anfield fervia e o Liverpool agredia. Queria mais e mais. A Roma, combalida, parecia perto de uma nova goleada astronômica diante de um time inglês – como os 7 a 1 que levou do Manchester United, em 2007. O alento veio no final do jogo, quando Dzeko e Perotti, de pênalti, fizeram os gols que diminuíram o prejuízo romano e deram um pouco de sobrevida para a partida de volta. O problema era a Roma ir com tudo pra cima dos ingleses e não levar um mísero gol de um ataque com Salah, Firmino e Mané, simplesmente avassaladores naquela Liga dos Campeões. A baixa para o técnico Klopp foi o meio-campista Oxlade-Chamberlain, que sofreu uma grave lesão aos 18’ da primeira etapa que não só tirou o jogador do restante da temporada como da convocação da Inglaterra para a Copa do Mundo da Rússia de 2018.

No estádio Olímpico, Klopp não inventou e manteve praticamente o mesmo time, sem recuos ou retrancas. Seu time já tinha um padrão de jogo, um estilo voraz de jogar, não tinha motivo para defensivismo ou “empatite” aguda. A alteração principal foi a entrada de Wijnaldum no lugar do lesionado Oxlade-Chamberlain. E, logo aos 9’, Firmino aproveitou uma bobeada de Nainggolan, avançou e tocou para Mané fazer 1 a 0. Aos 15’, a Roma conseguiu o empate em lance pitoresco, quando Lovren tentou tirar a bola da área na base do chutão, ela explodiu no rosto de Milner e entrou para o gol. Mas os Reds não se abateram, e, em novo lance cheio de erros, Wijnaldum aproveitou as falhas dos romanos na área após cobrança de escanteio para fazer 2 a 1. Estava 7 a 3 para o Liverpool no agregado. Ele só perderia a vaga na final se a Roma repetisse o exato placar de Anfield. Aos 7’ do segundo tempo, Dzeko empatou. Faltando quatro minutos para o fim, Nainggolan virou. Nos acréscimos, aos 49’, o mesmo Nainggolan, de pênalti, fez 4 a 2. Chance de épico? De jeito nenhum. O tempo havia se esgotado. O belga nem comemorou o gol. Segundos depois, o árbitro encerrou o jogo e o Liverpool garantiu sua vaga na final da Liga dos Campeões após 11 anos. Com um 7 a 6 no agregado, os ingleses chegavam com o melhor ataque do torneio – 40 gols em 12 jogos (3,33 gols por jogo), excluindo os seis gols da fase preliminar. Só o trio Salah, Firmino e Mané tinha 29 gols! Era um estrondo!

O trio Firmino, Salah e Mané. Foto: Michael Regan – UEFA/UEFA via Getty Images.

 

Dias depois, a equipe ficou ainda mais tranquila quando a goleada de 4 a 0 sobre o Brighton & Hove Albion garantiu a vaga na Liga dos Campeões da UEFA da temporada seguinte. Os Reds terminaram a Premier League na 4ª colocação com 21 vitórias, 12 empates, cinco derrotas, 84 gols marcados e 38 gols sofridos em 38 jogos, sendo que em casa eles não perderam nenhuma partida: 12 vitórias, sete empates, 45 gols marcados e 10 sofridos em 19 jogos. Salah foi o artilheiro do time e do torneio com 32 gols. Depois dele, o maior artilheiro do time foi Firmino, com 15 tentos.

O time de 2018: com uma intensidade ofensiva absurda, equipe tinha algumas fragilidades na defesa, mas compensava no ataque.

 

Sem preocupações, só havia a final de Kiev no horizonte. A chance do primeiro título da Era Klopp e do fim do jejum de 13 anos sem conquistas na principal competição europeia. Mas o adversário era um gigante místico em UCLs: o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, então bicampeão do mundo e da própria Liga dos Campeões e querendo repetir um tricampeonato que só foi visto pela última vez lá em 1976, com o Bayern de Beckenbauer. Claro que seria um duelo dificílimo, mas o Liverpool era um dos seletíssimos três clubes no planeta que já havia conseguido derrotar (em 1981) os merengues na impressionante lista de 15 finais e 12 títulos conquistados – os outros foram Benfica-POR, em 1962, e Internazionale, em 1964.

 

What the f***!

Oh lord…

 

No dia 26 de maio de 2018, Kiev, na Ucrânia, recebeu a decisão da Liga dos Campeões da UEFA. Todos esperavam a consagração definitiva do Liverpool e seu ataque magnífico, fazendo o clube inglês até ligeiramente favorito diante de um Real tão vencedor que parecia estar lá só por estar, deixando que sua camisa jogasse sozinha. Mas o que se viu quando a bola rolou foi um dia totalmente atípico, bizarro e catastrófico para o lado vermelho. Sabe quando tudo, absolutamente tudo dá errado? Pois bem. A partida era equilibrada e estudada até os 30 minutos, quando, em uma disputa de bola, Sergio Ramos prendeu o braço de Salah e derrubou o egípcio. Foi um verdadeiro golpe baixo. Duro. Todos conheciam o jeito de ser do zagueiro, mas aquele lance foi realmente dispensável. Não precisava. Mas foi, talvez, premeditado? Tirar o melhor jogador do Liverpool logo no primeiro tempo? Pois é. E foi isso que aconteceu. Salah não aguentou a dor, não conseguiu ser um herói à la Beckenbauer (leia mais clicando aqui!) e deixou o gramado aos prantos. O Liverpool sofreu um baque tremendo.

O golpe de Ramos em Salah. Foto: Genya Savilov / AFP.

 

Tudo passava pelos pés de seu craque, “o cara” das classificações anteriores. Sete minutos depois, foi o Real quem perdeu um jogador – Carvajal, também por lesão. O jogo seguiu favorável ao time espanhol, que manteve mais a bola em seus pés – 66% – até marcou um gol com Benzema (anulado por impedimento) e acuou o Liverpool em seu campo de defesa. Ao apito do árbitro, o término da primeira etapa viu uma vantagem psicológica ao escrete de Zidane.

No segundo tempo, o Real foi pra cima e mandou uma bola no travessão. Três minutos depois, um lance ridículo – para dizer o mínimo – provou que o Real tinha a sorte ao seu lado. Kroos fez um lançamento e o goleiro Karius fez a defesa sem problema algum. Na hora de repor a redonda em jogo, ele nem percebeu a presença de Benzema por ali. Ou estava em transe, ninguém sabe. O que aconteceu é que o goleiro jogou a bola nos pés do atacante, que esticou a perna para aproveitar o momento. Resultado: a bola entrou. Isso mesmo. Foi simplesmente grotesco. Uma falha inacreditável em plena final de Liga dos Campeões! Quatro minutos depois, porém, o Liverpool conseguiu o empate com Mané. Era tudo o que o time inglês precisava àquela altura.

O gol acrobático de Bale. Foto: David Ramos / Getty Images.

 

Zidane percebeu que seu time corria perigo e decidiu colocar Bale, aos 16 minutos, no lugar de Isco. O galês queria mostrar para o técnico que ele deveria ter começado aquela final desde o início. E precisou de apenas três minutos para isso. Marcelo, pela esquerda, cruzou para a área. Bale recebeu, emendou uma meia-bicicleta e acertou o ângulo do goleiro Karius. O Liverpool tentou a resposta com Mané, mas um chute do senegalês acabou batendo na trave de Navas, aos 24’. Foi só. O Real manteve o controle. Esperava o momento certo para atacar, pressionar. Benzema quase liquidou tempo depois, mas Karius evitou o terceiro gol. No entanto, a noite não era do goleiro alemão.

Faltando sete minutos para o fim, Bale recebeu na direita, e, de fora da área, arriscou o chute. Foi despretensioso. Era um daqueles chutes para ver se o goleiro está esperto, sabe? Pois Karius não estava. Ele não segurou e engoliu um frango constrangedor… Real 3 a 1. Era o fim. Aos ingleses, só restava esperar o apito do árbitro e rezar para o Real não atacar Karius. Mas nem precisava mais. Com 62% de posse de bola, apenas cinco faltas cometidas (o Liverpool fez 18) e 12 chutes a gol, o Real Madrid venceu por 3 a 1 e conquistou sua 13ª taça europeia em 16 finais.

Klopp passa pela Velhinha Orelhuda: foi o segundo vice do treinador na competição.

 

O goleiro Karius, aos prantos, pediu desculpas, aceitas naquele momento, mas desprezadas e intoleradas na internet e redes sociais – ele infelizmente recebeu até ameaças de morte e mensagens de ódio à sua família. Para Klopp, o prejuízo era maior: foi a sexta derrota seguida do alemão em uma final. Profundamente abalada, ainda mais pela maneira como o título foi perdido, a torcida tentou encontrar forças naquela noite e aplaudiu seu time. Klopp apareceu junto com seus jogadores, unindo-os para a volta por cima. Consolou o zagueiro Lovren dizendo “não chore, imagine como eu me sinto perdendo seis finais!?”. Era o papel de um grande treinador na hora da derrota, de não deixar um time competitivo como aquele perder o brilho e a intensidade da noite para o dia. Após o jogo, Klopp disse que o “lance de Salah com Sergio Ramos abalou o time, que perdeu seu momento positivo e eles (Real Madrid) imediatamente controlaram o jogo”.

Era preciso seguir em frente. E qual a maneira ideal para isso? Fazendo brincadeira, como ele sempre fazia. O técnico apareceu no dia seguinte às 6h da manhã abraçado a amigos de uma banda alemã cantando:

 

“We saw the European Cup

Madrid had all the f*** luck

We’ll just keep on being cool

And bring it back to Liverpool!”

Algo como: “Vimos a Copa da Europa. Madrid teve toda a p*** da sorte. Vamos continuar tranquilos e trazê-la de volta a Liverpool!”.

 

Tempo depois, Klopp falou abertamente sobre aquele jogo, em especial sobre o lance capital de Sergio Ramos:

 

“Foi cruel. Eu não acho que Salah sempre se machucaria naquela situação. Desta vez, foi azar, mas é uma experiência que não podemos ter. Não tenho certeza que teremos essa experiência novamente. Enfiar o cotovelo no goleiro, derrubar o artilheiro como um lutador de luta livre no meio de campo e ganhar o jogo. Essa foi a história do jogo. […] Não foi normal. Se você colocar todas as situações de (Sergio) Ramos juntas, e eu vejo futebol desde os cinco anos, você verá várias situações com Ramos. Na final do ano anterior (em 2017), contra a Juventus, ele foi responsável pelo cartão vermelho do Cuadrado. Ele o tocou assim (coloca o dedo contra a pele) e ele fez toda uma encenação. Ninguém falou disso depois”.Jürgen Klopp, em entrevista ao Liverpool Echo e reproduzida na Trivela, parceira do Imortais.

 

Mesmo com o vice, a campanha do Liverpool foi louvável:

 

  • Foram 41 gols em 13 jogos na fase principal do torneio;
  • Pela primeira vez um clube teve três jogadores com 10 gols cada – Salah, Firmino e Mané, todos vice-artilheiros daquela UCL (o líder foi Cristiano Ronaldo, com 15 gols);
  • Milner se tornou o maior assistente de uma só Liga dos Campeões na história com nove passes para gols. Firmino, com oito passes, foi o segundo no ranking;
  • Em 13 jogos, foram sete vitórias, quatro empates e duas derrotas, com os já citados 41 gols marcados e 16 gols sofridos. Contando a fase preliminar, foram 15 jogos, nove vitórias, quatro empates, duas derrotas, 47 gols marcados, 19 sofridos e aproveitamento de 60%.

 

Mo Salah terminou a temporada como um dos maiores artilheiros do mundo com 44 gols em 52 jogos e foi o maior homem-gol do Liverpool em 2017-2018. Firmino, com 27 gols, e Mané, com 20, foram os outros artilheiros dos Reds.

 

Ainda mais forte

O brasileiro Alisson: chega de sofrer com goleiro!

 

Com a manutenção do time vice-campeão europeu, o Liverpool começou a temporada disposto a contratar um novo goleiro. Era consenso geral de que Karius não tinha mais clima para permanecer em Anfield. E Klopp descobriu que ele havia sofrido uma concussão na final da UCL em lance com Sergio Ramos. Além disso, em amistosos da pré-temporada, o goleiro voltou a falhar grotescamente. De fato, não dava para continuar assim. Por isso, a diretoria entrou em contato com a Roma-ITA e conseguiu fechar contrato com o brasileiro Alisson. A transação ficou na casa dos 64 milhões de libras, maior valor já pago por um goleiro na história na época.

Além dele, vieram também o volante brasileiro Fabinho (ex-Monaco, por 43 milhões de libras) – escolha do próprio técnico Klopp para suprir a saída de Emre Can, que foi jogar na Juventus-ITA -, o volante da Guiné Naby Keïta (ex-RB Leipzig-ALE, por pouco mais de 52 milhões de libras) e o meia/atacante suíço Xherdan Shaqiri (ex-Stoke City-ING, por 13,5 milhões de libras). Na lista de dispensas, vários atletas partiram para outros clubes, entre eles o goleiro Karius (foi para o Besiktas-TUR) e Nathaniel Clyne (reforço do Bournemouth-ING).

Os contratados dariam uma nova roupagem ao clube para aquela temporada. Com Alisson no gol e Van Dijk pronto para uma jornada inteira, dificilmente a zaga dos Reds sofreria tantos gols como no começo de 2017-2018, por exemplo. O meio de campo teria mais força defensiva com Fabinho, possibilitando mais liberdade a Henderson, além de o ataque continuar forte com o trio de intocáveis, que ganhava a ajuda de Shaqiri, jogador perigoso, forte e que podia atuar em várias posições do setor ofensivo. Além de tudo isso, Klopp tinha o elenco nas mãos, era querido por todos, pela torcida e mantinha o clima ótimo em Anfield. A experiência de grandes jogos na temporada anterior iria influenciar bastante nos desafios da nova época que começava. E, com a volta e consolidação do auxiliar técnico Pep Lijnders ao lado de Klopp, o Liverpool brigaria ainda mais por todos os títulos que iria disputar com maior controle de bola e uma intensidade ofensiva diferente, para não deixar a defesa tão desprotegida quanto nas temporadas anteriores. Era hora de buscar novos troféus para a galeria de Anfield.

 

A campanha quase perfeita e o vice

Firmino, Salah e Mané continuaram ávidos em 2018-2019. Foto: OLI SCARFF/AFP/Getty Images.

 

Embora vivesse um incômodo jejum de grandes títulos, o grande desejo da torcida era o título da Premier League naquela temporada de 2018-2019. Inegavelmente. Mesmo com a Liga dos Campeões da UEFA no radar, os Reds focaram desde o início na coroa inglesa. E foram competitivos ao extremo. Foram seis vitórias consecutivas na competição nacional – com destaque para os 2 a 1 sobre o Tottenham Hotspur em Wembley – série que significou o melhor início de campanha do clube desde 1990. Os 100% foram interrompidos nas rodadas 7 e 8, após empates contra Chelsea (1 a 1, fora de casa), e Manchester City (0 a 0, em casa), este mais uma vez o principal rival dos Reds na busca pelo troféu.

Os comandados de Klopp perderam a liderança por conta desses tropeços, mas engataram outra sequência de vitórias a partir da 12ª rodada e emendaram mais nove vitórias seguidas que levaram o time à liderança, com destaque para os triunfos sobre o Everton (1 a 0, na 14ª rodada, com gol nos acréscimos de Origi), Manchester United (3 a 1, com dois gols do reserva de luxo Shaqiri, tido na época como “a barganha do ano” graças ao seu desempenho em jogos decisivos do time) e duas goleadas memoráveis em Anfield: 4 a 0 no Newcastle e um 5 a 1 sobre o Arsenal, este com três gols de Firmino, um de Mané e outro de Salah. Falando no egípcio, em outubro de 2018, o craque alcançou a marca de 50 gols em 65 jogos pelo Liverpool, e se transformou no primeiro a registrar tal número em tão pouco tempo na história do clube.

No dia 03 de janeiro, os Reds foram até Manchester encarar o City. Era um jogo fundamental para a manutenção da liderança, afinal, o Liverpool tinha sete pontos de vantagem. O jogo foi muito disputado, o VAR entrou em ação no primeiro tempo para anular um gol de Mané (a bola de fato não cruzou a linha por 11 milímetros), e o City acabou vencendo por 2 a 1, encerrando a invencibilidade de 20 jogos do Liverpool naquela Premier League. Nos oito jogos seguintes, os Reds continuaram na liderança, mas perderam pontos cruciais. Na 24ª rodada, empate em 1 a 1 com o Leicester, em casa, justo na rodada em que o City perdeu para o Newcastle, fora, por 2 a 1. Em seguida, empate em 1 a 1 com o West Ham, fora. Na 27ª rodada, empate em 0 a 0 com o Manchester United, fora. E, na 29ª, o empate derradeiro e trágico contra o rival Everton em 0 a 0 que custou a perda da liderança para o City, que não largou mais. O Liverpool venceu todos os seus nove jogos após o clássico de Merseyside, alguns com altas doses de dramaticidade e gols nos últimos minutos, mas o City também venceu todos os seus compromissos e consolidou uma série de 14 vitórias seguidas, da 25ª até a 38ª rodada, fundamentais para mais um título dos Citizens.

Klopp chegou muito perto do título da Premier League de 2018-2019.

 

Ao término da temporada inglesa, o Liverpool registrou a melhor e mais impressionante campanha de um vice-campeão na história da Premier League, além de ser a terceira melhor campanha de um clube na competição. Os Reds venceram 30 jogos, empataram sete e perderam apenas um dos 38 que disputaram, além de marcarem 89 gols e sofrerem 22 (melhor defesa da competição). Impressionantes 97 pontos contra 98 pontos do City, que perdeu quatro jogos, mas empatou apenas dois. Em casa, nova invencibilidade com 17 vitórias e dois empates. E tudo isso não rendeu a taça! Parecia um carma para os Reds tudo aquilo. Será que o jejum nunca iria acabar? Klopp comentou sobre a perda do troféu.

 

“As pessoas vão dizer que o City teve sorte em alguns momentos, como contra o Arsenal e o Burnley, mas nós fizemos gols no final contra o Tottenham e contra o Newcastle. Não é sobre tirar os oponentes do caminho, mas de permanecer na corrida. Nós fizemos isso, mas quando seu oponente é o City, fica difícil. […] Ser o segundo na Premier League é difícil, mas é o primeiro passo. É assim que vemos. Nós tiramos um espaço de 25 pontos do City e, se repetirmos a mesma estatística de novo, vai ser uma grande temporada. Eu conheço as pessoas, elas vão sempre achar algo, mas eu não acho que poderíamos ter feito mais”. – Jürgen Klopp, em entrevista reproduzida na Gazeta Esportiva, 12 de maio de 2019.

Salah e Mané, ambos com 22 gols, foram os artilheiros da Premier League ao lado de Aubameyang, do Arsenal. O lateral Alexander-Arnold foi outro destaque no setor ofensivo e terminou na 3ª colocação entre os jogadores com mais assistências para gols, com 12 passes, apenas três a menos do que o líder Hazard, do Chelsea – Arnold entrou para o Guinness Book por conta disso! Na seção “Os Personagens” você vai ler mais! Alisson permaneceu 21 jogos sem levar gols e levou a Golden Glove de Melhor Goleiro – ele ganharia ainda a edição inaugural do Prêmio Yashin de Melhor Goleiro do Mundo de 2019 da revista France Football. Van Dijk ganhou tanto o prêmio de Melhor Jogador da PFA quanto de Melhor Jogador da Premier League, honrarias que confirmaram a força do time de Anfield e sua campanha memorável mesmo sem o troféu. Mas aquela temporada ainda teve uma grande história a ser contada…

 

A defesa que mudou tudo

Se na Premier League o Liverpool desde o início foi quase imbatível, na Liga dos Campeões da UEFA o desempenho dos Reds foi bem diferente. Em um grupo nada fácil ao lado de Paris Saint-Germain-FRA, Napoli-ITA e Estrela Vermelha-SER, a equipe teve dificuldades para carimbar sua vaga na fase de mata-mata. Aliás, imensas dificuldades. A estreia foi boa, com vitória por 3 a 2 sobre o PSG, gols de Sturridge, Milner e Firmino – este já nos acréscimos da segunda etapa. No segundo duelo, derrota por 1 a 0 para o Napoli, na Itália. Na terceira rodada, vitória fácil sobre o Estrela por 4 a 0, com dois gols de Salah, um de Mané e outro de Firmino. Mas foi no returno que a vaga ficou por um triz. Os ingleses perderam para o Estrela por 2 a 0, no Marakana, e por 2 a 1 para o PSG, em Paris. Com isso, seria preciso vencer o Napoli na última rodada, em Anfield, por pelo menos 1 a 0 ou uma diferença de dois gols para garantir a vaga baseada nos critérios de classificação. Como não poderia deixar de ser – ainda mais com Carlo Ancelotti no comando técnico dos napolitanos -, o jogo foi angustiante e o Liverpool fez apenas um gol, com Salah, aos 34’ do primeiro tempo. Os Reds martelaram durante todo o segundo tempo, e, aos 46’, Milik, do Napoli, ficou cara a cara com Alisson. Se ele fizesse, os italianos eliminariam os ingleses de maneira cruel. Mas o brasileiro fez uma defesaça que garantiu a classificação!

 

Veja abaixo:

Com nove pontos, mesmo número do Napoli, o Liverpool conseguiu superar os celestes graças ao número de gols marcados: 9 a 7. Após o sorteio dos confrontos das oitavas de final, o Liverpool teria pela frente o Bayern München-ALE, um adversário de longa data que não encarava os ingleses em duelos continentais desde a final da Supercopa da UEFA de 2001, quando os Bávaros, então campeões da Liga dos Campeões, perderam para os ingleses, campeões da Copa da UEFA (atual Liga Europa), por 3 a 2.

 

Da supremacia…

A série contra os alemães começou em Anfield, onde o Liverpool não perdia desde janeiro de 2018. Mesmo com a pressão da torcida e seu futebol ofensivo, o time da casa amargou um empate em 0 a 0. Seria preciso uma vitória em Munique ou empate com gols para a classificação. E ela veio com certa tranquilidade. Logo aos 26’ do primeiro tempo, Van Dijk fez um lançamento para Mané, na esquerda, que superou a marcação e aproveitou a adiantada desnecessária do goleiro Neuer para driblar o camisa 1 e chutar para o gol vazio: 1 a 0. Aos 39’, o zagueiro Matip fez contra, mas isso não abalou os ingleses, que fizeram o segundo gol aos 23’ da segunda etapa, com Van Dijk, de cabeça. Perto do fim, Salah cruzou da direita e Mané, de cabeça, fechou a conta para o Liverpool: 3 a 1, em plena Allianz Arena.

Uma atuação consistente e madura de um time que não era a loucura pelo ataque de 2017-2018, mas sim eficiência em busca da vitória sem expor sua defesa como antes. Era visível o nível de amadurecimento dos jogadores e a consciência tática demonstrada. A exigência e alto nível do Campeonato Inglês contribuíam bastante para aquele estilo de jogo e a atenção permanente durante os 90 minutos.

Nas quartas, o adversário foi o Porto-POR, vítima dos Reds nas oitavas de 2017-2018. E mais uma vez os ingleses venceram: 2 a 0 na ida, em Anfield (gols de Keïta e Firmino), e 4 a 1 no estádio do Dragão, gols de Mané, Salah, Firmino e Van Dijk. Vaga na semifinal garantida. Adversário? O Barcelona-ESP, sempre perigoso, com Messi voando como sempre, campeão espanhol e que havia despachado pelo caminho o Lyon-FRA e o Manchester United-ING.

 

… À quase eliminação

Messi comemora: craque marcou dois gols no primeiro jogo da semifinal.

 

Espanhóis e ingleses se reencontraram em um mata-mata de UCL após 12 anos. No último duelo entre ambos, nas oitavas de final da competição de 2006-2007, os Reds venceram no Camp Nou (2 a 1) e perderam por 1 a 0 a partida de volta, resultado insuficiente para tirar a vaga dos ingleses, que seguiram até a final daquele ano, mas perderam para o Milan de Kaká, Maldini, Pirlo, Seedorf, Inzaghi e companhia.

No primeiro duelo, no Camp Nou, muitos acreditavam em uma partida equilibrada pelo fato de as equipes jogarem completas e terem um estilo de jogo ofensivo. Mas quem se deu melhor foi o Barcelona: 3 a 0, com dois gols de Messi, um deles uma pintura de falta. E ainda teve um gol feito perdido por Dembélé no finalzinho. O Liverpool, embora tenha criado muitas chances, não conseguiu fazer o seu. Foi um desastre.

Salah no chão contra o Newcastle: baixa para o segundo jogo. Foto: Getty Images.

 

Como desgraça pouca é bobagem, a semana seguiu e, durante um duelo decisivo pelo Campeonato Inglês contra o Newcastle, o Liverpool perdeu Mohamed Salah, por causa de uma concussão após choque com o goleiro rival. Além dele, Firmino, com problema muscular, também não iria jogar. Ou seja: o Liverpool tinha que fazer quatro gols em um dos mais temidos times do mundo sem seus principais jogadores de ataque e ainda não levar gols de Messi. De fato, poucos acreditavam na reviravolta. E muito menos pensavam que o Barça iria tropeçar tão recentemente após a experiência da temporada anterior, quando venceu a Roma-ITA por 4 a 1 na ida e levou de 3 a 0 na volta, placar que eliminou os blaugranas da Liga dos Campeões.

Antes da partida, Klopp foi sincero e sabia que o jogo não estava favorável ao seu time. Com a desvantagem enorme no placar e as ausências de Salah e Firmino, o poder de fogo era bem mais baixo. Mas ele queria tentar. Disse que jogaria para vencer, a todo custo. E proferiu a frase: “Se conseguirmos, maravilhoso. Se não conseguirmos, que falhemos do jeito mais bonito”. Além dela, disse também que “há esperança e é futebol”. Muitos disseram que eram palavras de quem temia a derrota. Mas será que não era uma artimanha para deixar o Barça mais soberbo? Certo de que não teria dificuldades? Do lado culé, o técnico Ernesto Valverde pedia apenas para seu time ter foco e concentração. Mas será que eles iriam conseguir em Anfield, onde tudo pode acontecer?

 

A mais épica Noite Europeia de Anfield

Anfield pronto para a epopeia…

 

Fotos: LFC.

 

No dia do jogo, o ambiente era de arrepiar. Bandeirões espalhados pelas arquibancadas situavam os descrentes do tamanho do Liverpool. Referências às cinco conquistas europeias. Dizeres “Nós conquistamos toda a Europa e nunca vamos parar”. E, quando começou You’ll Never Walk Alone, aí que a magia se emancipou de vez. A torcida cantava em uníssono, com flâmulas estendidas, olhos marejados. Nos túneis, os jogadores perfilados esperavam o fim do mantra para entrar em campo. No topo da porta, o famoso brasão “This is Anfield” orientava o caminho. Quando os atletas pisaram o gramado e se alinharam para a execução do hino da Champions, acabaram ouvindo o do Liverpool. A torcida cantou de um jeito que simplesmente abafou a melodia! Até os torcedores do Barcelona presentes caíram na cantoria. Era algo arrepiante. Ali, a torcida começava a virar o jogo para o Liverpool. Ninguém pareceu notar. Mas começou…

Origi marca o primeiro do Liverpool. Faltavam três… Foto: Carl Recine / Reuters.

 

Desde o início do jogo o Liverpool tomou a bola para si. Mané recebeu na esquerda logo no primeiro minuto, chutou cruzado e os Reds ganharam escanteio. Ótimo começo. No abafa. Era pressão em campo e pressão das arquibancadas. O Liverpool fazia uma linha de cinco homens no campo de defesa do Barça. Era pressão na saída de bola, o pressing, tão utilizado por lendários técnicos, como Arrigo Sacchi, para não deixar o time catalão respirar. Os culés se viam dando chutão, algo inimaginável na cartilha criada por Johan Cruyff décadas atrás. Aos 5’, novo escanteio para os Reds. Quatro jogadores do Liverpool não deixavam o goleiro Ter Stegen se mexer. Juntando mais quatro do Barça, eram oito na pequena área! Era pressing até em escanteio! A bola saiu, mas voltou para o Liverpool. Após enfiada para frente, Alba tocou de cabeça de presente para Mané, que deixou com Henderson, ele chutou, o goleiro espalmou e Origi fez: 1 a 0. Os jogadores rapidamente levaram a bola para o meio de campo. Não havia tempo para comemorar. Eles precisavam de mais três gols.

No entanto, o jogo seguiu intenso, mas sem a rede balançar mais. Dava a ligeira impressão de que o time de Klopp não iria conseguir manter aquela força e velocidade até o final. Bem, só dava… O técnico alemão colocou Wijnaldum logo no começo da segunda etapa para dar ainda mais força ofensiva ao time. Ele também sacou Robertson e colocou o polivalente Milner na lateral-esquerda. O jogo recomeçou sob os cânticos da torcida, incessante, pulsante. E, assim como na primeira etapa, o Liverpool ganhou escanteio logo no primeiro minuto. Era a cartilha do pressing. A prova do território. Aqui mando eu! Aos 4’, Mané recebeu, teve a chance de marcar, mas Sergi Roberto conseguiu afastar para escanteio. Na cobrança, Van Dijk tocou de calcanhar e Ter Stegen, em cima da linha, defendeu! O Barça respondeu com Messi, que tocou para Suárez, o uruguaio chutou rasteiro e Alisson fez outra defesaça.

Wijnaldum: jogador mudou a partida com dois gols relâmpagos.

 

Aos 8’, Arnold tocou de cabeça, mas errado. Ele tratou de consertar ao desarmar Jordi Alba e cruzar. A bola ainda desviou em Rakitic e Wijnaldum, como um foguete, fez 2 a 0. Explosão em Anfield. Outro gol no comecinho! E, apenas dois minutos depois, ainda sob a euforia do segundo gol, o Liverpool foi pra cima, Fabinho tocou para Origi, este levantou para a área, Shaqiri recebeu, dominou, recomeçou na esquerda com Milner, que olhou para a área, preferiu devolver para Shaqiri, este cruzou e Wijnaldum saltou mais do que todo mundo, até mais que o grandalhão Piqué (que ficou estático), e fez o inacreditável: 3 a 0. Pronto. Estava empatado: 3 a 3. Placar tão saboroso para o torcedor do Liverpool…

Goooooooooaaaaaalllll!!

 

Aos 32’, o Liverpool foi tocando a bola de pé em pé até chegar ao campo do rival pela enésima vez. E, pela direita, Arnold chutou em cima de Sergi Roberto para ganhar o escanteio. Ali, aconteceu o lance do jogo. Enquanto todos esperavam o lateral pegar a bola, ajeitar, olhar, ajeitar de novo, levantar o braço e fazer toda aquela maracutaia tradicional antes de um escanteio, ele fez diferente. Andou um pouquinho como quem ia falar algo com Shaqiri, voltou e chutou rapidinho para a área. A zaga catalã, paradona, não percebeu a artimanha. Só Origi. E ele mandou a bola pro fundo do gol como num lance de treino: 4 a 0. Uma jogada para a história. Traquinagem pura!

Origi, completamente sozinho, marca o quarto gol do Liverpool. Foto: Reuters.

 

A torcida enlouqueceu de vez. Cantou ainda mais alto. Tremulou suas bandeiras, cachecóis, flâmulas. Do outro lado, a torcida do Barça não entendia nada. Via o mesmo filme de terror de 2018 com contornos ainda mais macabros, daqueles para dar pesadelos por dias, semanas, meses. Nos quatro minutos finais de jogo, o Barcelona tentou fazer o que não fez naquele segundo tempo. Ficou com a bola no ataque, enquanto o Liverpool, pela primeira vez, descansava um pouco sem a bola, dando alguns (poucos) espaços ao rival. Era como quem diz “tá, brinca um pouco aí, mas só um pouco, pois aqui você não entra”. E foi assim mesmo. Por mais que tentasse, o time catalão não iria fazer um gol em Alisson. Não iria superar Van Dijk e Matip. Nem se colocasse cinco atacantes. O Liverpool estava de corpo fechado.

Até que, aos 50’, o árbitro apitou o final do jogo. Do espetáculo. Wijnaldum levantou as mãos para os céus, emocionado. Milner também chorava. A torcida era puro êxtase. Klopp foi abraçar cada jogador. Salah, ausente naquele dia, foi comemorar com os companheiros vestindo uma camisa com os dizeres “never give up” (“nunca desista”). Pois eles não desistiram jamais. Mesmo com desfalques, fim de temporada, jogadores no limite e 0 a 3 no placar, eles não desistiram. Claro que o som do estádio começou a tocar You’ ll Never Walk Alone. E a torcida começou seu show. Todos cantaram, com os jogadores, abraçados, de frente para aquela gente que empurrou, gritou, vibrou e pulsou. Com ídolos de outrora nas arquibancadas, como Gerrard e Dalglish. Com crianças, jovens, adultos, idosos. Com apaixonados pelo Liverpool. E, acima de tudo, pelo futebol, engrandecido ainda mais naquele dia com uma das maiores viradas de todos os tempos da Liga dos Campeões da UEFA.

Salah, Klopp e Van Dijk. Foto: Peter Byrne / Getty Images.

 

A façanha do time inglês ganhou o mundo. Jornais de todos os países enalteceram a brilhante, surpreendente e histórica partida do time de Jürgen Klopp, que não poupou palavras para descrever o que seus jogadores fizeram.

 

“Os garotos são f***, mentalmente gigantes. É inacreditável. Vocês podem me multar se quiserem, tudo bem. Eu não sou inglês então não consigo encontrar palavra melhor para descrever isso tudo!!”.

Foto: Carl Recine / Reuters.

 

De fato, aquela noite foi a maior noite europeia em Anfield da história do Liverpool. A mais arrebatadora. A mais emocionante. E mais uma para a imensa coleção de façanhas do clube que nunca está sozinho. Ainda mais em seu templo do futebol. Leia mais sobre esse jogo épico clicando aqui!

A base do time de 2019 e 2020: mais maduro, elenco soube dosar a intensidade ofensiva com proteção defensiva.

 

A vaga na final estava garantida. O adversário seria doméstico: o Tottenham Hotspur, que também vinha de uma classificação surreal diante do Ajax-HOL em plena Johan Cruyff Arena. Mas, depois do que aconteceu em Anfield, você acha que os comandados de Klopp iriam desperdiçar a chance de conquistar a Europa? De jeito nenhum!

 

Six times!

 

Salah chuta para fazer o primeiro do Liverpool na decisão.

 

Na final europeia de 2019, disputada no estádio Wanda Metropolitano, em Madri-ESP, Klopp teve a volta de Salah e Firmino e foi com o esquema de jogo que tanto deu certo nos últimos duelos da Liga dos Campeões. A partida contra os Spurs não foi vistosa nem frenética como esperado. Mas Klopp nem fazia questão. O importante naquele dia 1º de junho era vencer. Não dava para perder de novo. E, logo aos 2’, Mané cavou um pênalti que Salah converteu: 1 a 0, o segundo gol mais rápido em finais da história da Liga dos Campeões, atrás apenas do tento de Maldini na decisão de Istambul de 2005. A partida seguiu com mais posse de bola do Tottenham – superior a 60% -, mas uma pressão maior do Liverpool principalmente na primeira etapa. No segundo tempo, os Spurs chutaram mais, só que Alisson estava impecável com suas defesas. Até que Origi, o homem das decisões, deixou outra vez sua marca aos 42’, em chute cruzado: 2 a 0. Pronto. Chega de drama, chega de seca. O Liverpool era campeão da Europa pela sexta vez!

“This is f*** mine!!”

 

Foram 13 jogos, oito vitórias, um empate, quatro derrotas, 24 gols marcados e 12 gols sofridos. Alisson foi eleito o Melhor Goleiro do torneio e Van Dijk o melhor defensor. Mohamed Salah mais uma vez foi o artilheiro do time ao anotar cinco gols.

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Festa em Liverpool foi histórica! Foto: Danny Lawson/PA Images via Getty Images.

 

O título confirmou a redenção dos Reds e a justiça ao trabalho excepcional que Klopp fazia no clube desde 2015. Da reconstrução e do vice-campeonato da Liga Europa em 2015-2016, passando pela temporada de gols, do heavy metal e de outro vice em 2017-2018 até a glória e a maturidade de 2018-2019, todo esse processo teve a assinatura do alemão, um técnico de futebol na mais pura essência, que tem o grupo na mão, que conversa, ri, faz piada, comanda, entusiasma, grita, lamenta, puxa a orelha. Mas, acima de tudo, tem o respeito e a amizade de tudo e todos, sem picuinhas ou soberba. O cara que veste uniforme do time, da calça ao boné, avesso a ternos e grifes. Após a taça, ele foi irreverente e sincero:

 

“É a melhor noite da nossa vida profissional. Normalmente 20 minutos depois da partida eu já estou meio bêbado, mas até agora eu só bebi água (risos)”. […] Não quero explicar por que ganhamos; Só quero aproveitar o fato de termos vencido. Vamos comemorar juntos, teremos uma noite sensacional. Sinto principalmente alívio, alívio por minha família. Nas últimas seis vezes que voamos de férias com apenas uma medalha de prata, não parecia muito legal. […] Estávamos todos chorando em campo porque isso significava muito para nós. Não era importante para mim tocar na taça; Adorei ver os meninos fazendo isso e ver alguns rostos na multidão. Ir para o Liverpool amanhã com algo para comemorar é grande e estou realmente ansioso por isso.”Jürgen Klopp, na coletiva de imprensa pós-jogo.

 

O capitão Henderson foi direto: “Sem esse treinador nada disso seria possível. Ele criou um vestiário especial. Todo o mérito vai para ele”. Com a Europa pintada de vermelho mais uma vez, o Liverpool poderia descansar e repor as energias para mais uma temporada em busca de troféus e ampliar ainda mais sua força.

 

Nova festa em Istambul, imbatíveis em casa e mundo vermelho

Mais uma vez o Liverpool manteve seus principais jogadores, dispensou aqueles que não faziam mais parte dos planos de Klopp e trouxe poucos nomes, apenas para compor o elenco, como os goleiros Adrián e Andy Lonergan. A temporada começou no dia 04 de agosto, em Wembley, na decisão da Supercopa da Inglaterra contra o Manchester City. O jogo terminou empatado em 1 a 1 e só foi decidido nos pênaltis. Na marca da cal, Wijnaldum desperdiçou sua cobrança e os Citizens ficaram com a taça graças a vitória por 5 a 4.

Dez dias depois, o Liverpool teve outra decisão: a Supercopa da UEFA, contra o rival de sempre Chelsea. O duelo foi disputado no estádio Vodafone Park, em Istambul, “cidade-xodó” dos Reds. E por lá eles não costumam perder de jeito nenhum! Giroud abriu o placar para o Chelsea, aos 36’ do primeiro tempo, mas Sadio Mané empatou logo no começo do segundo tempo, como manda a “cartilha 2005” do Liverpool na capital turca. Com muito equilíbrio, as equipes não conseguiram o desempate e o jogo foi para a prorrogação. Nela, o Liverpool virou o placar, de novo com Mané, aos 5’, mas Jorginho empatou e o 2 a 2 levou a decisão para os pênaltis. Sem o goleiro brasileiro Alisson – que sentiu uma lesão dias antes após a estreia do Liverpool na Premier League -, foi o arqueiro espanhol Adrián quem garantiu o título ao defender o pênalti derradeiro de Abraham, decretando o 5 a 4 e a 4ª taça da Supercopa aos Reds em sua história.

O revés na Supercopa inglesa e a volta por cima rápida com o título na Supercopa europeia ajudou o Liverpool a engatilhar uma grande sequência de vitórias em seu principal objetivo da temporada: a Premier League. Foram oito triunfos seguidos, totalizando 16 vitórias consecutivas da equipe no torneio nacional. Tudo começou nos 4 a 1 sobre o Norwich City, em casa, passou pelos 2 a 1 no Southampton (fora), 3 a 1 no Arsenal (em casa), 3 a 0 no Burnley (fora), 3 a 1 no Newcastle (em casa), 2 a 1 no Chelsea e 1 a 0 no Sheffield, ambos fora, e no 2 a 1 no Leicester, em casa, com um pênalti anotado por Milner no último minuto. A série só foi interrompida brevemente na 9ª rodada, no empate em 1 a 1 contra o rival Manchester United, em Old Trafford. Mas aquele seria o último e longevo tropeço dos Reds, que não perderiam mais na Premier League tão cedo.

Líderes, eles venceram o Tottenham (2 a 1, em casa), Aston Villa (2 a 1, fora) e bateram o concorrente direto Manchester City por 3 a 1, em casa, com belos gols de Fabinho (um chutaço de fora da área), Salah (após belas jogadas dos laterais e cabeçada certeira do atacante) e Mané. Foi uma vitória especial por apagar a lembrança do revés da temporada anterior, da única derrota, justamente para o City, que no fim das contas custou o título.

Foto: Paul ELLIS / AFP.

 

Vencer um rival direto àquela altura era fundamental para o Liverpool manter sua caminhada rumo ao fim do jejum que iria completar 30 anos em 2020. Após a vitória sobre os Citizens, vieram mais cinco antes da viagem ao Catar para a disputa do Mundial de Clubes da FIFA: 2 a 1 no Crystal Palace (fora), 2 a 1 no Brighton & Hove Albion (em casa), um inesquecível 5 a 2 sobre o Everton, em casa, com dois gols de Origi, um de Shaqiri, um de Mané e outro de Wijnaldum, 3 a 0 no Bournemouth (fora) e 2 a 0 no Watford (em casa). O primeiro turno estava perto do fim. Já eram 17 vitórias e um empate em 18 jogos, com 46 gols e apenas 14 sofridos, 52 pontos contra 39 do segundo colocado, o Leicester. Na rodada 19, quando o Manchester City perdeu de virada para o Wolves por 3 a 2, Pep Guardiola praticamente jogou a toalha na briga pelo título. O Liverpool só dependia dele. E aquilo já era uma auto-suficiência plena que o torcedor confiava. Para melhorar, o time já estava classificado para o mata-mata da Liga dos Campeões da UEFA após quatro vitórias, um empate e uma derrota que garantiu o primeiro lugar no grupo, à frente de Napoli-ITA, Genk-BEL e RB Salzburg-AUT.

Contra o Aston Villa, Liverpool jogou com time de juniores.

 

Em dezembro, rumores diziam que o técnico Jürgen Klopp não iria levar sua força máxima ao Mundial de Clubes da FIFA por causa do calendário apertado do futebol inglês e pelo fato de o time ter um jogo contra o Aston Villa, no dia 17, pela Copa da Liga Inglesa. No entanto, o alemão desmentiu tudo e disse que levaria, sim, seus principais atletas e que um time de juniores, formado por jogadores com média de idade de 19 anos, iria entrar em campo sob o comando de Neil Critchley.

A garotada de Anfield acabou perdendo de 5 a 0, mas os titulares fizeram bonito no oriente. Em busca de um título inédito, os Reds venceram o Monterrey-MEX por 2 a 1 na semifinal e encararam o Flamengo-BRA do técnico Jorge Jesus, sensação do futebol brasileiro e sul-americano em 2019, campeão não só da Copa Libertadores, mas também do Campeonato Brasileiro e do Campeonato Carioca. Era uma das finais de Mundial mais aguardadas dos últimos anos pelo fato de os dois times jogarem um futebol ofensivo, dinâmico e competitivo, e as diferenças abissais de confrontos anteriores entre europeus e sul-americanos havia diminuído por conta da qualidade do time rubro-negro. A torcida do Flamengo ainda tirou onda antes do jogo por conta da vitória emblemática sobre o próprio Liverpool no Mundial de 1981 por 3 a 0 e acreditava bastante no repeteco em 2019.

O time do Mundial. Em pé: Alisson, Mané, Joe Gomez, Van Dijk, Firmino e Salah. Agachados: Oxlade-Chamberlain, Alexander-Arnold, Keïta, Henderson e Robertson. Foto: REUTERS/Ibraheem Al Omari.

 

Mas, quando a bola rolou, o Liverpool mostrou sua força e superioridade e só não liquidou a partida logo de cara por causa da falta de pontaria de seu ataque, que desperdiçou boas chances com menos de um minuto, em lance de Firmino, depois com Keïta, aos 4’, e Alexander-Arnold, em chute de fora da área, aos 5’. No começo do segundo tempo, com menos de dois minutos, Firmino apareceu de novo na área rubro-negra, deu um chapéu no zagueiro e carimbou a trave de Diego Alves. Seria um golaço! Aos 4’, Salah recebeu na área e chutou rente à trave esquerda.

O lance fatal…

 

… E a comemoração de Firmino: Liverpool campeão do mundo.

 

Aos 40’, Henderson teve uma grande chance em chute de fora da área, mas Diego Alves fez uma bela defesa. Nos acréscimos, Mané recebeu em disparada no ataque e foi derrubado. O árbitro marcou pênalti, os jogadores do Flamengo protestaram, mas após checagem do VAR, a infração foi cancelada. Veio a prorrogação, e, aos 9’, Henderson fez um lançamento preciso para Mané no campo de ataque, o senegalês esperou o momento certo e tocou para Firmino, livre, que ainda driblou Rodrigo Caio e chutou para fazer, enfim, o primeiro gol do jogo: 1 a 0. Foi o suficiente. Pela primeira vez, o Liverpool era campeão do mundo, apagava o estigma dos vices de 1981, 1984 e 2005 e completava seu Champions Wall em Anfield!

O Champions Wall com a taça do Mundial em 2019.

 

Mas vale destacar que, embora tenha tido o controle do jogo e demonstrado que podia vencer quando quisesse e a qualquer momento, o time inglês sofreu alguns sustos diante dos brasileiros. Na coletiva após o jogo, Klopp analisou a vitória de seu time.

 

“O Flamengo não nos surpreendeu. Vi muitos jogos do Flamengo nos últimos dias. Eles não tinham jogado contra nós antes, queríamos ser diferentes em alguns momentos e fizemos isso. Nosso posicionamento foi muito, muito bom. Nós lhes causamos muitos problemas. […] Para as duas equipes foi muito difícil (fisicamente). O goleiro deles sentiu cãibras, isso mostra que eles jogaram muitas partidas. Eu não poderia respeitá-los mais. Esta noite foi sobre uma melhor tomada de decisão nos momentos decisivos, e estou muito feliz por termos feito isso. O Flamengo deveria se orgulhar do que o time deles fez, mas acho que merecemos a vitória, fomos a melhor equipe”.

Foto: Giuseppe Cacace / AFP.

 

De volta à Inglaterra, o Liverpool ainda disputou mais dois jogos da Premier League e completou o turno com mais duas vitórias em grande estilo: 4 a 0 no Leicester, fora de casa, um concorrente direto pela ponta que ficou 13 pontos distante dos Reds, e 1 a 0 no Wolverhampton, em casa. Eram 19 jogos, 18 vitórias, um empate e 96,5% de aproveitamento. Quem podia com eles?

 

Imbatíveis por 44 jogos

Já em 2020, o Liverpool emendou mais oito vitórias consecutivas na Premier League e o título, de fato, era uma questão de se perguntar quando ele seria conquistado. Os Reds venceram o Sheffield United (2 a 0, em casa), Tottenham (1 a 0, fora), Manchester United (2 a 0, em casa), Wolverhampton (2 a 1, fora), West Ham (2 a 0, fora, em jogo adiado ainda do primeiro turno), Southampton (4 a 0, em casa), Norwich City (1 a 0, fora) e West Ham (3 a 2, em casa, este já pelo returno). O triunfo sobre os Hammers foi o 18º seguido do time na Premier League, igualando o recorde do Manchester City de 2017, e ainda a partida de número 44 de invencibilidade no torneio contando os jogos da temporada 2018-2019. Era impressionante! Uma verdadeira máquina de vencer, que quebrava recordes e se aproximava do quase impossível título invicto, conseguido na era moderna do futebol inglês apenas pelo Arsenal de Henry e companhia em 2003-2004. 

Mas, na 28ª rodada, aconteceu o primeiro revés. Jogando fora de casa, o Liverpool teve uma de suas piores atuações há tempos e perdeu para o Watford por 3 a 0, que não só colocou fim à invencibilidade dos Reds como saiu da zona de rebaixamento naquela jornada. Desde janeiro de 2019, há mais de um ano, que o time de Klopp não perdia. Impressionantes 423 dias. A equipe se recompôs já na rodada seguinte com um 2 a 1 sobre o Bournemouth, porém, como acontece muitas vezes em grandes esquadrões, o time sofreu outros duros golpes entre fevereiro e março. Nas oitavas de final da Liga dos Campeões da UEFA, a equipe foi eliminada pelo Atlético de Madrid-ESP após derrota por 1 a 0 fora de casa e revés de 3 a 2 em pleno estádio de Anfield, em jogo que teve falha do goleiro Adrián e 35 finalizações do Liverpool contra 10 dos espanhóis, que souberam aproveitar os erros dos ingleses para vencer. Foi a primeira derrota em casa do Liverpool desde setembro de 2018, após quase dois anos.

O outro revés dos comandados de Klopp foi na Copa da Inglaterra, na derrota por 2 a 0 para o Chelsea que eliminou os Reds nas oitavas de final da competição. Ainda em março, a Premier League teve que ser paralisada, bem como o futebol em todo o mundo, por causa da pandemia da COVID-19. Após boatos de que a competição poderia ser cancelada ou mesmo encerrada (o que causou desespero nos torcedores), o torneio retornou em junho, para o alívio dos Reds. A volta foi um empate sem gols contra o rival Everton, seguido de vitória por 4 a 0 sobre o Crystal Palace, no dia 24. Um dia depois, o Chelsea enfrentou o Manchester City e, quem diria, ajudou o Liverpool. Com uma vitória por 2 a 0, os Blues “decretaram” os Reds campeões com sete rodadas de antecipação, garantindo uma festa histórica pelas ruas da cidade e nos arredores do estádio de Anfield. Muito emocionado, Klopp demonstrou enorme alívio pela taça.

 

“É um grande momento. Eu, honestamente, não tenho palavras. É um momento muito grande. Eu estou completamente emocionado. Eu nunca achei que sentiria isso. Não tinha ideia. […] É para vocês, torcedores. É para todos vocês aí fora. É incrível. Espero que fiquem em casa, ou em frente às suas casas e não vão para as ruas. Mas comemore. É uma alegria fazer isso por vocês”.

A torcida ignorou a quarentena e saiu às ruas para comemorar o título! Foto: Phil Noble / Reuters.

 

Por mais que Klopp tenha pedido, a torcida não aguentou ficar em casa e fez uma festa absurda, registrada por fotos e filmagens. Não dava para não extravasar depois de 30 anos. E, após tudo o que eles fizeram ao longo da temporada, a comemoração merecia luzes, cantorias, música e muito mais. Nas sete rodadas seguintes, todas sem torcida, o Liverpool venceu quatro jogos – 2 a 0 no Aston Villa, em casa, 3 a 1 no Brighton & Hove Albion, fora, 5 a 3 no Chelsea, em casa, e 3 a 1 no Newcastle, fora, empatou um (1 a 1 com o Burnley, em casa), e perdeu dois jogos (4 a 0 para o City, fora de casa e logo após a confirmação do título, e 2 a 1 para o Arsenal, também fora de casa).

A campanha final do Liverpool foi incontestável e repleta de recordes. Vamos a eles:

 

  • Foram 99 pontos conquistados após 38 jogos, 32 vitórias, três empates, três derrotas, 85 gols marcados e 33 gols sofridos, 2ª melhor campanha da história da Premier League;

 

  • O Liverpool terminou com 18 pontos de vantagem sobre o vice-campeão Manchester City, mas chegou a ostentar uma vantagem de 25 pontos na liderança, a maior já registrada na história da Premier League;

 

  • Foi a primeira vez que um time venceu a Premier League com tantas rodadas de antecedência: sete, superando as cinco do Manchester United em 2000-2001 e do City em 2017-2018;

 

  • Com 32 vitórias, o Liverpool igualou o recorde de triunfos do City em 2017-2018 e 2018-2019;

 

  • As 18 vitórias seguidas entre outubro de 2019 e fevereiro de 2020 igualaram o recorde do City de 2017;

 

  • O Liverpool alcançou o recorde de vitórias seguidas em casa: 24, entre fevereiro de 2019 e julho de 2020;

 

  • O time completou três temporadas seguidas na Premier League sem perder em casa. O retrospecto foi:

 

2017-2018: 12 vitórias, 7 empates, 45 gols marcados e 10 gols sofridos;

2018-2019: 17 vitórias, 2 empates, 55 gols marcados e 10 gols sofridos;

2019-2020: 18 vitórias, 1 empate, 52 gols marcados e 16 gols sofridos;

TOTAL: 47 vitórias, 10 empates, 152 gols marcados e 36 gols sofridos em 57 jogos. Média de 2,66 gols por jogo;

 

  • Os 61 pontos conquistados nas primeiras 21 rodadas foi o melhor começo de um time entre as cinco principais ligas da Europa (Inglaterra, Itália, França, Espanha e Alemanha). E a marca foi estendida aos 79 pontos em 81 possíveis até a derrota na 28ª rodada;

 

  • O Liverpool alcançou a maior pontuação em uma sequência de 38 jogos na história da Premier League, não necessariamente em uma só temporada: foram 110 pontos da 28ª rodada da temporada 2018-2019 até a 27ª rodada da 2019-2020.
Champions Wall atualizado de novo! 19 títulos!

 

Após duas temporadas no topo, Mohamed Salah não foi o artilheiro da Premier League e terminou na 5ª colocação, com 19 tentos. Mané, com 18, veio logo atrás – o artilheiro foi Jamie Vardy, do Leicester, com 23 gols. No ranking de assistências, destaque para Alexander-Arnold, com 13, Robertson, com 12, e Salah, com 10. Eles só ficaram atrás de Kevin De Bruyne, do City, com 20 passes. O Liverpool completou a temporada com um aproveitamento de 71,9%. Foram 57 jogos, 41 vitórias, oito empates, oito derrotas, 117 gols marcados e 63 sofridos.

 

Immortals forever

Vai encarar? Foto: LFC.

 

A conquista da Premier League simbolizou o fim de um ciclo histórico do Liverpool. O clube pode manter seu apetite vencedor nos próximos anos, claro, mas é preciso um capítulo especial sobre esse período inesquecível de 2017 até 2020. Pelas partidas que protagonizou, pelos dramas que viveu e pela volta por cima com muito, mas muito estilo, esse Liverpool já é um dos maiores esquadrões do século XXI e tem seu lugar cativo no rol dos maiores times de toda a história do futebol inglês e do próprio clube. Após anos de decepções, derrotas amargas e títulos praticamente ganhos perdidos, os Reds voltaram à elite futebolística da qual jamais deveriam ter saído com um técnico extremamente identificado à ideologia e ao misticismo de Anfield, além de um grupo de jogadores que exaltou como poucos times conseguiram o lado coletivo, o Team. Jamais um só nome foi preferido ou imprescindível. Sempre todos jogaram por um e um por todos, ao mais clássico lema mosqueteiro. Os troféus levantados a partir de 2019 foram as consequências naturais da alta competitividade, da intensidade, da gana pela vitória e de não desistir nunca. Enfrentar o Liverpool nessa época foi dureza para todos. E acompanhá-lo uma emoção imensa para qualquer amante do futebol. Teve rock. Teve heavy metal. Teve emotion. Teve football. Honours. Cups. Beers. Songs. Crowd. Um Immortal Squad forever.

Os “brinquedinhos” de um time imortal: Supercopa da UEFA, Premier League, Liga dos Campeões e Mundial de Clubes.

 

Os personagens:

Alisson: o brasileiro chegou como o goleiro mais valioso do planeta em 2018 e status de salvador após anos de goleiros medianos na meta dos Reds. E, jogo após jogo, Alisson confirmou as expectativas com defesas sensacionais e uma regularidade impressionante. Com uma defesa no final do jogo contra o Napoli, salvou a classificação do Liverpool para as oitavas de final da Liga dos Campeões de 2018-2019. E, naquela mesma temporada, venceu diversos prêmios, entre eles o Prêmio Yashin de Melhor Goleiro do Mundo. Alisson permaneceu 21 jogos sem sofrer gols na Premier League de 2018-2019 e venceu a Golden Glove de melhor camisa 1 do torneio. Na temporada 2019-2020, sofreu com algumas lesões e disputou apenas 29 dos 38 jogos da campanha do título inglês – em 13 partidas não sofreu gols -, além de ter ficado de fora das oitavas da Liga dos Campeões. Foram 88 partidas com a camisa dos Reds entre 2018 e 2020 e 42 jogos sem levar gols.

Karius: o goleiro alemão nunca foi unanimidade em Anfield e não tinha a segurança de outros arqueiros que o Liverpool já teve em sua história, mas a temporada 2017-2018 foi desastrosa para ele. As falhas constantes e, principalmente, na decisão da Liga dos Campeões da UEFA contra o Real Madrid, foram a gota d’água para sua saída. Embora exames tenham detectado uma concussão no arqueiro em lance com Sergio Ramos minutos antes de sua primeira falha, problema que poderia ter influenciado em seu desempenho no fatídico jogo contra os merengues, ele não tinha mais clima para permanecer no clube. O goleiro foi jogar no Besiktas-TUR já em 2018.

Adrián: após várias temporadas no West Ham, o goleiro espanhol chegou em 2019 para compor o elenco e teve algumas oportunidades graças às lesões que acometeram o goleiro Alisson ao longo da temporada. Ele teve destaque na conquista da Supercopa da UEFA ao defender o pênalti que garantiu o título aos Reds, mas falhou no jogo decisivo contra o Atlético de Madrid-ESP pelas oitavas de final da UCL, causando a eliminação precoce do time de Anfield na competição.

Alexander-Arnold: cria do Liverpool, o lateral-direito foi lançado por Klopp a partir de 2016 e assumiu a titularidade em 2017. Com habilidade, velocidade e técnica para subir ao ataque e criar chances de gol, se transformou em um dos mais talentosos laterais do futebol mundial. Além de ser eficiente no setor ofensivo e nos passes, demonstrou também muita regularidade para defender graças à sua experiência jogando no meio de campo quando atuava nas categorias de base do clube. Na temporada 2018-2019 da Premier League, deu 12 assistências para gols e entrou para o Guinness Book como o defensor com mais assistências em uma única temporada da história do torneio inglês! Não contente, quebrou o próprio recorde na temporada seguinte com 13 assistências! Entre 2016 e 2020, Alexander-Arnold disputou 134 jogos e marcou oito gols.

Arnold no Guinness!

 

Nathaniel Clyne: foi titular absoluto na lateral-direita do Liverpool entre 2015 e 2017, mas perdeu o posto com a ascensão meteórica de Arnold. Sua titularidade foi prejudicada, também, por conta de seguidas lesões que sofreu, principalmente uma nas costas no final de 2017 e início de 2018, além de outra no ligamento cruzado anterior do joelho, em julho de 2019.

Matip: alemão de nascimento, mas naturalizado camaronês por conta da descendência de seu pai, o zagueiro chegou ao Liverpool em 2016, e, após sofrer críticas quanto ao seu desempenho, melhorou de produção e virou titular principalmente a partir da temporada 2017-2018. Seu melhor ano foi em 2019, quando ganhou inclusive o prêmio de jogador do mês de setembro da PFA no futebol inglês. No entanto, o zagueiro começou a sofrer com contusões e perdeu a posição para Joe Gomez. Disputou 111 jogos e marcou cinco gols entre 2016 e 2020.

Joe Gomez: o defensor inglês chegou em 2015 ao clube, mas só a partir de 2017 que começou a jogar com mais frequência. Bom na marcação e na antecipação de jogadas, fez ótimas partidas quando atuou como titular, principalmente a partir do segundo semestre de 2019, quando passou a fazer dupla com Van Dijk após a lesão de Matip. Disputou 43 jogos na temporada 2019-2020 e acumulou mais de 100 jogos pelos Reds entre 2015 e 2020. Polivalente, pode atuar em qualquer posição do setor defensivo.

Lovren: o zagueiro croata, vice-campeão do mundo com a Croácia na Copa de 2018, foi titular em boa parte do início do trabalho de Klopp nos Reds e autor do gol histórico que classificou o Liverpool na Liga Europa de 2015-2016. Embora nunca tenha sido uma unanimidade em Anfield, fez bons jogos principalmente entre 2016 e 2018. Acabou perdendo espaço com a chegada de Van Dijk e a maior regularidade de Matip, e ficou mais na reserva após o segundo semestre de 2018. Deixou o Liverpool em 2020 para jogar no futebol russo. Foram 185 jogos, oito gols e cinco assistências pelos Reds entre 2014 e 2020.

Van Dijk: 1,93m de altura, força física, liderança, habilidade no jogo aéreo, cara de poucos amigos, agilidade, senso de colocação e antecipação, perito em desarmes e temor de qualquer atacante. Com todas essas qualidades, Virgil van Dijk se transformou no melhor zagueiro do mundo com a camisa do Liverpool de maneira quase instantânea. Logo em sua estreia, em janeiro de 2018, marcou o gol da vitória sobre o rival Everton por 2 a 1 que classificou os Reds à 4ª fase da Copa da Inglaterra e não saiu mais do time. Com uma regularidade impressionante, é o dono da área, dificilmente erra e colecionou prêmios individuais, entre eles o de Melhor Jogador da Europa pela UEFA em 2018-2019, o primeiro defensor a conquistar tal honraria na história, além de ficar em segundo lugar na premiação do Ballon d’Or de 2019 (embora ele merecesse mais do que o vencedor daquele ano, Lionel Messi). Entre 2018 e 2020, Van Dijk disputou 122 jogos e marcou 12 gols pelo Liverpool. É presença constante, também, na seleção da Holanda, da qual virou capitão a partir de 2018.

Robertson: o lateral-esquerdo capitão da seleção escocesa chegou ao Liverpool em 2017 e recebeu vários elogios de Klopp, que colocou o jogador como titular. Eficiente nos passes, no apoio ao setor defensivo e na marcação, não perdeu a posição dali em diante e foi sempre um dos atletas com mais jogos no time por temporada. Entre 2017 e 2020, Robertson disputou 127 jogos e marcou quatro gols. Tanto na Premier League de 2018-2019 quanto na de 2019-2020, o escocês disputou 36 dos 38 jogos do Liverpool em cada temporada.

Fabinho: após brilhar com a camisa do Monaco e vencer o Campeonato Francês de 2016-2017, o volante brasileiro chegou em 2018 para suprir a saída de Emre Can e dar mais segurança e alternativas ao setor de meio de campo do Liverpool, que sofria bastante na defesa por causa de seu estilo de jogo ofensivo. E, aos poucos, o camisa 3 “assumiu o controle” do setor e fez grandes partidas, dando passes, desarmando adversários e até marcando gols. Polivalente, podia atuar como lateral e meia caso fosse necessário. Fundamental nos títulos da Liga dos Campeões de 2018-2019 e da Premier League da temporada seguinte.

Naby Keïta: com um fôlego privilegiado e atuações marcantes pelo RB Salzburg e RB Leipzig, Keïta chegou em 2018 aos Reds para reforçar a marcação do meio de campo e corrigir os problemas que o time tinha no setor. Vestindo a lendária camisa 8 de Gerrard, ele não decepcionou, e, embora não tenha sido titular absoluto, foi muito bem quando atuou entre os 11, com precisão nos passes e desarmes.

Milner: um dos mais polivalentes jogadores do elenco de Klopp, James Milner podia atuar como lateral, volante, meia ou ponta. Veloz, forte e com boa visão de jogo para construir jogadas, foi um dos principais jogadores do técnico alemão e fez grandes partidas pelos Reds desde seu início no clube, lá em 2015. São 214 jogos e 26 gols pelo clube nesse período.

Henderson: capitão do Liverpool desde 2015, logo após a saída de Gerrard, o meio-campista viveu vários momentos de drama e decepções até poder levantar, enfim, uma taça pelos Reds. Mas quando isso aconteceu, ele não parou mais! Liga dos Campeões da UEFA, Supercopa da UEFA, Mundial de Clubes, Premier League… Simplesmente os mais cobiçados troféus que um jogador sonha em levantar por um clube no futebol europeu. Sob o comando de Klopp, o jogador teve um rendimento exemplar ao longo das temporadas e foi abrindo seu leque de opções no meio de campo. Entre 2015 e 2017, Henderson tinha funções mais defensivas, como primeiro homem, marcando e protegendo a zaga. Depois, principalmente a partir de 2018, passou a aparecer mais no setor ofensivo, criando jogadas, dando passes precisos e fazendo lançamentos fantásticos, como o que originou o gol do título mundial de 2019 contra o Flamengo. Sua liderança foi outro fator crucial para o sucesso do time ao longo dos anos, encorajando seus colegas de elenco e sendo um porta-voz importante tanto dentro quanto fora de campo. No Liverpool desde 2011, Henderson acumulou no período 364 jogos e 29 gols pelos Reds, além de várias convocações para a seleção da Inglaterra, incluindo para as Copas do Mundo de 2014 e 2018.

Wijnaldum: o meio-campista teve papel decisivo na Liga dos Campeões de 2018-2019 ao anotar dois gols na goleada épica sobre o Barcelona, na semifinal da competição. Mas não foi só isso. Eficiente na construção de jogadas, nos passes, como alternativa no setor de ataque e também como volante, o holandês foi um dos principais nomes de Klopp nessa jornada de glórias e se firmou no time a ponto de colocar o então intocável James Milner no banco. Ele foi outro com alto número de jogos por temporada pelo clube desde seu início, lá em 2016, com média superior a 45 partidas. Na campanha do título inglês de 2019-2020, Wijnaldum disputou 37 dos 38 jogos da equipe. Foram 186 jogos e 19 gols entre 2016 e 2020.

Chamberlain: muito identificado com o Arsenal, o meia chegou em 2017 ao Liverpool, mas conviveu com várias lesões que tiraram o jogador de muitos compromissos decisivos do clube. Embora tenha disputado boas partidas nas temporadas 2017-2018 e 2019-2020, Chamberlain teve uma séria lesão em abril de 2018 que o fez disputar apenas dois jogos em toda a temporada 2018-2019, justo a do título da Liga dos Campeões. Jogou o Mundial de Clubes, mas saiu no decorrer da final após lesão no tornozelo.

Lallana: o meio-campista foi titular em vários jogos entre 2014 e 2017, mas perdeu espaço com as contratações do clube para o setor e as boas fases de Wijnaldum, Fabinho, Henderson e Milner. Além disso, algumas lesões atrapalharam a trajetória do atleta no clube. Deixou o Liverpool em 2020 para jogar no Brighton.

Emre Can: jogador muito versátil, podia atuar como volante, meia e até lateral. Ficou quatro anos em Anfield, foi bastante utilizado por Klopp em seu início de trabalho por causa de sua polivalência e técnica no meio de campo, mas deixou a equipe antes da fase de glórias, em 2018, para jogar na Juventus. Emre Can disputou 166 jogos e marcou 14 gols pelo Liverpool.

Salah: poucas vezes um jogador casou tão bem com um clube e com o estilo de um treinador como Mohamed Salah. Logo em sua primeira temporada, em 2017-2018, o egípcio foi um verdadeiro estrondo, abocanhou a artilharia da Premier League com 32 gols em 36 jogos, marcou 44 em 52 partidas no total pelos Reds e virou uma celebridade pelos golaços e pelas qualidades: velocidade, precisão no remate, frieza, passes precisos e um fôlego privilegiado para importunar os zagueiros a todo momento, a todo instante. Viveu um drama na final da Liga dos Campeões de 2017-2018, no fatídico lance com Sergio Ramos, mas deu a volta por cima em grande estilo já na temporada seguinte, com o título europeu e gol na decisão. O atacante também foi artilheiro da Premier League em 2018-2019, com 22 gols em 38 jogos, e foi sem dúvida alguma a maior referência de ataque do time de Anfield, além de virar ídolo da torcida, inspiração de músicas e um símbolo de uma era de ouro. Entre 2017 e 2020, Salah disputou 152 jogos e marcou 94 gols pelo Liverpool.

Firmino: Klopp conhecia o brasileiro dos tempos de Hoffenheim e ajustou a posição do jogador para que ele pudesse render mais do que nos tempos do ex-técnico dos Reds, Brendan Rodgers, que não escalava o atacante em sua melhor posição (mais centralizado). Em pouco tempo, Firmino virou o “falso 9” do time e se entendeu de maneira precisa com Salah e Mané, virando um garçom da dupla e também marcando seus gols. Foram 244 jogos, 78 gols e 54 assistências no período de 2015 até 2020 e grandes atuações que lhe colocaram entre os mais queridos da torcida de Anfield. Com personalidade, bom senso de colocação e técnica, foi fundamental para o sucesso do time no período. Marcou o gol do título mundial dos Reds na final de 2019 contra o Flamengo.

Origi: o “artilheiro dos momentos de drama” esteve presente em vários jogos cruciais do Liverpool nesses anos mágicos. Sempre que o time precisava de um gol salvador, lá estava Origi para colocar a bola para dentro. Foi assim contra o Borussia, lá no jogão da Liga Europa de 2015-2016, foi assim contra o Barça, nas semis da UCL de 2018-2019, foi assim na final da UCL contra o Tottenham daquela temporada e em vários jogos da Premier League. Embora nunca tenha tido o talento e técnica do trio de ataque titular e de outros companheiros, o belga foi uma peça importante para Klopp em várias ocasiões por seu oportunismo e senso de colocação. Entre 2015 e 2020, Origi disputou 140 jogos e marcou 34 gols pelo Liverpool.

Sturridge: o atacante chegou lá em 2012 ao Liverpool, fez uma boa temporada em 2013-2014, mas depois nunca conseguiu se firmar por causa das várias lesões que sofreu. Após as contratações de Salah e Mané, perdeu de vez espaço e jogou bem pouco. Deixou a equipe em 2019 para jogar no futebol turco.

Mané: veloz, forte, oportunista, técnico, decisivo. Sadio Mané completou o tridente de ataque espetacular do Liverpool e foi outra aposta certeira do técnico Klopp, que conhecia o atacante desde os Jogos Olímpicos de 2012. Com sua habilidade e faro goleador, rendeu várias comparações com outros ídolos dos Reds, principalmente John Barnes. O senegalês foi crucial para os títulos da Liga dos Campeões de 2018-2019, da Supercopa da UEFA (marcou os dois gols do jogo), do Mundial (deu o passe para Firmino no gol da vitória) e da Premier League. De 2016 até 2020, Mané disputou 170 jogos e marcou 81 gols pelo Liverpool.

Philippe Coutinho: embora tenha participado de vários momentos decisivos do Liverpool desde sua chegada, em 2012, e crescido de produção sob o comando de Klopp, o meia brasileiro demonstrou desinteresse em permanecer no clube a partir de agosto de 2017, o que de fato aconteceu em janeiro de 2018, quando foi jogar no Barcelona. Curiosamente, foi a saída dele do clube que tornou o Liverpool mais forte e menos previsível no meio de campo, pois Coutinho não era forte e não pressionava os rivais como os atletas que assumiram o posto depois dele. Foram 201 jogos e 54 gols pelos Reds entre 2012 e 2018.

Shaqiri: carrasco do Manchester United em vários jogos, o suíço foi uma grande barganha do Liverpool e um reserva de luxo de Klopp principalmente na temporada 2018-2019. Forte, habilidoso e imprevisível com a bola nos pés, foi uma alternativa ao setor ofensivo atuando pela direita, como um ponta. Disputou 41 jogos e marcou sete gols entre 2018 e 2020.

Jürgen Klopp (Técnico): energético, vencedor, carismático, extremamente identificado com a torcida e com o clube e exemplo de treinador. Klopp entrou para sempre no seleto rol de grandes técnicos da história do Liverpool, ao lado de Bill Shankly e Bob Paisley não só pelos títulos, mas por resgatar a identidade mística do clube ao longo dos anos. Ele fez de Anfield um estádio temido, onde o Liverpool permaneceu três temporadas seguidas sem perder na Premier League, devolveu a Europa ao clube depois de mais de uma década e reergueu a coroa na Inglaterra após 30 anos de jejum. Abraçou o elenco, criou um time fortíssimo e altamente competitivo, extraiu o que de melhor cada jogador tinha, deu chances aos novatos e fez história. Em 2019, venceu ainda o prêmio de Melhor Técnico do Mundo da FIFA. Entre 2015 e 2020, Klopp comandou o Liverpool em 265 jogos, com 162 vitórias, 56 empates, 47 derrotas, 546 gols marcados (2,06 gols por jogo) e 269 gols sofridos, aproveitamento superior a 60%. Já é um imortal e ídolo dos Reds.

 

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5 thoughts on “Esquadrão Imortal – Liverpool 2017-2020

  1. Olá, belo texto que vocês escreveram tão brilhantemente sobre esse Liverpool de Jürgen Norbert Klopp e cia…., por favor, na categoria jogos eternos inclua Barcelona 2 x 2 Chelsea duelo de semifinal da UEFA Champions League de 2011-2012, uma das semi finais mais alucinantes da historia, desde já agradeço. Sou um admirador incondicional desse blog, forte abraço e sucesso sempre

    1. Tem tempo sim, mas vencer a Premier League depois de 30 anos foi um feito enorme, que já merecia um capítulo especial. Se vierem mais títulos, ele ganhará outro texto! 🙂

      1. Sou fã do Liverpool desde 2004/2005, na época comecei gostando do Gerrard e logo em seguida do time, sempre escolhia ele no videogame. Nessa época como a internet não era tão desenvolvida e os canais fechados pouco acessíveis, fui acompanhando como pude… Quanto tempo, que saudade!
        Eu estou sem palavras para descrever como foi emocionante ler esse Esquadrão Imortal, um esquadrão do Liverpool! Obrigado pessoal do Imortais do Futebol, gosto muito do trabalho de vocês.

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