Seleção dos Sonhos da Alemanha

 

Por Guilherme Diniz

 

Competir é com eles. Vencer, ainda mais. E se for com absolutismo, melhor ainda. São quatro Copas do Mundo, três títulos da Eurocopa, uma Copa das Confederações, quatro vice-campeonatos mundiais, três vice-campeonatos da Euro e o recorde de 13 semifinais disputadas em Copas. Temida por praticamente todos os rivais do planeta, a seleção da Alemanha possui uma das mais vastas e condecoradas histórias do futebol. Respeitada por seus feitos e carrasca de duas das maiores seleções do século XX (a Hungria de 1954 e a Holanda de 1974), a Nationalelf sempre brigou por títulos de igual para igual contra qualquer equipe, sem se importar com torcida contra, estádio lotado ou circunstância. Ao longo das décadas, a equipe germânica teve craques do mais alto nível técnico, jogadores completos, profissionais e exemplares não só dentro de campo, mas também fora dele. A prova de tudo isso é, claro, a quantidade de títulos conquistados. Assim como nas outras enquetes, foi bem difícil selecionar apenas 11 atletas, mas vocês montaram um time sensacional! Vamos a ele!

 

Alemanha dos Sonhos – Escolha dos Leitores e Leitoras

 

Esquema tático: 4-3-3

 

Com uma boa diferença de votos, o esquema 4-3-3 venceu o 4-4-2 para dar a essa Alemanha dos Sonhos uma enorme força no meio de campo e ataque. Com vários jogadores polivalentes entre os 11 titulares, tal esquema poderia privilegiar um rodízio tanto na zaga quanto no meio de campo, dependendo da circunstância do jogo. Beckenbauer poderia avançar para o meio, Matthäus ir ao ataque, Sammer fazer a função de líbero e tudo vice e versa.

O time: Sepp Maier; Philipp Lahm, Franz Beckenbauer, Matthias Sammer e Paul Breitner; Bastian Schweinsteiger, Fritz Walter e Lothar Matthäus; Karl-Heinz Rummenigge, Gerd Müller e Jürgen Klinsmann. Técnico: Franz Beckenbauer.

Os Escolhidos

 

Goleiro: Sepp Maier

Titular do lendário Bayern tricampeão europeu nos anos 1970 e camisa 1 da Alemanha campeã da Europa em 1972 e da Copa do Mundo de 1974, Die Katze (O Gato) é até hoje considerado o maior goleiro alemão de todos os tempos. E isso não é nenhum exagero. Com reflexos rápidos, coragem e um senso de colocação raríssimo, Maier dominava todos os fundamentos necessários para um ótimo goleiro. Com um grande senso de humor, sempre foi muito querido pelos torcedores com seu carisma e jeito de ser (mas quando precisava ser bravo, ele era!). Maier disputou 95 jogos pela Alemanha entre 1966 e 1979, disputou quatro Copas do Mundo (1966, como reserva, e 1970, 1974 e 1978, essas todas como titular). Seu legado é imensurável e ele foi inspiração para todos os goleiros de sucesso do país nas décadas seguintes, entre eles Oliver Kahn, Jens Lehmann e Manuel Neuer. Leia mais sobre ele clicando aqui!

Um voto. Foi com essa apertadíssima diferença que Sepp Maier venceu Manuel Neuer e entrou na Seleção dos Sonhos da Alemanha! O camisa 1 campeão do mundo em 1974 quase perdeu o posto para o titular da Alemanha campeã da Copa de 2014, que segue a passos largos para ser um dos maiores goleiros da história, assim como seu compatriota. A terceira colocação ficou com Oliver Kahn, absoluto na meta do Bayern e da seleção no final dos anos 1990 e início dos anos 2000.

 

Lateral-Direito: Philipp Lahm

Foto: EPA/PETER POWELL

 

Capaz de atuar em ambas as laterais e também como volante, capitão do Bayern campeão do Treble de 2012-2013 e da Alemanha campeã do mundo em 2014, Philipp Lahm foi outra referência germânica nos anos 2000 e exemplo de profissional. O craque jamais foi expulso na carreira e demonstrou uma regularidade impressionante em seu período como jogador. Marcava muito bem, avançava constantemente ao ataque e tinha um chute cheio de efeito de fora da área. Cria do Bayern, jogou no clube de 2002 até 2017 e acumulou mais de 330 jogos pelos Bávaros. Pela seleção, foram 113 jogos e cinco gols – Lahm é o 5º que mais vestiu o manto da Nationalelf. O defensor disputou as Copas de 2006, 2010 e 2014, essas duas últimas como capitão.

Com quase 80% dos votos, Lahm dominou a votação e não deu chances a Berti Vogts, craque dos anos 1970 e que mais se aproximou do vencedor. Vogts se destacou por ter anulado Cruyff na final da Copa de 1974 e colecionado títulos no formidável esquadrão do Borussia Mönchengladbach dos anos 1970

 

Lateral-Esquerdo: Paul Breitner

Ele era genioso, mas também genial. Emendava poderosos chutes de fora da área, efetuava lançamentos precisos para os companheiros, exibia sua habilidade e velocidade e assumia a liderança de uma partida com um ar extremamente sólido e sem temer adversário algum. O caminho natural para Paul Breitner não poderia ser outro: quase todos os principais títulos possíveis para um jogador de futebol, as maiores glórias pela seleção e idolatria eterna das torcidas do Bayern München e do Real Madrid, além do reconhecimento de todos como um dos mais talentosos e completos defensores de todos os tempos. Fabuloso lateral-esquerdo, Breitner escreveu sua história não apenas com atuações fantásticas dentro de campo, mas também fora dele, por sempre dizer o que pensava, não amenizar nas críticas aos companheiros e até treinadores e nunca negar seu lado revolucionário. Mesmo bastante controverso, Breitner jamais deixou de jogar em alto nível e mostrou sua versatilidade com o passar do tempo ao atuar como meio-campista com tanta qualidade como nos tempos de lateral, a ponto de voltar à seleção alemã oito anos depois do título mundial de 1974 e mais uma vez conduzir sua equipe a uma final de Copa, em 1982, que seria perdida para os italianos. Mas Breitner conseguiu enriquecer ainda mais sua carreira ao balançar as redes nas duas decisões de Mundial que disputou, tornando-se um dos quatro craques a conseguir tal feito (os outros foram Pelé e Vavá, do Brasil, e Zidane, da França). Foram 48 jogos e 10 gols pela seleção da Alemanha, defendida entre 1971 e 1986 pelo craque, e duas Copas do Mundo disputadas (1974 e 1982). Leia mais sobre ele clicando aqui!

Breitner dominou os votos e venceu facilmente a enquete com mais de 76% da preferência. O segundo colocado foi Andreas Brehme, titular da Alemanha campeã do mundo na Copa de 1990 e autor do gol do título na final contra a Argentina. Brehme se destacou, também, vestindo a camisa da grande Internazionale do final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Quem também apareceu entre os mais votados foi Philipp Lahm, que atuou em vários jogos da carreira como lateral-esquerdo.

 

Zagueiro: Franz Beckenbauer

O futebol alemão já era campeão mundial quando, em 1964, exatamente 10 anos depois do primeiro título, conheceu um jogador que seria o maior símbolo do esporte na Alemanha por duas décadas. Esse craque mudaria para sempre o futebol no país com uma elegância e eficiência nunca antes vista na história, além da extrema liderança em campo. Suas atuações brilhantes, fabulosas e seguras deram a ele o título de “Der Kaiser” (O Imperador, em alemão). Franz Beckenbauer foi, sem dúvida, o maior jogador alemão da história do futebol, e também um dos cinco ou seis maiores de todos os tempos. O craque podia jogar plenamente na zaga, formidavelmente no meio de campo e até como lateral. Para melhorar, ainda marcava gols. Foi um dos grandes líderes do super Bayern München da década de 1970 e capitão da Alemanha nos títulos da Europa e do Mundo, também na década de 1970. Depois de pendurar as chuteiras, conseguiu se igualar ao brasileiro Zagallo e ser o segundo homem a vencer uma Copa do Mundo tanto como jogador quanto como técnico. Precisa de mais? Acho que não!

Beckenbauer com o braço imobilizado na Copa de 1970: cena para a história.

 

Beckenbauer é o 9º jogador com mais partidas pela Alemanha (103 jogos) e marcou 14 gols, além de ter disputado as Copas de 1966, 1970 e 1974 e ter sido um dos personagens do “Jogo do Século” Itália 4×3 Alemanha, na semifinal do Mundial de 1970, quando atuou com o braço imobilizado para não abandonar sua pátria. Um verdadeiro Imortal do Futebol. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Zagueiro: Matthias Sammer

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Um dos maiores meio-campistas e líberos da história do futebol alemão, Matthias Sammer foi um ícone do final dos anos 1980 e boa parte da década de 1990. Depois de ser um dos primeiros jogadores a mudar de lado na Alemanha reunificada, o craque foi mudando seu estilo de jogo do meio de campo para a defesa quando passou a trabalhar com o técnico Ottmar Hitzfeld, no Borussia Dortmund. Na condição de líbero, ficou ainda melhor e conduziu com maestria o Borussia ao bicampeonato alemão em 1994-1995 e 1995-1996, à Liga dos Campeões da UEFA de 1996-1997 e a Alemanha ao tricampeonato da Eurocopa em 1996. Nesse mesmo ano, faturou quase todos os títulos individuais possíveis: Jogador Alemão do Ano, Bola de Ouro e Melhor Jogador da Eurocopa. Uma pena que logo depois de se consagrar tenha sofrido uma séria lesão no joelho que o tiraria dos gramados precocemente, aos 31 anos, em 1999. Com senso de colocação pleno, fôlego para ir ao ataque e voltar e impecável na marcação e desarme, o jogador disputou 51 jogos e marcou oito gols pela Nationalelf entre 1990 e 1997. Contando as partidas pela antiga Alemanha Oriental (23 jogos e seis gols entre 1986 e 1990), foram 74 jogos e 14 gols no total.

 

Notabilizada por sempre ter grandes defensores, a briga por duas vagas no miolo de zaga foi disputada, embora a primeira colocação tenha ficado sem sustos com Beckenbauer, que teve 91,6% dos votos. Sammer contabilizou 40,6% e venceu Lothar Matthäus, outro polivalente que atuou durante algum tempo como líbero. Hans-Georg Schwarzenbeck, defensor do Bayern tricampeão europeu e da Alemanha campeã do mundo em 1974, apareceu na sequência com 11,7% dos votos, seguido de Mats Hummels, titular da equipe campeã da Copa de 2014.

 

Volante: Bastian Schweinsteiger

AP Photo/Frank Augstein

 

Revelado pelo Bayern no início dos anos 2000, Bastian Schweinsteiger consolidou-se ao longo dos anos como um dos maiores craques da história do futebol alemão. Capaz de atuar em qualquer posição do meio de campo, seja para defender ou atacar, e com imensa qualidade nos passes, plena visão de jogo, força nos chutes, nos desarmes e precisão nos lançamentos, o jogador foi o grande motor da seleção alemã entre 2010 e 2014 e titular em todos os times montados pelo técnico Joachim Löw. Disputou as Copas de 2006, 2010 e 2014. Colecionou títulos em Munique, esteve no esquadrão do Treble de 2012-2013 e é o 4º com mais jogos pela Nationalelf na história: 121 jogos, além de 24 gols marcados.

 

Volante / Meia: Lothar Matthäus

Meio-campista cheio de técnica, vigor, força de marcação, precisão no desarme, chute poderoso e muita liderança. Além de tudo isso, tinha um raro senso de posicionamento, era exímio passador e sempre aparecia no ataque como um verdadeiro meia. Lothar Matthäus é uma lenda absoluta e um dos maiores craques da história não só de seu país, mas também de todos os tempos. Seu debute no Borussia Mönchengladbach, em 1979, fez com que ele recebesse já em 1980 uma vaga na Alemanha que disputou (e venceu) a Eurocopa daquele ano. A partir dali, sua carreira decolou e Matthäus disputou cinco Copas do Mundo (um recorde!): 1982, 1986 (esta como titular absoluto e com a singela missão de marcar Diego Maradona na final), 1990, 1994 e 1998. Líder e um craque com a bola nos pés, Matthäus capitaneou a Alemanha campeã do mundo na Copa de 1990 e marcou diversos gols pela grande Internazionale do final dos anos 1980 e início dos anos 1990, sendo essencial para a conquista da Copa da UEFA de 1991, quando foi o artilheiro do time com seis gols. Ainda em 1991, Matthäus foi eleito pela FIFA o primeiro Melhor Jogador do Mundo da história. O alemão conquistou quase todos os títulos possíveis para um futebolista profissional (dos maiores, só faltou a Liga dos Campeões da UEFA). Depois de seu período de ouro na Inter, pela qual marcou 53 gols em 153 jogos, Matthäus retornou ao Bayern e se tornou um exímio líbero. O craque ostenta até hoje o recorde de jogos disputados pela Alemanha na história: 150 partidas, além de 23 gols, entre 1980 e 2000. Leia mais sobre ele clicando aqui!

Com o esquema 4-3-3 e a flexibilidade de Matthäus e Schweinsteiger de poderem atuar tanto mais focados na marcação quanto no apoio ao ataque, a dupla ficou com duas vagas no meio de campo não só por essas qualidades, mas também pela votação. Matthäus teve mais de 71% da preferência, e Schweinsteiger, mais de 45%, índice que fez o craque do time campeão do mundo de 2014 eliminar um concorrente da posição de meia na enquete. Toni Kroos, outro craque da Alemanha de 2014, também teve uma votação expressiva com 40,8%, e ficou na terceira colocação.

 

Meia: Fritz Walter

 

Capitão do Milagre de Berna, como ficou conhecida a vitória da Alemanha sobre a Hungria na final da Copa de 1954, patrimônio do Kaiserslautern, clube pelo qual jogou toda a carreira e empresta seu nome ao estádio dos Diabos Vermelhos, e sobrevivente da 2ª Guerra Mundial, quando foi convocado para a brigada de paraquedistas e chegou a jogar futebol com guardas húngaros e eslovacos em um campo de prisioneiros de guerra. Fritz Walter conseguiu vencer todos os obstáculos da vida com perseverança, liderança e, claro, futebol. Foi o esporte que o salvou quando um guarda húngaro, no já citado campo de prisioneiros de guerra, reconheceu Walter por tê-lo visto jogar pela Alemanha em um duelo contra a Hungria, em 1942, vencido pelos alemães por 5 a 3. Dias depois, o nome de Walter foi retirado da lista de prisioneiros que seriam enviados para a Sibéria, e Walter pôde retornar ao seu país no final de 1945. Mesmo com o abalo psicológico da guerra, Walter colecionou troféus pelo Kaiserslautern e foi campeão do mundo em 1954 com a Alemanha. O craque atuava sempre mais avançado, construindo jogadas e marcando gols. Foram 61 jogos e 33 gols pela Nationalelf entre 1940 e 1958, além de duas Copas do Mundo disputadas (1954 e 1958).

 

O capitão de 1954 venceu a acirrada disputa no setor criativo do meio de campo dessa Alemanha com mais de 43% dos votos, deixando em segundo lugar Michael Ballack, com 34,4% dos votos, meia que marcou época nos anos 2000 pela seleção e por clubes. Depois dele, Thomas Müller, estrela da seleção nas Copas de 2010 e 2014 e que também podia atuar como atacante, conseguiu 26,1% dos votos.

 

Atacante: Karl-Heinz Rummenigge

Ele era forte, inteligente, driblador, tinha uma aceleração explosiva, iniciava as jogadas, mas também as construía na plenitude, marcando gols de arrancadas fulminantes, de cabeça e de tudo quanto era jeito. Um desavisado poderia até pensar que ele era latino. Mas não. Ele era alemão. E muito. A começar pelo nome: Karl-Heinz Rummenigge. O mundo do futebol teve o privilégio de presenciar no final dos anos 1970 e em grande parte da década de 1980 o esplendor de um dos maiores atacantes da história do esporte e também um dos mais talentosos que já existiu. Com a bola nos pés, Rummenigge parecia um touro fulminante que deixava gélidos os zagueiros rivais, que não tinham ferramentas ou talento disponíveis para frear aquele craque que transbordava talento, objetividade e faro de gols.

 

Depois que Franz Beckenbauer deixou o Bayern, foi Rummenigge o responsável por colocar embaixo de seus braços toda uma torcida carente de um ídolo. O mesmo aconteceu na seleção, quando Rummenigge a capitaneou em duas Copas seguidas (1982 e 1986) e por pouco, mas muito pouco, não levantou a taça mais cobiçada do planeta – foram dois vices-campeonatos (ele disputou também a Copa de 1978). Até hoje, Rummenigge é considerado por muitos o segundo melhor jogador alemão de todos os tempos, abaixo apenas de Beckenbauer. Ele é o 6º maior artilheiro da Nationalelf com 45 gols em 95 jogos entre 1976 e 1986 e foi campeão da Eurocopa de 1980. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Atacante: Gerd Müller

Ele foi um dos mais letais e precisos goleadores da história do futebol, daqueles que dificilmente ficava um jogo sem marcar. Seus chutes eram certeiros, rasteiros, um terror para os goleiros. Seu faro apurado deixava o Bayern sempre com a certeza de que um placar de 1 a 0 era praticamente garantido antes mesmo do pontapé inicial, afinal, Gerd Müller, era um verdadeiro bombardeio. Com números incríveis e média de quase 1 gol por jogo em toda carreira, o baixinho troncudo fez história pelos bávaros conquistando um punhado de títulos, entre eles o tricampeonato europeu na década de 1970 e um Mundial Interclubes. Pela seleção, Gerd Müller foi artilheiro da Copa de 1970 com 10 gols e campeão em 1974, quando anotou quatro gols, entre eles o do título mundial sobre a temida Holanda de Cruyff.

Por muitos anos, o atacante ostentou a invejável marca de maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 14 gols, até ser superado por Ronaldo e pelo compatriota Klose décadas depois. Gerd Müller é o 2º maior artilheiro da história da Alemanha com 68 gols em 62 jogos, uma média impressionante de 1,10 gols por jogo! Ele é também o maior artilheiro da história da Bundesliga com 365 gols em 427 partidas e o maior artilheiro da história do Bayern München com 563 gols em 605 jogos. Uma máquina, simples assim! Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Atacante: Jürgen Klinsmann

Durante décadas os atacantes da Alemanha foram tachados de “durões”, rompedores e simples fazedores de gols, sem a habilidade de jogadores latinos. Porém, essa mesma Alemanha passou a mudar seu histórico não só com o já citado Rummenigge, mas também com um craque que não marcava apenas gols, mas que driblava, construía jogadas, tabelava e assinava pinturas eternas. Jürgen Klinsmann, o loirinho arisco e irreverente de Göppingen, encantou o planeta por anos com um futebol bonito de se ver. Klinsmann pegava os goleiros desprevenidos, era um oportunista nato, inteligente e tinha um chute certeiro com a perna direita.

Campeão do mundo em 1990 e da Europa em 1996 (esta como capitão) pela seleção, o craque fez o caminho inverso ao de muitos jogadores colecionando mais títulos de expressão por seu país do que por clubes, além de ter anotado gols em todas as competições que jogou com a camisa da Alemanha, da Eurocopa de 1988 até a Copa do Mundo de 1998. Klinsmann é o 4º maior artilheiro da história da seleção (empatado co Rudi Völler) com 47 gols em 108 jogos disputados. Ele disputou três Copas (1990, 1994 e 1998) e marcou gols em todas elas, alcançando a marca de 11 gols em 17 jogos em Mundiais. Leia mais sobre ele clicando aqui!

O trio de ataque dessa Alemanha dos Sonhos praticamente polarizou as preferências e teve uma grande margem sobre seus concorrentes. Gerd Müller foi o primeiro, com mais de 93% dos votos, seguido de Rummenigge, com 56,1% e Klinsmann, com 53,6%. A quarta colocação ficou com Miroslav Klose, maior artilheiro das Copas, com 28%, seguido de Rudi Völler, com 10,9%, e Uwe Seeler, célebre atacante dos anos 1960 e 1970, com 9,2%. Thomas Müller, grande estrela da seleção nas Copas de 2010 e 2014, também figurou entre os mais votados, com 8,4%.

 

Técnico: Franz Beckenbauer

Ser o segundo homem na história a vencer uma Copa do Mundo como jogador e treinador e conduzir a Alemanha também a um vice-campeonato mundial em 1986 pesou bastante na escolha do Kaiser como técnico dessa Alemanha dos Sonhos. Beckenbauer não tinha experiência alguma quando foi nomeado pela DFB o treinador da Nationalelf, em 1984, e nem o mais otimista torcedor poderia imaginar o sucesso que ele teve. Com seu conhecimento absoluto em futebol e táticas vividas com a camisa da própria Alemanha e, principalmente, do Bayern, o Kaiser comandou a seleção germânica no vice-campeonato da Copa de 1986, foi semifinalista da Euro de 1988 e conquistou de maneira categórica a Copa de 1990. Ele foi o responsável por dar ainda mais liberdade a craques como Rummenigge, Völler e Matthäus, além de lançar os jovens Brehme e Klinsmann e montar uma defesa fortíssima no Mundial de 1990 com Kohler, Augenthaler e Buchwald. Em 66 jogos, Beckenbauer acumulou 34 vitórias, 20 empates, 12 derrotas, 107 gols marcados e 61 sofridos.

 

Beckenbauer teve sete votos a mais do que o segundo colocado, o lendário Helmut Schön, treinador da equipe campeã da Europa em 1972 e do mundo em 1974, e conseguiu vencer a disputa de técnico da Alemanha dos Sonhos. A terceira colocação ficou com Joachim Löw, comandante da equipe campeã do mundo de 2014. Sepp Herberger, técnico campeão do mundo em 1954, foi o 4º colocado, seguido de Berti Vogts (campeão da Euro de 1996) e Jupp Derwall, campeão da Euro de 1980 e vice-campeão do mundo em 1982.

 

Reservas imediatos

 

Goleiro: Manuel Neuer

Lateral-Direito: Berti Vogts

Lateral-Esquerdo: Andreas Brehme

Zagueiros: Hans-Georg Schwarzenbeck e Mats Hummels

Volantes: Toni Kroos e Wolfgang Overath

Meias: Michael Ballack, Thomas Müller e Andreas Möller

Atacantes: Miroslav Klose, Rudi Völler e Uwe Seeler

Auxiliar técnico: Helmut Schön

 

O Imortais também escalou a sua seleção! Veja abaixo:

 

Alemanha dos Sonhos – Escolha do Imortais

Esquema tático: 4-3-3

 

O time: Sepp Maier; Philipp Lahm, Franz Beckenbauer, Karl-Heinz Schnellinger e Paul Breitner; Bastian Schweinsteiger, Fritz Walter e Lothar Matthäus; Karl-Heinz Rummenigge, Gerd Müller e Jürgen Klinsmann. Técnico: Helmut Schön.

 

Jogando no mesmo esquema 4-3-3, a seleção do Imortais é bem parecida com a dos leitores e leitoras, mas possui Karl-Heinz Schnellinger no miolo de zaga ao lado de Beckenbauer. Defensor extremamente técnico e com habilidade para jogar, também, como lateral-esquerdo, ele poderia dar suporte para as investidas de Paul Breitner ao ataque e ainda mais qualidade ao setor germânico. Do meio para frente, tudo igual: um meio de campo formidável com Bastian Schweinsteiger, Fritz Walter e Lothar Matthäus e o ataque devastador com Karl-Heinz Rummenigge, Gerd Müller e Jürgen Klinsmann. O técnico desse timaço seria Helmut Schön, estrategista nato e multivencedor nos anos 1970 com a super Alemanha campeã da Europa em 1972 e do mundo em 1974. Os reservas seriam: Manuel Neuer no gol, Berti Vogts e Andreas Brehme para as laterais, Hans-Georg Schwarzenbeck e Matthias Sammer para a zaga, Wolfgang Overath como volante, Thomas Müller e Pierre Littbarski como meias, e Uwe Seeler, Jupp Heynckes e Miroslav Klose para o ataque.

 

Os escolhidos pelo Imortais ausentes na seleção dos leitores (as):

 

Zagueiro: Karl-Heinz Schnellinger

Photo by Jochen Blume/ullstein bild via Getty Images

 

O alemão foi um dos maiores defensores que atuavam pela esquerda da história do futebol mundial e ganhou o curioso apelido de “Volkswagen” por conta de sua performance “duradoura e de qualidade”. Tinha uma mentalidade vencedora notável, muita calma e inspirava confiança tanto pelo Milan, no qual jogou entre 1965 e 1974, quanto pela seleção alemã, pela qual jogou quatro Copas (1958, 1962, 1966 e 1970), tendo marcado um único gol, porém marcante: o de empate em 1 a 1 no jogo contra a Itália na semifinal da Copa de 1970, que levou a partida para a prorrogação mais espetacular de todos os tempos. Venceu oito títulos com a camisa do Milan e é um ídolo eterno do clube. Foram 47 jogos pela Nationalelf.

 

Técnico: Helmut Schön


Nenhum treinador teve um desempenho tão marcante e notável quanto Helmut Schön no comando da Nationalelf. Após ser assistente técnico da seleção entre 1956 e 1964, ele assumiu a Alemanha entre 1964 e 1978 para acumular as maiores glórias possíveis. O início, claro, não foi nada fácil, afinal, a Alemanha amargou um polêmico vice-campeonato na Copa de 1966 – com o famoso gol-fantasma, caiu na semifinal da Copa de 1970 diante da Itália e só começou a volta por cima em 1972, com a conquista da Eurocopa. Estrategista nato, Schön lapidou os melhores craques da época e soube aproveitar a melhor safra da história germânica para montar uma seleção forte na marcação, criativa no meio de campo e letal no ataque. Assim, levantou a Copa do Mundo de 1974 com a lendária vitória por 2 a 1 sobre a favorita Holanda de Cruyff. Em 1976, quase venceu outra Eurocopa, mas sua Alemanha perdeu nos pênaltis para a Tchecoslováquia e a cavadinha de Panenka. Sua despedida aconteceu na Copa do Mundo de 1978, quando a Alemanha caiu na segunda fase. Schön foi o primeiro técnico a vencer uma Euro e uma Copa por seleção e detém o recorde de mais partidas e de mais vitórias na história dos Mundiais: 25 jogos e 16 vitórias, além de ser um dos recordistas em número de Copas consecutivas disputadas no comando da mesma seleção: quatro torneios (1966, 1970, 1974 e 1978). Schön treinou a Alemanha em 139 jogos, com 87 vitórias, 31 empates, 21 derrotas, 292 gols marcados e 107 sofridos, aproveitamento de 62,5%, um dos maiores da história da Nationalelf.

 

 

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4 thoughts on “Seleção dos Sonhos da Alemanha

  1. Bem eu respeito as escolhas de cada um, mais o Maier como o melhor goleiro da historia da Alemanha já foi ultrapassada a muito tempo, já tinha sido ultrapassada com a presença de Oliver Kahn e agora apareceu alguém mais completo ainda falo de Manuel Neuer o melhor goleiro que vi jogar. e olha que eu vi essas três lendas do futebol alemão jogar.

  2. Em minha seleção, arrumei um lugar pro Vogts na lateral direita e coloquei o Lahm na lateral esquerda, puxando o Breitner pro meio no lugar do Schweinsteiger… São tantas opções de jogadores polivalentes que daria para eventualmente Mathaus ser líbero e liberar Beckenbauer para atacar

  3. Alemanha, país mais que notável do futebol e perita em construir seleções imortais. Imortais, eu creio que a categoria Time dos Sonhos vai bombar (se já não bombou) e espero que venha outros mais. Abraço!

    Pergunta: Imortais, vai ter Seleção dos Sonhos do Uruguai?

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